Os 6 graus de liberdade
| Índice | Movimento | Tipo |
|---|---|---|
| 1 · 2 · 3 | surge (x) · sway (y) · heave (z) | translações |
| 4 · 5 · 6 | roll (φ) · pitch (θ) · yaw (ψ) | rotações |
Equação de movimento escrita nos eixos solidários ao navio (não inercial), via 2ª lei de Newton.
Frequência de encontro ωe
ωe = ω(1 − (ωV/g)·cosμ) › V = velocidade do navio › μ = aproamento relativo onda/navio
- Mar de través (μ = 90°): cosμ = 0 → ωe = ω.
- Mar de proa: cosμ negativo → ωe sempre positiva.
- Mar de popa (following seas): cosμ positivo → ωe sobe, atinge máximo, cruza o zero e fica negativa.
Ex. (Lloyd): navio a 20 nós (10,3 m/s), mar pela popa, |ωe| = 0,2 rad/s → surgem três ondas fisicamente válidas com igual módulo de ωe. Por alhetas (μ=45°), ondas de 50 a ~400 m têm ωe quase igual (~0,3 rad/s).
Três tipos de movimento segundo a frequência
| Tipo | Descrição |
|---|---|
| Na frequência da onda | excitação linear na faixa com energia; em navios cai em períodos de 6 a 20 s. |
| Deriva média | carregamento permanente de 2ª ordem; nula no plano vertical; no horizontal (surge/sway/yaw) o navio abate (sem restauração). |
| Deriva lenta | só em mar irregular; frequências muito baixas ligadas ao grupo de ondas; excursões lentas mas de grande amplitude. |
Abordagem por um grau de liberdade
- heave, pitch e roll são fortemente acoplados (roll→heave, pitch→heave); têm forças de restauração hidrostáticas.
- surge, sway e yaw: não têm forças de restauração; pesam menos na oscilação; sway e yaw sofrem mais a deriva das ondas.
- Simetria longitudinal desacopla: força em x não produz sway.
Navio parado, forçado para baixo e solto: empuxo > peso → sobe; inércia → passa do equilíbrio; peso > empuxo → freia. Movimento harmônico simples (sem amortecimento).
Força de restauração hidrostática
cr = ρg·Awp › Awp = L·B·Cwp (área de flutuação) › mesmo conceito do TPC (toneladas por centímetro de imersão)
Massa adicional & massa virtual
Frequência e período naturais
ωnz = √( ρg·Awp / (Δ + a33) ) › Tnz = 2π·√( (Δ+a33) / ρg·Awp )
| Amortecimento | ∝ | Quando importa |
|---|---|---|
| Potencial (ondas irradiadas) | velocidade | domina em pequenos deslocamentos |
| Viscoso (camada-limite, vórtices) | velocidade² | só em grande amplitude (desprezível no heave linear) |
O discriminante decide o regime
| Discriminante | Raízes | Regime |
|---|---|---|
| < 0 | complexas conjugadas | subamortecido (oscila) |
| = 0 | reais iguais | crítico (não oscila) |
| > 0 | reais distintas | superamortecido (não oscila) |
Razão de amortecimento ξ (adimensional)
ξ = b33 / bcrit › bcrit = 2·√((Δ+a33)·c33) › reúne massa, amortecimento e restauração
As três regiões
| Região | Frequência | Domina | Fase / movimento |
|---|---|---|---|
| 1 | baixa (λ > L) | restauração | em fase → navio sobe/desce com a onda |
| 2 | ≈ natural (ressonância) | amortecimento | fase π/2; movimento máximo |
| 3 | alta (λ < L) | inércia + massa adicional | oposição (fase π); quase sem movimento |
Navio × rebocador: efeitos opostos
- Período < 6 s: navio na Região 3 (calmo), rebocador na Região 1 → sobe/desce (crítico).
- Período > 10 s: inverte — navio vai à Região 2 (crítica), rebocador fica na Região 1.
A frequência de amplitude máxima ωmáx fica um pouco abaixo de ωns; quanto maior o amortecimento, mais à esquerda da natural.
| Força | Origem | Chave |
|---|---|---|
| Froude-Krylov (F1) | pressão da onda incidente | hipótese do navio "transparente"/"fantasma" (casco não perturba a onda) |
| Difração (F0) | onda desviada pelo casco fixo (impenetrabilidade) | onda é difratada, não refletida |
| Radiação (FR) | ondas que o casco irradia ao oscilar | FR = −a·z̈ − b·ż (aceleração + velocidade) |
| Restauração (FS) | variação da força hidrostática | FS = −c33·z |
Histórico: Froude (1861) tratou do roll dos vapores; Krylov (1896), heave e pitch — ambos usando só a pressão do campo incidente não perturbado.
Equação de movimento do heave (1 GdL)
(Δ + az)·z̈ + bz·ż + cz·z = FE › forma massa-mola-amortecedor forçada
Reunindo as quatro forças: Δ·z̈ = F1 + F0 + FR + FS. Toda a dificuldade está em obter os termos hidrodinâmicos a, b e FE. Num submarino totalmente submerso resta só a parcela proporcional à aceleração.
Conceito proposto por Du Buat (1786): pêndulo oscila mais devagar no fluido. Esfera exata: Poisson (1831), confirmada por Green (1833). Esfera: ax = (2/3)·ρπR³. Termo só em velocidade dá zero → paradoxo de D'Alembert.
| Teoria | Autor | Hipótese |
|---|---|---|
| Corpo fino | Michell (1898) | boca ≪ comprimento (ε=f(y)); serve à resistência, não à massa adicional |
| Corpo esbelto | Munk (1924) | calado ~ boca, ambos ≪ L (ε=f(y,z)) |
| Coef. de Lewis | Lewis (1929) | vibração de alta frequência + mapeamento conforme de Joukowski; σ = A/(B·T) |
| Separação | Haskind (1946) | separou radiação, difração e incidência |
| Teoria das faixas | Ursell (1949) | divide o casco em ~20 seções 2D e integra ao longo de L |
Ex. Bhattacharya: a33 = 86% da massa do navio. De modo geral a33 aumenta com o coeficiente de bloco CB e com B/L.
Conclusões de testes
- Amortecimento em heave ∝ ao quadrado da área do plano de flutuação.
- Seções em V amortecem mais que seções em U para igual área de flutuação.
- Quanto maior a velocidade de avanço, menor o amortecimento em heave (figuras 110 e 111).
Comportamento típico (3 regimes)
| Frequência | RAO | Resposta |
|---|---|---|
| → 0 (ondas longas) | RAO = 1 | navio acompanha a onda em heave |
| ≈ natural | máximo | movimento máximo |
| alta (ondas curtas) | → 0 | quase não responde |
Notação complexa (z = ẑ·e−iωt): cada derivação temporal vira apenas um fator → a equação diferencial vira produto algébrico. O movimento do navio fica sempre atrasado em relação à onda e à força.
c55 = −Δg·GML › raio de giração kyy = 0,24L a 0,26L › momento de inércia virtual = Iyy + a55
Amortecimento vem sobretudo da irradiação de ondas; b55 via teoria das faixas. Resposta máxima com mar de proa.
- Raio de giração kxx = 0,4B; momento de inércia Ixx ≈ 0,16·ρ∇B².
- Momento adicional em roll é pequeno: 10 a 20% do natural → adota-se a44 = 0,15·Ixx.
- Projeto (Japão): GMT = C1·B/25, com C1 = 1.
| Embarcação | Período natural de roll |
|---|---|
| Navios mercantes | 10 a 17 s |
| Rebocadores / offshore | 5 a 7 s |
Precisão do período de roll depende essencialmente da estimativa de GMT. Momento de excitação obtido pela relação de Haskind (evita resolver a difração explicitamente).