🧭 MMPH · Cap.7 — Parar, Acelerar, Desacelerar e Mover a Ré

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Santos, A Manobrabilidade do Navio no Séc. XXI · I.08-MN · Área I do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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ContextoDo mar ao canal de acesso, o controle do navio muda: a controlabilidade piora até a atracação/fundeio. Recomenda-se uma velocidade segura, que varia de navio para navio.
TipoEmpuxo/deslocamentoResposta
Mercante de grande inérciapouca força por deslocamentoresponde lentamente ao propulsor
Navio de guerra / rebocadormuita potência por deslocamentoresponde muito rápido
Em baixas velocidades os mercantes sofrem saturação das forças do propulsor e do leme → dificulta o governo justo quando ele é mais necessário.
Três sistemas interagem para alterar a velocidade: gerador de potência (maquinário) sistema propulsivo atrás do casco resistência do casco.

Otimização pós-crise do petróleo (mínimo combustível) mudou o desempenho de manobra → exemplos de navios antigos quase não servem mais, exceto a parada em velocidades altas, em navios de grande inércia onde a resistência do casco supera a força a ré.

PadrãoO livro adota os padrões SNAME recomendados pelo comitê de facilitação da IMO.
ManobraTermo (inglês)O que é
Aceleraçãoacceleratingaumento da velocidade a vante, do repouso ou de velocidade já a vante
Paradastoppingdesaceleração com força a ré, de velocidade a vante até paralisação completa
Desacelerar (máq. adiante)reduzir potência adiante: empuxo < resistência → cai a velocidade mais lenta, ainda governável
Coastingcoastingparada de aproximação sem força a ré; mantém rotação mínima a vante p/ preservar governo
Mover/cair a rébackingacelerar do repouso p/ velocidade a ré, revertendo hélice e empuxo
Reverter mov. a réreversing asternfrear um movimento a ré até o navio parar

Crash stop / crash astern

O que éParada a partir de velocidade a vante com a máquina em toda força a ré. Usada em paradas de emergência; em geral não é comandada a partir de toda força adiante.
Não confundir: a manobra crash stop ≠ a prova de mar crash stop, que é teste de aceitação iniciado na velocidade máxima de cruzeiro (toda a vante) revertendo p/ toda a ré.

Faixas de velocidade de manobra (PIANC)

FaixaVelocidade a vante
Baixa5 a 8 nós
Moderada8 a 12 nós
Altaacima de 12 nós

No coasting, a distância até a velocidade em que rebocadores possam assistir é crítica na entrada do porto — afeta projeto do porto, terminais e uso de rebocadores (muitos exigem escort na frenagem).

TotalCinco índices principais, todos contados do início da manobra até o navio parar.
ÍndiceO que mede
Distância ao longo da trajetóriacaminho real percorrido pela trajetória
Distância longitudinal (head reach)avanço na direção do aproamento inicial
Distância transversaldesvio lateral vs aproamento inicial
Tempo até parardo início até a paralisação
Desvio de aproamentovariação de aproamento do início ao fim
Em navios modernos a reversão do passo/RPM só é possível a partir de certa velocidade a vante; antes disso, só a resistência do casco reduz a velocidade. Reverter em velocidade alta avaria o propulsor e o eixo — ainda assim atendem à IMO 137(76).
Rotação do propulsor leva a popa para um bordo: boreste em passo direito (rotação positiva), bombordo em passo esquerdo (rotação negativa). Também desviam: momento de Munk e sustentação do casco.
Fig. 124
Fig. 124 — Parametros das distancias de parada do navio

Por que baixas velocidades são especiais

As equações simplificadas de movimento (regime permanente) não bastam em baixas velocidades: surgem grandes ângulos de deriva + movimentos a vante/ré, de lado e guinando. Em baixa velocidade o ângulo de deriva é maior que em velocidade moderada → o estudo linear fica incorreto.

As 4 regiões (quadrantes) do propulsor

Reúnem as 4 combinações de navio a vante/ré × propulsor no sentido projetado/invertido. Estruturados por van Lammeren e Haruzo Eda.

Quadr.Avanço uRotação/passo nManobra
Iu ≥ 0 (a vante)projetadaacelerando / navegando a vante
IIu < 0 (a ré)projetadarevertendo um movimento a ré
IIIu ≥ 0 (a vante)invertidadesacelerando (empuxo a ré)
IVu < 0 (a ré)invertidamovendo/caindo a ré

Força lateral do propulsor

Propulsor único a ré gera força lateral significativa (pior na rotação reversa em baixa velocidade) → tendência de guinada na parada. Passo fixo direito revertido → guinada para boreste (sentido horário).

Empuxo a ré × resistência do casco

Acima de ~12 nósNum mercante, quem freia é a resistência do casco (+ massa adicional). Havendo espaço, evita-se colisão fazendo um giro em vez de parar com máquina atrás.
Abaixo de ~6 nósEm águas profundas, não há vantagem em girar: a força principal passa a ser o empuxo a ré (resistência do casco já é pequena).
Em navios leves e potentes, a habilidade de parada depende muito da rapidez de variar a rotação (parar e acelerar o hélice a ré); efeito menor em navio grande e de baixa potência.

Usar o propulsor a vante para reduzir

PráticaEm navios de grande inércia com velocidade relativa acima de ~10 nós, faz-se parada de emergência em devagar/muito devagar adiante em vez de reverter.
Reverter em velocidade alta não traz benefício: propulsor estolado, sem empuxo a ré, cavita (erosão das pás, vibração). Só reverte quando a velocidade relativa fica baixa.

Devagar adiante c/ vel. relativa alta propulsor com ângulo de ataque negativo empuxo direcionado a ré → freia

Distância de parada × deslocamento

Head reach e tempo de parada variam quase linearmente com o deslocamento (se o empuxo a ré for pouco afetado pela imersão do propulsor). Dados de Lincoln Crane (1973): toda a ré −55 RPM, meia a ré −40 RPM.
Fig. 126
Fig. 126 — Trajetorias de parada brusca (crash astern) de petroleiros Esso a 16 nos
Fig. 127
Fig. 127 — O propulsor a vante para reduzir a velocidade do navio
Fig. 128-1
Fig. 128-1 — Tempo de parada x deslocamento (Lincoln Crane, 1973)
Fig. 128-2
Fig. 128-2 — Alcance longitudinal x deslocamento (Lincoln Crane, 1973)
Todo modelo tem limites — conhecer os limites é mais importante que conhecer as capacidades, porque evita conclusões erradas.
Fig. 125
Fig. 125 — Os quatro quadrantes do propulsor
Simulação (PIANC/SNAME/IMO)Útil e adequada p/ acelerar, parar e mover a ré (hidrodinâmica não linear). Deve considerar RPM transiente no leme + vento, corrente e águas rasas.

Curvas características

J = ua / (n·Dp) ua = vel. de avanço do propulsor Dp = diâmetro n = rotação em rps

CoeficientesEmpuxo KT e torque KQ, ambos função de J, aproximados por polinômios de 2º grau. Efeitos do casco (esteira, redução de força) entram por setores + coeficientes de ajuste.

Passo fixo vs passo controlável

  • Passo fixo: empuxo = polinômio 2º grau em J (termos u², u·n, n²). Força lateral paddle wheel em baixas velocidades; regime dividido em quatro quadrantes (sinais de u e n), cada trecho ajustado por polinômio.
  • Passo controlável: acrescenta 2ª variável (o passo), incluída por multiplicadores em cada coeficiente do modelo de passo fixo (relação passo atual/máximo). Variação linear, quadrática ou cúbica.
Fig. 129
Fig. 129 — Curva caracteristica de propulsor B5-75 (Kuiper, 1992)
Fig. 130
Fig. 130 — Regioes de regime de atuacao do propulsor
Motor típicoDiesel (barato, confiável, compacto, potente). Preferência pelos de dois tempos. Combinação diesel 2 tempos baixa velocidade + hélice de passo fixo = mais favorável p/ grandes mercantes.
Custo da eficiência: esse mesmo sistema é desvantajoso para manobrar — parada de colisão com longas distâncias de parada.

Balanço de torque no eixo

2π·Ip·ṅ = Qm − Qp Qm = torque do motor Qp = torque resistente hidrodinâmico Ip = inércia das estruturas girantes

Rotação varia pelo saldo Qm − Qp; quando os dois se igualam, a rotação fica constante.

Realimentação em malha fechada (5 passos)

PassoCalcula
1. Empuxo de ref. (Tref)= módulo da resistência do casco na velocidade de equilíbrio
2. Rotação comandada (nc)converte Tref em rotação; admite bollard pull (avanço nulo)
3. Torque atual e de equilíbrioatual = polinômio; equilíbrio = estimado ao atingir nc
4. Torque do motor (Qm)torque disponível se nc > n atual; senão coef. de frenagem kb
5. Variação de rotaçãodn/dt da diferença de torques → integra → nova rotação
O lemeUma asa (flape vertical); forças modeladas como sustentação e arrasto. A água vem do movimento do navio e, sobretudo, da corrente de descarga do propulsor — contribuição mais importante. Por isso o leme deve estar integrado às regiões dos quatro quadrantes.
Como a força do leme depende da descarga do propulsor, em embarcações de pouca inércia oscilar o leme pode até diminuir a distância de parada. O tempo de bordo a bordo entra no cálculo (máquina própria: pistão hidráulico ou motor elétrico).

Sustentação — função de Hirano (MMG)

f(λ) = 6,13·λ / (λ + 2,25) λ = razão de aspecto força normal ∝ ângulo de ataque aR

Para grandes ângulos de ataque: a sustentação deixa de ser proporcional ao ângulo → incluir estolamento com formulação cúbica p/ força lateral e momento em guinada.

A máquina do leme

  • Leme lento (grandes petroleiros): pequeno atraso no início da atuação.
  • Leme rápido: função de aproximação até velocidade constante + função de decaimento até a deflexão máxima.

Exemplos de simulação (3 casos)

  • VLCC: muita inércia, baixa potência relativa.
  • Petroleiro aliviador: pouca inércia, alta potência relativa.
  • Comparação contêinero Panamax × aliviador (velocidade × tempo por vel. de aproximação).

Métodos empíricos — base

Baseados em testes, com generosos fatores de segurança. Em velocidades moderadas, o head reach é quase o mesmo para trajetória final curva ou reta.

Método de Chase (1957) — SNAME

BaseCalcula head reach e tempo; base dos métodos IMO e ROM. Vale se a resistência = potência da velocidade:

R = k·Vn só válido para n = 2 (resistência ∝ velocidade²) velocidades iniciais moderadas

  • Empuxo = função linear da distância até T1 (constante = bollard pull a ré); T0 = empuxo a vante inicial. Trabalha-se com net thrust.
  • Tempo p/ empuxo a ré ficar constante = tempo de reverter a máquina = 20 s em navios modernos.
  • Fig. 131-132
    Fig. 131-132 — Exemplos de simulacao da parada: VLCC (Fig.131) e petroleiro aliviador (Fig.132)
    Fig. 133
    Fig. 133 — Comparacao da parada: conteinero Panamax x petroleiro aliviador
  • Três grupos adimensionais: potencial dinâmico D (→ distância S), impulso dinâmico T (→ tempo), razão R0/T1. Distância e tempo variam inversamente às forças que freiam.

Método ROM 3.1-99 (Espanha)

VariáveisSemelhante a Chase (linha reta, vel. inicial ≤ moderada, máquina a ré): deslocamento Δ, V0, resistência RT, empuxo a ré T, tempo p/ reverter tri (20 s na falta de dados), coef. de massa virtual Cm = 1,08.
NormaIMO — Resolução MSC 137(76), de 4 dez 2002, com notas explicativas da circular MSC 1053.
Critério de parada IMO: a distância na trajetória (teste de parada brusca) não deve exceder 15 comprimentos de navio; a Administração pode modificar p/ grande deslocamento, mas nunca acima de 20 comprimentos.

Modelo simplificado (MSC 1053) — 3 hipóteses

  • (a) resistência do casco ∝ velocidade²;
  • (b) empuxo a ré constante = bollard pull a ré;
  • (c) propulsor revertido o mais rápido possível.

S = A·ln(1+B) + C S em comprimentos de navio

Coef.Depende de
Amassa ÷ coef. de resistência (forma do casco) — não muda sem elevar muito a resistência
Brazão resistência-antes / empuxo a ré (bollard pull) — cai com muita potência a ré
Ctempo p/ desenvolver empuxo a ré × velocidade inicial — maior p/ navios menores
Tipo de navioCoef. A
Cargueiro5–8
Passageiro / Ferry8–9
Gaseiro10–11
Petroleiro12–13
VLCC14–16
MáquinaPotência a réBln(1+B)
Diesel85%0,6–1,00,5–0,7
Turbina a vapor40%1,0–1,50,7–0,9
Coef. C aumenta se o tempo p/ empuxo a ré passar de 60 s ou a velocidade ultrapassar 15 nós. (C: 100 m→2,3; 200 m→1,1; 300 m→0,8.)
Exemplo IMO: VLCC de 300 m, turbina a vapor, a 15 nós, 1 min p/ reverter → percorre ~15,5 comprimentosexcede o critério de 15 L (A fixo; reduzir B é irreal numa turbina; C só cresce se demorar mais).
Fig. 134
Fig. 134 — Distancia de parada em trajetoria curva x reta

Abordagem PIANC (com rebocadores) — Relatório 121

ParâmetrosTempo médio p/ amarrar rebocadores e manobrar = 5 a 20 min; velocidade baixa (5 a 8 nós); altura de onda 1,5 m a 3 m. Parada real curta: grandes navios param em 1,5 a 2 LOA.
PontoSituação
Aentrada da instalação
Brebocadores passam cabos, velocidade < 5–6 nós
Crebocadores prontos, velocidade ≤ 4 nós
Dnavio parado

Exemplo: LOA = 300 m entra a 6 nós, reduz a 4 nós em até 15 min (até 2.300 m no trecho B-C) + LOA (A-B) + 2 LOA (C-D) → distância total ≈ 3,2 km.

Fig. 137
Fig. 137 — Incrementos dD e dT (correcoes do metodo de Chase)
Fig. 138
Fig. 138 — Abordagem PIANC: parada com auxilio de rebocadores
O que éParada sem força de empuxo a ré. Distância e tempo obtidos com exatidão por simulação numérica (resolve as equações de movimento com efeitos da velocidade de avanço no propulsor e no leme).

Método de Chase p/ coasting — 3 restrições

  • velocidade final ≠ zero, mas uma fração da inicial;
  • propulsor girando livre (windmilling) → empuxo a ré T1 = 0;
  • Fig. 135
    Fig. 135 — Funcao empuxo do propulsor no metodo de Chase
    Fig. 136
    Fig. 136 — Potencial dinamico D e impulso dinamico T (empuxo a re instantaneo)
  • propulsor engrazado (não é o caso de mercantes) → T1 também 0, mas a resistência aumenta.

Chase tabelou a distância p/ três razões Vf/V0: 2/3, 1/2, 1/3 (expressões originais degradadas na digitalização).

Método de Artyszuk (contêineros)

Parâmetro AMovimento em 1 grau de liberdade; coef. de resistência constante numa faixa. Parâmetro A (parada com máquinas paradas) é sempre negativo. Distância adimensional s' = s/L.
Resultado contraintuitivo (alvo de prova): a distância p/ desacelerar é independente do comprimento do navio e depende só da razão Vf/V0. Reduzir de 4→2 nós = mesma distância que 10→5 nós; o que muda é o tempo. A velocidade final não pode ser zero.

Exemplo: redução de 40% da velocidade inicial e A = −0,05 → percorre ~10 vezes o comprimento.

Muitos contêineros grandes não podem reverter a máquina acima de 6 a 8 nós (risco de avaria). A 12 nós percorrem grande distância até poder reverter → risco de acidente sem assistência de rebocadores, sobretudo em bacias de evolução não projetadas p/ esses navios.
Fig. 139-1
Fig. 139-1 — Coasting de VLCC: posicao x tempo
Fig. 139-2
Fig. 139-2 — Coasting de VLCC: velocidade x tempo
Fig. 140
Fig. 140 — Parametro A da parada com maquinas paradas x comprimento do navio
Fig. 141
Fig. 141 — Distancia de coasting x perda relativa de velocidade