🧭 MMPH · Cap.2 — Geometria do Navio

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Fonseca, Arte Naval — Vol.1 · II.01-AN · Área II do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Do que trataRepresentação da forma e das dimensões do casco por projeções, e as propriedades e coeficientes que daí decorrem.
Cap. 1 nomeia as partes do casco; o Cap. 2 ensina a medi-las, representá-las e relacioná-las quantitativamente.

Quatro seções do capítulo

SeçãoAssuntoEdital
ADefinições (planos, flutuações, superfícies, centros, metacentros)16.5
BPlano de linhas e plano de formas16.6
CDimensões lineares16.7
DDeslocamento e tonelagem16.8

Estabilidade, arqueação e deslocamento também tocam o item 15 do edital.

Os três planos do casco

PlanoDefinição
Plano diametral (longitudinal)Plano de simetria; passa pela quilha.
Plano de flutuaçãoPlano da superfície da água; com o navio aprumado, perpendicular ao diametral.
Plano transversalPerpendicular ao diametral e ao de flutuação.
Fig. 2-1
Fig. 2-1 — Planos do casco
Linha de Flutuação (LF)Interseção da superfície da água com o contorno exterior do navio.

Tipos de flutuação

  • Carregada (plena carga) · Leve (vazio) · Normal (deslocamento normal) · de projeto (calado projetado).
  • Direitas / retas: navio não inclinado → flutuações paralelas entre si.
  • Isocarenas: dois planos limitam volumes iguais de água — na inclinação lateral, o que emerge num bordo = o que imerge no outro (carena muda de forma, não de volume).
  • Zona de flutuação (bootopping): obras vivas entre carregada e leve; seu deslocamento indica a capacidade total de carga.
  • LAP (linha-d'água projetada): principal LF do plano de linhas — mercantes = calado de projeto; guerra = flutuação normal.
O termo "flutuação", sem indicação contrária, refere-se sempre à flutuação direita e carregada.

Superfícies e volumes da carena

TermoDefiniçãoServe para
Superfície moldadaPassa pelas faces externas do cavername e vaus.Referência das linhas moldadas.
Superfície molhadaCarena em contato com a água + apêndices, para dada flutuação.Resistência de atrito; estimativa de tinta.
Volume da forma moldadaEntre a superfície moldada e um plano de flutuação.Base do deslocamento moldado.
Volume da carenaEntre a superfície molhada e um plano de flutuação.É o que se usa no cálculo do deslocamento.
Fig. 2-2
Fig. 2-2 — Linha de flutuação
Fig. 2-3
Fig. 2-3 — Linha-d'água projetada
Fig. 2-4
Fig. 2-4 — Superfície moldada

Os três centros

CentroÉ o quêPosição
CG — gravidade (ponto G)Aplicação da resultante de todos os pesos de bordo.No plano diametral, região de meio-navio; muda com a carga.
CC — carena (ponto C)CG do volume de água deslocada; aplicação do empuxo.Sempre abaixo da linha-d'água; quase sempre abaixo do CG.
CF — flutuaçãoCG da área de flutuação (linha-d'água).Para uma dada flutuação.

Empuxo e Arquimedes

Empuxo (buoyancy)Resultante de todas as componentes verticais das pressões. Um m³ de água do mar pesa 1.025 kg.

Navio em repouso peso (↓ no CG) = empuxo (↑ no CC) CG e CC na mesma vertical

Princípio de Arquimedes: o peso do navio é igual ao peso da água que ele desloca, força vertical de baixo para cima aplicada no CC.

Flutuabilidade e borda-livre

NavioReserva de flutuabilidade típica
Guerra de tipo usual50 a 75% do deslocamento normal
Submarino (desloc. normal)cerca de 30%
Borda-livre (BL)Distância vertical da água ao convés da borda-livre, medida a meia-nau; é função dela a reserva de flutuabilidade. Mercantes referem-se à mínima (plena carga); guerra, à normal.

Metacentro (M)

  • Navio inclina → CC vai de C para C₁; a linha do empuxo corta a do aprumado em M (metacentro transversal para inclinação infinitamente pequena).
  • Considera-se invariável até 10 graus nos navios de forma usual.
Fig. 2-7
Fig. 2-7 — Centro de gravidade, centro de carena e metacentro transversal

GZ = GM · sen θ ME = W · GZ GZ = braço de endireitamento · GM = altura metacêntrica · W = deslocamento

M acima de G → equilíbrio estável; M abaixo de G → momento de emborcamento.

Raio metacêntrico = distância MC (transversal) ou M'C (longitudinal); altura metacêntrica = distância GM.

Fig. 2-10
Fig. 2-10 — Metacentro longitudinal

Vau

  • Curvatura do vau: conveses expostos têm curvatura para a água escorrer ao costado; dá resistência extra.
  • Flecha do vau (deck camber): maior distância entre a face superior do vau e a linha reta, no plano diametral.

Mediania e seção mestra

Seção a meia-nauSeção transversal a meio comprimento entre as perpendiculares.
Seção mestraA seção transversal mais significativa; geralmente à meia-nau ou muito próximo.

Corpo paralelo: região central com seções iguais à mestra → formas cheias (cargueiros); formas finas variam muito ao longo do comprimento.

Deformações e modelagem do costado

TermoO que é
Tosamento / tosado (sheer)Curvatura do canto superior do costado; altura do convés nos extremos acima do pontal.
Alquebramento (hogging)Deformação temporária com convexidade para cima.
AdelgaçamentoCostado curva/inclina para dentro acima de certa altura.
AlargamentoCostado curva/inclina para fora — comum na proa; contrário do adelgaçamento.
Fig. 2-6
Fig. 2-6 — Dimensões da seção a meia-nau
Dois sentidos de "tosamento": (1) tosado = curvatura projetada do convés; (2) sagging = deformação com concavidade para cima, oposta ao alquebramento (hogging).
Plano de linhas(ou plano de construção) representa forma e dimensões do casco por projeções em três planos ortogonais de referência.
Plano de referênciaOrigem das medidas
Plano da base moldada (horizontal)Distâncias verticais (alturas).
Plano diametral (vertical longitudinal)Distâncias transversais (meias-larguras / afastamentos).
Plano de meia-nau (vertical transversal)

As três linhas do navio

LinhaInterseção por planos…Verdadeira grandeza em
Linhas-d'água (waterlines)horizontaisplano das linhas-d'água
Linhas do alto (buttock)verticais longitudinaisplano de perfil
Linhas de balizas (body plan)verticais transversaisplano das balizas
  • LA nomeadas pela altura acima da base (a LB é a LA zero); espaçamento usual de 1 metro.
  • LB dividida em 10, 20 ou 40 partes; corpo de proa à direita da LC, corpo de popa à esquerda.
Fig. 2-12
Fig. 2-12 — Plano de linhas
Algumas LA do plano de linhas são apenas de projeto — o navio não flutua nelas; onde flutua são as linhas de flutuação.
O plano de formas desenvolve o plano das balizas mostrando todas as cavernas moldadas (não só as balizas), além das linhas de convés, cobertas e longarinas.

Navio-exemplo (Fig. 2-5): comprimento total 210 m, CEP 198 m, boca moldada 34 m, pontal moldado 17,30 m, calado de verão 10,70 m.

As dimensões não são tomadas de modo uniforme: variam por nação, tipo, material e cálculo desejado.

Perpendiculares (PP)

  • Duas retas normais à linha-d'água, no plano diametral, a vante (PP-AV) e a ré (PP-AR).
  • PP-AV: na interseção da LA de projeto com o contorno da roda de proa.
  • PP-AR: nas embarcações com leme no plano diametral, passa pelo centro da madre do leme.

Comprimentos

ComprimentoDefinição
Entre perpendiculares (CEP)Distância PP-AV ↔ PP-AR; sem especificar, "comprimento" = CEP.
De borda-livre96% do total numa LA a 85% do menor pontal moldado (ou roda-a-madre se maior). Referência SOLAS / ICTM 1969.
De regra / escantilhõesDa Sociedade Classificadora; entre 96% e 97% do comprimento da LA.
De roda a roda / totalEntre os pontos mais salientes; o total inclui apêndices salientes (cais, dique).
Fig. 2-13
Fig. 2-13 — Comprimento entre perpendiculares
Comprimento alagávelMáximo de um compartimento que, alagado, ainda deixa o navio flutuar com o convés na água. Fator admissível varia com o comprimento: navio de 170 m → fator 0,5 (no mínimo dois compartimentos).
Linha marginalNo mínimo 76 mm abaixo do convés principal; alagável é máximo a meio-navio, mínimo a um quarto das extremidades.

Boca, pontal e calado

DimensãoDefinição
Boca moldadaMaior largura entre as faces internas do chapeamento (exclui espessura).
Boca máximaEntre as superfícies externas do chapeamento — largura externa máxima.
Pontal moldadoVertical, no diametral a meia-nau, da linha reta do vau do convés principal à linha da base moldada.
CaladoVertical da água à parte mais baixa do navio; medem-se AV e AR.
  • Calado médio = média aritmética AV e AR; moldado = referido à base moldada (usado no deslocamento).
  • Quilha paralela (even keel): sem diferença AV/AR. Trim: quando há diferença.
  • Escala de calado graduada em decímetros (só pares) ou pés; ex. água no limbo inferior do "56" ⇒ calado 5,60 m.
  • Fig. 2-14
    Fig. 2-14 — Comprimento no convés e comprimento de roda a roda
Fig. 2-15
Fig. 2-15 — Boca, calado, pontal
Fig. 2-16
Fig. 2-16 — Escala de calado

Exprimem a relação entre áreas/volumes da carena e as figuras planas/sólidas circunscritas → definem a esbelteza do casco.

CoeficienteRelaçãoPara que serve
Bloco (CB)Volume deslocado ÷ paralelepípedo L · B · C.Plenitude volumétrica da carena.
Prismático (CP)Volume ÷ sólido de seção igual à da seção mestra imersa.Distribuição longitudinal; resistência à propulsão.
Seção mestra (CSM)Área imersa da seção a meia-nau ÷ retângulo circunscrito.Plenitude da seção mestra.
Área de flutuação (CWL)Área de flutuação ÷ retângulo circunscrito.Refere-se sempre à LA de projeto.
Fig. 2-17
Fig. 2-17 — Determinação do coeficiente de bloco
Relações entre dimensões principais: L/B varia de 4 a 10; L/C varia de 10 a 30.
Fig. 2-18
Fig. 2-18 — Determinação do coeficiente longitudinal
Deslocamento (W ou Δ)Peso da água deslocada por um navio em águas tranquilas. Por Arquimedes, = peso do navio e tudo que contém.

W volume imerso × peso específico da água

SistemaFórmula / unidade
Métrico — água salgadaW = 1,025 × volume imerso (m³)
Métrico — água doceW = volume imerso (m³)
Tonelada métrica1.000 kg
Tonelada longa (imperial)2.240 libras = 1.016 kg — hoje só EUA, Libéria, Myanmar

Cálculo (aço) = deslocamento moldado + do chapeamento + dos apêndices.

Condições de deslocamento

CondiçãoO que inclui% peso
Leve / mínimoSem munição, provisões, combustível, água nem lastro.80%
NormalEm geral 2/3 de combustível, munição, água — referência do navio de guerra.100%
Plena cargaCompleto, paióis e tanques atestados, sem lastro.115%
PadrãoSem combustível nem água de reserva; só comparação militar (Tratado de Washington, 1922).85%
Todos os dados de um navio de guerra referem-se à condição "normal", salvo indicação em contrário.

Porte

  • Expoente de carga / peso morto (deadweight): diferença entre deslocamento máximo e mínimo — todo o peso que o navio embarca.
  • Porte útil / carga paga (net deadweight): só a carga paga — parte do expoente; depende da duração da viagem.
O expoente de carga não é o peso da carga paga — a carga paga é apenas parte dele.

Arqueação (adimensional)

Arqueação Bruta (AB)Proporcional ao volume interno de todos os espaços fechados; define regras de governo/segurança e taxas. Não é massa nem peso — não se confunde com deslocamento.
Arqueação Líquida (AL)Função do volume de carga, passageiros e AB; não deve ser inferior a 30% da AB.
  • A AB substituiu a TAB a partir de 1994; cada tonelada de arqueação = 100 pés cúbicos (2,83 m³).
  • ICTM 1969: substituiu TAB/TAL por AB/AL. Exceto navios de guerra, de comprimento < 24 metros e os de águas sem acesso ao mar.
  • Novas regras a todos os navios após 18 de julho de 1982; anteriores tiveram transição de 12 anos. Suez e Panamá exigem certificados próprios.

AB = K₁ · VT K₁ = 0,02 · log VT + 0,2 VT = volume total dos espaços fechados

Fator de estiva (referência expoente × cubagem): carga geral adota valor médio de 1,39 m³/t; em navios-tanque, 1 barril = 158,984 litros.

TermoÉ o quêMedido em
TrimInclinação longitudinal (abicado = pela proa; apopado = pela popa). Também = diferença entre calados AV e AR.metros ou pés
Banda (adernamento)Inclinação para um dos bordos (BE/BB).graus
  • Compassar: tirar o trim (flutuação direita longitudinal) → em águas parelhas.
  • Aprumar: tirar a banda (flutuação direita transversal) → aprumado. Sem banda nem trim = flutuação direita.
Havendo trim, é preferível o navio apopado: o abicado embarca água pela proa, prejudica os propulsores e é mais difícil de governar.

Lastro

TipoConstituiçãoUso
PermanenteConcreto, sucata/linguados de ferro ou chumbo.Corrigir má distribuição de pesos.
TemporárioSempre líquido (água salgada por bombas).Corrigir trim (tanques AV/AR) e banda (laterais).
Curvas hidrostáticasPropriedades da carena calculadas para muitas flutuações direitas (hoje, tabelas de computador). Cada curva traz um fator de conversão.

Curvas leem: deslocamento (salgada/doce), posição do CC e do CF, área de flutuação, TPI (toneladas por polegada de imersão), metacentro, momento de trim.

Toneladas por centímetro / polegada

T = 0,01026 · AF AF = área do plano de flutuação (m², por 1 cm), água salgada

Regra de Baistrocchi (plena carga)Fórmula (ton/cm)
Compridos, formas finas (CB < 0,6)T = 0,0070 · L · B
Forma ordinária (0,6 < CB < 0,7)T = 0,0075 · L · B
Formas cheias (CB > 0,7)T = 0,0084 · L · B

Valem num intervalo de ±30 cm em torno da LA normal. Regra prática (ton/polegada): "1/10 do comprimento em pés".

Cálculo aproximado do deslocamento

W = 1,026 · L · B · C · CB L = CEP · B = boca extrema · C = calado médio · CB = coef. de bloco

Fig. 2-20
Fig. 2-20 — Escala e curva de deslocamento

Variações de calado

  • Sem alterar trim: peso na vertical do CF → imersão/emersão paralela (AV e AR variam igualmente).
  • Salgada → doce: o calado aumenta (doce pesa menos: ~1,010 t/m³ contra 1,026 t/m³). Regra prática: ~1,3 cm por metro de calado em plena carga.
  • Variação de trim: momento (peso × distância) calculado pelo método metacêntrico com a altura metacêntrica longitudinal GM'.
Regra de Baistrocchi para 1 cm de trim: momento ≈ 1/100 do deslocamento (GM' ≈ L); nos mercantes o real costuma ser 30 a 40% maior.