Classificação PIANC (Bulletin 77, 1992, item 4.4.4)
| Categoria | Razão h/T |
|---|---|
| Águas profundas | h/T > 3,0 |
| Meio rasas | 1,5 < h/T < 3,0 |
| Rasas | 1,2 < h/T < 1,5 |
| Muito rasas | h/T < 1,2 |
Água acelera mais sob o casco › cai a pressão › aumentam afundamento e trim › mudam inércia, sustentação, arrasto, empuxo e força do leme
| Sinal presenciado a bordo |
|---|
| Respostas às ações de controle ficam mais lentas. |
| RPM do propulsor cai — quedas de até 15% nas razões mais baixas. |
| Velocidade do navio cai, chegando a 30% nas razões mais baixas. |
| Vibração súbita (novas frequências ressonantes de casco e propulsor). |
| Diâmetro tático da curva de giro pode aumentar até 100% (praticamente dobrar). |
| Em geral aumentam distância e tempo de parada — mas não em todos os navios (depende de h/T, potência a ré, velocidade inicial). |
| Eficiência do leme costuma diminuir nas razões muito baixas. |
| O navio quebra a guinada com mais facilidade; os overshoots do zigue-zague ficam menores. |
| Força lateral do propulsor e seu momento aumentam (a vante e a ré). |
| Onda irradiada (sobretudo na proa) fica mais alta. |
9.3.1 Curva de giro & estabilidade
- Diâmetro tático: +75% na razão 1,2; <20% na razão 1,5.
- Quebrar a guinada: reduzida em 1,5, aumentada em 1,2 (zigue-zague em coasting, máquina parada).
9.3.2 Parada & controle do aproamento
Máquina atrás › força lateral do propulsor (passo direito) predomina sobre o leme › deriva do casco a bombordo › aproamento cai para boreste
9.3.3 Regra para girar
| Tipo | Diâmetro tático ao reduzir h/T | Quem é |
|---|---|---|
| N — normal | Aumenta de forma monotônica (sempre cresce) | Navios esbeltos |
| U — instável | Aumenta, mas ganha instabilidade dinâmica perto de 1,5 | Formas cheias (tanque Esso Osaka) |
| S — pequeno | Diminui ao reduzir a profundidade | Boca larga, calado pequeno (rebocador compacto) |
9.4.1 Por que a curva fechada de emergência é perigosa
- Nos tipos N e U, girar em águas rasas não perde tanta velocidade quanto em águas profundas.
- Logo, curva fechada para frear é não aconselhável: pouca perda de velocidade + pouco espaço + diâmetro tático quase dobra.
9.4.2 Estabilidade em linha reta
- Em geral a estabilidade dinâmica aumenta ao reduzir a profundidade: contêinero e graneleiro Panamax, instáveis em profundas, ficaram estáveis em rasas.
- Razão 1,2: overshoots do zigue-zague bem menores, mas o tempo de manobra aumenta.
- Ao entrar em rasas, a velocidade cai cerca de 30% nas razões de 1,10 a 1,40 mesmo mantendo a potência.
9.4.3–9.4.4 Força lateral & parada
- Força lateral do propulsor amplificada em rasas (Inoue, 1980, VLCC, coef. de avanço J) — vira força de controle útil com o navio lento (pequenas palhetadas).
- Inoue: com a queda de h/T, a distância de parada diminui e os desvios laterais aumentam; deriva inicial a boreste alonga a parada.
- O aumento da distância de parada a partir de velocidade moderada não é regra geral (aliviador de 2 eixos, contêinero e graneleiro Panamax, de 12 nós, podem não aumentar).
9.5.1 Por que crescem tanto
Casco = asa de baixa razão de aspecto perto do fundo › teoria do corpo duplo: em profundas razão de aspecto efetiva = 2T/L › h/T → 1: condição "sem cross flow" junto ao fundo › termos lineares de velocidade crescem muito; os quadráticos ficam para trás
9.5.2 Efetividade do leme
§9.6.2 Hirano e Takashina
| Derivada | Coef. λ de referência |
|---|---|
| Força lateral por vel. lateral (Yv′) | λ = 2,3 |
| Momento em yaw por vel. lateral (Nv′) | λ = 1,7 |
| Momento em yaw por vel. de guinada (Nr′) | λ = 0,7 |
§9.7.1a Onde ocorre o squat máximo
- Mercantes: em geral pela proa, sobretudo formas cheias (petroleiros, graneleiros); formas finas às vezes pela popa.
§9.7.1b Número de Froude de profundidade
Fh = V / √(g·h) › fração da velocidade crítica √(g·h) (máxima propagação de perturbação em água rasa)
- Navios de deslocamento não passam de ~Fh = 0,6 (tanque) ou 0,7 (contêinero).
- Tuck (1966–67) separou dois regimes: subcrítico (Fh < 1) e supercrítico (Fh > 1).
Hipóteses: escoamento incompressível, invíscido e irrotacional (Reynolds ~109, corpo esbelto) → vale a teoria potencial (equação de Laplace). Termo Fh²/√(1−Fh²) cresce sem limite quando Fh → 1.
| Método (ano) | O que o caracteriza |
|---|---|
| Tuck simplificado (1966) | Coef. de forma C1 = 0,02; squat pela proa. |
| Hooft (1974) | Constante típica 1,96 (1,9–2,03). |
| Huuska e Guliev (1976) | Aperfeiçoa Hooft; fator de canal trapezoidal Ks = s1 + 0,76 (s1 = 0,03). |
| ICORELS (1980) | Coef. Cs = 2,4 (formas cheias), até 1,75 (esbeltos). |
| Barrass I (1979–81) | Velocidade em nós, CB, área As = B·T e largura de influência weff. |
| Norrbin (1986) | Squat pela proa, válido só para Fh baixo. |
| Römisch (1989) | Squat na proa e na popa; exige a velocidade crítica Vcr. |
| Millward I / II (1990 / 1992) | I: calado T não entra. II: retira B, insere T. |
| Barrass III (2006) | A que melhor acompanha a média para formas cheias. |
| Ankudinov (2009) | Com o USACE; duas partes (afundamento médio + trim). Não vale para Fh > 0,6. |
Norrbin: sb = (CB/15)·(B/Lpp)·(T/h)·VK² › VK = velocidade em nós
§9.7.4 Regime não permanente
- Métodos valem para velocidade constante em águas rasas abertas.
- Squat muda em velocidade variável: transição brusca profundas→rasas, aceleração e desaceleração.
§9.7.5 Cálculo numérico/experimental
- Efeitos de superfície livre (ondas de Kelvin): desprezíveis para Froude < 0,10.
- Teste experimental: similaridade de Froude; modelo lastreado com tolerâncias apertadas (deslocamento 2%, altura do CG 3%, dimensões 1%). Ensaio de casco livre ou cativo.
- Barrass (1995): com muito trim inicial, o squat máximo ocorre sempre na direção do trim estático.
- Harting e Reinking (2009, Weser/Elba): o trim dinâmico é função do calado médio e do trim estático — pode inverter. Em popa transom, o CB pode não ser indicador confiável de squat.
Velocidade crítica (Vantorre): Ucr = √[ (8/27)·g·h1·(1 − ρ1/ρ2) ] › transição a velocidade mais alta sobre lama mais viscosa
9.8.2 Resistência, propulsão & manobrabilidade
- Sobre lama valem os mesmos fenômenos do fundo sólido: navio mais lento, inércias adicionais e amortecimento em yaw/sway aumentam, curva de giro cresce, overshoots diminuem, estabilidade de rumo aumenta.
- Inércia adicional em sway/yaw com quilha penetrando fundo: até 7 vezes a massa do navio (seria preciso acelerar o equivalente a 8× a própria massa).
Há pouca informação confiável sobre fundo lamoso: recomenda-se avaliar cada caso primeiro em modelos físicos em escala reduzida e só depois em modelos numéricos.