Crenshaw conta seis fontes gerais de força que podem atuar sobre um navio independentemente de qualquer outra embarcação.
| Fonte de força | Controle |
|---|---|
| propellers (hélices), rudders (lemes), mooring lines (espias), ground tackle (amarras/âncora) | as primeiras quatro são controláveis do navio |
| wind (vento) e current (corrente, marés incluídas) | não controláveis — mas aproveitáveis se bem manobradas |
Exemplo (Fig. 2-1)magnitudes de amostra para um destroyer de 2.200 t.
São forças apenas: o movimento só vem depois que a inércia agiu. O navio acelera sob a força até a resistência do fluido equilibrá-la — aí a velocidade fica constante. Vale para forças fora do centro (que giram o navio) tanto quanto pelo centro de gravidade.
Toda força na água se manifesta como diferença de pressão: a água (incompressível) flui da alta para a baixa pressão.
Bernoulli e pressão dinâmica
- Dois componentes num dado ponto: pressão estática (peso da água acima, igual em toda a profundidade → não causa movimento) e pressão dinâmica (do movimento da água ao redor).
- Teorema de Bernoulli: numa dada profundidade a soma estática + dinâmica é constante. Quando o casco/pá acelera a água, a estática cai na medida da dinâmica → surgem os efeitos hidrodinâmicos.
P = ρV²/2g › P = pressão dinâmica (lbs/ft²) › ρ = densidade do fluido › V = velocidade do fluxo › g = 32,2 ft/s²
RegraPressão ∝ densidade do fluido e ao quadrado da velocidade.
Água × arÁgua salgada a 64,4 lbs/ft³ é 855 vezes mais densa que o ar úmido padrão (0,0752 lbs/ft³). Regra prática: o ar precisa mover-se 30 vezes a velocidade da água p/ igual pressão dinâmica — 30 nós de vento = 1 nó de corrente.
Rupturas da continuidade da água: separation (separação — abre um vazio quando a pá afasta a água rápido demais) e cavitation (cavitação — pressão cai ao ponto de vaporização). Ambas ocorrem em mudanças abruptas ou em pá girando rápido, e alteram as forças.
DefiniçãoHydrofoil = membro fino, tipo placa (pá de hélice ou leme), feito p/ obter lift quando inclinado ao fluxo.
| Termo | Significado |
|---|---|
| angle of attack | ângulo entre o hydrofoil e o fluxo livre relativo |
| lift | reação perpendicular ao fluxo |
| drag | reação paralela ao fluxo |
Placa plana × foil perfiladoPlaca plana força mudança abrupta → pode haver separation; o foil bem perfilado torna a aceleração gradual e evita a separação (Fig. 2-2a/b).
Membros do navio que são hydrofoils
- Rudder (leme): força lateral ∝ área, pressão dinâmica e angle of attack.
- Casco: inclinado ao fluxo sente força lateral + momento que tendem a realinhá-lo; em guinada estável a taxa fica constante quando o momento do casco iguala o do leme.
- Quilhas/skegs e bilge keels (rolling chocks): geram momento corretivo quando o navio balança.
Angle of attack real do leme = ângulo do leme em relação ao navio menos o ângulo de inclinação do navio à sua real direção de movimento.
Propriedade capital: a força é ∝ ao quadrado da velocidade da água que realmente passa pelo foil — que pode diferir muito da velocidade do navio. Leme atrás de hélice avante gera força antes do navio mover; num back bell pouca corrente passa pelo leme → sem força útil até ganhar seguimento.
Objetivo de projetoMáximo thrust na linha do eixo a partir de um dado torque. Pá fixa é otimizada p/ uma velocidade (normalmente a máxima), mas rende bem em todas.
- Velocidade real < passo × rpm ideal (a pá precisa estar inclinada ao fluxo). Velocidade ≈ linear com o rpm até separation/cavitation ficarem fortes.
- Força perpendicular à face média da pá → inclinada ao eixo. As pás simétricas cancelam os componentes radiais → thrust líquido no eixo; por isso o balanceamento exato importa (dano → forte vibração).
Astern: mesmo passo, mas a seção invertida é menos eficiente → dado rpm a ré pede mais potência que avante, entregando thrust aproximadamente igual.
O fluxo real deixa a hélice em spiral (helical) discharge — a rotação que as pás dão à água. A perturbação é mínima quando a hélice trabalha menos e máxima quando o navio vai num sentido e as hélices são forçadas a toda potência no outro. O uso hábil desses efeitos secundários é o que viabiliza manobras intrincadas.
Fato centralAlém do thrust axial, a hélice produz side force apreciável na popa — muitas vezes o fator decisivo da manobra. Hélice isolada e funda em água aberta não sente side force (componentes radiais cancelam); a hélice real (rasa, junto ao casco) sempre sente.
Wake e diagrama de velocidades
- Following wake: o navio arrasta água por atrito. Fronteira = ponto onde a esteira vale 2% da velocidade do navio; cresce da proa (zero) à popa (vários pés).
- Navio a 15 nós com esteira de 3 nós apresenta só 12 nós à hélice. Sobre o disco a velocidade cai a 20% da do navio em pontos.
- Diagrama da pá: VA (velocidade do navio − esteira) + tangencial 2πrN → resultante Vo; a inclinação é o angle of attack → resolve em thrust T e torque Q.
Os quatro efeitos (RH screw, avante)
| Efeito | Mecanismo | Tendência (RH, avante) |
|---|---|---|
| Following wake | esteira forte no arco superior → mais thrust na pá de cima | popa a bombordo — cai à direita |
| Inclination | fluxo p/ cima sob a popa eleva o angle of attack a boreste | gira o navio à esquerda |
| Helical discharge | espiral superior (mais forte) bate no leme | gira o navio à esquerda |
| Shallow submergence | ar/ruptura de superfície enfraquece o arco superior | popa a boreste — cai à esquerda |
Avante, os efeitos se opõem; exige experiência p/ cada navio, mas a maioria dos single-screw tende a guinar à esquerda indo avante.
Partindo do repouso & backing
Partindo parado, sem esteira, só vale o shallow submergence → popa a boreste. No backing (parado, dando ré) a mesma causa inverte + o jato de ré bate na popa → popa a bombordo. Ambos os efeitos do backing levam a popa a bombordo: RH screw tem forte tendência de dar ré a bombordo e precisa ganhar sternway apreciável antes do leme agir.
ConvençãoHélices giram em sentidos opostos → side forces cancelam. Pontas movem-se p/ fora (outboard) no arco superior avante → RH screw a boreste e LH screw a bombordo, de modo que a side force reforça o momento dos eixos afastados.
| Efeito | Com twin screws |
|---|---|
| Following wake | muito reduzido — pontas junto ao casco veem só ~15%; maior parte do disco, nada |
| Inclination | presente em todos os navios (esteira p/ cima + eixo inclinado p/ baixo) |
| Helical discharge | ausente com leme único; grande com leme duplo (sente o arco superior mais forte) |
| Shallow submergence | raro (pontas quase não afloram), mas conta pelo churning/ar |
Como o único efeito oposto (following wake) diminui, a side force é RH avante → definitivamente a boreste; LH avante → a bombordo (inverte com a rotação). Forças grandes e uniformemente no sentido da rotação. Parado, igualam as de um single-screw; no backing costumam ser algo menores.
O "muro" da velocidadeDestroyer com 60.000 shp faz ~35 nós; um cruiser de 6× o deslocamento faz a mesma velocidade com o dobro da potência. Mais HP/ton compra aceleração a baixa velocidade, não velocidade máxima — o maior navio se sai melhor.
| Navio | HP/ton | Vel. máx. |
|---|---|---|
| Battleship | 3,7 | todas ~35 nós |
| Cruiser | 6,5 | |
| Destroyer | 19 |
Frictional resistance
Rf = f·S·Vn › f = coef. de atrito › S = superfície molhada › Froude (1874): n = 2,00 áspero / 1,83 liso › constante fixada em 1,825 (1888)
Basta lembrar: fricção ∝ superfície molhada total e ~ao quadrado da velocidade.
Wave resistance
- Energia de uma onda ∝ largura e ao quadrado da altura. Ondas de proa e popa (geradores a ~1 comprimento) interagem: crista+crista reforça (Rw sobe); crista+cava cancela (Rw cai) — Fig. 2-9.
- Ondas transversais (viajam à velocidade do navio): l = 0,557·V² (l em pés, V em nós). Dobrar V quadruplica a distância entre cristas.
- Speed-length ratio V/√L (V em nós, L em pés) — índice muito importante de resistência/potência.
Nenhuma fórmula Rw=aVn serve (n iria de 1,5 a 11). Havelock: curva de humps and hollows; queda geral acima de speed-length ratio 2 (Fig. 2-10).
Eddy, appendage e vento
- Eddy resistance: fluxo descola de mudanças abruptas (aresta do cadaste) → ∝ área frontal × quadrado da velocidade.
- Appendage (eixos, escoras, lemes, bolinas): sobretudo friccional ∝ superfície molhada.
- Ar: só 1,5% a 3% da resistência hidráulica na máxima → desprezível. Vento, não: 10 nós contra vento de 20 (relativo de 30 nós) pode gastar até 20% da potência.
Squat
Com a velocidade o navio primeiro afunda por igual; na velocidade crítica (speed-length ratio ≈ 1,2) a proa sobe e a popa afunda — é o squat. A resistência cresce abruptamente.
Águas rasas
Em água rasa a onda de dada velocidade é mais longa → reforços e squat severo ocorrem a velocidades menores e a resistência sobe mais rápido. Paradoxo: certos navios muito rápidos (já além do pico da curva) atingem velocidade máxima maior em água rasa que em água profunda.
Total & rough water
- Resistência total soma tudo (Fig. 2-11, modelo de 20 pés, três profundidades).
- Mar grosso: pitching (caturro) é o pior — eleva toda resistência e perde eficiência (hélices racejam). Rolling até 20° soma só poucos por cento.
Regra do cubo
Potência e combustível p/ dada velocidade sobem com o cubo da velocidade — só em certas faixas. Como potência = resistência × velocidade, a regra exigiria resistência ∝ ao quadrado da velocidade (nem sempre verdade). Dois navios semelhantes no mesmo speed-length ratio precisam de potência na razão dos quadrados dos comprimentos.
O vento empurra o navio a sotavento, com força ∝ ao quadrado da velocidade do vento, à área transversal apresentada e à forma da superestrutura. Dobrar o vento relativo → quadruplicar a força.
- Alto freeboard + pouco calado → responde muito (grande vela, pouca resistência na água); navio fundo/carregado sente pouco.
- Trim importa: proa alta, popa baixa e trim pela popa deixam o vento levar a proa a sotavento.
Hélices/lemes só agem na popa. Para meter contra vento de través, é preciso levar a popa a sotavento mais rápido que o vento leva a proa — como as side forces do motor são pequenas, muitas vezes só com seguimento considerável o leme vence o vento.
Resistência à correnteParece a do vento na superestrutura, mas é muito maior (água é densa). ∝ ao quadrado da velocidade da corrente e à seção apresentada, e inversa ao streamlining → corrente de proa resiste bem menos que de través.
Velocidade máxima do navio = onde a resistência total do casco iguala a força máxima das hélices.
A corrente carrega o navio junto. Truque: tratar a água como parada e imaginar os objetos fixos movendo-se à velocidade da corrente em sentido oposto (bom p/ corrente estável). Corrente relativa só pode vir de proa ou de popa, salvo se espias/amarras restringirem.
Movimento no fundo › = vetor do navio na água › + vetor da corrente
Síntese: entender todas as forças é a pedra angular da shiphandling — vigiar flâmulas/enxárcia (vento relativo) e a superfície (vento e corrente reais) p/ compensar o nocivo e explorar o útil.