🧭 Resumo · Cap. 12 — Manobra do Navio

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Fonseca, Arte Naval, v. 2, 8ª ed. — os Caps. 9 a 12 estão fisicamente no Volume 2 · II.01-AN · Área II do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Manobrar é arte que só se aperfeiçoa com prática no mar; os princípios teóricos ajudam a compreender a ação evolutiva, mas não podem ser generalizados sem resguardo — cada manobra depende do navio, do estado do tempo e do local.

Os sete fatores que influem no governo

  • efeito do leme
  • efeitos do propulsor
  • corrente de esteira
  • condições de mar e vento
  • calado, trim e banda
  • pouca profundidade
  • pequena largura de um canal
Navio-padrão do capítulo (salvo indicação contrária): tamanho médio, sem formas especiais, leme por ante a ré do hélice, mar tranquilo, sem vento nem correnteza. Simplificação didática — a bordo, vento e corrente são preponderantes nas velocidades moderadas de manobra.
Convenção do artigoTodo o estudo admite hélice de passo direito. Para passo esquerdo, invertem-se os resultados.

12.2 — Efeito do leme: sentido AV × AR

Dando adiante: a pressão normal empurra a popa para o bordo contrário ao do leme → a proa guina para o bordo do leme, com ligeiro abatimento para o bordo oposto.
Dando atrás é o contrário: a pressão se exerce de ré para vante sobre a porta do leme → a popa guina PARA o bordo em que se deu o leme, logo a proa guina para o bordo contrário.

Pressão normal componente transversal (guina) componente longitudinal (resiste à propulsão, reduz a velocidade)

Por que AR governa menosNa AV os filetes incidem direto no ângulo leme × cadaste; na AR contornam a face externa e deixam na interna uma zona de águas mortas. Para a mesma velocidade, a ação evolutiva é muito menor a ré.

De que depende a pressão normal

  • ângulo do leme · velocidade dos filetes líquidos · área do leme · forma da popa
  • Teoricamente cresce com o ângulo até 45°; na prática, passado o ângulo de borbulho, a pressão fica irregular e o ganho cai.
Fig. 12-1Fig. 12-1
Fig. 12-1 — Ação da água sobre o leme
ÂnguloValor
Máximo do leme, em geral35° (raramente 40°)
Efeito máximo — navios de guerra30° a 35°
Efeito máximo — mercantes25° a 30°
Área de lemeEntre navios do mesmo tamanho, os de menor velocidade precisam de maior área — a pressão normal varia com o quadrado da velocidade.
Fig. 12-2a
Fig. 12-2a — Correntes do hélice, marcha AV
Banda na guinada. Centro de pressão do leme fica abaixo do CG → no início o navio inclina para dentro da curva; com a continuação, a força centrífuga anula e gera banda para fora, máxima logo após o primeiro balanço. Trazer o leme a meio nesse instante pode gerar ângulo perigoso para fora — a manobra correta é reduzir a velocidade sem alterar o leme, nunca quebrar a guinada nesse momento.
Sucção × descarga: a diferença é de DIREÇÃO, não de sentido. A sucção é sensivelmente paralela ao eixo; a descarga é lançada diagonalmente à quilha. As duas correm no mesmo sentido: para ré com o hélice dando adiante, para vante com o hélice dando atrás.
Fig. 12-2b
Fig. 12-2b — Correntes do hélice, marcha AR
Fig. 12-2c
Fig. 12-2c — Efeito da corrente de descarga sobre a popa, na marcha AR
1º caso — marcha AVSucção: sem efeito no governo (paralela ao eixo). Descarga: incide no leme; com leme a meio prepondera o efeito das pás de baixo → a popa tende a cair para BB, principalmente em lastro (hélice aflorando).
2º caso — marcha ARSucção: sem efeito com leme a meio, mas aumenta a ação do leme se ele tem ângulo. Descarga: incide sempre contra a carena na popa a BE e, como a popa é cheia em cima e fina embaixo, prepondera o efeito das pás mais altas → popa também cai para BB.

Pressão lateral das pás (12.4)

  • As pás de baixo giram em maior profundidade, sob pressão maior → esforço maior na água.
  • Um hélice, passo direito: AV → popa para BE; AR → popa para BB (o efeito se inverte).
  • Só tem importância prática com as pás no alto emersas (navio em lastro) ou nos primeiros momentos de pôr o navio em marcha.

Corrente da esteira (12.5)

  • Massa de água arrastada pelo atrito da carena; máxima na linha-d'água, praticamente nula na quilha; avaliada por alguns autores em 1/10 da velocidade do navio.
  • AV (origina-se na popa): reduz a velocidade dos filetes sobre o leme → diminui a ação do leme; e, sendo maior perto da linha-d'água, aumenta a pressão sobre as pás superioresneutraliza a pressão lateral (que por isso só é sensível com o navio parado ou muito devagar).
  • AR (forma-se na proa): não tem qualquer efeito no governo.
Ação do propulsorMarcha AVMarcha AR
Corrente de sucçãoNão tem efeitoNão tem efeito c/ leme a meio; aumenta a ação do leme se ele tem ângulo
Corrente de descargaPopa cai p/ BB c/ leme a meio; aumenta a ação do leme se ele tem ânguloPopa cai p/ BB
Pressão lateral das pás (só sensível no início do movimento ou c/ pás no alto emersas)Popa cai p/ BEPopa cai p/ BB
Corrente da esteiraNeutraliza a pressão lateral; reduz a ação do lemeNão tem efeito
Quatro casos, sempre um hélice de passo direito, sem vento nem corrente: navio e hélice AV · navio e hélice AR · seguimento a vante, hélice atrás · seguimento a ré, hélice adiante.

12.6.1 — Navio e hélice em marcha a vante

  • O leme tem a maior importância; o propulsor pouco pesa, exceto ao partir do repouso.
  • Leme a meio: proa guina p/ BB (pressão lateral) — tendência que desaparece com o aumento de velocidade (esteira); a meia velocidade já não há efeito evolutivo apreciável e em altas velocidades alguns navios pendem levemente p/ BE.
  • Leme carregado antes de dar adiante: a descarga supera a pressão lateral e a proa guina p/ o bordo do leme — mais facilmente p/ BB, onde pressão lateral se soma à descarga.
  • Aplicação: p/ levar a proa a barlavento antes de ganhar velocidade — carrega-se o leme (de preferência p/ BB) só depois dá-se adiante toda força.

12.6.2 — Navio e hélice em marcha a ré

Esteira não influi leme leva a popa ao bordo em que foi carregado sucção soma-se ao leme descarga incide na popa a BE pressão lateral leva a popa p/ BB

Regra de resumo: ao começar a dar atrás partindo do repouso, a popa cai p/ BB mesmo com o leme a BE, sendo quase impossível impedi-lo; a tendência persiste mesmo com velocidade moderada. Para seguir aproximadamente reto a ré, o leme deve ser posto a BE.

12.6.3 — Seguimento a vante, hélice dando atrás

  • Quatro forças: leme (com seguimento AV faz a popa guinar p/ o bordo oposto ao do leme) · sucção (contraria o leme; sem efeito se leme a meio) · descarga (popa a BE) · pressão lateral (popa p/ BB) — as duas últimas dando tendência geral da proa p/ BE.
  • Leme a meio: proa guina lentamente p/ BE.
  • Leme a BB: o leme prepondera no início (se a velocidade é grande), mas dura pouco — o navio perde seguimento e a proa acaba p/ BE; termina desviado p/ BE do rumo inicial antes de parar.
  • Leme a BE: proa guina p/ BE, com amplitude decrescente (a sucção ganha peso); pode manter-se a caminho ou guinar um pouco p/ BB antes de perder o seguimento.
Regra prática de Alfredo Baistrocchi: o navio tende a obedecer ao leme conforme o sentido em que gira o hélice — e não com o sentido da marcha do navio.
Fig. 12-3Fig. 12-3Fig. 12-3
Fig. 12-3 — Navio e hélice em marcha AR
Inverter a marcha garantindo a guinada — o leme vai antes do hélice inverter. Para guinar a BE: para-se a máquina e carrega-se o leme a BE logo que o navio comece a obedecer, inverte-se a marcha a toda força quebra-se a guinada pondo o leme no bordo oposto. Para BB, deixa-se guinar um pouco mais antes de inverter — o navio vai mais facilmente p/ BE do que p/ BB.

12.6.4 — Seguimento a ré, hélice dando adiante

  • Sucção não influi. Restam: leme (popa p/ o bordo carregado) · pressão lateral (popa p/ BE) · descarga (contraria o leme).
  • Leme a meio: teoricamente popa p/ BE (única força atuante), mas na prática efeito pequeno e difícil de generalizar.
  • Leme a BB: predominam pressão lateral + descarga → popa p/ BE, salvo muito seguimento a ré, quando o leme prevalece.
  • Leme a BE: com máquina toda força adiante a descarga supera leme e pressão lateral → popa p/ BB; com máquina adiante devagar, popa pode ficar a caminho ou cair a BE.
LemeAV, do repousoAV, c/ seguimentoAR, do repousoAR, c/ seguimentoSeg. AV, hélice atrásSeg. AR, hélice adiante
A meioBB, lentamenteBE, lentamenteBE, lentamenteBE, lentamenteA caminho e logo BE, lentamentePode ir p/ BB ou BE
A BBBB, rapidamenteBBBE, muito lentamenteBE, rapidamenteInicialmente BB, depois BE, rapidamenteBB, lentamente
A BEBE, lentamenteBEBE, lentamenteBE, lentamente ou a caminhoBE, muito lentamente, ou a caminhoBE, lentamente
Ação do lemeGrandeGrandeMuito pequenaPouca (aumenta se a máquina for parada)Ver 12.6.3Grande
Fig. 12-4
Fig. 12-4 — Navio com seguimento para vante e hélice dando atrás
Fig. 12-5Fig. 12-5Fig. 12-5
Fig. 12-5 — Navio com seguimento para ré e hélice dando adiante
Leia a tabela comoguinada da PROA dos navios de um hélice nas manobras.
Para que serveEvitar abalroamento em emergência; ou perder seguimento ao tomar boia, fundear ou atracar.
Fig. 12-6
Fig. 12-6 — Dificuldade em evitar o abalroamento entre dois navios de roda a roda
Fig. 12-7
Fig. 12-7 — Manobra de dar atrás, com o leme a BE (navio de um hélice, média potência)
Tempo mortoEntre a voz de manobra e a execução decorre cerca de um minutoligeiramente maior nos navios a turbina (é preciso parar a turbina de AV antes de ligar a de AR).
Navio ordinário a vapor, um hélice de passo direito, velocidade normal, leme a meio: ao inverter, o navio abate p/ BB do rumo inicial e a proa cai de 10 a 20 graus p/ BE, caindo mais rapidamente pouco antes de o seguimento se extinguir.
  • Leme todo a BE antes de o hélice girar a ré → a guinada p/ BE fica diminuída enquanto o propulsor girar nesse sentido.
  • Leme todo a BB antes → a guinada p/ BB cessa pouco antes de parar, caindo então a BE.
  • Não se generaliza: alguns navios de grande potência e grande área de leme guinam p/ BB, salvo se o leme for carregado todo a BE antes da inversão (fig. 12-6)— testar em cada navio.
Perigo de roda a roda: o abatimento que o navio sofre ao guinar torna muito difícil evitar o abalroamento entre dois navios de roda a roda, mesmo carregando o leme.

Experiência clássica (navio de um hélice)

DadoValor
Navio3.500 t, 102 m de comprimento, 14 m de boca
Condição10 nós, leme todo a BE ao se ordenar "máquina atrás toda força"
0m53sjá abatera p/ BB ≈ a sua boca
3m20sparou, a 440 m do ponto da ordem, tendo guinado 75° p/ BE
4 minutoscomeçou a retroceder, deixando de guinar
Guinadas p/ BE, minuto a minuto · mais 18° · mais 45° · mais 11°
LiçãoNos dois primeiros minutos o rumo varia pouco; depois a proa gira rapidamente p/ BE.

12.8 — Distância percorrida até parar

  • Em geral ainda 3 a 6 comprimentos p/ vante depois do telégrafo em "máquina atrás toda força".
  • Diesel ou caldeira param mais rápido que os de turbina; o espaço depende também de vento, correnteza e pouco fundo.
  • Espaço menor com o leme carregado (de preferência BE) do que com leme a meio: dá-se "atrás toda força" com o leme todo a BE logo que o hélice comece a girar em sentido retrógrado, inverte-se o leme p/ BB.
  • Custo dessa manobra: o navio guinará cerca de 90° p/ BE, percorrendo cerca de quatro vezes seu comprimento até parar — verificar o espaço disponível antes.

12.9 — Manobra em águas limitadas

Girar por BE, partindo parado — sequência: todo o leme a BE e dá-se adiante atrás toda força com o leme 10 a 15° a BB ao perder o seguimento AV e vir a ré, para-se a máquina e carrega-se todo o leme a BB, ganhando o máximo a ré adiante toda força invertendo o leme p/ BE repetem-se as manobras se necessário. Não podendo começar dando adiante, começa-se pelo passo de atrás toda força com leme a BB.
Fig. 12-8
Fig. 12-8 — Manobra em águas limitadas
  • Vento fresco pela BE (dificulta girar por BE): usar mais força na máquina e dar atrás o menos possível — é na marcha AR que o vento mais contraria. Vento pela BB auxilia a evolução na AR.
  • Correnteza pode ser aproveitada para auxiliar o giro, exigindo manobra com mais força que a usual.
  • Girar por BB é geralmente mais difícil (a proa tende p/ BE quando se dá atrás) — só com espaço p/ ir a vante e a ré com boa velocidade: adiante com leme a BB o mais possível depois atrás com leme a BE repetindo enquanto necessário.
ConvençãoHélice de BE de passo direito, de BB de passo esquerdo — giram de dentro para fora, o que dá ao leme ação um pouco maior do que se girassem de fora p/ dentro.
Sobre navios de um hélice
Vantagem 1Os efeitos dos hélices tendem a se anular → navio quase só sob ação do leme
Vantagem 2Pode-se estabelecer conjugado de rotação — tanto maior quanto maior a distância dos eixos ao plano longitudinal e menor o comprimento do navio
DesvantagemResistência adicional dos pés-de-galinha dos eixos, mais sensível em navios de alta velocidade
Com leme a meio e máquinas no mesmo regime, nem pressão lateral nem correntes influem (pás altas e baixas sob pressão semelhante — hélices de diâmetro pequeno; correntes simétricas e afastadas do leme). Com leme para um bordo, a descarga (AV) ou a sucção (AR) do hélice do mesmo bordo auxilia o leme.
Regra invertida em relação ao navio de um hélice: o navio de dois hélices obedece ao leme de acordo com o seu seguimento, não com a marcha dos hélices. Mas se inverter a marcha repentinamente, o leme perde efeito por um tempo.

12.11–12.12 — Marcha AV e marcha AR

  • AV: governo exclusivamente pelo leme (salvo vento e mar). A meio, segue reto; p/ um bordo, a proa guina rapidamente p/ esse bordo, auxiliada pela descarga do hélice correspondente. Poder evolutivo teoricamente igual nos dois bordos.
  • Se um hélice para ou reduz: a proa guina p/ o bordo desse hélice — corrige-se com leme de 5 a 10 graus p/ o bordo oposto.
  • Avaria no leme: governa-se variando a velocidade relativa dos dois hélices — uma máquina em regime fixo, ajustando a outra.
  • AR: também depende do leme se os hélices giram no mesmo regime. A meio, reto a ré; p/ um bordo, a popa vai p/ esse bordo (proa p/ o oposto), auxiliada pela sucção na face posterior do leme.
  • AR com leme a meio e um hélice parado: a popa vai p/ o bordo desse hélice (descarga + pressão lateral + conjugado do outro) — compensa-se pondo o leme p/ o bordo oposto.

12.13–12.15 — Inversão e giro com um hélice em cada sentido

  • Seguimento AV, hélices atrás: percorre 3 a 6 vezes seu comprimento até parar e ganhar seguimento a ré. Bom indício de parada: o remoinho dos hélices chega a meia-nau. O leme deve ser carregado antes da inversão, não depois. Dando atrás só com uma máquina: a popa guina p/ o bordo do hélice parado.
  • Seguimento AR, hélices adiante: leme carregado antes leva a popa p/ esse bordo; depois de invertida a marcha, a descarga anula o leme — melhor deixá-lo a meio e governar variando o regime de uma máquina. Com um hélice adiante e o outro parado: a popa guina p/ o bordo do hélice em movimento.
  • Um adiante e outro atrás: conjugado máximo; a proa guina p/ o bordo do hélice que dá ATRÁS, reforçado pela pressão lateral dos dois e pela descarga do que dá atrás.
  • Com seguimento, o leme vai de acordo com o seguimento: guinar por BE com seguimento AVleme a BE + atrás com a máquina de BE; com seguimento ARleme a BB + adiante com a máquina de BB.
  • Partindo do repouso, o navio ganha ligeiro seguimento a vante durante o giro (a propulsão AV exige menos potência que a AR) — p/ girar sobre a quilha, usar menor número de rotações na máquina que dá adiante.
  • Sem seguimento, é inútil e até prejudicial carregar todo o leme: melhor a meio, ou a cerca de 10° (15° se compensado) no bordo p/ onde a proa vai guinar.

12.16–12.18 — Dois lemes · 3 e 4 hélices · passo controlável

  • Dois lemes (atrás dos hélices): é a corrente de descarga, de alta velocidade, que controla o efeito de cada leme, mesmo sem movimento do navio. Hélices em sentidos opostos → o leme atrás do que dá adiante tem efeito muito maior, permitindo girar sobre a quilha com todo o leme na direção do giro pretendido.
  • Fig. 12-9Fig. 12-9
    Fig. 12-9 — Posições comparativas entre navios de dois hélices e um e dois lemes (a) Um leme entre as correntes de descarga de dois hélices · (b) Dois lemes no meio das correntes de descarga dos hélices
  • Três hélices: em desuso, sem vantagens sobre a de dois.
  • Quatro hélices: os externos ficam por anteavante dos internos — os de BE de passo direito, os de BB de passo esquerdo; movimentam-se em grupos (dois por bordo, ou três contando o externo isolado e os dois centrais). P/ girar, os externos são mais eficientes (mais afastados da quilha).
  • Passo controlável: mecanismo hidráulico varia a inclinação das pás → controla velocidade e até a inversão de marcha sem parar o eixo. Permite parar alguns varredores em menos de dois comprimentos vindo a toda força adiante, e elimina o tempo morto de inversão. Em compensação, o Oficial de Manobra deve ajustar rapidamente a injeção de combustível a cada variação de passo (hoje muitas vezes automatizado).
  • Fig. 12-10
    Fig. 12-10 — Força resultante na popa de um navio de dois lemes e dois hélices
    Fig. 12-11
    Fig. 12-11 — Força resultante de várias combinações de hélices e leme

Planejamento do local de atracação

altura, profundidade e qualidade do caisvariação de maréventos e meteorologiadefensastipo de amarraçãopontos de amarraçãoespaçamento entre cabeçosdisponibilidade de pranchanecessidade de amarretaregras locais de navegação
Antes de cada manobra, o Oficial de Manobra toma conhecimento devento verdadeiro · corrente · maré · desvio de giro · curva de desvio da agulha · cais e alinhamento · bordo de atracação.
ComunicaçõesPrioridade aos circuitos interiores; transceptores portáteis ficam como reserva. O Oficial de Manobra usa a Lista de Verificação p/ conferir o guarnecimento antes de o Imediato dar o pronto do navio ao Comandante.
Preparar p/ ATRACARPreparar p/ DESATRACAR (além dos análogos)
guarnecimento das estações e dos Postos de Suspender e Fundear; divulgação do local e bordo; ferro do bordo oposto pronto a largar; pronto dos testes de cabrestante/guincho e comunicações; Oficial de Segurança no bordo oposto; disseminar profundidade e tença; regime de máquinas ajustado ao telégrafo de manobra; verificar corrente, maré, vento e defensas arriadastestes de máquinas, cabrestante, guincho e leme; experiência com apito, sereia e buzina; retirar prancha, cabo telefônico e mangueiras; acerto de relógios; autorizar o balanceamento dos eixos após confirmar a popa clara

12.23.1 — Recomendações práticas

  • Demandar o local com pouco seguimento, salvo se corrente ou vento exigirem mais.
  • Melhor momento p/ atracar: o estofo de maré, evitando corrente de popa — a de proa em geral facilita.
  • Corrente de proa diminui o seguimento e tende a encostar o navio → pouco ângulo na aproximação; permite governar pelo leme como se em movimento, e com uma espia na proa o centro de giro se transfere p/ o cais.
  • Espias economizam tempo, espaço e inversões de máquina, mas não trabalham sozinhas — conjugar com corrente, vento, leme e hélices.
  • Vento e corrente perpendiculares ao cais, ou pela popa, tornam a atracação mais difícil e perigosa.
  • Um hélice de passo direito: atracar por BB, salvo se corrente ou vento aconselharem o contrário.
  • Em conjugado de máquinas de igual potência, o efeito do eixo em marcha adiante prepondera sobre o de marcha atrás.
  • A marola da máquina atrás não deve chegar a meio-navio durante o giro, sob pena de dificultá-lo.
  • O centro de giro fica mais a vante que a popa → o rabeio da popa é maior que a guinada da proa; em águas restritas, atenção redobrada à popa.
  • A resposta é tanto mais lenta quanto menor o seguimento; navio mais pesado adquire maior seguimento — pesar se está leve ou carregado.
DefiniçõesAtracado = encostado a um cais ou a outro navio (a contrabordo). Espias = os cabos que amarram e auxiliam a manobra; a manobra de passá-las é a amarração.
Fig. 12-12
Fig. 12-12 — Espias
BitolasFragata classe Niterói: espias de manilha de 6 polegadas; navios maiores até 8 ou 10. Cabos de fibra são os mais empregados; os de aço também são usados.
Retinidas: amarradas junto à costura das alçasnunca a meio da alça — e lançadas assim que a distância permitir. Homens de retinida a vante, a meia-nau e a ré, com retinidas adicionais prontas e, se necessário, o fuzil lança-retinida.
TipoComo dizImpede
Lançantenas extremidades: as de vante p/ vante, as de ré p/ movimento ao longo do cais
Espringueo inverso: se sai da proa diz p/ ; se sai da popa diz p/ vanteconcorre c/ os lançantes: movimento ao longo do cais ou para fora
Travésperpendicular ao cais, sem dizer p/ vante nem p/ réque o navio se afaste do cais
O través é evitado fora de emergência ou mau tempo — nem sempre tem comprimento suficiente p/ acompanhar a maré.

Numeração padrão (navios de porte médio, condições normais)

1 lançante de proa 2 espringue de proa 3 espringue de popa 4 lançante de popa

A designação por número evita confusão: um lançante pode virar espringue (e vice-versa) conforme o navio se mova p/ vante ou p/ ré.
  • Duas ou três espias no mesmo cabeço devem poder ser retiradas independentemente.
  • Dobrada = duas pernadas no mesmo cabeço; dobrada pelo seio = três. Em situação normal, não há necessidade de mais de três.
  • Rateiras: discos de folha entre o costado e o cabeço, p/ impedir a entrada de ratos a bordo.

Vozes padrão de manobra de espia

Soleca a espia!Ronda!Colhe o brando!Alivia!Aguenta sob volta!Aguenta o socairo!Dobra a espia!Dobra a amarração!Larga por mão!
Sempre seguidas do número ou nome da espia correspondente.

12.25 — Efeito das espias

SituaçãoEfeito
Parado, paralelo, só espia de proa pelo través, rondandogira sobre o CG: entra a proa e afasta a popa (tanto maior quanto mais a vante a espia); a proa se aproxima mais do que a popa se afasta
Parado, havendo também espia na popa, rondando a de proacentro de giro transfere-se p/ ré: aproxima o navio sem afastar a popaexige esforço maior
Parado, rondando as duas ao mesmo tempochega ao cais sem afastar proa nem popa, à custa de esforço ainda maior — preferível rondá-las alternadamente
Seguimento a vante, espia de proaencosta a proa e abre a popa (guina rapidamente p/ o cais)
Seguimento a vante, espia de popaconjugado faz entrar a proa e concorre p/ encostar o navio (guina a proa lentamente)
Seguimento a ré, espia de proaencosta o navio guinando a popa lentamente
Seguimento a ré, espia de popa/réa popa guina p/ o cais, abrindo rapidamente a proa
Fig. 12-14a
Fig. 12-14a — Navio com seguimento para vante, uma espia na proa
O efeito evolutivo é sempre maior quanto mais próximas das extremidades estiverem as espias. Sem seguimento: alternam-se as espias de proa e popa.

12.26 — Influência do leme (máquinas paradas)

  • Seguimento AV + espia na proa: leme a BB ajuda a espia a abrir a popa; leme a BE tem efeito contrário, mas de pouca influência.
  • Seguimento AV + espia na popa: leme a BB não consegue girar a popa p/ BE (a espia se opõe); leme a BE auxilia a espia a encostar a popa.
Fig. 12-14b
Fig. 12-14b — Navio com seguimento para vante, uma espia na popa

12.27 — Maré parada

Um hélice de passo direito atraca mais facilmente por BB, porque a popa rabeia p/ BB ao dar atrás: aproxima-se com pequeno ângulo e o menor seguimento possível ao chegar perto, carrega-se o leme a BE e dá-se atrás toda força p/ encostar a popa — mantendo distância p/ lançar as retinidas sem risco de bater no cais.
  • Por BE é mais difícil: aproxima-se paralelo e a pouca distância, com pequeno seguimento na posição, leme a BB e atrás toda força.
  • Sem espaço p/ essa aproximação: espia pela alheta com palhetadas AV e leme a BE, p/ que a descarga atue sobre o leme.
  • Com maior segurança: larga-se o ferro de BB com pequeno seguimento AV deixa-se a popa encostar naturalmente máquina atrás faz a proa guinar p/ dentro dá-se logo um espringue pela alheta (c/ lançante no mesmo cabeço) p/ a popa não abrir de novo.
  • Dois hélices atracam igualmente bem por qualquer bordo: aproximam-se com ângulo de 10 a 20 graus e seguimento reduzido, aproados ao ponto onde deve ficar o passadiço na posição, leme para fora e atrás com o hélice do mesmo bordo passam-se as espias, a de proa primeiro.

12.28 — Corrente pela proa

  • Aproa-se à corrente e para-se um pouco a vante do lugar dá-se p/ terra um lançante de proa leme p/ o bordo do cais p/ encostar a popa deixa-se o navio cair com a corrente, aguentado pela espia e, se necessário, auxiliado pela máquina.
  • A corrente de proa permite maior velocidade de máquina — logo, maior governosem aumentar a velocidade relativa ao cais.
  • Com grande desnível de marés, a condição mais favorável é o início da vazante ou da enchente, com a corrente ainda fraca.
  • Bastante correnteza: larga-se o ferro de fora bem a vante do lugar dá-se p/ terra uma espia pelo bordo de dentro (espringue de proa) solecando a amarra e rondando a espia, com o leme adequado, traz-se o navio ao lugar.

12.29 — Corrente ou vento pela popa

Manobra a evitar — sempre perigosa: o navio perde o governo com pouco seguimento e corrente a favor. Havendo espaço, inverter o rumo (largando um ferro ou fazendo um ala e larga) p/ atracar aproado à corrente; sem espaço p/ girar, rebocador. Em último caso, com corrente fraca: aproxima-se com pouco seguimento e paralelo ao cais ao chegar, guina-se um pouco p/ fora dá-se rapidamente um lançante pela alheta dá-se atrás — cuidado p/ a espia não ficar tesa demais nem ser colhida pelo hélice.

12.30 — Vento ou corrente de través

AbatimentoManobra
Para DENTRO (contra o cais)Perigosa: mais segura largando o ferro de fora ou com rebocador. Estimar bem o abatimento antes; aproximar-se com pequena inclinação e um pouco afastado do cais p/ dar o desconto quebrar o seguimento com a máquina atrás pouco antes de chegar. Chegar com boa velocidade e atracar rapidamente reduz o abatimento relativo. Em dois hélices, dar atrás com a máquina de dentro endireita a proa e cria um redemoinho entre o cais e o navio que amortece o abatimento
Para FORA (extremidade de píer ou cais safo)Vem-se próximo e paralelo com boa velocidade perto, atrás toda ou meia força passam-se imediatamente as espias de proa e popa antes que o navio se afaste. Sem espaço p/ vir junto: pequena inclinação, lançante pela bochecha e leme p/ fora — mais fácil p/ dois hélices (que giram encostando a popa) do que p/ um hélice, sobretudo tendo de atracar por BE
Fig. 12-15
Fig. 12-15 — Atracar com corrente pela proa
Fig. 12-16
Fig. 12-16 — Atracar com corrente pela popa
Fig. 12-17
Fig. 12-17 — Atracar em espaço limitado

12.31 — Espaço limitado (entre dois navios atracados)

  • Espaço pouco maior que o comprimento do navio → a manobra apoia-se nas espias.
  • Navios grandes: aproximam-se paralelos ao cais, por fora dos já atracados mandam p/ terra uma espia de proa e outra de popa (por embarcação miúda, se preciso) rondam-nas alternadamente. Com vento vindo do cais, entra-se primeiro com a de vante (a proa costuma ser mais alterosa e oferecer maior resistência); sem vento do cais, ronda-se primeiro a de popa.
  • Porte médio ou menor: aproximam a proa do cais dão uma espia pela bochecha atracam com ligeiro seguimento AV, leme p/ fora, soleçando a espia e ajudando com a máquina (fig. 12-17).
  • Vento fresco ou corrente pela proa: largar antes o ferro de fora.
  • Corrente/vento forte de fora (abatendo sobre o cais): ferro de fora na proa + ancorote na popa, ou rebocador.
  • Vento ou corrente forte de popa: só com rebocador.

12.32 — Mudar o bordo de atracação

Preferível com rebocador; sem ele, maré favorável e corrente fraca. É preferível mudar de bordo com corrente pela POPA — o navio governa melhor girando sobre a proa.
  • Corrente de popa: largam-se todas as espias menos um espringue na proa e um través na popa ao soleçar o través, a corrente abre a popa; dá-se atrás p/ a proa não encostar passa-se logo um lançante pela outra bochecha larga-se a espia da popa, aguentando com a máquina e soleçando um pouco a de proa portando pela segunda espia, larga-se a primeira e dá-se adiante devagar (ou uma máquina adiante e outra atrás, em dois hélices) com leme p/ fora. Exige numerosas defensas na proa e no costado.
  • Corrente pela proa: cuidado redobrado com hélices e defensas na popa; largam-se as espias menos um espringue na popa e um través na proa, com a máquina adiante p/ manter a popa afastada.

12.33 — Largar de um cais

Antes: soleçar todas as espias p/ ver a tendência do navio sob vento e corrente; então avaliar espaço disponível e manobrabilidade p/ decidir se afasta primeiro a proa ou a popa, ou se larga tudo de uma vez. Preferível abrir de POPA — evita que o hélice bata no cais e aproveita logo o governo com a popa livre —, salvo corrente pela proa ou obstáculo perto da popa.
CondiçãoManobra
12.33.1 Sem vento nem correnteCom duas espias: ronda-se a de vante e soleça-se a de ré p/ afastar a popa. Dois hélices: largar tudo e dar atrás com a máquina de dentro (a descarga fica entre o cais e o navio, sobretudo havendo muralha); se a proa tender a encostar, atrás também com a de fora ou parar a de dentro. Um hélice atracado por BB: gira sobre o espringue de proa com máquina adiante devagar e leme todo a BB com a popa safa, larga-se o espringue e dá-se atrás devagar com leme a BE. Atracado por BE: largam-se todas as espias (ou deixa-se um través na bochecha bem folgado) e dá-se atrás devagar até a popa ficar safa
12.33.2 Corrente pela proaLargam-se as espias menos um espringue na POPA a corrente abre a proa no momento oportuno, adiante devagar p/ manter a popa afastada larga-se a espia quando a proa estiver safa
12.33.3 Corrente pela popaLargam-se todas menos o espringue de PROA deixa-se a corrente abrir a popa sai-se dando atrás assim que ela fica safa
12.33.4 Vento/corrente p/ foraDeixam-se um través a vante e outro a ré, soleçando ambos até o navio ficar bem afastado
12.33.5 Vento/corrente p/ dentroDifícil e perigosa — normalmente exige rebocadores. O navio de um hélice só se afasta se a corrente for fraca ou se estiver na extremidade de cais ou píer, saindo rapidamente dando atrás toda força

12.34–12.36 — Dique/doca/píer · defensas

  • Navios de porte médio ou maior: doca só com rebocador (pouco espaço, corrente normalmente perpendicular à entrada). Melhor condição: maré parada.
  • Navios pequenos de grande potência (contratorpedeiros, submarinos) podem entrar com maré ou vento transversais: giram a montante (ou a barlavento) até cair atravessados junto ao cais investem na doca a toda força ou a 2/3 dão atrás antes de a popa entrar, p/ quebrar o seguimento. Quanto menos tempo recebendo corrente de través, menor o abatimento relativo.
  • Sem amarradores em terra: desatracar passando as espias pelo seio e alando-as como no cabo de ala e larga. Em emergência, as espias devem ser folgadas antes de cortadas, p/ não pôr o pessoal em risco.
  • Defensas: no bordo de atracação, ajustadas à maré e à altura do cais, com as projeções móveis do costado rebatidas antes de atracar. As pneumáticas facilitam por serem mais leves que as de sisal.
  • Fig. 12-18
    Fig. 12-18 — Mudar o bordo de atracação

12.37 — Atracação a contrabordo

  • Procedimento igual ao de um cais, com variações na aproximação: não parar com a proa encostada ao costado do outro na altura do passadiço (risco de o ferro provocar avarias) — aproximar-se paralelo, encostando apenas a meio-navio.
  • Proa ameaçando encostar — duas opções seguras: dar atrás com as duas máquinas p/ afastar-se e reaproximar; ou dar atrás com a de fora e adiante com a de dentro, p/ endireitar o navio paralelo antes de avançar.
  • Nunca dar seguimento adiante com a proa já encostada.
  • Melhor aproximação: aprovar por anteavante do pau de jeque do outro navio passar as retinidas parar sem fechar a popa antes de a primeira espia estar passada e encapelada. Erro comum: aproximar-se pela popa em rumo paralelo à quilha do outro, muito próximo dele.
  • Vento e maré: proa em zona de sombra com a popa exposta forma conjugado que gira o navio; com vento muito forte, preferir largar o ferro com pouca amarra e arrastá-lo até o local.
  • A contrabordo de navio fundeado: o vento age no V formado pelas duas proas, abrindo-as e aproximando as popas; ângulo de aproximação muito agudo → o vento pela bochecha oposta pode jogar a proa contra o fundeado. Daí passar rapidamente a espia nº 1 e manobrar com as máquinas p/ manter o paralelismo até encapelar as demais — evitando forçá-las com as máquinas.

12.38 — Atracação Mediterrânea

Navio perpendicular ao cais, popa amarrada por espias e dois ferros largados a vante — usada em portos congestionados e de pouca amplitude de maré. Não é segura com rajadas fortes pelo través: havendo prenúncio de mau tempo, fazer ao mar ou buscar fundeadouro abrigado.
ParâmetroValor (exemplo do livro)
Ângulo entre as amarrasem torno de 50° — mantém a proa firmemente estaiada com vento de través
Navio135 metros, menor amarra de 7 quartéis
Fundear com4 quartéis em cada amarra
Ferrosa 50 jardas de cada lado da linha de centro perpendicular ao cais
Linha de aproximaçãoa cerca de 260 jardas do cais
Resultadocerca de 9 jardas entre o navio e o cais ao fim da manobra
Fig. 12-19
Fig. 12-19 — Atracação Mediterrânea
  • Navios de um eixo: preferencialmente com rebocador. Vento mais favorável: o que sopra perpendicularmente ao cais.
  • Aproximação (dois eixos): segue paralelo ao cais e larga primeiro o ferro do bordo oposto a ele guina suavemente afastando-se, p/ a amarra não correr sob o casco, até a posição do segundo ferro larga o segundo ferro e começa a aproximar a popa, trazendo a proa p/ a linha de centro e deixando correr as duas amarras suave e alternadamente a popa passa as espias, cruzadas, p/ evitar movimento lateral colhem-se as espias até o posicionamento e tesam-se as amarras — evitando caimento a ré e o contato do espelho de popa com o cais se o vento soprar de proa.
  • Método alternativo: após o primeiro ferro, continua com pequeno seguimento e guina afastando-se até a proa ficar quase paralela à linha de centro (fig. 12-20)› dá atrás p/ aproximar a popa larga o segundo ferro num ponto mais aterrado que o primeiro, pagando ambas as amarras durante a aproximação.
Fig. 12-20
Fig. 12-20 — Aproximação alternativa para a atracação mediterrânea
TermoSignificado
Fundear / ancorarlançar âncora ao fundo p/ manter o navio seguro pela amarra (navio fundeado, ou a um ferro)
Suspenderiçar a âncora p/ o navio se mover
Garrar (ir à garra)ser levado arrastando âncora ou amarra pelo fundo — por a âncora não ter unhado, ter sido arrancada, ou por a amarra se ter partido
Ir à tona / à matrocaseguir com a correnteza sem arrastar a âncora
Entocada / encepadaamarra deu voltas na unha / no cepo — em qualquer caso o navio provavelmente garrará
Amarrar no fundeadourotê-lo seguro com duas ou mais âncoras (navio em amarração)
A rumo · ao vento/à maré · entre vento e maré · de popa e proalargar os dois ferros na direção de um rumo dado · na direção do vento ou da corrente · na direção média entre os dois · pela proa e pela popa, p/ o navio não poder girar
Desamarrarsuspender todas as âncoras da amarração menos uma
Largar a amarra por mãodesmanilhar o quartel mais próximo e arriar o chicote pelo escovém
Largar sob boiadesmanilhar deixando a amarra correr com arinque e boia presos ao chicote, p/ retomá-la depois
Picar a amarracortá-la a machadoem desuso, mas ainda possível em embarcações pequenas
Fundear a pé de galolargar a segunda âncora até encostar no fundo com o molinete destravado — se a primeira desunhar, a segunda provavelmente unhe
Boa tençafundo em que a âncora fica segura sem ceder aos esforços do navio

12.40 — O fundeadouro

Fundos de pedra são maus fundeadouros — o ferro tem dificuldade em unhar, pode prender-se ou partir-se ao cair sobre as pedras. Inevitável: largar o ferro lentamente com a máquina de suspender reduzir o filame ao mínimo se possível, inspecionar com mergulhadores.
  • Melhores fundos (boa tença): areia dura · lodo macio · lama e areia. Areia fina e lodo mole também são bons, mas inspiram menos confiança; em lodo muito mole, perigo de o ferro enterrar-se demais, dificultando a suspensão.
  • Bom fundeadouro: abrigado (pouco vento, corrente e vagas) · de pouca profundidade · de boa tença · sem gradiente acentuado (dificulta unhar e favorece garrar quando o navio porta pelo lado mais fundo) · com espaço suficiente p/ o giro.
  • Área de giro = círculo de raio igual à soma do filame + o comprimento do navio.

12.41 — Filame

Filame = comprimento da amarra fora do escovém com o navio fundeado. Depende de profundidade, características da amarra e do ferro e condições meteorológicas. A amarra toma a forma de catenária, que dá elasticidade e amortece choques bruscos — essencial em mau tempo.
O esforço no anete decompõe-se em componente vertical, que tende a arrancar a âncora, e horizontal, que a faz unhar. Para maximizar a horizontal e manter boa curvatura, o filame deve ser várias vezes maior que a profundidade.

F = √[(h+d)·(T/2w − (h+d))] F = filame (braças) h = altura da gola do escovém sobre a água d = profundidade T = carga de trabalho da amarra (libras, 1/4 da carga de ruptura) w = peso da amarra (libras por braça)

Profundidade (braças/m)Ferro forjada (braças/m)Aço fundido (braças/m)Aço forjado (braças/m)
5 / 954 / 98,565 / 118,578 / 142,5
10 / 1875 / 13790 / 164110 / 201
20 / 36,5107 / 195127 / 232155 / 283
30 / 55130 / 237155 / 283188 / 343
40 / 73150 / 274178 / 325215 / 392,5
Regra de bolsoÁguas abrigadas, pequena estadia, profundidade até 30 metros: 5 a 7 vezes a profundidade (ferro sem cepo, tipo patente) ou 4 vezes (ferro tipo almirantado). Com vento, corrente ou mau tempoconsultar a tabela.
Não largar filame maior que o indicado — o peso adicional da amarra ou o risco de prender-se no fundo pode rompê-la. Precisando de mais segurança, é melhor largar um segundo ferro com filame moderado do que confiar numa só âncora com filame excessivo. Em mar fortemente cavado, porém, o filame longo é ainda mais necessário: a folga evita que o vagalhão, ao suspender a proa, dê tranco na amarra.

Ferro pronto a largar

arria-se a amarra até o anete ficar fora do escovém passa-se a boça pela patola desengrena-se a coroa de Barbotin (ou aguenta-se sob o freio)

QuandoAntes de chegar ao fundeadouro e sempre que se entrar em águas rasas, canais ou portos restritos — de preferência os dois ferros.

12.42 — Aproximação e largada

  • Demandar o fundeadouro aproado ao vento ou à corrente sempre que possível — o navio já toma a orientação que terá fundeado. Sendo preciso seguir atravessado, larga-se o ferro de barlavento, p/ o navio não vir sobre a amarra ao cair para sotavento.
  • Posição: por dois objetos de terra bem marcados na carta, com diferença de marcação entre 60° e 120° (de preferência 90°), descontando a distância do escovém à agulha (cerca de 1/3 do comprimento do navio) mais uns 20 metros de percurso até a largada.
  • Nem parado, nem com muito seguimento: parado, a amarra empilha-se sobre o ferro e dificulta o unhamento. O ideal é pequeno seguimento a ré, suficiente p/ a amarra correr e ficar a pique de estai.
  • Máquinas paradas ao largar; aperta-se o freio da coroa de Barbotin quando o ferro toca o fundo alivia-se assim que o navio começa a portar pela amarra.
Regra que não pode falhar: nunca permitir que a amarra, por si só, pare o navio. Havendo risco de esticão ao frear o cabrestante, é preferível deixar sair mais filame e recolher o excesso depois — qualquer choque violento enfraquece a amarra e a máquina de suspender mesmo sem avaria aparente.
Fundear com…Como
Seguimento a vante (preferível c/ vento, corrente ou em formatura)reduz-se a velocidade e param-se as máquinas a cerca de três comprimentos da posição larga-se o ferro com seguimento de 2 a 3 nós "atrás 1/3" — costuma parar o navio com 2 a 3 quartéis de amarra fora, em águas de pouco fundo
Seguimento a réaproxima-se em marcha AV e inverte-se a marcha, largando o ferro quando o navio já tiver o seguimento a ré desejado
  • No momento de fundear, ligeira guinada p/ o bordo do ferro evita que a amarra roce o costado e forme cotovelo acentuado no escovémponto fraco da amarra.
  • Fig. 12-21
    Fig. 12-21 — Anilho de amarração
  • Evitar fundear com corrente de popa. É possível fundear com qualquer vento, exceto muito duro; com corrente superior a três nós é necessário aproar a ela.

Vozes na proa e informações

VozDistânciaExecução
"PREPARAR PARA LARGAR O FERRO"1.000 jardasinicia-se a preparação
"ATENÇÃO PARA LARGAR O FERRO"100 jardasabre-se o freio do cabrestante e retira-se o cavirão da patola; todos se afastam da amarra desde esta voz
"LARGAR O FERRO"bate-se a marreta na patola p/ abri-la
  • Enquanto a amarra corre, informa-se: número de quartéis; direção (p/ vante, p/ ré, p/ o través, a pique de estai, a pique, p/ BE ou BB); e se o navio está portando pela amarra.
  • Ferro unhou = a amarra começa a retesar com leves trancos — informação transmitida à estação de manobra, que soa o apito correspondente.
  • Boia de arinque, presa à cruz do ferro p/ indicar sua posição: verde por BE · encarnada por BB · amarela se só há um ferro na proa. Cabo com comprimento ≈ quatro terços da profundidade local.

12.43 — Navio fundeado

  • Em ancoradouros de grande maré ou ventos variáveis: carregar o leme o suficiente p/ levar a popa ao bordo do ferro unhado (pequeno ângulo com a amarra) torna a tensão maior, porém constante, evitando os esticões das guinadas bruscas.
  • Logo após fundear, o Encarregado de Navegação toma marcações de dois pontos de terra com diferença de cerca de 90°.
  • Verificar se está garrando: arria-se um prumo de mão pesado na proa — se a linha ficar tesa dizendo p/ vante em vez de vertical, o navio está garrando. Distinguir de simples guinada verificando também marcações e os solavancos sentidos com o pé sobre a amarra no castelo.
  • Garrando em fundo de tabatinga: içar e lavar o ferro — a tabatinga impede que ele unhe de novo.
Prenúncio de mau tempo, fundeado: vigia noturno ao prumo e à amarra · ferrar toldos · içar embarcações · prolongar o pau de surriola · içar o portaló · máquinas prontas · outro ferro pronto a largar · recorrer amarra sempre que o navio portar demasiadamente, até o filame da tabela, arriando com cuidado. É preferível aguentar pelo freio do cabrestante mal apertado (cede a esforços bruscos, amortecendo o esticão) a exceder o filame por longo tempo; em jogo a segurança, buscar outro fundeadouro ou ganhar o alto-mar. Manter no convés a manilha de ligação dos quartéis, pronta p/ largar a amarra por mão.

12.44 — Suspender o ferro

verificam-se máquinas, leme e máquina de suspender engraça-se a coroa folga-se o freio mecânico iça-se ligeiramente a amarra p/ deixar de portar pelas patolas e pelo mordente, que são liberados recolhe-se o excesso de amarra do fundo, girando o cabrestante devagar

  • Uma máquina adiante devagar pode auxiliar sem sobrecarregar o aparelho. A amarra é lavada conforme colhida.
  • Informa-se: quantidade ainda na água; "como diz a amarra" (p/ vante, p/ ré, tensa, branda); o momento em que o ferro arranca; quando é avistado "a olho"; a situação da amarra (clara, muito suja, entocada); e, ao sair da água, "pelos cabelos".
  • Portando por forte corrente ou ventomáquinas adiante p/ não sobrecarregar a máquina de suspender.
  • Ferro enterrado que o cabrestante não arranca: aboça-se novamente a amarra e dão-se palhetadas com os hélices p/ desunhá-lo — com muito cuidado p/ evitar esticões.
  • Navio não filado à corrente: a amarra pode cruzar a roda de proa — antes de virar a máquina de suspender, manobra-se com hélices e leme até a amarra ficar clara.
  • Ao terminar: fecha-se o mordente aboça-se a amarra freia-se a máquina de suspender. As tampas nas gateiras só depois de o navio deixar o porto — até então os ferros seguem prontos a largar.
  • "Fazer cabeço sobre o ferro" (navio não aproado à saída, evolução difícil): recolhe-se o excesso até a pique de estai (filame ≈ 1,5 vez a profundidade) carrega-se o leme p/ o bordo do ferro na água e dá-se adiante devagar (dois hélices: girar sobre a quilha) param-se as máquinas e suspende-se o ferro pouco antes de aprovar ao rumo desejado.

12.45 — Fraseologia padrão

Passadiço → proa, ao FUNDEARPassadiço → proa, ao SUSPENDER
"Preparar para largar o ferro" · "Atenção para largar o ferro" · "Largar o ferro" · "Como diz a amarra?" · "Qual o filame?" · "O navio está portando pela amarra?" · "Volta aos postos""Preparar para suspender" · "Recolher o excesso da amarra" · "Içar o ferro" · "Como diz a amarra?" · "Como diz o ferro?" · "Qual o filame?" · "O navio está portando pela amarra?" · "Volta aos postos"
Da proa p/ o passadiçoSignifica
amarra a piqueperpendicular à água
amarra a pique de estaiparalela ao estai do mastro principal
amarra dizendop/ vante · p/ ré · p/ o través; p/ BE · p/ BB
o ferro unhou · navio portando (ou não) pela amarraestado da amarração
arrancouamarra fica vertical e tensa
a olhoanete surge à superfície
pelos cabelosa cruz do ferro sai d'água
em cimao anete chega ao escovém
no escovémo ferro está alojado
Navio amarrado: dois ferros de leva fundeados a grande distância, com filame tal que a proa fica a meia distância entre eles, girando sobre esse ponto. Vantagem: gira num círculo de raio ≈ o comprimento do navio, ocupando muito menos área — mas é manobra trabalhosa e demorada, p/ ancoradouros restritos ou de grande concentração de navios.
Fig. 12-22Fig. 12-22
Fig. 12-22 — Navio amarrado, com o alinhamento dos ferros em direção perpendicular à corrente. Esta situação deve ser evitada, porque em ângulos pequenos o anilho não trabalha bem, e em ângulos maiores de $120^{\circ}$ o esforço sobre as amarras torna-se excessivo.
Fig. 12-23
Fig. 12-23 — Navio amarrado, portando por uma das amarras
Fig. 12-24
Fig. 12-24 — Colocação do anilho. O cabo de ala e larga passou de BE para BB, por fora do talhamar, para pegar a amarra de BB
Fig. 12-25
Fig. 12-25 — Amarração de anilho
Anilho de amarraçãoTornel com dois elos sem malhete, p/ impedir que as amarras tomem voltas no giro. Só funciona bem com a amarração tesa — com amarras folgadas, melhor não usá-lo.
Fig. 12-26
Fig. 12-26 — Determinação das posições dos ferros
Alinhamento dos dois ferros: paralelo à direção da corrente (um trabalha à enchente, outro à vazante) ou, sem corrente forte, à direção do vento predominante (fig. 12-22)— nunca perpendicular. Filado no alinhamento, o navio porta por uma só amarra, com a mesma tensão de um fundeio a um ferro; a tensão cresce muito com o ângulo entre elas — a 120° a tensão em cada amarra iguala o esforço sobre o navio, e acima disso torna-se muito maior. Se um vento duro filar o navio transversalmente, é preferível deixar as amarras folgadas (ângulo de 90° a 120°) — o que aumenta bastante o círculo de giro e torna o anilho inoperante.
Modo de amarrarSequênciaQuando
Caindo a rémantém-se aproado à corrente (ou ao vento) até largar o primeiro ferro deixa-se cair a ré arriando a amarra bem estendida até a posição do segundo ferro (a jusante) recorre-se a primeira e deixa-se correr a segunda até a proa ficar a meia distânciaentre outros navios fundeados, ou quando o navio não tem muita potência a ré
Seguindo a vanteaproado à corrente (ou ao vento), larga-se o primeiro ferro a jusante continua-se navegando, arriando a amarra suave e estendida e compensando com o leme a tendência a guinar larga-se o segundo ferro com seguimento reduzidoa mais usada — funciona mesmo sem vento ou corrente e serve p/ amarrar navios em formatura

Colocação do anilho

  • Exige desmanilhar a amarra entre dois quartéis adjacentes — o filame deve corresponder a número inteiro de quartéis; feita de preferência ao repontar da maré, com virador de cabo de aço, cabo de ala e larga, ferramentas de desmanilhar, cabos e manilhas diversas.
  • Sequência: aboça-se a amarra de montante por anteavante da manilha do quartel escolhido aboça-se a de jusante perto do escovém alando pelo cabrestante, brandeiam-se as duas sobre o castelo desmanilha-se a de montante e manilham-se seus chicotes aos dois elos do anilho o cabo de ala e larga passa por fora do talhamar até a amarra de jusante, que é desmanilhada e alada até o anilho desaboça-se o seio da de jusante, deixando-a sair pelo próprio escovém recorre-se a amarração, arriando o anilho perto do escovém de montante.
  • Fiador = a parte da amarra que porta, do anilho à máquina de suspender.
Exemplo do livroCálculo
Dadosfundo 10 braças, filame desejado 50 braças por amarra, escovém a 2 braças acima d'água
1º ferro (jusante)A = 50 − 6 = 44 braças (6 braças ficam no castelo), C = 10 + 2 = 12 braças → B = √(44²−12²) = 42,3 braças = 77,4 m
2º ferro (montante)A' = 50 − 2 = 48 braças → B' = √(48²−12²) = 46,5 braças = 85 m
Distância entre os ferros42,3 + 46,5 = 88,8 braças (162 m) — amarra de jusante paga de 89,6 braças até largar o segundo ferro

12.47–12.49 — Desamarrar e evitar voltas

  • Safar o anilho: começar ao fim da vazante ou da enchente, terminando com a maré parada, quando o navio porta pouco. ronda-se o fiador p/ trazer o anilho ao castelo, aboçando a amarra de montante o chicote livre da de jusante gurne pelo próprio escovém, por fora do talhamar, até o anilho, com o cabo de ala e larga desmanilha-se a de jusante do anilho e manilha-se ao chicote livre, recompondo-a aperta-se o freio e desliga-se a coroa de jusante p/ largar as boças e deixar a amarra sair pelo próprio escovém religa-se a coroa, brandeia-se e retira-se o anilho, recompondo a de montante com manilha própria ronda-se essa amarra, soltando a boça.
  • Fig. 12-27
    Fig. 12-27 — Safar as voltas da amarração
  • Sem anilho: desamarra-se içando a amarra branda até suspender o ferro, arriando a outra simultaneamente, terminando de preferência antes de repontar a maré.
  • O anilho por si só não evita voltas em amarração folgada: vigiar seu funcionamento sempre que o navio estiver rabeando e não deixá-lo mergulhado.
  • Sem anilho: anotar a cada maré o sentido do rabeio e fazer o navio girar em sentido contrário ao da maré anterior (carregando o leme, se preciso).
  • Sem anilho, as amarras apenas se cruzam quando o navio gira 180°, mas tomam voltas se continuar girando no mesmo sentido. Cruzadas, pode-se desamarrar içando primeiro a que estiver embaixo.
  • Safar as voltas: dá-se um botão nas voltas da amarra de baixo aboça-se desmanilha-se o chicote de vante passam-se duas boças de cabo — uma p/ arriar pelo escovém e outra em torno da outra amarra, em sentido contrário às voltas recompõe-se a amarração com a manilha própria.

12.50–12.52 — Popa e proa · regeira · amarrações fixas

  • Amarrar de popa e proa (rios e canais): uma ou duas âncoras pela proa e outra(s) pela popa — ou amarração fixa de quatro amarras, duas boias, ou uma boia com ancorote na popa — impedindo o navio de girar.
  • Regeira: virador ou espião que, saindo pela popa, faz fixo no anete de um ferro a fundear, no seio da amarra do navio, ou no arganéu da boia, p/ obrigar o navio a sair da linha do vento ou da corrente e tomar a posição desejada — útil também, em portos abrigados e quentes, p/ captar viração.
  • Amarrações fixas substituem as âncoras em estaleiros, arsenais e bases navais: auxiliam a atracação (mantendo o navio afastado do cais), permitem amarrar a boias e fundeiam boias de balizamento e pontões. De uma a quatro âncoras ou poitas (blocos de ferro fundido ou cimento armado) ligadas ao arganéu por amarra ou amarreta — enterram-se bem em fundos macios, mas exigem mergulhador em fundos duros.
  • Portos fluviais: amarração clássica com duas âncoras (uma filada à vazante, outra à enchente), amarras ligadas por anilho à cabresteira — nome da amarra talingada à boia. O anilho deve trabalhar livremente sem tocar no fundo. Também três pernadas defasadas 120° p/ manter o anilho quase fixo, ou até quatro ferros.
  • Brinco: pedaço de amarra de pequeno calibre entre a cabresteira e a boia, que permite amarrar o navio diretamente à cabresteira — mais forte que a boia, indicado p/ navios grandes de longa permanência.
Fig. 12-28
Fig. 12-28 — Boia e poita

12.53–12.54 — Amarrar à boia e largar da boia

  • Divide-se em aproximação e amarração propriamente dita. Na aproximação: demandar a boia quase diretamente, com marcha reduzida — o vento faz o navio abater e arribar; a corrente produz abatimento sem girar o navio. A boia deve ficar na bochecha de sotavento, visível do passadiço.
  • Sem vento nem corrente: por qualquer bordo, mas em um hélice de passo direito é preferível abordá-la pela bochecha de BE — a proa abate p/ BE ao dar atrás.
  • Vento forte sem corrente: rumo ideal deixa a linha do vento na bochecha a 30° da proa e a boia no outro bordo, na mesma marcação polar — ficando a sotavento perto do escovém quando o navio parar.
  • Com corrente: ir aproado a ela, abordando a boia pela bochecha mais safa. Vento e corrente de direções diferentes: aproar à corrente, deixando a boia a sotavento.
  • Como o navio fica preso: por uma das amarras (destalingada do ferro e manilhada ao arganéu) · por um quartel específico (amarreta) · por um virador de cabo flexível com sapatilho e manilha · ou pela própria amarra passada pelo seio ao arganéu — nesse caso chamada fiador.
  • Faina: a lancha leva o cabo mensageiro à boia a cerca de 700 jardas a cerca de 150 jardas recebe pela bochecha o mensageiro do cabo de ala e larga, conduz pelo arganéu e retorna o chicote a bordo por um cabo-guia arria-se a amarra p/ talingá-la (ou passar seu seio) no arganéu soleca-se o cabo de ala e larga até o navio portar pela amarra ou pelo fiador — mantendo-o passado p/ facilitar depois a manobra de largar.
  • Segurança: aos homens da boia, coletes de flutuabilidade permanente, tênis, capacete, luvas e cinto de segurança; não movimentar as máquinas com o navio preso apenas pela amarra ou pelo cabo de ala e larga; não tracionar este pelo cabrestante com homens sobre a boia; manter transceptores portáteis entre passadiço, proa e lancha.
  • Largar da boia: tesa-se o cabo de ala e larga até a amarra ficar branda desmanilha-se e recolhe-se a amarra o navio fica preso só pelo cabo de ala e larga: solta-se um chicote e recolhe-se pelo outro bordo. Amarração pelo seio: ronda-se a amarra pelo cabrestante soleçando o cabo-guia e larga-se depois por mão.
Fig. 12-29
Fig. 12-29 — Boia com cabresteira e anilho

12.55 — Rocegar

  • Faina de buscar no fundo âncora, amarra, torpedo ou outro objeto perdido — geralmente com duas embarcações.
  • Rocega = cabo de aço de seis a dez vezes a profundidade, guarnecido de lastros distanciados entre si e dos chicotes por cerca de uma vez e meia essa profundidade.
  • Sequência: as duas embarcações fazem fixos os chicotes e navegam paralelas, arrastando a rocega pelo fundo ao senti-la presa, trocam de posição p/ cruzá-la em volta do achado reúnem as pernadas numa só embarcação mandam um mergulhador recolher o objeto, ou tentam içá-lo pela rocega.
  • Para amarra ou virador: basta uma embarcação com um busca-vida (cabo talingado no anete), navegando em zigue-zague perpendicular à direção suposta, até encontrá-lo — então manda-se mergulhador ou ronda-se o cabo até ficar a pique.
Curva de giro = trajetória descrita pelo centro de gravidade do navio numa evolução de 360°, em determinada velocidade e ângulo de leme.
Fig. 12-30
Fig. 12-30 — Como demandar a boia
Fig. 12-31
Fig. 12-31 — Curva de giro
Fig. 12-33
Fig. 12-33 — Determinação da curva de giro
ElementoDefinição
Avançodistância na direção do rumo inicial, desde o instante em que o leme foi carregado até a proa guinar 90°
Afastamentodistância perpendicular ao rumo inicial, no mesmo intervalo
Diâmetro táticodistância ganha na perpendicular ao rumo inicial numa guinada de 180°
Diâmetro finaldiâmetro do arco da parte final de uma volta de 360° com ângulo de leme constantesempre menor que o tático
Abatimentocaimento do navio p/ o bordo contrário ao da guinada, no início da evolução
Ângulo de derivaângulo entre a tangente à curva de giro e o eixo longitudinal, em qualquer ponto da curva
Fig. 12-32
Fig. 12-32 — Ângulo de deriva

Leme carregado, AV trajetória do CG retilínea por instante curtíssimo (inércia) desenvolve-se em espiral até a proa guinar ≈ 90° torna-se praticamente circular

Centro de giroFixado o centro instantâneo de rotação, a perpendicular baixada dele ao eixo longitudinal encontra o centro de giro: ponto onde a velocidade resultante não tem componente transversal e em torno do qual um observador vê o navio girar. Fica sempre no eixo longitudinal, em geral entre 1/3 e 1/4 do comprimento a partir da proa; com trim pela proa move-se p/ vante, com trim pela popa vem p/ ré.
Determinação prática (12.56.2). A embarcação de referência NÃO fica fundeada: mantém suspensa na proa uma poita, mergulhada a profundidade igual ao calado do navio — assim sofre o mesmo efeito da corrente e a influência do vento fica reduzida. Observações de 30 em 30 graus, registrando rumo, marcação relativa e distância; provas normalmente em cada bordo, p/ três velocidades (máxima, 2/3, 1/3) e três ângulos de leme (todo carregado, 20°, 10°).

12.56.3 — Conclusões práticas

  • O navio não evita obstáculo a menos de duas ou três vezes seu comprimento pela proa, mesmo carregando o leme — o CG só ganha caminho p/ o bordo da guinada depois de avançar cerca de duas vezes o comprimento.
  • Dois navios roda a roda não evitam abalroamento carregando o leme a menos de duas ou três vezes a SOMA de seus comprimentos.
  • Avanço: diminui com o aumento do ângulo do leme e cresce com a velocidade — de 3 a 5 vezes o comprimento.
  • Diâmetro tático e afastamento: diminuem com o aumento do ângulo do leme e são praticamente independentes da velocidade; maiores em navios compridos e em cascos de área imersa mais retangular.
  • Dois hélices: parar ou dar atrás com a máquina de dentro diminui o diâmetro tático (aumenta o conjugado), mas o navio leva mais tempo p/ percorrer a mesma distância.
  • Tempo de evolução diminui com o aumento do ângulo do leme e da velocidade.
  • A velocidade no fundo cai de 20 a 40% durante a guinada, por o navio passar a navegar sob ângulo de deriva.
  • Ângulo de deriva: 6 a 10° (podendo chegar a 18°); aumenta com o ângulo do leme, diminui com o calado e é independente da velocidade.
  • Diâmetro da curva: 5 a 8 vezes o comprimento — 5 p/ navios de boca relativamente grande, 8 p/ os de grande comprimento relativo.
Tipo de navioArqueação bruta (t)Vel. (nós)Distância até parar, máquina parada (m)Diâmetro tático (m)
Cargueiro2.70091.800300
Navio de passageiros4.000122.300750
Passageiros e carga13.000131.860450
Navio de passageiros17.000163.000750

12.65 — Milha medida

  • Base de 1 milha náutica (às vezes 2 ou 3) demarcada em terra por enfiamento de duas balizas em cada extremidade; o navio corre em rumo constante e sem uso de leme (ou o mínimo possível), determinando p/ cada regime de máquinas a velocidade, o nº de rotações por minuto e a potência.
  • Derrota perpendicular ao enfiamento, com distâncias de aproximação de 2 a 3 milhas em cada extremidade, retornando ao alinhamento por uma curva de Boutakow.
  • Área: espaço p/ as corridas e evoluções, abrigada de vento e corrente apreciáveis (ou com corrente na direção da derrota, correndo de preferência no estofo da maré), balizas bem visíveis e profundidade suficiente.
  • Profundidade mínima, por V/√L: ≤ 1,6 → H/c ≤ 5,6; > 1,6 → H/c = k·(V/√L − 1,6), com k entre 9 e 19.

12.66–12.67 — Provas de velocidade, potência e consumo

  • 3 a 5 corridas alternadas em rumos opostos, p/ os regimes de velocidade máxima, 1/2, 1/3 e dois valores intermediários — ex.: máquina de 300 RPM máximas → testam-se 300, 250, 200, 150 e 100 RPM.
  • Medição da potência: indicadores de diagrama (máquinas alternativas) · torsiômetros (turbinas) · medidores elétricos (propulsão elétrica).
  • Monta-se tabela de RPM por velocidade p/ o passadiço, anotando calados, deslocamento, data e dias fora do dique — o casco sujo pode reduzir a velocidade em até 2 nós.
  • Sem corrente ou corrente constante: média aritmética das corridas em rumos opostos. Corrente variável: média ponderada — 4 corridas (V' + 3V'' + 3V''' + V'''')/8; 3 corridas (V' + 2V'' + V''')/4.
  • Provas de consumo: no mar, por 6 a 12 horas, regime de rotações constante, medindo rigorosamente o combustível p/ obter consumo por hora e por milha navegada, traçando as curvas em função da velocidade.

12.68 — Elementos característicos de manobra

  • Curvas e tabelas: avanços, afastamentos e diâmetros táticos em função da velocidade (p/ leme a 10°, 20° e todo carregado) e em função do ângulo de leme (p/ velocidade máxima, 2/3 e 1/3).
  • Tempo de evolução p/ guinadas de 90°, 180° e 360°.
  • Tempo e distância até parar: por extinção natural (máquinas simplesmente paradas) e por extinção forçada (parar e dar atrás).
  • RPM de cada máquina p/ girar sobre a quilha ou com algum seguimento (dois hélices) · a manobra mais conveniente p/ evitar um perigo pela proa · o nº mínimo de RPM mantido continuamente sem risco de parar · a velocidade mínima que ainda garante governo.
  • Formatura: com p = passo do hélice (m) e d = distância a ganhar/perder (m), o ajuste é de d/p rotações por minuto durante um minuto.
Distância a ganhar/perder (m), p = 5 mRotações a aumentar/diminuir em 1 minuto
5010
10020
20040
30060
VocabulárioArribar = desviar o rumo p/ sotavento. Orçar (bolinar) = procurar a linha do vento. Navio ardente = orça com pressa.
Fig. 12-34
Fig. 12-34 — Efeito da corrente na curva de giro
A tendência a arribar ou orçar varia com a extensão e localização das obras mortas e a distribuição de pesos. Como há em geral mais superestrutura e mais borda-livre a vante, a maioria dos navios tende a arribar — tendência mais sensível com o navio parado, devagar ou dando atrás.
  • Grande disposição a arribar: contratorpedeiros; navios finos com superestruturas altas a vante e balanço de popa; submarinos com torreta alta — aproveitável em águas limitadas p/ contrariar certas tendências de guinada, sobretudo em navios de um só hélice.
  • O vento deforma a curva de giro conforme sua força e direção em relação ao rumo inicial.
A corrente também deforma a curva, alongando-a na direção em que a água corre (fig. 12-34)— efeito tanto maior quanto MENOR a velocidade do navio — e é mais traiçoeira que o vento, por poder passar despercebida.
  • Navio parado tende a atravessar a corrente (indo à deriva); aguentado por um ponto (amarra ou espia) fica filado, apresentando a menor área possível aos filetes.
  • Em AV, a corrente retarda se vem de proa ou pela bochecha e acelera se vem pela popa ou pela alheta. Ex.: navio a 3 nós com corrente de 2 nós precisa anular 5 nós se a corrente é de popa, mas só 1 nó se é de proa.
  • A corrente exige leme adicional (perda extra de velocidade); com mar de popa o governo fica mais difícil pela baixa estabilidade de rumo.

12.59 — Uso do ferro em canal

Corrente forte contrariando a guinada num canal: larga-se um ferro a pique de estai deixa-se o navio rabear sob a ação da corrente até aprovar ao rumo desejado — manobra segura com os aparelhos de suspender modernos, que reduz tempo e espaço de evolução em vez de forçá-la contra os elementos.

12.60 — Águas rasas

  • Pouco espaço em torno do casco aumenta a resistência e amplia as ondas de proa e de popa, reduzindo a velocidade.
  • Fig. 12-35
    Fig. 12-35 — As ondas que se formam à proa e à popa ficam aumentadas em águas rasas
  • Navios de forma ordinária, coeficiente V/√L (nós e pés) até 0,9: profundidade mínima p/ não haver aumento de resistência = dez vezes o calado em pés × o coeficiente — ex.: coeficiente 0,7 e calado de 8 pés56 pés.
  • Velocidade crítica: em torno de coeficiente 2, a partir da qual novos aumentos de velocidade deixam de aumentar a resistência.
  • Navio em movimento cala ligeiramente mais que parado: a velocidades moderadas o acréscimo é igual na proa e na popa; a velocidades maiores a proa levanta e a popa desce, gerando trim pela popaacentuado em águas rasas.
  • Folga sobre o fundo não excedendo 10% do calado: o aumento de calado em pés é ≈ 22,8% da velocidade em nós — navio calando 30 pés toca fundo de 33 pés a 14 nós.
  • Recomenda-se 5 nós em canais rasos e estreitos, onde também a velocidade angular de evolução diminui.

12.61–12.62 — Navios que se cruzam ou se alcançam

Posição relativa (rumos paralelos, pequena distância)Efeito
Pelas bochechasas ondas de proa se repelem
Pelo travésas correntes da popa de um e as ondas da proa do outro se equilibram — os navios ficam paralelos
Pelas alhetasos movimentos da popa e a sucção dos hélices tendem a atrair mutuamente as popasatenção redobrada ao leme, p/ não ampliar a tendência
Fig. 12-36
Fig. 12-36 — Dois navios que se cruzam num canal
Navio grande alcançando um pequeno a curta distância: as ondas da proa do maior repelem a popa do menor p/ um bordo → a proa do alcançado guina p/ o bordo oposto e pode atravessar-se na derrota do outro, sem que carregar todo o leme contrário resolva facilmente. Depois que o maior passa, sua corrente da esteira atrai a proa do menor, fazendo-o tender a encostar na alheta do outro — guinada também difícil de quebrar. Comum com rebocadores e particularmente perigosa quando os dois têm velocidade semelhante.

12.63 — Canais e rios estreitos

  • Canal raso e estreito com barrancos altos: as ondas da bochecha encontram resistência na margem mais próxima e repelem a proa p/ o bordo oposto, enquanto a corrente de sucção do hélice abaixa o nível junto à margem próxima e atrai a popa p/ ela — resultado: o navio guina p/ o lado da margem mais AFASTADA.
  • Curva fechada contra a corrente: a proa recebe corrente de través ao atingir a curva (guinada forçada) e, ao alcançar a outra margem, a corrente pela popa repele a alheta — a guinada pode tornar-se perigosa. A favor da corrente, esta auxilia a guinada desde o início.
  • Dois navios devem evitar passar simultaneamente numa curva estreita (fig. 12-38c); sendo inevitável, o que segue a favor da corrente deve navegar por dentro da curva — vindo por fora, os navios tendem a se aproximar perigosamente.
  • Fig. 12-37Fig. 12-37Fig. 12-37
    Fig. 12-37 — Navio grande alcançando um navio pequeno
Fig. 12-38aFig. 12-38a
Fig. 12-38a — Passagem numa curva fechada, contra a corrente
Fig. 12-38bFig. 12-38b
Fig. 12-38b — Passagem numa curva fechada, a favor da corrente
Fig. 12-38cFig. 12-38c
Fig. 12-38c — Passagem de dois navios numa curva fechada
Quem vir o homem cair: dá o brado "homem ao mar por BB ou BE" lança uma boia salva-vidas apontando na direção do náufrago aciona o alarme mais próximo. O brado corre de boca em boca e por todos os meios até o Oficial de Serviço tomar ciência; todo o pessoal em conveses abertos mantém o homem à vista.
Fig. 12-39
Fig. 12-39 — Curva de Williamson
Fig. 12-40
Fig. 12-40 — Curva de Anderson
Fig. 12-41
Fig. 12-41 — Curva de Boutakow
Fig. 12-42
Fig. 12-42 — Manobra Yankee
Fig. 12-43
Fig. 12-43 — Curva Racetrack
Fig. 12-44
Fig. 12-44 — Curva Retardada
Fig. 12-45Fig. 12-45
Fig. 12-45 — Diagramas do Vento Real
Fig. 12-46
Fig. 12-46 — Milha medida
QuemO que faz
Oficial de Serviçoinicia a manobra de aproximação; determina a disseminação pelo fonoclama e o guarnecimento do Detalhe de Homem ao Mar; iça os sinais visuais; ordena seis ou mais apitos curtos
Auxiliar de Navegaçãoaciona a tecla MOB nos equipamentos e plota a posição
Estação de Sinaisiça a bandeira OSCAR (dia) ou acende as luzes de Homem ao Mar (noite)
Apuração de faltasaté seis minutos p/ tripulação de até 500 homens, mais dois minutos a cada cem homens adicionais

Meios de recolhimento

  • Estação de recolhimento (mergulhador): homem a sotavento a cerca de 10 metros, náufrago e mergulhador içados juntos ou separadamente; altura máxima de salto do mergulhador = 6 metros, acima disso exige guincho.
  • Lancha ou bote: normalmente em águas restritas, aproximando-se com baixa velocidade e motor parado, por sotavento.
  • Helicóptero: com hoist, boia salva-vidas, fumígeno e dois mergulhadores, respeitando um santuário de 500 jardas ao redor do ponto de recolhimento.
Só são procedimentos PADRÃO, nos moldes internacionais, as curvas de Williamson e de Anderson. O livro apresenta ainda, como alternativas: Boutakow · manobra "Y" (Yankee) · Racetrack · Retardada · manobra pelos Diagramas do Vento Real ("calunga").
(fig. 12-44)
MétodoQuandoExecução
Williamson (padrão)mar grosso, noite ou baixa visibilidadeleme todo p/ o bordo da queda até variar 60° do rumo inverte-se o leme até atingir a recíproca do rumo inicial
Anderson (padrão)com o homem no visualleme todo p/ o bordo da queda reduz a 2/3 a meio do giro (~180°) ajusta a máquina no final p/ parar a cerca de 10 metros do homem
Boutakowalternativasemelhante à de Williamson, mas invertendo o leme aos 70° de variação
"Y" (Yankee)alternativa — águas restritas e submarinosleme todo p/ o bordo da queda com "máquinas atrás toda força" inverte-se o leme p/ o bordo oposto ao perder seguimento a vante
Racetrackalternativa — navios de um só eixoduas guinadas de 180°
Retardadaalternativa — só em boa visibilidadeleme todo p/ o bordo da queda e máquinas adiante toda força, aproando diretamente ao homem
Diagramas do Vento Real ("calunga")alternativacritério de parada diferente — ver abaixo
Posição final — em Williamson, Anderson, Boutakow, Yankee e Racetrack é a mesma: o homem a sotavento, entre a bochecha e o través, com o navio parado a cerca de 10 metros dele. Na manobra pelos Diagramas do Vento Real o critério é OUTRO: vento a cerca de 45° da proa, com o homem sempre a sotavento (fig. 12-45).

Em formatura

  • Em coluna: o navio que perdeu o homem para as máquinas e mantém o rumo (salvo se for o último da coluna); os navios a ré param e manobram p/ evitar o náufrago, saindo da coluna — os ímpares (a partir da testa) guinando p/ boreste e os pares p/ bombordo; o último navio da coluna normalmente faz o recolhimento.
  • Em linha de frente: o navio que perdeu o homem manobra p/ recolhê-lo evitando guinar sobre os demais, que mantêm rumo e velocidade.
  • Reabastecimento no mar: mantém-se um navio-guarda de 500 a 1.000 jardas na popa do navio fornecedor; sem guarda nem helicóptero, o navio recebedor faz o recolhimento.
DefiniçõesRebocar = puxar um navio, ou qualquer corpo flutuante, por meio de outra embarcação. Quem puxa é o rebocador; o outro é o rebocado. Em alto-mar, o reboque é feito pela popa, na esteira do rebocador; em portos, rios, canais ou lagos, pela popa ou a contrabordo. O êxito depende muito da prática de quem dirige — a segurança é fator primordial.

12.70 — Cabo de reboque

CaboPrós e contras
Fibra (manilha ou náilon)reboques moderados: a elasticidade amortece lupadas normais, mas cabos de maior resistência ficam grossos demais e a flutuabilidade limita a catenária — hoje somam-se um ou dois quartéis de amarra do rebocado p/ dar peso e curvatura
Açocomum em reboques pesados de alto-mar: grande resistência relativa ao diâmetro, menos espaço, não se deteriora se bem tratado, largado mais facilmente em emergência. Mais comuns: seis cordões com 37 fios em torno de alma de fibra, não galvanizados; combinam-se com cabo de fibra ou pedaço de amarra p/ ganhar elasticidade
Amarra do próprio rebocadoexige desmanilhar o primeiro quartel, mas permite variar catenária e comprimento pela coroa de Barbotin e dá a maior segurança possível. Não se aconselha em todo o comprimento — dificulta a manobra e traz risco de abalroamento (reboque curto) ou de arrastar no fundo (reboque comprido)
Longa distância: cabo o mais pesado e comprido possível, p/ reduzir os efeitos das lupadas em mar grosso. Não vindo o mar de través, convém que o comprimento do reboque seja ≈ o comprimento da onda, ou um múltiplo dele — assim os dois navios cavalgam as ondas na mesma posição relativa, sem o cabo alternar entre brando e teso.

12.71–12.73 — Máquina, fixação e componentes

  • Máquina de reboque: um sarilho que, excedida a tensão de ajustagem por um esticão, gira e soleca o cabo, recolhendo-o em seguida p/ manter o comprimento inicial. Parando o rebocador, a tensão cai e a máquina colhe o brando, mantendo o cabo safo dos hélices.
  • Ponto de fixação no rebocado: acessório forte — a amarra do rebocado é um dos melhores (permite ajustar o comprimento pela máquina de suspender); alternativas: cabo de aço ou seção de amarra em torno de acessório resistente do convés, ou cabresteiras em cabeços estruturais (distribuindo esforços por vários cabeços não estruturais unidos por cabo de aço quando necessário).
  • Diâmetros mínimos de cabeço: cabo de aço não passa em cabeço de diâmetro inferior a 12 vezes o diâmetro do cabo; amarra, inferior a 20 vezes a bitola.
ComponenteFunção / bitola
Cabo de reboquenormalmente de náilon ou polipropileno
Cabo virador / amarretaseção opcional p/ dar peso e elasticidade ou facilitar a fixação
Fusívelfio em cada extremidade do cabo de náilon que sinaliza a aproximação do limite de 25% de estiramento — passado o qual o cabo perde capacidade de tração permanentemente
Cabo mensageiro1½ polegada — usado p/ passar o cabo de leva
Cabo de leva3 polegadas — usado p/ passar o cabo de reboque
Trapacabo de fibra de 3 polegadas que controla o pagamento do cabo de reboque
Cabo de controle de passagem/recolhimentoauxilia o recolhimento seguro
Manilha de amarrade cavirão oval com contrapinonunca de cavirão roscado, que pode "soldar" sob tração
Tornelquando se combinam aço e sintético, que tendem a descochar em sentidos opostos
Fig. 12-47
Fig. 12-47 — Relação entre o comprimento do reboque e o comprimento da onda
Navio (MB)Matéria-primaCircunf. (pol)Comprimento (m)
Fragatas Classe NiteróiPolipropileno e náilon8 e 12110, 180, 200 e 220
Fragatas Classe GreenhalghPolipropileno10 e 12120 e 180
Corvetas Classe InhaúmaNáilon8220
NDCC Mattoso MaiaPolipropileno12110/80/176

12.74–12.75 — Preparação, aproximação e passagem

  • O dispositivo pode ser provido pelo rebocador (o mais comum na MB) ou pelo navio a ser rebocado — vantajoso quando este não dispõe de energia, pois a preparação começa assim que o Comandante decidir pedir auxílio, abreviando a faina.
  • Preparação (ambos os navios): estabelecem comunicações · guarnecem o Detalhe Específico para a Manobra (DEM) e o fechamento do material · verificam o guarnecimento da estação de reboque · trocam o vento real e o ângulo de permanência do rebocado.
  • Rebocador: talinga o cabo de leva ao cabo de reboque aduchado na popa abotoa o mensageiro pelo costado até a proa aproxima-se por barlavento do rebocado, p/ o dispositivo ser passado por sotavento.
  • Rebocado: prepara o dispositivo na proa, empregando a própria amarra (patolada, destalingada, aduchada e com manilha pronta) ou uma boça de amarra/amarreta manilhada ao olhal de reboque (fig. 12-49).
Fig. 12-48
Fig. 12-48 — Dispositivo na proa do rebocado
Fig. 12-49Fig. 12-49
Fig. 12-49 — Fixação do dispositivo na proa do rebocado
Modo de passar o dispositivoObservação
Navios atracados a contrabordoáguas abrigadas; pouco prática p/ navios de menor porte
Navios fundeadosa mais segura: o rebocador funde com pouca amarra a vante do avariado deixa correr a amarra p/ aproximar sua popa da proa deste passa o dispositivo recolhe a amarra pagando o cabo de reboque com cuidado
Navio à derivaa situação usual em mar aberto
Ângulo de permanência = ângulo entre a proa do navio à deriva e a direção do vento/mar, contado a partir da proa p/ o bordo em que entra o vento. Duas leituras distintas:
• o ângulo de permanência do próprio rebocador governa o rumo em que ele deve parar — do contrário é ele que, ao parar, procurará esse ângulo, girando com o vento e o mar e pondo em risco a faina;
• o ângulo de permanência do navio à deriva determina a direção do caimento DESTE, o que também tem de entrar na manobra do rebocador.
  • As aproximações são sempre por barlavento — o movimento relativo afasta o rebocado da linha de aproximação do rebocador, dando mais segurança.
  • Regras gerais de aproximação: girar em torno do sinistrado observando ângulo de permanência, caimento e jogo parar máquinas e observar o próprio caimento aproximar-se por barlavento, na menor velocidade possível, em rumo próximo ao ângulo de permanência lançar a retinida na distância apropriada usar as máquinas com muito cuidado enquanto o dispositivo é pago — p/ não enroscar cabos no hélice nem tomar seguimento excessivo.
  • Meios de passar o mensageiro: retinida · boia (à deriva ou rebocada) · lancha · helicóptero — este exigindo convés de voo amplo o bastante p/ conter a aeronave e o dispositivo.

12.76–12.78 — Trânsito, mau tempo, término e comunicações

  • Antes de iniciar: identificar e proteger os pontos de atrito em ambos os navios com madeira dura, metal macio e graxa, inspecionando-os periodicamente.
  • O Comandante do rebocador escolhe derrota sem perigos, considerando calados, profundidades (águas rasas podem prender o dispositivo no fundo) e meteorologia.
  • O rebocador só traciona depois do pronto do rebocado e da própria popa; a puxada inicia-se de acordo com a proa do rebocado (puxar transversalmente gera esforço desnecessário) e o aumento de velocidade é lento e gradual.
  • Alterações de rumo: gradualmente, de 5 em 5 graus.
Mau tempo em reboque. Não é aconselhável enfrentar um temporal rebocando: no porto, esperar acalmar; no mar, buscar arribada. Não sendo muito violento, pode-se prosseguir capeando e usando óleo, mas há risco de partir o cabo ou de largar o reboque voluntariamente. Observado esforço excessivo sobre o cabo, a regra é CORRER COM O TEMPO p/ evitar avarias — derramando 2 a 8 litros de óleo por hora na superfície do mar —, lembrando que navegar à capa gera, ela própria, esforço excessivo no dispositivo.
  • Avarias mais frequentes do cabo: coçar na buzina ou na borda · ser arrastado no fundo · dobrar excessivamente em rodetes de pequeno diâmetro.
  • O rebocado deve governar acompanhando os movimentos do rebocador se puder operar o leme, ou travá-lo a meio caso contrário.
  • Procura-se manter os dois em sincronia com as vagas, ajustando o comprimento da amarra do rebocadorefrescando o dispositivo uma vez por dia, com velocidade reduzida — e diminuindo-o em águas rasas p/ evitar tocar o fundo.
  • Término: reduzem-se gradualmente velocidade e comprimento do dispositivo, usando rebocadores de porto p/ quebrar a inércia reduz-se até parar o rebocado recolhe e destalinga a amarra do cabo de reboque o cabo é pago pelo cabo de leva até ser totalmente recolhido pelo rebocadorsó então a manobra está encerrada. O cabo deve secar estendido no convés antes de guardado, o que também permite sua recuperação após o estiramento.
  • Fig. 12-50
    Fig. 12-50 — Preparação do navio rebocador para receber o dispositivo de reboque do navio a ser rebocado
  • Comunicações: circuito telefônico autoexcitado de manobra e transceptores VHF-FM portáteis p/ emergência; radiotelefonia entre os dois navios nas fases de preparação, aproximação e passagem; cada estação de reboque mantém um sinalizador (raqueteiro) durante a passagem.
ApitosSignificação
1 curtoEstou com o leme a BE
2 curtosEstou com o leme a BB
2 longosEstou dando adiante
2 longos, 5 curtosLargar o cabo
3 curtosParar o cabo
5 curtos, 5 curtos, 5 curtosEmergência: largar o cabo

12.79–12.81 — Submarino · contrabordo · embarcações miúdas

  • Submarinos: borda baixa e indisponibilidade dos recursos de proa levaram a dispositivos específicos, com procedimentos básicos iguais. Classe Tupi: cabo de náilon torcido de 3,5 polegadas (~30 m), abotoado ao costado por BB e ligado à proa por patola liberável do passadiço. Sendo o submarino pouco afetado pelo vento (pequena área vélica), o rebocador mantém prontos o mensageiro e o cabo de leva — as embarcações podem afastar-se durante a passagem. A puxada inicial deve ser lenta, p/ romper os botões que prendem o cabo ao costado antes de aumentar a tração.
  • A contrabordo: comum em portos e águas restritas, por permitir manobra em espaço reduzido — o rebocador atraca na alheta do rebocado com um lançante e um espringue na proa e um través na ré, atracando pelo bordo de dentro se houver curva fechada a fazer, sempre com defensas entre os costados.
  • Fig. 12-53
    Fig. 12-53 — Submarino Classe Tupi (vista geral da proa BB)
  • Embarcações miúdas (pontos de fixação raramente suportam a tração): usa-se o embrulho — cabo de fibra que circunda o casco na altura do verdugo, mantido por alças transversais sob a quilha (fig. 12-54), ao qual se talinga o cabo de reboque por uma manilha (ou, nas muito pequenas, uma simples espia).
  • Fig. 12-51a
    Fig. 12-51a — Dispositivo sem olhal de reboque na popa
    Fig. 12-51b
    Fig. 12-51b — Dispositivo com olhal de reboque na popa
    Fig. 12-52
    Fig. 12-52 — Dispositivo montado na proa do navio a ser rebocado
Fig. 12-54
Fig. 12-54 — Reboque de embarcação miúda
TermoDefinição
Crista · cavadoparte mais elevada · mais baixa da onda
Comprimentodistância entre duas cristas (ou dois cavados) consecutivos
Alturadistância vertical do cavado à crista
Períodotempo (s) entre a passagem de duas cristas sucessivas por um ponto fixo — com o navio em movimento mede-se um período aparente, menor aproado ao mar e maior com o mar pela popa
Celeridadevelocidade aparente de propagação, em geral inferior à do vento que a origina

T = √(L/1,56) C = 1,56·T (m/s) T = período (s) L = comprimento da onda (m)

OndaComprimentoPeríodoVelocidade / altura
Tempestade, Atlântico160 a 200 m10 a 12 s32 nós
Ordinárias60 a 110 m6 a 8 s17 a 27 nós
Pacífico (prevalecem mais compridas)200 a 300 m11 a 14 saltura raramente superior a 10 m
Escarpamento (altura/comprimento)Diminui com o aumento do comprimento: 1/40 a 1/50 nas mais compridas, 1/10 a 1/20 nas de 30 a 60 m. Atingindo 1/7, a onda perde estabilidade e arrebenta — tipicamente em águas rasas.
  • Em águas profundas e mar aberto, as dimensões dependem diretamente da força do vento; para sotavento as ondas vão ficando mais compridas, mais altas e mais rápidas.
  • Mar completamente desenvolvido: intensidade do vento, pista (área sobre a qual ele atua) e duraçãodeixaram de limitar o crescimento — a intensidade é sempre fator decisivo, enquanto pista e duração só limitam no início.
  • Teoria da cicloide: todas as partículas numa mesma vertical descrevem trajetórias circulares com velocidade angular uniforme, num tempo igual ao período da onda; o movimento diminui rapidamente com a profundidade; e a massa líquida não avança em relação ao fundo, salvo havendo corrente.

12.83 — Efeitos do mar tempestuoso e precauções

jogo violento (estabilidade, conforto, direção de tiro)vibrações violentas — hélice disparando ao arfar e depois imergindoembarque de grandes massas d'água (pior aproado ao mar, sobretudo com poço a vante)redução da velocidade no fundoavarias nas obras mortas, sobretudo superestruturas
  • Precauções: fechar escotilhas e portas estanques (só as indispensáveis abertas) · verificar buchas, gateiras, ventilação e saídas de água · peiar objetos soltos · verificar a amarração do aparelho, as boças da amarra e as peias das embarcações e paus de carga · sondar tanques e porões, evitando deixá-los com metade da capacidade (superfície líquida livre extensa) · revisar o compasso.
Fig. 12-55
Fig. 12-55 — Navio submetido a mau tempo

12.84 — Balanço e arfagem

  • Balanço = jogo transversal; arfagem (caturro) = jogo longitudinal. Amplitude = ângulo descrito numa oscilação; período = tempo despendido nela.
  • O balanço obedece às leis do pêndulo: o período natural não depende da amplitude, é inversamente proporcional à altura metacêntrica e diretamente proporcional ao momento de inércia — cerca de quatro segundos num contratorpedeiro.
  • Navios de período natural menor que o da onda mantêm o convés paralelo à vaga, com balanços violentos e rápidos, mas menos sujeitos a embarcar água (típico de navios pequenos de grande altura metacêntrica).
  • Sincronismo: quando o período natural se aproxima do SEMIperíodo aparente da onda — superposição dos conjugados de inclinação, gerando balanços de grande amplitude, muitas vezes erroneamente atribuídos a falta de estabilidade. Solução: alterar rumo ou velocidade.
  • Melhor condição p/ suportar o mar: período de oscilação maior que o semiperíodo das ondas e sem coincidir com o período aparente delas — no Atlântico (ondas ordinárias de sete segundos médios), navios de 5, 6, 8 ou 9 segundos aguentam bem o través. Os grandes transatlânticos têm período bem maior que qualquer onda de tempestade provável, e o vento nas grandes superestruturas ainda reduz as oscilações.
  • Arfagem: menos importante p/ a estabilidade (o raio metacêntrico longitudinal é sempre grande), mas soma-se aos efeitos do mar tempestuoso com mar de proa ou de popa. Período pequenoinversamente proporcional à raiz quadrada da altura metacêntrica longitudinal; navios pequenos arfam mais; navio em lastro cabeceia muito mais na vaga do que carregado, como também balança mais com mar de través.
  • Fig. 12-56
    Fig. 12-56 — Âncora flutuante
As duas razões para reduzir velocidade são DIFERENTES:
Mar de PROA — aumentar a velocidade reduz o período aparente da onda e aproxima do SINCRONISMO, fazendo o navio jogar mais;
Mar de POPA — também se impõe reduzir, porque ao aumentá-la ela se aproxima da velocidade de propagação (celeridade) das ondas, o que pode manter o navio muito tempo em posições críticasapoiado sobre duas cristas nas extremidades ou sobre uma crista a meio-navio — quando o comprimento da onda for sensivelmente igual ao do navio.
O navio sofre mais com os golpes do mar pela PROA do que com o mar na popa.

12.85–12.86 — Capear e correr com o tempo

ManobraDefinição
Capearmanter a proa chegada ao vento, com pouco seguimento, p/ aguentar o mau tempo — abatendo consideravelmente e formando uma esteira de calma
À capa seguidatem seguimento suficiente para governar
À capa rigorosavai cedendo ao mar e ao vento
Desfazer a capaarribar — por não ser mais necessária ou por se tornar perigosa
Correr com o tempopôr o mar na alheta navegando devagar, ou deixar-se abater com a máquina parada e o mar na popa
  • A capa foi sempre eficiente nos navios de vela (podiam pôr o mar pela bochecha com pouco pano); nos modernos, a propensão a arribar com vento pela bochecha e a dificuldade de governo com muito mar e pouca velocidade a tornam mais difícil de sustentar.
  • Navio muito castigado com a proa perto da linha do vento: manter o rumo com o vento aberto de 30 a 45 graus pela bochecha reduzir a velocidade ao mínimo para manter o governo pôr o leme a barlavento. Em dois hélices, a máquina de sotaventoalgumas rotações a mais p/ ajudar o leme a compensar a tendência a arribarparando-se a máquina se houver risco de o hélice disparar numa vaga grande.
  • Águas pouco profundas: alguns navios se aguentam destalingando a amarra e deixando-a correr livremente no fundo, com filame suficiente p/ manter a posição.
  • Correr com o tempo, hoje, é navegar com o mar de popa o mais lentamente possívelquanto mais diferentes as velocidades do navio e da onda, melhor; mantendo o vento aberto de 30 a 45 graus pela alheta, os navios em geral se aguentam bem, sobretudo os de popa alterosa e alguns em lastro, com os quais não se pode dar a popa diretamente ao mar pelas más condições de governo.
Baistrocchi: um objeto que flutue livremente entre ondas grandes mantém-se com algum alívio, subindo e descendo com elas — donde o melhor modo de conduzir um navio num temporal seria abandoná-lo em liberdade, prescindindo de máquinas, velas ou leme. Dos 40 comandantes interrogados por Knight, 32 recomendam parar absolutamente o navio, ou dar a popa ao mar conservando velocidade mínima.
  • Navios muito carregados, de altura metacêntrica relativamente pequena, parecem aguentar melhor correndo com o tempo, com as máquinas dando atrás devagar; tendo só um hélice de passo direito, tentar manter o mar pela alheta de BB com a máquina atrás devagar.
  • Navios em deslocamento leve provavelmente aguentam melhor com a máquina parada.
  • Trim influi muito: se necessário, encher os fundos duplos AR p/ dar algum trim pela popa.
  • Perto da costa, p/ reduzir o abatimento, alguns navios pequenos largam uma espia de cabo grosso com os chicotes fixos na proa e na popa e um ancorote a meio, aguentando-se atravessados ao mar mas com pouco abatimento.

12.87 — Âncora flutuante (drogue)

  • Útil aos navios de médio e pequeno porte, mais castigados na tormenta. Serve p/: manter o rumo desejado (ou próximo dele) ao capear ou correr com o tempo · reduzir o abatimento · manter o navio em posição conveniente em caso de avaria de máquinas ou de leme, evitando que atravesse ao mar.
  • Navio capeando deve tê-la amarrada a barlavento — embora a posição mais conveniente dependa da situação do navio e de sua tendência à arribada.
Itens do edital cobertosatracação/desatracação (II.2) · fundear/suspender/amarrar (II.3) · rebocadores (II.4) · troca de atracadouro (II.5) · reboque (II.6) · amarração (II.11).
Situação (um hélice, passo direito)Efeito predominante
Marcha AV, leme a meio, partindo do repousoproa guina lentamente p/ BB (pressão lateral das pás)
Marcha AR, leme a meiopopa cai p/ BB (proa guina p/ BE) — descarga + pressão lateral
Máquina atrás toda força, navegando AV, leme a meioabate p/ BB do rumo inicial; proa cai 10–20° p/ BE
Atracarpreferir o bordo de BB (popa rabeia p/ BB ao dar atrás)
Amarrar à boiapreferir abordar pela bochecha de BE
Espia de proa com seguimento a vanteencosta a proa ao cais e abre a popa
Espia de popa com seguimento a vanteencosta o navio ao cais, guinando a proa lentamente

Limiares numéricos mais cobrados

ângulo máximo do leme 35° (raramente 40°)parar em "atrás toda força": 3 a 6 comprimentosavanço na curva de giro: 3 a 5 comprimentosdiâmetro tático: 5 a 8 comprimentosângulo de deriva: 6° a 10° (até 18°)filame em águas abrigadas: 5 a 7× a profundidade (sem cepo/patente) · (almirantado)

Vocabulário que a banca troca

Lançante (extremidades, dizendo p/ vante ou p/ ré) Espringue (o inverso: da proa diz p/ ; da popa diz p/ vante) Través (perpendicular ao cais)

Cabresteira = a amarra talingada à boia Fiador = a parte da amarra que efetivamente porta o navio

Mau tempo, a régua prática: mar de proa → reduzir velocidade p/ evitar o sincronismo; mar de popatambém reduzir, aqui p/ não se aproximar da celeridade da onda, preferindo o vento aberto de 30 a 45 graus pela alheta a dar a popa diretamente ao mar.