AN Cap. 1 — Nomenclatura do Navio

1. Visão geral — por que estudar este capítulo

A nomenclatura do navio é a base operacional do prático. Antes de manobrar, de ler um pilot card ou de comunicar uma avaria, é preciso falar a língua da estrutura: saber se a avaria está na bochecha ou na alheta, se o reboque pega no costado ou na borda-falsa, se o calado lido se refere às obras vivas.

Este capítulo cobre, na sequência do livro, a nomenclatura geral do navio (16.1 — embarcação e navio, proa, popa, meia-nau, bordos, obras vivas e mortas, costado, superestruturas e apêndices), a estrutura dos cascos metálicos (16.2 — cavernamento e chapeamento, vigas longitudinais e transversais, reforços locais e anteparas), os conveses, cobertas e plataformas (16.3) e a subdivisão do casco (16.4 — compartimentos, tanques, fundo duplo, aberturas e acessórios). É a fundação dos capítulos posteriores de Geometria e Estabilidade.

O Fonseca apresenta o conteúdo em seções A a J. Cada termo está numerado (art. 1.x) e quase sempre acompanhado do termo em inglês entre parênteses; este material preserva essa numeração e as figuras citadas no texto.

Fonte: FONSECA, M. M. Arte Naval. v. 1. 8. ed. Cap. 1, arts. 1.1–1.184.

Edital: Anexo 2-A, item II.16 — 16.1 Nomenclatura geral; 16.2 Estrutura de cascos metálicos; 16.3 Conveses e cobertas; 16.4 Subdivisão do casco.

2. Do navio: regiões do casco (16.1)

Embarcação (vessel) é o termo geral que designa uma construção de madeira, concreto, aço, alumínio ou combinação desses materiais, que flutua e se destina a transportar pessoas e/ou cargas pela água (art. 1.1). Barco (boat) tem o mesmo significado, mas é pouco usado. Navio (ship), nau e nave designam, em geral, as embarcações de maior porte (nau e nave são antiquados). Na Marinha, "embarcação" designa especialmente as embarcações transportáveis a bordo dos navios.

O casco (hull) é o corpo do navio sem mastreação, aparelhos acessórios ou qualquer outro arranjo (art. 1.2). Normalmente não tem forma geométrica definida; sua principal característica é ter, na maioria dos casos, um plano de simetria — o plano diametral — que se imagina passar pela quilha. Da forma adequada do casco dependem as qualidades náuticas: resistência mínima à propulsão, mobilidade e estabilidade de plataforma (art. 1.2).

2.1 Proa, popa e meia-nau

As palavras proa, popa e meia-nau não definem uma parte determinada do casco, e sim uma região cujo tamanho é indefinido (art. 1.7).

Fig. 1-1
Fig. 1-1 Fig. 1-1 — Proa
Fig. 1-2
Fig. 1-2 Fig. 1-2 — Popa
Fig. 1-3
Fig. 1-3 Fig. 1-3 — Vista exterior

  • Proa (bow / foreship) — extremidade de vante do navio no sentido da marcha normal; quase sempre tem forma exterior adequada para fender o mar (art. 1.3, figs. 1-1 e 1-3).
  • Popa (stern / aftship) — extremidade de ré; forma que facilita o fluxo da água para tornar mais eficiente a ação do leme e do hélice (art. 1.4, figs. 1-2 e 1-3).
  • Meia-nau (midship) — parte do casco compreendida entre a proa e a popa; em seu sentido original, refere-se à parte próxima do plano diametral, equidistante dos bordos (art. 1.7, fig. 1-3).
  • Bico de proa — parte extrema da proa (art. 1.8, fig. 1-13b).
  • Corpo de proa (fore body) — metade do navio por anteavante da seção a meia-nau (art. 1.9).
  • Corpo de popa (after body) — metade por ante à ré da seção a meia-nau (art. 1.10).
  • Balanço de proa — parte da proa por anteavante da quilha (art. 1.35).
  • Balanço de popa — parte da popa por ante à ré da quilha (art. 1.36, fig. 1-6).

2.2 Bordos e orientação a bordo

Os bordos (sides) são as partes laterais do casco: Boreste (BE / starboard side) à direita e Bombordo (BB / port side) à esquerda, supondo-se o observador situado no plano diametral e olhando para a proa (art. 1.5). Em Portugal diz-se estibordo em vez de boreste.

Quanto à orientação longitudinal (art. 1.6, fig. 1-3): algo é de vante (ahead) ou está a vante (AV) quando está na proa, e de ré (aft) ou à ré (AR) quando está na popa. Se um objeto está mais para a proa do que outro, diz-se que está por anteavante (AAV) dele; se está mais para a popa, por ante à ré (AAR).

Sigla / termoSignificadoInglês
BEBoreste — lado direito (Portugal: estibordo)starboard side
BBBombordo — lado esquerdoport side
AV / a vanteNa proa / para a proaahead
AR / a réNa popa / para a popaaft
AAVPor anteavante (mais para a proa que outro)
AARPor ante à ré (mais para a popa)
TravésDireção normal ao plano longitudinal do navioabeam
Convenção fixa: BB e BE só fazem sentido com o observador no plano diametral olhando para a proa. Inverter o sentido inverte os bordos.

2.3 Bochechas, alhetas, amura e painel de popa

  • Bochechas (BB e BE) — partes curvas do costado de um e de outro bordo, junto à roda de proa (art. 1.19, figs. 1-1, 1-3 e 1-13b).
  • Amura (bow / tack) — o mesmo que bochecha; é também uma direção qualquer entre a proa e o través (art. 1.20, fig. 1-1).
  • Alhetas (quarter) — partes curvas do costado, de um e outro bordo, junto à popa (art. 1.24, figs. 1-2 e 1-3).
  • Painel de popa, ou painel — parte do costado do navio na popa, entre as alhetas; termo em desuso (art. 1.25, fig. 1-2).
  • Grinalda (taffrail) — parte superior do painel de popa; termo em desuso (art. 1.26, fig. 1-2).
  • Almeida (lower stern timber) — parte curva do costado na popa, logo abaixo do painel, formando com ele ângulo obtuso ou curvatura (art. 1.27, fig. 1-2).
  • Delgados — partes da carena mais afiladas a vante e a ré, junto à roda de proa e ao cadaste (art. 1.28).
  • Bosso do eixo — saliência formada na carena de alguns navios em torno do eixo do hélice (art. 1.34, fig. 1-2).
Não confundir bochecha com alheta: a primeira é a curva da proa; a segunda é a curva da popa.
A palavra amura tem dupla acepção: peça do casco (= bochecha) e direção entre a proa e o través (art. 1.20).

2.4 Superestruturas, castelo e tombadilho

Fig. 1-7
Fig. 1-7 Fig. 1-7 — Superestruturas de navio mercante

  • Superestrutura (superstructure) — construção feita sobre o convés principal, com laterais distando do costado não mais do que 4% da boca do navio; se a distância for superior, chama-se casaria (deckhouse) — local para camarotes, cozinha, banheiros e outras dependências (art. 1.37, figs. 1-3 e 1-7).
  • Castelo de proa (forecastle deck), ou castelo — superestrutura na parte extrema da proa, podendo ser acompanhada de elevação da borda (art. 1.38, figs. 1-7 e 1-13b).
  • Tombadilho (poop deck) — superestrutura na parte externa da popa (art. 1.39, figs. 1-3 e 1-7).
  • Superestrutura central — localizada a meia-nau (art. 1.40, figs. 1-3 e 1-7).
  • Poço (well) — espaço entre o castelo ou tombadilho e a superestrutura central (art. 1.41, fig. 1-7).
  • Superestrutura lateral — disposta junto a um dos costados, como nos navios-aeródromos (art. 1.42).
  • Contrafeito — parte rebaixada no costado para colocar uma peça de artilharia ou alojar embarcação; termo em desuso (art. 1.43, fig. 1-9).
    Fig. 1-9
    Fig. 1-9 Fig. 1-9 — Contrafeito
  • Jardim de popa (balcony) — espécie de sacada na popa dos antigos navios de guerra de grande porte (art. 1.45, fig. 1-10).
    Fig. 1-10
    Fig. 1-10 Fig. 1-10 — Jardim de popa
  • Recesso do túnel — parte de um túnel ampliada em sua seção, como os recessos do túnel do eixo (art. 1.47, fig. 1-11).
    Fig. 1-11
    Fig. 1-11 Fig. 1-11 — Detalhe da popa
  • Talhamar (stem) — nos navios de madeira, combinação de peças sobressaindo da roda de proa; nos navios de aço, é prolongamento da roda de proa (art. 1.48, fig. 1-12).
    Fig. 1-12
    Fig. 1-12 Fig. 1-12 — Detalhe da proa
  • Torreão de comando — abrigo encouraçado dos antigos navios de guerra; localizado sob o passadiço (art. 1.49).
  • Apêndices — partes relativamente pequenas do casco que se projetam além da superfície exterior do chapeamento da carena: parte saliente da quilha maciça, leme, bolinas, pés-de-galinha, cadaste exterior, soleira da clara do hélice etc. (art. 1.50).

3. Plano de flutuação e costado (16.1)

A divisão vertical do casco pelo plano de flutuação define o que é submerso (obras vivas) e o que é emerso (obras mortas), e dá nome aos revestimentos laterais do casco e às fiadas de chapas mais importantes.

Fig. 1-3
Fig. 1-3 Fig. 1-3 — Vista exterior (obras vivas e mortas)

3.1 Obras vivas, obras mortas e linha-d'água

  • Obras vivas e carena — parte do casco abaixo do plano de flutuação em plena carga, isto é, a parte total ou quase totalmente imersa. Carena é empregada algumas vezes em lugar de obras vivas, mas significa com mais propriedade o invólucro do casco nas obras vivas (art. 1.11, fig. 1-3).
  • Obras mortas — parte do casco acima do plano de flutuação em plena carga, que está sempre emersa (art. 1.12, fig. 1-3).
  • Linha-d'água (waterline) — linha que separa a parte imersa (obras vivas) da parte emersa (obras mortas); é representada por uma faixa pintada com tinta especial, de proa a popa; sua aresta inferior é a linha de flutuação leve (art. 1.13, fig. 1-3).
  • Fundo do navio (ship bottom) — parte inferior do casco, desde a quilha até o bojo; quando o fundo é chato, diz-se que o navio tem fundo de prato (art. 1.14).
  • Bojo (bilge) — parte do casco que compreende a transição entre o fundo e o costado, podendo ser curvo ou reto (art. 1.15, figs. 1-4a e 1-13b).
    Fig. 1-4a
    Fig. 1-4a Fig. 1-4a — Vista interior

3.2 Costado, borda, amurada e revestimentos

Fig. 1-4b
Fig. 1-4b Fig. 1-4b — Vista interior (costado e borda)

  • Costado (side) — parte lateral do casco entre o bojo e o convés mais elevado. Em arquitetura naval, antes de traçada a linha-d'água, costado é o revestimento do casco acima do bojo (art. 1.16).
  • Forro exterior — antiga denominação do revestimento exterior do casco no costado e na carena; atualmente denominado simplesmente chapeamento (outer plating) (art. 1.17, figs. 1-1 e 1-13b).
  • Forro interior do fundo — antiga denominação do revestimento interior do fundo; constitui o que hoje se chama teto do fundo duplo (inner bottom) (art. 1.18, fig. 1-4a).
  • Borda — limite superior do costado, que pode terminar na altura do convés (se recebe balaustrada) ou elevar-se um pouco mais, constituindo a borda-falsa (art. 1.21, fig. 1-4b).
  • Borda-falsa (bulwark) — parapeito do navio em convés exposto ao tempo, de estrutura mais leve que as outras chapas do costado; protege pessoal e material, evitando que caiam ao mar. Há sempre saídas de água, podendo ter portinholas que se abrem só de dentro para fora (art. 1.22).
  • Amurada (side) — parte interna dos costados; mais comumente usada para a parte interna da borda-falsa; termo em desuso (art. 1.23, fig. 1-4b).
  • Cintado (sheer strake) — fiada de chapas do costado no encontro com o convés resistente; sempre contínua de proa a popa, com a mesma largura em todo o comprimento e, em geral, maior espessura que as chapas contíguas (art. 1.29, fig. 1-4a).
  • Resbordo — a primeira fiada de chapas (ou de tábuas) do forro exterior do fundo, de um e de outro lado da quilha (art. 1.30, figs. 1-4a e 1-13b).
  • Quina (knuckle) — qualquer mudança brusca de direção na superfície externa do casco, num chapeamento, antepara, caverna ou outra peça (art. 1.32).
  • Bainha (seam) — interstício, por meio de solda, entre duas chapas de um chapeamento ou entre duas tábuas contíguas (art. 1.33).
Não confundir resbordo com cintado: o resbordo é a 1ª fiada do fundo, junto à quilha; o cintado é a fiada do costado no encontro com o convés resistente.

3.3 Apêndices e detalhes do casco

Fig. 1-6
Fig. 1-6 Fig. 1-6 — Calcanhar e balanço de popa

  • Calcanhar (skeg) — parte saliente formada no fundo de alguns navios pelo pé de cadaste e a parte extrema posterior da quilha; comum em navios com leme compensado; permite maior estabilidade de curso e provê apoio para picadeiros de docagem na região de ré (art. 1.31, fig. 1-6).
  • Recesso — concavidade feita numa antepara, no fundo, no costado ou convés, a fim de alojar equipamento ou obter melhor arranjo (art. 1.46).
  • Contrassopro — escudo de chapa de alguns navios de guerra, para proteger a guarnição de um canhão (art. 1.44).
Convenção de orientação (art. 1.5): Boreste e Bombordo são definidos com o observador no plano diametral olhando para a proa — convenção fixa que rege toda a nomenclatura.

4. Peças principais da estrutura dos cascos metálicos (16.2)

4.1 Cavernamento e chapeamento

A estrutura do casco do navio consta do cavernamento (framing) e do chapeamento (plating) — no caso de cascos metálicos — ou do tabuado, nos cascos de madeira (art. 1.51). O cavernamento é constituído por uma combinação de dois sistemas de vigas, o longitudinal e o transversal, prevalecendo apenas um deles ou um sistema misto, complementados por reforços locais.

A continuidade dos elementos estruturais — particularmente das vigas e reforços longitudinais — é uma das principais considerações em qualquer projeto de navio de grande porte. Um elemento longitudinal, para ser considerado uma viga da estrutura, deve ser contínuo num comprimento considerável do navio (art. 1.51).

SistemaPredominânciaResiste melhor a
LongitudinalVigas longitudinaisEsforços de flexão longitudinal da viga-navio
TransversalCavernas, hastilhas e vausEsforços transversais e pressão (com as anteparas)
MistoCombinação por regiãoOtimiza ambos conforme a região do casco

4.2 Vigas e longitudinais

São vigas colocadas no fundo e nos conveses. Juntamente com o chapeamento associado, constituem a estrutura primária para resistir às cargas atuantes — por exemplo, os esforços longitudinais que ocorrem quando passa o cavado ou a crista de uma vaga pelo meio do navio (art. 1.52).

Fig. 1-13a
Fig. 1-13a Fig. 1-13a — Partes estruturais proa/popa
Fig. 1-13b
Fig. 1-13b Fig. 1-13b — Perspectiva estrutural

  • Quilha vertical (vertical keel / centerline girder) — peça disposta em grande extensão do comprimento do casco, no plano diametral e na parte mais baixa do navio. Constitui a "espinha dorsal"; nas docagens e encalhes é a quilha que suporta os maiores esforços (art. 1.52a, figs. 1-4a, 1-13a e 1-13b).
  • Chapa quilha (keel plate) — fiada de chapas horizontais do fundo, na direção longitudinal, que constitui o flange inferior da quilha; o mesmo que Quilha Chata (art. 1.52b).
  • Longarinas (girder plate) e longitudinais (longitudinal stiffeners) — as longarinas são componentes da estrutura primária do fundo; os longitudinais são reforços da estrutura secundária, encontrados no fundo, teto do fundo duplo, costado e conveses (art. 1.52c, figs. 1-4b e 1-13b).
  • Trincaniz (stringer plate) — fiada de chapa do convés resistente mais próxima ao costado, em cada convés, ligando os vaus entre si e às cavernas (art. 1.52d, figs. 1-4a, 1-13a e 1-13b).
  • Sicordas (deck girder) — vigas longitudinais nos conveses, normalmente com alma na vertical e flange horizontal; fazem parte da estrutura primária (art. 1.52e, figs. 1-4b, 1-13a e 1-13b).
Longarina ≠ longitudinal: a longarina é primária (fundo); o longitudinal é secundário e aparece em vários locais. Sicorda (convés) ≠ longarina (fundo), ambas longitudinais primárias.

4.3 Vigas e transversais

Além de darem a forma exterior do casco, resistem — juntamente com as anteparas estruturais — à tendência à deformação do casco por ação dos esforços transversais (art. 1.53).

Fig. 1-14
Fig. 1-14 Fig. 1-14 — Meia seção de navio de uma coberta

  • Caverna (frame) — elemento estrutural transversal que em geral se estende do fundo até um certo convés; função principal: suportar o chapeamento de costado. Gigante é uma caverna reforçada; caverna mestra é a situada na seção mestra. O intervalo entre duas cavernas contíguas é o espaçamento; os braços das cavernas acima do bojo chamam-se balizas (art. 1.53a, figs. 1-4a, 1-13a, 1-13b e 1-14).
  • Cavernas altas — aquelas em que as hastilhas são mais altas que o comum, assemelhando-se a anteparas; colocadas na proa e na popa para reforço (art. 1.53b, figs. 1-1 e 1-13a).
  • Vau (beam) — elemento transversal nos conveses e cobertas, suportando o respectivo chapeamento; vau gigante é um vau reforçado que integra a estrutura primária do convés (art. 1.53c, figs. 1-4a, 1-4b e 1-13b).
  • Hastilhas (floors) — chapas verticais no sentido transversal no fundo, em cada caverna, podendo ser estanques ou não, com furos de alívio (acesso e passagem de tubulações); aumentam a altura das cavernas, da quilha ao bojo (art. 1.53d, figs. 1-4a, 1-13a e 1-13b).
  • Cambotas — reforços do chapeamento da popa, com função análoga à das cavernas; termo em desuso (art. 1.53e, fig. 1-2).

4.4 Reforços locais

Completam a estrutura, fazendo a ligação entre as demais peças ou reforçando uma parte do casco (art. 1.54).

  • Roda de proa (stem) — peça robusta que, em prolongamento da quilha, forma o extremo do navio a vante; faz-se nela um rebaixo chamado alefriz, onde é cravado o topo do chapeamento exterior (art. 1.54a, figs. 1-1 e 1-13a).
  • Cadaste (sternframe) — peça semelhante à roda de proa, constituindo o extremo do navio a ré; possui também alefriz (art. 1.54b, figs. 1-2 e 1-13a).
  • Pés-de-carneiro (pillars) — pilares que suportam vigas primárias (sicordas e vaus gigantes), aumentando a rigidez quando o espaço entre anteparas estruturais é grande; tomam o nome da coberta em que se assentam (art. 1.54c, figs. 1-4a e 1-13b).
  • Vau intermediário — vau de escantilhão menor, colocado entre os vaus, para ajudar a suportar o convés (art. 1.54d).
  • Vaus secos (hold beam) — vaus do porão, mais espaçados, que não recebem assoalho; servem para atracar as cavernas (art. 1.54e, figs. 1-1 e 1-2).
  • Latas (batten) — vaus que não são contínuos de BB a BE, colocados na altura de uma enora ou escotilha (art. 1.54f, fig. 1-4a).
  • Buçardas (breasthook) — peças horizontais na proa ou na popa, contornando-as por dentro, de BE a BB; dão maior resistência onde, pela forma, é difícil colocar cavernas (art. 1.54g, fig. 1-13a).
  • Prumos — reforços dispostos verticalmente nas anteparas, suportando o chapeamento; estrutura secundária (art. 1.54h, fig. 1-4b).
  • Travessas (escoas) — vigas horizontais em anteparas e costados; estrutura primária; modernamente chamadas escoas (art. 1.54i, fig. 1-4b).
  • Borboletas (bracket) — pedaços de chapa em forma de esquadro que conectam dois perfis ou superfícies em ângulo, mantendo invariável esse ângulo (art. 1.54j).
  • Tapa-juntas — chapa ou cantoneira que unia a topo duas chapas; usada em estruturas rebitadas, em desuso (art. 1.54l).
  • Chapa de reforço (stiffening plate) — chapa no contorno de uma abertura no costado ou chapeamento resistente, para compensar a perda de material (art. 1.54m).
  • Calços (chocks) — chapas metálicas ou blocos de composto sintético que enchem vazios entre duas peças (art. 1.54n).
  • Chapa colar — chapa em torno de um perfil que atravessa um chapeamento, para tornar estanque a junta (art. 1.54o).
  • Cantoneira de contorno — cantoneira em torno de tubo, túnel, escotilha ou antepara estanque, para manter a estanqueidade (art. 1.54p, fig. 1-4b).
  • Gola — peça de cantoneira ou barra-chata que contorna uma abertura para reforço local (art. 1.54q).

4.5 Chapeamento (plating)

É o termo genérico que denomina o conjunto de chapas que compõe um revestimento ou subdivisão do casco metálico; as chapas dispostas na mesma fileira constituem uma fiada de chapas (art. 1.55).

  • Chapeamento exterior do casco — função principal: revestimento externo impermeável; é também parte importante da estrutura, contribuindo para a resistência aos esforços longitudinais. As fiadas mais importantes são a da cinta, a do bojo e a do resbordo (art. 1.55a).
  • Chapeamento do convés e das cobertas — divide o espaço interior em conveses e contribui para a resistência longitudinal; o convés resistente é o mais importante sob esse aspecto (art. 1.55b).
  • Chapeamento do teto do fundo duplo (inner bottom plating) — constitui o teto do fundo duplo; além de revestimento estanque, contribui para a resistência longitudinal (art. 1.55c).

4.6 Anteparas

São as separações verticais que subdividem em compartimentos o espaço interno do casco, em cada convés; concorrem também para manter a forma e aumentar a resistência. Nos navios de aço, as anteparas — particularmente as transversais — são um meio eficiente de proteção em caso de alagamento, recebendo reforços e sendo tornadas impermeáveis (anteparas estanques) (art. 1.55d).

AnteparaDefinição
De colisão AV (collision bulkhead)Primeira antepara transversal estanque a contar de vante; limita a entrada de água em abalroamento de proa. A primeira a partir de ré é a antepara de colisão AR (art. 1.55d-1, fig. 1-13b).
Transversal (transverse bulkhead)Contida num plano transversal; as principais são estruturais, estanques, contínuas de bordo a bordo e do fundo até o convés de compartimentagem. Dividem o navio em compartimentos estanques, dificultando o alagamento progressivo (art. 1.55d-2).
FrontalLimita a parte de ré do castelo, a de vante do tombadilho ou a extrema de uma superestrutura (art. 1.55d-3).
Diametral (centerline bulkhead)Situada no plano diametral (art. 1.55d-4, fig. 1-4b).
Longitudinal / lateralDirigida num plano vertical longitudinal que não o diametral; pode ser do casco ou de casarias (art. 1.55d-5).
Parcial / diafragma (swash bulkhead)Estende-se apenas em parte de um compartimento ou tanque; com aberturas, serve de reforço (art. 1.55d-6).
Da bucha do eixoAntepara AR onde fica a bucha interna do eixo do hélice; antepara de ré da praça de máquinas (art. 1.55d-7).
PTEN
Cavernaframe
Vaubeam
Hastilhafloor
Quilha verticalvertical keel / centerline girder
Longarinagirder plate
Sicordadeck girder
Trincanizstringer plate
Buçardabreasthook
Pé-de-carneiropillar
Borboletabracket
Anteparabulkhead

5. Convés, cobertas, plataformas e espaços (16.3)

No sentido da altura, o casco é dividido em certo número de pavimentos denominados conveses (art. 1.56).

Fig. 1-17a
Fig. 1-17a Fig. 1-17a — Divisão do casco
Fig. 1-17b
Fig. 1-17b Fig. 1-17b — Perfil de um cargueiro

  • Convés principal (main deck) — primeiro pavimento contínuo de proa a popa, de cima para baixo, descoberto em todo ou em parte (art. 1.56a). A parte de proa chama-se convés a vante, a meia-nau convés a meia-nau, e a de popa tolda (art. 1.56b).
  • Convés parcial — convés que não é contínuo de proa a popa (art. 1.56e). Acima do principal, na proa é o convés do castelo, na popa o convés do tombadilho, a meia-nau o convés superior (upper deck) (art. 1.56c); acima destes, o convés da superestrutura (art. 1.56d).
  • Cobertas (tween-decks) — conveses abaixo do principal, numerados de cima para baixo (segundo convés, terceiro convés...); os espaços entre eles são primeira coberta, segunda coberta etc. (arts. 1.56f e 1.56g).
  • Porão — espaço entre o convés mais baixo e o teto do fundo duplo (ou o fundo, se não há fundo duplo). Num mercante, é também o compartimento estanque onde se acondiciona a carga, numerado de vante para ré (art. 1.56g).
  • Tijupá — convés mais elevado de uma superestrutura de vante onde se encontram os postos de navegação (art. 1.56l, fig. 1-17b).
  • Passadiço — convés imediatamente abaixo do tijupá, com ponte de BB a BE, de onde o Comandante dirige a manobra; nele ficam a casa do leme, camarins de navegação e rádio e a plataforma de sinais (art. 1.56l, fig. 1-17b).
  • Plataforma — em navio de guerra, convés mais elevado de outra superestrutura, ou qualquer convés parcial elevado e descoberto (art. 1.56m).
  • Ponte / passarela (bridge / catwalk) — construção ligeira de passagem entre conveses/superestruturas, comum em navios-tanque; junto à borda, talabardão (art. 1.56n).
  • Convés corrido (flush deck) — convés principal sem estruturas de bordo a bordo e sem tosamento (art. 1.56p).
  • Convés resistente (strength deck) — convés afastado do eixo neutro, parte integrante da estrutura resistente longitudinal; usualmente o convés principal (art. 1.56q).
  • Convés da borda-livre — convés completamente chapeado, com aberturas dotadas de fechamento permanente estanque; é dele que se mede a borda-livre (art. 1.56r).
  • Convés de compartimentagem — convés mais alto e contínuo até onde vão as anteparas estruturais; geralmente o convés principal (art. 1.56s).
  • Convés estanque (watertight deck) — perfeitamente estanque de cima para baixo e de baixo para cima (art. 1.56t). Convés estanque ao tempo — estanque só de cima para baixo, em condições normais (art. 1.56u).
  • Convés balístico / encouraçado / protegido — em navio de guerra, conveses protegidos por couraça (arts. 1.56h e 1.56i).
  • Convés de voo (flight deck) — convés principal de navio-aeródromo; na Marinha brasileira, convoo; nos navios com área homologada para asas rotativas, helideck (art. 1.56v, fig. 1-8).
Convés resistente ≠ convés de compartimentagem ≠ convés da borda-livre: embora muitas vezes coincidam no convés principal, são definições distintas (arts. 1.56q, 1.56r, 1.56s).

6. Subdivisão do casco (16.4)

6.1 Compartimentos, tanques e câmaras

  • Compartimentos — denominação das subdivisões internas de um navio (art. 1.57).
  • Compartimentos estanques — limitados por chapeamento reforçado, dimensionado para resistir a uma pressão de carga líquida, seca ou de alagamento acidental; neste livro, "estanque" sem outra referência indica impermeabilidade à água (art. 1.58).
  • Tanque (tank) — compartimento estanque para consumíveis líquidos, carga líquida ou gasosa. A parte superior dos tanques principais de um navio-tanque pode não se estender de bordo a bordo, constituindo um túnel de expansão, onde o líquido pode se expandir, evitando esforços dinâmicos e perda de estabilidade (art. 1.60, fig. 1-18).
    Fig. 1-18
    Fig. 1-18 Fig. 1-18 — Corte transversal de navio-tanque
  • Tanques de óleo (oil tanks) — ligados à atmosfera por suspiros (tubos no topo). Subtipos: combustível (permanentes; excluídos da capacidade, peso no expoente de carga), de reserva (combustível ou carga líquida; incluídos na capacidade), de verão (carga adicional em zonas tropicais; laterais; em desuso), de uso diário (consumo após purificação) (art. 1.61).
  • Tanques fundos ou profundos (deep tanks) — estendem-se do fundo (ou do teto do fundo duplo) até o convés mais baixo; permitem lastro líquido adicional sem abaixar muito o centro de gravidade (art. 1.62).
  • Compartimento ou tanque de colisão (fore peak tank) — compartimentos extremos a vante e a ré, limitados pelas anteparas de colisão AV e AR; estanques, devem permanecer vazios (art. 1.64, figs. 1-17a e 1-17b).
  • Carvoeira (bunker) — compartimento para acondicionar carvão, nos navios que antigamente o queimavam (art. 1.67).
  • Camarote (cabin) — aloja de um a quatro tripulantes ou passageiros (art. 1.71). Alojamentos alojam mais de quatro (art. 1.77).
  • Câmara (chamber) — destinada ao Comandante de navio ou Força Naval; existe também a câmara frigorífica (art. 1.72). Antecâmara precede uma câmara (art. 1.73).
  • Praças — principais compartimentos: praça-d'armas (refeitório dos Oficiais), praça de máquinas, praça de caldeiras (art. 1.70).
  • Camarim — onde trabalha o pessoal de um departamento; o camarim de navegação fica no passadiço ou superestrutura (art. 1.76).
  • Corredor (passageway) — passagem estreita entre anteparas, comunicando compartimentos de um mesmo convés (art. 1.78).
  • CIC / COC — Centro de Informações de Combate ou Centro de Operações de Combate (art. 1.75). Direção de tiro dirige as operações de tiro (art. 1.74).

6.2 Fundo duplo, túneis e coferdam

Fig. 1-19
Fig. 1-19 Fig. 1-19 — Vista parcial de um fundo duplo
Fig. 1-20
Fig. 1-20 Fig. 1-20 — Túnel do eixo

  • Fundo duplo (double bottom) — estrutura do fundo constituída pelo fundo e pelo teto do fundo duplo (sobre a parte interna das cavernas). É subdividido em compartimentos estanques utilizáveis como tanques de lastro, água potável ou óleo combustível. Quando não ocupa todo o comprimento, chama-se fundo duplo parcial (art. 1.59, figs. 1-4a e 1-17b).
  • Coferdam (cofferdam) — espaço limitado por anteparas, hastilhas ou longarinas estanques, próximas entre si, que serve de isolante entre tanques e compartimentos quando exigido por regulamentos de segurança (art. 1.63, fig. 1-19).
  • Espaço vazio (void space) — termo usado para um espaço necessário a completar a forma e o arranjo do casco (art. 1.63).
  • Túnel do eixo (shaft tunnel) — estrutura em forma de túnel que permite a passagem de um homem; aloja as seções da linha de eixo da praça de máquinas ao tubo telescópico; deve ser estanque (art. 1.65, figs. 1-11, 1-17b e 1-20).
  • Túnel de escotilha ou túnel vertical — espaço vertical que comunica escotilhas superpostas em diferentes conveses (art. 1.66).
Coferdam ≠ fundo duplo: o coferdam é um espaço-isolante entre tanques/compartimentos; o fundo duplo é a estrutura celular do fundo (arts. 1.59 e 1.63).

6.3 Paióis e paiol da amarra

Fig. 1-21
Fig. 1-21 Fig. 1-21 — Detalhe da proa e da popa

  • Paiol da amarra (chain locker) — compartimento na proa, por ante a ré ou a vante da antepara de colisão, para colocação por gravidade das amarras das âncoras; pode ser subdividido em paiol de BE e de BB; seção ideal circular (art. 1.68, figs. 1-17b e 1-21).
  • Paióis (lockers) — termo genérico para compartimentos que armazenam provisões, munição, armamento, sobressalentes, tintas etc. O paiol do poleame e massame é o paiol do Mestre; em navio de guerra, o do armamento portátil é a escoteria (art. 1.69).
  • Trincheira (hammock netting) — nos navios antigos, caixão nas amuradas para as macas da guarnição (art. 1.79).

7. Aberturas no casco (16.4)

Fig. 1-22
Fig. 1-22 Fig. 1-22 — Escotilhão
Fig. 1-23
Fig. 1-23 Fig. 1-23 — Vigia
Fig. 1-24
Fig. 1-24 Fig. 1-24 — Olho de boi

  • Escotilhas (hatches) — aberturas geralmente retangulares no convés e cobertas, para passagem de ar, luz, pessoal e carga (art. 1.82, fig. 1-17b).
  • Agulheiro — pequena escotilha circular ou elíptica, para serviço de paiol, praça de máquinas etc. (art. 1.83).
  • Escotilhão (hatch) — abertura num convés, de dimensões menores que uma escotilha; nos mercantes, as escotilhas de passagem do pessoal chamam-se escotilhões (art. 1.84, fig. 1-22).
  • Vigias (side scuttle) — aberturas circulares no costado ou antepara de superestrutura, para luz e ventilação; podem ter tampa de combate (deadlight) contra rompimento do vidro (art. 1.85, fig. 1-23).
  • Olho de boi (side light) — abertura no convés ou antepara, fechada com vidro grosso, para dar claridade (art. 1.86, fig. 1-24).
  • Enoras (mast hole) — aberturas geralmente circulares nos conveses, por onde enfurnam os mastros (art. 1.87).
  • Gateiras (spurling pipe) — aberturas no convés por onde as amarras passam para o paiol (art. 1.88, fig. 1-21).
  • Tubo do escovém (hawse pipe) — tubos por onde gurnem as amarras, do convés para o costado (art. 1.89, fig. 1-25).
    Fig. 1-25
    Fig. 1-25 Fig. 1-25 — Aparelho de fundear e suspender
  • Embornal (scupper) — abertura para escoamento das águas de baldeação ou chuva, no convés junto à borda; prolonga-se por uma dala (art. 1.90, fig. 1-13).
  • Saídas de água (freeing ports) — aberturas retangulares na borda-falsa, com grade fixa ou portinhola que abre de dentro para fora; dão saída às massas de água em mar grosso. Não confundir com escovéns e embornais (art. 1.91).
  • Portaló (entering port) — abertura na borda ou passagem nas balaustradas por onde o pessoal entra e sai; há portaló de BB e de BE (o de BE é o de honra nos navios de guerra) (art. 1.92, fig. 1-10).
  • Portinholas (port lid) — aberturas retangulares na borda/costado de navios antigos, para tiro de tubos de torpedo, canhões etc. (art. 1.93).
  • Seteiras (loop hole) — aberturas estreitas nas torres ou passadiço para observação do exterior; presentes nas Lanchas de Ação Rápida (art. 1.94).
  • Aspirações ou caixas de mar (sea chests) — aberturas na carena para admissão de água nas válvulas de tomada de mar (art. 1.95, fig. 1-27).
    Fig. 1-27
    Fig. 1-27 Fig. 1-27 — Abertura de aspiração ou descarga
  • Descargas — aberturas no costado para descarga das águas de serviço; hoje poucas, por regulamentos ambientais (art. 1.96, fig. 1-27).
  • Clara do hélice (screw aperture) — espaço onde trabalha o hélice; limitada a vante pelo cadaste interior, a ré pelo exterior (art. 1.81, fig. 1-11).
  • Bueiros (drain holes) — orifícios nas hastilhas ou longarinas, para escoamento das águas à rede de esgoto (art. 1.80, figs. 1-13b, 1-16 e 1-19).
  • Portas (fig. 1-42) — aberturas que dão passagem a um homem entre compartimentos de um mesmo convés (art. 1.129).
  • Portas estanques (watertight door) — portas de fechamento estanque entre anteparas estanques (art. 1.130, fig. 1-43).
    Fig. 1-43
    Fig. 1-43 Fig. 1-43 — Porta estanque de aço
  • Portas de visita (manholes) — portas de chapa que fecham aberturas no teto do fundo duplo ou em tanques, para inspeção e limpeza (art. 1.131).
Não confundir saídas de água (borda-falsa) com escovéns (passagem de amarra) e embornais (escoamento de convés) — erro explicitamente alertado pelo Fonseca (art. 1.91).

8. Acessórios do casco

8.1 Acessórios na carena

Fig. 1-28
Fig. 1-28 Fig. 1-28 — Pés-de-galinha
Fig. 1-29
Fig. 1-29 Fig. 1-29 — Tubo telescópico

  • Leme (rudder) — aparelho destinado ao governo de uma embarcação (art. 1.97, fig. 1-11).
  • Pés-de-galinha das linhas de eixos (shaft brackets) — conjunto de braços que suportam a seção do eixo do hélice que se estende para fora da carena, nos navios de mais de um hélice (art. 1.98, fig. 1-28).
  • Tubo telescópico do eixo (stern tube) — tubo por onde o eixo do hélice atravessa o casco; aloja selos de vedação e mancais (art. 1.99, fig. 1-29).
  • Tubulão do leme (rudder trunk) — tubo por onde a madre do leme atravessa o casco (art. 1.100, fig. 1-21).
  • Quilhas de docagem — longarinas adicionais no fundo da carena de navios de grande porte; melhoram o suporte aos blocos de docagem (art. 1.102).
  • Bolina (bilge keel) / quilhas de balanço — chapas perpendiculares ao chapeamento, na curva do bojo, no sentido longitudinal, uma em cada bordo; servem para amortecer a amplitude dos balanços (art. 1.103, fig. 1-16).
  • Zinco protetor — peça de zinco presa na carena, para proteger o aço contra a ação galvânica da água do mar; deve ser laminado, nunca fundido (art. 1.104).
  • Buchas (bushings) — peças de metal não ferroso que se introduzem nos orifícios que recebem eixos, servindo de mancal (art. 1.105).

8.2 Acessórios no costado e na borda

Fig. 1-31
Fig. 1-31 Fig. 1-31 — Vista da popa
Fig. 1-32
Fig. 1-32 Fig. 1-32 — Verdugo
Fig. 1-33
Fig. 1-33 Fig. 1-33 — Pau de surriola

  • Guarda do hélice (propeller guards) — armação no costado AR, para proteger nas atracações os hélices disparados do casco (art. 1.106, fig. 1-31).
  • Verdugo (fender) — peça reforçada no costado de alguns navios (especialmente rebocadores), como proteção nas atracações (art. 1.107, fig. 1-32).
  • Pau de surriola — verga horizontal AV no costado de navio de guerra, disparada perpendicularmente para amarrar embarcações no porto (art. 1.108, fig. 1-33).
  • Verga de sécia — verga horizontal na popa, indicando a posição dos hélices que se projetam para fora (art. 1.109).
  • Dala (dale/shoot) — conduto que, partindo de um embornal, atravessa o costado, para escoar águas sem sujar o costado (art. 1.110).
  • Escada do portaló (gangway ladder) — escada de acesso ao portaló, por fora do casco, com patim superior e inferior nos extremos (art. 1.112, figs. 1-35a e 1-10).
    Fig. 1-35a
    Fig. 1-35a Fig. 1-35a — Escada do portaló
  • Escada vertical (vertical ladder) — escada fixa de degraus de vergalhão, em antepara ou mastro (art. 1.113, fig. 1-35b).
    Fig. 1-35b
    Fig. 1-35b Fig. 1-35b — Escada vertical
  • Patim — pequena plataforma disparada para fora do costado, geralmente móvel (art. 1.114).
  • Raposas (anchor bolster) — nos navios antigos com âncora tipo Almirantado, peças salientes onde descansavam as unhas; nos de proa bulbosa, recessos no costado para alojar âncoras recolhidas (art. 1.115, figs. 1-12 e 1-36).
    Fig. 1-36
    Fig. 1-36 Fig. 1-36 — Raposa
  • Figura de proa (figure head) — emblema, busto ou figura na parte superior e extrema da roda de proa (art. 1.116, fig. 1-12).
  • Castanha (hanging clamp) — peça com abertura onde se enfia um perfil ou cabo; as que suportam turcos chamam-se palmatória (superior) e cachimbo (inferior) (art. 1.117, figs. 1-36 e 1-37).
    Fig. 1-37
    Fig. 1-37 Fig. 1-37 — Turcos giratórios
  • Balaústre (stanchion) — colunas que sustentam o corrimão, cabos ou correntes da borda; o conjunto chama-se balaustrada (art. 1.118, fig. 1-4a).
  • Corrimão da borda (main rail) — peça de madeira sobre a borda, formando o remate superior (art. 1.119, fig. 1-16).
  • Buzina (closed chocks) — peça elíptica fixada na borda, guia dos cabos de amarração; as do bico de proa e do painel são buzina da roda e buzina do painel (art. 1.120, fig. 1-38).
    Fig. 1-38
    Fig. 1-38 Fig. 1-38 — Buzina
  • Tamanca (half block) — peça fixada no convés ou borda, para passagem dos cabos de amarração (art. 1.121, fig. 1-39).
    Fig. 1-39
    Fig. 1-39 Fig. 1-39 — Tamanca
  • Quebra-mar (break water) — estrutura vertical sobre o convés, na proa, para diminuir o impacto das águas que embarcam (art. 1.151, fig. 1-25).

8.3 Acessórios nos compartimentos e no convés

Fig. 1-49
Fig. 1-49 Fig. 1-49 — Retorno de rodete
Fig. 1-50
Fig. 1-50 Fig. 1-50 — Tipos de olhais
Fig. 1-51
Fig. 1-51 Fig. 1-51 — Arganéu
Fig. 1-52
Fig. 1-52 Fig. 1-52 — Picadeiro de embarcação

  • Carlinga (keelson / mast step) — gola metálica no convés onde se apoia o pé de um mastro (art. 1.122).
  • Jazentes (foundations) — estruturas de chapas e perfis para assentar máquinas e equipamentos de convés (art. 1.123, fig. 1-20).
  • Cabeços (bollards) — colunas circulares duplas, montadas aos pares junto à amurada, para dar volta às espias de amarração e cabos de reboque (art. 1.136).
  • Cunho (cleat) — peça em forma de bigorna nas amuradas ou turcos, para dar volta aos cabos de laborar (art. 1.137).
  • Escoteira — peça em forma de cruz fixada ao convés, para dar volta aos cabos (art. 1.138).
  • Malagueta (belaying pin) — pino de metal ou madeira preso verticalmente, para dar volta aos cabos (art. 1.140).
  • Retorno — peça que muda a direção de um cabo sem causar forte atrito (art. 1.141, fig. 1-49).
  • Olhal (pad eye) — anel de metal aparafusado, cravado ou soldado, para engatar aparelho ou amarrar cabo (art. 1.142, fig. 1-50).
  • Arganéu (hank) — olhal com uma argola móvel, circular ou triangular (art. 1.143, fig. 1-51).
  • Picadeiros (stocks) — suportes de madeira ou chapa onde assenta uma embarcação miúda; também os blocos de apoio em docagem (art. 1.144, fig. 1-52).
  • Berço (cradle) — suporte sobre o convés para apoiar uma peça volante, como botes de serviço (art. 1.145).
  • Gaiuta (companion) — armação com abas envidraçadas que cobre escotilhas de entrada de ar e luz (art. 1.148, fig. 1-53).
    Fig. 1-53
    Fig. 1-53 Fig. 1-53 — Escotilha com gaiuta
  • Âncora (anchor) — peça que, lançada ao fundo, faz presa e aguenta o navio pela amarra (art. 1.152, fig. 1-25).
  • Amarra (chain cable) — corrente de elos com malhete (estai), para talingar a âncora (art. 1.153, fig. 1-25).
  • Aparelho de fundear e suspender (anchoring system) — compreende a máquina de suspender (cabrestante ou molinete) e os acessórios que aguentam a amarra (mordente, boça da amarra, pino de braga) (art. 1.154, fig. 1-25).
  • Cabrestante (capstan) — tambor vertical acionado por motor; ala espia ou suspende a amarra (art. 1.155, fig. 1-54).
    Fig. 1-54
    Fig. 1-54 Fig. 1-54 — Cabrestante
  • Molinete (windlass) — tambores de eixo horizontal com coroa de barbotim; geralmente na proa; ala espia e suspende a amarra (art. 1.156, fig. 1-25).
  • Mordente (chain stopper) — peça fixa no convés que aguenta a amarra mordendo-a num elo (art. 1.157, fig. 1-25). Boça da amarra aboça a amarra (art. 1.158); Abita é cabeço de aço com tetas (art. 1.159).
  • Aparelho de governo (steering system) — sistema que permite governar o navio: portas do leme, madres, mancais, gualdropes, máquina do leme (art. 1.160, fig. 1-55).
    Fig. 1-55
    Fig. 1-55 Fig. 1-55 — Aparelho de governo
  • Mastro (mast) — peça no plano diametral que se arvora nos navios, para velas, vergas, antenas, paus de carga, luzes e sensores (art. 1.162).
  • Lança ou pau de carga (derrick) — verga presa a um mastro, ponto de aplicação de um aparelho de içar carga nos porões (art. 1.163, fig. 1-17b). Guindaste (crane) substitui modernamente os paus de carga (art. 1.164).
  • Toldo (awning) — cobertura de lona sobre partes do convés sem cobertura fixa (art. 1.168). Sustentado por espinhaço (art. 1.170, fig. 1-9), vergueiro (art. 1.171), estrutura do toldo (art. 1.172) e estais (art. 1.180).
  • Meia-laranja (hood) — armação de metal numa escotilha de pessoal, para sustentar cobertura de lona contra a chuva (art. 1.174, fig. 1-57).
    Fig. 1-57
    Fig. 1-57 Fig. 1-57 — Meia-laranja
  • Sarilho (reel) — tambor horizontal manobrado à mão, no qual dão volta as espias para se conservarem colhidas (art. 1.178, fig. 1-58).
    Fig. 1-58
    Fig. 1-58 Fig. 1-58 — Sarilho
  • Selha — vaso de madeira, em forma de tina, fixado no convés para acondicionar um cabo de manobra (art. 1.179, fig. 1-59).
    Fig. 1-59
    Fig. 1-59 Fig. 1-59 — Selha
  • Turco (davit) — equipamento de içamento para lançar e recolher embarcações (art. 1.181, fig. 1-37).
  • Visor — chapa na parte externa do passadiço, sobre as janelas, para proteger o pessoal do sol e da chuva (art. 1.182, fig. 1-60).
    Fig. 1-60
    Fig. 1-60 Fig. 1-60 — Visor e sino
  • Ninho de pega — armação fixa por anteavante do mastro, posto de vigia; antigamente cesto de gávea (art. 1.183).
  • Ventiladores (ventilators) — arranjos pelos quais o ar puro é introduzido e o viciado extraído; terminam no convés como cachimbo, cogumelo, pescoço de cisne ou cabeços. A ventilação pode ser natural ou forçada (art. 1.184, fig. 1-61).
    Fig. 1-61
    Fig. 1-61 Fig. 1-61 — Ventiladores
Cabrestante (eixo vertical) ≠ molinete (eixo horizontal) — distinção frequentemente cobrada (arts. 1.155 e 1.156).