A cadeia física, da âncora ao paiol
âncora › manilha › amarra (cadeia de elos com malhete) › escovém › convés › coroa de Barbotin › buzina da amarra › paiol, onde a amarra fica talingada ao casco
- Embarcações pequenas podem usar corrente ou cabo de aço no lugar da amarra.
- Se a âncora for do tipo patente, o escovém também aloja a haste quando ela não está em uso.
- Máquina de suspender = motor elétrico ou sistema hidrelétrico acionando cabrestante ou molinete. A coroa de Barbotin é a gola com cavidades que prendem a amarra elo por elo para alá-la.
| Parte | O que é |
|---|---|
| Haste | a barra robusta de ferro que forma o eixo da âncora; na extremidade mais grossa une-se aos braços, na outra tem o furo para o cavirão |
| Braços | os dois ramos que partem da haste — curvos no tipo Almirantado |
| Cruz | o ponto onde a haste se une aos braços |
| Patas | nas extremidades dos braços: superfícies triangulares (ou próximas disso). De cada pata saem três vértices |
| Unha | o vértice exterior da pata — a parte que efetivamente penetra no fundo e prende o navio |
| Orelhas | os outros dois vértices da pata |
| Noz | a parte ligeiramente engrossada da haste onde se enfia o cepo |
| Anete | o arganéu (ou manilha) cujo cavirão atravessa o furo na extremidade superior da haste — é nele que se talinga a amarra |
| Palma | a aresta saliente na base inferior dos braços, própria das âncoras tipo patente |
O cepo e suas esferas
- Barra enfiada na parte superior da haste, perpendicular aos braços.
- Tem um cotovelo — dobra de 90° — que permite prolongá-lo junto à haste quando a âncora está fora de uso.
- A posição perpendicular é travada por um ressalto de um lado e uma chaveta do outro.
- Nas duas extremidades há esferas, de única função: dificultar que o próprio cepo se enterre no fundo antes de a unha aferrar — senão a âncora perderia a instabilidade que a faz virar na posição certa.
Ângulo de presa — muda de definição conforme o tipo
| Tipo | Definição | Valor |
|---|---|---|
| Almirantado | ângulo entre a superfície de uma pata e a reta que une a unha ao cavirão do anete | cerca de 150° |
| Patente | ângulo máximo entre a haste e o plano das patas | cerca de 45° |
Âncora tipo Almirantado
- Foi o tipo universal desde tempos remotos até cerca de 1825, quando começou a ser substituída pelas patente — mais fáceis de manobrar e arrumar.
- Cepo perpendicular aos braços, cujo peso equivale a cerca de 1/4 do peso total da âncora.
- As superfícies das patas ficam perpendiculares ao plano dos braços.
- O comprimento do cepo é igual ao da haste, e a distância entre as unhas é menor — cerca de 7/10 desse comprimento.
- Consequência dessa proporção: a âncora cai instável com o cepo em pé e vira-se ao primeiro esforço da amarra fora da vertical, pondo a unha sempre em posição de unhar.
- Pesos usuais: 15 a 500 kg.
Âncora tipo patente (Fig. 10-2)
- Não têm cepo.
- A haste é articulada aos braços, geralmente por um pino que trabalha numa cavidade da cruz; o movimento permitido aos braços vai de 30° a 45° para cada lado da haste.
- A articulação precisa ser justa o bastante para não deixar pedras entrarem na cavidade e travarem o movimento.
- As duas patas são largas, no mesmo plano dos braços, quase paralelas à haste e próximas da cruz; o peso dos braços com as patas não pode ser menor que 3/5 do peso total.
- A parte inferior dos braços forma a palma, aresta que se apoia no fundo e obriga os braços a mergulhar quando a amarra puxa na horizontal.
- E: se uma pata unha, a outra unha também.
| Vantagem | Desvantagem |
|---|---|
| facilidade de manobra e arrumação: sem cepo, a haste entra e fica alojada no próprio escovém, eliminando o aparelho complicado dos navios antigos | menor poder de unhar — compensado dando-se mais filame (art. 12.41) em fundos de tença fraca |
Âncora Danforth (Fig. 10-3)
- Usada em navios de todas as classes e tamanhos. Braços parecidos com os da patente, porém mais compridos e afilados.
- Cepo colocado na cruz, paralelo ao plano dos braços — dá a mesma vantagem de maior poder de unhar que o cepo dá à Almirantado, sem atrapalhar a entrada no escovém. Estivada de popa, fica sobre uma raposa.
- Muito usada na popa de embarcações de desembarque que precisam aterrar em praias.
- Pequena desvantagem: é mais difícil de arrancar do fundo que as demais.
- Peso: 50 a 6.000 kg.
| Tipo | Cepo | Braços | Poder de unhar (relativo) | Peso usual |
|---|---|---|---|---|
| Almirantado | sim, perpendicular aos braços (≈1/4 do peso) | fixos, curvos | muito superior ao das patente; 1/3 do da Danforth | 15 a 500 kg |
| Patente | não tem | articulados, 30°–45° por lado | o menor — precisa de mais filame | variável conforme o navio |
| Danforth | sim, na cruz, paralelo aos braços | articulados, longos e afilados | o maior — ≈10× a patente e ≈3× a Almirantado | 50 a 6.000 kg |
Âncoras especiais e poitas — usos auxiliares e amarrações fixas
| Peça | O que é | Emprego / peso |
|---|---|---|
| Ancorotes | pequenas âncoras tipo Almirantado ou patente | embarcações miúdas ou ferro auxiliar de amarração |
| Fateixa — Fig. 10-4 | ancorote sem cepo, haste cilíndrica e quatro braços curvos com patas e unhas | embarcações miúdas (10–50 kg) |
| Busca-vida — Fig. 10-5 | fateixa de quatro ou cinco braços sem pata, terminados em ponta aguda | rocegar (procurar) objetos perdidos no fundo, como amarras e âncoras (2–50 kg, ferro ou aço doce) |
| Gata — Fig. 10-6 | âncora tipo Almirantado com um só braço e cepo pequeno; manilha na cruz p/ um cabo que a leve à melhor posição de unhar | amarrações fixas (500–6.000 kg) |
| Cogumelo — Fig. 10-7 | em forma de cogumelo | amarrações fixas, até 5 toneladas |
| Poitas | blocos de ferro fundido ou concreto armado com um forte arganéu | amarrações fixas — qualquer peso grande bem amarrado pode servir de poita |
- (1) unhar rapidamente e aguentar firme quando o navio rabeia sobre a amarra.
- (2) soltar-se com facilidade ao ser içada a amarra.
- (3) resistir a entocar ou a encepar — uma âncora entocada ou encepada não fica segura.
- (4) ser fácil de manobrar e arrumar a bordo.
| Termo | O que é |
|---|---|
| Entocar | enrascar a amarra nos braços ou nas patas da âncora com algumas voltas — nessa condição a âncora não aguenta o navio, mesmo parecendo fundeada |
| Encepar | enrascar a amarra no cepo |
| Fundo | O que aguenta melhor |
|---|---|
| Areia | haste longa e patas agudas |
| Lama | patas largas |
Almirantado — a sequência no fundo
- 1. Se a pata não unha de imediato, a âncora cai com os braços na horizontal e o cepo apoiado numa extremidade.
- 2. As esferas do cepo impedem que ele se enterre — a âncora fica nessa posição instável.
- 3. Ao ser freado o cabrestante, a amarra tesa e puxa a âncora, que se deita sobre o cepo, pondo a unha em posição de unhar e enterrando a pata.
- 4. Como o braço é curvo, a pata tende a enterrar cada vez mais enquanto o esforço da amarra for horizontal ou pouco inclinado — daí a exigência de filame bem maior que a profundidade do lugar (art. 12.41), para manter esse ângulo raso.
- 5. Só depois de a âncora unhar e o navio estar portando pela amarra é que se solta o freio para dar mais filame — de modo que o navio fique aguentado pelo peso da amarra, não diretamente pela âncora.
Âncora sem cepo — a sequência no fundo
- 1. Ao tocar o fundo, a âncora se deita.
- 2. Como os braços são articulados, eles se afastam da haste e as unhas se enterram — se houver esforço aproximadamente horizontal.
- 3. Se o esforço não for horizontal — o caso mais comum — a âncora tende a rolar sobre si mesma, os braços mudam de posição em relação à haste, e esse movimento pode continuar se o fundo não for macio.
| Denominação | Peso relativo | Posição / uso |
|---|---|---|
| Âncora de leva (ferro de BE e ferro de BB) | referência — as maiores em serviço pesam 10 toneladas | as de serviço, na proa, perto da roda de proa, uma de cada bordo |
| Âncora de roça — hoje em desuso | mesmo peso e forma das de leva | escovém logo a ré das de leva, para emergências em que as de leva garrassem ou se perdessem — os franceses a chamavam "âncora da esperança" |
| Âncora da roda | igual às de leva | na linha de centro sobre a roda de proa; substitui a de roça nos navios modernos e é a melhor opção para fundear em mau tempo, alojada no escovém da roda |
| Âncora de popa | 1/4 a 1/3 do peso das de leva | amarra o navio de popa e proa em águas estreitas; escovém de ré na linha de centro, manobrada pelo cabrestante de ré — é a única âncora usada pelas embarcações de desembarque, que precisam aterrar em praia |
| Ancorote | cerca de 1/3 do peso da âncora de popa | manobras auxiliares; não têm escovém nem amarra própria, ficam estivados em picadeiros ao alcance de uma lança ou turco. Navios modernos não os levam mais |
Peso da âncora de leva — fórmula empírica
| Símbolo | O que é | Unidade / valor |
|---|---|---|
| W | peso da âncora | em libras (1 lb = 0,4536 kg) |
| D | deslocamento normal do navio | em toneladas |
| K₁ | coeficiente, obtido plotando pares W×D de navios diversos e traçando a curva média | varia de 15 a 25 |
Material
As quatro provas mecânicas, antes de entrar em serviço
| Prova | Como é |
|---|---|
| Queda | de uma altura de 3,65 m (12 pés) sobre plataforma de aço |
| Martelamento | com marreta de peso mínimo 3 kg, verificando o som característico de fundição sem fenda |
| Dobra | corpo de prova (art. 5.8) dobrado 90° a frio sem se fender |
| Tração | em máquina especial |
Marcação — Marinha do Brasil
| Face | O que traz (fundido ou marcado a punção) |
|---|---|
| Uma face | número de série · iniciais do fiscal · nome do fabricante ou nome comercial |
| A outra | peso em libras · ano e mês de fabricação · iniciais MB |
Marcação — as onze marcas recomendadas pela ABS (âncora patente)
- (1) número do certificado do fiscal. (2) iniciais do fiscal da prova de tração. (3) mês e ano da prova de tração. (4) força aplicada na prova de tração.
- (5) iniciais AB — máquina de prova reconhecida pela ABS. (6) peso da âncora em libras.
- (7) iniciais AB — braços e patas experimentados pelo fiscal. (8) peso do braço e patas, em libras.
- (9) iniciais do fiscal da prova de queda. (10) número da prova. (11) mês e ano da prova de queda.
- A outra face fica reservada ao nome do fabricante ou nome comercial e a outras marcas que ele julgue necessárias.
Âncoras sem cepo — alojam-se no próprio escovém
- 1. Içar a amarra até as patas encostarem bem na gola do escovém.
- 2. Aboçar a amarra pela boça mais a vante — passando a patola num elo e apertando o macaco.
- 3. Havendo mais boças, passam-se também, igualando os esforços entre elas.
Âncoras tipo Almirantado — a raposa e o lambareiro
- Depois de içada pela amarra, é aguentada pelo aparelho de um turco — o turco do lambareiro — cujo gato, o lambareiro, engata no olhal de equilíbrio próximo à cruz, permitindo içar em posição horizontal ou quase.
- Veleiros antigos sem olhal de equilíbrio usavam ainda um segundo turco, o turco da âncora, que aguentava a âncora pelo anete e ficava à vante do turco do lambareiro.
- O turco do lambareiro gira em torno de um eixo vertical: atinge a raposa num extremo do setor de giro e fica disparado do costado no outro; em geral pode ser rebatido sobre o convés.
- O aparelho do lambareiro é uma estralheira de cabo de aço, mais resistente às lupadas da manobra que o ferro.
A sequência
içar a âncora até a altura do escovém › engatar o lambareiro › rondar o aparelho › soltar a amarra até a âncora ficar aguentada por ele › girar o turco e levar a âncora › à raposa
Malhete — função tripla
- O que é: o travessão que liga os lados maiores do elo.
- (1) reduzir a chance de a amarra tomar cocas.
- (2) aumentar a resistência do elo.
- (3) impedir sua deformação em serviço.
Quartéis
Tornel (Fig. 10-9)
- Peça que dá à amarra liberdade de girar em relação à âncora.
- Constituição: um olhal, um parafuso com olhal, uma porca cilíndrica e um contrapino — o parafuso serve de eixo de giro do olhal.
- Cada amarra usa um tornel, posicionado sempre fora do alcance do cabrestante.
- Orientação: o olhal maior fica para ré e o outro para vante, do lado da âncora.
Manilha da âncora (manilhão) — Fig. 10-10
- Cavirão de seção oval reforçada, mais larga que a das manilhas comuns dos quartéis.
- Liga a amarra ao anete: a parte curva vai no elo da amarra, o cavirão no anete.
- O cavirão é preso por um tufo que atravessa a orelha e o próprio cavirão (ou, alternativamente, por contrapino comum).
- O tufo pode ser de ferro — mais macio, sofre menos corrosão e sai mais fácil — ou de aço, nesse caso sempre galvanizado.
- A cabeça do tufo recebe um disco de chumbo martelado sobre o alojamento, e o cavirão não se projeta para fora da manilha.
Manilha dos quartéis (navios antigos)
- Cavirão de seção oval e tufo, semelhante ao manilhão porém menor — algumas com tufo de madeira de lei, mais fácil de retirar.
- Orientação: parte curva voltada para a proa, cavirão para ré — evita que a amarra bata na gola do escovém ou prenda em obstrução do convés ao sair com velocidade.
- Desvantagem: morde na coroa do cabrestante — por forma e por ser maior que os elos comuns.
- Consequência: obriga os quatro elos extremos de cada quartel a terem dimensões diferentes dos demais (um deles sem malhete), para manter constante o passo da amarra (art. 10.13e) e permitir que ela gurna na coroa.
- Por essas desvantagens, a manilha foi praticamente substituída pelos elos tipo patente na ligação dos quartéis.
Elo Kenter (Fig. 10-11a) — padrão da Marinha americana
- Formado por duas metades iguais de elo, um malhete e um pino.
- Cada metade termina numa ponta macho (saliência com gola) de um lado e numa ponta fêmea (rasgo em "T") do outro.
- As metades se ajustam e ficam presas por um malhete com dois rasgos que se encaixam nos ressaltos internos; o malhete é fixado por um pino que atravessa diagonalmente as duas metades e o próprio malhete.
- O pino, ligeiramente cônico, é protegido por um batoque de chumbo martelado sobre sua cabeça.
- O malhete só se monta numa posição — uma seta estampada nele e outra numa metade do elo marcam a colocação correta.
- Montagem: apenas com pressão manual (vale p/ qualquer elo patente); havendo dificuldade, muda-se a posição do malhete.
- Antes de montar: limpar bem as superfícies de contato e passar graxa grossa. Sobressalentes ficam guardados com graxa e já montados.
- Na amarra, confunde-se com os elos comuns — mesmo tamanho, mesma forma; fabricado em aço forjado.
Elo "C" (Fig. 10-11b)
- Pode substituir o Kenter — mesmo princípio construtivo.
- Uma seção em forma de "C" (3/4 do elo) tem as extremidades em forma de cabeças cilíndricas de parafuso (fig. 10-11b); duas metades de um "T" completam o elo com malhete.
- As duas seções têm recessos internos que se ajustam sobre as extremidades da seção maior, fixadas por um pino troncônico que atravessa um anel interno em cada uma e a seção maior.
- A cabeça do pino é protegida por batoque de chumbo, como no Kenter.
- As seções trazem marcas de colocação para não trocarem de posição relativa; mesmos cuidados de montagem e conservação do Kenter; também em aço forjado.
Quartel do tornel (Fig. 10-12)
- Razão de existir: o tornel não pode gurnir na coroa do cabrestante.
- Navios de guerra: quartel curto de 5 braças (9,15 m), formando o extremo da amarra ligado à âncora e terminando no tornel que se une ao primeiro quartel; elos de bitola 1/16" a 1/8" maior que os do resto da amarra.
- Navios mercantes e outros dispensam esse quartel curto: o tornel fica a três ou quatro elos do anete, onde pode ser examinado com a âncora alojada no escovém.
Quartel longo e quartéis comuns
| Situação | Comprimento | Razão |
|---|---|---|
| Amarras com quartéis ligados por manilha — quartel longo logo após o do tornel | 40 braças (73,2 m) | torna pouco provável que uma manilha passe pelo cabrestante enquanto a âncora estiver a pique |
| Amarras com elos patentes | essa vantagem desaparece — todos os quartéis no padrão, exceto o do tornel | — |
| Padrão EUA — adotado pela Marinha brasileira | 15 braças (≈27,5 m) | — |
| Padrão Inglaterra | 12,5 braças (≈22,9 m) | — |
Tipos de elos (Fig. 10-13)
| Tipo de elo | Onde é usado |
|---|---|
| Elo comum | em todas as amarras, ao longo de todo o quartel |
| Elo alongado, com malhete | extremidade do quartel nas amarras modernas — recebe o "U" do manilhão |
| Elo sem malhete | extremidade de cada quartel nas amarras antigas, ligadas por manilha |
| Elo alongado, sem malhete | quartel do tornel nas amarras antigas — recebe o "U" do manilhão |
Comprimento total e bitola
- O comprimento total é dado como múltiplo do comprimento padrão do quartel, sem contar o quartel do tornel: de 6 quartéis (90 braças = 165 m) a 12 quartéis (180 braças = 330 m), conforme o porte.
- Quem indica: estaleiros (navios de guerra) e Sociedades Classificadoras (mercantes), por tabelas próprias.
- Bitola = diâmetro nominal do vergalhão dos elos comuns: de 3/4" a 3 1/2" com saltos de 1/16", e de 3 1/2" a 4 1/8" com saltos de 1/8".
- Comprimento do elo comum: 6d no padrão comercial americano adotado hoje (d = bitola); o antigo padrão naval americano, hoje abandonado, usava 5,7d.
As fórmulas — Fig. 10-14
| Para quê | Fórmula | Símbolos |
|---|---|---|
| Bitola da amarra | d = K · D^(1/3) | d em polegadas · D = deslocamento normal, em toneladas · K = coeficiente, de 0,08 a 0,14 — a tendência moderna é usar K cada vez menor, graças aos melhoramentos na confecção |
| Passo da amarra | p = 2L − 4d | L = comprimento de um elo, em polegadas · d = bitola, em polegadas. Precisa casar com o passo da coroa de Barbotin para a amarra gurnir corretamente |
| Peso por metro | P = 0,0216 d² (kg/m) | d = bitola em milímetros. Boa aproximação em qualquer tipo de amarra com malhete |
| Volume por 100 m | V = 0,001 d² (m³ por 100 m) | |
| Força de parada | F = 13,5 · D·V²/L kg (ou F = 99,36 · D·V²/L libras) | D = deslocamento (na versão em libras, toneladas inglesas) · V = velocidade em nós no instante em que a força é aplicada · L = distância percorrida até parar, em metros (na versão em libras, em pés) |
| Comprimento × nº de elos | L = 2d(1+2N) pol = 0,0508 d(1+2N) m | d = bitola em polegadas · N = número de elos no comprimento L |
| Nº de elos por comprimento dado | N = (L − 2d) / 4d | é a anterior, isolando N |
| Nº | Compr. total (braças) | Compr. total (m aprox.) | 1º método | 2º método |
|---|---|---|---|---|
| 1ª | 20 | 36,5 | Um elo com malhete próximo à manilha pintado de branco; uma volta de arame no malhete pintado | Manilha pintada de vermelho |
| 2ª | 35 | 64,0 | Dois elos com malhete próximo à manilha pintados de branco; duas voltas de arame no 2º malhete pintado a contar da manilha | Manilha pintada de branco |
| 3ª | 50 | 91,5 | Três elos pintados de branco; três voltas de arame nos 3ºs malhetes pintados | Manilha pintada de azul |
| 4ª | 65 | 119,0 | Quatro elos pintados de branco; quatro voltas de arame nos 4ºs malhetes pintados | Manilha pintada de vermelho |
| 5ª | 80 | 146,5 | Cinco elos pintados de branco; cinco voltas de arame nos 5ºs malhetes pintados | Manilha pintada de branco |
| 6ª | 95 | 174,0 | Seis elos pintados de branco; seis voltas de arame nos 6ºs malhetes pintados | Manilha pintada de azul |
| 7ª | 110 | 201,5 | Etc. | Etc. |
| 8ª | 125 | 229,0 | Etc. | Etc. |
| 9ª | 140 | 256,0 | Etc. | Etc. |
| 10ª | 155 | 284,0 | — | Do 10º quartel em diante a contagem branca dá lugar à cor: TODOS os elos do 10º pintados de amarelo, os do 11º de vermelho e os do 12º de preto |
| 11ª | 170 | 311,0 | ||
| 12ª | 185 | 338,5 |
Material e confecção — a evolução
| Material | Como é feito | Situação |
|---|---|---|
| Ferro forjado | elos de vergalhão dobrado a quente e soldado, malhetes também soldados | único tipo até a Primeira Guerra Mundial; confecção demorada e sujeita a deformação — hoje reservado às amarretas |
| Aço forjado | malhetes soldados | mais resistente, porém também de confecção demorada |
| Aço fundido | elo e malhete inteiriços; fundido como cadeia contínua ou em duas metades intercaladas, depois temperada e recozida | introduzido pelo arsenal de Norfolk, adotado nos EUA para navios de guerra após 1924; o mais resistente, usado nas grandes bitolas |
| Aço estampado | cada elo formado por duas seções estampadas — uma macho (pinos e golas), outra fêmea (alojamentos) — unidas sob pressão a quente | introduzido pelo arsenal de Boston; empregado nas pequenas bitolas, como a dos contratorpedeiros |
| Aço laminado | — | uso moderno em amarras e acessórios para amarrações offshore, inclusive tornéis e manilhas |
As duas provas de tração
| Prova | Como é |
|---|---|
| Resistência à tração | todos os quartéis recebem esforço de cerca de 2/3 da carga de ruptura nominal — depois dela, as amarras que não são de aço estampado vão a tratamento térmico (recozimento) |
| Ruptura | feita num pedaço de três elos iguais aos da amarra confeccionada |
Inspeção anual (elo por elo)
- Uma vez por ano, amarras e manilhas são inspecionadas elo por elo, sobretudo nos quartéis mais usados.
- Limpar com escova de aço · tratar as partes desmontáveis das manilhas conforme o fabricante · engraxar as partes móveis do tornel · renovar a pintura, sem raspar tinta antiga bem aderente.
Exame integral (pelo menos a cada dois anos)
| Bitola | Como se examina |
|---|---|
| igual ou menor que 1 1/2" | basta colocá-la em aduchas no convés |
| maior, ou navio docado | arriar todos os quartéis no fundo do dique, destalingando do paiol e aduchando em cobros longos |
- Todos os elos e malhetes são batidos com martelo — som anormal indica investigar defeito na hora.
- Vistoriar: manilhas comuns e patentes, manilhão, tornel, pinos, contrapinos e anéis de chumbo.
- Retirar ferrugem e material estranho, raspar tinta solta, repintar e recompor as marcas de quartel.
- Tornéis e partes articuladas das âncoras recebem graxa grossa. Aproveita-se para tratar o paiol (art. 10.26).
- Nessa ocasião também se pode trocar os quartéis comuns de posição relativa, para igualar o desgaste ao longo do comprimento.
Exame em serviço
- Em tempo bom, um observador examina elos e manilhas enquanto a amarra é recolhida devagar ao suspender — percebe-se fenda acidental e confirma-se a visibilidade das marcas.
- Em fundeadouro de areia limpa, abrigado e com espaço para girar, pode-se dar atrás devagar e deixar sair toda a amarra para lavá-la e examiná-la.
- Em fundo de lama, a amarra deve ser bem lavada com esguicho à medida que entra no escovém.
- Sempre que reparada, limpa ou raspada, a amarra é repintada — a melhor tinta é o piche.
- Todo reparo, inspeção e vistoria, com data, consta do Diário Náutico (mercantes) ou do Livro do Navio (navios de guerra).
Recozimento e condenação
| Amarra | Recozimento |
|---|---|
| Ferro forjado, navios de guerra | após 100 usos (quartel do tornel) ou 200 usos (demais quartéis) |
| Ferro forjado, mercantes e auxiliares | limites sobem para 200 e 400 usos, respectivamente |
| Aço forjado e aço fundido | não precisam de recozimento periódico, exceto depois de reparo |
| Aço estampado | nunca são recozidas |
Buzina da amarra
| Aspecto | Regra |
|---|---|
| O que é | o tubo por onde a amarra passa do convés ao paiol — uma por amarra, geralmente de aço fundido, seção circular |
| Diâmetro | igual a 7 ou 8 vezes a bitola da amarra |
| Direção | vertical ou inclinada de 10° a 15° para ré |
| Fixação | ao convés numa extremidade e ao teto do paiol na outra |
| Gateira | a abertura no convés (ou a própria extremidade do tubo ali) |
| Gola da buzina | a extremidade inferior |
| Bucha | tampa da gateira, com rasgo do tamanho da bitola de um elo, para impedir que a água dos golpes de mar na proa entre no paiol |
Boças da amarra (Fig. 10-16) — as seis finalidades
- (1) aguentar a amarra com o navio fundeado ou com a âncora no escovém em viagem, para não sobrecarregar o freio do cabrestante.
- (2) aguentar a âncora e o quartel do tornel quando a amarra é usada para reboque.
- (3) aguentar a amarra ao retirá-la da coroa para colocar outra amarra a alar.
- (4) aguentar a amarra ao passar o anilho de amarração.
- (5) aguentar a âncora e o quartel do tornel ao colocar os quartéis sobre o convés para inspeção (art. 10.17a).
- (6) largar o ferro com máxima rapidez — usada quando vários navios devem fundear em formatura ao mesmo sinal, já que o freio do cabrestante não permite soltar a âncora instantaneamente.
| Tipo de boça | Constituição |
|---|---|
| Boça de corrente — hoje a mais usada | pedaço de corrente com manilha numa ponta (passada num olhal do convés) e um gato de escape especial, a patola, na outra, destinada a prender a amarra por um dos elos |
| Boça com macaco (navios modernos) | o macaco ajusta o aperto ao passar a boça e iguala as tensões quando há mais de uma boça na mesma amarra |
| Boça de cabo — navios muito pequenos | pedaço de cabo grosso de cerca de 2 m: um extremo alceado a um gato com sapatilho (ou manilha) para o olhal do convés; o outro com uma pinha de boça que leva um cabo fino chamado fiel — o fiel enleia a amarra com voltas redondas e prende o chicote a um dos elos |
- Os macacos precisam de bastante graxa; sentir pela chave que aperta o macaco é como se percebe se ele já está suportando a amarra.
- As boças ficam quase alinhadas com a direção da amarra que servem; o número depende do navio — contratorpedeiros antigos usavam uma boça por amarra, com 90% da resistência dela.
- A manobra de passar a boça na amarra chama-se aboçar a amarra.
Mordente (Fig. 10-17)
| As três peças do mordente comum | O que faz |
|---|---|
| Corpo | base com gorne longitudinal que guia os elos |
| Dado (ou bloco) | peça que sobe e desce por uma came: levantado, deixa a amarra correr livre em qualquer sentido; abaixado, prende-a por um elo |
| Chave do mordente | alavanca que aciona a came e abre ou fecha o mordente |
Mordente de alavanca (Fig. 10-18)
- Fica na gateira ou na gola da buzina: alavanca curva, presa por uma extremidade a um pino fixo, com um olhal na outra.
- O olhal recebe um macaco que, engatado, força a alavanca contra o contorno da gateira (ou gola da buzina), estrangulando a amarra e prendendo-a quando ela não está em uso.
- A manobra se faz do teto da coberta imediatamente abaixo do convés de proa; o macaco pode ser substituído por talha ou teque.
Abita (art. 1.159) — Fig. 10-19
- Fica entre o escovém e o cabrestante, na linha de trabalho da amarra.
- Nela a amarra pode ser encapelada com uma volta redonda chamada capelo, sempre com o ramo que vai para a gateira por cima.
- A amarra descansa nas tetas, as nervuras salientes da abita.
- Navios modernos dispensam esse acessório.
Escovém (Fig. 10-20) — as três partes
| Parte | O que é |
|---|---|
| Gola | parte saliente do costado, de aço fundido |
| Tubo | de chapa de aço |
| Beijo | parte que sai do convés, de chapa de aço ou fundida |
| Tipo | Como é | Onde |
|---|---|---|
| Escovém curto | tubo pouco maior que a haste, de modo que a âncora alojada não deixa o anete acima do convés nem as patas projetadas acima da linha de proa; inclinação de cerca de 45° com o plano horizontal | o usual nos navios de guerra |
| Escovém largo | quase vertical | alguns mercantes de marcha vagarosa |
| Cota | Valor |
|---|---|
| Distância da saída no convés ao bico de proa | entre 1/20 e 1/30 do comprimento do navio, deixando espaço para as manobras de amarração |
| Diâmetro mínimo do tubo | 8d (d = bitola da amarra) |
| Raio mínimo de curvatura no beijo | 16d |
| Raio mínimo de curvatura na gola | 10d |
- Assim como a gateira, o escovém tem uma bucha no beijo contra a entrada de água dos golpes de mar, retirada só para as manobras do ferro.
- A amarra, ao ser arriada, deve assentar uniformemente ao longo do tubo.
- A âncora alojada deve tocar o navio em pelo menos três pontos, ajustável pelo macaco da boça da amarra.
- Alguns navios têm, junto à gola, um recesso chamado raposa para alojar a cruz e as patas sem deixar nada projetado para fora do costado.
Paiol da amarra (Fig. 10-21)
- Onde fica: compartimento numa coberta sob o cabrestante ou molinete, geralmente contíguo (a ré) da antepara de colisão.
- Anteparas fortes o bastante para resistir aos choques e ao desgaste da amarra; um mesmo compartimento para mais de uma amarra é dividido em seções — cada uma constituindo um paiol —, e as divisórias que não chegam ao teto terminam em meia-cana.
- Fundo: revestido de cimento e uma camada de 1/4" de betume, sobre a qual assenta um estrado de barras de aço.
- Drenagem para uma caixa de lama no fundo, com acesso para limpeza. Anteparas e teto recebem zarcão ou betume.
chicote do último quartel › passa por um arganéu no fundo do paiol, o paixão › preso a um gato de escape fixo ao teto (ou à antepara de ré junto ao teto) › esse gato de escape (ou manilha) chama-se braga › e deve ser mais forte que a manilha de ligação dos quartéis
| Volume ocupado pela amarra | Símbolos |
|---|---|
| V = L·d² / c (pés cúbicos) | L = comprimento da amarra, em braças (1 braça = 1,83 m) · d = bitola, em polegadas (1 pol. = 2,54 cm) · c = coeficiente de arrumação: c = 3 arrumação cuidadosa, c = 2 arrumação grosseira · 1 pé cúbico = 0,028 m³ |
Boia de arinque (Fig. 10-22)
| Função | Detalhe |
|---|---|
| indicar a posição do ferro em relação ao navio | — |
| localizar a âncora se esta se perder | é o que a torna imprescindível na emergência abaixo |
- Tamanho da boia: não depende do tamanho da âncora, mas do espaço disponível no paiol e do comprimento do arinque — uma fragata recebe boia maior que um navio-patrulha.
- Comprimento do arinque: depende do fundo em que o navio costuma fundear — por exemplo, 10 m para um navio-patrulha e 25 m para uma fragata.
- Não pode ser menor que o fundo, nem deve ser muito maior; recomenda-se 1 1/3 do fundo da água, cobrindo variação de maré e corrente, folga do cabo, ou um fundo real maior que o indicado na carta (ferro afundado na lama).
- Comprido demais: deixa a boia se afastar muito da posição real da âncora. Se ficar comprido para o fundo, encurta-se com um catau.
Antes de fundear e na emergência
- Ajustar o comprimento do arinque ao fundo esperado: o Encarregado de Navegação informa a profundidade aproximada ao Oficial de Manobra na proa (ou ao Mestre).
- A boia com o arinque é lançada na água o mais longe possível do costado ao largar o ferro.
- Emergência extrema por mau tempo: se não for mais rápido recolher toda a amarra e a âncora, o Comandante pode deixá-las no fundo, destalingando a amarra no paiol ou abrindo uma manilha de ligação — e, nesse caso, a boia de arinque é indispensável para depois recuperar a âncora e a amarra.
| Eixo da coroa | Nome da máquina |
|---|---|
| Vertical | Cabrestante |
| Horizontal | Molinete |
| Embreagem da coroa | Quando |
|---|---|
| Liga-se (rigidamente presa ao eixo) | para içar o ferro, arriá-lo sob máquina ou rondar a amarra |
| Desliga-se (gira louca) | para largar o ferro ou dar mais filame |
Coroa de Barbotin e transmissões
- Roda fundida de periferia côncava e dentes, onde cada elo é momentaneamente preso durante o movimento.
- A amarra precisa dar pelo menos meia-volta em torno da coroa, para que ao menos três elos engrazem nela.
- Cada coroa serve só a um tipo e tamanho de elo.
- Transmissões possíveis: roda dentada e parafuso sem fim · engrenagens cilíndricas (roda dentada e rodete) · transmissão hidráulica.
| Transmissão | Eficiência | Irreversibilidade mecânica |
|---|---|---|
| Parafuso sem fim — ângulo da hélice menor que 13° | pouco eficiente | sim — o eixo do cabrestante só se move acionado pelo parafuso, ou fica travado por ele (não confundir com inversão de marcha) |
| Roda dentada e rodete | eficiente | não tem |
| Hidráulica | combina bomba elétrica + roda dentada e rodete | — |
Freio — o ponto que a banca cobra
Saia, embreagens e manobra manual
- A saia monta-se no mesmo eixo da coroa e serve às manobras de espias ou a qualquer manobra de cabo que exija grande esforço; nos cabrestantes de máquina de suspender fica por cima da coroa, disfarçando-a — embora a coroa seja ali a peça principal.
- A principal embreagem liga a coroa ao eixo, acionada por um volante que gira cerca de 60° para apertar ou soltar, com um pino para travar a peça móvel em qualquer das posições-limite. Algumas máquinas têm outra embreagem, entre o motor e o eixo.
- Em emergência, cabrestantes podem ser movidos à mão por barras de madeira encaixadas radialmente nas casas das barras — aberturas quadrangulares no chapéu (parte superior da saia, ou da coroa se não houver saia). Era antigamente o único meio de mover o cabrestante.
- Alguns guinchos pequenos usam, em vez disso, um eixo desmontável com volante, adaptado por fora do eixo da coroa.
- Linguetes: na manobra manual, pequenas barras de ferro presas por um pino na gola da coroa (ou da saia, se não houver coroa), cuja outra ponta desliza pelos dentes de uma coroa de ferro fixa no convés, travando o movimento contra o sentido em que estão orientados — impedem a coroa de girar em sentido contrário sob a ação da amarra se o esforço dela superar o do pessoal. Pinos na gola os mantêm suspensos quando não são necessários, como no movimento a motor.
Cabrestante × molinete
| Característica | Cabrestante | Molinete |
|---|---|---|
| Eixo | Vertical | Horizontal |
| Uso mais comum | Navios de guerra | Navios mercantes |
| Motivo | reduz obstruções à linha de tiro no convés | aproveita ao máximo o volume interior do navio |
| Construção | coroa/saia no convés; motor uma a duas cobertas abaixo, mais protegido | um só bloco, todo o equipamento sobre o mesmo jazente no convés |
| Amarras atendidas | uma coroa de Barbotin por amarra | geralmente duplo — duas coroas e duas saias, às vezes no mesmo eixo, um guincho para duas amarras |
| Pode ter ainda | operado à mão, a motor ou pelos dois, com linguetes na base | coroa, saia, ambas, ou ainda um sarilho |
Os três tipos de máquina — Figs. 10-23a, 10-23b, 10-23c
| Tipo | A favor | Contra / detalhes |
|---|---|---|
| A vapor (Fig. 10-23a) | atende bem ao serviço; guincho duplo, cilindro reversível, válvula de distribuição em "D", vapor por válvula de garganta, eixo acionado por roda dentada e parafuso sem fim (com irreversibilidade) | baixo rendimento · grande peso · demora para aquecer · depende de longas canalizações de vapor, vulneráveis a avaria e congelamento |
| Elétrica (Fig. 10-23b) | melhor rendimento que a a vapor; cabos mais fáceis de levar à proa por zonas protegidas | precisa ser de corrente contínua, grande e pesado, para arrancar a âncora do fundo; mais caro. Motor totalmente estanque à água e com variação de velocidade; comando por reostato de partida |
| Hidrelétrica (Fig. 10-23c) | o sistema mais eficiente; motor de alta velocidade, portanto pequeno (CC ou CA), a regime constante | o mais caro de instalar |
- Molinete a vapor: pode alar as duas amarras juntas ou separadas; os ferros podem ser largados independentemente — pelas boças (com freios e embreagens soltos), pelos freios mecânicos (com boças e embreagens soltos), ou pela própria máquina (com as coroas embreadas) —, mas a manobra usual é fundear com um só ferro, largando-o pelo freio.
- Comandos a vapor: válvula de garganta, que regula a velocidade admitindo vapor, e válvula de distribuição, por alavanca de mão, que inverte o sentido ou para a máquina.
A transmissão hidráulica — as duas partes
| Lado | Nome | O que faz |
|---|---|---|
| A | Transmissor | acionado diretamente pelo motor, funcionando a velocidade e sentido constantes — uma bomba que fornece certo débito de líquido a determinada pressão |
| B | Receptor | aciona o rodete de engrenagem do eixo da coroa (ou saia) com o líquido recebido do transmissor |
As três fases de suspender — e o que a máquina precisa entregar
| Fase | O que é | Exigência |
|---|---|---|
| 1ª | recolher o excesso de amarra | — |
| 2ª | arrancar a âncora do fundo | exige força de 5 a 10 vezes o peso da âncora |
| 3ª | içar o ferro | as especificações americanas exigem que um ferro com 60 braças (110 m) de amarra seja içado à razão de 6 braças (11 m) por minuto |
Condução e conservação — máquina parada
- Engrenagens, copos de lubrificação e demais partes lubrificadas ficam limpas e livres de poeira e água, inspecionadas em intervalos não maiores que três meses.
- Usam-se só os lubrificantes indicados pelo fabricante ou pelas especificações da Marinha.
- Uma vez por ano, a máquina é desmontada e copos, mancais e rolamentos são lavados com tetracloreto de carbono (ou querosene, na falta) antes de receber lubrificante novo, sem excesso — sobretudo em motor elétrico.
- Um motor de indução deve operar dentro de 10% da voltagem nominal da placa, já que voltagem baixa aquece o motor.
- Em guincho a vapor, faz-se a purgação da rede e do cilindro logo após parar a máquina.
Antes de dar partida
- Não se experimenta a máquina sem autorização superior e sem avisar o Departamento de Máquinas.
- Óleo e graxa em todos os mancais e partes móveis, conforme fabricante e especificações, substituindo óleo impuro.
- Na primeira partida, movimentar a máquina sem carga para lubrificar mancais e engrenagens.
- Havendo embreagem de dado (macho e fêmea), movimentar devagar para fazer coincidir os dados.
- Em máquina a vapor, fazer o aquecimento e as purgações necessárias.
Vozes de comando
Ao fundear › Postos de fundear! › Preparar para fundear! › Larga o ferro! › Como diz a amarra? › Qual o filame? › (O navio) está portando pela amarra? › Volta aos postos!
Ao suspender › Postos de suspender! › Preparar para suspender! › Recolhe (o excesso de) amarra! › Iça o ferro! › Como diz a amarra? › Como diz o ferro? › Qual o filame? › (O navio) está portando pela amarra? › Volta aos postos!
Como diz a amarra — direção em relação ao navio
| Voz | Situação |
|---|---|
| A pique de estai | amarra paralela (ou quase) ao estai de vante do mastro |
| A pique | perpendicular à superfície da água |
| Dizendo para vante (ou para ré, ou para o través) | paralela a uma dessas direções |
| Dizendo para BE (ou BB) | aponta para o bordo contrário ao do escovém da amarra |
| Portando (ou não portando) pela amarra | conforme o navio esteja ou não exercendo esforço sobre ela |
Como diz o ferro — na ordem em que ocorre ao suspender
| Voz | Situação |
|---|---|
| Arrancou! | o ferro deixa o fundo — a amarra fica vertical e sob tensão |
| A olho! | o anete surge à superfície da água |
| Pelos cabelos! | a cruz está saindo da água |
| Em cima! | o anete chega ao escovém |
| No escovém! | o ferro está alojado no escovém |
Largar o ferro pelo freio mecânico — os dezessete passos, na ordem do livro
- 1. O Comandante dá a ordem de Postos de Fundear.
- 2. Dá a ordem de Preparar para Fundear.
- 3. Pede-se energia para a máquina de suspender (vapor ou energia elétrica).
- 4. Executam-se as manobras de preparo (art. 10.32b).
- 5. Prepara-se a boia de arinque (art. 10.27).
- 6. Soltam-se o mordente e todas as boças, deixando a amarra aguentada só pela máquina, com o freio mecânico apertado.
- 7. Certifica-se de que o ferro não está preso ao escovém — se estiver, desaperta-se o freio e vira-se a máquina o suficiente só para arriar um elo, batendo nele com a marreta.
- 8. Dá-se ordem para todo o pessoal ficar safo da amarra, no convés e nas cobertas abaixo.
- 9. Aperta-se bem o freio e desliga-se a embreagem da coroa.
- 10. Dá-se a voz de Ferro Pronto.
- 11. O Comandante dá a ordem de Larga o Ferro.
- 12. Abre-se o freio, girando o volante o mais rápido possível.
- 13. Enquanto a amarra corre, informam-se ao Comandante os dados do art. 10.34c, mantendo-o ciente da situação do ferro e da amarra.
- 14. O Comandante pode fazer as perguntas do art. 10.34a(1).
- 15. Dá a ordem de Volta aos Postos.
- 16. Aperta-se de novo o freio e fecha-se o mordente.
- 17. Desliga-se a energia da máquina.
Largar o ferro por uma das boças
- a) Soltam-se o mordente e todas as boças, exceto uma — a mais próxima do escovém.
- b) Certifica-se de que a âncora não está presa ao escovém — se estiver, alivia-se a amarra do paiol para o convés, até um ponto logo a ré da boça passada, usando o garfo da amarra (vergalhão com gancho numa ponta, sempre à mão).
- c) Retira-se o pino de segurança da patola da boça em que a amarra está aboçada, mantendo um homem pronto com marreta para soltar o elo de travamento à ordem.
- d) Ao comando, abre-se a patola com a marreta, soltando o elo.
Suspender o ferro — os vinte passos
- 1. Ordem de Postos de Suspender. 2. Ordem de Preparar para Suspender. 3. Pede-se energia para a máquina. 4. Manobras de preparo (art. 10.32b).
- 5. Ligam-se a mangueira e o esguicho e pede-se pressão na rede de água salgada, para lavar a amarra.
- 6. Liga-se a embreagem da coroa. 7. Desliga-se o mordente, soltam-se as boças e o freio mecânico.
- 8. Recolhem-se três ou quatro elos para testar o funcionamento e aperta-se o freio de novo.
- 9. Comunica-se ao passadiço a voz de Pronto para Suspender.
- 10. Pouco antes da hora marcada, o Comandante (ou, mais comumente, o Oficial de Serviço) dá a ordem de Recolher a Amarra, determinando o filame a manter conforme o fundo — o suficiente apenas para o ferro não garrar.
- 11. O Comandante dá a ordem de Içar o Ferro. 12. Solta-se o freio e vira-se a máquina na velocidade da fase de arrancar o ferro.
- 13. Enquanto a amarra sobe, informam-se ao Comandante os dados do art. 10.34c, podendo haver ordem de deixar certo filame ou içar tudo — geralmente as informações de filame chegam quando as marcas da amarra aparecem ao lume da água.
- 14. Tirar toda a sujeira da amarra, passando o jato d'água elo por elo, por fora do escovém, sem jogar borrifos no castelo.
- 15. Em fundo de muita lama, convém içar na menor velocidade possível (solicitando permissão ao passadiço), em vez de deixar a amarra suja entrar no paiol.
- 16. Limpa, pode-se acelerar a içada desde que o ferro já tenha arrancado e até chegar em cima.
- 17. Cumpre-se o item 3 do art. 10.17 (observador nos elos e manilhas).
- 18. Voz de Ferro em Cima, lavando-o bem com o esguicho e encostando-o devagar ao escovém para evitar batida. Depois, voz de Ferro no Escovém.
- 19. O Comandante dá a ordem de Volta aos Postos.
- 20. Aperta-se o freio mecânico, aboça-se a amarra e fecha-se o mordente.