Manter o rumo › e girar › são habilidades inversas
Percurso do capítulo
O teste
Estabiliza no equilíbrio › aplica o leme na velocidade máxima de deflexão até o ângulo máximo, para um bordo › mantém carregado todo o ensaio
Os 4 parâmetros principais
| Parâmetro | Direção | Lido em |
|---|---|---|
| Avanço (advance) | longitudinal | 90° de aproamento |
| Transferência/afastamento (transfer) | transversal | 90° de aproamento |
| Diâmetro tático (tactical diameter) | transversal | 180° de aproamento |
| Diâmetro final (steady turning) | círculo em equilíbrio | entre 90 e 180° |
Todos referidos ao centro do navio e à direção da trajetória na condição inicial de equilíbrio.
IMO também recomenda registrar tempos p/ 90° e 180°, plotar a trajetória e repetir para ambos os bordos em navios com assimetria. Fig. 100.
xc = R·sen β › xc posição do pivô (a partir do CG) › R raio de giro › β ângulo de deriva
O que acontece no pivô
- Na seção do pivô o ângulo de ataque é zero; o escoamento fica paralelo ao eixo do casco.
- Parece que o navio pivoteia sobre um ponto um pouco a ré da proa.
- A direção do escoamento muda de lado ao passar pelo pivô. Curva a BE: avante do pivô a água aproxima por BE; a ré, por BB.
Determinação gráfica e posição
Vetores velocidade na proa e na popa › une as extremidades por uma reta › onde cruza o eixo = pivô
Navios bojudos e navios trimados pela proa: diâmetro de giro menor e pivô mais a vante. Figs. 101–105.
| Fase | O que é |
|---|---|
| Fase 1 | o leme sendo carregado (deflexão) |
| Fase 2 | movimento transiente |
| Fase 3 | trajetória circular uniforme, em equilíbrio |
Fase 1 — deflexão do leme
Leme defletido › surge ângulo de deriva β + velocidade de guinada r › entra na fase 2
As acelerações aparecem isoladas por breve período até surgir β com r.
Fase 2 — transiente
- Ganho de momento em sway (deriva) e yaw (guinada); redução em surge (avanço).
- Evento decisivo: aparece β com a força lateral do casco Yvv, dirigida para o bordo da curva.
- Yvv supera a força de massa adicional (dirigida ao bordo oposto) até equilibrar a força centrífuga.
Fase 3 — giro permanente
R ∝ L / δ › raio proporcional ao comprimento L › inversamente proporcional ao ângulo de leme δ
Validade da teoria linear
| Diâmetro de giro | Teoria linear |
|---|---|
| ≈ 4 L ou mais | válida (navios estáveis, leme < máximo) |
| entre 2 e 4 L (maioria dos mercantes, leme máx.) | validade cai |
| 2 L ou menos | usar simulação numérica não linear |
O índice C e a posição do leme
- Numerador = o mesmo índice C da estabilidade de rumo, que deve ser maior que zero em navios estáveis.
- Para o leme ter ação de controle, o denominador precisa ser positivo → o leme tem obrigatoriamente de estar a ré.
- Navio instável: numerador negativo → o navio gira em sentido contrário ao leme.
Efeito das derivadas no raio (navios estáveis)
- Aumentar a força lateral do casco não garante R menor (ligada a L/T; aumentar calado não garante reduzir R).
- Aumentar Yv: se Nv predomina (mercantes) → R aumenta; se Nδ predomina (guerra, rebocadores) → R diminui.
- Aumentar a magnitude de Nv (negativo nos convencionais) → R reduz.
- O momento ligado à razão de giro sempre se opõe ao giro: aumentá-lo aumenta R (todos os estáveis).
- Leme o mais a ré possível → reduz R.
1ª fase (leme a BE)
3ª fase (leme a BE)
2ª fase e a situação perigosa
- O 2º adernamento (p/ BB) é maior que o inicial e pode ter grande sobrepasso além do equilíbrio (ex.: rebocador portuário).
- SNAME — Princípios de Arquitetura Naval, vol. III: há situação perigosa pouco antes do fim do 1º grande adernamento para BB, com o navio ainda inclinado para BE.
- Timoneiro que tira o leme bruscamente (temendo o adernamento) agrava a inclinação para BB em vez de atenuá-la.
Deflexão do leme › aderna levemente para dentro › muda p/ fora (força centrífuga) › pico no transitório › acomoda em guinada constante com ângulo φc
4 pontos notáveis (medidos da quilha)
| Símbolo | Significado |
|---|---|
| M | metacentro |
| G | centro de gravidade (KG) |
| B | centro de flutuação/empuxo (KB) |
| K | quilha (origem das medidas verticais) |
Przywarty — dois porta-contêineres
| Navio 1 | Navio 2 | |
|---|---|---|
| TEU | 1610 | 4275 |
| Desloc. (t) | 24080 | 73910 |
| L (m) | 169 | 261,4 |
Fig. 120 (valores absolutos) e Fig. 121 (adimensional, múltiplos de L), por regime de máquina. Regimes: FSAH · FAH · HAH · SAH · DSAH.
| Adim. (×L) | Diâm. tático N1 / N2 | Diâm. final N1 / N2 |
|---|---|---|
| FSAH | 2,2 / 3,7 | 1,7 / 2,9 |
| HAH | 2,1 / 3,5 | 1,6 / 2,9 |
| DSAH | 2,0 / 2,7 | 1,5 / 2,0 |
ROT (°/min) N1: de 79 (FSAH) a 18 (DSAH); TC (min) N1: de 4,5 a 20,0. Adimensional = cada parâmetro ÷ L (padrão IMO).
- Só em rotações muito baixas (~muito devagar adiante) o diâmetro tático diminui.
- Já a razão de guinada no diâmetro final é muito dependente da velocidade inicial: maior velocidade → maior ROT → menor tempo por volta.
- Quanto maior a inércia, menores as diferenças no diâmetro tático (principal diferença: regime DSAH do Navio 2, o de menor inércia).
Perda de velocidade e o VLCC Esso Osaka
| Situação | Velocidade |
|---|---|
| Após girar ~60° (cruzeiro) | perde ~25% da inicial |
| Giro estável, leme a 35° | final ~60% da inicial |
Resultados adimensionais de perda de velocidade e ROT vêm do VLCC Esso Osaka, base de validação de muitas pesquisas de manobrabilidade. Figs. 122–123.
| Parâmetro | Limite IMO |
|---|---|
| Avanço | ≤ 4,5 Lpp |
| Diâmetro tático | ≤ 5 Lpp |