🧭 MMPH · Cap.16 — Marine Pilotage · Ch. 16: Berthing & Moorings

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Nayak, Theory & Practices of Marine Pilotage · II.08-AN · Área II do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
☀️

Atracação (berthing)

  • Exercício muito preciso: rebocadores usados criteriosamente, empurrando o navio lateralmente contra os fenders paralelo e suave, para que a carga total se distribua igualmente em todos os fenders.
  • Boa atracação = trabalho de equipe (tripulação · rebocadores · prático · pessoal do cais), exercício coordenado liderado pelo prático (pilot).

Safe berth (berço seguro)

DefiniçãoTermo amplo: jetty, wharf, SBM, cargo-handling anchorage etc. onde o navio se posiciona para um fim específico. Objetivo = bom abrigo facilitando a operação de carga, bunker ou transbordo.

Cabeços de amarração (mooring bitts)

  • Espaçamento sem critério-padrão (depende de tipo/porte do navio, tipo de amarração e força do cabeço): 20–30 m em atracação de costado; 7–10 m em Mediterranean/Baltic moor.
  • Cabeço pode ser curvo (curved) ou reto (straight).
GT do navioCurved (t)Straight (t)
500–10001525
1000–20002535
2000–30002550
5000–100003570
10000–2000050100
20000–5000070150
50000–100000100200
Para um mesmo GT, o cabeço straight aguenta carga maior que o curved; a força exigida cresce com o GT — até 100 t (curved) e 200 t (straight) na faixa 50 000–100 000 GT.
FunçãoMooring lines = cabos que prendem o navio ao berço, impedindo seus movimentos tridimensionaislateral, longitudinal e transversal. Cada cabo numa posição tem função específica.

Head & stern lines (lançantes)

  • Head lines do focs'le: impedem a proa de abrir do berço. Passadas a 45–60° até os bollards do cais.
  • Duas componentes: a transversal impede a proa de abrir; a longitudinal impede o navio de cair para ré (falling astern).
  • Stern lines = mesmo papel na popa.

Spring lines (espringues)

Passadas em sentido reverso e relativamente longas: forward spring corre para ré, aft spring corre para vante → agem como mola devolvendo o navio à posição.
RegraForward spring impede o movimento para ré (aft); aft spring impede o movimento para vante (forward).

Breast lines (través)

UsoÚnico objetivo: impedir o navio de afastar-se lateralmente. Normalmente a componente transversal das head/stern lines já faz isso em navios pequenos; em navios grandes ou com vento offshore contínuo, complementam-se com breast lines.
CaboComo correMovimento que impede
Head / sterndo focs'le/popa a 45–60° aos bollardsproa/popa abrindo; longitudinal também trava vante-ré
Forward springao longo do costado, correndo para movimento para
Aft springao longo do costado, correndo para vantemovimento para vante
Breastquase perpendicular navio→berçomovimento lateral (afastar do berço)

Tipos de cabo usados

CaboOnde/como
Wire ropesde alguns portos; manejados pela equipe de terra com chain stoppers; tripulação só auxilia.
Synthetic (fibre)os mais usados na maioria dos portospolypropylene com eye splice nas duas pontas, com SWL suficiente.
Natural fibreos menos usados em amarração — só portos pequenos com navios pequenos.
Fig. 16-1
Fig. 16-1 — Navio atracado ao cais (vista de topo) com todas as espias rotuladas: lançantes (Head Lines), traveses (Breast Lines, vante e re), springs/regeiras (Spring Lines, vante e re) e as guinadas de proa/popa que as linhas contem.
  • Boa coordenação tripulação × cais, liderada pelo prático. O mooring plan é discutido no master–pilot information exchange e passado antes da aproximação.
  • Sequência dos cabos depende do tempo, corrente e vento no berço e do plano de atracação.
O primeiro cabo é o que impede o movimento indesejado que o prático quer controlar. Fazê-lo firme é crítico: passado ele, o navio já fica largamente sob controle (auxiliado pela máquina se preciso).
Qual o 1º cabo?Em geral o forward spring (freia a arrancada avante); mas se há corrente ao longo do berço que abre o navio, pode ser a head line. Não há regra rígida — o prático decide pela circunstância.

FLA (First Line Ashore) encostar por movimento lateral (máquina/rebocadores) completamente alongside passar e firmar os demais cabos

4.1 Doubling up (dobrar cabos)

QuandoEstresse excessivo de vento, chuva, correntes de rio ou ciclone passando. O comandante decide dobrar os cabos: prioriza os afetados e reforça passando cabos adicionais nas mesmas posições.

4.2 Surging em mau tempo

  • Navio surging contínuo → risco de partir cabos; às vezes nem os dobrados aguentam e partem → navio pode ficar à deriva e encalhar.
  • Emergência: reportar ao port control e pedir rebocadores; muitos portos mantêm duty pilots de plantão.
Partindo até os cabos dobrados, o navio pode soltar-se e encalhar: reporte cedo e peça rebocadores — não espere o último cabo ir.

4.3 Corrente forte no berço

ManejoCorrente muito alta (chuva a montante, grandes amplitudes de maré) — momentânea (min/horas) ou estável. Deixar cabos prontos para dobrar ou triplicar onde mais afetam e manter os winches funcionando para tesar os cabos que folgam.

4.4 Navios passando perto

  • Navios pesados de grande deslocamento passando criam interação → navio atracado faz surge.
  • Zonas: +Ve (pressão positiva) quando a proa passa; −Ve (sucção) quando a popa passa → cabos afrouxam e depois tesam, gerando surge até partirem.
Interação de navio passando é causa líder de cabos partidos e dano a gangway; o navio atracado raramente é avisado → é dever do porto informar.

4.5 Uso do ferro no berço

QuandoSurging excessivo e contínuo sem assistência externa → o comandante pode largar um ferro (anchor) ainda no berço para conter o movimento.

4.6 Double-banked

RegraAmarração em princípio igual às demais, mas head/stern vão ao cais e os springs à mother vessel. Se a mother estiver fundeada (não atracada), todos os cabos vão só à mother vessel.
Fig. 16-2
Fig. 16-2 — Interacao com navio que passa: zona de pressao negativa (-Ve, succao) ao passar a proa e zona de pressao positiva (+Ve) ao passar a popa, causando surto (surging) e tensao sequencial nas espias do navio atracado.

Mooring a boias

QuandoPortos sem jetties desenvolvidas ou com jetties ocupadas. Navio preso por quatro boias (duas à proa, duas à popa) com cabos muito longos, da ordem de 100 m, levados pelos mooring boats.

Single Point / Single Buoy Mooring (SBM)

  • Arranjo em que VLCC tankers amarram a uma única boia para carga/descarga onde não há terminal; carga por subsea manifold.
  • Boia ancorada ao fundo por múltiplos ferros distribuídos uniformemente; mantida de dois modos: CALM (Catenary Anchor Leg Mooring) e SALM (Single Anchor Leg Mooring).
5 partes do SBM: corpo da boia · ferros e cabos ao fundo · fittings de amarração · product-transfer system · fenders.
Conexão ao navioCorrentes de diâmetro variável — geralmente 76 mm do tipo OCIMF type B. Dois mooring drums livres no focs'le com messenger lines pelo Bow Stopper e fairleads → passadas aos mooring boats.

Prático embarca de rebocador no pilot station (a milhas do SBM) dois rebocadores guiam amarrado: um solto, outro fica standby para pull-back

Fig. 16-3
Fig. 16-3 — Amarracao em boias: navio com quatro boias de amarracao (duas na proa, duas na popa) e espias longas abertas em angulo ate as boias.

Open moor

  • Ambos os ferros lançados à vante, de um único ponto na proa; aproxima com vento/corrente na proa.
  • Larga-se o ferro de montante (upstream); a um terço (1/3) do comprimento final de amarra, larga o outro; ambos filados a comprimento final igual.
  • Fig. 16-4a
    Fig. 16-4a — Open moor (amarracao aberta): navio com as duas ancoras fundeadas a vante, ambas leadando a frente a partir de um unico ponto na proa, formando um V simetrico.

Running moor & standing moor

Dois ferros — um à vante e outro à ré do navio — para manter posição com pouco espaço lateral: canal, rio com correntes de maré ou canal de acesso.
AmarraUm ferro largado com 5 cables e o outro com 4 cables. Standing vs running = apenas como o moor é executado, não o resultado.
Fig. 16-4b
Fig. 16-4b — Running moor / standing moor: navio com uma ancora fundeada a vante e outra a re, amarras leadando em sentidos opostos, para local com pouco espaco lateral (canal/rio com mare).

Mediterranean moor

  • Portos sem espaço para atracar de costado: popa ou proa firmada perpendicular ao cais por duas sets de cabos, e a outra extremidade segura por dois ferros em open-moor.
  • Dois modos: "Bow to" (proa ao cais) ou "Stern to" (popa ao cais).
Limitação de carga: só navios menores ou com rampas de proa/popa; operação convencional pelo costado não é possível (o costado não encosta) — usam-se floating cranes/barges.

Baltic moor

  • Usado quando vento onshore forte empurra o navio ao cais rápido demais e não há rebocadores — controla a velocidade lateral de aproximação.
  • Um stern rope é manilhado ao ferro de barlavento (windward) no ponto ganger length, com o ferro a'cockbill.
  • Larga-se o ferro a distância suficiente; fila-se devagar e folga-se o stern rope ajustando os dois comprimentos proporcionalmente → proa e popa encostam mais devagar.
Baltic e Mediterranean dependem da amarra + stern rope sustentando o peso contra vento/mar: confira a manilha no ganger length e fila/folga proporcionalmente — um par desequilibrado deixa uma extremidade entrar rápido demais.
Fig. 16-5
Fig. 16-5 — Amarracao a Mediterranea, tipo Stern-to: popa feita firme ao cais por 2 espias perpendiculares e proa mantida por 2 ancoras a vante em open moor.
Fig. 16-6
Fig. 16-6 — Baltic moor: navio aproximando-se lateralmente do cais sob vento de barlavento (seta laranja); ancora de barlavento largada, amarra arqueando ate a ancora e cabo de popa grilhado a ela controlando a velocidade lateral de aproximacao.