🧭 MMPH · Cap.1 — Nomenclatura do Navio

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Fonseca, Arte Naval — Vol.1 · II.01-AN · Área II do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Termos gerais

EmbarcaçãoEmbarcação (vessel) = termo geral de construção que flutua e transporta pela água (art. 1.1). Navio (ship), nau e nave = embarcações de maior porte.
CascoCasco (hull) = corpo do navio sem mastreação nem acessórios; tem plano de simetria — o plano diametral — que passa pela quilha (art. 1.2).

Proa · popa · meia-nau

  • Proa (bow / foreship) — extremidade de vante; forma que fende o mar (art. 1.3).
  • Popa (stern / aftship) — extremidade de ; forma que facilita o fluxo p/ leme e hélice (art. 1.4).
  • Meia-nau (midship) — parte entre proa e popa, próxima do plano diametral (art. 1.7).
Fig. 1-1
Fig. 1-1 — Proa
Fig. 1-2
Fig. 1-2 — Popa
Proa, popa e meia-nau não definem parte determinada, e sim uma região de tamanho indefinido (art. 1.7).

Bordos e orientação

SiglaSignificadoInglês
BEBoreste — lado direito (Portugal: estibordo)starboard
BBBombordo — lado esquerdoport
AV / ARa vante (proa) / a ré (popa)ahead / aft
AAV / AARpor anteavante / por ante à ré (mais p/ proa / p/ popa)
Travésdireção normal ao plano longitudinalabeam
Convenção-mãe (art. 1.5): BB e BE só fazem sentido com o observador no plano diametral olhando para a proa — inverter o sentido inverte os bordos.
Fig. 1-3
Fig. 1-3 — Vista exterior
Fig. 1-7
Fig. 1-7 — Superestruturas de um navio mercante

Curvas do costado

  • Bochechas — partes curvas do costado junto à roda de proa (art. 1.19).
  • Amura (bow / tack) — o mesmo que bochecha; e também uma direção qualquer entre a proa e o través (art. 1.20).
  • Alhetas (quarter) — partes curvas do costado junto à popa (art. 1.24).
  • Painel de popa — costado na popa, entre as alhetas (art. 1.25); delgados = partes mais afiladas da carena a vante e a ré (art. 1.28).
  • Contrafeito — parte rebaixada no costado para colocar uma peça de artilharia ou alojar embarcação; termo em desuso (art. 1.43, fig. 1-9).
Não confundir: bochecha = curva da proa; alheta = curva da popa (arts. 1.19 / 1.24).

Superestruturas

SuperestruturaSuperstructure = construção sobre o convés principal, com laterais a ≤ 4% da boca; se a distância for maior, chama-se casaria (deckhouse) (art. 1.37).
  • Castelo de proa (forecastle) — superestrutura na extremidade da proa (art. 1.38).
  • Fig. 1-19
    Fig. 1-19 — Vista parcial de um fundo duplo
    Fig. 1-20
    Fig. 1-20 — Túnel do eixo
  • Tombadilho (poop deck) — superestrutura na extremidade da popa (art. 1.39).
  • Fig. 1-24
    Fig. 1-24 — Olho de boi
    Fig. 1-28
    Fig. 1-28 — Pés-de-galinha
    Fig. 1-37
    Fig. 1-37 — Turcos giratórios
    Fig. 1-39
    Fig. 1-39 — Tamanca
  • Poço (well) — espaço entre o castelo/tombadilho e a superestrutura central (art. 1.41).
  • Fig. 1-43
    Fig. 1-43 — Porta estanque de aço
    Fig. 1-38
    Fig. 1-38 — Buzina
  • Apêndices — pequenas partes que se projetam além do chapeamento da carena: leme, bolinas, pés-de-galinha, cadaste exterior (art. 1.50).
  • Fig. 1-11
    Fig. 1-11 — Detalhe da popa
Castelo (proa) e tombadilho (popa) são superestruturas de extremidade (arts. 1.38 / 1.39).

Obras vivas × obras mortas

Plano de flutuação abaixo = obras vivas (carena, imersa) acima = obras mortas (emersa)

Fig. 1-25
Fig. 1-25 — Aparelho de fundear e suspender
Fig. 1-50
Fig. 1-50 — Tipos de olhais
Fig. 1-6
Fig. 1-6 — Calcanhar
  • Carena = com mais propriedade, o invólucro do casco nas obras vivas (art. 1.11).
  • Fig. 1-22
    Fig. 1-22 — Escotilhão
  • Linha-d'água (waterline) — separa imersa de emersa; sua aresta inferior = linha de flutuação leve (art. 1.13).
  • Fig. 1-21
    Fig. 1-21 — (A) Detalhe da proa e (B) Detalhe da popa
  • Bojo (bilge) — transição entre o fundo e o costado (art. 1.15).
  • Fig. 1-18
    Fig. 1-18 — Corte transversal de um navio-tanque

Costado, borda e fiadas

  • Costado (side) — parte lateral do casco, do bojo ao convés mais elevado (art. 1.16).
  • Borda — limite superior do costado; se se eleva acima do convés = borda-falsa (bulwark), parapeito em convés exposto (arts. 1.21–1.22).
  • Cintado (sheer strake) — fiada do costado no encontro com o convés resistente; contínua de proa a popa (art. 1.29).
  • Resbordo1ª fiada do forro exterior do fundo, junto à quilha (art. 1.30).
Não confundir: cintado = fiada do costado (junto ao convés resistente); resbordo = 1ª fiada do fundo (junto à quilha) (arts. 1.29–1.30).
Fig. 1-29
Fig. 1-29 — Tubo telescópico

Renomeações modernas: forro exterior → chapeamento; forro interior do fundo → teto do fundo duplo (arts. 1.17–1.18).

Estrutura do casco metálico = cavernamento (framing) + chapeamento (plating) (art. 1.51); nos cascos de madeira, é o tabuado.
SistemaPredominaResiste melhor a
Longitudinalvigas longitudinaisflexão longitudinal da viga-navio
Transversalcavernas, hastilhas, vausesforços transversais e pressão
Mistocombinação por regiãootimiza ambos

Vigas longitudinais

  • Quilha vertical (centerline girder) — no plano diametral; a "espinha dorsal"; nas docagens suporta os maiores esforços (art. 1.52a).
  • Chapa quilha (keel plate) — flange inferior da quilha; = Quilha Chata (art. 1.52b).
  • Longarina (primária, do fundo) longitudinal (secundário, em vários locais) (art. 1.52c).
  • Trincaniz (stringer plate) — fiada do convés mais próxima ao costado (art. 1.52d); Sicorda (deck girder) — viga longitudinal primária do convés (art. 1.52e).

Vigas transversais

  • Caverna (frame) — transversal, do fundo a um convés; suporta o chapeamento de costado. Gigante = caverna reforçada; balizas = braços acima do bojo (art. 1.53a).
  • Vau (beam) — transversal no convés, suporta seu chapeamento (art. 1.53c).
  • Hastilha (floor) — chapa vertical transversal no fundo, em cada caverna (art. 1.53d).
  • Fig. 1-14
    Fig. 1-14 — Meia seção de um navio de uma coberta
Hastilha (fundo) ≠ vau (convés) ≠ caverna (costado) (art. 1.53).

Reforços locais

  • Roda de proa (stem) — prolongamento da quilha a vante; nela o rebaixo alefriz crava o topo do chapeamento (art. 1.54a).
  • Fig. 1-51
    Fig. 1-51 — Arganéu (berço de embarcação)
  • Cadaste (sternframe) — peça análoga à roda de proa, no extremo a (art. 1.54b).
  • Buçarda (breasthook) — peça horizontal na proa/popa, de BE a BB (art. 1.54g); Pé-de-carneiro (pillar) — pilar que suporta vigas primárias (art. 1.54c).
  • Borboleta (bracket) — chapa em esquadro que liga dois perfis em ângulo, mantendo-o invariável (art. 1.54j).

Chapeamento (plating)

Fiadas principaisNo chapeamento exterior, as fiadas mais importantes são a da cinta, a do bojo e a do resbordo (art. 1.55a). Contribui p/ a resistência aos esforços longitudinais.

Anteparas (bulkheads)

AnteparaDefinição
De colisão AV
(collision bhd)
transversal estanque a contar de vante; limita entrada de água em abalroamento de proa (art. 1.55d-1).
Transversalestanque, contínua de bordo a bordo e do fundo ao convés de compartimentagem; dificulta o alagamento progressivo (art. 1.55d-2).
Diametralno plano diametral (art. 1.55d-4).
Parcial / diafragma
(swash bhd)
estende-se só em parte do tanque; com aberturas, serve de reforço (art. 1.55d-6).
Fig. 1-53
Fig. 1-53 — Escotilha com gaiuta
Anteparas transversais estanques = meio eficiente de proteção em alagamento; dividem o navio em compartimentos estanques (art. 1.55d).
Convés principalMain deck = 1º pavimento contínuo de proa a popa, de cima p/ baixo, descoberto em todo ou em parte (art. 1.56a).
  • Cobertas (tween-decks) — conveses abaixo do principal, numerados de cima p/ baixo (art. 1.56g).
  • Porão — entre o convés mais baixo e o teto do fundo duplo; no mercante, guarda a carga (art. 1.56g).
  • Tijupá — convés mais elevado da superestrutura de vante (postos de navegação); Passadiço — logo abaixo do tijupá, de onde o Comandante dirige a manobra (art. 1.56l).
  • Fig. 1-17b
    Fig. 1-17b — Perfil de um cargueiro (com legenda numerada)

Conveses "funcionais"

  • Convés resistente (strength deck) — afastado do eixo neutro; parte da estrutura resistente longitudinal (art. 1.56q).
  • Convés da borda-livre — de onde se mede a borda-livre (art. 1.56r).
  • Convés de compartimentagem — mais alto até onde vão as anteparas estruturais (art. 1.56s).
  • Convés de voo (flight deck) — na Marinha, convoo; área p/ asas rotativas = helideck (art. 1.56v).
Convés resistentede compartimentagemde borda-livre — definições distintas, embora frequentemente coincidam no convés principal (arts. 1.56q–s).

Compartimentos e tanques

  • Estanque — sem outra referência, o livro entende impermeabilidade à água (art. 1.58).
  • Tanque (tank) — compartimento estanque p/ líquidos/gases; o túnel de expansão no topo evita esforços dinâmicos e perda de estabilidade (art. 1.60).
  • Tanque de colisão (fore peak tank) — extremo a vante/ré, limitado pelas anteparas de colisão; estanque, deve permanecer vazio (art. 1.64).
  • Camarote (cabin) aloja de 1 a 4; alojamento aloja mais de 4 (arts. 1.71 / 1.77).

Fundo duplo · coferdam

  • Fundo duplo (double bottom) — fundo + teto do fundo duplo; vira tanques de lastro, água ou óleo (art. 1.59).
  • Coferdam (cofferdam) — espaço-isolante entre tanques/compartimentos, exigido por segurança (art. 1.63).
  • Túnel do eixo (shaft tunnel) — aloja a linha de eixo da praça de máquinas ao tubo telescópico; deve ser estanque (art. 1.65).
  • Paiol da amarra (chain locker) — na proa, aloja as amarras por gravidade; seção ideal circular (art. 1.68).
  • Fig. 1-58
    Fig. 1-58 — Sarilho
Não confundir: coferdam = espaço isolante entre tanques; fundo duplo = estrutura celular do fundo (arts. 1.59 / 1.63).
AberturaOnde / p/ quêInglês
Escotilhaconvés/cobertas; ar, luz, pessoal, cargahatch
Escotilhãoconvés, menor que escotilha; passagem de pessoalhatch
Agulheiropequena escotilha circular ou elíptica; serviço de paiol, praça de máquinas
Vigiacircular no costado; pode ter tampa de combate (deadlight)side scuttle
Enoracircular no convés; por onde enfurna o mastromast hole
Escovémtubo por onde gurnem as amarras, do convés ao costadohawse pipe
Embornalescoamento de água do convés; prolonga-se por uma dalascupper
Caixa de marna carena; admissão de água nas tomadas de marsea chest
  • Saídas de água (freeing ports) — retangulares na borda-falsa, portinhola que abre de dentro p/ fora; dão saída à água em mar grosso (art. 1.91).
  • Portas estanques (watertight door) — entre anteparas estanques (art. 1.130); portas de visita (manholes) — inspeção de tanques/fundo duplo (art. 1.131).
Erro alertado pelo Fonseca: não confundir saídas de água (borda-falsa) com escovéns (amarra) e embornais (convés) (art. 1.91).

Na carena

  • Bolina / quilha de balanço (bilge keel) — chapa na curva do bojo, uma por bordo; amortece a amplitude dos balanços (art. 1.103).
  • Zinco protetor — protege o aço da ação galvânica; deve ser laminado, nunca fundido (art. 1.104).
  • Pés-de-galinha (shaft brackets) — braços que suportam o eixo fora da carena, em navios de mais de um hélice (art. 1.98).

No convés · amarração · fundeio

  • Cabeços (bollards) — colunas duplas aos pares junto à amurada; volta às espias e cabos de reboque (art. 1.136).
  • Buzina (closed chocks) — peça elíptica na borda, guia dos cabos de amarração (art. 1.120).
  • Aparelho de fundear e suspender — máquina de suspender + mordente + boça da amarra + pino de braga (art. 1.154).
  • Turco (davit) — içamento p/ lançar e recolher embarcações (art. 1.181).
  • Fig. 1-52
    Fig. 1-52 — Picadeiro de embarcação
Distinção cobrada: Cabrestante = eixo vertical; Molinete (windlass) = eixo horizontal (barbotim, na proa) (arts. 1.155–1.156).
Leme = governo (art. 1.97); âncora faz presa no fundo e aguenta o navio pela amarra (arts. 1.152–1.153).
Fig. 1-54
Fig. 1-54 — Cabrestante
Fig. 1-55
Fig. 1-55 — Aparelho de governo