🧭 MMPH · Cap.18 — Marine Pilotage · Ch. 18: Emergency Manoeuvring Options

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Nayak, Theory & Practices of Marine Pilotage · II.08-AN · Área II do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
☀️
O que sãoAs emergency manoeuvring options são o último recurso — usadas só depois de esgotadas todas as outras opções, para impedir que a emergência de fato aconteça.
Emergência em porto exige abordagem diferente da emergência no mar: a natureza é parecida, mas as consequências atingem também navios vizinhos, o porto e as comunidades local/internacional.
Cada porto/fundeadouro/canal tem regras, topografia e desafios próprios → não há procedimento único; segue-se os princípios básicos em coordenação com as autoridades de terra.

Cenários de emergência dentro dos limites do porto (1.1)

#Cenário
1Falha de main engine ou steering no meio da manobra, quando se precisa de um cold movement
2Colisão iminente por não conseguir guinar nem reduzir velocidade
3Grounding iminente por não conseguir manter o rumo
4Deriva excessiva por corrente ou vento súbitos
5Man overboard
6Ciclone na área → navio precisa deixar o porto em curto prazo
7Mooring lines partidas → navio não consegue permanecer no berço

Outros cenários citados: grounding, colisão com objetos de terra/guindaste do cais, garrar do ferro, tug ineficaz, mau tempo excessivo, súbita perda de visibilidade.

FontesO pilot card + manoeuvring diagram + manoeuvring booklet dão os dados de referência imediata; as características de emergência vêm compiladas junto com as gerais.
A potência do astern engine é só cerca de 30 % da potência ahead → mesmas RPM, mas velocidades a ré diferentes.
CaracterísticaValor
Número de hélicesSingle screw
Tipo de propellerFixed, right-handed
Giro da proa sob asternProa cai a boreste (transverse thrust)
Critical revolutions63–75 rpm
RPM mínima35 rpm a 4 kts
Full ahead → full astern615 s
Stop → full astern260 s
Astern power30 % do ahead
Máx. de kick starts13

Ordens/velocidade (loaded): Full Sea 106 rpm/14,0 kts; Full Ahead 80/10,0; Half 60/7,5; Slow 50/6,2; Dead Slow 40/5,0 kts.

Fig. 18-1
Fig. 18-1 — Perfil lateral de graneleiro mostrando o setor cego (blind sector) a partir do passadiço: altura do passadiço acima da quilha 27.37 m, L.O.A. 169.99 m; distância cega no convés 6 m (loaded) e 9 m (ballast) e alcance cego na água 140 m (loaded) e 295 m (ballast).

Steering — leme semi-balanced spade

ParticularValor
Tipo de lemeSemi-balanced, spade
Ângulo máximo35°
Todo a bordo↔todo a bordo (35°–30°) — 1 power unit25,2 s
Idem — 2 power units24,8 s
Vel. mínima p/ manter rumo com hélice parado4 kts
Ângulo de leme p/ efeito neutro2° a boreste

Ferros (2.3)

  • Tipo Stockless AC14; 2 ferros (BB e BE de proa), sem ferro de popa.
  • Amarra BB = 10 quartéis (shackles); BE = 11 shackles.
  • Taxa máxima de suspender ≈ 1'58"–2'04" por shackle.
O que éSetor cego à frente da proa: objeto que cai nele fica invisível do passadiço, e o handler não julga a distância exata em que a proa livra o obstáculo.
ExemploNavio LOA 170 m, passadiço a 27,4 m acima da quilha.
CondiçãoBlind no convésBlind na água
Loaded6 m140 m
Ballast9 m295 m
Em ballast o blind na água chega a 295 m — mais que o próprio comprimento do navio, porque o freeboard maior levanta a linha de visada. Ponha um vigia no castelo (fo'c'sle) e confie nas distâncias reportadas.
O que medeCapacidade de parar = track reach + tempo para ficar dead in the water, num crash stop / crash astern.
Critério de manobrabilidade: track reach num crash-astern não deve exceder 15 comprimentos de navio — pode ser flexibilizado a critério da administração em grandes tankers/VLCCs.
  • Full astern a partir de full ahead impõe esforços graves ou incapacitantes ao motor → só na mais grave das emergências.
  • Num crash-stop, o motor pode ser revertido após ~3 minutos, ainda girando ahead a ~30 % rpm.
  • Single-screw cai a proa a boreste sob astern e leva a popa para o vento com sternway.
  • A maioria dos navios percorre 5 a 12 vezes o próprio comprimento até parar, em 4 a 10 minutos.
  • Leme todo a bordo alternado nos primeiros minutos após parar as máquinas reduz o headway.

Fórmula da distância de parada (3.1)

S = A·log(1 + B) + C S em comprimentos de navio

A = tipo/forma do casco (inerente)B ∝ inverso da astern powerC = ½ dist. até desenvolver full astern
Tipo de navioCoef. A
Cargo ship5–8
Passenger / car ferry8–9
Gas carrier10–11
Products tanker12–13
VLCC14–16
Coef. BDiesel: astern ≈ 85 % do ahead → B 0,6–1,0. Steam turbine: 40 % → B 1,0–1,5.
Ex.: VLCC steam-turbine, 300 m, 15 kts, 1 min p/ full astern → A=16, B=1,5, C=0,8 → S = 16·log(1+1,5) + 0,8 = 15,5 comprimentos — excede o critério de 15.
Fig. 18-2
Fig. 18-2 — Gráfico de barras de track reach (em cabos) de um graneleiro handymax nas condições Loaded e Ballast, comparando as manobras Stop e Full astern a partir de Slow/Half/Full/Full sea, com velocidade mínima (MIN KTS) anotada em cada barra.
Side reachNa prática a proa desvia para BB ou BE e corre um track curvo → track reach menor (mais drag), mas surge um desvio lateral = side reach, muito sensível às condições iniciais e ao vento.
Fig. 18-3
Fig. 18-3 — Gráfico de linha 'Side Reach' mostrando a curva do afastamento lateral (côncava, cresce rápido e satura), evidenciando sua alta sensibilidade a condições iniciais e distúrbios de vento.
O maior track reach ocorre quando o navio corre em linha reta no rumo original após a ordem astern.
Stop engines de (loaded)TrackHeadSideTempo
Full Ahead-Sea2,942,810,5321m26s
Full Ahead1,901,440,7418m27s
Half Ahead1,631,230,6415m48s
Slow Ahead1,200,910,4711m10s

Valores em cables (loaded). Fator de desaceleração do track ≈ 0,10 milhas/min, exceto de full-ahead-sea (0,14–0,16).

Tempo de parada mais curto: cortar o ahead e, após alguns segundos, dar slow → half → full astern em sucessão, cada RPM atingida antes da próxima ordem.
Dar full astern direto do ahead causa cavitação no hélice e aumenta a distância de parada; em navios menores/lentos, aplicar full astern o quanto antes ainda pode ser mais efetivo.

Sequência do crash astern (3.3)

Ordem crash astern combustível a zero motor ainda gira ahead por inércia espera rpm cair ao reversing level braking air a ré rpm a zero ar de partida a ré injeta combustível motor gira a ré

Reversing level prescrito pelo fabricante ≈ 25 % a 30 % da MCR rpm.
Admitir braking air com o motor ainda girando ahead acima do reversing level (~25–30 % MCR) pode quebrar o virabrequim (crankshaft). Espere a rpm cair.
Engine-room control: telégrafo ahead→full astern→full ahead→full asternBridge control (automatizado): passadiço direto no controle, sem pessoal na praça

Falha do telégrafo — operação local (3.4)

  • Falhando o telégrafo, comandos são executados manualmente na posição local, junto ao motor (perto da fuel-pump platform).
  • Oficial informa o maquinista por telefone local → há atraso de execução e risco de erro manual; o handler precisa prever isso.
  • Changeover: wheelhouse → ECR (ambos em stop) → switch em Local → controle do fuel-rack manual; melhor com o motor parado se der.
  • Se o motor não pega, dá-se mais combustível e ar (o controle manual exige mais força).
ProblemaMotor falha → navio perde controle e, ao cair a velocidade, a capacidade de guinar também cai seriamente. Objetivo imediato: levar a navio a local seguro e controlar a velocidade.

Rudder cycling (4.1) — usa o drag do leme e do casco

MétodoDist. de paradaMelhor para
High-frequency cycling≈ 10 × comprimentoFine-form em lightship; desvio de rumo mínimo; não reduzido por águas rasas
Low-frequency cycling≈ 6 × comprimentoGeral; mas águas rasas reduzem a eficácia

Low-freq: leme todo a BB até 40° fora do rumo, depois todo a BE com full astern → para com pequeno desvio a BB.

Velocidade "safe" pela IRPCS = aquela em que se para na metade do alcance da visibilidade (navios em rumos recíprocos aproximam-se à soma das velocidades).

Back pull por rebocadores (4.2)

  • Tug amarrado bem a ré pelo centre lead só para reduzir velocidade = braking tug. Ao falhar o motor, avisar os tugs de imediato.
  • Limitação: o tug não puxa exatamente a ré → puxa numa direção arbitrária tendendo a ré, e a popa deriva de leve para o lado do tug; ao ver deriva, pare o pull ou corrija com máquinas.
  • Tug amarrado ao costado a back-pull: a espia pode chafar e partir, criando emergência e tirando o tug da disposição do prático.
Usados quando toda opção se esgotou e a velocidade não cai, com ameaça iminente de grounding/colisão. Podem causar dano estrutural/de máquinas, mas o objetivo maior é evitar o desastre maior (vida/propriedade).

5.1 Dredging anchors underfoot (dragar o ferro)

  • Ao largar o ferro, a popa começa a guinar para o lado oposto (ferro como pivô) → tem de haver stern-room livre: evitar a colisão de proa sem causar a de popa.
  • Preferir o ferro de barlavento (weather side) se houver stern-room; senão o de sotavento.
  • Profundidade em porto costuma ser < 1 shackle = 27 metros: larga-se o ferro até 1 shackle na água, com o freio apertado e engrenagem desembreada, e o ferro draga no fundo.
  • Carga dinâmica enorme na amarra (projetada só para carga estática) pode rompê-la → prontidão para largar o 2º ferro se o 1º ceder.

5.2 Smelling ground / side touching (roçar o fundo)

Com o navio em alta velocidade e o dredging inviável: toca o fundo lateralmente na proa/popa e retorna à água segura pelo bank cushion — o toque marginal reduz a velocidade quase instantaneamente.

Exercício muito preciso e difícil; áreas submersas podem sofrer dano. O fundo tem de ser non-damaging (lama mole, areia).

5.3 Beaching (encalhar para evitar colisão)

Máxima da doutrina: grounding é melhor que colisão. Último recurso: encalhar preferindo pelo costado ou pela proa → menos dano e mais fácil re-flutuar.

Turning circle (6.1)

DefiniçãoTrajetória do pivot point com leme e rpm fixos. O menor turning circle vem com engine full ahead e leme todo a bordo.
ParâmetroDefinição
AdvanceDist. longitudinal até a proa girar 90° do rumo inicial
TransferDist. transversal quando o rumo girou 180°
Tactical diameterDiâmetro do turning circle

Dependem de deslocamento (loaded/ballast), profundidade, ângulo de leme e rpm — registrados no manoeuvring booklet.

Crash astern × turning (6.2) — navio loaded

ManobraLongitudinalLateral
Crash asternHead reach 10,1 cables em 9m18sSide reach 1,7 cables
Turning (leme todo a BE + full ahead)Advance 3,3 cables em 2m06sTransfer 3,6 cables em 4m00s
Com tolerância lateral de ~4–5 cables, guinar com full ahead e leme todo a bordo é melhor que crash astern: ganha menos distância longitudinal e leva menos tempo.
Preferível só com sea-room amplo: em limites de porto o espaço lateral costuma ser restrito.
Fig. 18-4
Fig. 18-4 — Curva de giro (vista de topo) de graneleiro carregado em águas rasas, máquina a full sea speed e leme todo a boreste: navio nas posições sucessivas com rumo/tempo e velocidade (de 13.0 kn no início a 5.0 kn), diâmetro tático 4.00 cabos.
Fig. 18-5
Fig. 18-5 — Curvas de giro em aguas PROFUNDAS (dois casos): a velocidade cai de ~15 kn para ~6-7 kn ao longo do giro, com diametros da ordem de 3,0 a 3,6 cabos - menores/mais rapidos que em aguas rasas (comparar com Fig-18.4).
Fig. 18-6
Fig. 18-6 — Manobras de emergencia comparadas (carregado e em lastro): o crash astern da head reach de 10,1 cabos (9'18") carregado e 6,7 cabos (5'12") em lastro, com side reach ~1,5-1,7 cabo; o giro com leme todo e maquina full ahead da transfer de 3,1 a 3,6 cabos - geralmente para o navio em menos espaco avante que a parada de emergencia.