O que é controllability
As 3 funções
| Função | Governa | Interesse em |
|---|---|---|
| Coursekeeping (governo) | manter rumo/proa média estável | facilidade de segurar o rumo |
| Maneuvering | mudança controlada de direção (girar) | facilidade e raio/distância exigidos |
| Speed changing | mudança de velocidade (parar, dar ré) | facilidade, rapidez e distância |
Laço direcional (closed-loop)
rumo desejado › compara c/ rumo real › erro de rota › timoneiro/piloto-automático move o leme › máquina do leme + leme › força de controle no navio
Dois laços (direção + velocidade) têm um único elemento em comum: o oficial de manobra (conning officer).
Eixos & ângulo de deriva
- Surge (x), sway (y), yaw (guinada, ψ); z positivo para baixo, y positivo para boreste (starboard).
- Drift (leeway) angle β = diferença entre a proa (heading) e o rumo real (course).
Forças na manobra (4 tipos)
Efeito do leme é indireto: gera momento → muda a proa → navio assume ângulo de ataque → forças no casco deslocam o CG lateralmente.
Hierarquia de estabilidade (4 casos)
| Caso | Nome | O que a rota final conserva |
|---|---|---|
| I | Straight-line (dinâmica) | reta, mas não a direção original |
| II | Directional | reta + direção original (com oscilação) |
| III | Directional não-oscilatória | igual ao II, mas atingida suavemente |
| IV | Positional | rota original: mesma direção e mesma posição transversal |
Controls-fixed × controls-working
- Cada índice de estabilidade: sinal = estável/instável; magnitude = grau.
- Força/momento de controle do leme: side-force YδδR e momento NδδR; deflexão positiva gira para bombordo (leme de popa).
Critério monta-se linearizando forças/momentos pela expansão de Taylor (notação SNAME dos derivativos, ex.: Yv, Nr).
Índices & critério
- Índices de estabilidade σ1, σ2 (dimensão 1/t): ambos negativos → movimento decai → reta (Caso I); qualquer positivo → cresce, pode virar giro estável com leme a zero.
- Para superfície cita-se σ1 (menos negativo, domina).
Dieudonné (spiral) — prova de estabilidade direcional
| Resultado | Navio | Significa |
|---|---|---|
| curva única | A | estável (índice negativo) |
| duas ramas = hysteresis loop | B | instável (índice positivo) |
Submarinos: usa-se o meander test (plano vertical). Instabilidade direcional não é necessariamente ruim — navios grandes/lentos são bem manobrados apesar dela.
Bech (reverse spiral) & Pullout
- Bech / reverse spiral (1968): governa a razão de giro constante e mede o leme médio exigido; dá relação definida dentro do loop (já não é controls-fixed).
- Pullout (Burcher, 1972): põe em giro e devolve o leme a meio → estável: razão de giro decai a zero; instável: cai a valor residual. Roda-se p/ ambos os bordos (revela assimetria).
5 elementos do path keeping
Manobras definitivas (excluem o elemento c)
espiral › determina estabilidade · zigzag › determina controle · turning circle › qualidades de giro
Zigzag (Kempf overshoot / "Z", 1944)
| Medida do overshoot | Significa | Comportamento |
|---|---|---|
| tempo até o 2º execute | rapidez de mudar rumo | melhora c/ + leme e menos estabilidade |
| overshoot yaw angle | countermaneuvering | diminui c/ + estabilidade; aumenta c/ + leme |
| overshoot width of path | antecipação em água restrita | diminui c/ + estabilidade e + leme |
Índices K e T (Nomoto, 1957)
Equação de Nomoto (1ª ordem) › T·ṙ + r = K·δR
- K = coef. de momento de giro ÷ coef. de amortecimento; T = coef. de inércia de guinada ÷ coef. de amortecimento.
- K maior → maior capacidade de giro em regime; T menor → resposta inicial ao leme mais rápida (bom p/ mudar e checar rumo).
- T' é medida recíproca da estabilidade de rumo (melhora quando T' diminui); T' negativo = instável; T' ≈ −1/σ1.
Turning circle — 4 medidas
| Medida | Proa girou | O que é |
|---|---|---|
| Advance | 90° | distância do execute ao eixo-x quando a proa girou 90° |
| Transfer | 90° | distância lateral ao rumo original a 90° |
| Tactical diameter | 180° | distância do rumo ao eixo-x c/ proa invertida |
| Steady turning diameter | — | diâmetro do círculo final |
Pivot point & drift angle
xc = R·sen β › xc = distância do pivot ao CG › R = raio › β = drift angle
3 fases do giro
| Fase | Estado | Evento-chave |
|---|---|---|
| 1 · starting | só acelerações; β = v = r = 0 | leme oposto só pela reação inercial; aceleração de sway aponta a bombordo mesmo num giro a boreste |
| 2 · building | acelerações + velocidades | drift cresce → força Yvv para boreste supera o leme e força o giro |
| 3 · steady | v e r constantes; v̇ = ṙ = 0 | forças em equilíbrio → círculo de raio constante |
Heel no giro
Submarino submerso: adorna para dentro em todas as fases (o fairwater é superfície de sustentação alta) → snap roll; razão snap/regime até ~3,5 (fairwater grande) e ~5 (sem fairwater).
Perda de velocidade no giro
4 manobras
| Manobra | Significado |
|---|---|
| Accelerating | aumentar velocidade do repouso ou entre velocidades avante |
| Stopping | desacelerar até parar; julgada por crash stop em full-ahead-sea-speed e em harbor speed |
| Coasting | desacelerar sem potência de ré (empuxo < resistência) |
| Backing | acelerar do repouso a dada velocidade/distância de ré |
Head reach & regra 80-50
- Empuxo de ré (pré-projeto): T1 = 5,5·Q1/P. Tempo p/ fechar avante/abrir ré ≈ 20 s (navio automatizado).
- Head reach e tempo de parada variam quase diretamente com o deslocamento (navio maior para em distância maior).
- Dobrar a potência de ré absorvida (~30% → ~60%) corta o head reach só 20 a 25% (empuxo de ré cresce só como a potência de eixo elevada a 2/3).
- Cavitação corta o empuxo de ré quando as RPM de ré passam de ~70% do máx. avante.
Parar com liberdade de girar
- Alta velocidade com espaço: giro de leme a fundo supera a parada reta (o advance no giro é bem menor que o head reach; mantém o governo).
- Abaixo de ~6 nós o giro perde a vantagem; de velocidades abaixo de ~8 nós o crash astern direto é geralmente melhor.
- Rudder cycling (Esso Bernicia, 1969): 4 giros parciais alternados → track mais previsível e head reach menor que o crash astern puro.
Diesel de acionamento direto: só reverte número limitado de vezes antes de esgotar o ar comprimido (risco em águas apertadas). Se o impacto é inevitável, o crash astern ao menos reduz a energia de choque.
Coasting & propeller drag
Consequência da lei n = 2: a distância de coasting até dada fração da velocidade inicial independe da velocidade inicial.
Dispositivos auxiliares & rebocadores
Vento
- Cresce com a área de windage, a distância do centro de área lateral ao LCG e os coeficientes de arrasto. Críticos a baixa velocidade: car carriers, containerships, LNG carriers.
- Leme máximo típico ~35°: o navio não é controlável quando o vento exige leme perto desse limite; vento de través (beam) é o pior.
| Vento de proa (U'a) | Navio sem governo |
|---|---|
| fraco | estável, não-oscilatório |
| médio | estável, oscilatório (freq. sobe com o vento) |
| forte | instável, oscilatório |
Corrente
Ali a baixa velocidade relativa pela água pode ser insuficiente para gerar força de leme e de casco adequada. Simuladores de ship-handling são a ferramenta prática.
Ondas & broaching
- Mar de proa/bow: alta frequência de encontro, estabilidade de rumo grande → raramente há dificuldade séria (timoneiro ignora a guinada de alta freq.).
- Mar de popa (quartering/following): dificuldade bem maior.
Surf-riding: o navio é carregado à velocidade da onda, acima da sua velocidade de água calma e independente da potência. Condição semiestática atingível se a velocidade de água calma exceder ~Fn 0,25 (Grim, 1965).
Definições
Efeitos de shallow water
Bank effect (canal estreito)
Interação entre dois navios
Se a colisão parece iminente: na posição 3, o navio A reduz velocidade e o B aumenta; na posição 5, invertido.
Squat (sinkage & trim)
Fn de profundidade Fn = V/√(g·Dw) › velocidade crítica U ≈ √(g·Dw) (celeridade das ondas de água rasa)
Geometria (nomenclatura aeronáutica)
- Mais comum = superfície all-movable. Chord (paralelo ao movimento), span (normal ao movimento), thickness; borda junto ao casco = root, oposta = tip.
- Aspect ratio geométrico a = b/c̄ = b²/AR. Seção simétrica ao plano central (sustenta nos dois sentidos).
- Força resultante age no center of pressure (CP): decompõe em lift L (normal ao movimento), drag D (paralelo) e componente-y (a razão de ter leme).
3 fenômenos que limitam o desempenho
| Fenômeno | O que ocorre | Efeito no lift |
|---|---|---|
| Stall | α cresce → separação avança pelo chord; ao ângulo crítico há descontinuidade abrupta | além do stall, o lift diminui com mais α |
| Cavitation | pressão min. + atmosférica + hidrostática cai abaixo da pressão de vapor | retarda o crescimento do lift (não para); efeito cresce c/ a velocidade; erode e vibra |
| Aeration (ventilation) | ar puxado da atmosfera p/ o lado de sucção com o leme perto da superfície | ocorre em ângulos menores / velocidades menores que a cavitação, se a resistência é baixa |
A moderadas velocidades a cavitação restringe menos que o stall; a altas velocidades cresce. A aeration é visível e remediável por barreira física entre a superfície da água e o topo do leme.
Effect of aspect ratio
Seção & leme flapped
- Seção placa-plana é a pior; t/c ≈ 0,12 a 0,18 é a melhor. Tips quadrados atingem lift máximo maior (stall retardado).
- Flapped rudder: estrutura fixa à frente do móvel → em geral maior força de controle (avante); sustenta variando camber + ângulo de ataque (como asa de avião), ao custo de maiores momentos de charneira e complexidade.
Quando a parte móvel é pequena vs a fixa, o navio inteiro à frente conta como parte fixa: dá muito mais lift avante que um leme isolado de igual área, mas a ré é quase inútil para girar.