Termos gerais
EmbarcaçãoEmbarcação (vessel) = termo geral de construção que flutua e transporta pela água (art. 1.1). Navio (ship), nau e nave = embarcações de maior porte.
CascoCasco (hull) = corpo do navio sem mastreação nem acessórios; tem plano de simetria — o plano diametral — que passa pela quilha (art. 1.2).
Proa · popa · meia-nau
- Proa (bow / foreship) — extremidade de vante; forma que fende o mar (art. 1.3).
- Popa (stern / aftship) — extremidade de ré; forma que facilita o fluxo p/ leme e hélice (art. 1.4).
- Meia-nau (midship) — parte entre proa e popa, próxima do plano diametral (art. 1.7).
Proa, popa e meia-nau não definem parte determinada, e sim uma região de tamanho indefinido (art. 1.7).
Bordos e orientação
| Sigla | Significado | Inglês |
|---|---|---|
| BE | Boreste — lado direito (Portugal: estibordo) | starboard |
| BB | Bombordo — lado esquerdo | port |
| AV / AR | a vante (proa) / a ré (popa) | ahead / aft |
| AAV / AAR | por anteavante / por ante à ré (mais p/ proa / p/ popa) | — |
| Través | direção normal ao plano longitudinal | abeam |
Convenção-mãe (art. 1.5): BB e BE só fazem sentido com o observador no plano diametral olhando para a proa — inverter o sentido inverte os bordos.
Curvas do costado
- Bochechas — partes curvas do costado junto à roda de proa (art. 1.19).
- Amura (bow / tack) — o mesmo que bochecha; e também uma direção qualquer entre a proa e o través (art. 1.20).
- Alhetas (quarter) — partes curvas do costado junto à popa (art. 1.24).
- Painel de popa — costado na popa, entre as alhetas (art. 1.25); delgados = partes mais afiladas da carena a vante e a ré (art. 1.28).
- Contrafeito — parte rebaixada no costado para colocar uma peça de artilharia ou alojar embarcação; termo em desuso (art. 1.43, fig. 1-9).
Não confundir: bochecha = curva da proa; alheta = curva da popa (arts. 1.19 / 1.24).
Superestruturas
SuperestruturaSuperstructure = construção sobre o convés principal, com laterais a ≤ 4% da boca; se a distância for maior, chama-se casaria (deckhouse) (art. 1.37).
- Castelo de proa (forecastle) — superestrutura na extremidade da proa (art. 1.38).
- Tombadilho (poop deck) — superestrutura na extremidade da popa (art. 1.39).
- Poço (well) — espaço entre o castelo/tombadilho e a superestrutura central (art. 1.41).
- Apêndices — pequenas partes que se projetam além do chapeamento da carena: leme, bolinas, pés-de-galinha, cadaste exterior (art. 1.50).
Castelo (proa) e tombadilho (popa) são superestruturas de extremidade (arts. 1.38 / 1.39).
Obras vivas × obras mortas
Plano de flutuação › abaixo = obras vivas (carena, imersa) › acima = obras mortas (emersa)
- Carena = com mais propriedade, o invólucro do casco nas obras vivas (art. 1.11).
- Linha-d'água (waterline) — separa imersa de emersa; sua aresta inferior = linha de flutuação leve (art. 1.13).
- Bojo (bilge) — transição entre o fundo e o costado (art. 1.15).
Costado, borda e fiadas
- Costado (side) — parte lateral do casco, do bojo ao convés mais elevado (art. 1.16).
- Borda — limite superior do costado; se se eleva acima do convés = borda-falsa (bulwark), parapeito em convés exposto (arts. 1.21–1.22).
- Cintado (sheer strake) — fiada do costado no encontro com o convés resistente; contínua de proa a popa (art. 1.29).
- Resbordo — 1ª fiada do forro exterior do fundo, junto à quilha (art. 1.30).
Não confundir: cintado = fiada do costado (junto ao convés resistente); resbordo = 1ª fiada do fundo (junto à quilha) (arts. 1.29–1.30).
Renomeações modernas: forro exterior → chapeamento; forro interior do fundo → teto do fundo duplo (arts. 1.17–1.18).
Estrutura do casco metálico = cavernamento (framing) + chapeamento (plating) (art. 1.51); nos cascos de madeira, é o tabuado.
| Sistema | Predomina | Resiste melhor a |
|---|---|---|
| Longitudinal | vigas longitudinais | flexão longitudinal da viga-navio |
| Transversal | cavernas, hastilhas, vaus | esforços transversais e pressão |
| Misto | combinação por região | otimiza ambos |
Vigas longitudinais
- Quilha vertical (centerline girder) — no plano diametral; a "espinha dorsal"; nas docagens suporta os maiores esforços (art. 1.52a).
- Chapa quilha (keel plate) — flange inferior da quilha; = Quilha Chata (art. 1.52b).
- Longarina (primária, do fundo) ≠ longitudinal (secundário, em vários locais) (art. 1.52c).
- Trincaniz (stringer plate) — fiada do convés mais próxima ao costado (art. 1.52d); Sicorda (deck girder) — viga longitudinal primária do convés (art. 1.52e).
Vigas transversais
- Caverna (frame) — transversal, do fundo a um convés; suporta o chapeamento de costado. Gigante = caverna reforçada; balizas = braços acima do bojo (art. 1.53a).
- Vau (beam) — transversal no convés, suporta seu chapeamento (art. 1.53c).
- Hastilha (floor) — chapa vertical transversal no fundo, em cada caverna (art. 1.53d).
Hastilha (fundo) ≠ vau (convés) ≠ caverna (costado) (art. 1.53).
Reforços locais
- Roda de proa (stem) — prolongamento da quilha a vante; nela o rebaixo alefriz crava o topo do chapeamento (art. 1.54a).
- Cadaste (sternframe) — peça análoga à roda de proa, no extremo a ré (art. 1.54b).
- Buçarda (breasthook) — peça horizontal na proa/popa, de BE a BB (art. 1.54g); Pé-de-carneiro (pillar) — pilar que suporta vigas primárias (art. 1.54c).
- Borboleta (bracket) — chapa em esquadro que liga dois perfis em ângulo, mantendo-o invariável (art. 1.54j).
Chapeamento (plating)
Fiadas principaisNo chapeamento exterior, as fiadas mais importantes são a da cinta, a do bojo e a do resbordo (art. 1.55a). Contribui p/ a resistência aos esforços longitudinais.
Anteparas (bulkheads)
| Antepara | Definição |
|---|---|
| De colisão AV (collision bhd) | 1ª transversal estanque a contar de vante; limita entrada de água em abalroamento de proa (art. 1.55d-1). |
| Transversal | estanque, contínua de bordo a bordo e do fundo ao convés de compartimentagem; dificulta o alagamento progressivo (art. 1.55d-2). |
| Diametral | no plano diametral (art. 1.55d-4). |
| Parcial / diafragma (swash bhd) | estende-se só em parte do tanque; com aberturas, serve de reforço (art. 1.55d-6). |
Anteparas transversais estanques = meio eficiente de proteção em alagamento; dividem o navio em compartimentos estanques (art. 1.55d).
Convés principalMain deck = 1º pavimento contínuo de proa a popa, de cima p/ baixo, descoberto em todo ou em parte (art. 1.56a).
- Cobertas (tween-decks) — conveses abaixo do principal, numerados de cima p/ baixo (art. 1.56g).
- Porão — entre o convés mais baixo e o teto do fundo duplo; no mercante, guarda a carga (art. 1.56g).
- Tijupá — convés mais elevado da superestrutura de vante (postos de navegação); Passadiço — logo abaixo do tijupá, de onde o Comandante dirige a manobra (art. 1.56l).
Conveses "funcionais"
- Convés resistente (strength deck) — afastado do eixo neutro; parte da estrutura resistente longitudinal (art. 1.56q).
- Convés da borda-livre — de onde se mede a borda-livre (art. 1.56r).
- Convés de compartimentagem — mais alto até onde vão as anteparas estruturais (art. 1.56s).
- Convés de voo (flight deck) — na Marinha, convoo; área p/ asas rotativas = helideck (art. 1.56v).
Convés resistente ≠ de compartimentagem ≠ de borda-livre — definições distintas, embora frequentemente coincidam no convés principal (arts. 1.56q–s).
Compartimentos e tanques
- Estanque — sem outra referência, o livro entende impermeabilidade à água (art. 1.58).
- Tanque (tank) — compartimento estanque p/ líquidos/gases; o túnel de expansão no topo evita esforços dinâmicos e perda de estabilidade (art. 1.60).
- Tanque de colisão (fore peak tank) — extremo a vante/ré, limitado pelas anteparas de colisão; estanque, deve permanecer vazio (art. 1.64).
- Camarote (cabin) aloja de 1 a 4; alojamento aloja mais de 4 (arts. 1.71 / 1.77).
Fundo duplo · coferdam
- Fundo duplo (double bottom) — fundo + teto do fundo duplo; vira tanques de lastro, água ou óleo (art. 1.59).
- Coferdam (cofferdam) — espaço-isolante entre tanques/compartimentos, exigido por segurança (art. 1.63).
- Túnel do eixo (shaft tunnel) — aloja a linha de eixo da praça de máquinas ao tubo telescópico; deve ser estanque (art. 1.65).
- Paiol da amarra (chain locker) — na proa, aloja as amarras por gravidade; seção ideal circular (art. 1.68).
Não confundir: coferdam = espaço isolante entre tanques; fundo duplo = estrutura celular do fundo (arts. 1.59 / 1.63).
| Abertura | Onde / p/ quê | Inglês |
|---|---|---|
| Escotilha | convés/cobertas; ar, luz, pessoal, carga | hatch |
| Escotilhão | convés, menor que escotilha; passagem de pessoal | hatch |
| Agulheiro | pequena escotilha circular ou elíptica; serviço de paiol, praça de máquinas | — |
| Vigia | circular no costado; pode ter tampa de combate (deadlight) | side scuttle |
| Enora | circular no convés; por onde enfurna o mastro | mast hole |
| Escovém | tubo por onde gurnem as amarras, do convés ao costado | hawse pipe |
| Embornal | escoamento de água do convés; prolonga-se por uma dala | scupper |
| Caixa de mar | na carena; admissão de água nas tomadas de mar | sea chest |
- Saídas de água (freeing ports) — retangulares na borda-falsa, portinhola que abre de dentro p/ fora; dão saída à água em mar grosso (art. 1.91).
- Portas estanques (watertight door) — entre anteparas estanques (art. 1.130); portas de visita (manholes) — inspeção de tanques/fundo duplo (art. 1.131).
Erro alertado pelo Fonseca: não confundir saídas de água (borda-falsa) com escovéns (amarra) e embornais (convés) (art. 1.91).
Na carena
- Bolina / quilha de balanço (bilge keel) — chapa na curva do bojo, uma por bordo; amortece a amplitude dos balanços (art. 1.103).
- Zinco protetor — protege o aço da ação galvânica; deve ser laminado, nunca fundido (art. 1.104).
- Pés-de-galinha (shaft brackets) — braços que suportam o eixo fora da carena, em navios de mais de um hélice (art. 1.98).
No convés · amarração · fundeio
- Cabeços (bollards) — colunas duplas aos pares junto à amurada; volta às espias e cabos de reboque (art. 1.136).
- Buzina (closed chocks) — peça elíptica na borda, guia dos cabos de amarração (art. 1.120).
- Aparelho de fundear e suspender — máquina de suspender + mordente + boça da amarra + pino de braga (art. 1.154).
- Turco (davit) — içamento p/ lançar e recolher embarcações (art. 1.181).
Distinção cobrada: Cabrestante = eixo vertical; Molinete (windlass) = eixo horizontal (barbotim, na proa) (arts. 1.155–1.156).
Leme = governo (art. 1.97); âncora faz presa no fundo e aguenta o navio pela amarra (arts. 1.152–1.153).