🧭 MMPH · Cap.9 — Controllability

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Lewis — PNA, Principles of Naval Architecture · I.02-PNA · Área I do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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O que é controllability

DefiniçãoRegular trajetória, velocidade e orientação do navio — no mar e em águas restritas (posicionamento e station keeping). Inclui partir, manter rumo, girar, desacelerar, parar, dar ré e (submarinos) mergulhar.

As 3 funções

FunçãoGovernaInteresse em
Coursekeeping (governo)manter rumo/proa média estávelfacilidade de segurar o rumo
Maneuveringmudança controlada de direção (girar)facilidade e raio/distância exigidos
Speed changingmudança de velocidade (parar, dar ré)facilidade, rapidez e distância
Fig. 1
Fig. 1 — Fig. 1 Closed-loop control system ship controllability (Segel, 1960)
Trade-off dos navios convencionais: navio de giro fácil costuma ser difícil de manter no rumo, e bom course-keeper costuma ser difícil de girar — mas quase sempre há compromisso viável.
Depende deprofundidade da água, restrição do canal e interferência hidrodinâmica de navios próximos; muito sensível ao trim.

Laço direcional (closed-loop)

Fig. 2
Fig. 2 — Fig. 2 Orientation of fixed axes and moving axes (Hoyt, 1948)

rumo desejado compara c/ rumo real erro de rota timoneiro/piloto-automático move o leme máquina do leme + leme força de controle no navio

Perturbações externas (vento, corrente, ondas) agem ao mesmo tempo; realimentar proa/rota fecha o laço. Só a proa (e às vezes a razão de guinada) é contínua; a posição vem de vez em quando (radar, marcações, GPS).

Dois laços (direção + velocidade) têm um único elemento em comum: o oficial de manobra (conning officer).

Eixos & ângulo de deriva

  • Surge (x), sway (y), yaw (guinada, ψ); z positivo para baixo, y positivo para boreste (starboard).
  • Drift (leeway) angle β = diferença entre a proa (heading) e o rumo real (course).

Forças na manobra (4 tipos)

(a) hidrodinâmicas: damping (velocidade) + added-mass (acelerações)(b) inerciais d'Alembert(c) ambientais (vento/ondas/corrente)(d) externas (rebocadores/thrusters)

Efeito do leme é indireto: gera momento → muda a proa → navio assume ângulo de ataque → forças no casco deslocam o CG lateralmente.

Estável quandoapós perturbação momentânea e solto dela, o corpo tende a voltar ao equilíbrio anterior. Ideal: navio retoma a rota original sem leme.

Hierarquia de estabilidade (4 casos)

CasoNomeO que a rota final conserva
IStraight-line (dinâmica)reta, mas não a direção original
IIDirectionalreta + direção original (com oscilação)
IIIDirectional não-oscilatóriaigual ao II, mas atingida suavemente
IVPositionalrota original: mesma direção e mesma posição transversal
Alcançar a estabilidade de straight-line (Caso I) é o alvo usual do projetista para navios de governo manual; casos superiores exigem controle automático crescente.

Controls-fixed × controls-working

ConvençãoNo uso naval, o termo sem qualificação = controls-fixed (leme fixo em zero).
No plano horizontal, navio autopropelido com propulsão à ré NÃO pode ter estabilidade posicional nem direcional com controls-fixed — a única possível é a straight-line, e muitos navios não a têm. (No plano vertical, o navio de superfície tem estabilidade posicional, Caso IV, por forças hidrostáticas.)
  • Cada índice de estabilidade: sinal = estável/instável; magnitude = grau.
  • Força/momento de controle do leme: side-force YδδR e momento NδδR; deflexão positiva gira para bombordo (leme de popa).

Critério monta-se linearizando forças/momentos pela expansão de Taylor (notação SNAME dos derivativos, ex.: Yv, Nr).

Fig. 3
Fig. 3 — Fig. 3 Various kinds of motion stability (Arentzen, 1960)
Fig. 5Fig. 5
Fig. 5 — Fig. 5 Rudder-induced turning moments

Índices & critério

  • Índices de estabilidade σ1, σ2 (dimensão 1/t): ambos negativos → movimento decai → reta (Caso I); qualquer positivo → cresce, pode virar giro estável com leme a zero.
  • Para superfície cita-se σ1 (menos negativo, domina).
Como A e B são sempre grandes e positivos, o critério colapsa em C > 0 = discriminante da estabilidade dinâmica. As inequações dizem se é estável, não o grau (grau vem de σ).
No plano horizontal os índices não dependem da velocidade em Froude baixo/moderado: navio estável a baixa velocidade segue estável a alta (até um Fn limite); instável segue instável.

Dieudonné (spiral) — prova de estabilidade direcional

ComoRumo estável; leme a ~15° até guinada constante por ~1 min; depois passos de ~5° de boreste, por zero, até bombordo e volta. Plota razão de guinada × ângulo de leme.
ResultadoNavioSignifica
curva únicaAestável (índice negativo)
duas ramas = hysteresis loopBinstável (índice positivo)
Existir loop = a leme a zero a guinada não é necessariamente nula: o navio pode seguir girando com leme a meio — assinatura da instabilidade controls-fixed. Loop maior = mais instável; inclinação a leme zero = grau. Teoria linear não prevê o loop (precisa não-linear).
Settling time adequado em cada leme é essencial: intervalo curto dá loop inclinado espúrio num navio na verdade estável (Strom-Tejsen, 1965).

Submarinos: usa-se o meander test (plano vertical). Instabilidade direcional não é necessariamente ruim — navios grandes/lentos são bem manobrados apesar dela.

Fig. 13
Fig. 13 — Fig. 13 Relation between angular velocity and rudder deflection angle for stable and unstable ships

Bech (reverse spiral) & Pullout

  • Bech / reverse spiral (1968): governa a razão de giro constante e mede o leme médio exigido; dá relação definida dentro do loop (já não é controls-fixed).
  • Pullout (Burcher, 1972): põe em giro e devolve o leme a meio → estável: razão de giro decai a zero; instável: cai a valor residual. Roda-se p/ ambos os bordos (revela assimetria).

5 elementos do path keeping

(a) magnitude/frequência das perturbações(b) resposta controls-fixed(c) rapidez de detecção/correção(d) taxa da máquina do leme(e) força/momento do leme
Só o elemento (b) depende da estabilidade controls-fixed; deficiência num elemento pode ser compensada por outro (ex.: bom controle automático em (c) corrige instabilidade de (b)).
Aumentar o leme (e) ou acelerar sua taxa (d) não cura necessariamente deficiência de path-keeping.

Manobras definitivas (excluem o elemento c)

espiral determina estabilidade · zigzag determina controle · turning circle qualidades de giro

Fig. 18
Fig. 18 — Fig. 18 Results of an overshoot and zigzag maneuver (Morse and Price, 1961)

Zigzag (Kempf overshoot / "Z", 1944)

ComoLeme a taxa máx. até ângulo preset (ex.: 20°), segura até mudar a proa o preset (ex.: 20°); joga p/ o bordo oposto e repete. O 1º overshoot é o mais importante.
Medida do overshootSignificaComportamento
tempo até o 2º executerapidez de mudar rumomelhora c/ + leme e menos estabilidade
overshoot yaw anglecountermaneuveringdiminui c/ + estabilidade; aumenta c/ + leme
overshoot width of pathantecipação em água restritadiminui c/ + estabilidade e + leme

Índices K e T (Nomoto, 1957)

Equação de Nomoto (1ª ordem) T·ṙ + r = K·δR

  • K = coef. de momento de giro ÷ coef. de amortecimento; T = coef. de inércia de guinada ÷ coef. de amortecimento.
  • K maior → maior capacidade de giro em regime; T menor → resposta inicial ao leme mais rápida (bom p/ mudar e checar rumo).
  • T' é medida recíproca da estabilidade de rumo (melhora quando T' diminui); T' negativo = instável; T' ≈ −1/σ1.
Diâmetro de giro em regime: D0/L = 2 / (K'·δR0)K' maior deixa um leme menor obter dado diâmetro. Muito manobrável = T' pequeno + K' grande (parâmetro de Norrbin P = K'/2T').
K'/T' ∝ AR·L / ∇: fixadas as dimensões, coursekeeping e giro melhoram aumentando o tamanho/eficácia do leme. Mas K'/T' grande só indica boa controllability se a estabilidade não for maior que a necessária.

Turning circle — 4 medidas

MedidaProa girouO que é
Advance90°distância do execute ao eixo-x quando a proa girou 90°
Transfer90°distância lateral ao rumo original a 90°
Tactical diameter180°distância do rumo ao eixo-x c/ proa invertida
Steady turning diameterdiâmetro do círculo final
Maioria dos mercantes: tactical diameter de 2 a 4 comprimentos a leme máximo; muitos giram em ≤ 2 comprimentos. Giros apertados são fortemente não-lineares.

Pivot point & drift angle

Pivot pointPonto em torno do qual o navio parece girar, um pouco a ré da proa. Ali a água corre paralela ao eixo-x (fin fixo não veria ângulo de ataque). Fica entre a proa e ~1/5 L a ré da proa (Mandel, 1953).

xc = R·sen β xc = distância do pivot ao CG R = raio β = drift angle

Drift angle empíricoβ = 22,5·(L/R) + 1,45 (dá xc0,4 a 0,5 L) ou β = 18·(L/R) (dá xc0,3 L). Giro apertado (R pequeno) → β grande; R·sen β varia pouco entre navios.

3 fases do giro

FaseEstadoEvento-chave
1 · startingsó acelerações; β = v = r = 0leme oposto só pela reação inercial; aceleração de sway aponta a bombordo mesmo num giro a boreste
2 · buildingacelerações + velocidadesdrift cresce → força Yvv para boreste supera o leme e força o giro
3 · steadyv e r constantes; v̇ = ṙ = 0forças em equilíbrio → círculo de raio constante
Raio em regime R ∝ L e ∝ 1/δR; drift ∝ δR. O numerador de R é exatamente o critério C: navio estável gira "com" o leme; navio instável, com numerador negativo, gira contra o leme.

Heel no giro

Navio de superfície: o heel troca de sinal entre fase 1 e fase 3. Giro a boreste → fase 1 adorna para dentro (boreste); regime adorna para fora (bombordo).
Fig. 20
Fig. 20 — Turning path of a ship
Fig. 24
Fig. 24 — Roll-angle time records for a starboard turn
Perigo: devolver o leme a meio rápido agrava o heel de fora, não alivia. Ação segura = reduzir o leme devagar e reduzir a velocidade o quanto antes.

Submarino submerso: adorna para dentro em todas as fases (o fairwater é superfície de sustentação alta) → snap roll; razão snap/regime até ~3,5 (fairwater grande) e ~5 (sem fairwater).

Fig. 25
Fig. 25 — Speed reduction as a function of turning diameter and block coefficient

Perda de velocidade no giro

Depende desobretudo da aperto do círculo (Davidson, 1944). Navio de 122 m a 20 nós c/ TD/L = 2,0 reverte o rumo em ~1¾ min; a TD/L = 4,5 leva ~2½ min e muito mais espaço.
Cuidado: no cálculo do heel de regime usar a velocidade reduzida do giro, não a de aproximação.

4 manobras

ManobraSignificado
Acceleratingaumentar velocidade do repouso ou entre velocidades avante
Stoppingdesacelerar até parar; julgada por crash stop em full-ahead-sea-speed e em harbor speed
Coastingdesacelerar sem potência de ré (empuxo < resistência)
Backingacelerar do repouso a dada velocidade/distância de ré

Head reach & regra 80-50

Head reach = distância ainda avançada na direção original até parar. Operadores usam o head reach da harbor speed (12 nós) como medida real da força de ré; da full speed importa pouco (a alta velocidade evita-se o perigo girando, não parando).
Regra 80-50Turbinas mercantes projetadas p/ backing power: torque de ré = 80% do torque avante nominal, entregue a RPM de ré = 50% das RPM avante nominais.
  • Empuxo de ré (pré-projeto): T1 = 5,5·Q1/P. Tempo p/ fechar avante/abrir ré ≈ 20 s (navio automatizado).
  • Head reach e tempo de parada variam quase diretamente com o deslocamento (navio maior para em distância maior).
  • Dobrar a potência de ré absorvida (~30% → ~60%) corta o head reach só 20 a 25% (empuxo de ré cresce só como a potência de eixo elevada a 2/3).
  • Cavitação corta o empuxo de ré quando as RPM de ré passam de ~70% do máx. avante.

Parar com liberdade de girar

No crash astern monohélice a trajetória é imprevisível: perde-se o controle direcional quando a hélice inverte (provas Esso Lima/Esso Paterson, 1955).
  • Alta velocidade com espaço: giro de leme a fundo supera a parada reta (o advance no giro é bem menor que o head reach; mantém o governo).
  • Abaixo de ~6 nós o giro perde a vantagem; de velocidades abaixo de ~8 nós o crash astern direto é geralmente melhor.
  • Rudder cycling (Esso Bernicia, 1969): 4 giros parciais alternados → track mais previsível e head reach menor que o crash astern puro.
Fig. 71
Fig. 71 — General effect of ship size on stopping headreach (Crane, 1973)

Diesel de acionamento direto: só reverte número limitado de vezes antes de esgotar o ar comprimido (risco em águas apertadas). Se o impacto é inevitável, o crash astern ao menos reduz a energia de choque.

Fig. 76
Fig. 76 — Variation of head reach and stopping tie with number of 1500 hp tugboats and varied tanker approach speed and demand rpm

Coasting & propeller drag

Windmilling × travadaHélice windmilling gira livre, sem empuxo (só resistência do casco); hélice travada soma grande arrasto (CD1,0).
Razão arrasto-da-hélice / resistência-do-casco vai de ~1,5 (grandes lentos) a ~3,0 (grandes rápidos bi-hélice) → travar em vez de deixar windmilling corta a distância de coasting por fator 2 a 4.

Consequência da lei n = 2: a distância de coasting até dada fração da velocidade inicial independe da velocidade inicial.

Dispositivos auxiliares & rebocadores

Como a resistência do casco vai com o quadrado da velocidade, ela só ajuda em alta velocidade → paraquedas d'água e freios são quase inúteis a velocidade moderada (onde ocorrem as paradas não-planejadas).
RebocadoresVelocidade de aproximação e as RPM de ré do próprio navio pesam muito mais que o nº de rebocadores (dados ≥ 40 RPM de ré): zero RPM com 6 rebocadores ≈ 55 RPM de ré sem nenhum. Acima de ~6 nós amarrar rebocador é impraticável.
Vento, corrente e ondas podem reduzir a estabilidade de rumo ou tirar de vez a capacidade de manter rumo. A importância depende da razão velocidade-perturbadora / velocidade-do-navio → mesmo vento/corrente incomoda muito mais a baixa velocidade.

Vento

  • Cresce com a área de windage, a distância do centro de área lateral ao LCG e os coeficientes de arrasto. Críticos a baixa velocidade: car carriers, containerships, LNG carriers.
  • Leme máximo típico ~35°: o navio não é controlável quando o vento exige leme perto desse limite; vento de través (beam) é o pior.
Vento de proa (U'a)Navio sem governo
fracoestável, não-oscilatório
médioestável, oscilatório (freq. sobe com o vento)
forteinstável, oscilatório
Vento de popa (U'a < 0): sempre instável e não-oscilatório; diverge sem oscilar, a taxa que cresce com a velocidade do vento. Controle automático melhora a estabilidade no vento mais que o melhor timoneiro.
Fig. 82
Fig. 82 — Nondimensional aerodynamic side-force coefficients for many ships

Corrente

Tratamentovia velocidade relativa navio-água. Correntes de oceano aberto são modestas → sem problema. Importa em águas restritas, baixa velocidade, corrente não-uniforme — sobretudo a jusante em rio/canal e nas curvas (gradientes espaciais).

Ali a baixa velocidade relativa pela água pode ser insuficiente para gerar força de leme e de casco adequada. Simuladores de ship-handling são a ferramenta prática.

Fig. 84
Fig. 84 — Required rudder angle versus wind direction (Eda, 1966)

Ondas & broaching

  • Mar de proa/bow: alta frequência de encontro, estabilidade de rumo grande → raramente há dificuldade séria (timoneiro ignora a guinada de alta freq.).
  • Mar de popa (quartering/following): dificuldade bem maior.
Fig. 91
Fig. 91 — Variation of speed with wavelength in uniform astern seas (DuCane and Goodrich, 1962)
Broaching = atravessar-se de través às ondas. Wahab & Swaan (1964): "todos os navios sem governo parecem instáveis em algum ponto da rampa descendente de uma onda" — origem na instabilidade dinâmica de rumo. Aumentar a estabilidade de rumo em água calma reduz o perigo.
Perigo de broaching persiste com a proa na cava (trough) de onda de popa de comprimento ≥ 1,5 L a ~velocidade da onda; cresce com a altura da onda; reduzido por + área de fin a ré.

Surf-riding: o navio é carregado à velocidade da onda, acima da sua velocidade de água calma e independente da potência. Condição semiestática atingível se a velocidade de água calma exceder ~Fn 0,25 (Grim, 1965).

Definições

Shallow waterrazão profundidade/calado ≤ 3; acima disso o efeito cai rápido.
Restricted waterscanais estreitos, margens verticais/salientes, píeres. Quase sempre incluem shallow water, muitas vezes corrente e maré.

Efeitos de shallow water

Provas do Esso Osaka (278.000 tpb, Crane 1979): a Dw/T = 1,2 o diâmetro de giro aumenta muito vs água profunda. A distância de parada foi quase independente da profundidade, mas o desvio de proa ao parar cresceu 18° → 50° → 88° (profundo → médio → raso).
A estabilidade de rumo controls-fixed primeiro cai (folga sob a quilha 50%) e depois sobe na água mais rasa (folga 20%). 20% de folga não é muito raso — navios operam ~10% em baixa-mar e só ~5% no cais.

Bank effect (canal estreito)

Fluxo acelera entre o casco e a margem próxima → força atrai o navio para a margem próxima e momento joga a proa para a margem afastada. Sinais: Yy0 > 0, Ny0 < 0; crescem quando o canal estreita.
Nψ é sempre positivo (desestabilizador): nenhum navio tem estabilidade posicional controls-fixed relativa ao eixo do canal — sobre o eixo está em equilíbrio instável; só os controles seguram. Cascos cheios na proa e finos na popa lidam melhor no canal.

Interação entre dois navios

Newton (1960): atração de pico perto da posição totalmente de través (abeam). Na posição 4 (diretamente de través) o leme salta de grande a bombordo a grande a boreste = maior risco de colisão (pior em mar grosso/vento).

Se a colisão parece iminente: na posição 3, o navio A reduz velocidade e o B aumenta; na posição 5, invertido.

Fig. 100
Fig. 100 — (a and b) Effect of water depth on computed turning trajectory performance (Eda and Walden, 1979)

Squat (sinkage & trim)

Tuck (1966/67)Sinkage = afundamento vertical do CG; positive trim = rotação de proa acima; Squat = sinkage + rotação de proa-acima.

Fn de profundidade Fn = V/√(g·Dw) velocidade crítica U ≈ √(g·Dw) (celeridade das ondas de água rasa)

Fig. 105
Fig. 105 — Flow diagram in canal with ship and its velocity vector parallel to canal wall (Abkowitz, 1964)
Fig. 113
Fig. 113 — Measured interaction forces and moments (and correcting rudder angles) between two ships on parallel courses as larger ship overtakes the smaller (Newton, 1960)
Sinkage domina em velocidade subcrítica (Fn < 1); o efeito de largura finita do canal é muito maior no sinkage que no trim.

Geometria (nomenclatura aeronáutica)

  • Mais comum = superfície all-movable. Chord (paralelo ao movimento), span (normal ao movimento), thickness; borda junto ao casco = root, oposta = tip.
  • Aspect ratio geométrico a = b/c̄ = b²/AR. Seção simétrica ao plano central (sustenta nos dois sentidos).
  • Força resultante age no center of pressure (CP): decompõe em lift L (normal ao movimento), drag D (paralelo) e componente-y (a razão de ter leme).
Fig. 122
Fig. 122 — Rudder force components

3 fenômenos que limitam o desempenho

FenômenoO que ocorreEfeito no lift
Stallα cresce → separação avança pelo chord; ao ângulo crítico há descontinuidade abruptaalém do stall, o lift diminui com mais α
Cavitationpressão min. + atmosférica + hidrostática cai abaixo da pressão de vaporretarda o crescimento do lift (não para); efeito cresce c/ a velocidade; erode e vibra
Aeration (ventilation)ar puxado da atmosfera p/ o lado de sucção com o leme perto da superfícieocorre em ângulos menores / velocidades menores que a cavitação, se a resistência é baixa

A moderadas velocidades a cavitação restringe menos que o stall; a altas velocidades cresce. A aeration é visível e remediável por barreira física entre a superfície da água e o topo do leme.

Fig. 123
Fig. 123 — Pressure distributions on downstream side of a rudder (Mandel, 1953)

Effect of aspect ratio

Cross-flow no root/tip torna o fluxo 3D e reduz o lift a dado α. Se o root está bem junto ao casco (imagem-espelho, groundboard), o aspect ratio efetivo é o dobro do geométrico — ae = 2b/c̄; um AR geométrico 1 vira efetivo 2. A inclinação da curva de lift cai com a diminuição do aspect ratio.
O aspect ratio efetivo diminui à medida que o leme é metido (o gap root-casco cresce com a deflexão).

Seção & leme flapped

  • Seção placa-plana é a pior; t/c ≈ 0,12 a 0,18 é a melhor. Tips quadrados atingem lift máximo maior (stall retardado).
  • Flapped rudder: estrutura fixa à frente do móvel → em geral maior força de controle (avante); sustenta variando camber + ângulo de ataque (como asa de avião), ao custo de maiores momentos de charneira e complexidade.
Fig. 131
Fig. 131 — Effect of rudder aspect ratio on lift coefficient (VanLammeren, Troost, and Koning, 1948)

Quando a parte móvel é pequena vs a fixa, o navio inteiro à frente conta como parte fixa: dá muito mais lift avante que um leme isolado de igual área, mas a ré é quase inútil para girar.

Fig. 137
Fig. 137 — Effect of aspect ratio on lift-curve slope