🧭 MMPH · Cap.8 — Trabalhos do Marinheiro

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Fonseca, Arte Naval — Vol.1 · II.01-AN · Área II do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Regiões do cabo solteiro (Fig. 8-1)

Vivoparte tracionada, sob esforço, ou que só dá volta num objeto. Aqui o esforço se distribui uniformemente pelos cordões.
Seioqualquer parte intermediária, compreendendo as dobras.
Chicoteextremidade livre, geralmente falcaçada para não descochar.
Volta singela = 1 volta de circunferência; voltas redondas = 2 ou mais.

Nó × Volta × Costura × Aboçadura

TrabalhoO que éReversível?
Nó / Voltaentrelaçamento manual do chicote/seioSim (pela mão)
Costuraemenda pelo entrelaçamento dos cordõesNão — permanente
Aboçaduranó volumoso p/ emenda rápida de espiaSim, com esforço; não gurne em cabrestante
Toda amarração é menos resistente que o próprio cabo (art. 8.2): dobras concentram a carga em poucos fios → a ruptura acontece quase sempre exatamente no nó, na volta ou na costura.
Fig. 8-1
Fig. 8-1 — Cabo solteiro

Resistência percentual (Columbian Rope)

Amarração% do cabo
Cabo único111%
Cabo seco (referência)100%
Costura de mão100%
Costura redonda85%
Volta de fateixa76%
Laís de guia60%
Nó de escota55%
Nó direito / meia-volta45%
Costura supera qualquer nó: costura de mão 100% > laís (rei dos nós) só 60% > nó direito 45% (menos da metade).

Elementares

  • Meia-volta (art. 8.4, Fig. 8-2): base de outros nós; isolada perde mais da metade da força.
  • Cote (art. 8.6, Fig. 8-4): volta singela em que uma parte morde a outra; remata outras voltas.
  • Fig. 8-2
    Fig. 8-2 — Meia-volta
    Fig. 8-4
    Fig. 8-4 Cote
  • Volta de fiador (art. 8.5, Fig. 8-3): em forma de número 8; no tirador da talha, não desgurne; superior à meia-volta porque não fica mordida.
  • Fig. 8-3
    Fig. 8-3 — Volta de fiador

Volta de fiel — a mais usada

Singela(Fig. 8-5) = dois cotes dados em sentidos contrários; o entrelaçamento mais usado a bordo. Exige tensão constante — sob tensão flutuante abre-se; então remata-se com cote ou botão.
Fig. 8-5
Fig. 8-5 — Volta de fiel singela
Dobrada(Fig. 8-7) 1 volta a mais entre o 1º e o último cote; nunca recorre — aguenta cabo em torno de outro mais grosso, aboça cabo.
Fig. 8-7
Fig. 8-7 — Volta de fiel dobrada

Em objeto fixo & especiais

  • Volta redonda + 2 cotes em cabeço (Fig. 8-9): sob tensão grande tende a recorrer → põe-se pedaço de madeira separando os cotes ou abotoa-se o chicote. Cotes no mesmo sentido.
  • Volta de fateixa (art. 8.16, Fig. 8-15): volta redonda + cote por dentro dela; espia a ancorote, fiel a balde.
  • Fig. 8-9
    Fig. 8-9 — Volta redonda e dois cotes
    Fig. 8-12
    Fig. 8-12 — Volta singela mordida
    Fig. 8-15
    Fig. 8-15 Volta de fateixa
  • Volta de tortor (art. 8.17, Fig. 8-16): aguenta o passador num merlim; amarra pranchas de costado.
  • Fig. 8-16
    Fig. 8-16 — Volta de tortor
  • Volta falida (art. 8.23, Fig. 8-22): série de voltas alternadas entre dois objetos; base de badernas, portuguesas e peitos de morte; eleição para dar espia em dois cabeços.
  • Fig. 8-18
    Fig. 8-18 Volta de encapeladura singela
    Fig. 8-22
    Fig. 8-22 Volta falida
Encapeladura singela (Fig. 8-18) aguenta mastro/antena ao alto; dobrada e em cruz são só ornamentais.

Laís de guia & balsos (Fig. 8-23)

Laís de guiao rei dos nós: dado com presteza, nunca recorre, forma alça de qualquer tamanho que não corre como laço. Retém 60%.
Fig. 8-23
Fig. 8-23 — Lais de guia
  • Balso de calafate (art. 8.26, Fig. 8-24): aguenta homem no costado/mastro com as mãos livres; permite descer homem a paiol invadido por fumaça.
  • Fig. 8-24
    Fig. 8-24 Balsa de calafate
  • Balso americano (art. 8.29): duas voltas que não correm; manobra para retirar ferido de porão.

Cataus, azelha, pescador

  • Catau de reboque (art. 8.32, Fig. 8-29): dobra no seio para esconder ponto fraco do cabo.
  • Fig. 8-28
    Fig. 8-28 Corrente
    Fig. 8-29
    Fig. 8-29 — Catau de reboque
  • Catau de bandeira (art. 8.33): nó dos sinaleiros; puxa-se uma pernada no tope e desfaz-se, liberando a bandeira.
  • Nó de azelha (art. 8.34, Fig. 8-30): marca medida num cabo/merlim pelo seio.
  • Fig. 8-30
    Fig. 8-30 Nó de azelha
  • Nó de pescador (art. 8.35, Fig. 8-31): encurta linha escondendo ponto coçado.
Fig. 8-31
Fig. 8-31 — Nó de pescador
Corrente (art. 8.31, Fig. 8-28) encurta cabo sem esforço — mas nunca nos fiéis de toldo (vedação estética); esses diminuem-se com voltas redondas bem unidas.

Nó direito × nó torto (pegadinha)

Meias-voltasRecorre?A bordo?
Direito (Fig. 8-33)sentidos inversos entre siNãoSim — cabos finos / rizes
Torto (Fig. 8-34)mesmo sentidoSimNão usado
Fig. 8-33
Fig. 8-33 — Nó direito
Fig. 8-34
Fig. 8-34 — Nó torto
Nó direito não recorre, mas é difícil de desfazer rondado; vedado em aparelhos de laborar e na emenda de espias; desfaz-se sozinho se os cabos têm tamanhos ou materiais diferentes.

Nó de escota

  • Singelo (art. 8.39, Fig. 8-35): une cabos finos ou de bitolas diferentes; retém 55%.
  • Dobrado (art. 8.40, Fig. 8-36): chicote em volta redonda; emenda espias — a espia mais grossa forma a alça.
  • Fig. 8-35
    Fig. 8-35 — Nó de escota singelo
Fig. 8-36
Fig. 8-36 Nó de escota dobrado

Aboçaduras (art. 8.45) — Fig. 8-41

Definiçãovolumoso que emenda duas espias com rapidez e segurança — troca-se um nó/volta reversível por um entrelaçamento mais robusto, sem chegar a costura.
  • (a) dois laís de guia, um balso passando por dentro do outro.
  • (b) cotes + chicotes abotoados e esganados para maior segurança.
  • (c) dois cotes em cada espia.
  • (d) cabos dobrados, um seio por dentro do outro, cotes aguentados por botão em cruz + botão redondo.
  • (e) somente botões em cruz.
Fig. 8-41
Fig. 8-41 Aboçadura
Cinco variantes — mas são nós volumosos: não passam em cabrestante ou retorno.

Falcaça

Definiçãovoltas redondas de fio de vela/merlim que impedem o chicote de descocharsempre que se corta um cabo. Largura da falcaça = diâmetro do cabo.
  • 1º — Comum: merlim dobrado sobre o chicote, voltas redondas, chicote enfiado no seio; método padrão.
  • : começa pelo seio; voltas sobre o chicote do merlim.
  • : como o 2º, mas com nó direito escondido entre dois cordões — acabamento limpo.
  • 4º — Esganada pela cocha (com agulha e repuxo, Fig. 8-42c): um dos mais seguros.
  • Fig. 8-42c
    Fig. 8-42c Falcaça (quarto método)
  • 5º — Esganada: descocha o chicote; seio do merlim em volta de um cordão; aperta com o chicote fixo.
  • 6º — Trincafiada: meias-voltas diametralmente opostas; falcaçar pelo seio ou ornamentar.
São 6 métodos ao todo.

Pinhas

Definiçãointercalação simétrica dos cordões do cabo, feita no chicote descochado; falcaça-se antes para não descochar mais durante o trabalho.
  • Pinha singela intercala cordões para cima; o nó de porco (Fig. 8-45) é o inverso — cordões para baixo.
  • Fig. 8-45
    Fig. 8-45 — Nó de porco
  • Pinha de retinida (cruzada): pandulho que dá peso ao arremesso para atingir ponto distante.
  • Pinha fixa (Fig. 8-51): nos tirantes da escada de quebra-peito e andorinhos de lancha.
  • Fig. 8-51
    Fig. 8-51 Pinha fixa

Botões

Definiçãovoltas redondas de arrebém, linha, merlim ou fio de vela dadas em torno de duas partes de cabo para prendê-las definitivamente — tomar um botão chama-se abotoar.
BotãoQuando usar
Redondoesforço pequeno/igual nas duas pernadas
Coberto e esganadoo mais forte; alcear cabo em sapatilho
Falidoesforço desigual nas pernadas; cabrilhas
Portuguesa (Fig. 8-60)~11 voltas (falida + redonda alternadas); cabos de aço
Fig. 8-60
Fig. 8-60 Portuguesa
CorrelatosBarbela nos gatos p/ não desengatarem; peito de morte = botões esganados que prendem mastaréu ou paus de cabrilha.
Costura%Marca registrada
Redonda (Fig. 8-67)85%duplica o diâmetro → não serve em cabo de laborar
De mão (Fig. 8-68)100%forma alça permanente; alça grande p/ tope = mão de encapeladura
De laborar (Fig. 8-69)mantém o diâmetroúnica que passa em poleame; um pouco mais fraca
Fig. 8-67
Fig. 8-67 Costura redonda
Fig. 8-68
Fig. 8-68 Costura de mão
Fig. 8-69
Fig. 8-69 Costura de laborar
  • Mínimo de 4 ou 5 cochas; descocha-se a circunferência (redonda/mão) ou 12 a 15× (laborar).
  • A costura reduz a resistência em 10 a 15% (art. 8.2), conforme a habilidade.
  • Ferramentas: macete e passador. Cabo de dupla trança mantém ~90% da resistência (só em cabo novo).
Vantagens sobre nós/aboçaduras: maior resistência à tração + gurne melhor em cabrestante/retorno.

Definições — embotijo, gaxeta, coxim

Embotijo(art. 8.90) trançado com que se cobrem balaústres, pés-de-carneiro, cabos grossos, defensas ou outros objetos.
Gaxeta(art. 8.105) trançado ornamental em molduras, fiéis, fundas, cortinas.
Coxim(art. 8.121) trançado com cordões de cabo descochado — capachos, defensas, proteção de portalós.

Proteger o cabo (art. 8.77)

Engaiar e percintar = no sentido da cocha; mas forrar = sentido contrário à cocha (Fig. 8-66). Cabo de aço: antes de percintar, passa-se camada de zarcão.

Distinções cobráveis

  • Coxins ≠ gaxetas (têm maior largura) e ≠ embotijos (são planos).
  • Fig. 8-88
    Fig. 8-88 Embotijo de rabo de cavalo
    Fig. 8-66
    Fig. 8-66 Engaiar, r, percintar, r, trincafiar, r, forrar, r, encapar. r.
  • Rabo de cavalo (Fig. 8-88) = número par de cordões, feito por 2 homens; rabo de raposa (Fig. 8-89) = número ímpar, com agulha, resulta em espiral.
  • Fig. 8-89
    Fig. 8-89 Embotijo de rabo de raposa
  • Costura de boca-de-lobo: substitui a encapeladura por alça quando as duas pernadas devem partir separadas.
Gaxeta laminada(Fig. 8-100) substitui borracha de vedação de portas estanques e do eixo propulsor.
Fig. 8-100
Fig. 8-100 — Gaxeta laminada
Coxim turco(Fig. 8-109) capacho da escada de portaló.
Rabicho (Fig. 8-110) = embotijamento no chicote, com 3 funções: enfeitar, não deixar descochar, gurnir melhor.
Defensa (art. 8.131): dispositivo que protege embarcações atracadas do contato com o cais ou entre si, absorvendo o impacto.
Comumsaco de lona cheio de cortiça/borracha + estropo de anel + embotijo de defensa + fiel. Metade superior tem cotes em posição exatamente inversa da inferior.

Industriais modernas (as do prático)

TipoMarca decisiva
Cilíndricas (anos 30, Fig. 8-113a)não exigem fixação — suspensas por correntes; universais
Yokohama (1959, Fig. 8-113f)pneumáticas que flutuam; grande amplitude de maré, navio-navio, cascos sensíveis a pressão
Hidropneumáticas (Fig. 8-113g)exclusivamente para submarinos
Flutuantes de espumafuncionam mesmo danificadas/perfuradas
Donutmontadas em estacas; transladam com a maré; entrada de eclusas
Giratórias / de pneusbaixa absorção → só guia, não servem para atracação
Fig. 8-113g
Fig. 8-113g Defensa tipo hidropneumáticas
Fig. 8-109
Fig. 8-109 Coxim turco
Fig. 8-110
Fig. 8-110 Rabicho de rabo de raposa
Fig. 8-113a
Fig. 8-113a Defensa tipo cilindro
Fig. 8-113f
Fig. 8-113f — Defensa tipo pneumáticas

Escada de quebra-peito — prioridade do prático

Tipo p/ práticos(Fig. 8-116, tipo C) mais robusta, 4 furos por degrau; cabo de linho alcatroado, 4 cordões, 51 mm (2 polegadas); carga de ruptura mínima 1.400 kg.
SOLAS V/23 + Resolução A.1045(27)27ª Assembleia da IMO (2011): transbordo de práticos. Campanha IMPA pela segurança no embarque.

Lanças e cabrilhas

  • Lança (Fig. 8-118): ângulo máximo 30° em relação à vertical; plumas = 3 a 120° ou 4 em ângulo reto.
  • Fig. 8-116
    Fig. 8-116 — Escadas de quebra-peito
  • Cabrilha (Fig. 8-119): amarração por portuguesa ou botão redondo esganado; abertura dos pés = 1/3 da distância ao ponto de cruzamento.
  • Fig. 8-118
    Fig. 8-118 Lança improvisada
Fig. 8-119
Fig. 8-119 Cabrilha

Manobras com espias

  • 2 espias num cabeço (Fig. 8-123): a 2ª passa por dentro da alça da 1ª → retira-se qualquer uma sem interferência.
  • Fig. 8-123
    Fig. 8-123 Encapelar duas espias num cabeço
  • Espia em 2 cabeços (Fig. 8-127): voltas falidas; a 1ª volta vai no 2º cabeço a contar da direção de onde a espia vem.
  • Fig. 8-127
    Fig. 8-127 Dar volta a uma espia em dois cabeços
  • Aboçar/trapear (Fig. 8-128): cote dobrado + 3 a 4 voltas redondas não unidas; soleca-se devagar até a boça receber o esforço.
  • Fig. 8-128
    Fig. 8-128 Aboçar ou trapear um cabo
Nunca se aboça cabo de aço com cabo de fibra — usar outro cabo de aço ou corrente. No cabrestante: homem ao socairo, safo do vivo do cabo.

Redes

  • Formam-se por nós de escota (também nó direito na balaustrada); agulha + calibre (calibre 20 cm → malhas de ~10 cm).
  • Rede de abandono/salvamento (Fig. 8-136): caçoilos de cortiça (flutua); aranha = 1/4 do comprimento.
  • Rede de carga (Fig. 8-139): fundo fechado é a mais indicada; 4 punhos na tralha.
  • Fig. 8-136Fig. 8-136
    Fig. 8-136 — Rede de abandono ou salvamento
Fig. 8-139
Fig. 8-139 Rede de carga

Lona & utensílios

Numeração inversa da lona: lona 8 é mais leve que lona 4 (maior número = mais leve).
  • Bigorrilha chato: forra cabos/objetos; espelho (Fig. 8-153): tapa buracos em toldos/velas com costura concêntrica.
  • Fig. 8-153
    Fig. 8-153 Espelho
  • Agulha de lona: 3 navalhas (quinas); maior número = agulha menor.
  • Repuxo calçado na mão direita; faca de marinheiro sem ponta; remanchador fixa o anilho no ilhós.
O que écabo cujos chicotes se ligam em anel para içar carga. 5 tipos: comum (Fig. 8-158), aberto, braçalote, de rede, de lona.
  • Cabo de aço 6×19 e 6×37 fios; fibra: manilha 64 a 101 mm × 7 a 11 m.
  • Estropo de corrente recozido após 1 ano de uso ininterrupto.
Fig. 8-158Fig. 8-158
Fig. 8-158 — Estropo comum

Ângulo das pernadas (carga de 2.000 kg)

Ângulo s/ horizontalCarga por pernada
90° (paralelas)1.000 kg (metade)
45° (ótimo)~1.400 kg — mínimo aconselhado
30°2.000 kg (dobra)
4.000 kg (quadruplica)
Ângulo mínimo aconselhado (Fig. 8-165) = 45°. Fator de segurança para cabos de fibra = 5:1.
"Não é o cabo que se torna fraco, é a carga que fica demasiada para ele" — muitas rupturas vêm do ângulo pequeno ou da aresta viva, não do cabo.
SituaçãoEscolha técnica
Amarrar embarcação/objeto pequenoLaís de guia — alça que não corre, nunca recorre
Amarrar boça em cabeçoVolta de fiel ou voltas redondas + 2 cotes
Emendar espia que gurne em cabrestanteCostura de laborar — mantém o diâmetro
Trocar ponto de espia tensionadaAboçar (cote dobrado + 3-4 voltas); nunca aço com fibra
Içar cargaEstropo + ângulo 45° + fator 5:1
Embarcar pelo costadoEscada de quebra-peito tipo C (SOLAS V/23 + IMO A.1045(27))
Falcaçar cabo de uso pesadoFalcaça esganada pela cocha (4º método)
Fig. 8-165
Fig. 8-165 Ângulo dos estropos
Para a prova: fixe os mnemônicos por situação, treine as percentagens de resistência e lembre — o ângulo das pernadas mata mais que o cabo que parte.