- Intensidade cresce à medida que a largura do canal diminui ou o navio se aproxima de um banco/outro navio.
- As alterações são mais fortes do que em águas rasas sem restrição lateral.
Escopo: item 8.12 do Anexo 2-A (efeitos de banco, de canal, squat em canais e interações navio-navio).
Três efeitos distintos (ITTC, 2002)
| Efeito | O que é | Quando ocorre |
|---|---|---|
| bank effect (efeito de banco) | forças/momentos por movimento longitudinal, paralelo ao banco | navegando ao longo de banco ou parede |
| cushion effect (amortecimento) | aumento da resistência lateral conforme diminui a distância | movimento lateral rumo a limite sólido (atracação em cais vertical) |
| memória hidrodinâmica | influência sobre forças dependentes da frequência (massa/inércia adicionais) | grandes acelerações/desacelerações (contato com defensas) |
Parâmetros das forças de interação (ITTC)
- Distância navio–banco: efeitos aumentam quando a distância diminui (mas o momento p/ fora pode diminuir em folgas muito pequenas).
- Velocidade: efeitos de banco dominados por efeitos potenciais, geralmente proporcionais ao quadrado da velocidade; em águas rasas podem crescer mais que quadraticamente.
- Razão de profundidade: momento p/ fora cresce monotonicamente ao reduzir a profundidade; surge repulsão para fora do banco se h/T < 1,1 a 1,25 (crítico).
- Ação do propulsor: adiciona atração entre popa e banco, independente do sentido de rotação → reforça o momento p/ fora.
Primeiras pesquisas
DTMB 1946–47 (Canal do Panamá) › Schoenherr 1960 › Fujino 1968 (eqs. lineares, calibração PMM) › Norrbin 1974–85 › Kijima e Dand
Quatro elementos que definem
- escoamento em torno do casco em movimento;
- uma geometria interfere nesse escoamento;
- embarcação/hélice com velocidade constante ou quase;
- comprimento da geometria múltiplo da maior dimensão do navio.
Área aberta = pressões simétricas › paralelo à restrição = escoamento assimétrico › água acelera entre navio e banco, pressão cai desse lado › força aponta p/ margem = sucção de banco
Controle do rumo junto ao banco
Kvick (2002): graneleiro Panamax (200 m, calado 11 m, deriva 1°) — talude de 45° reduz menos que se supõe; banco submerso só a curta distância.
- Banco longo: forças estabilizam com casco paralelo; bancos com mais de seis comprimentos do navio ≈ infinitos.
- Forças transientes não são proporcionais a V²: podem atingir até a quinta potência da velocidade.
- Tratar o efeito como simples Bernoulli só vale com o navio já em equilíbrio (banco longo).
| Estudo | Banco | Achado |
|---|---|---|
| Yasukawa 1991 | circular (h/T = 1,1) | forças sempre de atração; momento inicial de repulsão vira atração após o centro |
| Kijima e Quing 1987 | cunha (h/T = 1,2, 4 nós, cargueiro 155 m) | fortes transientes na quina; mesmo com ângulo de 150° há transientes |
Navio centrado e simétrico › escoamento simétrico, sem força nem momento › deslocado y₀ da linha de centro › simetria se perde
Três limites de segurança
- Ângulo de leme p/ manter rumo paralelo (função de profundidade e largura);
- o efeito squat no canal;
- a estabilidade direcional (profundidade, distância das margens, efeitos de banco).
Petroleiro encalhou na margem oposta ~500 s após o início; é mais instável que o cargueiro. Com controle PD (ganhos 4 e 4) ambos ficam estáveis.
Parâmetros aceitáveis (Eda, sem solução universal)
| Item | Valor |
|---|---|
| leme p/ corrigir afastamento de 5–10% do comprimento | 15° a 20° |
| estabilidade direcional | neutra |
| folga p/ squat — cargueiro | 30 cm (1 pé) |
| folga p/ squat — petroleiro | 60 cm (2 pés) |
Nos EUA há práticos que fazem curvas dando ordens de governo pela razão de guinada, não por ângulo de leme — útil quando as forças externas são variáveis.
| Símbolo | Significado |
|---|---|
| W | largura no fundo do canal |
| WTop | largura projetada ao topo da calha (confinado) |
| h / hM | profundidade da água / profundidade média |
| n | inclinação dos taludes = horizontal/altura = cot(θ) |
| AC | área transversal molhada |
Taludes suaves (1:10 ou mais) permitem tratar como irrestrito mesmo com W < Wrn; n típico ≈ 3 (talude 1:3).
Parâmetros combinados navio × canal
- Razão de profundidade h/T — regra de segurança: mín. 1,1 a 1,15 em águas calmas e 1,15 a 1,4 com ondas.
- Fator de bloqueio S = AS/AC — fração da seção ocupada pela meia-nau. Típico: 0,10 a 0,3 (restritos/confinados); ≤ 0,10 (irrestritos).
- Fator de velocidade de retorno S₂ = AS/AW; número de Froude de profundidade Fh.
- Velocidade crítica VC: limite da resistência — ao atingi-la o navio ganha trim que altera resistência/manobra. Deve ser sempre evitada.
| Método | Característica |
|---|---|
| Huuska/Guliev | qualquer canal; constante K₁ (Fig. 291) em função do fator de bloqueio S₁. Restrições: Fnh ≤ 0,7; 1,1 ≤ h/T ≤ 2,0; CB 0,6–0,8 |
| Römisch | squat na proa ou popa; fatores CV, CF, KΔT; K distingue os 3 tipos de canal |
| Ankudinov | Smáx = afundamento Sm + trim Tr. Trim negativo = proa; positivo = popa. Inválido se Fnh > 0,6 |
| Yoshimura (japonês) | canais abertos/fechados; velocidade equivalente v* incorpora o bloqueio |
| Barrass 3 | qualquer canal; função de Vk (nós), CB e S. S = 0,10 = rio/canal sem restrição. Squat ∝ V² |
Passagem por navio atracado (Pinkster, 2004)
Ultrapassagem (Newton, 1960)
- Priorizada porque o período de ação é mais longo → maior risco que o cruzamento.
- Casco fino A (225,5 m, CB 0,611) a 20 nós; cheio B (172,8 m, CB 0,714) a 10 nós; águas profundas 137 m.
- Afastamento 50 pés (15,24 m): atração máx. 26 tf em A e 35 tf em B; posições de risco 3 (navio A) e 5 (navio B).
- 50 → 100 pés reduz a atração ~40%; dobrar a velocidade relativa (10 → 20 nós) quadruplica a atração (∝ V²).
Distância longitudinal adimensional = stagger (Sτ): −1 proa-com-popa, 0 meia-nau, +1 popa-com-proa.
Efeitos combinados (Dand)
- Benéfico: as proas se afastam no começo — efeito pequeno, controlável pelo leme-flape.
- Perigoso: afastamento de proas mais forte no final da passagem → grande ângulo de deriva, impossível de controlar com o leme, podendo encalhar.
Lembrete do autor: controle o navio com atenção especial ao ângulo de deriva — é o ângulo de ataque da asa-casco, governado pelo flape-leme.