Regiões do cabo solteiro (Fig. 8-1)
Vivoparte tracionada, sob esforço, ou que só dá volta num objeto. Aqui o esforço se distribui uniformemente pelos cordões.
Seioqualquer parte intermediária, compreendendo as dobras.
Chicoteextremidade livre, geralmente falcaçada para não descochar.
Volta singela = 1 volta de circunferência; voltas redondas = 2 ou mais.
Nó × Volta × Costura × Aboçadura
| Trabalho | O que é | Reversível? |
|---|---|---|
| Nó / Volta | entrelaçamento manual do chicote/seio | Sim (pela mão) |
| Costura | emenda pelo entrelaçamento dos cordões | Não — permanente |
| Aboçadura | nó volumoso p/ emenda rápida de espia | Sim, com esforço; não gurne em cabrestante |
Toda amarração é menos resistente que o próprio cabo (art. 8.2): dobras concentram a carga em poucos fios → a ruptura acontece quase sempre exatamente no nó, na volta ou na costura.
Resistência percentual (Columbian Rope)
| Amarração | % do cabo |
|---|---|
| Cabo único | 111% |
| Cabo seco (referência) | 100% |
| Costura de mão | 100% |
| Costura redonda | 85% |
| Volta de fateixa | 76% |
| Laís de guia | 60% |
| Nó de escota | 55% |
| Nó direito / meia-volta | 45% |
Costura supera qualquer nó: costura de mão 100% > laís (rei dos nós) só 60% > nó direito 45% (menos da metade).
Elementares
- Meia-volta (art. 8.4, Fig. 8-2): base de outros nós; isolada perde mais da metade da força.
- Cote (art. 8.6, Fig. 8-4): volta singela em que uma parte morde a outra; remata outras voltas.
- Volta de fiador (art. 8.5, Fig. 8-3): em forma de número 8; no tirador da talha, não desgurne; superior à meia-volta porque não fica mordida.
Volta de fiel — a mais usada
Singela(Fig. 8-5) = dois cotes dados em sentidos contrários; o entrelaçamento mais usado a bordo. Exige tensão constante — sob tensão flutuante abre-se; então remata-se com cote ou botão.
Dobrada(Fig. 8-7) 1 volta a mais entre o 1º e o último cote; nunca recorre — aguenta cabo em torno de outro mais grosso, aboça cabo.
Em objeto fixo & especiais
- Volta redonda + 2 cotes em cabeço (Fig. 8-9): sob tensão grande tende a recorrer → põe-se pedaço de madeira separando os cotes ou abotoa-se o chicote. Cotes no mesmo sentido.
- Volta de fateixa (art. 8.16, Fig. 8-15): volta redonda + cote por dentro dela; espia a ancorote, fiel a balde.
- Volta de tortor (art. 8.17, Fig. 8-16): aguenta o passador num merlim; amarra pranchas de costado.
- Volta falida (art. 8.23, Fig. 8-22): série de voltas alternadas entre dois objetos; base de badernas, portuguesas e peitos de morte; eleição para dar espia em dois cabeços.
Encapeladura singela (Fig. 8-18) aguenta mastro/antena ao alto; dobrada e em cruz são só ornamentais.
Laís de guia & balsos (Fig. 8-23)
Laís de guiao rei dos nós: dado com presteza, nunca recorre, forma alça de qualquer tamanho que não corre como laço. Retém 60%.
- Balso de calafate (art. 8.26, Fig. 8-24): aguenta homem no costado/mastro com as mãos livres; permite descer homem a paiol invadido por fumaça.
- Balso americano (art. 8.29): duas voltas que não correm; manobra para retirar ferido de porão.
Cataus, azelha, pescador
- Catau de reboque (art. 8.32, Fig. 8-29): dobra no seio para esconder ponto fraco do cabo.
- Catau de bandeira (art. 8.33): nó dos sinaleiros; puxa-se uma pernada no tope e desfaz-se, liberando a bandeira.
- Nó de azelha (art. 8.34, Fig. 8-30): marca medida num cabo/merlim pelo seio.
- Nó de pescador (art. 8.35, Fig. 8-31): encurta linha escondendo ponto coçado.
Corrente (art. 8.31, Fig. 8-28) encurta cabo sem esforço — mas nunca nos fiéis de toldo (vedação estética); esses diminuem-se com voltas redondas bem unidas.
Nó direito × nó torto (pegadinha)
| Nó | Meias-voltas | Recorre? | A bordo? |
|---|---|---|---|
| Direito (Fig. 8-33) | sentidos inversos entre si | Não | Sim — cabos finos / rizes |
| Torto (Fig. 8-34) | mesmo sentido | Sim | Não usado |
Nó direito não recorre, mas é difícil de desfazer rondado; vedado em aparelhos de laborar e na emenda de espias; desfaz-se sozinho se os cabos têm tamanhos ou materiais diferentes.
Nó de escota
- Singelo (art. 8.39, Fig. 8-35): une cabos finos ou de bitolas diferentes; retém 55%.
- Dobrado (art. 8.40, Fig. 8-36): chicote em volta redonda; emenda espias — a espia mais grossa forma a alça.
Aboçaduras (art. 8.45) — Fig. 8-41
Definiçãonó volumoso que emenda duas espias com rapidez e segurança — troca-se um nó/volta reversível por um entrelaçamento mais robusto, sem chegar a costura.
- (a) dois laís de guia, um balso passando por dentro do outro.
- (b) cotes + chicotes abotoados e esganados para maior segurança.
- (c) dois cotes em cada espia.
- (d) cabos dobrados, um seio por dentro do outro, cotes aguentados por botão em cruz + botão redondo.
- (e) somente botões em cruz.
Cinco variantes — mas são nós volumosos: não passam em cabrestante ou retorno.
Falcaça
Definiçãovoltas redondas de fio de vela/merlim que impedem o chicote de descochar — sempre que se corta um cabo. Largura da falcaça = diâmetro do cabo.
- 1º — Comum: merlim dobrado sobre o chicote, voltas redondas, chicote enfiado no seio; método padrão.
- 2º: começa pelo seio; voltas sobre o chicote do merlim.
- 3º: como o 2º, mas com nó direito escondido entre dois cordões — acabamento limpo.
- 4º — Esganada pela cocha (com agulha e repuxo, Fig. 8-42c): um dos mais seguros.
- 5º — Esganada: descocha o chicote; seio do merlim em volta de um cordão; aperta com o chicote fixo.
- 6º — Trincafiada: meias-voltas diametralmente opostas; falcaçar pelo seio ou ornamentar.
São 6 métodos ao todo.
Pinhas
Definiçãointercalação simétrica dos cordões do cabo, feita no chicote descochado; falcaça-se antes para não descochar mais durante o trabalho.
- Pinha singela intercala cordões para cima; o nó de porco (Fig. 8-45) é o inverso — cordões para baixo.
- Pinha de retinida (cruzada): pandulho que dá peso ao arremesso para atingir ponto distante.
- Pinha fixa (Fig. 8-51): nos tirantes da escada de quebra-peito e andorinhos de lancha.
Botões
Definiçãovoltas redondas de arrebém, linha, merlim ou fio de vela dadas em torno de duas partes de cabo para prendê-las definitivamente — tomar um botão chama-se abotoar.
| Botão | Quando usar |
|---|---|
| Redondo | esforço pequeno/igual nas duas pernadas |
| Coberto e esganado | o mais forte; alcear cabo em sapatilho |
| Falido | esforço desigual nas pernadas; cabrilhas |
| Portuguesa (Fig. 8-60) | ~11 voltas (falida + redonda alternadas); cabos de aço |
CorrelatosBarbela nos gatos p/ não desengatarem; peito de morte = botões esganados que prendem mastaréu ou paus de cabrilha.
| Costura | % | Marca registrada |
|---|---|---|
| Redonda (Fig. 8-67) | 85% | duplica o diâmetro → não serve em cabo de laborar |
| De mão (Fig. 8-68) | 100% | forma alça permanente; alça grande p/ tope = mão de encapeladura |
| De laborar (Fig. 8-69) | — | mantém o diâmetro — única que passa em poleame; um pouco mais fraca |
- Mínimo de 4 ou 5 cochas; descocha-se 3× a circunferência (redonda/mão) ou 12 a 15× (laborar).
- A costura reduz a resistência em 10 a 15% (art. 8.2), conforme a habilidade.
- Ferramentas: macete e passador. Cabo de dupla trança mantém ~90% da resistência (só em cabo novo).
Vantagens sobre nós/aboçaduras: maior resistência à tração + gurne melhor em cabrestante/retorno.
Definições — embotijo, gaxeta, coxim
Embotijo(art. 8.90) trançado com que se cobrem balaústres, pés-de-carneiro, cabos grossos, defensas ou outros objetos.
Gaxeta(art. 8.105) trançado ornamental em molduras, fiéis, fundas, cortinas.
Coxim(art. 8.121) trançado com cordões de cabo descochado — capachos, defensas, proteção de portalós.
Proteger o cabo (art. 8.77)
Engaiar e percintar = no sentido da cocha; mas forrar = sentido contrário à cocha (Fig. 8-66). Cabo de aço: antes de percintar, passa-se camada de zarcão.
Distinções cobráveis
- Coxins ≠ gaxetas (têm maior largura) e ≠ embotijos (são planos).
- Rabo de cavalo (Fig. 8-88) = número par de cordões, feito por 2 homens; rabo de raposa (Fig. 8-89) = número ímpar, com agulha, resulta em espiral.
- Costura de boca-de-lobo: substitui a encapeladura por alça quando as duas pernadas devem partir separadas.
Gaxeta laminada(Fig. 8-100) substitui borracha de vedação de portas estanques e do eixo propulsor.
Coxim turco(Fig. 8-109) capacho da escada de portaló.
Rabicho (Fig. 8-110) = embotijamento no chicote, com 3 funções: enfeitar, não deixar descochar, gurnir melhor.
Defensa (art. 8.131): dispositivo que protege embarcações atracadas do contato com o cais ou entre si, absorvendo o impacto.
Comumsaco de lona cheio de cortiça/borracha + estropo de anel + embotijo de defensa + fiel. Metade superior tem cotes em posição exatamente inversa da inferior.
Industriais modernas (as do prático)
| Tipo | Marca decisiva |
|---|---|
| Cilíndricas (anos 30, Fig. 8-113a) | não exigem fixação — suspensas por correntes; universais |
| Yokohama (1959, Fig. 8-113f) | pneumáticas que flutuam; grande amplitude de maré, navio-navio, cascos sensíveis a pressão |
| Hidropneumáticas (Fig. 8-113g) | exclusivamente para submarinos |
| Flutuantes de espuma | funcionam mesmo danificadas/perfuradas |
| Donut | montadas em estacas; transladam com a maré; entrada de eclusas |
| Giratórias / de pneus | baixa absorção → só guia, não servem para atracação |
Escada de quebra-peito — prioridade do prático
Tipo p/ práticos(Fig. 8-116, tipo C) mais robusta, 4 furos por degrau; cabo de linho alcatroado, 4 cordões, 51 mm (2 polegadas); carga de ruptura mínima 1.400 kg.
SOLAS V/23 + Resolução A.1045(27) — 27ª Assembleia da IMO (2011): transbordo de práticos. Campanha IMPA pela segurança no embarque.
Lanças e cabrilhas
- Lança (Fig. 8-118): ângulo máximo 30° em relação à vertical; plumas = 3 a 120° ou 4 em ângulo reto.
- Cabrilha (Fig. 8-119): amarração por portuguesa ou botão redondo esganado; abertura dos pés = 1/3 da distância ao ponto de cruzamento.
Manobras com espias
- 2 espias num cabeço (Fig. 8-123): a 2ª passa por dentro da alça da 1ª → retira-se qualquer uma sem interferência.
- Espia em 2 cabeços (Fig. 8-127): voltas falidas; a 1ª volta vai no 2º cabeço a contar da direção de onde a espia vem.
- Aboçar/trapear (Fig. 8-128): cote dobrado + 3 a 4 voltas redondas não unidas; soleca-se devagar até a boça receber o esforço.
Nunca se aboça cabo de aço com cabo de fibra — usar outro cabo de aço ou corrente. No cabrestante: homem ao socairo, safo do vivo do cabo.
Redes
- Formam-se por nós de escota (também nó direito na balaustrada); agulha + calibre (calibre 20 cm → malhas de ~10 cm).
- Rede de abandono/salvamento (Fig. 8-136): caçoilos de cortiça (flutua); aranha = 1/4 do comprimento.
- Rede de carga (Fig. 8-139): fundo fechado é a mais indicada; 4 punhos na tralha.
Lona & utensílios
Numeração inversa da lona: lona 8 é mais leve que lona 4 (maior número = mais leve).
- Bigorrilha chato: forra cabos/objetos; espelho (Fig. 8-153): tapa buracos em toldos/velas com costura concêntrica.
- Agulha de lona: 3 navalhas (quinas); maior número = agulha menor.
- Repuxo calçado na mão direita; faca de marinheiro sem ponta; remanchador fixa o anilho no ilhós.
O que écabo cujos chicotes se ligam em anel para içar carga. 5 tipos: comum (Fig. 8-158), aberto, braçalote, de rede, de lona.
- Cabo de aço 6×19 e 6×37 fios; fibra: manilha 64 a 101 mm × 7 a 11 m.
- Estropo de corrente recozido após 1 ano de uso ininterrupto.
Ângulo das pernadas (carga de 2.000 kg)
| Ângulo s/ horizontal | Carga por pernada |
|---|---|
| 90° (paralelas) | 1.000 kg (metade) |
| 45° (ótimo) | ~1.400 kg — mínimo aconselhado |
| 30° | 2.000 kg (dobra) |
| 0° | 4.000 kg (quadruplica) |
Ângulo mínimo aconselhado (Fig. 8-165) = 45°. Fator de segurança para cabos de fibra = 5:1.
"Não é o cabo que se torna fraco, é a carga que fica demasiada para ele" — muitas rupturas vêm do ângulo pequeno ou da aresta viva, não do cabo.
| Situação | Escolha técnica |
|---|---|
| Amarrar embarcação/objeto pequeno | Laís de guia — alça que não corre, nunca recorre |
| Amarrar boça em cabeço | Volta de fiel ou voltas redondas + 2 cotes |
| Emendar espia que gurne em cabrestante | Costura de laborar — mantém o diâmetro |
| Trocar ponto de espia tensionada | Aboçar (cote dobrado + 3-4 voltas); nunca aço com fibra |
| Içar carga | Estropo + ângulo ≥ 45° + fator 5:1 |
| Embarcar pelo costado | Escada de quebra-peito tipo C (SOLAS V/23 + IMO A.1045(27)) |
| Falcaçar cabo de uso pesado | Falcaça esganada pela cocha (4º método) |
Para a prova: fixe os mnemônicos por situação, treine as percentagens de resistência e lembre — o ângulo das pernadas mata mais que o cabo que parte.