O ponto de embarque do prático
- No pilot boarding point tudo já foi trocado entre master e pilot no MPiX: plano consolidado + sub-planos prontos.
- Ainda no boarding point (antes dos canais estreitos) o navio está em safe water e sob controle total do master.
O que são confined waters
- Agravantes: shallow water effects incomuns, forças externas imprevisíveis e necessidade de redução de velocidade a tempo (não pode ser adiada nem por minutos).
- Se o controle de velocidade falha → recorre a meios de emergência (máquina e leme no limite). Uso errado de máquina/leme = desastre para navio e infraestrutura portuária.
| Dimensão | O que cobre | Como se mede |
|---|---|---|
| Longitudinal (L) | A maior componente; velocidade avante/ré. | Velocidade V (GPS bottom-tracking). |
| Athwartship (A) | O elemento mais restritivo dentro dos limites do porto; deriva lateral. | O set (em graus) e o drift. |
| Under Keel (U) | Movimento vertical do casco abaixo da superfície (squat + dinâmica de canal). | UKC, em metros. |
| Headroom (H) | Folga vertical de pontes, guindastes, estruturas suspensas. | Relativa ao air draft do navio. |
| Perigo | Por que importa |
|---|---|
| Shallow water effects | Menor fluxo sob a quilha corta manobrabilidade: smelling ground, bank effects (bow cushion + bank suction), swing inesperado, squat, canal effect, vibração, governo difícil. |
| Squat e profundidade reduzida | UKC de só poucos metros; velocidade alta em água rasa aumenta o squat e encolhe o UKC → risco de grounding. Ajustar velocidade para reduzir squat. |
| Tráfego denso | Restrições topográficas + entrada/saída de navios, pesca, embarcações locais e fundeados com amarras. |
| Vento e clima locais | Variam com topografia/estruturas; autoridades e prático devem estudar e registrar os padrões de vento do porto. |
| Incerteza das correntes | Importam muito mais que em mar aberto e são menos previsíveis que o vento (topografia, ilhas, marés, cheias de rio, píeres). |
| Visibilidade restrita súbita | Fog/chuva/tempestade de areia sem aviso; convection fog perto de terra de manhã cedo/noite. |
| Limites de draft/air-draft/L/B | Porto dragado com UKC de só 1–2 m → razão UKC/draft baixíssima (até 5–10%). Comprimento limitado por berços/turning basins (maioria gira 180°). |
| Passing dangers | Rochas isoladas, bancos, turbulência e curvas fechadas passados muito perto, sem margem de erro. |
| Falha de controles | Governo tem 100% de redundância com takeover imediato p/ emergência; mas falha de máquina também perde o governo. |
| Risco de colisão / grounding | Alta densidade e margens reduzidas. Fundo mole (lama/areia) pode reflutuar na próxima preamar com rebocadores; fundo rochoso que rompe o casco vira wreck que ameaça o próprio porto. |
| Fator | Prática |
|---|---|
| Safe / slower speed | Manter a velocidade segura de cada ponto crítico; reduzir mais perto do berço. Mesmo a 1–2 kts há algum governo com leme todo (embora lerdo); tempo ruim → precisa de tug. |
| Abort points marcados | Além do abort point não há como voltar a mar aberto sem ajuda externa; se desconfortável, decidir abortar antes do ponto. |
| Reserve engine power | Devagar mas com potência de reserva. De 2 kts um pique avante com leme todo restaura o controle rápido; de 3–4 kts não se dá ordem grande livremente e sobra velocidade a dissipar depois. |
| Visual cross-checks | Objetos fixos de terra dão a sensação de cada dimensão quase imediatamente; sistemas eletrônicos têm atraso crítico. |
| Auxílios visuais e eletrônicos | O visual é a melhor informação; o eletrônico serve para comparar e medir o erro do visual. |
| Timely action | Atraso multiplica o trabalho — desperdiça tempo, tug-hours, combustível e cascateia nos movimentos seguintes. |
| Comunicação clara | Agenda ordenada com port control, jetty officers e tugs; tráfego não-essencial ao mínimo. |
| Uso de corrente e maré | Bom handler explora a corrente existente, ajustando velocidade e rumo à força local. |
| Contingency anchorages | Nem todo ponto serve p/ fundear; marcam-se na rota os pontos de fundeio por segurança ou p/ ganhar tempo. |
| Nav aids / testes / lookouts | Estruturas fixas e boias confirmam a posição; testar controles bem antes; monitorar tráfego e postar lookouts extras conforme o risk assessment. |
Berço, tugs, corrente e maré
- Berço livre e espaçoso: confirmar com port control que está sem obstruções, com margens dos navios a vante e a ré.
- Tugs suficientes: nº e potência conforme regulamento do porto, tipo/tamanho/carregamento do navio, manobrabilidade, máquina, leme/hélice/âncora, turning basin, forças externas, windage, UKC/squat e o berthing plan.
- Corrente e tidal streams: achar força e direção nos pontos críticos; tidal streams das cartas são quase corretos; tidal atlas / port tidal chart ajudam.
Total tug power (tonnes) › = 0,075 × (DWT)0,6
Vento relativo por BE › leeway → deriva p/ BB › vento age em W (à frente de G) → momento Mw gira p/ sotavento › resistência em R (à frente de W) → Mr gira p/ barlavento
Mv = Mw ± Mr
| Vento relativo | Posição de W | Efeito de Mw |
|---|---|---|
| Forward of the beam | À frente de G | Gira p/ sotavento, opondo-se a Mr. |
| Abeam (de través) | Quase em G | Mw minimizado; o drift domina. |
| Abaft the beam | Aft de G, p/ a popa | Age na mesma direção que Mr. |
VR = Vw / Vv
- Curva em U: abaixo dela o rumo é mantido com leme ≤ 30°; acima dela, não.
- Valor crítico = 3,7: se Vw/Vv exceder 3,7, surge uma região onde o rumo não se mantém em certos ângulos.
Tolerable set no canal
Tolerable set = tan−1(White Margin / LOA) › Max = tan−1(2W / LOA)
Planned UKC — ICORELS
| Área | Condição | UKC / d |
|---|---|---|
| Open sea | Strong long stern/quarter swell, alta velocidade | ≈ 0,20 |
| Waiting areas | Exposta a strong long swell | ≈ 0,15 |
| Channel | Exposto a swell | ≈ 0,15 |
| Channel | Menos exposto | ≈ 0,10 |
| Manobra / berthing | Exposto | ≈ 0,10–0,15 |
| Manobra / berthing | Protegido | ≈ 0,07 |
Cálculo para decidir entrar
| Exemplo — LOA 300 m, draft 17 m, Cb 0,7, máx 10 kts | Valor |
|---|---|
| Draft máx = draft + sinkage (0,2% LOA = 0,6 m) + squat (0,35 m) | 17,95 m |
| Fator de segurança da carta (chart datum) | 0,30 m |
| UKC a 15% do draft máx (17,95 × 15%) | 2,69 m |
| Profundidade mínima = 17,95 + 0,30 + 2,69 | 20,94 m |
Erro vem da estimativa das forças externas (corrente, vento, maré) e do próprio comportamento do navio: deslocamento, height of eye, local da acomodação, manobrabilidade e potência (Fig. 5-7).
Ponto C: altera p/ CB › força externa por BE empurra o rumo mais p/ BB › faz bom CB' ou CB'' › perto de B ajusta o rumo p/ o ponto A
Entrada escalonada (staged) — preferida
- Aproximar em ângulo íngreme (steep) enquanto longe do canal.
- Reduzir p/ ângulo agudo só 1–2 cables antes da linha de boias.
- Entrar em ângulo agudo de 5–15° máximo.
- Já dentro dos limites, ajustar o rumo p/ trazer o navio à center line.
Opening of buoys
| # | Distância | Ângulo | Aspecto das linhas |
|---|---|---|---|
| 1 | Longe, d > 5 cables | ~90° | Red & green ~ 90° |
| 2 | 2 < d < 5 cables | 30–40° | Red & green ~ 30° |
| 3 | d < 2 cables | Agudo | Red & green ~ 10–15° |
| 4 | Proa dentro, ponte na borda | 5–10° | Red 0°, green ~ 5° |
| 5 | Na center line | — | Igual dos dois lados; parece highway, red a BB, green a BE |
Skewed view com vento forte
Quem se posiciona só pelas boias pode não pegar a center line: chega perto da borda e encontra bank cushion + mudança súbita de proa — situação extrema em canais muito estreitos.