- Efeito pode ser desvantajoso ou, bem aproveitado, virar aliado de quem manobra.
- Prático/comandante se antecipam: compensam ângulo de ataque/abatimento na asa-casco com a manobra de caranguejar (crabbing).
- Usam os valores prevalecentes das forças para dimensionar a tração estática (bollard pull) dos rebocadores.
| Vento | Símbolo | O que é |
|---|---|---|
| Verdadeiro | VTW | De causas naturais, existe no ponto com ou sem o navio. O "zero" é o ar parado (still air). |
| Relativo / aparente | VAW | Soma vetorial do vento verdadeiro com a velocidade do navio VS. É o que de fato incide sobre o casco. |
Correção de altura (camada-limite)
Vz = V10·(z/10)1/n › n = 5 (fraco), 7 (moderado), 10 (forte)
Perto da água o vento verdadeiro é pequeno e domina a velocidade do navio; subindo, o vento verdadeiro cresce e passa a dominar. Referência em navios = altura média da projeção lateral do casco (velocidade abreviada Vw).
Fórmulas gerais (coeficientes adimensionais)
Xw = ½·ρar·CXw·AT·Vw² › Yw = ½·ρar·CYw·AL·Vw² › Nw = ½·ρar·CNw·AL·L·Vw²
- Xw = força longitudinal (surge); Yw = lateral (sway); Nw = momento em guinada (yaw).
- Força longitudinal usa área transversal AT; força lateral e momento usam área longitudinal AL.
| Coef. | Comportamento (alvo de prova) |
|---|---|
| CXw longitudinal | Positivo = tendência a vante. Em lastro com proa cheia (em U) e vento entre alheta e través → tende a vante (contraintuitivo), pela baixa pressão dos grandes vórtices. Com proa fina (em V) o efeito não aparece. |
| CYw lateral | Mais intuitivo: abatimento no mesmo sentido do vento. Coef. e força maiores em lastro (coef. maior + área projetada maior). |
| CNw momento | Carregado: sempre orça ao vento, qualquer ângulo, exceto exatamente pela proa/popa. Em lastro parado: entre proa e ~10° antes do través → arriba; demais ângulos orça. |
Coeficientes levantados com o navio parado e águas parelhas. Cuidado de parada: em lastro de proa cheia com vento aparente de través, dificulta parar.
- Longitudinal: leve tendência a vante com vento de través; o de tanque esférico é mais empurrado por vento de ré/alhetas e tem mais dificuldade para parar.
- Lateral: os dois tipos diferem pouco entre si, mas com coeficientes maiores que o petroleiro em lastro: ~20% maior no esférico e ~10% maior no prismático.
- Momento (yaw): sinal oposto ao do petroleiro em lastro. Parados: orçam com vento pelas bochechas e arribam com vento pelas alhetas. No prismático, o momento de bochecha chega a quase o dobro do de alheta.
Com velocidade, tendem a arribar com vento verdadeiro entre bochecha e alheta (o aparente fica quase de través).
| Navio (parado/lento) | Orça / arriba no través |
|---|---|
| Ro-Ro | orça ao vento; alheta dificulta parar/ré |
| Contêinero carga plena | orça ao vento; sem tendência avante/ré |
| Petroleiro carregado | sempre orça (exceto 0°/180°); maior momento pela bochecha |
| Petroleiro em lastro | orça entre popa e pouco avante do través; arriba entre proa e pouco antes do través |
| Offshore de apoio | tende a arribar; coef. quase constante até ~30° da proa/popa (bom p/ DP) |
| Navio-sonda | orça com vento de alheta; arriba com vento de bochecha |
Efeito da rajada (§8.2.2.4)
Técnica de caranguejar (crabbing) (§8.2.2.5)
- Com razão vento/navio moderada: manter trajetória com ângulo de deriva controlado e leme fixo que estabiliza as forças → estabilidade em linha reta.
- Método japonês (PIANC rel. 121): boca virtual WWF = LOA·sen β + B·cos β em função do ângulo de deriva β.
- Sem coeficientes de túnel: regressão de Yamano e Saito; MLIT dá tabelas de leme δ e deriva β por tipo de navio.
Recomendações sobre o vento (§8.2.2.6)
- Em dúvida sobre a ação do vento, abortar a manobra é preferível a arriscar acidente.
- Dispor rebocadores considerando não só o abatimento lateral, mas o momento de guinada.
- Com o navio em velocidade, o vento achata a curva de giro e aumenta o diâmetro tático.
- Em baixa velocidade e ângulo > ~30°: forças passam a escoamento cruzado (cross flow), comportamento quadrático; com navio lento o ângulo prevalecente fica ~90°.
- Mar aberto/profundo: correntes fracas, pouca interferência. Águas rasas/restritas/canais (curvas): altas intensidades, gradientes e circulações que prejudicam o governo.
Forças da corrente (§8.3.1)
FXc = ½·ρ·LPP·T·Vc²·CXc › FYc = ½·ρ·LPP·T·Vc²·CYc › Nc = ½·ρ·LPP²·T·Vc²·CNc
Velocidade média sobre o calado considera o gradiente da camada-limite do fundo (z contado da quilha p/ cima). Ex. OCIMF: corrente 2 nós (1,03 m/s) medida a 30% do calado, razão 1,1 → fator 0,95.
CXc longitudinal (§8.3.2.1)
| Razão prof. | Comportamento |
|---|---|
| > 4,4 (águas profundas) | coef. constante; corrente entre bochecha e través dá grande força a vante, maior que a de popa (contraintuitivo). |
| 1,5 (entra em rasas) | grande variação, tendência geral a vante (maior na proa cheia). Ao girar em bacia, práticos controlam com máquinas a ré. |
| 1,2 / 1,1 | oscilações amplificadas; proa cheia mantém tendência a vante. |
CYc lateral (§8.3.2.2)
CNc momento em yaw (§8.3.2.3)
- Cresce quando a razão de profundidade diminui. Carregado: guina contra corrente de través e entre proa e través; guina a favor entre popa e pouco antes do través.
- Ângulo neutro (carregado, razões 6 a 1,1): ~10° do través p/ ré; em razão 1,05 fica ~20°.
- Em lastro: momentos menores; ângulo neutro ~15° do través p/ ré (razões 4,4 a 1,5), no próprio través em 1,05 e 1,1.
Lição geral: comportamento extremamente complexo e não linear; cada navio tem curvas únicas. Simuladores são ótimos para avaliar.
- Ressonância: se o período dominante das ondas se aproxima do período natural, os movimentos se amplificam. No plano horizontal (surge, sway, yaw) não há forças restauradoras.
- Resposta cresce com a altura da onda e diminui com o comprimento do navio; máxima quando o comprimento da onda iguala o do navio.
- Ondas de período < 6 s → pouca resposta em navios > 100 m (período natural 10 a 17 s em águas profundas).
Força de 1ª e 2ª ordem (§8.4.1)
| Força | Proporcional a | Característica |
|---|---|---|
| 1ª ordem | amplitude da onda | oscila na frequência de encontro; média zero; gera as oscilações. |
| 2ª ordem (deriva) | amplitude² | menor, baixa frequência, média diferente de zero — é a força de deriva, destacada em surge, sway e yaw. |
| Particularidade | Carregado | Em lastro |
|---|---|---|
| LOA (m) | 190,0 | 190,0 |
| Calado (m) | 12,0 | 7,5 |
| Deslocamento (t) | 60.660 | 35.190 |
| GM (m) | 1,7 | 5,1 |
| T. natural de roll (s) | 18,30 | 11,21 |
| T. natural de pitch (s) | 9,15 | 7,64 |
RAOs — resposta por metro de onda (§8.4.2.2)
- Máximos: surge 1,64 m/m; sway 1,00 m/m; heave 1,10 m/m; roll 6,43 °/m (90° / 16,8 s); pitch 0,92 °/m; yaw 0,49 °/m.
- Os períodos de ressonância diferem por grau de liberdade → os máximos verticais nunca se somam no mesmo instante (bom p/ segurança).
- Período < 6 s: resposta vertical de navio grande é insignificante → na entrada de canal dá p/ desconsiderar a margem de onda da FAQ, desde que se monitore o período (garantir que não haja swell junto).
Forças de 2ª ordem — deriva (§8.4.2.3)
Cada navio tem sua impressão digital hidrodinâmica, válida só para geometrias similares, na mesma frequência de encontro e mesmo padrão de ondas.