Arte Naval — Cap. 2 Geometria do Navio

1. Visão geral — Geometria do Navio

O Capítulo 2 do Fonseca estuda a representação da forma e das dimensões do casco por meio de projeções, e as propriedades e coeficientes que daí decorrem. Está organizado em quatro seções: A — Definições (planos, flutuações, superfícies, centros e metacentros), B — Plano de linhas e plano de formas, C — Dimensões lineares e D — Deslocamento e tonelagem.

Enquanto o Cap. 1 (Nomenclatura) dá o nome das partes do casco, o Cap. 2 ensina a medi-las, representá-las e relacioná-las quantitativamente. Aqui aparecem os planos de referência (diametral, de flutuação, transversal), o plano de linhas (balizas, linhas-d\'água, linhas do alto), as dimensões lineares (comprimentos, boca, pontal, calado, borda-livre), os coeficientes de forma (Cb, Cp, Cm, Cw), o empuxo e o Princípio de Arquimedes aplicados ao deslocamento, a arqueação regulatória (AB/AL pela ICTM 1969), o porte (expoente de carga) e os fenômenos operacionais de trim, banda e variação de calado.

Fonte: FONSECA, M. M. Arte Naval. Vol. 1, 8. ed. Rio de Janeiro: Marinha do Brasil, 2019. Capítulo 2 — Geometria do Navio.

Edital: Anexo 2-A, item II — 16.5 (Geometria geral), 16.6 (Desenho de linhas e plano de formas), 16.7 (Dimensões lineares), 16.8 (Deslocamento e tonelagem) e item 15 (Estabilidade, arqueação e deslocamento).

2. Planos de referência, flutuações e superfícies (16.5)

2.1. Os três planos do casco

Uma característica geométrica do navio é possuir no casco um plano de simetria: o plano diametral (ou plano longitudinal), que passa pela quilha. Quando o navio está aprumado, o plano diametral é perpendicular ao plano da superfície da água, chamado plano de flutuação. O plano transversal é perpendicular ao plano diametral e ao de flutuação (art. 2.1).

Fig. 2-1
Fig. 2-1 Planos do casco

2.2 a 2.6. Flutuações e linha-d\'água

A Linha de Flutuação (LF) (waterline), ou flutuação, é a interseção da superfície da água com o contorno exterior do navio (art. 2.2). Conforme a condição:

Fig. 2-2
Fig. 2-2 Linha de flutuação
  • Flutuação carregada (ou em plena carga): navio completamente carregado.
  • Flutuação leve: navio completamente vazio, sem carga.
  • Flutuação normal: navio no deslocamento normal (art. 2.72).
  • Linha-d\'água de projeto: a que corresponde ao calado para o qual o navio foi projetado.
Fig. 2-4
Fig. 2-4 Superfície moldada
Fig. 2-3
Fig. 2-3 Linha-d\'água projetada
  • Flutuações direitas ou retas (uprights positions) (art. 2.3): quando o navio não está inclinado, as flutuações são paralelas entre si. O termo "flutuação", sem indicação contrária, refere-se sempre à flutuação direita e carregada.
  • Flutuações isocarenas (art. 2.4): quando dois planos de flutuação limitam volumes iguais de água deslocada. Ocorre na inclinação lateral: a parte que emerge num bordo é igual à que imerge no outro — a carena muda de forma, mas não de volume.
  • Zona de flutuação (bootopping) (art. 2.5): parte das obras vivas entre a flutuação carregada e a leve. Seu deslocamento indica, em peso, a capacidade total de carga do navio.
  • Linha-d\'água Projetada (LAP) ou flutuação de projeto (designed waterline) (art. 2.6): principal linha de flutuação estabelecida no plano de linhas. Nos mercantes refere-se ao calado de projeto; nos navios de guerra, à flutuação normal. Pode não coincidir com elas devido à distribuição de pesos durante a construção.
Fig. 2-6
Fig. 2-6 Dimensões da seção a meia-nau

2.7 a 2.10. Áreas, superfícies e linhas moldadas

  • Área de flutuação (area of waterplane) (art. 2.7): área limitada por uma linha de flutuação.
  • Área da linha-d\'água (art. 2.8): área limitada por uma linha-d\'água no projeto do navio.
  • Superfície moldada (moulded surface) (art. 2.9): superfície contínua imaginária que passa pelas faces externas do cavername e dos vaus do convés. Onde o chapeamento é liso, coincide com sua face interna. Em casco metálico com quilha maciça, o contorno inferior coincide com a face superior da chapa-quilha.
  • Linhas moldadas (moulded lines) (art. 2.10): linhas do navio referidas à superfície moldada. Em casco metálico, a diferença entre linhas moldadas e linhas externas corresponde à espessura do chapeamento. As linhas do desenho de linhas são moldadas.
Fig. 2-9
Fig. 2-9 Água deslocada
Fig. 2-10
Fig. 2-10 Metacentro longitudinal
Fig. 2-11
Fig. 2-11 Tosamento

2.11 a 2.14. Superfícies e volumes da carena

ConceitoDefinição (Fonseca)Utilidade
Superfície da carena (2.11)Superfície da carena tomada por fora do chapeamento, não incluindo apêndices.Somada à do costado, dá a área total de chapeamento (peso aproximado).
Superfície molhada (wetted surface) (2.12)Superfície externa da carena em contato com a água + apêndices, para um dado plano de flutuação.Cálculo da resistência de atrito; estimativa de tinta.
Volume da forma moldada (2.13)Volume entre a superfície moldada da carena e um plano de flutuação.Base do deslocamento moldado.
Volume da carena (2.14)Volume entre a superfície molhada e um plano de flutuação (moldado + chapeamento + apêndices).É o que se emprega no cálculo do deslocamento.
Fig. 2-14
Fig. 2-14 Comprimento no convés e roda a roda
Fig. 2-13
Fig. 2-13 Comprimento entre perpendiculares
Fig. 2-12
Fig. 2-12 Plano de linhas

3. Empuxo, centros e metacentros (item 15)

2.21 a 2.23. Centro de gravidade, de carena e de flutuação

  • Centro de gravidade (CG, ponto G) (center of gravity) (art. 2.21): ponto de aplicação da resultante de todos os pesos de bordo; o peso do navio pode ser considerado nele concentrado. Como os pesos costumam ser distribuídos por igual de cada lado do plano diametral, o CG fica, em geral, neste plano e na região de meio-navio. Sua posição altera-se com a distribuição de carga (tanques, porões, convés).
  • Centro de carena (CC, ponto C) (center of buoyancy) (art. 2.22): centro de gravidade do volume da água deslocada; ponto de aplicação do empuxo. Com o navio aprumado está no plano diametral; está sempre abaixo da linha-d\'água. Nos navios de superfície fica quase sempre abaixo do CG.
  • Centro de flutuação (CF) (center of floatation) (art. 2.23): centro de gravidade da área de flutuação (linha-d\'água) para uma dada flutuação.
Em equilíbrio, o CG deve estar na vertical do CC, a uma distância para cima não muito grande. Sem esse requisito o navio não fica aprumado nem tem equilíbrio estável (art. 2.22).

2.24. Empuxo (buoyancy)

Em cada ponto da superfície imersa há uma pressão normal que cresce com a profundidade: medida pelo produto h × p na profundidade h, sendo p o peso específico da água (art. 2.24). Um metro cúbico de água do mar pesa 1.025 kg. As pressões agem em muitas direções; decompondo-as, as componentes horizontais equilibram-se com o navio em repouso. Chama-se empuxo">empuxo à resultante de todas as componentes verticais das pressões.

Um navio em repouso está submetido a duas forças verticais: o peso (para baixo, no CG) e o empuxo (para cima, no CC). Como não há movimento vertical, o empuxo é igual ao peso, e CG e CC estão na mesma vertical (art. 2.24).

2.25. Princípio de Arquimedes

"Um corpo total ou parcialmente mergulhado num fluido é submetido à ação de uma força de intensidade igual ao peso do volume do fluido deslocado pelo corpo, de direção vertical, de baixo para cima, e aplicada no centro de empuxo (CC)" (art. 2.25).

Daí decorre que o peso do navio é igual ao peso da água por ele deslocada.

2.26 a 2.27. Flutuabilidade e reserva de flutuabilidade

  • Flutuabilidade (floatability) (art. 2.26): propriedade de permanecer na superfície; depende da igualdade entre peso e empuxo. Varia com o peso específico do corpo. Tornar oco o material diminui o peso por unidade de volume — por isso navios de aço e alumínio (mais pesados que a água) flutuam.
  • Reserva de flutuabilidade (reserve of buoyancy) (art. 2.27): volume da parte do navio acima da água que pode ser tornada estanque (em geral, entre a flutuação e o convés principal). Expressa-se em percentagem do volume (ou do deslocamento).
TipoReserva de flutuabilidade típica
Navios de guerra de tipo usual50 a 75% do deslocamento normal
Submarino em deslocamento normalcerca de 30%
Quanto menor a reserva de flutuabilidade, menos capaz o navio de suportar um acidente no mar. Ela é função da borda-livre (art. 2.27).

2.28. Borda-livre

A borda-livre">borda-livre (BL) (free board) é a distância vertical da superfície da água ao convés da borda-livre, medida a meia-nau (art. 2.28). Nos mercantes, a borda-livre mínima é marcada no costado e, sem outra qualificação, refere-se à borda-livre mínima (a meia-nau, a partir da flutuação em plena carga, art. 14.2).

Navios de guerra e embarcações rápidas de material leve têm borda-livre muito maior que a exigida aos mercantes, e por isso não precisam marcá-la; nos navios de guerra é medida na proa, a meia-nau e na popa, e refere-se à flutuação normal (art. 2.28).

A borda-livre é, em geral, mínima a meia-nau, devido ao tosamento. Definida a borda-livre, o calado de borda-livre torna-se o limite de imersão do navio.

2.29 a 2.33. Metacentros e altura metacêntrica

Quando o navio aprumado se inclina, o centro de carena afasta-se do plano diametral (de C para C₁), pois a forma do volume imerso muda. A linha de ação do empuxo no navio inclinado intercepta a do navio aprumado num ponto M: para uma inclinação infinitamente pequena, M é o metacentro transversal (transverse metacenter) (art. 2.29).

O metacentro deve estar acima do CG para haver equilíbrio estável. Se M estiver abaixo de G, há momento de emborcamento (art. 2.29).

Considera-se invariável o metacentro inicial para inclinações até 10 graus nos navios de forma usual. Da figura 2-7 obtêm-se as relações:

Fig. 2-7
Fig. 2-7 CG, CC e metacentro transversal
GZ = GM · sen θ     ME = W · GZ
  • GZ — braço de endireitamento; GM — altura metacêntrica; θ — ângulo de inclinação; ME — momento de endireitamento; W — deslocamento do navio.
  • Metacentro longitudinal (M\') (longitudinal metacenter) (art. 2.30): obtido por uma inclinação longitudinal pequena, em tudo semelhante ao transversal.
  • Raio metacêntrico transversal (transverse metacentric radius) (art. 2.31): distância MC entre o metacentro transversal M e o centro de carena C.
  • Raio metacêntrico longitudinal (longitudinal metacentric radius) (art. 2.32): distância M\'C entre o metacentro longitudinal M\' e C.
  • Altura metacêntrica (metacentric height) (art. 2.33): distância GM entre o CG (G) e o metacentro M; na fig. 2-7, refere-se à altura metacêntrica transversal.

4. Vaus, seção mestra e formas do casco (16.5)

2.15 a 2.17. Curvatura, linha reta e flecha do vau

  • Curvatura do vau (art. 2.15): os vaus dos conveses expostos têm curvatura (arco de circunferência, parábola ou segmentos retos) para a água escorrer para o costado, dando resistência adicional ao vau.
  • Linha reta do vau (art. 2.16): une as interseções da face superior do vau com as faces exteriores da caverna correspondente.
  • Flecha do vau (deck camber) (art. 2.17): maior distância entre a face superior do vau e a linha reta, medida no plano diametral.
Fig. 2-15
Fig. 2-15 Boca, calado, pontal
Fig. 2-17
Fig. 2-17 Determinação do coeficiente de bloco
Fig. 2-18
Fig. 2-18 Determinação do coeficiente longitudinal

2.18 a 2.20. Mediania, seção a meia-nau e seção mestra

  • Mediania (art. 2.18): interseção de um pavimento com o plano diametral; linha imaginária que divide o casco longitudinalmente em dois bordos.
  • Seção a meia-nau (art. 2.19): seção transversal a meio comprimento entre as perpendiculares.
  • Seção transversal (cross section) e seção mestra (midship section) (art. 2.20): seção transversal é qualquer corte por plano transversal; a mais significativa é a seção mestra, situada geralmente à meia-nau ou muito próximo.
Fig. 2-20
Fig. 2-20 Escala e curva de deslocamento

Em muitos navios modernos, e particularmente nos cargueiros, certo comprimento da região central é formado por seções iguais à mestra (o corpo paralelo): diz-se que têm formas cheias. Nos de formas finas, a forma das seções varia muito ao longo do comprimento.

2.34 a 2.38. Tosamento, alquebramento e modelagem do costado

  • Tosamento (sheer) ou tosado (art. 2.34): curvatura do canto superior do costado (na interseção com o convés), projetada num plano vertical longitudinal; é também a medida dessa curvatura — a altura do convés nos extremos acima do pontal. Pode haver tosamento AV e tosamento AR.
  • Alquebramento (hogging) (art. 2.35): deformação temporária do casco com convexidade para cima, por distribuição de peso e curva de empuxo. A deformação inversa é o tosamento (sagging).
  • Altura do fundo (rise of floor) ou pé de caverna (art. 2.36): altura a que se eleva o fundo, da quilha ao bojo; medida nas linhas moldadas.
  • Adelgaçamento (art. 2.37): curvatura/inclinação para dentro do costado acima de certa altura.
  • Alargamento (art. 2.38): curvatura/inclinação para fora do costado, comum na proa; contrário de adelgaçamento.
Não confundir os dois sentidos de "tosamento": (1) tosamento/tosado = a curvatura projetada do convés (art. 2.34); (2) sagging = a deformação com concavidade para cima, oposta ao alquebramento (hogging) (art. 2.35).

5. Plano de linhas e plano de formas (16.6)

2.39 a 2.40. Planos de referência

Ao projetar um navio, o construtor traça o plano de linhas (Lines Plan) (ou plano de construção), que representa a forma e as dimensões do casco por projeções de linhas em três planos ortogonais de referência (art. 2.39). Como a superfície do casco tem curvaturas tridimensionais, interceptá-la por planos gera linhas bidimensionais traçáveis em verdadeira grandeza. Os três planos de referência (art. 2.40):

Plano de referênciaDefiniçãoOrigem das medidas
Plano da base moldadaHorizontal, tangente à parte inferior da superfície moldada.Distâncias verticais (alturas).
Plano diametralVertical longitudinal de simetria; divide BE e BB.Distâncias transversais horizontais (afastamentos / meias-larguras / meias-ordenadas).
Plano de meia-nauVertical transversal a meio comprimento do navio.

2.41 a 2.42. Linhas de referência e linhas do navio

Linhas de referência (art. 2.41): Linha da base moldada / linha de construção / linha base (LB) (baseline) — interseção do plano da base moldada; Linha de centro (LC) (centreline) — interseção do plano diametral; e as Perpendiculares (art. 2.47).

Linhas do navio propriamente ditas (art. 2.42):

  • Linhas-d\'água (LA) (waterlines): interseções do casco por planos horizontais; aparecem em verdadeira grandeza no plano das linhas-d\'água. Nomeadas pela altura acima da base (a LB é a LA zero); espaçamento usual de 1 metro, menor próximo ao fundo. Note-se que algumas LA do plano de linhas são apenas de projeto — o navio não flutua nelas; as linhas em que flutua são as linhas de flutuação.
  • Linhas do alto (buttock lines): interseções por planos verticais longitudinais; verdadeira grandeza no plano de perfil. Geralmente quatro, espaçadas a partir do plano diametral (linha do zero).
  • Linhas de balizas (Body Plan): interseções por planos verticais transversais; verdadeira grandeza no plano das balizas. A LB é dividida em 10, 20 ou 40 partes; o plano das balizas mostra o corpo de proa à direita da LC e o corpo de popa à esquerda.

2.43 a 2.44. Sala do risco e interpretação do plano de linhas

O plano de linhas era enviado à sala do risco, riscado no chão em escala natural (1:1), corrigindo imperfeições e discordâncias de linhas (art. 2.43a). As tabelas de cotas (coordenadas dos pontos de interseção) são hoje geradas por programas de carenamento (art. 2.43b).

O plano de linhas é constituído por três vistas, conforme a tabela (art. 2.44):

Vista / PlanoPlano de referênciaLinhas-d\'águaLinhas do altoLinhas das balizas
1. Plano das linhas-d\'águaPlano da baseVerdadeira grandezaRetasRetas
2. Plano de perfilPlano diametralRetasVerdadeira grandezaRetas
3. Plano das balizasPlano de meia-nauRetasRetasVerdadeira grandeza

O conjunto completo das três projeções (Linhas do Alto e Perfil, Plano das Linhas-d\'água e Plano de Balizas) aparece na Fig. 2-5 do livro, junto às características principais de um navio-exemplo (comprimento total 210 m, CEP 198 m, boca moldada 34 m, pontal moldado 17,30 m, calado de verão 10,70 m).

2.45. Plano de formas

  • Cavernas moldadas: a LB, antes dividida em 10/20/40 balizas, é depois dividida num número muito maior de cavernas; o espaçamento depende de considerações estruturais e busca-se mantê-lo constante.
  • Plano de formas: desenvolvimento do plano das balizas que mostra, em vez de balizas, todas as linhas de cavernas moldadas — além das linhas moldadas de convés, cobertas, longarinas e tangentes.

6. Dimensões lineares (16.7)

As dimensões lineares não são tomadas de maneira uniforme: variam por nação, por tipo (guerra ou mercante), por material (metálico ou madeira) e pelo cálculo desejado (art. 2.46).

2.47 a 2.49. Perpendiculares

  • Perpendiculares (PP) (art. 2.47): duas retas normais à linha-d\'água, contidas no plano diametral, traçadas a vante (PP-AV) e a ré (PP-AR) no plano de linhas.
  • PP-AV (forward perpendicular) (art. 2.48): vertical na interseção da linha-d\'água no calado de projeto com o contorno da roda de proa.
  • PP-AR (after perpendicular) (art. 2.49): definida pela forma da popa; nas embarcações com leme e hélice no plano diametral, passa pelo centro da madre do leme.

2.50 a 2.55. Comprimentos

ComprimentoDefinição (Fonseca)
Entre perpendiculares (CEP) (length between perpendiculars) (2.50)Distância entre PP-AV e PP-AR. É o comprimento que o construtor mede ao projetar; quando se diz "comprimento" sem especificar, entende-se o CEP (resistência longitudinal, acelerações, pressões).
De borda-livre (freeboard length) (2.51)96% do comprimento total numa linha-d\'água a 85% do menor pontal moldado (a partir do topo da quilha), ou o comprimento da roda de proa ao eixo da madre do leme nessa LA, se for maior. Referência para SOLAS e ICTM 1969 (IMO).
De regra ou escantilhões (rule length ou scantling length) (2.52)Definido pelas regras da Sociedade Classificadora; base do projeto estrutural. Medido na LA do calado de escantilhão, da roda de proa à LC da madre do leme; entre 96% e 97% do comprimento da LA.
No convés (lenght of the deck) (2.53)Entre as interseções do convés principal com a face de vante da roda de proa e a face de ré do cadaste (ou o eixo do leme).
De arqueação (tonnage length) (2.54)Distância horizontal, no plano diametral, entre os encontros da face inferior do chapeamento do convés superior com as faces internas do chapeamento de proa e popa.
De roda a roda / total (lenght overall / total length ou extreme length) (2.55)Entre os pontos mais salientes da roda de proa e do cadaste (paralelo à LA carregada de verão). O comprimento total inclui também os apêndices que se projetam além — útil para cais e dique seco.

2.56. Comprimento alagável e linha marginal

O comprimento alagável (floodable length) (art. 2.56) é o comprimento máximo de um compartimento que, alagado, ainda deixa o navio flutuar com o convés no nível da água. A reserva de segurança é dada pelo fator admissível (varia com o comprimento do navio): um navio de 170 m tem fator 0,5, ou seja, cada compartimento estanque é metade do comprimento alagável (no mínimo dois compartimentos).

Linha marginal (marginal line): linha situada a, no mínimo, 76 mm abaixo do convés principal (até o qual as anteparas são estanques). O comprimento alagável é máximo a meio-navio e mínimo a um quarto de comprimento das extremidades (art. 2.56).

2.57 a 2.59. Boca

  • Boca (breadth) (art. 2.57): largura da seção transversal; sem referência, é a maior largura do casco. Meia-boca é a metade.
  • Boca moldada (moulded breadth) (art. 2.58): maior largura entre as faces internas do chapeamento do costado (exclui a espessura); sem referência, é na seção mestra.
  • Boca máxima (maximum breadth) (art. 2.59): largura entre as superfícies externas do chapeamento, couraça ou verdugo — a largura externa máxima.

2.60. Pontal

O pontal moldado (Depth) (ou simplesmente pontal) é a distância vertical, no plano diametral a meia-nau, entre a linha reta do vau do convés principal e a linha da base moldada (art. 2.60). Pode referir-se a outro pavimento, tomando o nome do local (pontal da primeira coberta etc.).

2.61 a 2.64. Calado

O calado">calado (draft, draught) (calado d\'água, na quilha) é a distância vertical entre a superfície da água e a parte mais baixa do navio naquele ponto (art. 2.61). Medem-se geralmente os calados AV e AR, nas escalas próximas às perpendiculares.

CaladoSignificado
Mínimo / máximoMínimo = deslocamento leve; máximo = plena carga.
NormalNo deslocamento normal; é o calado de referência do navio de guerra.
A meia-nau (a MN)Medido na seção a meia-nau; nem sempre igual ao médio.
MédioMédia aritmética dos calados AV e AR; usado para manobra de pesos e deslocamento.
Moldado (moulded draft) (2.62)Referido à linha da base moldada; usado no cálculo do deslocamento.
De projeto (design draught) (2.63)Calado para o qual a embarcação foi projetada, na condição de melhor ganho comercial.
No escantilhão (scantling draft) (2.64)Base do projeto estrutural; próximo do de projeto; em geral, o calado máximo de carregamento.
  • Quilha paralela (even keel): sem diferença entre calados AV e AR.
  • Trim: quando há diferença nos calados (art. 2.82). Para diques e águas rasas mede-se o maior calado (geralmente o AR).

2.65. Escala de calado

A boreste, bombordo, a vante e a ré (às vezes a meia-nau) colocam-se nos costados as escalas numéricas de leitura do calado (draft marks) (art. 2.65), próximas às perpendiculares. O zero é referido à linha do fundo da quilha. Graduação em decímetros (algarismos de 1 dm; só os pares) ou em pés ingleses.

Cada número indica o calado quando a água rasa o seu limbo inferior. Exemplo (fig. 2-16): água no limbo inferior do "56" ⇒ calado 5,60 m; no limbo superior do "58" ⇒ calado 5,90 m (art. 2.65).
Fig. 2-16
Fig. 2-16 Escala de calado

7. Coeficientes de forma e relações (16.7)

Os coeficientes de forma (ou de carena) exprimem a relação entre áreas e volumes da carena e as figuras planas/sólidas circunscritas; definem a esbelteza do casco e de suas seções (art. 2.66). Para uma dada flutuação, considera-se:

  • A = área da parte imersa da seção mestra; $\mathbf{A_{F}}$ = área do plano de flutuação na LA de projeto; L = comprimento entre PP; B = boca máxima da parte imersa; C = calado médio.
CoeficienteRelaçãoPara que serve
Coef. de bloco ($C_{B}$) (block coefficient) (2.66a)Volume deslocado V / paralelepípedo de arestas L, B e C.Plenitude volumétrica da carena.
Coef. prismático / cilíndrico / longitudinal ($C_{P}$) (prismatic coefficient) (2.66b)Volume deslocado / sólido de comprimento igual ao da flutuação e seção igual à da parte imersa da seção mestra.Distribuição longitudinal do deslocamento; cálculos de resistência à propulsão.
Coef. da seção a meia-nau ($C_{SM}$) (midship section coefficient) (2.66c)Área da parte imersa da seção a meia-nau / retângulo circunscrito.Plenitude da seção mestra.
Coef. da área de flutuação ($C_{WL}$) (waterplane coefficient) (2.66d)Área de flutuação / retângulo que a circunscreve.Refere-se sempre à LA de projeto (salvo indicação).

2.67. Relações entre as dimensões principais

Além dos coeficientes, as relações entre dimensões exprimem as proporções da carena e devem ficar entre limites (das Sociedades Classificadoras, nos mercantes) — art. 2.67:

  • L/B (comprimento entre PP / boca): varia aproximadamente de 4 a 10.
  • L/C (comprimento entre PP / calado): varia aproximadamente de 10 a 30.

8. Deslocamento (16.8)

2.68 a 2.70. Definição e fórmulas

O deslocamento">deslocamento (displacement) (W ou Δ) é o peso da água deslocada por um navio flutuando em águas tranquilas. Pelo Princípio de Arquimedes, é igual ao peso do navio e tudo o que ele contém (art. 2.68):

W = peso do navio = volume imerso × peso específico da água
Expressa-se em toneladas de 1.000 kg no sistema métrico. Em toneladas longas (2.240 libras = 1.016 kg) nos países de sistema imperial — hoje apenas EUA, Libéria e Myanmar (art. 2.68).

Os navios de guerra são desenhados para um deslocamento na condição normal; os mercantes referem-se em geral à plena carga. O deslocamento varia com carga e consumíveis, e tende a aumentar com o envelhecimento (tintas, novos acessórios).

Cálculo (art. 2.69): num navio de aço = deslocamento moldado + deslocamento do chapeamento + deslocamento dos apêndices. Deslocamento moldado = peso da água deslocada pelo volume entre a superfície moldada da carena e um plano de flutuação.

2.70. Fórmulas representativas

Sistema métrico: W = 1,025 × volume imerso (m³) em água salgada; W = volume imerso (m³) em água doce

2.71 a 2.74. Condições de deslocamento

  • Plena carga (carregado / máximo) (full load displacement) (2.71): navio completo, pronto para o serviço, com água no nível superior das caldeiras, todos os paióis e tanques atestados, porões cheios; nenhuma água de lastro (exceto a de alimentação de reserva).
  • Normal (normal displacement) (2.72): navio completo com carga normal — em geral 2/3 do combustível, munição, água e mantimentos. É o deslocamento de referência do navio de guerra. Os mercantes não o consideram.
  • Leve / mínimo (lightweight displacement) (2.73): navio completo, mas sem munição, provisões, combustível, água nem lastro; sem tripulantes nem passageiros. É condição que a rigor nunca existe.
  • Padrão (standard displacement) (2.74): navio completo, pronto para o mar, com armamento, munição, provisões e água potável, paióis atestados, mas sem combustível nem água de alimentação de reserva. Só para comparação militar (Tratado de Washington, 1922).

2.75. Resumo das condições típicas

ItemLeveNormal ¹Plena cargaPadrão ²
Casco completo / acessórios / couraçaSimSimSimSim
Máquinas e caldeirasSim (vazios)Sim (a nível)Sim (a nível)Sim (a nível)
Armamentos / equipamentos de convésSimSimSimSim
MuniçãoNão2/3SimSim
Mantimentos e sobressalentesNão2/3SimSim
TripulaçãoNãoSimSimSim
Água de alimentação de reservaNão2/3SimNão
CombustívelNão2/3SimNão
% aproximada de peso80%100%115%85%

¹ Todos os dados de um navio de guerra referem-se à condição "normal", salvo indicação em contrário. ² A condição "padrão" foi estabelecida pelo Tratado de Washington (1922).

9. Porte, arqueação e tonelagem (16.8)

2.76 a 2.77. Expoente de carga e porte útil

  • Expoente de carga / peso morto (deadweight) (gross deadweight, total deadweight, deadweight) (art. 2.76): diferença entre o deslocamento máximo e o mínimo. É o peso de munição, combustível, consumíveis, tripulação, passageiros, bagagens e toda a carga de porões e tanques — ou seja, o peso que o navio é capaz de embarcar.
  • Porte útil / carga paga (cargo deadweight ou net deadweight) (art. 2.77): peso da carga paga; não é fixo, depende da duração da viagem. Viagem curta exige menos combustível/aguada, permitindo mais carga paga.
O expoente de carga não é o peso da carga paga: a carga paga é apenas parte dele (carga de porões/convés/tanques + passageiros e bagagens) — art. 2.76.

2.78. Arqueação Bruta (AB) e Líquida (AL)

A Arqueação Bruta (AB, gross tonnage-grt) é um valor adimensional proporcional ao volume interno, calculado sobre o volume moldado de todos os espaços fechados; define regras de governo, manobra e segurança, e as taxas de registro e portuárias (art. 2.78).

A AB substituiu a tonelagem de arqueação bruta (TAB) a partir de 1994; cada tonelada de arqueação correspondia a 100 pés cúbicos (2,83 m³). Nem a AB nem a TAB são medidas de massa ou peso — não se confundem com o deslocamento (art. 2.78).

A Arqueação Líquida (AL) é função do volume dos espaços de carga, número de passageiros, relação calado/pontal e da AB; serve para comparar a capacidade de transporte. A AL não deve ser inferior a 30% da AB.

2.79. Convenção Internacional para Medidas de Tonelagem (ICTM 1969)

A ICTM 1969 determinou que TAB e TAL fossem substituídas por AB e AL. Aplica-se a todas as embarcações exceto: navios de guerra, navios de comprimento inferior a 24 metros e os que naveguem exclusivamente em águas sem acesso ao mar aberto (art. 2.79).

As novas regras aplicam-se a todos os navios construídos após 18 de julho de 1982; os anteriores tiveram período de transição de 12 anos. Canais de Suez e do Panamá exigem certificados específicos baseados no Certificado Internacional (ICTM 1969).

2.80. Cálculo da arqueação

Toma-se o volume interno de duas parcelas (art. 2.80): (a) espaços fechados abaixo do convés principal; (b) espaços fechados acima do convés principal (castelo de proa, superestruturas, tombadilho, espaços entre conveses). As partes não incluídas são os espaços isentos (exempted spaces) / excluídos.

AB = K₁ · $V_{T}$   com   K₁ = 0,02 · log $V_{T}$ + 0,2

$V_{T}$ = volume total dos espaços fechados da embarcação. A AL é calculada por fórmula que envolve o número de passageiros (N₁ = camarotes de até 8 beliches; N₂ = demais), o volume dos espaços de carga, o calado moldado H e o pontal moldado P.

2.81. Expoente de carga e capacidade cúbica

Os mercantes são comparados pelo expoente de carga, mas tanto ele quanto a capacidade cúbica (cubagem) definem a capacidade de transporte (art. 2.81). Cubagem é o volume dos espaços cobertos utilizáveis para carga (m³, pés cúbicos ou, em navios-tanque, barris — 1 barril = 158,984 litros).

A relação entre expoente de carga e capacidade cúbica tem como referência o fator de estiva (stowage fator) (m³/t): nos navios de carga geral adota-se o valor médio de 1,39 m³/t (art. 2.81).

10. Trim, banda, lastro (item 15)

2.82. Trim e banda; compassar e aprumar

  • Trim (art. 2.82): inclinação para uma das extremidades. De proa / abicado / trim pela proa = inclinado para vante; apopado / derrabado / trim pela popa = inclinado para ré. Trim é também a medida da inclinação: a diferença entre os calados AV e AR (em metros ou pés).
  • Banda ou adernamento: inclinação para um dos bordos (BE ou BB); medida em graus.
  • Compassar: tirar o trim, trazendo o navio à flutuação direita no sentido longitudinal. Sem trim, diz-se compassado / em quilha paralela / em águas parelhas.
  • Aprumar: tirar a banda, trazendo à flutuação direita no sentido transversal. Sem banda, diz-se aprumado. Sem banda nem trim: flutuação direita.
Quando há trim, é preferível que o navio esteja apopado: um navio abicado é mais propenso a embarcar água pela proa, prejudica a eficiência dos propulsores e é mais difícil de governar (art. 2.82).

2.83. Lastro; lastrar

Lastrar é colocar peso no fundo do casco para aumentar a estabilidade ou trazer o navio à flutuação direita (art. 2.83). Navios-tanque e mineraleiros costumam sair leves de um porto, recebendo bastante lastro — diz-se que estão em lastro.

Tipo de lastroConstituiçãoUso
PermanenteConcreto, sucata de ferro, linguados de ferro fundido ou chumbo.Corrigir má distribuição de pesos (falha de projeto ou mudança de serviço).
TemporárioSempre líquido — em geral água salgada, admitida/descarregada por bombas em tanques de lastro dedicados.Corrigir trim (tanques AV/AR) e banda (tanques laterais); o fundo duplo (BE, BB, central) também pode servir.

11. Curvas hidrostáticas e variações de calado (item 15)

2.84. Curvas hidrostáticas

Ao projetar o navio, o construtor calcula as propriedades da forma da carena para muitas flutuações direitas, apresentadas em curvas hidrostáticas (ou, hoje, tabelas de computador) — art. 2.84. A figura de referência do livro (Fig. 2-19) representa as curvas de um contratorpedeiro de 1.200 toneladas: a escala vertical (em pés) é o calado médio na quilha; a horizontal exprime, em sua parte superior, o valor em toneladas. Cada curva traz um fator de conversão.

CurvaGrandeza lida
1 / 2Deslocamento em água salgada / em água doce.
3 / 4Posição vertical / longitudinal do centro de carena (CC).
5 / 6Área de flutuação / posição longitudinal do centro de flutuação (CF).
7Toneladas por polegada de imersão (TPI).
8 / 9Área / contorno da seção a meia-nau.
10 / 11Altura do metacentro transversal acima da quilha / raio metacêntrico longitudinal.
12 / 13Momento para variar 1 polegada de trim / correção ao deslocamento com 1 pé de trim pela popa.
14 / 15 / 16Área da superfície molhada / áreas das seções abaixo da flutuação normal / forma da seção no plano diametral.

2.85. Escala de deslocamento

Para os mercantes, algumas curvas são apresentadas como uma escala — tradução numérica da curva (art. 2.85). Contém os deslocamentos em água salgada do calado leve ao de plena carga, mais colunas para o expoente de carga e para a borda-livre. O zero do expoente de carga corresponde ao deslocamento leve (ponto A).

2.86. Toneladas por centímetro / por polegada de imersão

É o peso a adicionar/retirar para o calado variar uma unidade uniformemente: toneladas por centímetro (métrica) ou toneladas por polegada (inglesa) — art. 2.86. Em água salgada:

T = 0,01026 · $A_{F}$   ($A_{F}$ = área do plano de flutuação em m², por 1 cm)

Regras de Baistrocchi para o navio em plena carga (em função de L = CEP em m e B = boca máxima na flutuação carregada):

Tipo de navioFórmula (ton/cm)
Grande velocidade, compridos, formas finas ($C_{B}$ < 0,6)T = 0,0070 · L · B
Forma ordinária (0,6 < $C_{B}$ < 0,7)T = 0,0075 · L · B
Formas cheias ($C_{B}$ > 0,7)T = 0,0084 · L · B
As regras valem para um intervalo de ±30 cm em torno da linha-d\'água normal. Regra prática para toneladas por polegada: "1/10 do comprimento do navio em pés" (art. 2.86).

2.87. Cálculo aproximado do deslocamento

Quando não se tem a curva do deslocamento (caso raro), usa-se W = V · d, com d = peso específico da água. Para água do mar (d médio = 1,026):

W = 1,026 · L · B · C · $C_{B}$

V = volume da carena; L = CEP; B = boca extrema máxima; C = calado médio; $C_{B}$ = coeficiente de bloco. Exemplo do livro: cruzador com L = 122 m, B = 12 m, C = 4,6 m, $C_{B}$ = 0,56.

2.88 a 2.90. Variações de calado e de trim

  • Variação do calado médio sem alterar o trim (art. 2.88): embarcando/desembarcando peso na vertical do centro de flutuação, há só imersão (ou emersão) paralela — calado AV e AR variam igualmente. Calcula-se pelas curvas de deslocamento ou pelas toneladas por centímetro. Nos navios de guerra, o CF normal fica a cerca de 0,04·L por ante a ré do meio de L (0,54 a partir da PP-AV).
  • Da água salgada para a doce (art. 2.89): o navio aumenta de calado ao passar para água doce, pois precisa deslocar maior volume (a água doce pesa menos: ~1,010 t/m³ contra 1,026 t/m³). Regra prática: cerca de 1,3 cm por metro de calado em plena carga; ou "1/4 do calado máximo em pés = aumento de calado em polegadas".
  • Variação de trim por modificação de peso (art. 2.90): variação de trim = soma do aumento de calado numa extremidade e da diminuição na outra. Move-se longitudinalmente um peso (ou embarca/desembarca a vante ou a ré); o momento (peso × distância) varia o trim, calculado pelo método metacêntrico com a altura metacêntrica longitudinal GM\'.
Regra de Baistrocchi para o momento que varia 1 cm de trim: aproximadamente 1/100 do deslocamento (em metros-toneladas), válida para navios de guerra de proporções ordinárias (GM\' ≈ L); nos mercantes, o momento real costuma ser 30 a 40% maior (art. 2.90).