| § | Componente | Origem física | Parâmetro governante |
|---|---|---|---|
| 7.1 | Induced resistance | geração de lift em escoamento assimétrico (trailing vortices); fenômeno inviscid | aspect ratio (equações do Cap. 5) |
| 7.2 | Appendage resistance | fricção e perdas de pressão viscosa em eixos, brackets, quilhas, lemes, fins | Reynolds number |
| 7.3 | Air / wind resistance | deficiência de pressão nas regiões separadas do casco emerso e superestrutura | apparent wind (Rn-independent — separação em quinas vivas) |
Como o lift aparece (Fig. 7.1)
- Lift vem da aerodinâmica (lá é vertical, equilibra o peso); em hidrodinâmica é quase horizontal — desloca o corpo lateralmente à direção de movimento.
- A asa muda a direção do escoamento; por reação o fluido exerce força igual e oposta na asa = o lift.
- As linhas de corrente curvam para baixo → pressão do lado inferior maior e succção no lado superior.
Representação matemática (Fig. 7.3)
- Asa 3-D = bound vortex (eixo y) + free trailing vortices; superposição de horseshoe vortices.
- Helmholtz 1º teorema: intensidade do vórtice constante ao longo do filamento. Vorticidade ligada máxima no centreplane, zero nas pontas.
- Helmholtz 2º teorema: vórtice não pode terminar no fluido → fecha a jusante pelo starting vortex (desprezado em regime permanente).
αi = atan(w/U∞) (7.1) › como w é sempre pequeno › αi ≈ w/U∞ (7.2) (em radianos)
Kutta–Joukowski: lift = ρUΓ, ⊥ ao fluxo local U › L′ = ρUΓcosαi ≈ ρU∞Γ (7.3) › Di′ = ρUΓsinαi ≈ ρU∞Γαi (7.4)
(′ = força por unidade de envergadura). A induced drag Di′ é proporcional ao ângulo induzido αi.
CL = 2π / (1 + 2/AR) · α (7.6) › CDi = CL² / (π·AR) (7.7)
- A distribuição elíptica dá a mínima induced drag, produzida por asa não-torcida de planta elíptica — a preferível.
- Schrenk (1940): para asas sem sweep/twist, o lift em cada posição fica a meio caminho entre a distribuição elíptica e a real da corda (Fig. 7.4).
- Sweep angle medido pela linha de quarto de corda (25%). Taper ratio: 1 = retangular, 0 = triangular; melhor casamento com elipse ≈ 0,45.
- Fig. 7.6: quanto maior o sweep, menor o taper para o ótimo (mínima induced resistance).
- Na Fig. 4.1 não havia appendage resistance para cascos de displacement — uma aproximação: todo casco com eixo exposto ganha alguma.
- Planing hull: componente considerável — o dynamic lift ergue o casco e reduz a superfície molhada, os apêndices ficam submersos e assumem cada vez mais a viscous resistance com a velocidade.
- Também grande no sailing yacht.
Geometria do foil (Fig. 7.9)
Séries NACA
- NACA (precursora da NASA) testou seções nos anos 1930–40. As úteis em hidrodinâmica: four-digit e six-series.
- Four-digit (ex. NACA 0010): últimos 2 dígitos = tmax/C; primeiros 2 = camber (zero = simétrico).
- Six-series (ex. 63-010 / 65-010): 1º dígito = série; 2º (×10) = posição do mínimo de pressão em % da corda; após o traço = tmax/C.
Drag bucket, stall e CLmax
- Drag bucket (Fig. 7.12, Rn = 3×10⁶): a 63-009 tem drag baixo abaixo de ~2°, depois sobe rápido entre 2°–3° (mínimo de pressão salta para frente), ficando pior que a 0009. Perfis grossos (21%) seguram o bucket até ~5–6° vs ~2–3° dos finos (Fig. 7.13).
- Lift slope teórico igual para todas as seções simétricas: ∂CL/∂α = 2π /rad ≈ 0,11 /grau (≈ 0,10 em fluido viscoso).
| Stall (Fig. 7.16) | Perfil | Mecanismo |
|---|---|---|
| (a) | grosso | trailing-edge separation (gradual, desde ângulos pequenos) |
| (b) | muito fino | leading-edge separation bubble crescente |
| (c) | moderado 9–12% | separa dos dois lados; queda drástica de lift quando as bolhas se encontram |
| Regime | Comportamento |
|---|---|
| Abaixo do Rn crítico ≈ 10⁵ | camada laminar separa antes da transição; pressure drag cresce com a espessura (extremo = cilindro, ~constante); perfil 6% quase segue a linha de placa plana |
| Acima do Rn crítico | transição antes da separação; camada turbulenta atrasa a separação e corta a pressure resistance. No cilindro a separação vai de ~80° para ~120°, reduzindo o drag em ~75% |
| Faixa 10⁶–10⁷ | drag coefficient ~constante (transição avançando compensa a queda normal do drag com Rn, que reaparece acima de 10⁷) |
| Caso (Fig. 7.19) | Pressão | Drag |
|---|---|---|
| Inviscid | Cp de 1,0 (estagnação) a −3,0 a 90°, sobe simétrico a 1,0 a 180° | zero pressure drag (d'Alembert) |
| Supercritical | mínimo ~−2,5 perto de 90°; plateau após 120° levemente negativo | pequeno pressure drag |
| Subcritical | mínimo perto de 70°, depois ~constante Cp ≈ −1,0 em toda a face traseira | grande drag |
As curvas são médias; na realidade o fluxo flutua periodicamente → forças laterais de lado a lado (vortex shedding).
- True wind (VTW): o vento que existiria se o navio estivesse ausente (zero true wind = ar parado).
- Apparent (relative) wind (VAW): soma vetorial do true wind + vento do próprio movimento (Fig. 7.21).
V⃗AW = V⃗TW − V⃗ (7.10) › VAW = (VTW² + V² + 2·V·VTW·cosβTW)½ (7.11) › βAW = atan[ VTWsinβTW / (V + VTWcosβTW) ] (7.12)
qa = ½·ρa·VAW² (7.15) › CX = X/(qa·AT); CY = Y/(qa·AL) (7.16) › CK = K/(qa·AL·HM); CN = N/(qa·AL·L) (7.17)
| Navio (Tab. 7.2, extrato) | AL (m²) | AF (m²) |
|---|---|---|
| Car carrier (LOA 190,7 m) | 4257 | 654 |
| Tanker, loaded (351,4 m) | 3402 | 1132 |
| Tanker, ballast (351,4 m) | 7840 | 1804 |
Blendermann (1990) mediu os coeficientes para muitos tipos de navio. O tanker em lastro expõe muito mais área lateral (7840) que carregado (3402).
| HM = 10 m | n = 10 (forte) | n = 5 (fraco) |
|---|---|---|
| CX, CY, CN reduzem | 17% | 29% |
| CK reduz (menos) | 11% | 17% |
Navio em movimento: perfil torcido dificulta a correção exata — os coeficientes não corrigidos ficam altos e os corrigidos por (7.20) baixos; na prática pode bastar usar os não corrigidos.
RAA = 0,6·½·ρa·V²·AT (7.21) › adimensionaliza por ρ água e S › CAA = 0,72×10⁻³·AT/S (7.22)
Vento não alinhado › side force desliza o casco → leeway angle › momento de yaw compensado pelo leme → ângulo de leme ≠ 0