Atracação (berthing)
- Exercício muito preciso: rebocadores usados criteriosamente, empurrando o navio lateralmente contra os fenders paralelo e suave, para que a carga total se distribua igualmente em todos os fenders.
- Boa atracação = trabalho de equipe (tripulação · rebocadores · prático · pessoal do cais), exercício coordenado liderado pelo prático (pilot).
Safe berth (berço seguro)
DefiniçãoTermo amplo: jetty, wharf, SBM, cargo-handling anchorage etc. onde o navio se posiciona para um fim específico. Objetivo = bom abrigo facilitando a operação de carga, bunker ou transbordo.
Cabeços de amarração (mooring bitts)
- Espaçamento sem critério-padrão (depende de tipo/porte do navio, tipo de amarração e força do cabeço): 20–30 m em atracação de costado; 7–10 m em Mediterranean/Baltic moor.
- Cabeço pode ser curvo (curved) ou reto (straight).
| GT do navio | Curved (t) | Straight (t) |
|---|---|---|
| 500–1000 | 15 | 25 |
| 1000–2000 | 25 | 35 |
| 2000–3000 | 25 | 50 |
| 5000–10000 | 35 | 70 |
| 10000–20000 | 50 | 100 |
| 20000–50000 | 70 | 150 |
| 50000–100000 | 100 | 200 |
Para um mesmo GT, o cabeço straight aguenta carga maior que o curved; a força exigida cresce com o GT — até 100 t (curved) e 200 t (straight) na faixa 50 000–100 000 GT.
FunçãoMooring lines = cabos que prendem o navio ao berço, impedindo seus movimentos tridimensionais — lateral, longitudinal e transversal. Cada cabo numa posição tem função específica.
Head & stern lines (lançantes)
- Head lines do focs'le: impedem a proa de abrir do berço. Passadas a 45–60° até os bollards do cais.
- Duas componentes: a transversal impede a proa de abrir; a longitudinal impede o navio de cair para ré (falling astern).
- Stern lines = mesmo papel na popa.
Spring lines (espringues)
Passadas em sentido reverso e relativamente longas: forward spring corre para ré, aft spring corre para vante → agem como mola devolvendo o navio à posição.
RegraForward spring impede o movimento para ré (aft); aft spring impede o movimento para vante (forward).
Breast lines (través)
UsoÚnico objetivo: impedir o navio de afastar-se lateralmente. Normalmente a componente transversal das head/stern lines já faz isso em navios pequenos; em navios grandes ou com vento offshore contínuo, complementam-se com breast lines.
| Cabo | Como corre | Movimento que impede |
|---|---|---|
| Head / stern | do focs'le/popa a 45–60° aos bollards | proa/popa abrindo; longitudinal também trava vante-ré |
| Forward spring | ao longo do costado, correndo para ré | movimento para ré |
| Aft spring | ao longo do costado, correndo para vante | movimento para vante |
| Breast | quase perpendicular navio→berço | movimento lateral (afastar do berço) |
Tipos de cabo usados
| Cabo | Onde/como |
|---|---|
| Wire ropes | de alguns portos; manejados pela equipe de terra com chain stoppers; tripulação só auxilia. |
| Synthetic (fibre) | os mais usados na maioria dos portos — polypropylene com eye splice nas duas pontas, com SWL suficiente. |
| Natural fibre | os menos usados em amarração — só portos pequenos com navios pequenos. |
- Boa coordenação tripulação × cais, liderada pelo prático. O mooring plan é discutido no master–pilot information exchange e passado antes da aproximação.
- Sequência dos cabos depende do tempo, corrente e vento no berço e do plano de atracação.
O primeiro cabo é o que impede o movimento indesejado que o prático quer controlar. Fazê-lo firme é crítico: passado ele, o navio já fica largamente sob controle (auxiliado pela máquina se preciso).
Qual o 1º cabo?Em geral o forward spring (freia a arrancada avante); mas se há corrente ao longo do berço que abre o navio, pode ser a head line. Não há regra rígida — o prático decide pela circunstância.
FLA (First Line Ashore) › encostar por movimento lateral (máquina/rebocadores) › completamente alongside › passar e firmar os demais cabos
4.1 Doubling up (dobrar cabos)
QuandoEstresse excessivo de vento, chuva, correntes de rio ou ciclone passando. O comandante decide dobrar os cabos: prioriza os afetados e reforça passando cabos adicionais nas mesmas posições.
4.2 Surging em mau tempo
- Navio surging contínuo → risco de partir cabos; às vezes nem os dobrados aguentam e partem → navio pode ficar à deriva e encalhar.
- Emergência: reportar ao port control e pedir rebocadores; muitos portos mantêm duty pilots de plantão.
Partindo até os cabos dobrados, o navio pode soltar-se e encalhar: reporte cedo e peça rebocadores — não espere o último cabo ir.
4.3 Corrente forte no berço
ManejoCorrente muito alta (chuva a montante, grandes amplitudes de maré) — momentânea (min/horas) ou estável. Deixar cabos prontos para dobrar ou triplicar onde mais afetam e manter os winches funcionando para tesar os cabos que folgam.
4.4 Navios passando perto
- Navios pesados de grande deslocamento passando criam interação → navio atracado faz surge.
- Zonas: +Ve (pressão positiva) quando a proa passa; −Ve (sucção) quando a popa passa → cabos afrouxam e depois tesam, gerando surge até partirem.
Interação de navio passando é causa líder de cabos partidos e dano a gangway; o navio atracado raramente é avisado → é dever do porto informar.
4.5 Uso do ferro no berço
QuandoSurging excessivo e contínuo sem assistência externa → o comandante pode largar um ferro (anchor) ainda no berço para conter o movimento.
4.6 Double-banked
RegraAmarração em princípio igual às demais, mas head/stern vão ao cais e os springs à mother vessel. Se a mother estiver fundeada (não atracada), todos os cabos vão só à mother vessel.
Mooring a boias
QuandoPortos sem jetties desenvolvidas ou com jetties ocupadas. Navio preso por quatro boias (duas à proa, duas à popa) com cabos muito longos, da ordem de 100 m, levados pelos mooring boats.
Single Point / Single Buoy Mooring (SBM)
- Arranjo em que VLCC tankers amarram a uma única boia para carga/descarga onde não há terminal; carga por subsea manifold.
- Boia ancorada ao fundo por múltiplos ferros distribuídos uniformemente; mantida de dois modos: CALM (Catenary Anchor Leg Mooring) e SALM (Single Anchor Leg Mooring).
5 partes do SBM: corpo da boia · ferros e cabos ao fundo · fittings de amarração · product-transfer system · fenders.
Conexão ao navioCorrentes de diâmetro variável — geralmente 76 mm do tipo OCIMF type B. Dois mooring drums livres no focs'le com messenger lines pelo Bow Stopper e fairleads → passadas aos mooring boats.
Prático embarca de rebocador no pilot station (a milhas do SBM) › dois rebocadores guiam › amarrado: um solto, outro fica standby para pull-back
Open moor
- Ambos os ferros lançados à vante, de um único ponto na proa; aproxima com vento/corrente na proa.
- Larga-se o ferro de montante (upstream); a um terço (1/3) do comprimento final de amarra, larga o outro; ambos filados a comprimento final igual.
Running moor & standing moor
Dois ferros — um à vante e outro à ré do navio — para manter posição com pouco espaço lateral: canal, rio com correntes de maré ou canal de acesso.
AmarraUm ferro largado com 5 cables e o outro com 4 cables. Standing vs running = apenas como o moor é executado, não o resultado.
Mediterranean moor
- Portos sem espaço para atracar de costado: popa ou proa firmada perpendicular ao cais por duas sets de cabos, e a outra extremidade segura por dois ferros em open-moor.
- Dois modos: "Bow to" (proa ao cais) ou "Stern to" (popa ao cais).
Limitação de carga: só navios menores ou com rampas de proa/popa; operação convencional pelo costado não é possível (o costado não encosta) — usam-se floating cranes/barges.
Baltic moor
- Usado quando vento onshore forte empurra o navio ao cais rápido demais e não há rebocadores — controla a velocidade lateral de aproximação.
- Um stern rope é manilhado ao ferro de barlavento (windward) no ponto ganger length, com o ferro a'cockbill.
- Larga-se o ferro a distância suficiente; fila-se devagar e folga-se o stern rope ajustando os dois comprimentos proporcionalmente → proa e popa encostam mais devagar.
Baltic e Mediterranean dependem da amarra + stern rope sustentando o peso contra vento/mar: confira a manilha no ganger length e fila/folga proporcionalmente — um par desequilibrado deixa uma extremidade entrar rápido demais.