🧭 MMPH · Cap.4 — Marine Pilotage · Ch. 4: Master-Pilot Information Exchange

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Nayak, Theory & Practices of Marine Pilotage · II.08-AN · Área II do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Princípio aceito na navegação: o ship's master tem a responsabilidade última pela segurança do navio — mesmo em águas de praticagem.
  • Ao entrar em águas de praticagem o master fica quase totalmente dependente do pilot (sem conhecimento local), mas segue plenamente responsável pela execução do aconselhamento do pilot.
  • Postura do master: cooperativo com o pilot, porém assertivo — quem comanda é o master, não o pilot.
  • Nos harbour limits a praticagem é geralmente compulsória; a manobra é feita por uma composite unit de duas equipes — bridge team + pilot.
Dever do pilotFornecer informação precisa para navegação segura; na prática, muitas vezes cons (conduz) o navio em nome do master.
Dever do master + bridgeApoiar o pilot e monitorar suas ações, questionando qualquer ação ou omissão inconsistente com o passage plan ou com a segurança do navio.
A presença do pilot NÃO exime o master nem o OOW de suas obrigações pela condução segura do navio.
MPiXPilot e master trocam informações (intenções do pilot + características e parâmetros do navio) assim que o pilot embarca, preenchendo os formulários Master/Pilot Exchange (MPiX) — garantem que nada seja omitido por engano.
Antes da chegadaO navio informa à port/pilotage authority intenções de chegada e características (draught, dimensões). Alguns portos hoje pedem também foto do arranjo de amarração da pilot ladder no main deck.

Preparação do pilot (ao receber os dados)

  • Estar adequadamente descansado, apto física e mentalmente, sem drogas ou álcool.
  • Preparar informação para incorporar ao passage plan do navio.
  • Atualizar-se com dados navegacionais, hidrográficos e batimétricos.
  • Levantar tempo/meteorologia atuais e previstos, e o tráfego planejado na área.
  • Estabelecer comunicação com o navio para arranjar o embarque.
No aviso de recebimento, a autoridade devolve ao navio, no mínimo: o pilot boarding point, os procedimentos de reporting/comunicação e detalhe suficiente de berço, fundeadouro e routing para o master preparar um provisional passage plan até o berço.
Nem todos os dados estarão em detalhe suficiente para completar o passage plan até o pilot efetivamente embarcar.
Após POB definidoPassados horário e posição de pilot on board (POB): master e bridge garantem tripulação descansada, preparam passage plan provisório, mantêm equipamento pronto, confirmam detalhes com a pilot station e proveem pessoal para embarcar o pilot com segurança.
Estudar a lista inteira: um fato pequeno mas relevante, dado na hora certa, pode quebrar uma cadeia de falhas e evitar um desastre. Master costuma pular itens "óbvios" — não deve.

Fig. 4-1 Pilot Card — ficha de ship's particulars (dimensões e calados).

Fig. 4-1
Fig. 4-1 — Diagrama do Pilot Card — vista de topo do navio com as marcacoes dimensionais preenchiveis: distancias a vante/a re e a meia-nau (em metros), posicao do Manifold, comprimento do costado paralelo a linha-d'agua (Parallel W/L) e valores de calado nas condicoes Carregado (Loaded) e Lastro (Ballast).
CategoriaO que o master reporta
EngineTipo e BHP; propeller right/left-hand ou CPP; critical RPM; nº mín. de consecutive starts; astern power como % do ahead; tempo full-ahead → full-astern de emergência; stop → full-astern; time limit astern.
SpeedVelocidade em vários RPM e se os RPM declarados são atingidos; display de SOG, STW e GPS de bottom-tracking; thrusters e potência.
SteeringTipo de leme e ângulo máximo; hard-over time (35°→30°) com 1 e com 2 power units; velocidade mín. p/ manter rumo com hélice parada; ângulo de efeito neutro.
AnchorTipo e holding power; nº de shackles por âncora; taxa máx. de heaving.
ManoeuvringStopping/turning ability; turning circle; tactical diameter; blind sector na proa.
Drafts & displacementCalados vante/ré/máx. e trim; displacement; GM e tenderness; windage area.
SquatTabela ready-reference de squat; block coefficient (Cb); blockage factor vs canal; UKC após squat e margens.
Mooring / TowingTipo/comprimento/bitola das mooring ropes; nº e tipo de fairleads; bollards e seu SWL; pushing-point; se off-centre com single tug, avisar o pilot especificamente.

Air draft

DefiniçãoAltura do ponto mais alto do navio acima da superfície da água. Governa o head clearance ao passar sob ponte/gantry.

Air draft = H − max draught H = altura do ponto mais alto medida da quilha

Fig. 4-2 Air draught — altura do ponto mais alto acima da linha-d'água.

Fig. 4-2
Fig. 4-2 — Diagrama do Pilot Card — vista transversal/de proa do navio ilustrando a medida do pontal aereo (Air draught), altura do ponto mais alto acima da superficie da agua, com campos preenchiveis em metros e em pes/polegadas.

Pilot Card

Ficha padrão de ship's particulars, dados de engine e características de manobra, entregue ao pilot no embarque. Agrupa os dados em três cabeçalhos.
BlocoCampos
Ship's particularsNome e call sign; displacement e deadweight; ano; length OA e breadth; bulbous bow sim/não; calados; âncoras em shackles — 1 shackle = 27,4 m / 15 fathoms.
EngineTipo; potência máx. (kW / HP); rpm/pitch loaded e ballast p/ full, half, slow, dead-slow ahead e astern; full astern como % do full-ahead; critical rpm; máx. consecutive starts; tempo full-ahead→full-astern (s); time limit astern (min).
Manoeuvring / draftsDistâncias fore/aft/amidships; valores de calado loaded e ballast (ver Fig. 4-1).
FluxoApós receber os dados do navio, o pilot avalia, modifica seus planos de manobra e os discute com o master; antes disso, informa o master sobre os fatores locais.
Mencionar todo ponto relevante na primeira oportunidade — pilots costumam pular como "perda de tempo".
CategoriaO que o pilot reporta
Topography & seabedTipo/profundidade/largura do canal; diferença entre charted e actual depths; anomalias locais de GPS; breakwater; turning-basin e berço; distância POB→berço; natureza do fundo.
Current & tidalCorrentes e tidal streams — força e direção em vários pontos.
WeatherVento (vs windage area); swell (direção/altura); tide e range; chuva e visibilidade.
TugsNº/tipo/tamanho; ship's lines ou tug line; fairlead preferido; maximum securing speed; bollard pull; canais VHF.
Local nav aidsMarcas laterais, isolated-danger e cardinais não atualizadas nas BA charts e seu status; transit/sector lights; virtual AIS buoys; RACON.
Communications / VTMSCanais VHF de manobra; contatos de emergência; GMDSS walkie-talkie em standby se a VHF falhar; procedimento e warnings do VTMS.
ContingencyMedidas para malfunction/emergência; possíveis abort points; safe grounding areas.
Roles & certificatesPapéis acordados do POB até all lines fast; checklists do porto; certificados/declarações que o master assina antes da passagem.
Pilot e master devem acordar um plano final cedo na passagem, antes de o navio deixar o pilot boarding point rumo ao berço.
Além do papel advisoryTodo pilot tem dever paramount com segurança, security e proteção do meio ambiente, e obrigação com requisitos nacionais e internacionais — a todo momento em serviço.
  • Comprometer-se com segurança da navegação, da vida no mar, da infraestrutura portuária e prevenção de poluição.
  • Reportar à autoridade qualquer coisa que afete a segurança da navegação ou a prevenção de poluição, incluindo incidentes com o navio praticado.
  • Recusar a praticagem se o navio for julgado um perigo à navegação ou ao ambiente — a recusa e seu motivo reportados imediatamente à autoridade.
  • Assistir autoridades de porto, nacionais e de bandeira no reporte e investigação de incidentes.
Pilots devem atender ou exceder os requisitos da IMO Assembly Resolution A.485(XII) e seus anexos.
O passage plan do pilot tem elementos extras vs o oceânico e se decompõe em nove planos elementares, que devem ser explicados e compreendidos pelo master e bridge team.
Ao embarcar, ambos estão sob pressão de tempo → janela precária de "modification and discussion". Fator agravante frequente: o pilot boarding point é posto mais perto do canal que o boarding ground carteado, sobrando ainda menos tempo.
Caminho a seguirTransferência antecipada do passage plan ao navio antes da chegada — a bridge team lança a passagem no ECDIS de antemão e fica melhor posicionada para monitorar o pilot.
#PlanoCobre
1Route planWaypoints, rumo e velocidade por leg do POB ao berço; profundidade mín. e WOP; white e blue margins; fundeadouros de emergência.
2Channel entryCEMA marcado; entry point vs calado × profundidade; set/drift; largura do canal vs navio com margens.
3Critical pointsPontos de ordem incomum de máquina/leme — bars, pontos estreitos, cross-currents, S-bends — sinalizados cedo.
4Speed controlRedução do channel entry até zero no berço; mantém stopping distance, reduz squat e interação.
5Plan of manoeuvresMelhor combinação dos recursos escassos (engine, helm, inertia, anchor, lines, tugs, thrusters, current, wind); emergency manoeuvres prontas.
6Tugs usageNº/tipo/capacidade; fairlead; bollard e SWL; bollard pull — revisto sempre que o plano de manobra muda.
7Berthing/un-berthingAproximação até all lines fast; tipos de berço (wharf, side berth, SBM, SPM, double banking); pilot coordena tugs, linesmen e tripulação.
8Mooring arrangementConfiguração de lines (ex.: 4+2, 4+2+2, 3+2) por porte/berço/tempo; reforço das lines mais carregadas em ciclone/chuva forte.
9ContingencyRecursos alternativos, emergency manoeuvres, abort points e safe grounding areas.
Todos os planos são discutidos com o master antes de iniciar; toda dúvida/objeção é resolvida primeiro, e os planos finalmente acordados entre pilot e master.
BasePraticagem eficiente depende de comunicação efetiva e do entendimento mútuo das funções de cada um.
Papel do masterAvisa o pilot quando uma ordem foi cumprida, quando houve omissão ou se há problema potencial. É preferível que o próprio master opere o equipamento-chave, pois só ele conhece as limitações e o melhor uso.

Disciplina da bridge team enquanto o pilot aconselha

  • Usa-se inglês, língua comum acordada ou o IMO SMCP.
  • Cada membro ajuda a destacar erro/omissão de outros para clarificação.
  • A equipe monitora sempre velocidade, posição, resposta de manobra, densidade de tráfego e tempo.
  • Checa posição dos nav aids e alerta o pilot sobre inconsistência.
  • O pilot reporta à autoridade qualquer irregularidade, inclusive deficiências de operação, tripulação ou equipamento.
Roda durante toda a praticagem um mecanismo contínuo de action–feedback–crosscheck, mantendo a mesma information platform, para prevenir erros.