🧭 MMPH · Cap.5 — Resistance · PNA Vol. II (Lewis) · PSCPP study

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Lewis — PNA, Principles of Naval Architecture · I.02-PNA · Área I do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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ResistanceForça para rebocar o casco a dada velocidade em água calma (smooth water). É um dos dois pilares do powering — junto com a propulsão.

PE = RT · V effective power = resistência total × velocidade do navio

Decomposição convencional (casco nu)

ComponenteCausaNavio lentoNavio rápido
(a) Frictional RFcisalhamento viscoso na boundary layer80–85 %~50 %
(b) Wave-making RWenergia cedida ao sistema de ondas do cascofração pequenadomina o resto
(c) Eddy / separationvórtices de descontinuidades do cascopoucos %poucos %
(d) Air RAAarrasto da obra-morta e superestrutura no araté 30 % (tanker lento, vento de proa)~5–7 % (liner rápido)
Residuarywave-making: a residuary agrupa wave-making + eddy/separation + viscous-pressure drag. Froude a extrai como (total − fricção de prancha equivalente).
A maior parte do conhecimento prático vem de ensaios de modelo em towing tanks — a teoria (sobretudo de wave-making) interpreta, mas não substitui o experimento.
Caso simplesCorpo de revolução streamlined, movendo em linha reta a velocidade constante, profundamente imerso em oceano ilimitado.

Fluido perfeito (inviscid)

  • Sem fricção, sem eddies; sem superfície livresem ondas.
  • Pressão de potential flow: nariz ↑, meio ↓, popa ↑; por Bernoulli a velocidade é o inverso da pressão.
  • Forças normais: proa contra o movimento, popa a favor → resultante exatamente zero.
Paradoxo de d'Alembert (1744): corpo em movimento estável num fluido não-viscoso incompressível não sofre arrasto. Resolve-se ao admitir viscosidade (boundary layer quebra a simetria proa-popa + eddies) e, no navio de superfície, wave-making.

Correções de fluido real

  • Frictional — cisalhamento viscoso tangencial na wetted surface.
  • Form / viscous pressure drag — a boundary layer altera forma/comprimento virtual da popa, reduzindo a recuperação de pressão.
  • Eddy / separation — curvatura ou atitude abrupta → o fluxo descola e forma eddies na esteira.
Boundary layerRegião fina de fluxo perturbado que cresce da proa à popa; espessura convencionada onde a velocidade local atinge 99 % da velocidade de potential flow.
Navio de superfície = corpo submerso + wave-making. Sofre todos os efeitos viscosos do corpo imerso, mais um componente novo.

Padrão de pressão modificado pela free surface

  • Maior pressão na proa → build-up visível da bow wave.
  • Menor aumento de pressão na popa que num corpo submerso.
  • A resistência adicional = dreno de energia ao sistema de ondas, que se espalha astern e tem de ser recriado continuamente.

Três origens dos wave systems

proa — sempreombros (shoulders) — se a waterline muda de inclinaçãopopa — sempre

Cada origem gera uma família divergent (cristas em ângulo com o rumo) + uma transverse (cristas normais ao rumo).

Para o práticoA baixa velocidade a fricção domina; por volta de Fn ≈ 0,25 começam os humps de interferência (o navio "sobe a própria bow wave"); acima de Fn ≈ 0,45 o dreno de ondas vira o sumidouro dominante de potência.
PesoMesmo em navio novo e liso, a fricção é 80–85 % da resistência total nos lentos e ~50 % nos rápidos. Qualquer rugosidade (corrosão, fouling, defeito de tinta) a eleva sensivelmente.

Pranchas de Froude — Torquay (1872, 1874)

  • Comprimentos: 0,61 m (2 ft) a 15,2 m (50 ft). Velocidades: 0,5 a 4,1 m/s.
  • Acabamentos: verniz, parafina, calico, areia fina/média/grossa.

R = f · S · Vn S = wetted area f e n dependem do comprimento e da natureza da superfície

Resultado empíricoComportamento
verniz lison cai de 2,0 (2 ft) a 1,83 (50 ft)
areia rugosan fica em 2,0 em todos os comprimentos
dado o comprimentof cresce com a rugosidade
dada a superfícief decresce com o comprimento
Ensaios do HMS Greyhound (1874)Sloop de madeira de 52,58 m com forro de cobre. Resistência medida sempre maior que a prevista, diferença quase constante em R/V². Confirmou a law of comparison de Froude após a correção de rugosidade.
Limitação: as curvas foram extrapoladas a comprimentos de navio muito além dos 15,2 m de prancha, sem base experimental extra.

Reynolds — regimes (1880s)

ExperimentoFilete de corante na tubulação: baixo V = laminar; acima de Vc quebra em eddies = turbulent.

Rn = V · L / ν abaixo do crítico R ∝ V acima, R ∝ V~1,8

V crítica (tubo)Vc ≈ 2000 · ν / D

Linhas de fricção 2D

Autor / anoFórmulaRegime
Blasius (1908)CF = 1,328 / √Rnlaminar (até Rn ≈ 4,5×105)
Prandtl–von Kármán (1921)1/√CF = 4·log₁₀(Rn·√CF) − 0,4turbulent (implícita)
Schoenherr (1932)0,242 / √CF = log₁₀(Rn·CF)turbulent · superfície lisa
A linha de Schoenherr foi adotada pela ATTC em 1947 como linha de fricção padrão — só para casco perfeitamente liso.
Casco real (costuras, soldas, rebites, tinta) exige uma correlation allowance CA: default CA = +0,0004 para navios limpos e novos (resolução ATTC/SNAME 1948).
Conferências1935 ICSTS adota f de Froude · 1947 ATTC adota Schoenherr · 1957 ICSTS vira ITTC (Madrid) e adota a correlation line · 1978 endossa o form-factor method.
LinhaFórmulaNota
ITTC 1957CF = 0,075 / (log₁₀ Rn − 2)²correlation line, NÃO linha de fricção pura
Hughes 1954CF0 = 0,066 / (log₁₀ Rn − 2,03)²linha 2D verdadeira; ITTC 1957 dá CF ~12 % maior

ITTC 1957 é rotulada explicitamente "only an interim solution... for practical engineering purposes".

Fator de forma (abordagem 3D)

CVM = (1 + k) · CF0(Rn) o form factor (1+k) é invariante com Rn (hipótese-pedra) (1+k)·CF0 vira o extrapolador do casco

Prohaska (1966)Determina (1+k) por ajuste de dados de baixo Fn — tipicamente Fn ≤ 0,1. Risco: efeitos de escala de Reynolds a Fn muito baixo.
Contra o método de Froude (que transfere toda a residuary), o form-factor reduz só a parte viscosa → previsões de navio menores, CA maior e evita CA negativo em navios longos soldados.
DefiniçãoWave-making = força fore-and-aft líquida das pressões normais ao casco (assim como a fricção vem das forças tangenciais). Depende da curva de áreas, waterlines e seções.

Ponto de pressão de Kelvin (1887, 1904)

  • Sistema de transverse waves seguindo atrás do ponto + divergent waves irradiando.
  • Tudo contido entre duas retas fazendo 19°28' com a linha de movimento (cada lado) — o Kelvin wedge.
O ângulo 19°28' é universal: independe da velocidade do ponto (águas profundas). Só em água rasa muda.
OndaComprimento
transverseLw = 2π · V² / g
divergent (crista a θ do rumo)Lw′ = 2π · V² · cos²θ / g
Navio realBow mais proeminente (grandes divergentes em echelon), shoulders e stern. Onde a transverse encontra a divergent formam-se cusps = pontos mais altos do sistema.

Humps e hollows em CT(Fn)

Vêm da interferência entre as ondas de proa e de popa: mudando V muda o comprimento de onda → cristas ora reforçam (hump) ora cancelam (hollow). Perto de Fn ≈ 0,45 (Vk/√L = 1,5) R pode variar como V6.

Teorias analíticas

  • Michell thin-ship (1898): casco esbelto, fluido não-viscoso, ondas pequenas, sem sinkage/trim, condições aplicadas ao centreline plane (navio "infinitamente fino"). Esquecido ~50 anos até Havelock (1951).
  • Havelock (energia na esteira) → mesma expressão final que Michell.
  • Eggert (1939): grande parte do wave-making vem da parte alta do casco perto da waterline → manter displacement fundo reduz wave-making.
Wigley (1931, 1942)Perfil de onda = soma de 5 componentes (1 simétrica + 4 free-wave: bow, forward-shoulder, after-shoulder, stern). Humps em Fn ≈ 0,25, 0,32 e último em 0,45–0,5.

Viscosidade & efeito de escala

  • Virtual lengthening (Wigley 1962): 2–8 % do comprimento (sobretudo aftbody); com essa correção teoria e medição batem a ~4 %.
  • Efeito de escala: com CW constante assumido, subestima a resistência do navio em ~9 % (modelo→navio típico a Fn ~0,245). Some a Fn muito baixo e acima de Fn ≈ 0,45.
A teoria de wave-resistance ainda não substitui os experimentos de modelo para previsões de projeto — só os guia e interpreta.
Form dragIntercepto Ca = folga entre a curva de resistência do modelo e a linha de fricção de prancha equivalente. Três causas:
  • Curvature effect — streamlines de um corpo curvo são mais longas → velocidade média e skin friction maiores.
  • Viscous pressure drag — a boundary layer reduz a recuperação de pressão no aftbody.
  • Separation resistance — curvatura de popa abrupta → fluxo descola no separation point e o vazio enche de eddies.
Young (1939)Ca
warships5–15 % de CF0
full cargo shipsaté 40 % ou mais
L/D ótimo (corpos de revolução)5–7

Bow wave-breaking

OnsetAbaixo de Fn ~0,10 o stem só sobe V²/2g (Bernoulli); acima, vira breaking wave. Baba (1969) cunhou o termo "wave breaking".
Critério de Taylor (1950) para evitar wave-breaking no stem: R ≥ V² / 50 (R = raio de curvatura, m; V em m/s). Kayo (1981): bow wave-breaking = separação na free surface.
True vs apparent windTrue wind = vento natural (existiria sem o navio). Apparent wind = soma vetorial do true wind com a velocidade do navio — o que o navio realmente sente.

RAA = ½ · ρar · CD · AT · V² AT = área transversal projetada da obra-morta Rn desprezível (eddy-making, ∝ V²)

Analogia de Taylor (1943)

Placa planaLargura B, altura B/2, CD = 1,28 → RAA ≈ 0,32·ρar·B²·Vr².

Hughes (1930, 1932) — modelos invertidos

  • F/Vr² independe da velocidade; força máxima em vento de través (beam).
  • Mas a componente máxima de avanço (F·cos ψ) ocorre a ~30° da proa, NÃO a 0° — a área exposta cresce mais rápido que cos ψ cai.
  • "Equivalent area": AT = 0,3·Along hull + Asuper. K ≈ 0,6 (0,5–0,65).
Wilson (1970) CAA00,45 porta-aviões · 0,70 combatentes · 0,75 auxiliares navais (full load).
Vento de proa de 40 nós: tanker lento perde 3,27 nós (32,7 %); liner rápido perde só 1,73 nós (6,9 %). Streamlining economiza ~30 % da resistência de proa. Added resistance em ondas = diffraction + efeito indireto (motions, rudder) — detalhado no Vol. III.

Apêndices — melhor medidos em modelo

ApêndiceAcréscimo
Bilge keels bem alinhados1–3 % da resistência do casco
Bossings / open shafts + struts5–9 % da resistência friccional
Mandel (1953): single-screw2–5 % · small fast 2-screw 20–30 %
Regra de Peck: rudder no propeller slipstream → usar 1,1·V em vez de V (o slipstream acelera o fluxo); esquecer subestima o rudder drag em ~20 %. O estado da arte da modelagem de apêndices é "insatisfatório".

Trim

Grandes mudanças de trim e sinkage são sintomas, não causas de alta resistência (Taylor 1943). Acima de Fn ≈ 0,30 a proa sobe e a popa afunda → forte stern trim.
Stern trim adicionalEfeito
baixa velocidade+R (popa mais cheia → form/separation drag)
alta velocidade−R (entrada efetiva mais fina, menos wave-making)
BallastCostuma exigir stern trim para imersão do propeller. R total e potência menores → o navio em ballast faz maior velocidade à mesma potência.

Águas rasas — dois mecanismos

  • Potential-flow change — profundidade restrita força a água sob o casco a acelerar mais → mais squat, sinkage, trim e resistência.
  • Wave-pattern change — a dispersão em profundidade finita h muda comprimento e ângulo quando V/√(g·h) → 1.
Velocidade crítica: Vc = √(g · h) (máxima velocidade de onda em profundidade h). Abaixo = subcritical (maioria dos navios); acima = supercritical (destroyers, ferries).
VelocidadeÂngulo do padrão
V < 0,4·√(g·h)fica em 19°28' (Kelvin profundo)
V → √(g·h)ângulo → 90° (crista transversal única)
V > √(g·h)só divergentes; sin²α = g·h / V²
Onset do efeito perceptível: V ≈ 0,4·√(g·h) ≈ 0,68·Vc. Para o prático: manter V bem abaixo disso evita o squat e o pico de resistência.
MétodosSchlichting (1934): perda de velocidade em 2 passos (wavelength + potential-flow). Landweber (1939): hydraulic radius RH = Acanal/perímetro molhado para canais restritos.
Safe h/T (Norley 1948)1,3 / 1,2 / 1,1 para V/√gL = 0,149 / 0,119 / 0,089.

Leeway & heel — veleiros

  • Leeway de iate: 3–6°; heel até 30°; navios comuns: leeway ≤ 1–2°.
  • Induced drag: Ri = F · sin(αi), αi = CL/(π·AR); elliptical loading minimiza o induced drag.
  • Yaw > → separação do fluxo no aftbody → aumento acentuado de resistência.