- O passage plan é um dead reckoning (DR) formalizado.
- Dado do ECDIS tem de ser verificado manualmente.
- Por mais exato que seja o laptop, o prático ainda tem de olhar pela janela.
O prático checa correntes e marés em vários pontos, não só no cais como o inexperiente; compara o DR à posição real continuamente; revê os notices to mariners mesmo de aids conhecidos.
2.1 Plano tabular (at-sea) — 10 itens
- Track planejado com waypoints e junction points; courses e distâncias ponto a ponto e do total.
- ETA em vários pontos, calculada para velocidades a intervalos de meio nó.
- Luzes e aids (característica + alcance de visibilidade); bancos e baixios; requisitos de porto/prático, VHF, reportes, horas de preamar e baixa-mar.
- Set e drift de correntes; condições incomuns; práticas de VTS (controle de tráfego).
2.2 Plano gráfico na carta
- Elementos fixos (distâncias, courses, correntes, arcos de visibilidade) vão a tinta → ficam na forma original para toda a viagem e para as futuras, evitando erros cumulativos.
- Navegação diária vai a lápis, para comparar com o plano a tinta.
- Águas restritas exigem extra: course/distância por reach, cada turning point com bóia de referência, set/drift em vários pontos, anchorages e áreas de embarque do prático. Tudo a tinta, exceto marés/horas de mudança de corrente.
2.3 Overplanning (o extremo oposto)
- Cabe em um ou dois cartões de 3 por 5 polegadas no bolso da camisa.
- Deve cobrir toda a área entre o mar e o cais — não só o trecho corrido sem prático.
- Ele complementa as cartas, não as substitui.
Racional: o prático leva course card mesmo sabendo desenhar a carta do porto de memória — logo o comandante, com muito menos conhecimento local, certamente precisa de um.
| Vantagens | Ressalvas |
|---|---|
| Posição em tempo real na wheelhouse | Exige oficial treinado e competente |
| Cartas atualizam automaticamente | O ECDIS de cada navio pode ser radicalmente diferente (papel era comum a todos) |
| Acervo completo mais barato que biblioteca de papel | Mate recém-embarcado não conhece o equipamento na 1ª viagem |
4.1 O que o marinheiro deve vigiar
- Dado errado na entrada: posição errada da antena GPS ou erro do speed-log corrompe a posição prevista → garbage in, garbage out.
- O usuário escolhe as camadas exibidas: o que um julga sem importância pode ser essencial a outro → é preciso saber o que foi desligado.
- Indicadores de posição futura: tratar com grande ceticismo — a previsão ignora as ações pretendidas do shiphandler; é só estimativa grosseira.
- Information overload: gerir/filtrar consome tempo; alarmes frequentes viram ruído ignorado; parallel indexing é mais lento no ECDIS que na carta.
5.1 Layout do equipamento — 10 princípios gerais
- Equipamento miniaturizado agrupado em clusters por uso, cada um onde é mais útil — NÃO tudo num só console (aglomeraria gente numa área).
- Vista clara na centerline da wheelhouse até a popa; janelas grandes, poucas anteparas/pilares; acesso desobstruído às janelas centrais.
- Conning station na centerline (ou levemente a bombordo), com tomada, espaço de trabalho e Pilot Plug para a PPU do prático.
- Helm na centerline, bem recuado das janelas; ship control console recuado onde o oficial ouve todas as ordens; wheelhouse à prova de som.
- Conning station em cada asa da ponte; passadiço livre de asa a asa, com todo o gear a ré dele.
5.2 Helmsman's station
Equipar com gyro repeater, controles do gyropilot, rate-of-turn indicator, roda e indicador de ângulo de leme.
5.3 Conning station
- Reúne num só lugar todo o gear de shiphandling → o prático tem cada leitura sem andar de estação a estação (vital: é difícil manter orientação ao movimento lateral caminhando).
- Ótimo: VHF, indicadores de vento, apito, Doppler speed, fathometer digital, gyro repeater, tacômetro, rate-of-turn, ângulo de leme, radar/CAS.
- 2º radar/CAS e ECDIS a boreste; limitar o glare dos displays (mesmo no mínimo reduz a visão noturna).
- Navios grandes/ruidosos exigem answerback para eliminar o grito que causa acidentes.
Armadilha da altura
Um LNG moderno com height of eye de 110 a 130 pés equivale a trabalhar do telhado de um prédio de 10 a 12 andares.
6.1 Ponte bem à vante (bridges forward)
- Car carriers, LASH, RO/RO e navios de passageiros: wheelhouse pertíssimo da proa — trabalhar a 75 pés do talha-mar dificulta estimar a taxa de giro.
- Remédio: trabalhar olhando a ré ("Great Lakes fashion"); estender as asas até a boca máxima para ver o midbody paralelo.
- Gunsight effect: jackstaff vertical na proa alinhado a uma marca na janela central torna óbvia pequena mudança de proa.
- Preparar um visibility diagram (área não visível, em lastro e carregado, com/sem contêineres) e afixá-lo na ponte — feito por trigonometria das dimensões do navio.
7.1 CTAN(S) e DGPS
- Cada prático leva uma maleta: antena satélite/UHF combinada, laptop e unidade com transceptor + DGPS + software.
- Calcula posição/velocidade/course de DGPS sequenciais, transmite a um central que combina todos os navios e retransmite a cada um.
- Cada navio envia identificador + speed, course, calado, comprimento, boca, antena, carga e nome do prático → gera gráfico de todos os navios em escala — não meros blips.
7.2 Precisão — a carta é o limite
- Precisos a um pé ou dois (projetistas admitem "alguns metros"; na prática, com cartas exatas, a folga navio↔muro das eclusas prova menos de um pé).
- Demonstrado atravessando os 13 km (8 milhas) sinuosos do Gaillard Cut só pelo laptop, de dentro do chartroom.
- O fator limitante é a carta: só sistemas DGPS de propósito especial sobre cartas exatíssimas servem — cartas de prateleira não são aceitáveis para estes usos.
7.3 Capacidades e independência
7.4 Fazer turns e meeting points
Radar › põe a VRM numa distância e inicia o turn quando ela toca a referência, monitorando com a EBL
- O método DGPS é melhor: usa a distância à interseção das legs para iniciar o turn e a distância à centerline da próxima leg para ajustar a taxa — e "vê em torno das esquinas" (independe da linha de visada).
- Ponto de início típico: 2½ a 3 comprimentos de navio antes do turn (varia com tamanho, forma, corrente, velocidade e o próprio prático).
7.5 Traffic management — passivo vs. ativo
| Passivo (obsoleto) | Ativo (DGPS bidirecional) |
|---|---|
| Info filtrada por procedimento/juízo do controlador em terra (rádio, AIS no ECDIS/radar) | Usuário a bordo recebe info não filtrada, direto navio a navio |
| Terceiro no circuito (VTS shoreside) | Os dois shiphandlers arranjam o encontro, sem terceiro |
- Não fazer passagem sem calcular moonrise/moonset; podendo escolher, adiar passagem difícil até o dia salvo com pelo menos lua gibosa.
- O radar removeu a dificuldade de julgar distância à noite, mas estime a olho antes de ir ao radar — para manter a habilidade quando ele falhar.
8.1 Substitutos da percepção de profundidade
| Técnica | Como indica distância à noite |
|---|---|
| Tamanho relativo | a luz marca o topo da bóia e o reflexo na água marca a base → estima altura e distância |
| Movimento relativo | além de 2 milhas a bóia parece parada; a 1 milha a marcação começa a mudar; perto, o movimento quase iguala a velocidade do navio |
| Brilho | útil mas enganoso (atmosfera, aspecto da luz, movimento da bóia) |
A taxa de variação da marcação relativa é especialmente útil: girando por dentro de uma bóia, o movimento aparente cresce à medida que a distância cai.
Todo navio deve ter um bell logger automático — o tempo do mate rende mais checando tacômetro e ângulo de leme (ver se as ordens são executadas) do que anotando as pancadas do telégrafo.
9.1 O scratch log
- Em águas restritas, limitar todo o registro a um scratch log (caderno de rascunho) mais a carta; o essencial passa ao deck log depois.
- Lançar marcações direto no scratch log (não em papel avulso antes) corta as tarefas de registro em quase 50%.