Os dois "mares"
| Tipo | Como é |
|---|---|
| irregular | ondas de alturas e períodos variados numa mesma direção |
| confuso | trens de onda de direções diferentes superpostos |
Marcos históricos (a virada estatística)
- Rayleigh: a lei básica do mar seria a aparente falta de qualquer lei → saída pela análise espectral (raiz em Fourier).
- Sverdrup e Munk (1947): introduzem a altura significativa e um período médio p/ ondas de vento aleatórias.
- Longuet-Higgins (1952): alturas estatisticamente independentes; máximos seguem a distribuição de Rayleigh.
- St. Denis e Pierson (1953): aplicam o princípio da superposição ao movimento do navio em mar irregular.
Sinal irregular → soma de senoides
ζ(t) = a0 + Σ aicos ωit + Σ bisin ωit › forma equivalente em fase aleatória ζ(t) = a0 + Σ āicos(ωit − δi)
| Mar | Dimensão | Geração |
|---|---|---|
| irregular | bidimensional | vento sobre grande área, cristas contínuas na direção do vento |
| confuso | tridimensional | cruzamento de ondas de tempestades de direções diferentes (Fig. 135) |
A energia define o mar
Energia da onda regular (Cap. 1) = ρg·h²/8 por m² › total E = (ρg/S)·⅛·(h1²+h2²+…) › soma dos quadrados das alturas
O espectro
- Espectro do mar = energia distribuída segundo as frequências das ondas (ordenada = energia por unidade de frequência; área = energia total).
- Exige continuidade: mar = número infinito de ondas de frequências ligeiramente diferentes e alturas pequenas → curva suave (Fig. 138). Poucas ondas fariam o padrão repetir em grupos.
- Construído da alta frequência (ondas curtas) p/ baixa: com o vento persistindo surgem ondas mais longas até o mar totalmente desenvolvido; o pico desloca-se p/ as baixas frequências.
Distribuição de Rayleigh (Longuet-Higgins, 1952)
P(h ≥ hi) = e−(hi/hrms)² › hrms = valor quadrático médio (eficaz) = √(⅟M Σ hi²)
| Altura | Valor |
|---|---|
| média geral H̄ (p=1) | = 0,886 hrms |
| terço mais alto h1/3 | = 1,416 hrms = √2 hrms |
| décimo mais alto h1/10 | = 1,80 hrms |
| Estatística | Definição |
|---|---|
| H mais provável (moda) | altura de maior frequência de ocorrência |
| H médio | média de todas as alturas |
| H significativa (H1/3) | média do terço mais alto; ≈ 4√m0 |
| H1/10 | média do décimo mais alto |
Bretschneider (1959) — dois parâmetros
- Função teórica mais referida; enfatizou relações de período (não de frequência). Forma: S(T) = αT³e−βT⁴.
- Frequência de pico ω0 = (3/5)¼(2π/Tp) — NÃO é o recíproco do período de pico.
- Vários períodos-padrão: modal T0; médio T1 ≈ 0,857 T0; T2 (passagem por zero) ≈ 0,710 T0; entre cristas Tc.
Área do espectro ↔ altura significativa
ISSC (1964) e ITTC (1978)
Ambos derivam da altura/período médios e reduzem-se, na prática, ao próprio espectro de Bretschneider (constante 5/16 = 0,3125).
Pierson-Moskowitz (1964)
- Sobre o formato de Neumann (1953), agora dimensionalmente correto: S(ω) = 0,0081·g²·ω−5·e−(5/4)(ω0/ω)⁴.
- Constante de Phillips α = 0,0081 (faixa de equilíbrio, limite superior independente do vento e da pista).
- Espectro de apenas um parâmetro (T1 ou ω0); uso restrito a mar totalmente desenvolvido, vento moderado sobre pista muito extensa.
JONSWAP (1973)
- Joint Sea Wave Project, sob Hasselman e Barnett: sensores por ~160 km a oeste da costa alemã (Mar do Norte).
- = Pierson-Moskowitz × fator de pico; γ = fator de realce (aprimoramento) do pico; σ = alargamento (σa se f<f0, σb se f>f0).
- Valores médios do experimento: α=0,0081, γ=3,3, σa=0,07, σb=0,09. Em geral γ varia de 1 a 7.
- Picos acentuados são comuns no Mar do Norte, com pouca tendência de "achatamento" rumo ao PM — a ponto de se questionar se o mar totalmente desenvolvido chega a ocorrer.
| Espectro | Parâmetros | Condição de mar |
|---|---|---|
| Bretschneider / ISSC / ITTC | 2 (energia ou Hs + período de pico) | totalmente desenvolvido |
| Pierson-Moskowitz | 1 (velocidade do vento) | totalmente desenvolvido pelo vento |
| PM modificado | 2 (ajuste a dados) | estados de mar reais |
| JONSWAP | PM + realce de pico γ | pista (fetch) ou duração limitada |
| Momento | Caracteriza |
|---|---|
| 1º | tendência central |
| 2º | dispersão |
| 3º | assimetria |
| 4º | curtose |
T1: m0, m1 › T2 (cruzamento por zero): (T2/2π)² = m0/m2 › Tc (entre cristas): (Tc/2π)² = m2/m4
Para p=5, q=4, todas as relações reduzem-se às do espectro de dois parâmetros; todos os mn têm forma fechada (função gama) — sem integração numérica.
Três formas de avaliar a resposta
O elo: RAO²
SR(ω) = |RAO(ω)|² · S(ω) › espectro de resposta = espectro do mar × RAO² em cada frequência
Sequência (heave)
- Escolher espectro de mar — recomenda-se o ITTC quando nenhum outro tiver sido escolhido.
- Transformar da frequência absoluta p/ a frequência de encontro, preservando a área (energia constante): Sζ(ωe) = Sζ(ω)·g/(g − V·cos μ); largura depende de V e do rumo relativo μ.
- Da área do espectro de resposta vêm as características do movimento: m0=variância do deslocamento, m2=da velocidade, m4=da aceleração.
Impulso e delta de Dirac
2ª lei F = Ṗ › integrando, impulso I = ∫F dt = P1 − P2 › Δt→0: força impulsiva F = I·δ(t−τ) (delta de Dirac)
Convolução
g(t) = ∫0t f(τ)·r(t−τ) dτ › integral de convolução (força × resposta ao impulso)
Cummins (1962) — força das ondas no tempo
- Equação de movimento em 6 graus de liberdade: reúne excitação, massa adicional aij, amortecimento bij e restauração cij.
- Não se isola a aceleração instantânea (há termos fora de fase desconhecidos). Cummins separa o escoamento em reação instantânea + parcela que persiste e decai.
- Essa parcela = convolução com a função de memória (retardação) Kij. Como bij(ω) é a transformada de Fourier em cosseno de Kij, é preciso o amortecimento em todas as frequências p/ reconstruir a resposta no tempo.
Por que os extremos importam
| Situação | Risco |
|---|---|
| green water no convés | compromete estabilidade transversal intacta (águas profundas) |
| roll rápido e amplo | lança contêineres à água; carga a granel corre além do ângulo de repouso |
| aceleração vertical 0,10 a 0,20 g | limite p/ enjoo em navios de passageiros |
| mar de proa / slamming | obriga a reduzir velocidade |
| águas rasas | probabilidade de tocar o fundo → margem de UKC (folga abaixo da quilha) |
Método de Ochi
- Numa distribuição de Rayleigh, p/ largura de banda ε ≤ 0,9 (faixa que atende à análise de movimento do navio), a amplitude do extremo é dada em função do nº de observações n.
- Como interessa mais o extremo em função do tempo T (horas), exprime-se n via razões de momentos m2/m0 e m4/m2.
- Resultado: fator de pico × desvio-padrão √m0 — o termo entre colchetes elevado a ½ é o fator de pico.