O que o capítulo entrega
Três razões que justificam separá-la da viscosidade
| Argumento | O que diz |
|---|---|
| Decomposition | Resistência total = wave + viscous — a divisão mais ligada a fenômenos físicos distintos. |
| Model tests | É impossível casar ao mesmo tempo Rn (Reynolds) e Fn (Froude) de modelo e navio; testa-se o modelo no Froude number do navio. Um fator de 100 em Rn quase não muda a wave making → wave making é pouco sensível à viscosidade. |
| Boundary layer | A alto Rn o efeito viscoso fica confinado a uma camada-limite fina + esteira estreita; dentro dela a pressão = pressão logo fora → o campo de pressão (e a wave making) independe da viscosidade em 1ª aproximação. |
CT(Fn,Rn) ≈ CW(Fn) + CV(Rn) › CW só depende de Fn; CV só de Rn › base do model-to-ship extrapolation
Até §5.7 a profundidade é ilimitada; os pequenos desvios reais (viscosos) ficam reunidos em §5.7.
Euler → Bernoulli → velocity potential
- Largam-se os termos viscosos de Navier–Stokes → equações de Euler.
- Fluxo irrotational (vorticidade = 0, teorema de Kelvin) → velocidade = gradiente de um escalar, o velocity potential φ (v = ∇φ).
- Bernoulli: ½(u²+v²+w²) + p/ρ + gz = constante; como todo streamline nasce no mesmo campo upstream, a constante vale para todo o campo.
- Continuidade com v=∇φ → Laplace: ∇²φ = 0 (não contém a pressão → equações desacopladas: acha-se φ, depois p).
p = −ρgz (hidrostática) + ½ρ(U∞² − ∇φ·∇φ) (hidrodinâmica) › onde a velocidade local excede U∞ a pressão hidrodinâmica é negativa
Corpo 2-D: a curvatura fixa a pressão
- 4 regiões de curvatura forte: front end, fore shoulder, aft shoulder, aft end.
- Proa/popa: streamlines curvam para longe do casco → alta pressão nas extremidades.
- Ombros (shoulders): superfície convexa → baixa pressão (Cp negativo, velocidade > velocidade do navio).
Casco 3-D e o d'Alembert's paradox
- Vale a mesma regra, agora com curvatura normal (através) e paralela (ao longo do girth) à superfície.
- Stagnation na proa (ex.: ponta do bulbo); alta no forebody; baixa nos ombros (fore shoulder é o mais baixo); alta de volta na popa.
- No bilge a curvatura normal é grande → pressão baixa, Cp ≈ −0,3.
Dispersion ω² = gk › k = g/c² › λ = 2πc²/g › Ewave = ½ρgA²λ ; fluxo |Ė| = ¼ρgA²c
As 5 propriedades (deep water, small amplitude)
| Propriedade | O que significa |
|---|---|
| Linearity | Ondas que satisfazem Laplace + Kelvin podem ser superpostas. |
| Dispersion | A velocidade depende do comprimento, não da amplitude: c = √(gλ/2π). Ao contrário de som/luz, ondas de água são dispersivas. |
| Vertical decay | Decai exponencialmente com a profundidade (∝ e2πz/λ): a meia-onda para baixo já vale só 4% do valor de superfície. |
| Orbital motion | Componentes x e z com defasagem de 90° → partículas descrevem círculos; velocidade média do fluido é zero (só a forma viaja a c). |
| Group velocity | A energia viaja a metade da velocidade da crista. |
Stone-in-a-pond: cada crista aparece na borda interna, atravessa o grupo (a c) e some na externa; a energia fica com o grupo, que anda a cg = ½c. Esse único fato molda todo o ship wave pattern.
2-D: uma única onda, só a ré
3-D: transverse vs diverging waves
| Transverse | Diverging | |
|---|---|---|
| θ | pequeno; "a" transverse é θ = 0 | grande |
| Cristas | ~perpendiculares à rota | oblíquas / laterais |
| Comprimento | a mais longa: λ0 = 2πFn²L | mais curtas por fator cos²θ |
O Kelvin wedge — o envelope de 19°28′
Como um navio real difere de Kelvin
- Não é um ponto isolado: bow, stern e shoulders geram cada um seu sistema, em Kelvin wedges sobrepostos e interferentes.
- Cristas costumam ser curtas e retas, não as longas côncavas do padrão ideal.
- Existe um near-field disturbance além das ondas far-field; a onda propaga sobre esse escoamento curvo → o cusp da bow-wave aparece deslocado para fora/frente.
Interferência: os 5 sistemas de Wigley (1931)
| # | Sistema | Começa com |
|---|---|---|
| 1 | Near-field ("Bernoulli wave") — não irradia energia | picos nas pontas, cavas nos ombros |
| 2 | Bow wave | crest |
| 3 | Fore-shoulder wave | trough |
| 4 | Aft-shoulder wave | trough |
| 5 | Stern wave | crest |
Far aft, o padrão é a soma de componentes sinusoidais; as funções A(θ), B(θ) são o free-wave spectrum (medido por wave pattern analysis). Kelvin point-source ∝ 1/cos²θ (muita contribuição diverging).
Havelock (1934) pela energia far-field › RW ∝ ∫ (A²+B²)·cos³θ dθ (5.32)
- RW é quadrático na amplitude; a fase far-field não importa.
- O peso cos³θ faz as transverse waves pesarem muito mais que as diverging → reduzir a transverse amplitude corta resistência.
- Como é quadrático, as contribuições não se superpõem → a interferência é decisiva.
Localizar os humps: wedge hull e o z-method
- Wedge hull: CW = V⁴·(constante + 4 termos oscilantes). Acima de Fn ≈ 0,48 a maioria cancela e CW cai.
- Wigley (1942): até Fn ≈ 0,4 as transverse fixam os humps; acima, as diverging pesam mais.
- z-method (empírico): só 2 sistemas — bow (crest) + aft-shoulder (trough), separados pelo wave-making length z. Máximo em z = (2k+1)λ/2; mínimo em z = kλ. Baker & Kent (1919): z = CP·L + ¼λ.
A curva de resistência de baixa a alta velocidade
| Fn | O que acontece |
|---|---|
| < 0,10 | Ondas desprezíveis; resistência quase toda viscous; CT ~constante. |
| ≈ 0,15 | Bow wave clara; wave resistance pequena. Service speed dos VLCCs. |
| ≈ 0,20 | Stern transverse pesa mais. Navios mercantes de fullness moderada. |
| ≈ 0,25 | Wave resistance já importante. Ferries, cruise liners, containerships. |
| ≈ 0,30 | Interferência bow–stern importante; hump indesejado. L alto (L/B) adia o wave-making. |
| ≈ 0,40 | Transverse λ = comprimento do navio → subida forte rumo ao main hump (~0,5). Faixa "hull speed". |
| ≈ 0,50 | Navio navega na própria onda (main hump). Só cascos transom passam com facilidade. |
| ≈ 1,0 | Planing: lift dinâmico carrega o peso; padrão vira um V estreito (some θ > 35°). |
| Tipo | Comportamento |
|---|---|
| Plunging (Tulin & Landrini, 2000) | Crista íngreme forma um jato para frente que cai na superfície à frente. |
| Spilling (Cointe & Tulin, 1994) | Mancha de água aerada desliza pela face frontal. Um plunging costuma virar spilling depois. |
- Sharp bow (alta velocidade): bow wave sobe o casco e tomba → plunging.
- Blunt bow: spilling na frente da crista larga.
- Aft do transom: spilling na 1ª crista atrás.
- Viscous attenuation da propagação de deep-water waves: desprezível em escala de navio.
- Efeito principal = redução pronunciada do stern wave system (boundary layer + wake mudam o campo de pressão na popa); maior em model scale (camada-limite mais espessa) e cresce com a fullness.
- Viscosidade é crucial no escoamento de um immersed transom stern (recirculação) e na separação na waterline (aft shoulder agudo, ou bulbous bow com draft baixo). Em geral, efeitos secundários.
| Propriedade | Mudança em água rasa |
|---|---|
| Dispersion | O fator tanh(2πh/λ) → 1 quando h → ∞ (recupera deep water). Quando λ > 2–3 vezes h, ondas de igual comprimento são mais lentas; no limite c → √(gh). |
| Loss of dispersion | Velocidade constante quando h < ~7% de λ; aí ondas > ~14 h correm à mesma velocidade. "Shallow" = pequeno h/λ (o mesmo canal é raso p/ ondas longas e fundo p/ curtas). |
| Orbital motion | Círculos viram elipses (mais horizontal); no fundo o movimento é puramente horizontal. |
| Group velocity | cg/c sobe de ½ (deep) rumo a 1 (no limite raso, energia viaja à velocidade da onda). |
| Regime | Fnh | O que ocorre |
|---|---|---|
| Low subcritical | ≲ 0,7 | Comprimentos/direções ~inalterados, mas amplitudes sobem (o fundo força o fluxo pelos lados → mais overspeed, sinkage). KVLCC2 a h/T = 1,20: sinkage ×4, trim ×3. |
| High subcritical | 0,7–0,9 | Transverse waves alongam; o meio-ângulo do Kelvin wedge alarga (cg/c sobe) até 90° em Fnh = 1. |
| (Trans)critical | 0,9–1,1 | Em Fnh = 1 as transverse viram puras shallow-water waves (nondispersive); cg = c → energia não sai, cresce muito. O Kelvin wedge deixa de existir. Pior caso: FnL ≈ 0,4 (≈ L/h ≈ 6,25). |
| Supercritical | > 1 | Navio ultrapassa a velocidade máxima → só diverging waves. Ângulo-limite θ = cos⁻¹(1/Fnh); padrão triangular, mas não é Kelvin wedge (ângulo vem da razão de velocidades). Ex.: catamarã FnL = 0,41, Fnh = 1,5. |
Estimar o aumento — só no regime subcritical
Schlichting (1934) › mesmo λ0 gerado a velocidade menor VI: VI/V∞ = (tanh(gh/V∞²))½ (5.44) › 2ª correção ΔVP (viscosa, controlada por √AM/h) › ΔV = ΔVC + ΔVP
Wash — ondas far-field (§5.11)
- Desde 1990 preocupa: erosão de margem/fundo, dano a embarcações amarradas, perigo a banhistas — sobretudo de fast ferries.
- Geram ondas de período longo (7–10 s), às quais navios amarrados respondem mais.
- Operação perto do critical amplifica; ondas críticas decaem pouco com a distância.
- Shoaling (amplitude sobe na costa rasa) é mais forte nas ondas longas do fast ferry → run-up e perigo mesmo quando offshore parecia inofensivo.
| Regime | Decaimento com a distância y |
|---|---|
| Subcritical | Maioria y−1/2; perto da borda do Kelvin wedge (θ ≈ 35°) y−1/3. |
| Critical | Sem teoria simples; conservador = assumir nenhum decaimento. |
| Supercritical | Muito lento: entre y−0,2 (muito raso) e y−0,33. |
Canal e blockage (§5.12)
Teoria de Kreitner (1934) — a inaccessible region
Todo o inflow tem de espremer-se pelo navio › overspeed. Blockage β = AM/(bh) › baixa velocidade: γ = 1/(1−β) › a overspeed baixa a superfície (Bernoulli) → equação de 3º grau (5.51)