Controles fixos × móveis
| Categoria | Como mantém a trajetória |
|---|---|
| Controles fixos | sem intervenção do timoneiro, leme em zero → é a estabilidade em linha reta |
| Controles móveis | só mantém com leme/atuador ativo → estabilidades direcionais e posicional |
Lyapunov e variáveis de estado
| Tipo | Controle | Atributo mantido | Trajetória final |
|---|---|---|---|
| Linha reta | fixo (leme zero) | linha reta | reta, novo rumo (sentido pode mudar) |
| Direcional — índices complexos | leme ativo | reta + sentido | reta, sentido original, transitório oscilatório |
| Direcional — índices reais | azimutal | reta + sentido | reta, sentido original, transitório monotônico |
| Posicional | ≥ 3 atuadores (DP) | reta + sentido + posição | idêntica à inicial (referencial inercial) |
Hierarquia ascendente › linha reta › direcional complexos › direcional reais › posicional
Com controles fixos, a única estabilidade matematicamente possível num navio autopropelido é a de linha reta — o arrasto da empenagem (popa) contrabalança o momento de Munk.
Método
- Pequena perturbação: se decai → estável; se cresce → instável; se volta ao equilíbrio inicial → estabilidade assintótica.
- Ferramenta: expansão em série de Taylor em torno do equilíbrio, só termos lineares → derivadas hidrodinâmicas avaliadas no ponto de equilíbrio.
- Amortecimento natural = arrasto da popa (empenagem) — fonte física que torna o navio localmente estável.
- Linearizar em torno de u0, v = 0, r = 0 descarta termos não lineares (xG·r², u·r, v·r).
- Surge desacoplado — resolvido em separado. Sway e yaw ficam acoplados via Yr·r e Nv·v.
- Para navios usuais Y′ṙ ≈ 0 e N′v̇ ≈ 0 → equações desacopladas nos termos de aceleração; acoplamento persiste só na velocidade.
| Sinais de σ | Resultado |
|---|---|
| Ambos negativos | v′, r′ decaem → assume novo aproamento mas mantém reta → estável |
| Pelo menos um positivo | v′/r′ crescem → curva de giro constante com leme zero → instável |
Matricial B·Ẋ + C·X = 0 › Cauchy Ẋ = A·X, com A = −B⁻¹·C › det(σI − A) = 0 › A·σ² + B·σ + C = 0
Condição frequentemente esquecida: estabilidade completa exige C > 0 nos graus sway-yaw E u0 > 0 (sem velocidade avante, β = −v/u0 vai a infinito).
- A > 0 sempre (massas + massas adicionais, Y′v̇ e N′ṙ negativas).
- B > 0 sempre (inércias virtuais × amortecimentos Y′v, N′r negativos).
| Sinal de C | Comportamento com leme zero |
|---|---|
| C > 0 | estável — mantém rumo |
| C < 0 | instável — gira em raio constante |
| C = 0 | fronteira de estabilidade (evitada no projeto) |
A — massas e inércias adicionais
Massa adicional: observada por Dubuat (1776); expressão exata da esfera por Green (1833) e Stokes (1843).
B — derivadas de amortecimento
- Yv sempre negativa (força lateral oposta a v; proa e popa somam).
- Nr sempre negativo (momento oposto à rotação; proa e popa somam momentos negativos).
- Yr ambígua: proa e popa competem — proa domina → negativa; popa domina → positiva.
C — o parâmetro crítico Nv
- Munk (potencial): N′v(Munk) = −(k2 − k1)·Δ′. Lamb (Cambridge, 1849–1934) mostrou que k2 > k1 sempre → Munk sempre desestabilizador.
- Sustentação (viscosa): N′v(L) = Y′v(L)·xp/L. O centro de pressão lateral xp é pequeno e negativo (≈ −0,1·L) em navio bem construído (skegs/leme a ré) → componente estabilizadora.
| Derivada | Proa × popa | Sinal |
|---|---|---|
| Y′v | somam | sempre negativa |
| N′r | somam | sempre negativa |
| Y′r | competem | ± (geometria) |
| N′v | Munk × empenagem | ± — parâmetro mais crítico |
- Leme-skeg: com leme zero toda a área do leme atua como skeg; com leme ativo só a parte fixa. Design padrão moderno.
| Variável | Efeito na estabilidade direcional |
|---|---|
| L/B ↑ (mais esbelto) | estabilidade aumenta |
| B/T ↑ (mais raso) | estabilidade diminui, mas leme ganha autoridade relativa |
| Skegs na popa | aumentam a estabilidade |
| Bulbo de proa | diminui (desloca centro de pressões p/ vante) |
Detalhe: N′r é independente de B/T — varia só com L/B e área de skeg a ré.
Trim (efeito oposto)
| Trim | Estabilidade | Diâmetro de giro |
|---|---|---|
| pela popa | melhora | aumenta |
| pela proa | piora | diminui |
Sequência: estabilizar ~1 min › δ = +15° → +10° → +5° → +1° → 0° → −1° → … → −15° › repetir no sentido inverso (dois sentidos obrigatórios)
| Resultado | Diagnóstico |
|---|---|
| Curva monotônica (sem loop) | estável (σ negativos); inclinação na origem = intensidade |
| Loop de histerese | instável (σ positivos); altura/largura do loop = grau de instabilidade |
Analogia de Abkowitz (MIT, 1964)
Navio instável guina contra o próprio leme até certo ângulo, depois salta bruscamente para o sentido oposto.
Espiral reversa de Bech (1968)
| Teste | Controla | Mede |
|---|---|---|
| Dieudonné (direta) | ângulo de leme δ | razão de guinada r |
| Bech (reversa) | razão de guinada r (ex.: 0,5°/s) | ângulo de leme δ necessário |
- Vantagens: mais rápida, cabe em espaços confinados, pontos em qualquer ordem temporal.
- Estável → resultados iguais a Dieudonné. Instável → mostra o loop, mas não explora o interior (não é mais "controles fixos").
Plotagem conforme resolução IMO 137(76) (mesma formatação da direta).
Manobra de pull-out (4.12)
| r final | Diagnóstico |
|---|---|
| r → 0, curvas dos dois bordos convergem | estável |
| r residual ≠ 0, curvas não convergem | instável |
Integrado ao final da curva de giro padrão — sem manobra dedicada nem custo extra.
Largura máxima do loop de histerese
| LPP/V (s) | Largura máxima do loop |
|---|---|
| < 9 s | 0° (navio deve ser estável) |
| 9 a 45 s | 3° a 12° (interpolação linear) |
| > 45 s | 12° |
Espiral simplificada (4.14)
- Ponto 1: r em regime com leme máximo (da própria curva de giro).
- Ponto 2: leme a zero; se r → 0 o navio é estável e encerra (equivale ao pull-out).
- Ponto 3 (só se instável): leme no sentido oposto, ângulo = metade da largura do loop permitido (item 4.13).