🧭 Resumo · Cap. 10 — Aparelho de Fundear e Suspender

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Fonseca, Arte Naval, v. 2, 8ª ed. — os Caps. 9 a 12 estão fisicamente no Volume 2 · II.01-AN · Área II do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Reúne tudo o que é preciso para prender o navio ao fundo e depois recolhê-lo: as âncoras — a bordo chamadas ferros —, as amarras, a máquina de suspender e os acessórios (manilhas, escovéns, gateiras, mordentes, boças).
Função da âncoraaguentar o navio no fundeadouro, evitando que vento, correnteza ou onda o arrastem.
Dupla qualidadefazer presa com firmeza quando largada em fundo adequado e soltar-se com facilidade quando içada pela amarra.
Peso e númeroem embarcações pequenas, o peso acompanha o deslocamento; em navios maiores, peso e número seguem as tabelas das Sociedades Classificadoras.

A cadeia física, da âncora ao paiol

âncora manilha amarra (cadeia de elos com malhete) escovém convés coroa de Barbotin buzina da amarra paiol, onde a amarra fica talingada ao casco

  • Embarcações pequenas podem usar corrente ou cabo de aço no lugar da amarra.
  • Se a âncora for do tipo patente, o escovém também aloja a haste quando ela não está em uso.
  • Máquina de suspender = motor elétrico ou sistema hidrelétrico acionando cabrestante ou molinete. A coroa de Barbotin é a gola com cavidades que prendem a amarra elo por elo para alá-la.
Entre escovém e cabrestante ficam uma ou mais boças da amarra: função = tirar o esforço de sobre o freio do cabrestante — com a âncora alojada no escovém ou com o navio fundeado e portando pela amarra. Com o mesmo propósito, o mordente, na gateira ou, mais comumente, no convés, à vante do cabrestante.
Conforme a situação, a âncora é largada pelo freio do cabrestante ou por uma das boças — as duas manobras existem e não se confundem.
Como o capítulo se organizaSeção A âncoras · Seção B amarras e acessórios · Seção C máquinas de suspender, vozes de manobra e o passo a passo de largar e suspender.
A nomenclatura se constrói sobre o modelo tipo Almirantado (Fig. 10-1), que reúne todas as partes clássicasinclusive as que os tipos modernos dispensam, como o cepo.
ParteO que é
Hastea barra robusta de ferro que forma o eixo da âncora; na extremidade mais grossa une-se aos braços, na outra tem o furo para o cavirão
Braçosos dois ramos que partem da haste — curvos no tipo Almirantado
Cruzo ponto onde a haste se une aos braços
Patasnas extremidades dos braços: superfícies triangulares (ou próximas disso). De cada pata saem três vértices
Unhao vértice exterior da pata — a parte que efetivamente penetra no fundo e prende o navio
Orelhasos outros dois vértices da pata
Noza parte ligeiramente engrossada da haste onde se enfia o cepo
Aneteo arganéu (ou manilha) cujo cavirão atravessa o furo na extremidade superior da haste — é nele que se talinga a amarra
Palmaa aresta saliente na base inferior dos braços, própria das âncoras tipo patente
Fig. 10-1
Fig. 10-1 — Âncora tipo Almirantado
Ponto que a banca inverte: a unha é o vértice exterior da pata — e o poder de garra é das patas, não da unha isolada nem da cruz.

O cepo e suas esferas

  • Barra enfiada na parte superior da haste, perpendicular aos braços.
  • Tem um cotovelo — dobra de 90° — que permite prolongá-lo junto à haste quando a âncora está fora de uso.
  • A posição perpendicular é travada por um ressalto de um lado e uma chaveta do outro.
  • Nas duas extremidades há esferas, de única função: dificultar que o próprio cepo se enterre no fundo antes de a unha aferrar — senão a âncora perderia a instabilidade que a faz virar na posição certa.

Ângulo de presa — muda de definição conforme o tipo

TipoDefiniçãoValor
Almirantadoângulo entre a superfície de uma pata e a reta que une a unha ao cavirão do anetecerca de 150°
Patenteângulo máximo entre a haste e o plano das patascerca de 45°
Olhal de equilíbrioolhal na haste de algumas âncoras antigas, posicionado de modo que a âncora fique horizontal (ou quase) ao ser içada por ele. Não é usado nas modernas — reaparece na manobra com o turco do lambareiro (art. 10.09b).
Quatro famílias aparecem a bordo: Almirantado (com cepo) · patente (sem cepo, braços articulados) · Danforth (híbrida — braços articulados e cepo) · âncoras especiais e poitas, para usos auxiliares e amarrações fixas.

Âncora tipo Almirantado

  • Foi o tipo universal desde tempos remotos até cerca de 1825, quando começou a ser substituída pelas patentemais fáceis de manobrar e arrumar.
  • Cepo perpendicular aos braços, cujo peso equivale a cerca de 1/4 do peso total da âncora.
  • As superfícies das patas ficam perpendiculares ao plano dos braços.
  • O comprimento do cepo é igual ao da haste, e a distância entre as unhas é menor — cerca de 7/10 desse comprimento.
  • Consequência dessa proporção: a âncora cai instável com o cepo em pé e vira-se ao primeiro esforço da amarra fora da vertical, pondo a unha sempre em posição de unhar.
  • Pesos usuais: 15 a 500 kg.

Âncora tipo patente (Fig. 10-2)

MartinSmithHallDunnBaldt
  • Não têm cepo.
  • A haste é articulada aos braços, geralmente por um pino que trabalha numa cavidade da cruz; o movimento permitido aos braços vai de 30° a 45° para cada lado da haste.
  • A articulação precisa ser justa o bastante para não deixar pedras entrarem na cavidade e travarem o movimento.
  • As duas patas são largas, no mesmo plano dos braços, quase paralelas à haste e próximas da cruz; o peso dos braços com as patas não pode ser menor que 3/5 do peso total.
  • A parte inferior dos braços forma a palma, aresta que se apoia no fundo e obriga os braços a mergulhar quando a amarra puxa na horizontal.
  • E: se uma pata unha, a outra unha também.
VantagemDesvantagem
facilidade de manobra e arrumação: sem cepo, a haste entra e fica alojada no próprio escovém, eliminando o aparelho complicado dos navios antigosmenor poder de unhar — compensado dando-se mais filame (art. 12.41) em fundos de tença fraca
Fig. 10-2Fig. 10-2
Fig. 10-2 — Âncoras tipo patente
Veleirospor dependerem só do aparelho de fundear (sem propulsão própria), exigem mais poder de unhar — historicamente preferiam a Almirantado. Os modernos já usam patente, mas com peso maior: a relação recomendada pelas Sociedades Classificadoras é de quatro para três (veleiro para motor), em navios de mesmo tamanho.

Âncora Danforth (Fig. 10-3)

  • Usada em navios de todas as classes e tamanhos. Braços parecidos com os da patente, porém mais compridos e afilados.
  • Cepo colocado na cruz, paralelo ao plano dos braços — dá a mesma vantagem de maior poder de unhar que o cepo dá à Almirantado, sem atrapalhar a entrada no escovém. Estivada de popa, fica sobre uma raposa.
  • Muito usada na popa de embarcações de desembarque que precisam aterrar em praias.
  • Pequena desvantagem: é mais difícil de arrancar do fundo que as demais.
  • Peso: 50 a 6.000 kg.
Poder de unhar — o erro clássico. A Almirantado não tem o maior poder de unhar entre os tipos correntes: o livro admite que o da Danforth seja 10 vezes o das patente e 3 vezes o da Almirantado de mesmo peso. A Almirantado tem poder muito superior ao das patente — e é só isso que se pode afirmar dela.
Quadro montado reunindo o que o livro descreve tipo a tipo:
TipoCepoBraçosPoder de unhar (relativo)Peso usual
Almirantadosim, perpendicular aos braços (≈1/4 do peso)fixos, curvosmuito superior ao das patente; 1/3 do da Danforth15 a 500 kg
Patentenão temarticulados, 30°–45° por ladoo menor — precisa de mais filamevariável conforme o navio
Danforthsim, na cruz, paralelo aos braçosarticulados, longos e afiladoso maior — ≈10× a patente e ≈ a Almirantado50 a 6.000 kg
Fig. 10-3
Fig. 10-3 — Âncora Danforth

Âncoras especiais e poitas — usos auxiliares e amarrações fixas

Fig. 10-4
Fig. 10-4 — Fateixa
Fig. 10-5
Fig. 10-5 — Busca-vida
Fig. 10-6
Fig. 10-6 — Gata
PeçaO que éEmprego / peso
Ancorotespequenas âncoras tipo Almirantado ou patenteembarcações miúdas ou ferro auxiliar de amarração
Fateixa — Fig. 10-4ancorote sem cepo, haste cilíndrica e quatro braços curvos com patas e unhasembarcações miúdas (10–50 kg)
Busca-vida — Fig. 10-5fateixa de quatro ou cinco braços sem pata, terminados em ponta agudarocegar (procurar) objetos perdidos no fundo, como amarras e âncoras (2–50 kg, ferro ou aço doce)
Gata — Fig. 10-6âncora tipo Almirantado com um só braço e cepo pequeno; manilha na cruz p/ um cabo que a leve à melhor posição de unharamarrações fixas (500–6.000 kg)
Cogumelo — Fig. 10-7em forma de cogumeloamarrações fixas, até 5 toneladas
Poitasblocos de ferro fundido ou concreto armado com um forte arganéuamarrações fixas — qualquer peso grande bem amarrado pode servir de poita
Fig. 10-7
Fig. 10-7 — Cogumelo
O desenho precisa satisfazer quatro requisitos:
  • (1) unhar rapidamente e aguentar firme quando o navio rabeia sobre a amarra.
  • (2) soltar-se com facilidade ao ser içada a amarra.
  • (3) resistir a entocar ou a encepar — uma âncora entocada ou encepada não fica segura.
  • (4) ser fácil de manobrar e arrumar a bordo.
TermoO que é
Entocarenrascar a amarra nos braços ou nas patas da âncora com algumas voltas — nessa condição a âncora não aguenta o navio, mesmo parecendo fundeada
Enceparenrascar a amarra no cepo
O poder de unhar depende do peso e, sobretudo, do desenho das patas.
FundoO que aguenta melhor
Areiahaste longa e patas agudas
Lamapatas largas
Compromisso: em geral, quanto maior a área da pata, melhor ela unha — mas aumentar demais essa área tira a facilidade de unhar rápido. As âncoras se classificam pelo peso.
Ao largar, o navio deve ter ligeiro seguimento para vante ou para ré, para que a amarra não caia sobre a âncora e se enrasque. A primeira parte a tocar o fundo é a cruz. Fig. 10-8.

Almirantado — a sequência no fundo

  • 1. Se a pata não unha de imediato, a âncora cai com os braços na horizontal e o cepo apoiado numa extremidade.
  • 2. As esferas do cepo impedem que ele se enterre — a âncora fica nessa posição instável.
  • 3. Ao ser freado o cabrestante, a amarra tesa e puxa a âncora, que se deita sobre o cepo, pondo a unha em posição de unhar e enterrando a pata.
  • 4. Como o braço é curvo, a pata tende a enterrar cada vez mais enquanto o esforço da amarra for horizontal ou pouco inclinado — daí a exigência de filame bem maior que a profundidade do lugar (art. 12.41), para manter esse ângulo raso.
  • 5.depois de a âncora unhar e o navio estar portando pela amarra é que se solta o freio para dar mais filame — de modo que o navio fique aguentado pelo peso da amarra, não diretamente pela âncora.
Fig. 10-8Fig. 10-8
Fig. 10-8 — Âncoras unhadas no fundo
Se o braço se soltarfundo duro ou navio rabeando rápido: a âncora rola sobre si mesma e o outro braço unha, repetindo o processo inicial. Bem largada, a Almirantado dificilmente garra.
A geometria é a chave: forma do braço + superfície da pata resistem ao esforço horizontal — um puxão nessa direção enterra mais a pata em vez de arrancá-la. Já o esforço vertical, o de suspender, usa a curvatura do braço a favor: traz a unha para cima e facilita a manobra.

Âncora sem cepo — a sequência no fundo

  • 1. Ao tocar o fundo, a âncora se deita.
  • 2. Como os braços são articulados, eles se afastam da haste e as unhas se enterramse houver esforço aproximadamente horizontal.
  • 3. Se o esforço não for horizontal — o caso mais comum — a âncora tende a rolar sobre si mesma, os braços mudam de posição em relação à haste, e esse movimento pode continuar se o fundo não for macio.
Conclusão comparativa: em igualdade de condições, a âncora sem cepo precisa de mais filame que uma Almirantado — um esforço inclinado sobre o anete tende a desprender a âncora sem cepo, enquanto o mesmo esforço na Almirantado tende a enterrar mais a pata.
As âncoras recebem nome pela função que exercem a bordo.
DenominaçãoPeso relativoPosição / uso
Âncora de leva (ferro de BE e ferro de BB)referência — as maiores em serviço pesam 10 toneladasas de serviço, na proa, perto da roda de proa, uma de cada bordo
Âncora de roça — hoje em desusomesmo peso e forma das de levaescovém logo a ré das de leva, para emergências em que as de leva garrassem ou se perdessem — os franceses a chamavam "âncora da esperança"
Âncora da rodaigual às de levana linha de centro sobre a roda de proa; substitui a de roça nos navios modernos e é a melhor opção para fundear em mau tempo, alojada no escovém da roda
Âncora de popa1/4 a 1/3 do peso das de levaamarra o navio de popa e proa em águas estreitas; escovém de ré na linha de centro, manobrada pelo cabrestante de ré — é a única âncora usada pelas embarcações de desembarque, que precisam aterrar em praia
Ancorotecerca de 1/3 do peso da âncora de popamanobras auxiliares; não têm escovém nem amarra própria, ficam estivados em picadeiros ao alcance de uma lança ou turco. Navios modernos não os levam mais

Peso da âncora de leva — fórmula empírica

Baseia-se na experiência de outros navios. A Marinha americana emprega: W = K₁ · D^(2/3)
SímboloO que éUnidade / valor
Wpeso da âncoraem libras (1 lb = 0,4536 kg)
Ddeslocamento normal do navioem toneladas
K₁coeficiente, obtido plotando pares W×D de navios diversos e traçando a curva médiavaria de 15 a 25
Duas constantes, duas fórmulas — fundi-las é o erro clássico: K₁ é da fórmula do peso da âncora e varia de 15 a 25; K (sem índice) é da fórmula da bitola da amarra e varia de 0,08 a 0,14. Uma é potência 2/3, a outra 1/3.
Navios mercantesas Sociedades Classificadoras usam tabelas próprias, também baseadas na experiência acumulada.

Material

Materiaisferro forjado, aço forjado ou aço fundidoem geral aço fundido, exceto o pino e o anete, sempre de aço forjado. Atualmente também aço inox e alumínio.

As quatro provas mecânicas, antes de entrar em serviço

ProvaComo é
Quedade uma altura de 3,65 m (12 pés) sobre plataforma de aço
Martelamentocom marreta de peso mínimo 3 kg, verificando o som característico de fundição sem fenda
Dobracorpo de prova (art. 5.8) dobrado 90° a frio sem se fender
Traçãoem máquina especial
Quem executapodem ser feitas pelo fabricante na presença de fiscal autorizado; para navios mercantes, ficam a cargo das Sociedades Classificadoras.

Marcação — Marinha do Brasil

FaceO que traz (fundido ou marcado a punção)
Uma facenúmero de série · iniciais do fiscal · nome do fabricante ou nome comercial
A outrapeso em libras · ano e mês de fabricação · iniciais MB

Marcação — as onze marcas recomendadas pela ABS (âncora patente)

  • (1) número do certificado do fiscal. (2) iniciais do fiscal da prova de tração. (3) mês e ano da prova de tração. (4) força aplicada na prova de tração.
  • (5) iniciais ABmáquina de prova reconhecida pela ABS. (6) peso da âncora em libras.
  • (7) iniciais ABbraços e patas experimentados pelo fiscal. (8) peso do braço e patas, em libras.
  • (9) iniciais do fiscal da prova de queda. (10) número da prova. (11) mês e ano da prova de queda.
  • A outra face fica reservada ao nome do fabricante ou nome comercial e a outras marcas que ele julgue necessárias.
Note a repetição proposital de AB: item (5) atesta a máquina de prova; item (7) atesta que braços e patas foram experimentados. São marcas diferentes com as mesmas letras.

Âncoras sem cepo — alojam-se no próprio escovém

  • 1. Içar a amarra até as patas encostarem bem na gola do escovém.
  • 2. Aboçar a amarra pela boça mais a vantepassando a patola num elo e apertando o macaco.
  • 3. Havendo mais boças, passam-se também, igualando os esforços entre elas.
Quem aguenta a âncoranessa posição, a própria amarra.

Âncoras tipo Almirantado — a raposa e o lambareiro

A âncora com cepo não cabe no escovém e é estivada num ressalto do costado chamado raposa.
  • Depois de içada pela amarra, é aguentada pelo aparelho de um turco — o turco do lambareiro — cujo gato, o lambareiro, engata no olhal de equilíbrio próximo à cruz, permitindo içar em posição horizontal ou quase.
  • Veleiros antigos sem olhal de equilíbrio usavam ainda um segundo turco, o turco da âncora, que aguentava a âncora pelo anete e ficava à vante do turco do lambareiro.
  • O turco do lambareiro gira em torno de um eixo vertical: atinge a raposa num extremo do setor de giro e fica disparado do costado no outro; em geral pode ser rebatido sobre o convés.
  • O aparelho do lambareiro é uma estralheira de cabo de aço, mais resistente às lupadas da manobra que o ferro.

A sequência

içar a âncora até a altura do escovém engatar o lambareiro rondar o aparelho soltar a amarra até a âncora ficar aguentada por ele girar o turco e levar a âncora à raposa

Na raposa, a âncora fica presa por duas boçasuma na cruz, outra na haste próxima ao anete —, ambas com gato de escape, para poderem ser soltas rapidamente e deixar a âncora cair longe do costado.
A amarra (art. 1.153) é a cadeia de elos com malhete que liga a âncora ao navio, usada para arriá-la, fundeá-la e içá-la. Amarras de pequena bitola, usadas em ancorotes, chamam-se amarretas.
Alternativas em embarcações pequenascorrente (cadeia de elos sem malhete), cabo de aço, ou a combinação dos dois.

Malhete — função tripla

  • O que é: o travessão que liga os lados maiores do elo.
  • (1) reduzir a chance de a amarra tomar cocas.
  • (2) aumentar a resistência do elo.
  • (3) impedir sua deformação em serviço.

Quartéis

O que sãoas seções desmontáveis que compõem a amarra. No Brasil e nos Estados Unidos, o quartel comum tem 15 braças (1 braça = 6 pés ingleses = 1,83 m).
Ligação entre quartéisas manilhas, com cavirão de tipo especial, ligam os quartéis entre si e à âncora; os elos patentes — elos desmontáveissubstituem as manilhas nessa função nas amarras modernas. Os mais comuns: elo Kenter e elo "C".

Tornel (Fig. 10-9)

  • Peça que dá à amarra liberdade de girar em relação à âncora.
  • Constituição: um olhal, um parafuso com olhal, uma porca cilíndrica e um contrapino — o parafuso serve de eixo de giro do olhal.
  • Cada amarra usa um tornel, posicionado sempre fora do alcance do cabrestante.
  • Orientação: o olhal maior fica para e o outro para vante, do lado da âncora.

Manilha da âncora (manilhão) — Fig. 10-10

  • Cavirão de seção oval reforçada, mais larga que a das manilhas comuns dos quartéis.
  • Liga a amarra ao anete: a parte curva vai no elo da amarra, o cavirão no anete.
  • O cavirão é preso por um tufo que atravessa a orelha e o próprio cavirão (ou, alternativamente, por contrapino comum).
  • O tufo pode ser de ferromais macio, sofre menos corrosão e sai mais fácil — ou de aço, nesse caso sempre galvanizado.
  • A cabeça do tufo recebe um disco de chumbo martelado sobre o alojamento, e o cavirão não se projeta para fora da manilha.
Fig. 10-9
Fig. 10-9 — Tornel

Manilha dos quartéis (navios antigos)

  • Cavirão de seção oval e tufo, semelhante ao manilhão porém menor — algumas com tufo de madeira de lei, mais fácil de retirar.
  • Orientação: parte curva voltada para a proa, cavirão para — evita que a amarra bata na gola do escovém ou prenda em obstrução do convés ao sair com velocidade.
  • Desvantagem: morde na coroa do cabrestante — por forma e por ser maior que os elos comuns.
  • Consequência: obriga os quatro elos extremos de cada quartel a terem dimensões diferentes dos demais (um deles sem malhete), para manter constante o passo da amarra (art. 10.13e) e permitir que ela gurna na coroa.
  • Por essas desvantagens, a manilha foi praticamente substituída pelos elos tipo patente na ligação dos quartéis.

Elo Kenter (Fig. 10-11a) — padrão da Marinha americana

  • Formado por duas metades iguais de elo, um malhete e um pino.
  • Cada metade termina numa ponta macho (saliência com gola) de um lado e numa ponta fêmea (rasgo em "T") do outro.
  • As metades se ajustam e ficam presas por um malhete com dois rasgos que se encaixam nos ressaltos internos; o malhete é fixado por um pino que atravessa diagonalmente as duas metades e o próprio malhete.
  • O pino, ligeiramente cônico, é protegido por um batoque de chumbo martelado sobre sua cabeça.
  • O malhete só se monta numa posição — uma seta estampada nele e outra numa metade do elo marcam a colocação correta.
  • Montagem: apenas com pressão manual (vale p/ qualquer elo patente); havendo dificuldade, muda-se a posição do malhete.
  • Antes de montar: limpar bem as superfícies de contato e passar graxa grossa. Sobressalentes ficam guardados com graxa e já montados.
  • Na amarra, confunde-se com os elos comunsmesmo tamanho, mesma forma; fabricado em aço forjado.
  • Fig. 10-10Fig. 10-10Fig. 10-10Fig. 10-10
    Fig. 10-10 — Manilhas de amarra
Fig. 10-11a
Fig. 10-11a — Elo Kenter

Elo "C" (Fig. 10-11b)

  • Pode substituir o Kentermesmo princípio construtivo.
  • Uma seção em forma de "C" (3/4 do elo) tem as extremidades em forma de cabeças cilíndricas de parafuso (fig. 10-11b); duas metades de um "T" completam o elo com malhete.
  • Fig. 10-11b
    Fig. 10-11b — Elo "C"
  • As duas seções têm recessos internos que se ajustam sobre as extremidades da seção maior, fixadas por um pino troncônico que atravessa um anel interno em cada uma e a seção maior.
  • A cabeça do pino é protegida por batoque de chumbo, como no Kenter.
  • As seções trazem marcas de colocação para não trocarem de posição relativa; mesmos cuidados de montagem e conservação do Kenter; também em aço forjado.

Quartel do tornel (Fig. 10-12)

  • Razão de existir: o tornel não pode gurnir na coroa do cabrestante.
  • Navios de guerra: quartel curto de 5 braças (9,15 m), formando o extremo da amarra ligado à âncora e terminando no tornel que se une ao primeiro quartel; elos de bitola 1/16" a 1/8" maior que os do resto da amarra.
  • Navios mercantes e outros dispensam esse quartel curto: o tornel fica a três ou quatro elos do anete, onde pode ser examinado com a âncora alojada no escovém.

Quartel longo e quartéis comuns

SituaçãoComprimentoRazão
Amarras com quartéis ligados por manilhaquartel longo logo após o do tornel40 braças (73,2 m)torna pouco provável que uma manilha passe pelo cabrestante enquanto a âncora estiver a pique
Amarras com elos patentesessa vantagem desaparece — todos os quartéis no padrão, exceto o do tornel
Padrão EUA — adotado pela Marinha brasileira15 braças (≈27,5 m)
Padrão Inglaterra12,5 braças (≈22,9 m)
Numeraçãoos quartéis são numerados a partir do tornel (que não recebe número) e servem de referência para medir quanto de amarra sai na operação de fundeio.
Regra dura: um elo defeituoso condena todo o quartel; nunca se misturam quartéis diferentes na mesma amarra.
Fig. 10-12
Fig. 10-12 — Quartel do tornel

Tipos de elos (Fig. 10-13)

Tipo de eloOnde é usado
Elo comumem todas as amarras, ao longo de todo o quartel
Elo alongado, com malheteextremidade do quartel nas amarras modernasrecebe o "U" do manilhão
Elo sem malheteextremidade de cada quartel nas amarras antigas, ligadas por manilha
Elo alongado, sem malhetequartel do tornel nas amarras antigas — recebe o "U" do manilhão
Elos sem malhetesão reforçados, com bitola maior que a dos elos comuns da mesma amarra.

Comprimento total e bitola

  • O comprimento total é dado como múltiplo do comprimento padrão do quartel, sem contar o quartel do tornel: de 6 quartéis (90 braças = 165 m) a 12 quartéis (180 braças = 330 m), conforme o porte.
  • Quem indica: estaleiros (navios de guerra) e Sociedades Classificadoras (mercantes), por tabelas próprias.
  • Bitola = diâmetro nominal do vergalhão dos elos comuns: de 3/4" a 3 1/2" com saltos de 1/16", e de 3 1/2" a 4 1/8" com saltos de 1/8".
  • Comprimento do elo comum: 6d no padrão comercial americano adotado hoje (d = bitola); o antigo padrão naval americano, hoje abandonado, usava 5,7d.

As fórmulas — Fig. 10-14

Para quêFórmulaSímbolos
Bitola da amarrad = K · D^(1/3)d em polegadas · D = deslocamento normal, em toneladas · K = coeficiente, de 0,08 a 0,14 — a tendência moderna é usar K cada vez menor, graças aos melhoramentos na confecção
Passo da amarrap = 2L − 4dL = comprimento de um elo, em polegadas · d = bitola, em polegadas. Precisa casar com o passo da coroa de Barbotin para a amarra gurnir corretamente
Peso por metroP = 0,0216 (kg/m)d = bitola em milímetros. Boa aproximação em qualquer tipo de amarra com malhete
Volume por 100 mV = 0,001 (m³ por 100 m)
Força de paradaF = 13,5 · D·V²/L kg
(ou F = 99,36 · D·V²/L libras)
D = deslocamento (na versão em libras, toneladas inglesas) · V = velocidade em nós no instante em que a força é aplicada · L = distância percorrida até parar, em metros (na versão em libras, em pés)
Comprimento × nº de elosL = 2d(1+2N) pol = 0,0508 d(1+2N) md = bitola em polegadas · N = número de elos no comprimento L
Nº de elos por comprimento dadoN = (L − 2d) / 4dé a anterior, isolando N
Limite da força de parada: F não deve exceder a resistência de trabalho da amarra — 1/4 da resistência de ruptura, se a ideia é usá-la para deter o navio quando a âncora unhar. Ultrapassado esse valor, o navio pode até parar sem dano aparente, mas a amarra fica sujeita a enfraquecimento por fadiga e pode se partir mais tarde, sob esforço bem menor.
Fig. 10-13Fig. 10-13Fig. 10-13Fig. 10-13
Fig. 10-13 — Tipos de elos ELO COMUM: Usado em todas as amarras. · ELO ALONGADO, COM MALHETE: Usado na extremidade do quartel das amarras modernas (recebe o "U" do manilhão). · ELO SEM MALHETE: Usado na extremidade de cada quartel das amarras antigas (que empregam manilhas na ligação dos quartéis). · ELO ALONGADO, SEM MALHETE: Usado no quartel do tornel das amarras antigas, recebendo o "U" do manilhão.
Filameo filame propriamente dito é tratado no art. 12.41 — aqui ficam só as fórmulas que relacionam comprimento de amarra e número de elos.
Objetivo: que o pessoal de bordo saiba a qualquer momento quanta amarra está fora. Em ambos os métodos, o quartel do tornel entra como parte do primeiro quartel.
Compr. total (braças)Compr. total (m aprox.)1º método2º método
2036,5Um elo com malhete próximo à manilha pintado de branco; uma volta de arame no malhete pintadoManilha pintada de vermelho
3564,0Dois elos com malhete próximo à manilha pintados de branco; duas voltas de arame no malhete pintado a contar da manilhaManilha pintada de branco
5091,5Três elos pintados de branco; três voltas de arame nos 3ºs malhetes pintadosManilha pintada de azul
65119,0Quatro elos pintados de branco; quatro voltas de arame nos 4ºs malhetes pintadosManilha pintada de vermelho
80146,5Cinco elos pintados de branco; cinco voltas de arame nos 5ºs malhetes pintadosManilha pintada de branco
95174,0Seis elos pintados de branco; seis voltas de arame nos 6ºs malhetes pintadosManilha pintada de azul
110201,5Etc.Etc.
125229,0Etc.Etc.
140256,0Etc.Etc.
10ª155284,0Do 10º quartel em diante a contagem branca dá lugar à cor: TODOS os elos do 10º pintados de amarelo, os do 11º de vermelho e os do 12º de preto
11ª170311,0
12ª185338,5
Duas observações fecham a tabela: (1) o comprimento total já inclui as 5 braças (9,15 m) do quartel do tornel; (2) onde se lê "manilha" deve-se entender "elo patente" nas amarras que usam esse tipo de ligação.
O livro considera o 2º método superior: no 1º, quando a amarra corre rápido ao largar o ferro, é difícil distinguir um quartel do outro sem contar desde o primeiro; no 2º, a sequência de cores identifica cada quartel pelo contraste com o adjacente — e, se aparecem elos amarelos na coroa, o oficial que manobra sabe de imediato que só resta um quartel de amarra no paiol.
Conservação das marcassempre que a posição da amarra permitir, os elos devem ser limpos e repintados com tinta fresca e bastante secante.

Material e confecção — a evolução

Fig. 10-14
Fig. 10-14 — Dimensões da amarra
MaterialComo é feitoSituação
Ferro forjadoelos de vergalhão dobrado a quente e soldado, malhetes também soldadosúnico tipo até a Primeira Guerra Mundial; confecção demorada e sujeita a deformação — hoje reservado às amarretas
Aço forjadomalhetes soldadosmais resistente, porém também de confecção demorada
Aço fundidoelo e malhete inteiriços; fundido como cadeia contínua ou em duas metades intercaladas, depois temperada e recozidaintroduzido pelo arsenal de Norfolk, adotado nos EUA para navios de guerra após 1924; o mais resistente, usado nas grandes bitolas
Aço estampadocada elo formado por duas seções estampadas — uma macho (pinos e golas), outra fêmea (alojamentos) — unidas sob pressão a quenteintroduzido pelo arsenal de Boston; empregado nas pequenas bitolas, como a dos contratorpedeiros
Aço laminadouso moderno em amarras e acessórios para amarrações offshore, inclusive tornéis e manilhas
Fig. 10-15Fig. 10-15Fig. 10-15
Fig. 10-15 — Elo de aço estampado ANTES
Detalhe cobrável do aço estampado: as duas metades ficam com resistência diferente por causa do tratamento térmico (fig. 10-15), e a amarra sempre parte pela seção fêmea; depois de pronta, nunca é recozida, pois isso afetaria a dureza das golas internas. Fig. 10-15.
Marinha do Brasilamarras todas de aço fundido (grandes bitolas) ou aço estampado (pequenas) — mais baratas, com o dobro da duração e o dobro da resistência das de ferro forjado. Usam o elo padrão comercial americano (art. 10.13c).
Por que convivem tiposamarras têm vida longa e muitas vezes são aproveitadas de navios mais antigos; ainda assim a padronização é vantajosa para a troca de quartéis e para o uso dos acessórios.

As duas provas de tração

ProvaComo é
Resistência à traçãotodos os quartéis recebem esforço de cerca de 2/3 da carga de ruptura nominal — depois dela, as amarras que não são de aço estampado vão a tratamento térmico (recozimento)
Rupturafeita num pedaço de três elos iguais aos da amarra confeccionada

Inspeção anual (elo por elo)

  • Uma vez por ano, amarras e manilhas são inspecionadas elo por elo, sobretudo nos quartéis mais usados.
  • Limpar com escova de aço · tratar as partes desmontáveis das manilhas conforme o fabricante · engraxar as partes móveis do tornel · renovar a pintura, sem raspar tinta antiga bem aderente.

Exame integral (pelo menos a cada dois anos)

BitolaComo se examina
igual ou menor que 1 1/2"basta colocá-la em aduchas no convés
maior, ou navio docadoarriar todos os quartéis no fundo do dique, destalingando do paiol e aduchando em cobros longos
  • Todos os elos e malhetes são batidos com martelosom anormal indica investigar defeito na hora.
  • Vistoriar: manilhas comuns e patentes, manilhão, tornel, pinos, contrapinos e anéis de chumbo.
  • Retirar ferrugem e material estranho, raspar tinta solta, repintar e recompor as marcas de quartel.
  • Tornéis e partes articuladas das âncoras recebem graxa grossa. Aproveita-se para tratar o paiol (art. 10.26).
  • Nessa ocasião também se pode trocar os quartéis comuns de posição relativa, para igualar o desgaste ao longo do comprimento.

Exame em serviço

  • Em tempo bom, um observador examina elos e manilhas enquanto a amarra é recolhida devagar ao suspender — percebe-se fenda acidental e confirma-se a visibilidade das marcas.
  • Em fundeadouro de areia limpa, abrigado e com espaço para girar, pode-se dar atrás devagar e deixar sair toda a amarra para lavá-la e examiná-la.
  • Em fundo de lama, a amarra deve ser bem lavada com esguicho à medida que entra no escovém.
  • Sempre que reparada, limpa ou raspada, a amarra é repintada — a melhor tinta é o piche.
  • Todo reparo, inspeção e vistoria, com data, consta do Diário Náutico (mercantes) ou do Livro do Navio (navios de guerra).

Recozimento e condenação

AmarraRecozimento
Ferro forjado, navios de guerraapós 100 usos (quartel do tornel) ou 200 usos (demais quartéis)
Ferro forjado, mercantes e auxiliareslimites sobem para 200 e 400 usos, respectivamente
Aço forjado e aço fundidonão precisam de recozimento periódico, exceto depois de reparo
Aço estampadonunca são recozidas
Critério de condenação: além dos defeitos mecânicos evidentes — malhetes soltos, contrapinos corroídos —, a amarra é insatisfatória e precisa de reparo imediato quando a bitola de qualquer elo cai a 90% do valor nominal; então se adquire amarra nova ou, no mínimo, substituem-se os quartéis defeituosos.
Marcas do fabricantecada quartel traz, estampado/fundido/a punção, nos lados internos dos dois elos terminais: número de série · nome comercial · data de fabricação · bitola. Se a amarra for de aço fundido, o número de série vem precedido das letras CS (cast steel).
A amarra faz parte de um aparelho desenhado para aguentar o navio nas piores condições de tempoqualquer distração pode custar acidente pessoal ou material, a perda da âncora e da amarra, ou o encalhe e o abalroamento do navio.

Buzina da amarra

AspectoRegra
O que éo tubo por onde a amarra passa do convés ao paioluma por amarra, geralmente de aço fundido, seção circular
Diâmetroigual a 7 ou 8 vezes a bitola da amarra
Direçãovertical ou inclinada de 10° a 15° para ré
Fixaçãoao convés numa extremidade e ao teto do paiol na outra
Gateiraa abertura no convés (ou a própria extremidade do tubo ali)
Gola da buzinaa extremidade inferior
Buchatampa da gateira, com rasgo do tamanho da bitola de um elo, para impedir que a água dos golpes de mar na proa entre no paiol

Boças da amarra (Fig. 10-16) — as seis finalidades

As boças aguentam a amarra pelo seio, tirando o esforço de tração da coroa da máquina de suspender.
  • (1) aguentar a amarra com o navio fundeado ou com a âncora no escovém em viagem, para não sobrecarregar o freio do cabrestante.
  • (2) aguentar a âncora e o quartel do tornel quando a amarra é usada para reboque.
  • (3) aguentar a amarra ao retirá-la da coroa para colocar outra amarra a alar.
  • (4) aguentar a amarra ao passar o anilho de amarração.
  • (5) aguentar a âncora e o quartel do tornel ao colocar os quartéis sobre o convés para inspeção (art. 10.17a).
  • (6) largar o ferro com máxima rapidez — usada quando vários navios devem fundear em formatura ao mesmo sinal, já que o freio do cabrestante não permite soltar a âncora instantaneamente.
Tipo de boçaConstituição
Boça de corrente — hoje a mais usadapedaço de corrente com manilha numa ponta (passada num olhal do convés) e um gato de escape especial, a patola, na outra, destinada a prender a amarra por um dos elos
Boça com macaco (navios modernos)o macaco ajusta o aperto ao passar a boça e iguala as tensões quando há mais de uma boça na mesma amarra
Boça de cabo — navios muito pequenospedaço de cabo grosso de cerca de 2 m: um extremo alceado a um gato com sapatilho (ou manilha) para o olhal do convés; o outro com uma pinha de boça que leva um cabo fino chamado fiel — o fiel enleia a amarra com voltas redondas e prende o chicote a um dos elos
Fig. 10-16Fig. 10-16Fig. 10-16
Fig. 10-16 — Boças da amarra (a) Boça de corrente · (b) Boça com macaco · (c) Boça de cabo
  • Os macacos precisam de bastante graxa; sentir pela chave que aperta o macaco é como se percebe se ele já está suportando a amarra.
  • As boças ficam quase alinhadas com a direção da amarra que servem; o número depende do naviocontratorpedeiros antigos usavam uma boça por amarra, com 90% da resistência dela.
  • A manobra de passar a boça na amarra chama-se aboçar a amarra.

Mordente (Fig. 10-17)

Onde e para quêfixado ao convés, na linha de trabalho da amarra entre o cabrestante e o escovém, para aguentá-la ou sustá-la de pronto. Hoje pode ser dispensado onde cabrestantes e guinchos já têm freio próprio.
Fig. 10-17
Fig. 10-17 — Mordente
As três peças do mordente comumO que faz
Corpobase com gorne longitudinal que guia os elos
Dado (ou bloco)peça que sobe e desce por uma came: levantado, deixa a amarra correr livre em qualquer sentido; abaixado, prende-a por um elo
Chave do mordentealavanca que aciona a came e abre ou fecha o mordente

Mordente de alavanca (Fig. 10-18)

  • Fica na gateira ou na gola da buzina: alavanca curva, presa por uma extremidade a um pino fixo, com um olhal na outra.
  • O olhal recebe um macaco que, engatado, força a alavanca contra o contorno da gateira (ou gola da buzina), estrangulando a amarra e prendendo-a quando ela não está em uso.
  • Fig. 10-18
    Fig. 10-18 — Mordente de alavanca
  • A manobra se faz do teto da coberta imediatamente abaixo do convés de proa; o macaco pode ser substituído por talha ou teque.

Abita (art. 1.159) — Fig. 10-19

  • Fica entre o escovém e o cabrestante, na linha de trabalho da amarra.
  • Nela a amarra pode ser encapelada com uma volta redonda chamada capelo, sempre com o ramo que vai para a gateira por cima.
  • A amarra descansa nas tetas, as nervuras salientes da abita.
  • Navios modernos dispensam esse acessório.
Fig. 10-19
Fig. 10-19 — Abita

Escovém (Fig. 10-20) — as três partes

ParteO que é
Golaparte saliente do costado, de aço fundido
Tubode chapa de aço
Beijoparte que sai do convés, de chapa de aço ou fundida
Desgastena gola e no beijo, os locais mais desgastados recebem solda dura.
Dupla funçãopassagem para a amarra e, se a âncora for tipo patente, também alojamento para ela.
TipoComo éOnde
Escovém curtotubo pouco maior que a haste, de modo que a âncora alojada não deixa o anete acima do convés nem as patas projetadas acima da linha de proa; inclinação de cerca de 45° com o plano horizontalo usual nos navios de guerra
Escovém largoquase verticalalguns mercantes de marcha vagarosa
Por que o curtomantém a âncora acima da linha-d'água, reduzindo o mar de bater nela e lançar borrifos sobre o castelo em alta velocidade.
CotaValor
Distância da saída no convés ao bico de proaentre 1/20 e 1/30 do comprimento do navio, deixando espaço para as manobras de amarração
Diâmetro mínimo do tubo8d (d = bitola da amarra)
Raio mínimo de curvatura no beijo16d
Raio mínimo de curvatura na gola10d
  • Assim como a gateira, o escovém tem uma bucha no beijo contra a entrada de água dos golpes de mar, retirada só para as manobras do ferro.
  • A amarra, ao ser arriada, deve assentar uniformemente ao longo do tubo.
  • A âncora alojada deve tocar o navio em pelo menos três pontos, ajustável pelo macaco da boça da amarra.
  • Alguns navios têm, junto à gola, um recesso chamado raposa para alojar a cruz e as patas sem deixar nada projetado para fora do costado.
Fig. 10-20
Fig. 10-20 — Ferro no escovém

Paiol da amarra (Fig. 10-21)

  • Onde fica: compartimento numa coberta sob o cabrestante ou molinete, geralmente contíguo (a ré) da antepara de colisão.
  • Anteparas fortes o bastante para resistir aos choques e ao desgaste da amarra; um mesmo compartimento para mais de uma amarra é dividido em seçõescada uma constituindo um paiol —, e as divisórias que não chegam ao teto terminam em meia-cana.
  • Fundo: revestido de cimento e uma camada de 1/4" de betume, sobre a qual assenta um estrado de barras de aço.
  • Drenagem para uma caixa de lama no fundo, com acesso para limpeza. Anteparas e teto recebem zarcão ou betume.

chicote do último quartel passa por um arganéu no fundo do paiol, o paixão preso a um gato de escape fixo ao teto (ou à antepara de ré junto ao teto) esse gato de escape (ou manilha) chama-se braga e deve ser mais forte que a manilha de ligação dos quartéis

Talingar × destalingarTalingar = fixar a amarra, amarreta ou virador ao anete de qualquer âncora, ancorote, fateixa ou ao braga. Destalingar = o inverso.
Volume ocupado pela amarraSímbolos
V = L·d² / c (pés cúbicos)L = comprimento da amarra, em braças (1 braça = 1,83 m) · d = bitola, em polegadas (1 pol. = 2,54 cm) · c = coeficiente de arrumação: c = 3 arrumação cuidadosa, c = 2 arrumação grosseira · 1 pé cúbico = 0,028 m³
Fig. 10-21
Fig. 10-21 — Paiol da amarra
O volume do paiol deve ser pelo menos 1,5 V. Um paiol alto e estreito é preferível a um baixo e largo, porque a amarra, ao descer, forma aduchas irregulares e curtas.
A amarra deve descer do mesmo modo que sairá quando alada pela coroa — o ideal é deixá-la se arrumar sozinha ao cair. Só quando ela é totalmente ou quase totalmente retirada para limpeza ou reparo em dique é que se manda um homem arrumar os primeiros cobros no sentido longitudinal do navio, para a aducha não bater no teto.

Boia de arinque (Fig. 10-22)

Boia cônica pequena que marca o local onde a âncora foi fundeada. Um dos vértices tem arganéu, ao qual se amarra um cabo fino de fibra — o próprio arinque — cuja outra ponta vai à âncora.
FunçãoDetalhe
indicar a posição do ferro em relação ao navio
localizar a âncora se esta se perderé o que a torna imprescindível na emergência abaixo
Cores (por convenção)boia do ferro de boreste pintada de verde; a do ferro de bombordo, de encarnado.
  • Tamanho da boia: não depende do tamanho da âncora, mas do espaço disponível no paiol e do comprimento do arinque — uma fragata recebe boia maior que um navio-patrulha.
  • Comprimento do arinque: depende do fundo em que o navio costuma fundear — por exemplo, 10 m para um navio-patrulha e 25 m para uma fragata.
  • Não pode ser menor que o fundo, nem deve ser muito maior; recomenda-se 1 1/3 do fundo da água, cobrindo variação de maré e corrente, folga do cabo, ou um fundo real maior que o indicado na carta (ferro afundado na lama).
  • Comprido demais: deixa a boia se afastar muito da posição real da âncora. Se ficar comprido para o fundo, encurta-se com um catau.
Onde se amarra o arinque — ponto que a banca troca: à haste ou a um dos braços da âncora, com volta de fiel e cote, abotoando o chicote. Algumas âncoras têm as patas furadas para passar um pedaço de corrente, ao qual o arinque se amarra — a corrente resiste melhor ao desgaste do fundo. À boia, prefere-se amarrar com uma volta de fateixa.

Antes de fundear e na emergência

  • Ajustar o comprimento do arinque ao fundo esperado: o Encarregado de Navegação informa a profundidade aproximada ao Oficial de Manobra na proa (ou ao Mestre).
  • A boia com o arinque é lançada na água o mais longe possível do costado ao largar o ferro.
  • Emergência extrema por mau tempo: se não for mais rápido recolher toda a amarra e a âncora, o Comandante pode deixá-las no fundo, destalingando a amarra no paiol ou abrindo uma manilha de ligação — e, nesse caso, a boia de arinque é indispensável para depois recuperar a âncora e a amarra.
Fig. 10-22
Fig. 10-22 — Boia de arinque
Máquina a vapor, motor elétrico ou sistema hidrelétrico acionando a coroa de Barbotintambor com recessos e dentes na periferia que prendem os elos, exercendo força suficiente para içar a âncora com a amarra.
Eixo da coroaNome da máquina
VerticalCabrestante
HorizontalMolinete
Embreagem da coroaQuando
Liga-se (rigidamente presa ao eixo)para içar o ferro, arriá-lo sob máquina ou rondar a amarra
Desliga-se (gira louca)para largar o ferro ou dar mais filame
Saiatambor liso junto à coroa, rigidamente ligado ao mesmo eixo (sempre presa por chaveta), usado para alar as espias. A coroa liga-se ao eixo geralmente por embreagem de fricção.
Requisito do motorprecisa de inversão de marcha e variação de velocidade. Em geral: navios de guerra → cabrestante; mercantes → molinete.

Coroa de Barbotin e transmissões

  • Roda fundida de periferia côncava e dentes, onde cada elo é momentaneamente preso durante o movimento.
  • A amarra precisa dar pelo menos meia-volta em torno da coroa, para que ao menos três elos engrazem nela.
  • Cada coroa serve só a um tipo e tamanho de elo.
  • Transmissões possíveis: roda dentada e parafuso sem fim · engrenagens cilíndricas (roda dentada e rodete) · transmissão hidráulica.
TransmissãoEficiênciaIrreversibilidade mecânica
Parafuso sem fim — ângulo da hélice menor que 13°pouco eficientesim — o eixo do cabrestante só se move acionado pelo parafuso, ou fica travado por ele (não confundir com inversão de marcha)
Roda dentada e rodeteeficientenão tem
Hidráulicacombina bomba elétrica + roda dentada e rodete

Freio — o ponto que a banca cobra

Freio mecânicoaperta uma cinta de aço forjado, em anel, sobre um flange da coroa — o aperto é feito por parafuso comandado por volante ou por alavanca.
Boça × freio. Bem apertada e conservada, a cinta aguenta o peso do ferro e da amarra, mas não serve para reduzir a velocidade da amarra saindo sob o peso do ferro ao fundear, nem para aguentar a amarra com o navio no mar e o ferro em cima — essa função é das boças da amarra. Usar o freio para segurar o navio fundeado, no lugar delas, é usar o aparelho fora da função para a qual foi calculado.
Freio elétricoguinchos elétricos de engrenagem cilíndrica podem tê-lo: entra em ação assim que falta corrente — geralmente discos de fricção mantidos afastados por um eletroímã, ou apertados por molas quando a corrente falta.

Saia, embreagens e manobra manual

  • A saia monta-se no mesmo eixo da coroa e serve às manobras de espias ou a qualquer manobra de cabo que exija grande esforço; nos cabrestantes de máquina de suspender fica por cima da coroa, disfarçando-a — embora a coroa seja ali a peça principal.
  • A principal embreagem liga a coroa ao eixo, acionada por um volante que gira cerca de 60° para apertar ou soltar, com um pino para travar a peça móvel em qualquer das posições-limite. Algumas máquinas têm outra embreagem, entre o motor e o eixo.
  • Em emergência, cabrestantes podem ser movidos à mão por barras de madeira encaixadas radialmente nas casas das barras — aberturas quadrangulares no chapéu (parte superior da saia, ou da coroa se não houver saia). Era antigamente o único meio de mover o cabrestante.
  • Alguns guinchos pequenos usam, em vez disso, um eixo desmontável com volante, adaptado por fora do eixo da coroa.
  • Linguetes: na manobra manual, pequenas barras de ferro presas por um pino na gola da coroa (ou da saia, se não houver coroa), cuja outra ponta desliza pelos dentes de uma coroa de ferro fixa no convés, travando o movimento contra o sentido em que estão orientados — impedem a coroa de girar em sentido contrário sob a ação da amarra se o esforço dela superar o do pessoal. Pinos na gola os mantêm suspensos quando não são necessários, como no movimento a motor.

Cabrestante × molinete

CaracterísticaCabrestanteMolinete
EixoVerticalHorizontal
Uso mais comumNavios de guerraNavios mercantes
Motivoreduz obstruções à linha de tiro no convésaproveita ao máximo o volume interior do navio
Construçãocoroa/saia no convés; motor uma a duas cobertas abaixo, mais protegidoum só bloco, todo o equipamento sobre o mesmo jazente no convés
Amarras atendidasuma coroa de Barbotin por amarrageralmente duploduas coroas e duas saias, às vezes no mesmo eixo, um guincho para duas amarras
Pode ter aindaoperado à mão, a motor ou pelos dois, com linguetes na basecoroa, saia, ambas, ou ainda um sarilho
Uso do termo"máquina de suspender" aplica-se a cabrestantes e molinetes desenhados especificamente para suspender ferro e amarra, com a coroa como peça principal, montados na proa (às vezes também na popa). Cabrestantes e guinchos comuns, para outros fins, não têm coroa — sua peça principal é a saia. Fonseca prefere manter o termo no sentido amplo (motor + coroa), já que é o motor acionando a coroa que de fato suspende o ferro.

Os três tipos de máquina — Figs. 10-23a, 10-23b, 10-23c

Fig. 10-23a
Fig. 10-23a — Máquina de suspender a vapor
Fig. 10-23b
Fig. 10-23b — Máquina de suspender elétrica
TipoA favorContra / detalhes
A vapor (Fig. 10-23a)atende bem ao serviço; guincho duplo, cilindro reversível, válvula de distribuição em "D", vapor por válvula de garganta, eixo acionado por roda dentada e parafuso sem fim (com irreversibilidade)baixo rendimento · grande peso · demora para aquecer · depende de longas canalizações de vapor, vulneráveis a avaria e congelamento
Elétrica (Fig. 10-23b)melhor rendimento que a a vapor; cabos mais fáceis de levar à proa por zonas protegidasprecisa ser de corrente contínua, grande e pesado, para arrancar a âncora do fundo; mais caro. Motor totalmente estanque à água e com variação de velocidade; comando por reostato de partida
Hidrelétrica (Fig. 10-23c)o sistema mais eficiente; motor de alta velocidade, portanto pequeno (CC ou CA), a regime constanteo mais caro de instalar
Fig. 10-23c
Fig. 10-23c — Máquina de suspender elétro-hidráulica
  • Molinete a vapor: pode alar as duas amarras juntas ou separadas; os ferros podem ser largados independentementepelas boças (com freios e embreagens soltos), pelos freios mecânicos (com boças e embreagens soltos), ou pela própria máquina (com as coroas embreadas) —, mas a manobra usual é fundear com um só ferro, largando-o pelo freio.
  • Comandos a vapor: válvula de garganta, que regula a velocidade admitindo vapor, e válvula de distribuição, por alavanca de mão, que inverte o sentido ou para a máquina.

A transmissão hidráulica — as duas partes

LadoNomeO que faz
ATransmissoracionado diretamente pelo motor, funcionando a velocidade e sentido constantes — uma bomba que fornece certo débito de líquido a determinada pressão
BReceptoraciona o rodete de engrenagem do eixo da coroa (ou saia) com o líquido recebido do transmissor
Para variar velocidade ou sentido, controla-se apenas uma placa oscilante do lado A, que regula débito e sentido do fluido e, com isso, velocidade e direção do lado B. Vantagens somadas: motor pequeno a regime constante + transmissão que opera em qualquer sentido com ampla variação de velocidade e alto rendimento + engrenagem cilíndrica (mais eficiente que a de parafuso sem fim) sem perder a irreversibilidade mecânica.

As três fases de suspender — e o que a máquina precisa entregar

FaseO que éExigência
recolher o excesso de amarra
arrancar a âncora do fundoexige força de 5 a 10 vezes o peso da âncora
içar o ferroas especificações americanas exigem que um ferro com 60 braças (110 m) de amarra seja içado à razão de 6 braças (11 m) por minuto
Requisitos daí decorrentesalém de segurança, leveza e facilidade de manobra, a máquina precisa desenvolver alto conjugado motor a baixa velocidade (2ª fase) e ter ao menos duas velocidades, para atender bem à 1ª e à 2ª fase. Construção robusta, apesar do uso intermitente e por pouco tempo. Navios pequenos podem operá-la à mão; navios grandes, sempre mecanicamente.

Condução e conservação — máquina parada

  • Engrenagens, copos de lubrificação e demais partes lubrificadas ficam limpas e livres de poeira e água, inspecionadas em intervalos não maiores que três meses.
  • Usam-se só os lubrificantes indicados pelo fabricante ou pelas especificações da Marinha.
  • Uma vez por ano, a máquina é desmontada e copos, mancais e rolamentos são lavados com tetracloreto de carbono (ou querosene, na falta) antes de receber lubrificante novo, sem excesso — sobretudo em motor elétrico.
  • Um motor de indução deve operar dentro de 10% da voltagem nominal da placa, já que voltagem baixa aquece o motor.
  • Em guincho a vapor, faz-se a purgação da rede e do cilindro logo após parar a máquina.

Antes de dar partida

  • Não se experimenta a máquina sem autorização superior e sem avisar o Departamento de Máquinas.
  • Óleo e graxa em todos os mancais e partes móveis, conforme fabricante e especificações, substituindo óleo impuro.
  • Na primeira partida, movimentar a máquina sem carga para lubrificar mancais e engrenagens.
  • Havendo embreagem de dado (macho e fêmea), movimentar devagar para fazer coincidir os dados.
  • Em máquina a vapor, fazer o aquecimento e as purgações necessárias.
Quem responde pelo quê: o Oficial responsável por âncoras, amarras, máquinas e espias mantém o Livro Histórico em dia. O Mestre garante o aparelho sempre pronto para uso, em porto ou em viagem. Com o navio fundeado, o Oficial encarregado mantém o Imediato ciente das condições de amarração e as modifica com o assentimento do Comandante; o Oficial de Serviço conhece sempre a condição da âncora, da amarra e do aparelho. Perto de cais, docas, em canal estreito ou sondando águas rasas, o aparelho de fundear pode se tornar necessário sem aviso — os ferros ficam prontos a largar e as espias prontas.

Vozes de comando

Ao fundear Postos de fundear! Preparar para fundear! Larga o ferro! Como diz a amarra? Qual o filame? (O navio) está portando pela amarra? Volta aos postos!

Ao suspender Postos de suspender! Preparar para suspender! Recolhe (o excesso de) amarra! Iça o ferro! Como diz a amarra? Como diz o ferro? Qual o filame? (O navio) está portando pela amarra? Volta aos postos!

Vozes de execuçãotanto ao fundear quanto ao suspender: (Ferro) pronto (a largar, ou a suspender)!Pronto para dar volta!Amarra aboçada!
Vozes de informação sobre o filameacompanham a passagem de cada manilha (ou elo patente) pelo escovém, pelo lume d'água ou pela gateira — p. ex., "Primeira manilha passou no escovém! Saíram dois quartéis!".

Como diz a amarra — direção em relação ao navio

VozSituação
A pique de estaiamarra paralela (ou quase) ao estai de vante do mastro
A piqueperpendicular à superfície da água
Dizendo para vante (ou para ré, ou para o través)paralela a uma dessas direções
Dizendo para BE (ou BB)aponta para o bordo contrário ao do escovém da amarra
Portando (ou não portando) pela amarraconforme o navio esteja ou não exercendo esforço sobre ela

Como diz o ferro — na ordem em que ocorre ao suspender

VozSituação
Arrancou!o ferro deixa o fundo — a amarra fica vertical e sob tensão
A olho!o anete surge à superfície da água
Pelos cabelos!a cruz está saindo da água
Em cima!o anete chega ao escovém
No escovém!o ferro está alojado no escovém

Largar o ferro pelo freio mecânico — os dezessete passos, na ordem do livro

  • 1. O Comandante dá a ordem de Postos de Fundear.
  • 2. Dá a ordem de Preparar para Fundear.
  • 3. Pede-se energia para a máquina de suspender (vapor ou energia elétrica).
  • 4. Executam-se as manobras de preparo (art. 10.32b).
  • 5. Prepara-se a boia de arinque (art. 10.27).
  • 6. Soltam-se o mordente e todas as boças, deixando a amarra aguentada só pela máquina, com o freio mecânico apertado.
  • 7. Certifica-se de que o ferro não está preso ao escovém — se estiver, desaperta-se o freio e vira-se a máquina o suficiente só para arriar um elo, batendo nele com a marreta.
  • 8. Dá-se ordem para todo o pessoal ficar safo da amarra, no convés e nas cobertas abaixo.
  • 9. Aperta-se bem o freio e desliga-se a embreagem da coroa.
  • 10. Dá-se a voz de Ferro Pronto.
  • 11. O Comandante dá a ordem de Larga o Ferro.
  • 12. Abre-se o freio, girando o volante o mais rápido possível.
  • 13. Enquanto a amarra corre, informam-se ao Comandante os dados do art. 10.34c, mantendo-o ciente da situação do ferro e da amarra.
  • 14. O Comandante pode fazer as perguntas do art. 10.34a(1).
  • 15. Dá a ordem de Volta aos Postos.
  • 16. Aperta-se de novo o freio e fecha-se o mordente.
  • 17. Desliga-se a energia da máquina.

Largar o ferro por uma das boças

Quando: em navios de guerra, para fundear num ponto rigorosamente determinado ou em formatura a um sinal combinado — a largada precisa ser praticamente instantânea, o que o freio mecânico não garante. Substituem-se quatro dos passos da manobra pelo freio:
  • a) Soltam-se o mordente e todas as boças, exceto uma — a mais próxima do escovém.
  • b) Certifica-se de que a âncora não está presa ao escovém — se estiver, alivia-se a amarra do paiol para o convés, até um ponto logo a ré da boça passada, usando o garfo da amarra (vergalhão com gancho numa ponta, sempre à mão).
  • c) Retira-se o pino de segurança da patola da boça em que a amarra está aboçada, mantendo um homem pronto com marreta para soltar o elo de travamento à ordem.
  • d) Ao comando, abre-se a patola com a marreta, soltando o elo.

Suspender o ferro — os vinte passos

  • 1. Ordem de Postos de Suspender. 2. Ordem de Preparar para Suspender. 3. Pede-se energia para a máquina. 4. Manobras de preparo (art. 10.32b).
  • 5. Ligam-se a mangueira e o esguicho e pede-se pressão na rede de água salgada, para lavar a amarra.
  • 6. Liga-se a embreagem da coroa. 7. Desliga-se o mordente, soltam-se as boças e o freio mecânico.
  • 8. Recolhem-se três ou quatro elos para testar o funcionamento e aperta-se o freio de novo.
  • 9. Comunica-se ao passadiço a voz de Pronto para Suspender.
  • 10. Pouco antes da hora marcada, o Comandante (ou, mais comumente, o Oficial de Serviço) dá a ordem de Recolher a Amarra, determinando o filame a manter conforme o fundoo suficiente apenas para o ferro não garrar.
  • 11. O Comandante dá a ordem de Içar o Ferro. 12. Solta-se o freio e vira-se a máquina na velocidade da fase de arrancar o ferro.
  • 13. Enquanto a amarra sobe, informam-se ao Comandante os dados do art. 10.34c, podendo haver ordem de deixar certo filame ou içar tudo — geralmente as informações de filame chegam quando as marcas da amarra aparecem ao lume da água.
  • 14. Tirar toda a sujeira da amarra, passando o jato d'água elo por elo, por fora do escovém, sem jogar borrifos no castelo.
  • 15. Em fundo de muita lama, convém içar na menor velocidade possível (solicitando permissão ao passadiço), em vez de deixar a amarra suja entrar no paiol.
  • 16. Limpa, pode-se acelerar a içada desde que o ferro já tenha arrancado e até chegar em cima.
  • 17. Cumpre-se o item 3 do art. 10.17 (observador nos elos e manilhas).
  • 18. Voz de Ferro em Cima, lavando-o bem com o esguicho e encostando-o devagar ao escovém para evitar batida. Depois, voz de Ferro no Escovém.
  • 19. O Comandante dá a ordem de Volta aos Postos.
  • 20. Aperta-se o freio mecânico, aboça-se a amarra e fecha-se o mordente.
Os procedimentos da Marinha do Brasil para as fainas de fundear e suspender estão detalhados no Capítulo 12, artigos 12.42 a 12.45.

Onde este capítulo encontra a legislação

O Fonseca dá o aparelho e a manobra de fundear. A parte normativa do fundeio — onde se pode fundear em águas jurisdicionais brasileiras, comunicação e permanêncianão é deste livro: é da NORMAM-204/DPC, que tem produto próprio no Wappy.