🧭 Resumo · Cap. 9 — Poleame, Aparelhos de Laborar e Acessórios

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Fonseca, Arte Naval, v. 2, 8ª ed. — os Caps. 9 a 12 estão fisicamente no Volume 2 · II.01-AN · Área II do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Poleame = peças que fixam ou dão retorno aos cabos do aparelho. Função: reduzir o atrito ao içar/arriar e, quando possível, multiplicar a força aplicada no cabo.
ClasseTem roldana?Efeito
Poleame surdo — um só bloconãodireciona o cabo, não reduz esforço; vai no aparelho fixo
Poleame de laborarsim (gira dentro da caixa)permite ganho de força

Vocabulário-base (9.1–9.4)

Gornea abertura lateral onde gira a roldana.
Pernoo pino que prende a roldana.
Goivadoo entalhe externo que recebe estropo ou ferragem.

caixa roldana perno com estas três se descreve qualquer moitão ou cadernal (o goivado é o entalhe externo, para estropo ou ferragem)

Os três tipos de poleame surdo (9.2)

Fig. 9-1
Fig. 9-1 — Bigota
Fig. 9-2
Fig. 9-2 — Sapata
TipoGoivadoOlhos / furosEmprego
Bigota (9.2a) — madeira dura, Fig. 9-1no contornotrês furos de face a facetrabalham sempre aos pares; nelas gurnem os colhedores, que dão tensão aos ovéns das enxárcias, brandais e estais
Sapata (9.2b) — Fig. 9-2no contornoapenas um olho, largo, com caneluras que servem de berço aos cabosmesmo fim da bigota
Caçoilo (9.2c) — peça pequena, Fig. 9-3varia (ver abaixo)um, dois ou três furos no sentido longitudinalguiar os cabos
Fig. 9-3Fig. 9-3
Fig. 9-3 — Caçoilo
Bigota e sapatapodem ser ferradas (recebem ferragem no goivado) ou alceadas (recebem alça de cabo).

As três formas do caçoilo

  • Esférico com um só furo, sem goivado externo — usado nos chicotes de certos cabos.
  • Esférico sem furos, com dois goivados externos — para ligar dois cabos por alceamento.
  • Cilíndrico: vai nas enxárcias, tem goivado no contorno e um rebaixo de adaptação — servia de espalha-cabos das enxárcias.
Nos navios modernos, bigotas e sapatas são substituídas por macacos (art. 9.32) — o poleame surdo caiu em desuso operacional, mas continua no edital como nomenclatura clássica.
Critério de distinção que a banca troca: quantas roldanas tem · como se abre · para que se destina.
PeçaRoldanasMarca distintiva
Moitão (9.3a)uma só, num único gornena parte inferior da caixa, um gancho — o gato (fixo ou móvel)
Cadernal (9.3b)duas ou mais num mesmo eixofala-se em cadernal de dois, três ou quatro gornes, conforme o nº de roldanas; peça-chave de talhas e estralheiras
Patesca (9.3c)como a do moitãocaixa mais comprida e aberta de um lado, p/ gurnir ou desgurnir o cabo pelo seio; a ferragem tem charneira p/ fechar depois. Muito usada como retorno, sobretudo no tirador
Polé (9.3d)como a da patescaé, por definição do livro, uma patesca abertasem a charneira; ainda usada em veleiros e p/ suspender toldos
Catarina (9.3e)uma (moitão especial)moitão de aço p/ grande peso, muito usada nos lais dos paus de carga; roldana com bucha de bronze autolubrificada
Fig. 9-4
Fig. 9-4 — Moitão de dente

Variantes do moitão — hoje em desuso (9.3a)

  • Moitão de dente — moitão comum de madeira com um ressalto na base para mantê-lo unido a um cabo fixo (fig. 9-4). Fig. 9-4.
  • Fig. 9-5Fig. 9-5Fig. 9-5Fig. 9-5
    Fig. 9-5 — Moitão duplo
    Fig. 9-6
    Fig. 9-6 — Lebre
    Fig. 9-9
    Fig. 9-9 — Patesca
  • Moitão duplodois moitões unidos pela base; gornes no mesmo plano ou em planos diferentes, roldanas iguais ou desiguais (fig. 9-5). Fig. 9-5.
  • Fig. 9-10
    Fig. 9-10 — Polé
  • Lebredois ou mais moitões ligados por um mesmo estropo. Fig. 9-6.
Fig. 9-11
Fig. 9-11 — Catarina
Onde eram usadosos três, em veleiros antigos, nos teques e talhas.

Tipos de conexão do poleame de laborar (9.3f)

gato simples fixogato simples móvelgato de tornelgato de tesouragato de tesoura em tornelmanilhaolhal
Fig. 9-13
Fig. 9-13 — Roldana comum
Fig. 9-14
Fig. 9-14 — Roldana de bucha com redutor de atrito
Reforçosp/ não desengatar e reforçar a resistência, o gato recebe às vezes barbela ou é manilhado.
Orelhamoitões e cadernais podem tê-la, para a arreigada fixa dos aparelhos de laborar.
Citação do livro: "O poleame de laborar é empregado para dar retorno aos cabos de laborar, e consta de moitões, cadernais, patescas, polés, lebres e catarinas."
Fig. 9-12 — Nomenclatura de um cadernal. Também Fig. 9-7 (madeira) e Fig. 9-8 (ferro galvanizado).
Fig. 9-7
Fig. 9-7 — Moitão e cadernais de madeira
Fig. 9-8
Fig. 9-8 — Moitão e cadernais de ferro galvanizado
Fig. 9-12
Fig. 9-12 — Nomenclatura de um cadernal
PeçaO que é
Paredesas faces internas planas e paralelas da caixa
Calçosseparam as paredes, deixando o espaço de trabalho — o gorne
Goivadoexternamente, as paredes têm um ou dois, p/ receber estropo ou ferragem
Roldanapeça com goivado periférico onde trabalha o cabo
Buchase a roldana é de madeira, disco metálico central, geralmente de bronze — resiste melhor ao atrito contra o perno
Pernocilindro de aço, cabeça quadrada ou poligonal; atravessa ferragem, caixa e bucha, fixado por porca na ponta
Manutençãotodo o conjunto desmonta para limpeza e é tratado com grafite.
O perno é sempre de metal — por isso a roldana de madeira precisa da bucha: madeira contra metal não resistiria ao atrito.

roda, inventada na Mesopotâmia há mais de 6.000 anos guindastes gregos e romanos roda estriada a polia

Modo de operaçãoFixa = mancais em repouso em relação ao suporte. Móvel = mancais que se deslocam junto com a carga.
Tipo (9.5.1)ConstruçãoOnde vai
a) Roldana comum — Fig. 9-13dois discos ligados rigidamente ao tubo onde trabalha o perno — as duas faces, de ferro fundido ou bronze; podem ser fundidas numa só peça
b) Roldana de bucha com redutor de atrito — Fig. 9-14bucha (ger. de bronze) com o furo central guarnecido de pequenos cilindros de bronze duro: a bucha gira em torno dos cilindros e estes em torno do pernopreferida nos moitões e cadernais de madeira dos aparelhos de laborar dos turcos, adriças e amantilhos
c) Bucha autolubrificadabucha de bronze com cavidades cheias de lubrificante de grafite; o movimento rotativo distribui o lubrificanteas mais duráveis — poleame de ferro para grandes pesos
Explícito no livro: não se deve usar óleo comum nas buchas autolubrificadas.
Vedação do art. 9.12 — cabo de bitola diferente da indicada para a roldana: bitola maior coça nas arestas da caixa e força curva excessiva; bitola menor perde rendimento e galeia no goivado, mudando de direção durante o movimento.

Alceado (9.6) — Fig. 9-15

Definiçãoa caixa recebe, no goivado externo, alça ou estropo de cabo de fibra ou de aço.
  • O estropo é mais empregado que a alça: envolve o goivado da caixa e o de um sapatilho (fig. 9-15), preso a ambos por um botão redondo.
  • O sapatilho pode ser singelo ou ter gato para fixar o conjunto.
  • Estropo simples = uma volta em torno da caixa. Estropo dobrado = dois estropos singelos, nos aparelhos maiores.
Fig. 9-15
Fig. 9-15 — Poleame alceado
O livro registra que o poleame alceado está em desuso.

Ferrado (9.7) — as duas ferragens

FerragemComo éDetalhe cobrável
Externabarra de seção retangular uniforme, alargada em torno da roldana p/ manter a resistência; se o gato é de tornel, alarga-se também na conexão do tornelcolocada num goivado de cerca de 1/6 da espessura da madeira, geralmente a quente
Internaatravessa a caixa numa extremidade formando uma alça (que recebe olhal ou gato); na extremidade oposta, um ou dois braços internos se prolongam p/ fora, atravessados por um pino → formam a orelhaa orelha recebe a arreigada fixa de uma talha ou se prende ao cabeço de um turco
Comparação: a ferragem interna é mais fácil de desmontar que a externa.
Princípio: o estropo tem de resistir ao esforço máximo do aparelho que sustenta. Símbolos: n = nº de pernadas do cabo que labora no poleame · c = circunferência desse cabo · C = circunferência do estropo.
CasoPernadas que suportamFórmulaEm palavras
Estropo singelo de fibraduasC² = c²·n/2C = c·√(n/2)circunferência do cabo × raiz quadrada da metade do nº de pernadas
Estropo dobrado de fibraquatroC² = c²·n/4C = (c/2)·√nmetade da circunferência do cabo × raiz quadrada do nº de pernadas
Estropo de aço= metade do valor achado p/ o estropo de fibra equivalenteregra de conversão direta
Relação singelo × dobradoo valor do dobrado corresponde a cerca de 5/7 da circunferência do estropo singelo.
Não confundir os dois divisores: n/2 é do estropo singelo · n/4 é do dobrado — e a raiz é da metade de n no primeiro, do n inteiro no segundo.

Resistência da ferragem do poleame (9.9)

  • Mesmo princípio do estropo simples de fibra: a resistência deve igualar a tração nas pernadas do aparelho.
  • Em suspensão estática com pernadas paralelas, tração total = n·f (n pernadas, f o esforço em cada uma).
  • Mas ao içar as trações não são iguaisdiminuem do tirador para a arreigada fixa; o cálculo correto soma a tração real de cada pernada (art. 9.17).
  • Entra no cálculo o tipo de conexão: manilha, olhal, gato — e qual tipo de gato.
Regra de ouro: o gato é invariavelmente a parte mais fraca do aparelho — sua resistência limita a de todo o poleame, ainda que as demais partes suportassem mais. Para grandes pesos, o livro recomenda manilha em vez de gato, por ser sempre mais forte.

Poleame de ferro (9.10)

ElementoRegra
Chapa das paredes externasespessura de cerca de 1/5 a 1/6 da espessura da roldana
Paredes internas (cadernais)mesma espessura das externas — p/ evitar flexão do perno
Materiaiscaixa de ferro galvanizado, roldana usualmente de bronze
Mais robusto e durável que o de madeira → preferível para grandes pesos.

Dimensões (9.11)

Como se medeo poleame é medido pelo comprimento da caixa.
  • Por padronização, p/ um dado comprimento de caixa, espessura e diâmetro da roldana e diâmetro do perno guardam sempre a mesma relação.
  • Diâmetro exterior da roldana2/3 do comprimento da caixa.
  • No poleame comum, espessura da roldana ≈ 2/5 da circunferência do cabo indicado.
PeçaComprimento usado a bordo
Moitões e cadernais7,6 a 30,5 cm (3 a 12 polegadas)
Patescas15,2 a 41 cm (6 a 16 polegadas)

Escolha do poleame (9.12)

Critério principalo cabo a gurnir.
PoleameServeEmprego típico
de madeiracabos de fibrateques e talhas de pequenos pesos; turcos das embarcações miúdas içadas à mão
de ferrocabos de fibra ou de açograndes pesos

Tabelas de dimensionamento — leitura

Nas Tabelas 9-1 (cabos de manilha, tipo comum, roldanas de ferro galvanizado ou madeira) e 9-2 (moitões e cadernais de aço, p/ cabos de aço), as dimensões da roldana são, nesta ordem: diâmetro exterior · espessura · diâmetro do perno. O cabo de aço da Tabela 9-2 é, geralmente, do tipo 6 x 37.
Tabela (extremos — extrato das tabelas, não a tabela inteira)Roldana (cm)Ø cabo (cm)Caixa (cm)
9-1 — primeira linha4,4 x 1,3 x 0,950,957,6
9-1 — última linha35,6 x 12,1 x 4,410,266
9-2 — primeira linha15,2 x 2,5 x 1,91 a 1,3— (tabela sem coluna de caixa)
9-2 — última linha45,7 x 4,4 x 3,82,5
Aparelho de laborar = sistema de dois moitões ou cadernais — um fixo, um móvel — com um cabo aparelhado neles. Fig. 9-16.
Termo (9.13)O que é
Betao cabo aparelhado no sistema
Arreigada fixao chicote fixo à orelha de um dos cadernais ou moitões
Tiradoro chicote por onde se ala
Multiplicação de potênciao ganho: manobrar o peso com esforço menor que o de um cabo simples
Retornoqualquer peça que só mude a direção do cabo, sem multiplicar potência (cabo gurnindo num moitão ou numa patesca)
Fig. 9-16
Fig. 9-16 — Nomenclatura de um aparelho de laborar
O que define o tipoo número de gornes do poleame empregado.
Fig. 9-17
Fig. 9-17 — Teque
Fig. 9-18
Fig. 9-18 — Talha singela (tirador saindo do cadernal móvel)
Fig. 9-19
Fig. 9-19 — Talha dobrada
Tipo (9.14)PoleameTirador e arreigadaMult. teórica (desprezado o atrito)
a) Teque — Fig. 9-17par de moitões, um fixo e um móvelno mesmo moitão2 ou 3 ×, conforme o tirador gurna no fixo ou no móvel
b) Talha singela — Fig. 9-18cadernal de dois gornes + moitão3 × se o cadernal do tirador é a parte fixa; 4 × se é a móvel
c) Talha dobrada — Fig. 9-19par de cadernais de dois gornesno mesmo cadernal4 × (tirador no fixo) ou 5 × (no móvel)
d) Estralheira singelacadernal de três gornes + cadernal de dois5 × se o de três gornes é a parte fixa; 6 × se é a móvel
e) Estralheira dobradapar de cadernais de três gornesno mesmo cadernal6 × com o tirador no fixo — é a mais usada nos turcos das embarcações pesadas; 7 × no móvel, combinação incomum na prática
Talha singelaum dos aparelhos mais aplicados a bordo para os serviços gerais do convés.
Fig. 9-20
Fig. 9-20 — Moitão fixo (retorno)
Fig. 9-21
Fig. 9-21 — Moitão móvel
ArranjoComportamentoRelação
Moitão fixo (9.15a) — Fig. 9-20funciona como simples retorno: pesos iguais em cada chicote se equilibram; com peso P num chicote e força F no outro, F tem de igualar Psem multiplicação — só mudança de direção
Moitão móvel (9.15b) — Fig. 9-21fixa-se um chicote no olhal e pendura-se P no gato do moitão; a outra metade é sustentada pelo ponto fixoF = P/2 · V = 2v
Teque (9.15c)moitão móvel + moitão fixo só para mudar a direção do tirador → o fixo é puro retorno, as condições de equilíbrio não mudamcontinua F = P/2 e V = 2v
Talha singela (9.15d)acrescenta-se uma roldana ao moitão inferior do teque, com o tirador gurnindo nela → quatro pernadas sustentam o peso, cada uma com 1/4 do esforçoF = P/4 · V = 4v
Talha dobrada (9.15d)acrescenta-se outra roldana ao moitão fixo, que vira retorno — a roldana extra só muda a direção do tiradoras mesmas condições da talha singela
V e vV = velocidade do ponto onde se aplica a força · v = velocidade de subida do peso.
Regra geral (9.15e), com n = nº de partes de cabo que saem do cadernal móvel: F = P/n · V = n·v.
Citação — o método do plano: "Passa-se um plano imediatamente acima do cadernal — ou moitão — ao qual está fixado o peso; o número de partes do cabo cortadas por esse plano exprime a relação entre o peso e a força aplicada e também entre as velocidades de movimento do ponto de aplicação desta força e daquele peso."

Tirador no fixo × tirador no móvel

tirador saindo da parte fixa (condição da fig. 9-22) 1/1 retorno 1/2 teque 1/3 e 1/4 talha singela e dobrada 1/5 e 1/6 estralheira singela e dobrada

Fig. 9-22
Fig. 9-22 — – Aparelhos de laborar

invertendo — tirador saindo do cadernal móvel os valores sobem uma casa 1/2 1/3 1/4 1/5 1/6 1/7

O que não muda: o peso pende sempre do cadernal móvel. O que muda de aparelho para aparelho é de qual deles sai o tirador.
Regra prática daí decorrente: buscar sempre o maior número de gornes no cadernal móvel, quando possível. Exceções do livro: nos turcos o tirador sai sempre do cadernal fixo; nos amantes dos paus de carga é possível trabalhar com o tirador na parte móvel.
A multiplicação do art. 9.15 é teórica. Na prática, rigidez do cabo e atrito — do cabo sobre as roldanas e destas sobre o perno — reduzem o ganho.
Rendimentorelação entre o peso a içar e a potência realmente aplicada (a força × o nº n de partes de cabo que vão ao cadernal móvel): R = P / (n·F).

A regra dos 10% por roldana (9.16, 9.22)

  • Cálculo aproximado a bordo, sem considerar bitola do cabo nem tamanho do poleame: avaliam-se as resistências passivas em 10% do peso a manobrar, por cada roldana em que o cabo labora.
  • Peso "efetivo" a considerar: P + nP/10.
  • Força no tirador, com m = multiplicação de potência teórica: F·m = P + nP/10.
  • m = n quando o tirador sai do cadernal fixo; m = n+1 quando sai do cadernal móvel.
Duas letras n, dois significados — o erro clássico: na fórmula teórica F = P/n (art. 9.15), n = nº de partes de cabo que saem do cadernal móvel; na regra prática das resistências passivas (art. 9.22), n = nº de roldanas em que o cabo labora.

Exemplo do livro

talha dobrada, tirador no cadernal fixo m = n = 4 peso aumentado de 40% p/ P = 400 kg: F = 1,4 · 400/4 = 140 kg R = 400/(140·4) = 0,71

Quando a resistência passiva muda

Estado do caboResistência passiva por roldana
Cabo novo ou molhado10 a 15% do peso
Cabo novo de grande bitola sob esforço fraco (influência da rigidez)pode chegar a 20%
Cabo usado e secocerca de 8%
Em qualquer aparelho, o rendimento diminui quando aumenta o número de roldanas — é o preço da multiplicação de potência maior.

Tabela 9-3 — rendimento, cabo de manilha (comum)

Pernadas de cabo do cadernal móvel2345678
Cabo novo (%)81736559534743
Cabo usado (%)83777166626055

Tabela 9-4 — rendimento, cabo de aço comum

Soma das roldanas dos dois cadernais123456789101112
Rendimento (%)989691888482807674727068
Atenção ao cabeçalho: a 9-3 entra por pernadas de cabo do cadernal móvel; a 9-4 entra pela soma das roldanas dos dois cadernais. Trocar a entrada é errar a linha.

Tabela 9-5 — teórica × real (Riesenberg's Seamanship)

TipoPoleame (cm)RoldanaTeóricaRealRend. (%)
Teque15,2Comum21,6281
Teque15,2Autolubrificada21,7487
Teque15,2Sobrecilindros21,890
Talha singela15,2Comum31,860
Talha singela15,2Autolubrificada32,1973
Talha singela15,2Sobrecilindros32,3478
Talha dobrada15,2Comum41,9248
Talha dobrada15,2Autolubrificada42,4461
Talha dobrada15,2Sobrecilindros42,870
Talha dobrada20,3Comum42,3258
Talha dobrada20,3Autolubrificada42,7268
Talha dobrada20,3Sobrecilindros4375
Estralheira singela15,2Comum52,0541
Estralheira singela15,2Autolubrificada52,652
Estralheira singela15,2Sobrecilindros53,264
Estralheira singela30,5Comum53,1563
Estralheira singela30,5Autolubrificada53,468
Estralheira singela30,5Sobrecilindros53,672
Talha singela (cabo de aço)25,4Autolubrificada32,7391
Estralheira singela (cabo de aço)25,4Autolubrificada54,386
Suspensão estáticaa tensão é igual em todas as pernadas.
Içando, com 100 kg no tirador e 10% de perda por roldana, a tensão cai pernada a pernada:
t1 (tirador)t2t3t4t5 (arreigada fixa)t2+t3+t4+t5
10090807060300 kg
Por que a arreigada fixa é a menor: o atrito não atuou nessa última pernada.
Quem sustentaQuantoPor quê
Cadernal inferior300 kgsoma das quatro pernadas que dele partem
Cadernal superior400 kg300 + os 100 do próprio tirador
Talha invertida (tirador saindo do móvel)iça-se 400 kg p/ os mesmos 100 kg no tiradore o cadernal fixo sustentaria só 300 kg
Citação: "Quando se iça, a tensão máxima será no tirador da talha, diminuindo deste para a arreigada fixa; quando se arria, a tensão máxima está na arreigada fixa."
Ao arriar (números do exemplo)tensão máxima na arreigada fixa (100 kg) e mínima no tirador (60 kg).
  • O cadernal onde está a arreigada fixa suporta uma pernada a mais que o outro; se conveniente, desloca-se essa arreigada para um ponto vizinho do cadernal, diminuindo o esforço nele.
  • O esforço no gato de um simples retorno chega a superar o dobro do peso içado — equivale sempre a peso a içar + peso do aparelho + força no tirador.

Conjugados (9.18) — Fig. 9-23

Aboçando um aparelho de laborar ao tirador de outro (fig. 9-23), a multiplicação de potência se multiplica: com n e m os nº de pernadas de cada aparelho, F = P/(n·m).

Exemplo do livro: 1.200 kg em duas talhas singelas conjugadas cada pernada da sustenta P/3 = 400 kg cada pernada da sustenta 400/4 = 100 kg equilíbrio em P/(4·3) multiplicação 12:1

Fig. 9-23
Fig. 9-23 — Aparelhos de laborar conjugados

Teque + talha dobrada — as quatro combinações

Por que quatroa talha dobrada admite multiplicação 4 ou 5 e o teque admite 2 ou 3.
Desconsiderando resistências passivasConsiderando resistências passivas
1/4 . 1/2 = 1/814/40 . 12/20 = 168/800, ou 1/5
1/4 . 1/3 = 1/1214/40 . 12/30 = 168/1200, ou 1/7
1/5 . 1/2 = 1/1014/50 . 12/20 = 168/1000, ou 1/6
1/5 . 1/3 = 1/1514/50 . 12/30 = 168/1500, ou 1/9

Onde vai a arreigada fixa (9.19)

Regra geral p/ teques, talhas e estralheira singela: a arreigada fixa vai no mesmo poleame de onde sai o tirador quando os poleames são iguais, e no outro poleame quando são desiguais.

Aparelhar uma estralheira dobrada — passo a passo (9.19) — Fig. 9-24

  • 1. Colocar os dois cadernais no convés com os gatos em posições opostas.
  • 2. Cadernal A — aquele onde vai gurnir o tirador, com orelha para a arreigada fixa — fica com os gornes voltados para cima, perno paralelo ao convés.
  • 3. Cadernal B fica deitado sobre uma das paredes, perno perpendicular ao convés.
  • 4. Gurnir o beta por todos os gornes, na ordem numérica indicada na figura: começando pelo gorne central de A e terminando pelo gorne central de B.
  • 5. Resultado: as pernadas se cruzam e os dois cadernais tendem a ficar perpendiculares entre si.
O tirador tem de gurnir sempre no gorne central. Saindo de um gorne lateral, sob esforço grande: o cadernal pode virar o cabo fica mordido na caixa a estralheira acaba furada — e a força concentrada na parede pode até quebrar a caixa.
Fig. 9-24
Fig. 9-24 — Modo de aparelhar uma estralheira dobrada

Carga de trabalho dos aparelhos (9.20)

  • Conhecida a multiplicação de potência, a carga de trabalho sai da carga de trabalho do próprio cabo — que é a tensão máxima admissível no tirador.
  • As cargas das Tabelas 9-6, 9-7 e 9-8 referem-se ao moitão ou cadernal, e não ao cabo: como o poleame não aguenta o mesmo esforço do cabo novo (art. 9.9), essas tabelas já embutem reserva de segurança.
  • Por isso teque (dois moitões) e talha singela (moitão + cadernal) aparecem com a mesma carga de trabalho: o valor é calculado para o cadernal fixo, que normalmente aguenta o peso total.

Tabela 9-6 — cabo de fibra, poleame tipo comum, gato móvel (kg)

Poleame (cm)Ø cabo (cm)Teque ou talha singelaTalha dobrada ou estralh. singelaEstralheira dobrada
12,71,4110160230
15,21,9180270360
17,81,9270360540
20,32,2360630910
22,92,26309001450
25,42,590016002270
30,52,9180025003170
35,63,2270034004080

Tabela 9-7 — cabo de fibra, poleame de gornes largos, gato móvel (t)

Poleame (cm)Ø cabo (cm)Teque ou talha singelaTalha dobrada ou estralh. singelaEstralheira dobrada
20,32,50,71,41,8
25,43,21,82,33,2
30,53,23,24,15,4
35,64,14,15,46,3
40,64,46,37,29,0
Nota comum às Tabelas 9-6 e 9-7: com manilha em vez de gato no poleame fixo, essas cargas de trabalho podem aumentar em 50%.

Tabela 9-8 — cabo de aço fundido tipo 6x19, gato simples ou de tornel (t)

Ø roldana (cm)Ø cabo (cm)Teque/talha singela — Gato— ManilhaTalha dobrada/estralh. singela — Gato— ManilhaEstralh. dobrada — Gato— Manilha
15,21 - 1,31,41,81,82,72,33,6
20,31,3 - 1,61,83,62,35,52,76,4
25,41,62,33,62,75,53,26,4
30,51,92,74,54,16,45,07,3
35,51,9 - 2,24,16,45,08,25,99,0
40,62,2 - 2,55,97,35,99,07,310,0
45,72,55,99,05,911,87,312,7

As oito regras práticas (9.21)

  • (1) sempre que possível, aplicar o cadernal de onde sai o tirador no peso a alar.
  • (2) para aliviar o cadernal fixo, fazer a arreigada fixa fora dele quando possível.
  • (3) içando: tensão máxima no tirador e mínima na arreigada fixaarriando, é o inverso.
  • (4) o tirador passando por uma patesca de retorno aumenta o esforço de 5 a 10% (ângulo de 90°) ou de 10 a 20% (ângulo de 180°), conforme a bitola do cabo.
  • (5) para embarcações, multiplicação de potência prática usual: talha dobrada = 3, estralheira dobrada = 3,7.
  • (6) o que se ganha em força perde-se em tempo, porque cresce o comprimento a alar no tirador.
  • (7) sem atrito, um homem ala por cabo singelo em retorno: 12 kg em passo natural, 24 kg de leva-arriba, ou em média 34 kg alando por lupada — cerca da metade do próprio peso.
  • (8) o melhor modo de engatar uma talha num cabo sem alça é com uma boca de lobo singela.

Problema 1 (9.22) — circunferência do cabo de um turco

estralheira dobrada de um turco, içar 1.000 kg, n = m = 6 F·6 = 1.000 + 6·1.000/10 = 1.600 kg F = 1.600/6 = 266,6 kg fator de segurança 10 carga de ruptura 2.666 kg cabo de 2 1/4 polegadas de circunferência (tabela 7-2)

Problema 2 (9.22) — peso máximo de uma talha dobrada

talha dobrada n = 4, tirador no cadernal fixo m = 4, cabo de 4 polegadas carga de ruptura 6.800 kg (tabela 7-2) fator 10 carga de trabalho no tirador 680 kg 680·4 = P + 4P/10 ⇒ 2.720 = 14P/10 P = 27.200/14 = 1.943 kg

Problema 3 (9.22) — turcos com estralheira dobrada e patesca de retorno

  • Embarcação de 2 toneladas, par de turcos com estralheira dobrada, tirador passando por uma patesca no convés. Cada turco aguenta a metade: 1.000 kg.
  • Aqui n = 7 (inclui a patesca) e m = 6 — é o ponto que a banca troca.
  • F·6 = 1.000 + 7·1.000/10 = 1.700 kg ⇒ F = 283,3 kg.
  • Cabo: fator 10 → carga de ruptura de 2.833 kg2 1/2 polegadas de circunferência (tabela 7-2).
  • Homens (art. 9.21): por lupadas, 283,3/34 ≈ 9 homens; de leva-arriba, 283,3/24 ≈ 12 homens.
Fig. 9-25 — talha aduchada.
Fig. 9-25
Fig. 9-25 — talha aduchada
A talha mecânica iça ou arria grandes pesos com força relativamente pequena. São três tipos, classificados pela capacidade — o peso máximo que podem içar.
(fig. 9-25)
Vantagens (9.23b)Desvantagens (9.23c)
grande multiplicação de potênciasão pesadas
manobrada por um, dois ou três homenssão lentas — o que se ganha em força perde-se em velocidade
atrito mínimopequeno curso do gato, o que limita a altura de içada
ocupa menos espaço que qualquer outro aparelho de laborar de mesma potênciapor isso não se usam nos serviços usuais do convés — só onde ocasionalmente é preciso içar grandes pesos
mantém o peso suspenso mesmo sem esforço contínuo no tirador

1) Talha diferencial (9.23.1) — a mais antiga, também chamada talha Weston — Fig. 9-26

  • Duas roldanas metálicas A e B, de raios r e r' ligeiramente diferentes, giram unidas num mesmo eixo; uma terceira roldana C, de raio menor, recebe o peso P.
  • Uma corrente sem fim gurne primeiro numa das roldanas superiores, desce à roldana inferior C e sobe de novo à outra roldana superior; os goivados têm dentes onde a corrente engrena.
  • Aplica-se a força F na parte t da corrente para içar (a parte t' fica branda); para arriar, inverte-se.
  • As duas pernadas que saem das roldanas superiores para a inferior suportam, cada uma, P/2 — uma força motora (f) e uma resistente (f'), opostas, sobre as roldanas superiores.

Equilíbrio F·r + (P/2)·r' = (P/2)·r F = (P/2)·(r − r')/r

Fig. 9-26
Fig. 9-26 — Talha diferencial
Quanto menor a diferença r − r' entre os raios (ou o número de dentes), menor a força F exigida — por isso as talhas diferenciais são construídas com diferença de apenas 1 dente entre A e B.

Exemplo: 16 elos na roldana maior A, 15 na roldana B, içar 1 tonelada F = (1.000/2)·(16−15)/16 = 1.000/32 = 31 kg multiplicação 16·2/(16−15) = 32

Por que rende tantoalando 16 elos na roldana maior, a pernada da menor desce 15 elos e o peso sobe apenas 1 elo.
Como os momentos de f e f' não se igualam exatamente (raios diferentes), a talha tenderia a se mover sozinha sob o peso; é o atrito do sistema que compensa isso e mantém o peso suspenso ao se deixar de puxar o tirador. O peso máximo é marcado na própria talha e nunca pode ser excedido, sob pena de avaria e acidente grave.

2) Talha de parafuso sem fim (9.23.2) — Fig. 9-27

  • Corrente gurne numa roldana cujo eixo tem um parafuso sem fim; esse parafuso movimenta uma roda dentada rigidamente ligada a uma segunda roldana, à qual se engata a carga.
  • As duas roldanas ficam perpendiculares entre si. A multiplicação de potência depende da engrenagem.
  • Como o movimento do parafuso sem fim é irreversível, a talha não se movimenta sozinha sob a ação do peso.

3) Talha de engrenagens (9.23.3) — também chamada epicíclica — Fig. 9-28

  • Transmissão toda por rodas dentadas. Corrente = tirador na roldana k, cujo eixo gira livremente dentro da roldana h e está rigidamente ligado à engrenagem d.
  • Fig. 9-27
    Fig. 9-27 — Talha de parafuso sem fim
  • d engrena com c (solidária a b), e b engrena com os dentes da carcaça fixa em a. O eixo de b e c é fixado em h.
  • b e c são duplas, defasadas 180° para balancear a força; às vezes usa-se conjunto de três, defasadas 120°.
  • Ao mover o tirador, d transmite movimento a c e b, que — impedidas de girar por estarem engrenadas à carcaça fixa — fazem um movimento planetário pelo interior dentado da carcaça, girando h e içando o peso.

Wk = Wh·(1 + Na·Nc / Nb·Nd) Wk = deslocamento angular de k Wh = deslocamento angular de h Na, Nb, Nc, Nd = número de dentes das engrenagens a, b, c, d

Tem freio na roldana do tirador → eleva o peso lentamente sem risco de retroceder. Atrito tão reduzido que se pode trabalhar em grande velocidade sem perder multiplicação; experimentos citados mostram rendimento mecânico praticamente o dobro dos outros dois tipos.

Comparação (9.24) — Tabela 9-9, Yale & Towne Co. (Filadélfia)

O que a tabela comparacarga máxima · força na corrente · comprimento de corrente por centímetro içado · velocidade · número de homens.
Fig. 9-28Fig. 9-28
Fig. 9-28 — Talha de engrenagens
Regra qualitativa do livroQual talha
iça e arria mais rápido que as outrasde engrenagens
mais leve que a de engrenagens, ocupa menos espaço e trabalha bem em qualquer posiçãode parafuso sem fim
a mais leve de todasdiferencial
Regra de uso da Tabela 9-9: força na corrente não excedendo 34 kg por homem, para o número de homens indicado içar a carga máxima. Não exceder essa força por homem na corrente.
A Seção C reúne as peças que conectam o poleame ao resto do aparelho: sapatilhos, gatos, manilhas, macacos, terminais, grampos e prensas. Em geral de aço forjado (às vezes aço fundido) e galvanizados.

Sapatilhos (9.26) — Figs. 9-29 a 9-31

O que épeça de metal, circular ou ovalada, com a periferia em meia-cana, servindo de berço e protegendo a mão feita no cabo (fig. 9-29).
Fig. 9-29Fig. 9-29
Fig. 9-29 — Sapatilhos Para cabo de fibra — Redondo · Para cabo de aço — De bico
CaboSapatilho
de fibraredondo
de açode bico, que pode ser arredondado, aproximando-se da forma elíptica
Fig. 9-30
Fig. 9-30 — Mão com sapatilho em cabo de aço

Gatos — partes (9.27) — Figs. 9-32 a 9-35

O que égancho de aço forjado com olhal, normalmente numa peça única.
ParteO que é
Cotoveloa parte curva
Bicoa ponta
Seção AAponto de esforço máximo, perto do centro de curvatura do cotovelo — é ali que se mede o calibre do gato
Fig. 9-31
Fig. 9-31 — Gato com sapatilho, cabo de aço
Fig. 9-32Fig. 9-32Fig. 9-32Fig. 9-32
Fig. 9-32 — Gatos

Gato de tesoura e gato de tornel

  • Gato de tesoura: junta dois gatos simples em sentidos opostos num mesmo sapatilho ou olhal, com as pontas cortadas em bisel que se justapõem numa seção circular.
  • Para o mesmo calibre, é cerca de 1/3 mais resistente que um gato simples — ou, visto de outro modo, substitui um gato simples com só 5/6 do calibre dele.
  • Para mais segurança, pode ser abotoado com cabo fino (fig. 9-33)(Fig. 9-33).
  • Gato de tornel: o bico ganha inclinação extra para que o eixo do tornel passe pelo centro de curvatura do cotovelo.
  • Os gatos para paus de carga são desenhados de modo que não haja perigo de o bico se prender em qualquer parte de uma escotilha de porão.
Fig. 9-33
Fig. 9-33 — Gato de tesoura abotoado
Fig. 9-34
Fig. 9-34 — Gato manilhado
O gato pode receber barbela ou ser manilhado (Fig. 9-34) para não abrir ao ser engatado num olhal ou sapatilho que, sob o peso, tende a correr para o lado do bico. E o sinal a respeitar: um gato normalmente não parte de repenteo bico abre primeiro, sinalizando sobrecarga ou colocação errada.

Os quatro gatos especiais (9.27) — Fig. 9-35

  • (1) usado no chicote de um estropo de cabo ou corrente, que aperta a carga ao ser içada.
  • (2) usado em estropos de corrente que não devem apertar a carga — a abertura deixa passar um elo, mas não permite deslizar.
  • (3) empregado para aguentar diversos estropos ao mesmo tempo.
  • (4) gato de escape, cuja abertura do bico pode ser fechada, impedindo o estropo de desengatar (fig. 9-35).
  • Há ainda gatos fixos, soldados ou aparafusados a uma antepara ou ao teto de uma coberta.
Fig. 9-35Fig. 9-35Fig. 9-35Fig. 9-35
Fig. 9-35 — Tipos especiais de gatos (1) · (2) · (3) · (4)
Tabela 9-10Gato de aço forjado com olhal, para cabos de aço19 linhas, da carga de trabalho de 0,45 t (A = 4 1/2 pol, peso 0,34 kg) à de 27,2 t (A = 26 pol, peso 59,0 kg). Chave de leitura das cotas na Fig. 9 — croqui da Tabela 9-10: A altura total · B largura · C olhal · D espessura do corpo · E abertura do bico. (extremos citados; a tabela completa está no livro)

Manilhas (9.28) — Figs. 9-36 e 9-37

O que évergalhão em forma de U, com orelhas nas extremidades para receber um pino chamado cavirão (com rosca, chaveta, contrapino ou tufo na ponta, para fixá-lo).
  • Serve para ligar dois olhais ou fixar cabos e aparelhos de laborar — conexão simples e resistente.
  • Preferível ao gato sempre que o esforço for permanente, ou onde se exerça um grande esforço temporário: a ruptura da manilha é um fato raro, enquanto a curvatura de um gato pode abrir.
  • Existem retas ou curvas; as curvas são as mais empregadas no aparelho do navio (fig. 9-36).
  • O tamanho deve corresponder, no mínimo, à resistência do cabo em que vai ser usada.
Fig. 9-36Fig. 9-36Fig. 9-36
Fig. 9-36 — Manilhas
Tipo de cavirãoSeçãoFixaçãoOnde se usa
a) com chaveta ou contrapinocircularseguro por chaveta/contrapino do lado externo, boa segurançaonde não incomoda o cavirão se projetar
b) com tufoovalpreso por um contrapino especial (tufo) que atravessa orelha e cavirão, sem saliência externaem amarras e acessórios
c) de roscacircularatarraxado numa das extremidades do U e apertado com uma espicha (fig. 9-37)só p/ o aparelho fixo (sem risco de desatarraxar); com reserva nos serviços gerais, por esforços repetidos ou alternados que podem desaparafusar o cavirão
Fig. 9-37
Fig. 9-37 — Emprego de manilha para unir dois cabos de aparelho fixo do navio
Tabela 9-11Manilhas de ferro para o aparelho do navio15 linhas, do calibre 9,5 mm (3/8 pol, ruptura 4.940 kg, 0,14 kg) ao calibre 50,8 mm (2 pol, ruptura 106.850 kg, 17,30 kg). Colunas: calibre (mm/pol) · carga de ruptura · comp. interno · largura interna · Ø do cavirão · peso aprox. (extremos citados)

Macacos (9.29) — Fig. 9-38

  • Caixa roscada numa ou nas duas extremidades, recebendo parafuso especial com olhal, gato ou manilha; a caixa pode ser aberta ou fechada (esta, um tubo).
  • Os macacos de dois parafusos, os mais usuais, têm roscas de sentidos contráriosuma para a direita, outra para a esquerda — nas duas extremidades.
  • Servem para retirar folga dos cabos fixos ou graduar a tensão do aparelho.
  • A carga de ruptura do macaco tem de igualar, no mínimo, a do cabo usado com ele.
Fig. 9-38
Fig. 9-38 — Tipos de macaco
Diferença de fundo: os cabos de aço não admitem nós — as dobras acentuadas de nós e voltas rompem os fios. Emendam-se ou amarram-se por costuras ou por acessórios adaptados ao chicote: terminais, grampos e prensas, além de sapatilhos, manilhas e macacos.

Eficiência das amarrações (9.30) — % da carga de ruptura do próprio cabo

Tipo de amarraçãoEficiência
Terminal (fixado por zinco fundido)100%
Mão com sapatilho, feita com 4 ou 5 costuras90%
Mão com sapatilho, feita com grampos85%
Prensas de três parafusos75%

Terminais (9.31) — Fig. 9-39

Fig. 9-39Fig. 9-39
Fig. 9-39 — Terminais
A favorContra
com o sapatilho, é o meio de fixar manilhas, macacos, gatos e olhais aos cabos de aço (fig. 9-39)são difíceis de colocar
aberto ou fechado, eficiência de 100% — permite usar toda a carga de trabalho atribuída ao cabonão permitem inspeção rigorosa da ligação
fabricantes recomendam p/ ligações permanentes e todos os aparelhos de içarhavendo dobra ocasional, o efeito se concentra num único ponto, perto da ligação com o cabo

Grampos (9.32) — Figs. 9-40 e 9-41

  • Construção: base de aço forjado com sulcos diagonais que servem de berço aos cordões, e dois orifícios nas extremidades por onde passam as pontas de um vergalhão em U, roscadas para receber porcas.
  • Apertando as porcas, base e vergalhão comprimem as duas pernadas do cabo entre si.
  • Limite: a ligação não passa de 85% da carga de ruptura do cabo.
  • Defeitos: amassam o cabo no ponto de fixação e podem deixá-lo recorrer sob esforço grande. Vantagens: fácil inspeção e colocação rápida.
Colocação correta — a inversão é o erro clássico: o U do grampo vai sobre o chicote, e a base sobre o vivo do cabo — a parte que sustenta ou pode sustentar o esforço. Ao contrário disso, o cabo é ferido pelo vergalhão ao ser tesado.
Indicação: mãos com sapatilho em ligações temporárias ou emergenciais, onde o esforço não se aproxime da carga de ruptura. Devem ser inspecionados e reapertados assim que o cabo mostrar sinal de recorrer, pela redução de diâmetro ao tesar.

Prensas (9.33) — Fig. 9-42

  • Servem para fazer alças ou mãos sem sapatilho em ligações temporárias.
  • Constam de duas peças iguais (A e B) de ferro fundido, com sulcos que servem de berço ao vivo do cabo e ao chicote, apertadas por parafusos com porca — geralmente três.
  • Carga de ruptura da amarração: apenas 75% da do cabo.
Fig. 9-40
Fig. 9-40 — Grampo para cabos de aço

Tabela 9-14 — grampo de aço forjado, galvanizado, para cabos de aço

Nº de grampos recomendadoé o necessário para obter a máxima eficiência desse tipo de amarração — 85% da resistência do cabo. Vai de 2 grampos (cabo de 6,4 mm a 12,7 mm) a 6 grampos (cabo de 34,9 mm a 76,2 mm); comprimento máximo de cabo usado na amarração, de 20 cm a 61 cm. (faixas citadas; a tabela tem 20 linhas)

Experiências de ruptura (Knight's Seamanship)

TabelaMenorMaiorObservações do livro
9-12 — gatos12,7 mm (1/2 pol) partiu com 1.082 kg63,5 mm (2 1/2 pol) partiu com 25.120 kgo gato partiu-se na curvatura
9-13 — manilhas19 mm (3/4 pol) partiu com 9.390 kg63,5 mm (2 1/2 pol) partiu com 95.440 kga manilha partiu-se na curvatura; na de 44,4 mm (66.400 kg), cortou-se o cavirão
Fig. 9-41
Fig. 9-41 — Colocação de grampos

Síntese — peça certa para o serviço certo

Quadro montado a partir de pontos que o capítulo distribui em artigos diferentes:
Fig. 9-42Fig. 9-42
Fig. 9-42 — Prensas
Fig. 9 — croqui da Tabela 9-10
Fig. 9 — croqui da Tabela 9-10 — Croqui de cotas do gato (A altura total · B largura · C olhal · D espessura do corpo · E abertura do bico) — chave de leitura da TABELA 9-10
DecisãoResposta do livro
Gato ou manilha?Manilha sempre que o esforço for permanente, ou onde se exerça um grande esforço temporário — ela raramente arrebenta, o gato pode abrir
Amarração de cabo de aço com 100%?só o terminal; costura com sapatilho 90%, grampos 85%, prensa 75%
Talha patente mais leve · mais compacta · mais rápidadiferencial · parafuso sem fim · engrenagens (também a de maior rendimento mecânico)
Talha patente substitui o aparelho de laborar no convés?Não — pela lentidão e pelo curso curto do gato