🧭 MMPH · Cap.3 — Ship Resistance and Flow · Ch. 3 — Similarity

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Larsson & Raven, Ship Resistance and Flow · I.03-MN · Área I do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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O ensaio

CenárioRéplica em escala rebocada num tanque — o towing tank (tanque de reboque): o modelo é puxado por um carro e mede-se a força (e às vezes o escoamento) em várias velocidades.
  • Modelo é geometricamente semelhante ao navio = um geosim.
  • As duas perguntas não óbvias: a que velocidade rodar o modelo? e como escalar forças e velocidades para escala real?
  • O Cap. 3 responde ambas derivando as leis de semelhança — tornando as equações de Navier–Stokes adimensionais e perguntando quando a solução fica independente da escala.
Resultado em uma linha: constância de Rn, En/σ, Fn e Wn entre dois geosim é condição necessária e suficiente para semelhança total de escoamento. No tanque, só um de Rn, Fn, Wn pode ser casado — e a escolha, desde Froude em 1868, é casar o Fn.

Símbolos-chave

SímboloGrandeza
Lcomprimento de referência (normalmente Lpp, entre perpendiculares)
U (= V)velocidade de referência (normalmente a velocidade do navio)
νviscosidade cinemática (ν = μ/ρ); entra no Rn
ggravidade; entra no Fn
γtensão superficial; entra no Wn
pa, pvpressão atmosférica / de vapor; entram em En e σ
Três tipos que se encadeiam: a geométrica é a precondição; casar os números adimensionais certos entrega então a cinemática e a dinâmica.
SemelhançaDefiniçãoConsequência
Geométricanavio e modelo têm a mesma formaobtida por escala linear (por L); a rugosidade não escala exato, mas não tem efeito se for pequena o bastante
Cinemáticatodas as velocidades (e componentes!) escaladas pelo mesmo fatorlinhas de corrente geometricamente semelhantes nas duas escalas
Dinâmicatodas as forças (e componentes!) escaladas pelo mesmo fatorvetores de força com a mesma direção nas duas escalas

Escala linear por L equações adimensionais idênticas solução adimensional única entrega cinemática + dinâmica

IdeiaTornar as grandezas das equações e contornos adimensionais (barra = adimensional) e achar sob que condições ficam independentes da escala. Se conseguir, a solução adimensional é única → valem cinemática e dinâmica.

comprimentos ÷ L · velocidades ÷ U · tempo ÷ L/U · pressão p̄ = phd/(ρU²)

A pressão é adimensionalizada com a pressão hidrodinâmica phd (não a total p), pela escala ρU²: largar a parte hidrostática remove o termo de gravidade autônomo das equações de campo.
Ao inserir tudo nas Navier–Stokes, o único parâmetro adimensional que sobrevive nas equações de momento (3.1a–c) é 1/Rn, multiplicando o termo viscoso (laplaciano). As equações de campo isolam o número de Reynolds; a continuidade mantém a forma limpa.
ContornoCondição adimensional
Casco (no-slip)ū = v̄ = w̄ = 0
Contornos fixos à Terraū = 1, v̄ = w̄ = 0
Superfície livre (cinemática)w̄ = dζ̄/dt̄
Infinitoū = 1, v̄ = w̄ = 0, p̄ = 0

De onde vêm os quatro números

A condição dinâmica da superfície livre (eq. 3.8) carrega três grupos adimensionais, um por colchete:

ColcheteGrupo
Euler En = pa/(ρU²)
gL/U² = 1/Fn² (inverso do quadrado de Froude)
γ/(ρU²L) = 1/Wn (inverso de Weber)
Somados a 1/Rn (das equações de momento), estes são os únicos parâmetros que aparecem em todo o problema.
NúmeroDefiniçãoO que escalaOnde aparece
Reynolds RnUL/νviscosidade; razão forças inerciais/viscosasmomento (3.1a–c)
Euler Enpa/(ρU²)nível de pressão absoluta; cavitaçãosup. livre (3.8)
Froude FnU/√(gL)gravidade na sup. livre; geração de ondassup. livre (3.8)
Weber WnρU²L/γtensão superficial; spray, quebra, capilaressup. livre (3.8)
Cavitação σ(pa−pv)/(½ρU²)margem à cavitação; intercambiável com Enderivado de En
Euler → cavitaçãopa fixa o nível de pressão absoluto; se a pressão em qualquer ponto cair abaixo da pressão de vapor pv ocorre cavitação. A margem pa−pv leva ao número de cavitação σ; como diferem só por constante, En e σ são intercambiáveis.
A constância de Rn, Euler(cavitação), Fn e Wn é condição necessária e suficiente para semelhança de escoamento entre geosim em escalas diferentes (Larsson & Raven, §3.2).

Rota alternativa: os mesmos parâmetros saem da análise dimensional (teorema Π de Buckingham, 1914); o livro os deriva das equações e remete a White (1994) para a via dimensional.

Em teoria, o ensaio do modelo no tanque deveria satisfazer todas:

  • Semelhança geométrica — mesma forma, exceto a rugosidade.
  • Sem blockage — tanque largo e fundo o bastante (condições de contrato = águas irrestritas).
  • Igual Rn — viscosidade correta; está nas Navier–Stokes, afeta todos os escoamentos (única exceção: aproximação de escoamento invíscido).
  • Igual Fn — gravidade na superfície livre; Fn correto = ondas corretamente escaladas → resistência de onda correta. Sem superfície livre, nem Fn/Wn/σ importam.
  • Igual Wn — tensão superficial: spray, quebra de ondas, ondas muito curtas.
  • Igual σ — mesmo padrão de cavitação; quase nunca ocorre no casco (não se considera no tanque), mas importa no projeto do hélice.
É impossível satisfazer todas as exigências ao mesmo tempo. O modelo é mais curto que o navio, então uma só velocidade não dá Rn, Fn e Wn corretos juntos.
Para acertar…Velocidade do modelo deve ser…
Froude (Fn)menor que a do navio (velocidade escala como √L)
Reynolds e Webermaior

Poder-se-ia mudar as propriedades do fluido (ρ, g, ν, γ), mas não há fluido adequado; testa-se em água doce (constantes muito próximas da salgada real). Só um dos três é satisfeito; os outros dois, sacrificados.

Qual largar? O Weber

Um Wn errado tem o menor efeito no escoamento e na resistência. Modelo mais lento → Wn pequeno demais → tensão superficial relativamente forte demais. Artefatos de escala de modelo:
  • ondas de quebra diferentes — muito menos "white water";
  • spray diferente em alta velocidade (films de água mais coerentes);
  • ondas capilares em baixa velocidade, sem contraparte em escala real;
  • o padrão de ondas desvia se a velocidade do modelo for ≈ 0,23 m/s — velocidade a evitar quando importa a geração de ondas.

Restam os dois que realmente contam — Reynolds e Froude — ambos importantes para resistência e escoamento.

Satisfazer o número de Froude e corrigir os erros do Reynolds errado — exatamente o que William Froude propôs em 1868. No Fn certo, a gravidade (motriz das ondas) fica corretamente escalada.

"O modelo deve ser ensaiado no mesmo número de Froude que o navio." (Larsson & Raven, §3.3.2)

Como a resistência de onda escala

Fn casado RW ∝ ρV²L² com V ∝ √L → V² ∝ L RW ∝ L³ (proporcional ao deslocamento)

Resistência viscosaGovernada pelo Reynolds. Froude a calculava por fórmula empírica (plank tests); as fórmulas modernas ainda são função de um só parâmetro — o Rn.
Aproximação de trabalho: resistência de onda depende só do Fn; resistência viscosa só do Rn. Na realidade ambas dependem dos dois, mas a aproximação basta e ancora todo o método de extrapolação (Seções 4–8).
FacilidadeBom paraPor quê
Túnel de ventolemes, apêndices, medições de camada limiteequipamento de acesso mais fácil; menor exigência de robustez no ar
Tanque de águaalguns problemas aerodinâmicos (ex.: automóveis, Larsson et al., 1989)carro rebocado no fundo reproduz bem as rodas girando e o fluxo sob o carro
No túnel de vento há sempre uma camada limite no fluxo de aproximação — ausente quando o carro anda no ar parado — que precisa ser removida (não sem problemas); e as rodas girando, que não podem tocar o piso, são difíceis de modelar.