🧭 Resumo · Cap. 11 — Aparelho de Governo, Mastreação e Aparelhos de Carga

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Fonseca, Arte Naval, v. 2, 8ª ed. — os Caps. 9 a 12 estão fisicamente no Volume 2 · II.01-AN · Área II do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Nas embarcações miúdas o timoneiro atua direto na cana do leme; no navio em movimento o esforço é grande demais — daí o aparelho de governo, que permite a um só homem governar com facilidade. Timoneiro = homem do leme.

Constituição — os cinco elementos (art. 11.1)

#ElementoArtigo
(1)Roda do leme11.2
(2)Transmissão entre a roda do leme e a máquina do leme11.5 e 11.6
(3)Máquina do leme ou servomotor11.4
(4)Transmissão entre a máquina do leme e o leme11.7
(5)Lemeremetido pelo próprio Fonseca ao art. 6.33
Fronteira do capítulo. O Cap. 11 dá o aparelho que move o leme — não a superfície de controle. Tipos de leme, área, balanceamento, madre como peça: art. 6.33. Hidrodinâmica do leme (força na pá, ângulo de ataque, resposta de rumo): Área I (I.02 PNA cap. IX; I.08 Santos cap. 5), não deste livro.

Roda do leme (11.2)

O que éRoda de madeira ou metal montada em eixo horizontal no plano diametral; no contorno exterior, punhos chamados malaguetas, pelos quais o timoneiro imprime a rotação.

Roda para BE sentido dos ponteiros do relógio para o homem do leme voltado para a proa leme a BE proa move-se para BE na marcha a vante

Fig. 11-1
Fig. 11-1 — Roda do leme
Duas cautelas: (1) horário só é BE para quem está voltado para a proa — a posição do timoneiro define a convenção; (2) o autor enuncia o efeito sobre a proa na marcha a vante; o comportamento com seguimento a ré não é deste capítulo. Roda para BB → navio guina para BB.

Estações de governo

  • Principal: modernamente no passadiço.
  • Segunda roda do leme, maior que a principal e situada AR — movimento manual do leme em emergência por avaria na máquina do leme ou em suas transmissões.
  • Terceira roda, na estação do governo de combate — navios de guerra de grande porte.
  • Roda distante do leme → precisa de máquina intermediária = servomotor.

Leme à mão (11.3) — o aparelho mais simples

Três peças apenasroda do leme · gualdropes · leme. Comum nas embarcações miúdas.
GualdropesCabos de aço, correntes ou cadeias Galle que transmitem o movimento da roda ao leme.

Tambor (mesmo eixo da roda, rigidamente fixado a ela) gualdropes dão voltas pelo seio no tambor chicotes, um por bordo presos aos lados da cana do leme um bordo enrola, o outro desenrola

Fig. 11-2
Fig. 11-2 — Leme à mão
MacarrõesGolas de metal que guarnecem as aberturas por onde passam os gualdropes.
Comandada a distância pelos movimentos da roda do leme — dessa dependência veio o nome servomotor.
Fig. 11-3
Fig. 11-3 — Servomotor a vapor
Fig. 11-4
Fig. 11-4 — Servomotor hidrelétrico
Fig. 11-5
Fig. 11-5 — Telemotor
Fig. 11-6
Fig. 11-6 — Transmissão por parafuso sem fim

Onde fica

  • Na popa, no próprio compartimento do leme (onde a madre atravessa o casco) ou em compartimento contíguo — para evitar transmissões longas.
  • Mercantes: geralmente acima do convés (aproveitar espaço interno do casco).
  • Guerra, grande porte: abaixo da linha-d'água, protegido por couraça.
  • Guerra, menores: abaixo do convés, muitas vezes num recesso da antepara de ré da praça de máquinas.
  • Sempre que possível, não adjacente aos costados — para ficar mais protegido.
Requisitos (≈ máquina de suspender, art. 10.31)aplicação súbita de grande força a baixa velocidade · variação de velocidade por graus insensíveis · inversão de marcha · mais rendimento, segurança etc. Por isso os tipos são os mesmos: máquina a vapor, sistema hidrelétrico e motor elétrico.
TipoOnde é empregadoComo o comando chega ao motorMecanismo compensador
A vaporMuito empregado nos navios mercantes a vapor; vantagens/desvantagens iguais às da máquina de suspender a vapor (10.30c)Válvula de distribuição de vapor comandada pela roda: roda a meio = válvula a meio, canais de admissão fechados, máquina parada; roda p/ BE ou BB desloca a válvula e dá entrada ao vapor no sentido correspondenteSim — a própria máquina também comanda a válvula, neutralizando o efeito da roda; parada a roda, a válvula vai à neutra e para o leme
HidrelétricoO mais eficiente; usado em quase todos os navios de guerra. Motor de cerca de metade da potência do elétrico. Instalação mais cara, manutenção mais barataMotor elétrico M de alta rotação sempre trabalhando em velocidade constante aciona a bomba B (com regulador de pressão contra sobrecarga); mecanismo de controle C, comandado pela roda, regula débito e sentido; controle neutro = sem passagem de líquido nem pressão. Débito ∝ amplitude do movimento do controleSim — o movimento da cana do leme, ou dos junços, leva o mecanismo de controle à posição neutra
ElétricoMecanismo de controle elétrico na casa do leme ou em qualquer outra estação de governoAlavanca de controledispensa a roda do leme: a meio = motor parado; para a direita (BE) dá partida e move o leme p/ BE; para a esquerda (BB), move p/ BBNão — o leme só se move enquanto a alavanca está fora da neutra, e fica parado na posição por um freio
Pegadinha do freio. No servomotor elétrico o freio é o modo normal de manter o leme na posição — é por ele que esse tipo dispensa mecanismo compensador. Não é recurso contra falha de governo.

Hidrelétrico — a cadeia de direções (decore sem acrescentar)

Roda para BE pressão nos cilindros Q e R aspiração em P e S junço J para vante e junço I para leme gira para BE

Roda para BBo sentido dos movimentos é o inverso.
JunçosDois (I e J), trabalhando nos cilindros P, Q, R, S, ligados a meio comprimento por duas barras às extremidades opostas da cana do leme.
Redundância própria do hidrelétrico: usualmente dois conjuntos completos de motor elétrico + bomba hidráulica — um em movimento, outro parado de reserva; a simples manobra de ligação de um pino passa de um para o outro.
Três famílias: mecânica (flexível ou rígida) · hidráulica (telemotor) · elétrica (selsyn).
TipoMeio físicoNota do autor
Mecânica flexívelGualdropes (art. 11.3)
Mecânica rígidaVergalhões de ferro nas embarcações miúdas; eixos nas maiores — com mancais de rolamentos (reduzir atrito), juntas universais tipo Cardan nas mudanças pequenas de direção e engrenagens cônicas nas maioresCinco desvantagens (rol completo, ver abaixo)
HidráulicaTelemotor (art. 11.6) — pressão líquida em tubulações que correm por zonas protegidasMuito empregada em mercantes e de guerra; fácil usar transmissões duplas, afastadas uma da outra, como garantia contra avarias. Desvantagens: bolhas de ar na rede e formação de bolhas de gás quando a tubulação atravessa compartimentos de temperatura elevada
ElétricaMotores selsyn (self-synchronous = autossincronizados), de corrente alternada: transmissor (ou motor-piloto) comandado pela roda + receptor ligado ao mecanismo de controle do servomotorO rotor do receptor segue exatamente, em velocidade e em quantidade de deslocamento angular, o do transmissor. Maior flexibilidade de instalação que a hidráulica; muito usada com servomotor hidrelétrico, o receptor atuando direto no controle da bomba B

As cinco desvantagens da transmissão mecânica rígida

  • Perdas por atrito, que aumentam rapidamente com a extensão da transmissão e com as mudanças de direção.
  • Dificuldades de alinhamento e lubrificação.
  • Facilidade de enjambrar, por avarias nas anteparas e conveses que suportam a transmissão.
  • Folgas decorrentes de desgaste.
  • É prejudicial à estanqueidade do navio.
Dois pequenos cilindros hidráulicos: o transmissor, no pedestal da roda do leme e por ela comandado, e o receptor, situado no leme, que atua no mecanismo de controle do servomotor.
Comunicaçãodois tubos de cobre.
Fluidolíquido incongelável: óleo especial ou água com glicerina. A percentagem de glicerina depende da temperatura e não deve exceder a 60%.

Funcionamento

Roda do leme rodas dentadas êmbolo do 1.º cilindro desloca-se diferença de pressão nos dois tubos pressão atua no êmbolo do 2.º cilindro este se move até restabelecer a igualdade de pressões atua no mecanismo de controle (hidrelétrico) ou na válvula de distribuição de vapor (a vapor)

Roda a meioambos os êmbolos estarão a meio.
Se o timoneiro largar a roda depois de levá-la para um bordo, o leme volta automaticamente a meio: duas molas atuam no receptor levando-o à posição média e fazendo o servomotor trazer o leme à posição inicial; ao mesmo tempo o retrocesso da coluna de óleo leva também a roda a meio.

Legenda da fig. 11-5 — peça por peça

OndeLetraPeça
Na casa do lemeARoda do leme
BCilindro transmissor
CTanque de expansão da mistura líquida
DBujão removível para saída do ar durante o enchimento da mistura
EVálvula "by pass", que permite mover a roda do leme sem atuar no telemotor
No compartimento do servomotorFCilindro receptor
GÊmbolo do cilindro
HHaste que transmite o movimento do êmbolo do receptor à válvula de controle do servomotor
IMolas para trazer o leme a meio, em caso de vazamento da rede
JTubos que comunicam os dois cilindros
LPorcas para ajustagem e ligação da haste de transmissão
MBomba à mão, para enchimento da rede
NTubo de aspiração da bomba de enchimento
OTanque da mistura hidráulica
PTubo de enchimento da rede
QTubo de retorno, para descarga do excesso de mistura hidráulica
Tanque de expansãoevita excesso de pressão na rede; há ainda bomba e tanque para encher a instalação.
Desvantagens principais: vazamentos · entrada de ar na rede · formação de gás no fluido por alta temperatura num compartimento. A tubulação não deve passar em locais de grandes variações de temperatura; para o enchimento e a proporção da mistura, consultar as instruções do fabricante.
Duas peças de leitura obrigatória para o governo de emergência: as molas I (leme a meio em caso de vazamento da rede) e a válvula "by pass" E (mover a roda sem atuar no telemotor).
TipoComo transmiteCom que servomotor
DiretaDuas barras ligadas às duas extremidades da cana do lemeExemplo: a máquina hidrelétrica (fig. 11-4)
QuadrantalA máquina aciona uma pequena roda dentada que engrena num quadrantesetor dentado rigidamente fixado à cana do lemeMuito empregada para máquinas a vapor; a válvula diferencial pode ser comandada por gualdropes, eixos ou telemotor
De tamborCabo de aço (ou corrente) sem fim, com certo número de voltas num tambor; os chicotes fixados à extremidade de um setor quadrantalPode ser empregada com servomotor elétrico
Por parafuso sem fimDuplo parafuso sem fim — rosca à direita numa extremidade, à esquerda na outra; um cursor em cada parafuso, ligado por tirante a uma extremidade da cana. Os cursores deslocam-se em direções opostasServomotor a vapor ou elétrico, ou lemes à mão. Muito usado nos mercantes; caindo em desuso nos de guerra por ser pouco eficiente — embora simples e seguro
Vozes concisas e enunciadas com clareza. Usualmente dadas pelo Comandante ou pelo Oficial de Quarto. O timoneiro acusa o recebimento repetindo o que escutou, ao iniciar a execução, e depois comunica como ficou o leme. Todas as ordens são precedidas do apelativo TIMONEIRO.
VozO que significa
Leme a bombordo (ou boreste)Carregar o leme no ângulo padrão para o bordo que se indica
Leme a bombordo (ou boreste) 5°, 10°, 15° etc.Carregar o leme no ângulo indicado. Esta voz deve ser preferida à anterior
Todo leme a bombordo (ou boreste)Carregar todo o leme (exceto em caso de emergência). O máximo ângulo a usar deve ser 2° ou 3° menos que o valor limite, para evitar que o leme fique preso em fim de curso
Alivia! (ou Alivia o leme)Reduzir de 1/3 o ângulo do leme — voz dada para reduzir a velocidade da guinada
A meio! (ou leme a meio!)Pôr o leme a meio
Quebra a guinada!Carregar rapidamente o leme para o bordo oposto àquele em que se achava carregado, até que a proa pare de guinar, trazendo-o em seguida a meio
Nada a boreste (ou a bombordo)!Governar de modo que a proa não passe para BE (ou para BB) do rumo indicado
Assim!Manter o navio no rumo que a agulha de governo indica no momento desta ordem
Rumo zero zero quatro (ou zero um quatro)Quando se deseja que o timoneiro governe a determinado rumo da agulha — p. ex. 004°, 014°
Bom governo!Quando se deseja chamar a atenção do timoneiro de que o navio está fora de rumo
Como governa? (ou qual a tendência do leme?)Pergunta feita quando se deseja saber o ângulo de leme necessário para manter o navio a caminho. Resposta: A meio, ou a … graus a boreste (ou a BB)
Inverter o lemeIgual quantidade de graus aplicada para o bordo oposto àquele em que o leme se achava carregado
Marque a proaLer imediatamente o indicado pela linha de fé e informá-lo, sem prejuízo de outras manobras em execução
AtençãoFicar de sobreaviso para receber uma ordem
Como diz o leme?Informar o bordo e de quantos graus está carregado o leme
Dar um tope em (ou dar um tope)Transmitido TOPE, TOPE, TOPE pelo timoneiro no momento em que a linha de fé estiver praticamente parada em cima do rumo indicado para o TOPE — ou no rumo de governo, se não for indicado
CienteDada somente por quem ordena a manobra, ao tomar conhecimento de que a ordem foi corretamente repetida pelo timoneiro; o timoneiro repete sempre a ordem recebida

Vozes que partem do próprio timoneiro

"A caminho!"Indicado o rumo, ao alcançá-lo ele informa e repete o rumo. É a comunicação feita logo que consegue se firmar no rumo ordenado, com o leme praticamente a meio — ângulo menor que .
Três vozes que mexem no ângulo já carregado — não confundir: Alivia! = reduz 1/3 do ângulo mantendo o mesmo bordo · Inverter o leme = mesma quantidade de graus para o bordo oposto · Quebra a guinada! = carregar rapidamente para o bordo oposto até a proa parar de guinar, e só então a meio.
Equipamento vital: o pessoal encarregado deve estudar bem funcionamento e conservação. Treinar bem a guarnição a passar do leme a motor para o leme à mão. Em canais ou entradas e saídas de portos, determinar que o leme à mão esteja pronto para o uso.
É este — e só este — o recurso que o art. 11.9 apresenta expressamente para a falha do governo. Os demais recursos abaixo estão espalhados por outros artigos; a SOLAS (11.10) acrescenta o aparelho auxiliar, o suprimento alternativo em 45 s e os exercícios trimestrais.

Recursos para o governo em emergência — quadro montado por este Resumo

Aviso de métodoQuadro montado reunindo o que o Fonseca espalha artigo a artigo. O livro não tem um rol assim no Cap. 11 — a ordem abaixo é de montagem, não do autor.
RecursoContra que falha atuaArt.
Segunda roda do leme, maior que a principal e situada ARAvaria na máquina do leme ou em suas transmissões — permite o movimento manual do leme11.2
Terceira roda do leme, na estação do governo de combateExiste nos navios de guerra de grande porte11.2
Dois conjuntos completos de motor elétrico + bomba hidráulica (um em serviço, outro parado de reserva); a ligação de um pino passa de um para o outroFalha do conjunto do servomotor hidrelétrico em serviço11.4c
Transmissões hidráulicas duplas, afastadas uma da outraAvaria localizada na transmissão entre roda e servomotor11.5b
Molas I do cilindro receptor, que trazem o leme a meioVazamento da rede do telemotor11.6 (fig. 11-5)
Válvula "by pass" E, que permite mover a roda sem atuar no telemotorPermite isolar o telemotor — o livro descreve a função, sem classificá-la como recurso de emergência11.6 (fig. 11-5)
Bomba à mão M e tanque O para enchimento da redeReposição do fluido do telemotor11.6 (fig. 11-5)
Passar do leme a motor para o leme à mão — guarnição bem treinada; em canais e entradas/saídas de porto, o leme à mão pronto para usoFalha do governo normalúnico recurso que o art. 11.9 apresenta expressamente11.9
Aparelho de governo auxiliar, exigido pela SOLASFalha do aparelho de governo principal11.10
Suprimento alternativo de energia em 45 segundosFalha da fonte principal de energia11.10
Exercícios de governo em emergência a cada três mesesNão é recurso material: é a exigência da SOLAS de que a guarnição saiba usá-los11.10
O compartimento do servomotor não é paiol. É comum o contramestre transformar o compartimento do servomotor — ou qualquer estação secundária de governo — em paiol de material. O livro é categórico: não permita; exija esses lugares sempre bem arrumados, com os sobressalentes do servomotor bem peados nas anteparas. Razão prática: a estação secundária só serve se estiver acessível e desimpedida no minuto em que a principal falhar.

O que se cobra do timoneiro

  • Não permitir guinadas superiores a 2 ou 3 graus em condições normais de tempo e mar; manter o navio a caminho corrigindo com pouco leme.
  • Prova a bordo de grande mercante (aparelho que registrava graficamente ângulo do leme, tempo para carregá-lo e tempo na posição): o melhor timoneiro fez, em uma hora, 85 movimentos de leme; o pior, 565.
  • Rendimento do homem: não é aconselhável exigir mais de duas horas no leme; com mau tempo, reduzir o quarto para uma hora.
  • Quase todos os navios têm hoje indicadores gráficos que permitem verificar, em cada minuto, mudanças de rumo e guinadas.
O art. 11.10 reproduz a SOLAS/74 em quatro blocos: (a) instalações · (b) exigências complementares para aparelho elétrico e eletro-hidráulico · (c) segurança da navegação · (d) testes e exercícios. É aqui que estão os números do capítulo.
Item 1 — regra geralSalvo determinação expressa em contrário, todo navio deve ter aparelho de governo principal e aparelho de governo auxiliar, planejados de forma que a falha de um não torne o outro inoperante.

Item 2 — construção e sistema hidráulico

  • Todos os componentes e a madre do leme de construção sólida; atenção especial às especificações de componente essencial que não exista em duplicata.
  • Quando apropriado, mancais antifricçãode esfera, de rolamento ou de luvapermanentemente lubrificados ou dotados de instalações de lubrificação.
  • Pressão de projeto de canalização e componentes sob pressão hidráulica interna: no mínimo 1,25 vez a pressão máxima de trabalho nas condições de 3(b), considerando a pressão do lado de baixa pressão.
  • Critérios de fadiga aplicados no projeto, considerando pressões pulsantes por cargas dinâmicas.
  • Válvulas de segurança em qualquer parte do sistema hidráulico que possa ser isolada e onde possa haver pressão da fonte de energia ou de fontes externas; a regulagem não deve exceder a pressão de projeto, com tamanho adequado e disposição que impeça aumento indevido.

Itens 3 e 4 — desempenho: principal × auxiliar

ExigênciaPrincipal (item 3)Auxiliar (item 4)
Resistência e governoResistência adequada e capaz de governar o navio na velocidade máxima adianteResistência adequada e capaz de governar em velocidade aceitável para a navegação, e de ser colocado prontamente em ação numa emergência
Curso do leme e tempoDe 35° de um bordo para 35° do outro; e, nas mesmas condições, de 35° em ambos os bordos para 30° do bordo oposto no tempo máximo de 28 segundosDe 15° de um bordo para 15° do outro em não mais do que 60 segundos
Condições em que se medeNavio em água salgada, calado máximo, dando adiante com a velocidade máximaNavio em água salgada, calado máximo, dando adiante com a metade da velocidade máxima de serviço ou com 7 nós, o que for maior
Acionamento por fonte de energiaQuando necessário para atender a 3(b) e, em qualquer caso, quando se exigir madre de diâmetro superior a 120 mm na altura da cana, excluindo reforço para navegação no geloQuando necessário para atender a 4(b) e, em qualquer caso, quando se exigir madre de diâmetro superior a 230 mm na altura da cana, excluindo reforço para navegação no gelo
Marcha atrásProjetado de maneira que não será avariado quando o navio estiver dando toda força atrás
Erro clássico da matéria. Os 28 segundos estão amarrados ao trecho 35° de um bordo → 30° do bordo oposto. O curso completo 35° → 35° é exigido sem prazo próprio enunciado ali. Trocar uma coisa pela outra é o erro clássico.

Item 5 — fontes de energia

  • Fontes do principal e do auxiliar devem dar nova partida automaticamente quando o suprimento for restabelecido após uma falha.
  • Devem poder ser postas em funcionamento de um local situado no passadiço.
  • Falha de fornecimento de força para qualquer unidadealarme sonoro e visual no passadiço.

Item 6 — quando duas ou mais unidades motoras dispensam o auxiliar

HipóteseCondição
(a) Navio de passageiroO principal seja capaz de movimentar o leme como exigido em 3(b) enquanto qualquer uma das unidades motoras estiver fora de ação
(b) Navio de cargaO principal seja capaz de movimentar o leme como exigido em 3(b) enquanto operando com todas as unidades motoras
(c) AmbosO principal seja planejado de modo que, após uma única falha no sistema de canalizações ou em uma das unidades motoras, o defeito possa ser isolado, mantendo-se ou rapidamente restabelecendo-se a capacidade de governo
Não hidráulicosAparelhos que não sejam do tipo hidráulico devem apresentar padrões de desempenho equivalentes, à satisfação da Administração.

Item 7 — estações de controle

  • (a) Principal: no passadiço e no compartimento do próprio aparelho.
  • (b) Quando o principal for comandado por dois sistemas de comando independentes, ambos operáveis do passadiço — o que não exige duas rodas do leme nem duas canas; e, se o sistema de comando consistir em telemotor hidráulico, não é necessário um segundo sistema independente, exceto em navio-tanque, navio-tanque para produtos químicos ou navio transportador de gás de arqueação bruta igual a 10.000 ou mais.
  • (c) Auxiliar: no próprio compartimento do aparelho de governo e, quando acionado por fonte de energia, também do passadiço, sendo independente do sistema de controle do principal.

Item 8 — as cinco exigências dos sistemas de controle operáveis do passadiço

  • (a) Se elétrico, servido separadamente por circuito próprio, alimentado pelo circuito que supre força para o aparelho a partir de ponto no próprio compartimento, ou diretamente pelas barras de força do quadro elétrico que alimenta os circuitos de força do aparelho, num ponto adjacente à saída da alimentação desse circuito.
  • (b) No compartimento do aparelho de governo, dispositivos para desligar qualquer sistema de controle acionado do passadiço.
  • (c) O sistema deve ser capaz de ser acionado de um local situado no passadiço.
  • (d) Falha na alimentação elétrica do sistema de controlealarme sonoro e visual no passadiço.
  • (e) A proteção contra curto-circuito deve ser provida somente para os circuitos que alimentam o sistema de controle do aparelho de governo.
Item 9Circuitos de energia elétrica e sistemas de controle, com componentes, cabos e canalizações, devem estar separados tanto quanto possível ao longo de todo o seu comprimento.
Item 10Deve haver meios de comunicação entre o passadiço e o compartimento do aparelho de governo.
Item 11 — ângulo do leme(a) indicado no passadiço se o aparelho for acionado por fonte de energia — indicação independente do sistema de controle; (b) reconhecido no compartimento do aparelho de governo.

Item 12 — aparelho acionado por energia hidráulica

  • (a) Dispositivos para manter a limpeza do fluido hidráulico, conforme tipo e projeto do sistema.
  • (b) Alarme de baixo nível para cada reservatório, dando a mais antecipada indicação possível de vazamentosonoro e visual, no passadiço e nos compartimentos de máquinas onde sejam facilmente percebidos.
  • (c) Tanque fixo de armazenamento capaz de recarregar no mínimo um dos sistemas de transmissão de potência, inclusive seu reservatório, quando se exigir que o principal seja acionado por fonte de energia — permanentemente conectado por canalização apropriada, recarregável de um local no compartimento do aparelho de governo, e dotado de indicadores de nível.
Item 13 — compartimentoDe fácil acesso e, tanto quanto possível, separado dos compartimentos de máquinas; com disposições que garantam acesso para trabalho nas máquinas e controlescorrimões e estrados e outras superfícies não escorregadias, para assegurar condições de trabalho no caso de vazamento do fluido hidráulico.

Item 14 — suprimento alternativo de energia

Quando se exigir madre de diâmetro superior a 230 mm junto à cana (excluindo reforço para gelo), deve haver suprimento alternativo entrando automaticamente em ação em 45 segundos, capaz de alimentar no mínimo a unidade motora (características conforme 4(b)) e ainda o sistema de controle associado e o indicador de ângulo do leme.
Que fonte pode serFonte de emergência de energia elétrica ou fonte independente localizada no compartimento do aparelho de governo — e esta só pode ser usada para esse propósito.
NavioFuncionamento contínuo mínimo
Arqueação bruta igual ou superior a 10.00030 minutos, no mínimo
Qualquer outro navio10 minutos, no mínimo
Item 15Principal com duas ou mais unidades motoras idênticas em todo navio-tanque, quimiqueiro e gaseiro de AB ≥ 10.000, e em cada outro navio de AB ≥ 70.000.

Item 16 — tanques/quimiqueiros/gaseiros de AB ≥ 10.000

  • (a) Projetado de modo que, na perda da capacidade de governo por uma única falha em qualquer sistema de transmissão de energia do principal — excluindo a cana do leme, o quadrante ou componentes de mesma função — ou por falha dos dispositivos acionadores do leme, a capacidade de governo esteja recuperada em não mais de 45 segundos após a perda de um dos sistemas.
  • (b) Deve compreender dois sistemas de transmissão de energia independentes e distintos, cada um atendendo a 3(b), ou no mínimo dois sistemas idênticos que, funcionando simultaneamente em operação normal, atendam a 3(b) — e, quando necessário, os sistemas hidráulicos interligados entre si, com vazamentos detectáveis e o sistema avariado automaticamente isolado, de modo que o outro continue plenamente funcionando.
  • (c) Aparelhos que não sejam do tipo hidráulico devem ter padrões de desempenho equivalentes.

Item 17 — alternativa para AB ≥ 10.000 e < 100.000 TPB

  • Podem ter autorizadas outras soluções que não as do item 16, sem aplicar obrigatoriamente o critério de falha única do(s) dispositivo(s) acionador(es) do leme, desde que se consiga padrão equivalente de segurança, e que:
  • (a) na perda de governo por falha única de elemento do sistema de canalizações ou de uma das unidades motoras, a capacidade esteja restabelecida em 45 segundos;
  • (b) havendo um único dispositivo acionador, atenção especial à análise dos esforços do projeto — incluindo fadiga e fraturas mecânicas conforme apropriado — quanto ao material, à instalação dos dispositivos de selagem, aos testes, à inspeção e ao estabelecimento de efetiva manutenção; a Organização adota Diretrizes para aceitação de dispositivos não duplicados de acionadores de leme nesses navios.

Itens 18 a 20 — disposições transitórias por data

ItemAlcancePrazo e obrigação
18Quimiqueiro e gaseiro de AB ≥ 10.000 e < 70.000 TPBAté 1.º de setembro de 1986 podia aceitar sistema com certificado de confiabilidade comprovada, não obedecendo ao critério de falha única do sistema hidráulico do item 16
19Todo navio-tanque, quimiqueiro ou gaseiro de AB ≥ 10.000 construído antes de 1º de setembro de 1984Até 1.º de setembro de 1986: obedecer aos itens 7(a), 8(b), 8(d), 10, 11, 12(b), 12(c) e 13(b); ter dois sistemas independentes de controle, cada um operável do passadiço (não exige duplicar roda ou cana); falhando o sistema em operação, o segundo entra imediatamente, acionado do passadiço; e cada sistema, se elétrico, servido separadamente por circuito próprio — do circuito de força do aparelho ou direto das barras do quadro, em ponto adjacente à saída desse circuito
20Os mesmos tipos, de AB ≥ 40.000, construídos antes de 1º de setembro de 1984Até 1.º de setembro de 1988, projetado de modo que, ocorrendo avaria única nas canalizações ou em uma unidade motora, a capacidade de governo pudesse ser mantida ou a movimentação do leme fosse limitada para pronto restabelecimento — por (a) dispositivos independentes restringindo os movimentos do leme; ou (b) válvulas de ação rápida manobráveis manualmente para isolar das canalizações hidráulicas externas o(s) acionador(es), junto com dispositivos de recarregá-los diretamente por bomba fixa e independente, com fonte de energia própria e sistema de canalizações; ou (c) instalação que, com sistemas motrizes hidráulicos interconectados, viabilize a detecção de vazamento e o isolamento automático do avariado, ou que o outro sistema permaneça em pleno funcionamento

b) Exigências complementares para aparelho elétrico e eletro-hidráulico

  • (1) Dispositivos para indicar que os motores estão em funcionamento, instalados no passadiço e em local adequado do controle das máquinas principais.
  • (2) Cada aparelho elétrico ou eletro-hidráulico com uma ou mais unidades motoras deve ser servido por no mínimo dois circuitos exclusivos alimentados diretamente pelo quadro elétrico principal; um deles pode vir do quadro de emergência. Aparelho auxiliar elétrico/eletro-hidráulico associado a um principal do mesmo tipo pode ser ligado a um dos circuitos que alimentam o principal. Os circuitos devem ter capacidade para todos os motores que podem ser simultaneamente ligados e exigidos a funcionar ao mesmo tempo.
  • (3) Proteção contra curto-circuito e alarme de sobrecarga nesses circuitos e motores. A proteção contra excesso de corrente, inclusive de partida, se instalada, não deve ter capacidade menor que duas vezes a intensidade da corrente a plena carga do motor ou circuito protegido, e deve permitir a passagem das correntes apropriadas de partida. Com alimentação trifásica, alarme que indique falha de qualquer uma das fases. Alarmes sonoros e visuais, facilmente percebidos nos compartimentos das máquinas principais ou no centro de controle da máquina, satisfazendo ainda a Regra 51, Parte C, Cap. II-1 do texto consolidado do Anexo à SOLAS/74.
  • (4) Em navio de AB menor que 1.600, quando se exigir (conforme a)4.(c)) auxiliar acionado por fonte de energia não elétrica, ou por motor elétrico prioritariamente previsto para outros serviços, o principal pode ser alimentado por um circuito do quadro principal. Posto tal motor a acionar o auxiliar, a Administração pode dispensar as exigências do item (3) acima se julgar satisfatórios os dispositivos de proteção, junto com as exigências de a)5.(a), a)5.(b).2 e a)7.(c) aplicáveis ao auxiliar.

c) Segurança da navegação — o item que fala ao prático

Nas áreas em que a navegação exigir atenção especial, os navios deverão ter em funcionamento mais de uma unidade de alimentação da máquina do leme, quando estas unidades puderem funcionar simultaneamente. Em área exigente — e a praticagem é o caso típico — a redundância não fica de reserva, fica em funcionamento.

d) Testes e exercícios

(1) Regra geralAté 12 horas antes de suspender, a máquina do leme deve ser verificada e testada pela tripulação.

(1) Rol do procedimento de teste — funcionamento de:

  • a máquina do leme principal;
  • a máquina do leme auxiliar;
  • os sistemas de controle remoto da máquina do leme;
  • os locais de governo existentes no passadiço;
  • o suprimento de energia de emergência;
  • os indicadores do ângulo do leme em relação à verdadeira posição do leme;
  • os alarmes de falta de energia no sistema de controle remoto;
  • os alarmes de avaria na unidade de força;
  • os dispositivos automáticos de isolamento e outros equipamentos automáticos.

(2) As verificações incluem ainda:

  • o movimento completo do leme, de acordo com as possibilidades da máquina;
  • uma inspeção visual da máquina do leme e das suas ligações e articulações;
  • o funcionamento dos meios de comunicação entre o passadiço e o compartimento da máquina do leme.
(3) Instruções afixadasPermanentemente no passadiço e no compartimento da máquina do leme: instruções de funcionamento simples, com diagrama de bloco, mostrando os procedimentos de transferência para os sistemas de controle remoto e as unidades de força. Todos os oficiais envolvidos na operação e/ou manutenção devem conhecer bem a operação dos sistemas e os procedimentos para passar de um sistema para outro.
(4) ExercíciosExercícios de governo em emergência pelo menos uma vez a cada três meses, incluindo o controle direto no compartimento da máquina do leme, os procedimentos de comunicação com o passadiço e, quando aplicável, o funcionamento de suprimentos alternativos de energia.
(5) Viagens curtasNavios empregados regularmente em viagens de curta duração podem ser dispensados das verificações e testes de (1) e (2); devem realizá-los pelo menos uma vez por semana.
(6) RegistroDevem ser registrados a data das verificações e testes de (1) e (2) e a data e os detalhes dos exercícios de governo em emergência de (4).
ObrigaçãoQuando
Verificação e teste da máquina do leme pela tripulação (regra geral)Até 12 horas antes de suspender
Verificação e teste em navios de viagens de curta duração (dispensados de (1) e (2))Pelo menos uma vez por semana
Exercícios de governo em emergênciaPelo menos uma vez a cada três meses
Registro das datas dos testes e da data e detalhes dos exercíciosSempre que realizados
Mastreação = conjunto de mastros, mastaréus, vergas e antenas de um navio. Nos veleiros, os mastros suportam as velas (aparelho propulsor) — partes vitais. O capítulo trata somente da mastreação dos navios de propulsão mecânica.

Funções nos navios de propulsão mecânica

adriçasvergas de sinaisantenas de radarninho de pegapaus de carga (mercantes)instrumentos de controle (guerra)postos de observação de tiro (guerra)

Mastro inteiriço × mastro real + mastaréu

Inteiriçotambém se diz mastro mocho.
Completado por mastaréua parte fixa no casco é o mastro real.
PeçaNo mastro realNo mastaréu
Parte inferior, que encaixa na carlinga
Parte principal e mais resistenteCorpo
Parte superior, onde encapela o aparelho fixoCalcês
Parte acima das encapeladurasGalope
Extremidade superiorTope — recebe a borla e a flecha dos para-raios
Fig. 11-7
Fig. 11-7 — Mastro e aparelho de um navio de carga
Leitura da tabela. Galope e tope são nomes próprios do mastaréu, mas o livro estende os dois ao mastro inteiriço, cujas partes extremas superiores também os recebem. Calcês e corpo o autor enuncia para o mastro real.
BorlaPeça circular chata, de madeira, que emecha nos topes de mastaréus, mastros inteiriços, paus de bandeira etc.; tem gornes para as adriças de bandeiras e flâmulas.

Guinda do mastro (ou do mastaréu) comprimento/altura de cada um deles Guinda da mastreação = altura total do mastro com o mastaréu correspondente

Tipos de estrutura (11.12b)

TipoConstituiçãoOnde e por quê
Tubular simplesSeções de tubo de aço, ou chapas curvas soldadas (ou cravadas) em seção tubular, reforçadas por dentro por cantoneirasO mais usado e o mais leve; é o menos rígido e deve ser estaiado por cabos de aço. Mercantes: geralmente doisde vante e de ré, sendo o de ré o de maior guinda. Guerra: um ou dois mastros
TrípodeTubo vertical de grande diâmetro escorado por dois de menor diâmetro, um de cada bordoDispensa o estaiamento; facilita plataformas sobre base rígida; acesso por escada de degraus de ferro no interior do tubo maior
EstruturalTorre de seção cilíndrica ou oval, de grandes dimensões — superestrutura troncônica, em aço estrutural à prova de estilhaçosAlguns navios de guerra de grande porte, em vez do mastro real
TelescópicoSubmarinos, para serem recolhidos em imersão
De rebaterEmbarcações pequenas

Fixação

  • Mastros simples: fixados na sobrequilha (art. 4.12.2) nos navios pequenos, atravessando convés e cobertas pelas enoras.
  • Navios grandes: raramente vão até a sobrequilha — fixam-se na primeira ou na segunda coberta.
  • Muitos cargueiros modernos: fixados ao convés, mantidos na posição por estrutura que se eleva a pequena altura.
  • Mastaréu: fixado por anteavante ou por ante a ré do mastro real, enfiando o por dois aros de aço presos ao galope do mastro real; antigamente, peça de madeira semelhante chamada pega. Podem ter gornes de proa a popa onde trabalham as roldanas de adriças.
  • Mastaréus usualmente de madeira; mastros de madeira abolidos, exceto em embarcações pequenas.
  • Mastros ligeiramente inclinados para ré, para serem mais facilmente aguentados pelo aparelho.
Esforços sobre os mastros: jogo do navio, vento e paradas repentinas. Nos cargueiros, os mastros aguentam os paus de carga e suportam esforços muito maiores nas manobras de içar e arriar a carga. Para isso, encapelam-se cabos fixos em mastros e mastaréus = aparelho fixo da mastreação.
Fig. 11-10
Fig. 11-10 — Cabo fixo de um mastro
Dispensam o aparelho fixo: os mastros trípodes e os mastros estruturais dos navios de guerra.
Fig. 11-8
Fig. 11-8 — Mastros típicos dos navios de guerra
De que constaestais e brandais; nos navios antigos e em alguns pequenos, enxárcias para os mesmos fins dos brandais. Todos os cabos fixos são de aço.
Fig. 11-9
Fig. 11-9 — Ovéns e colhedores das enxárcias (em desuso nos navios atuais)
CaboAguenta a mastreação paraObservação do autor
EstaiPara vanteOrientado no plano diametral; chicote superior encapela no calcês do mastro/mastaréu, o inferior engata em olhal do convés ou estrutura resistente. Toma o nome do mastro ou mastaréu que suporta (estai do mastro de vante, estai do mastaréu de vante etc.)
ContraestaiReforça o estaiCabo de mesma bitola do estai, encapelado por cima dele
Estai de encontroPara a popaAssim chamado por se orientar em sentido contrário ao dos estais; existe em alguns navios
BrandalPara as bordasNos mercantes, dois, três ou quatro de cada bordo, espaçados para vante e para ré o quanto possível, para não interferir com as manobras dos paus de carga
Ovém (conjunto = enxárcia)Como os brandais, aguenta mastros e mastaréusOvéns seguros entre si pelos enfrechates (conjunto = enfrechadura, amarrados como no art. 8.149); o último ovém de ré fora da enfrechadura — amarrado de 5 em 5 enfrechates — chama-se cupês. Enxárcia abolida nos navios de propulsão mecânica
Acesso ao mastro hojeA enxárcia permitia o acesso; nos mastros metálicos atuais, por degraus de ferro soldados ou escadas de quebra-peito de cabo.

Fixação dos cabos fixos ao convés

  • Ovéns eram fixados aos olhais por bigotas e colhedores (fig. 11-9) ou por macacos (fig. 11-10).
  • Logo acima dos colhedores (ou macacos), os ovéns — inclusive o cupês — são amarrados a um vergalhão de ferro horizontal chamado malhete, que mantém os ovéns em posição, afastados uns dos outros. No alto pode haver também um malhete de madeira.
  • Chicotes superiores: encapelados no calcês com braçadeiras. Chicotes inferiores: têm macacos para regular a tensão e são engatados com gato de escape ou manilhados em olhais solidamente soldados no convés, numa superestrutura ou numa plataforma.
Homonímia. Na mastreação, malhete é o vergalhão horizontal a que se amarram os ovéns. Na amarra (Cap. 10), malhete é o travessão interno do elo.

Para-raios (11.14)

Onde e o quêNos mastros de madeira, a borla leva uma pequena haste de cobre — o para-raios —, ligada a fio elétrico ou fita metálica que desce ao longo dos mastros e se fixa na estrutura metálica do navio.
Fim e dispensaProteger o navio das descargas elétricas da atmosfera; é dispensável nos mastros metálicos.
Vergas = peças de madeira ou de ferro que se cruzam nos mastros ou mastaréus, por anteavante, orientadas de BB a BE; forma cilíndrica ou octogonal na parte média, afinando-se para as extremidades.
Parte da vergaNome
Parte médiaTerço
Cada uma das extremidadesLais (também se chama lais ao comprimento das vergas)
Parte junto ao laisCunho
Fig. 11-11
Fig. 11-11 — Verga de sinais
Adriças e moitõesA verga tem extensão suficiente para os moitões das adriças de sinaismais numerosas nos navios de guerra que nos mercantes. Moitões pequenos, de metal e do tipo de tornel.

Fixação da verga

  • Ao mastro, por braçadeira ou aro de chapa denominado chapa do terço — porque abraça a verga nessa parte.
  • Nos laises, sustentada por amantilhos de cabo de aço singelo, dados para o mastro: no lais, cada amantilho se prende a olhal soldado à verga ou a aro de chapa = chapa do lais; no mastro, faz arreigada fixa em aro de chapa = chapa das arreigadas.
  • Verga grande: entre o terço e cada lais há um estribo de cabo de aço, para apoio dos pés de quem trabalha nela; o seio do estribo é aguentado por cabos de aço verticais igualmente espaçados chamados andorinhos.

Ninho de pega e cesto de gávea (art. 11-16)

  • Em quase todos os navios, no calcês do mastro de vante: plataforma de cantos arredondados, piso para vigia ou quem trabalhe no mastro = ninho de pega.
  • Circundado por balaustrada ou chapa fina de resguardo, que toma o nome de pavês.
  • Sustentado por vergalhões de ferro chamados arreigadas, fixados à chapa das arreigadas no mastro; em muitos navios, principalmente cargueiros, apoia-se em curvatões — vigas robustas assentes nos mastros, de BB a BE nos navios modernos, destinadas a aguentar o aparelho dos paus de carga.
  • Nos mercantes diz-se cesto de gávea, ou só gávea. Nos veleiros, o cesto de gávea serve para espalhar a enxárcia do mastaréu imediatamente superior e para sustentar o pessoal que trabalha na mastreação.

Carangueja (11.17)

Verga colocada obliquamente e pela face de de um mastro, no plano diametral do casco.
ParteO que é
A parte mais grossa, que fica junto ao mastro
CorpoA parte do meio
PenolA extremidade livre
  • O tem pino de aço = garlindéu, que emecha em peça fixa ao mastro — pé-de-galinha ou cachimbo.
  • Em alguns casos o pé termina em semicírculo = boca de lobo, que abraça o mastro prendendo-se a um trilho-guia por ante a ré chamado frade ou fuso.
  • O penol é mantido elevado por um amantilho. O ângulo que a carangueja faz com o mastro = repique da carangueja.
  • No penol fixam-se ainda dois cabos de aço chamados guardins, que fazem arreigada em olhais na borda do navio ou na superestrutura, para aguentar lateralmente a verga.
  • Peça leve: o penol tem pequeno moitão por onde gurne a adriça da Bandeira Nacional, envergada com o navio em movimento.
  • Nos navios de dois mastros, a carangueja fica no mastro de ré. Nos veleiros, é a peça onde se enverga uma vela latina.
DefiniçãoRemetida pelo Fonseca ao art. 1.163. Função: instalados nos mercantes para carga e descarga de mercadorias; ocasionalmente alguns navios de guerra os empregam para manobras diversas.
ParteO que é
A extremidade fixa — tem pino de aço garlindéu que emecha em peça fixa ao mastro (ou ponto próximo) chamada cachimbo
CorpoA parte média
LaisA extremidade livre — tem aro de chapa (chapa do lais) com usualmente quatro olhais para os cabos do aparelho
O garlindéu é eixo vertical e prende-se ao pau por outro pino horizontal: dois eixos a 90° = junta universal, que permite ao pau mover-se em qualquer direção.

Os três aparelhos do pau de carga — não confundir

AparelhoFunçãoComo se fixa
Amante (ou amantilho) — art. 11.19Iça ou arria o pau de carga, ou o aguenta ao alto na posição desejadaUma extremidade no lais do pau de carga, a outra vai ter ao calcês do mastro
Guardins — art. 11.20Movimento lateral do pau de carga, ou mantê-lo na posição durante as manobrasDois: um para BE e outro para BB; cada um preso à chapa do lais e, na outra ponta, em pontos do convés, usualmente junto às amuradas
Aparelho de içar — art. 11.21Iça e arria a cargaCatarina nos paus usuais; talha (ou estralheira) nos paus de serviço pesado
Três aparelhos, três funções: amante iça/arria o pau · guardins movem o pau lateralmente · aparelho de içar iça/arria a carga.
Fig. 11-12Fig. 11-12
Fig. 11-12 — Pau de carga

Material conforme o peso (11.18e)

Faixa de cargaMaterial
Até 3 toneladasMadeira — muito empregada
De 3 a 20 toneladas, ou maisSeção tubular (tubo de aço), como os mastros
Em geral de 20 toneladas para cimaTreliça — estrutura de perfis de aço, somente para grandes pesos

Quantidade, alcance, diâmetro e poleame

  • Número por escotilha depende do tamanho da escotilha e de como são aparelhados. Instalação mais comum = paus conjugados: apenas dois paus em cada lado do mastro. Trabalhando independentemente: geralmente quatro paus em cada extremidade de escotilha.
  • Pau inclinado de 35° a 45° sobre a horizontal → o gato alcança até cerca de 2/3 do comprimento da escotilha.
  • Pau de través (90° com o plano diametral) → alcance para fora do costado de 2,5 m (navios pequenos de cabotagem) até 4 a 7,5 m (cargueiros de tamanho médio).
  • Diâmetro ligeiramente maior na parte média, onde são maiores os esforços de flexão.
  • Poleame do tipo lubrificado, fixado sempre por manilha, em vez de gatos.

Os três tipos de amante (11.19)

MaterialCabo de fibra ou de aço — o aço é o mais empregado. É quase sempre móvel: consta de aparelho de laborar, para permitir içar ou arriar o pau.
TipoAparelho de laborarComo se aboça
Amante singeloUm chicote do cabo de aço faz arreigada fixa em olhal do lais; o outro gurne em moitão fixo ao mastro, desce junto a este e é manilhado a um dos três furos de um triângulo de chapa grossa. Em outro furo, o tirador (cabo geralmente de aço, forrado de merlim) que vai ao guincho após passar por moitão no pé do mastro; no terceiro furo, a boçaBoça = corrente forte de bitola de 1 polegada, presa a olhal no convés quando o pau atinge a altura desejada — retira o esforço do tirador e do guincho
Amante de talha dobrada ou de estralheiraTalha dobrada ou estralheira dobrada de cabo de aço; o cadernal de onde sai o tirador é fixo ao mastro e o outro ao lais. O tirador desce junto ao mastro, gurne por patesca no pé do mastro e dá volta no guincho
Fig. 11-13
Fig. 11-13 — Instalação típica dos paus de carga para pesos médios (até 6 toneladas)
Boça de corrente com fiel de cabo de fibra, em cinco passos (rol abaixo)
Amante com aparelhoAmante singelo cujo cabo faz arreigada fixa no lais, gurne por moitão no mastro, desce e se amarra a uma talha dobrada de cabo de fibra pouco acima do convés — essa talha chama-se betaUsualmente aboçado por cabo de fibra, de modo semelhante

Como se aboça o amante de talha dobrada ou de estralheira — cinco passos

#Passo
1Passar a boça no tirador do amante, com cotes espaçados de 30 a 45 centímetros
2Dar algumas voltas redondas com o fiel, no sentido oposto ao da cocha do cabo de aço (tirador), aguentando o fiel sob mão
3Solecar o tirador, desenrolando até que a boça fique bem tesada
Fig. 11-16
Fig. 11-16 — Amante singelo, com boça de chapa
4Dar volta ao tirador num cunho fixo ao mastro, ou outro ponto próximo, com duas voltas redondas ou três voltas falidas, pelo menos
5Abotoar junto ao cunho com merlim ou outro cabo fino qualquer, de fibra
Fig. 11-14
Fig. 11-14 — Pau de carga para grandes pesos

Guardins (11.20)

  • Também chamados plumas. Constam de talha de cabo de fibra, ou de cabo de aço singelo amarrado ao cadernal superior de uma talha de cabo de fibra.
  • Fig. 11-15
    Fig. 11-15 — paus de carga prontos para operar. Os guardins foram passados de modo a ficar um sobre a escotilha e outro para fora.
  • O cadernal inferior é manilhado ao convés, em olhal disposto de modo que o guardim forme ângulo reto, ou aproximadamente reto, com o pau de carga.
  • Paus instalados aos pares (o usual): há somente os guardins externos, amarrados às amuradas; os internos são substituídos por um teque que liga os dois paus entre si pelos laises.

Aparelho de içar (11.21)

  • Geralmente um simples retorno — aparelho de laborar sem multiplicação de potência — com catarina manilhada ao lais. Para grandes pesos: talha dobrada ou estralheira dobrada.
  • Percurso do tirador: retorno-guia (com ou sem rodete) na face inferior do pau de carga → labora em moitão fixo ao mastro abaixo do cachimbomanilhado ao tambor do guincho.
  • Cabo de aço, de 5/8 de polegada para as cargas usuais; comprimento tal que, com a carga arriada no porão, ainda haja algumas voltas no tambor do guincho.
Poleame do aparelho de içarRoldanas de metal fundido, lubrificadas com graxa ou grafite; caixa do poleame, gatos, manilhas etc. de ferro ou aço macio — a caixa pode ser também de ferro fundido maleável. Escolhido com fator de segurança mínimo de 5, com a carga de trabalho marcada nele, e o fabricante deve fornecer certificado de que foi testado.

Aparelhos de carga de grande porte (11.22) — os sete sistemas

Contexto: o crescimento da movimentação de contêineres e o aparecimento dos grandes navios especializados obrigaram os terminais a buscar soluções, visando à redução do tempo de execução da tarefa, com minimização dos custos e aumento da satisfação dos clientes.
EquipamentoO que é e para que serve
(a) GuindastesFazem parte da dotação de alguns navios cargueiros, dimensionados para os pesos que precisam içar. Vantagem: ser acionado por um só homem e economizar tempo na faina
(b) CábreasSistema misto de embarcação e guindaste, para içar, arriar e transportar grandes pesos. Grande vantagem: evitar a atracação dos navios no cais para embarque/desembarque de grandes pesos; usadas também para içar pesos submersos
(c) Esteiras rolantesSistema de movimento permanente destinado a levar rapidamente, do cais ao navio, carga a granel ou em caixa
(d) SugadoresPara embarque de grãos em graneleiros: por grandes mangotes, o trigo sai dos silos, é transportado em esteiras rolantes até o cais e é sugado diretamente aos porões
(e) TranstêineresGuindastes com estrutura de pórtico, exclusivamente para contêineres; podem ser de translação sobre trilhos (TT) ou sobre pneus (TP)
(f) PortêinerAparelho levantador suportado por um carrinho que se desloca sob um trilho suspenso; especialmente construído para contêineres — conhecido como porta-contêiner
(g) Mobile Harbour Crane — MHCEquipamento de extrema flexibilidade, para o mesmo fim que o portêiner na movimentação de contêineres em navios especializados
Duas distinções que a banca gosta. O transtêiner é guindaste de pórtico, de uso exclusivo para contêineres, classificado pelo modo de translação (TT trilhos / TP pneus). O portêiner tem carrinho sob trilho suspenso e é o "porta-contêiner". O MHC serve ao mesmo fim do portêiner, com a vantagem da flexibilidade.