Como se nomeiam
NomesO rebocador é batizado pela propulsão, pelo fabricante ou pela localização da propulsão/governo → daí conventional, Voith-Schneider, Z-peller, Kort nozzle, tractor. Não existe sistema de nomes uniforme — um "Z-peller" pode ter azimutais à vante ou à ré, e para o desempenho essa diferença importa muito.
Hensen: melhor classificar pela localização da propulsão e do towing point, pois assistir é a razão de existir do rebocador.
Um pouco de história
- Azimutais patenteados como "steering propellers" já no início da década de 1870; Mallory patenteou um azimutal de hélice dupla em 1881 (equilíbrio de torque).
- O Voith também teve precursor: o USS Alarm (1874) levava hélice de eixo vertical Fowler.
Os dois grupos básicos (por propulsão + towing point)
| Grupo | Propulsão | Towing point |
|---|---|---|
| Conventional | à ré | perto de meia-nau |
| Tractor | à vante de meia-nau | à ré |
reverse-tractor (pusher) = ASD-tugASD (Azimuth Stern Drive)combi-tug
Tipos relacionados: Rotortug (3 azimutais), Z-tech/RSD (2 sob uma das pontas); família FAST = um propulsor em cada ponta.
Bom desempenho = short response time + bollard pull + manobrabilidade + menor espaço de manobra possível + boa fendering + estabilidade adequada.
Timoneira (wheelhouse)
- Campo de visão o mais próximo de 360° possível: pontas, towline, convés de trabalho, área de contato, navio assistido e direção da operação.
- A informação externa essencial vem de 3 coisas: os towlines (direção e tensão), o navio assistido e a direção combinada navio/rebocador.
- Lógica de comando: empurrar a alavanca no sentido em que se olha deve aumentar o movimento nesse sentido; recomenda-se VHF duplo.
Fendering e atrito
F = c × P › atrito borracha-aço ≈ 0,8 › camada low-friction de UHMW ≈ 0,15
Pressões de casco admissíveis (PIANC) caem com o tamanho do navio.
| Navio | Pressão admissível |
|---|---|
| Carga geral ≤ 20.000 dwt | 400–700 kN/m² |
| Petroleiro > 60.000 dwt | < 350 kN/m² |
| VLCC | 150–200 kN/m² |
| Gaseiro / graneleiro | < 200 kN/m² |
Tipos de fender: cylindrical (proa/popa, ideal para grandes flares), D-shaped, block (mais grip), M-shaped e W-shaped (tempo/mar mais extremos).
UsoPush-pull, alongside towing e — sobretudo em portos europeus — towing on a line. O mais simples: single-screw com single plate rudder.
Rebocando on a line, o risco principal é o girting (emborcamento por tração transversal), reduzido — não eliminado — por winch/gancho de quick-release. Potência a ré geralmente baixa.
Towing point ≈ 0,45 × LWL a partir de ré (mais a ré nos rebocadores americanos).
Propulsão, nozzles e rudders
A todo réHélice aberta fixed-pitch dá ~60% do empuxo máximo a vante; hélice CPP aberta só 40–45%.
Kort nozzleLudwig Kort — 1º nozzle em 1927 (em serviço 1932). Aumenta o empuxo em 15–25% rebocando/empurrando e ~30% a velocidade zero, mas o arrasto cresce com a velocidade → serve para rebocadores lentos e muito carregados. Tipo 19A = empuxo a vante; tipo 37 = "backing nozzle" (melhor a ré) — Fig. 2B.3.
| Rudder | Característica-chave |
|---|---|
| Becker (flap) | flap de 20–30% da área gira mais que o principal (principal 45–65°, flap 90–110°); lift máx ~30°, 60–70% maior; side thrust até 50% do empuxo a vante (Fig. 2B.6) |
| Schilling (fishtail) | sem partes móveis; 30–40% mais lift, máx ~40°, útil até 70°; twin VecTwin vetoriza 360° e dá até 70% de side thrust (Fig. 2B.8) |
| Flanking / Towmaster | melhoram o governo a ré (à frente do hélice / obturadores) — Figs. 2B.10, 2B.11 |
Manobra e ship handling
- Single-screw: dominado pelo transverse effect (paddle-wheel) a ré; hélice de rotação à direita a ré → popa cai a bombordo, proa a boreste. Não puxa em ângulo reto nem segura esse ângulo em corrente/vento.
- Twin-screw: bem mais manobrável — gira no lugar e "flanca" (anda de lado).
Como stern tug, o conventional é muito limitado pelo towing point a meia-nau: acima de ~3 nós assiste de um só bordo, não troca de lado e não controla a velocidade do navio.
O que éConventional single-screw + bow thruster azimutal 360° + towing point extra a ré. Primeiro no início dos anos 1960. Ao contrário do tunnel thruster, o azimutal com nozzle abaixo da quilha mantém eficácia em qualquer direção mesmo com velocidade.
- Exemplo: thruster de 400 hp num rebocador de 27 m/1.500 bhp → +meio nó na velocidade máx, ~5 nós só no thruster e +5 t de força juntos.
- Conversão do San Pedro (thruster 600 bhp): bollard pull +40%, de 25 para 35 t.
- O thruster é retrátil (arrasto quando ocioso); recolher em tempo quando o UKC é pequeno.
Brilha como stern tug on a line: pega navio ainda a 7 a 8 nós e controla velocidade/governo (Fig. 2B.17). Ao costado, mantém quase todas as desvantagens do conventional.
Conceito"Voith Water Tractor" (Fig. 2B.18): propulsão cicloidal sob a forebody e reboque no convés de ré. Motor a rpm constante; magnitude e direção do empuxo reguladas da timoneira = na prática um CPP.
- Duas unidades VS lado a lado, ajuste uniforme em 360° sem atraso. Protection plate faz de nozzle; o rebocador atraca nessas placas e no grande skeg.
- Posições: unidades a 0,25–0,30 × LWL de vante; towing point a 0,1–0,2 × LWL de ré (acima do skeg).
- Princípio: centro de governo N deslocado do centro O; empuxo perpendicular à linha O–N e proporcional à distância O–N (Fig. 2B.20).
Posições da figura, explicadas no texto (4)
- 1. The combi-tug makes fast aft and approaches stern first to the stern of the ship to pass the towline (see figure 2B.17 position 1*)*.
- 2 e 3. In positions 2 and 3 the incoming water flow creates lift forces on the tug and consequently a force in the towline.
When the ship's speed reduces, the effect of the tug in position 2 and 3 will become less due to the reduced lift forces. - 4. The original towing point is then in use again and the tug can operate again as a normal conventional tug (position 4).
In circumstances where there are strong cross winds and/ or currents, and much effort is required from the tug to compensate for those forces, the tug is more effective when it proceeds with the assisted ship as a normal conventional tug (position 4) and thus can use its full ahead power. - 5. As soon as the towline has been secured and the aft towing point is in use by means of a gob rope or fairlead, the combi-tug can control the vessel's speed (position 5) or assist in steering (positions
Posições da figura, explicadas no texto (6)
- 1. Voith-Schneider propeller
- 2. Propeller guard plate
- 3. Skeg
- 4. Towing staple
- 5. Second towing position
- 6. Wheelhouse with specific Voith controls
Posições da figura, explicadas no texto (3)
- 1. In sketch 1 there is no thrust; the propellers are 'idling'.
- 2. In sketch 2 the steering centre is moved by one hydraulic cylinder to port.
- 3. In sketch 3 the steering point N is moved by the two hydraulic cylinders to port and forward, which gives thrust in the indicated direction S.
Empuxo a ré quase igual ao de vante, gira no lugar, pouco wash; empurra com a popa (heavy stern fendering).
O empuxo transverso tem prioridade → não se aplica 100% do empuxo em todas as direções ao mesmo tempo. Instabilidade de rumo em L/B pequeno resolvida com estabilizadores StRAke.
Governo: indirect method a alta velocidade, direct method a baixa. Muda de line para pushing sem largar (tug de vante até ~2 nós). Melhor como after tug; making fast direto até ~5 nós.
O que éDois thrusters azimutais 360° sob a forebody. 1ºs azimutais em serviço nos anos 1960; 1º rebocador assim foi o alemão Janus (1967). Thrusters fixed-pitch (Niigata) — modulados de zero por embreagem deslizante — ou CPP.
- Casco parecido com o VS, mas de mesma potência tem menos calado. Towing point ~0,1 × LWL de ré; propulsores a 0,30–0,35 × LWL de vante. Empuxo a ré ~5% menor.
- Twin skegs: no compacto Damen ATD 2412 (L/B 1,89) um único skeg central gerava força de governo contrária (o rebocador virava para o lado "errado"); a solução patenteada Twin Fin devolveu estabilidade direcional.
Mais eficaz a velocidade no direct como stern tug e como forward tug on a line (bom towing point), mas um pouco menos eficaz no indirect a alta velocidade que um bom VS tractor (Fig. 2B.32).
Reverse-tractor (ex-pusher)
O que éDois azimutais sob a popa, projetados para trabalhar sobre a proa do rebocador (portos do West Pacific). Winch grande a vante e pouco material a ré (só um hook). Propulsores ~0,1 × LWL de ré; astern BP 5–10% abaixo de vante.
Mantém a relação de tractor mas navegando no sentido inverso (towing point para o navio, propulsores para longe). Ótimo como stern tug; fraco como forward tug on a line (Fig. 2B.35).
Conceito japonês (Japanese tug)
- Reverse-tractor específico: proa muito flared com pneus, transom stern abaixo da linha-d'água, sheer acentuado, deckhouse longo, boca/calado pequenos e velocidade livre de 15 nós ou mais.
- Dois thrusters a ré (Niigata), sem skeg (só um pequeno à frente dos hélices), sem funis (descarga pela popa = visão total).
- Dois tipos: berthing/unberthing e escort-capable (potentes; não fazem fast durante o escort). No Japão o escort é compulsório para carga perigosa/certos comprimentos, com FiFi.
ASD-tugQuase igual ao reverse-tractor, mas projetado para operar sobre a proa (como reverse-tractor) e sobre a popa (como conventional) — combina os dois. Winch a vante + winch/hook a ré.
Towing point de ré num bom local para towing on a line: 0,35–0,4 × LWL da popa; azimutais a ~0,1 × LWL da popa. Empuxo máx a ré 5–10% abaixo de vante (Fig. 2B.44). Bollard pull amplo (ex.: Azistern 60–120 t).
| Tipo | Melhor em |
|---|---|
| Conventional | forward tug towing on a line |
| Reverse-tractor | a ré e em push-pull |
| ASD | todo tipo de ship handling (assiste como os dois) — Fig. 2B.45 |
Posições da figura, explicadas no texto (4)
- 1. When towing forward on a line like a conventional tug (see figure 2B.45, 1, opposite page) the ASD-tug is very effective, although the risk of girting exists.
- 1 e 2. As a stern tug on a line an ASD-tug works over the bow (situation 1 and 2).
Effectiveness when assisting in indirect mode (situation 2) is generally somewhat less when compared to VS tractor tugs, but ASD-tugs may be somewhat more effective when direct pulling (situation 1). - 2. The forward ASD-tug should then assist like a reverse-tractor tug (situation 2) which is very often the case.
- 3. Like reverse-tractor tugs, ASD-tugs can also easily change from towing on a line to push-pull without releasing or changing the towline position (situation 3).
Uni-lever (master-pilot)
O que éUma única alavanca ajusta os dois thrusters automaticamente (comum em Coreia/Japão/China/Taiwan), com manete separado de rotação (Fig. 2B.47). Qualquer combinação dos controles separados é possível (Fig. 2B.48), mas é mais difícil achar a ótima → treino de qualidade.
O Uni-lever pode sobrepor-se ao master e "ficar preso a vante" (stuck ahead) se puxado de full ahead a full astern rápido demais, levando alguns minutos para recuperar.
Rotortug
O que éTrês thrusters azimutais em triângulo (o skeg é substituído pelo 3º thruster), winch a vante e a ré. Gerações ARTs: de ART 65-28 (27,5 m, BP 65 t) a ART 85-32W (31,5 m, BP 85 t).
Manobra "rotoring": gera até 70% do bollard pull transverso ao navio, dentro da boca do navio. Side thrust até 95% do BP; side-stepping ~6 nós.
Com ASD as unidades contrariam o heel no indirect; com Rotortug os thrusters aumentam o heel (reduzível baixando o empuxo). Três thrusters interagem → treino específico.
Z-tech & RSD
- Z-tech (PSA Marine/Robert Allan, 1º em 2003): une tractor + ASD; wheelhouse bem a ré; velocidade/BP a ré ≥ 95% de vante.
- RSD (Damen): proa e popa de igual altura → "tem duas proas". Primeiro: RSD 2513 (24,75 m, BP vante 70 t / ré 67 t).
Carrousel, DOT & All-Rounder
Um towing point móvel/rotativo num anel/trilho em volta da superestrutura deixa até um conventional governar para os dois bordos com o navio em andamento, com menos heel (não capsiza por tração transversal). 1º carrousel: Multratug 12 (2002).
O que éForward-Aft Single Thruster: um propulsor em cada ponta (azimutal ou Voith), na linha de centro, com towing point entre eles.
Cada ponta tem no máximo 50% da potência total, enquanto um tractor/reverse-tractor tem 100% a vante → perto da proa de um navio com velocidade pode não guinar o bastante. Exige treino minucioso de masters e pilotos.
| Tipo | Marca / dado |
|---|---|
| SDM / ATT | assimétrico, boca muito larga; Mark I/II 27,4 m, BP 55–60 t; ATT espanhol até 74,5 t; side-stepping 6,5 nós |
| EDDY | in-line hybrid diesel-elétrico; economia de combustível 30–50%; net pushing ~90%; tensão de towline contínua |
| CRT (carrousel RAVE) | carrousel + 2 Voith; Multratug 32/33 (31,9 m) BP estático 70 t → dinâmico a 10 nós ≥ 150 t de governo / 170 t de frenagem (Fig. 2D.27) |
| Giano | Nápoles 2016; 25,75 m, BP 55 t em todas as direções; escort heel ≤ 15° (mediu 8° estático) |
LNG terminal tugs
Zonas de riscoZone 0 = atmosfera explosiva contínua/longa (> 1.000 h/ano); Zone 1 = provável em operação normal (10–1.000 h/ano); Zone 2 = só brevemente (< 10 h/ano).
- Requisitos extra: gas-detection na timoneira, rigsaver, spark arresters, FiFi 1 ou acima e fendering de baixíssima pressão — p.ex. não mais que 14 t/m².
- Classes FiFi (DNV GL): monitores de 1.200–3.600 m³/h, alcance 120–180 m e altura 50–110 m.
Eco-tugs (MARPOL Anexo VI, Tier I–III)
O rebocador usa só ~20% da potência máxima em trânsito → a eficiência a carga parcial puxa para hybrid/elétrico. Três rotas: hybrid, combustível limpo, totalmente elétrico.
- Combustível limpo: LNG a −162 °C (~2× o volume do diesel); hidrogênio (Antwerp Hydrotug, 1º a hidrogênio); amônia líquida a −34 °C (~3× o volume). Código IGF em vigor 1 jan 2017.
- Elétrico: Zeetug Gisas Power (18,7 m, BP 32 t, carrega em 1 h); Sparky RSD-E 2513 (push-pull 70 t por ≥ 30 min, recarrega ~2 h).
- Segurança de lítio é o ponto crítico: DNV — a ventilação sozinha não evita explosão se falharem muitos módulos (≥ 4.000 amp-hours) de uma vez → conter fogo/gás no menor espaço possível.
Ice tugs
ASD é geralmente o mais versátil no gelo; ASD com CPP é ótimo (recupera empuxo rápido). Em gelo muito duro preferem-se hélices abertas (nozzle bloqueado dá empuxo zero). Trabalho no gelo usa > 80% do MCR por > 80% do tempo.
A estabilidade exige atenção especial: o acúmulo de gelo em superestrutura/mastro reduz a estabilidade rapidamente. Exemplo: Yuribey (39,54 m, BP vante 97 t, Ice Class ARC6, projetado para −50 °C).
Pesquisa (CFD)
CFDSimula o escoamento em torno do rebocador. Cálculo viscous-flow desde ~2010 (antes só potential-flow). Precisa de verificação e validação: "garbage in, garbage out".
Dois princípios de desempenho
- Fluxo positivo (wash a favor do fluxo) vs fluxo negativo (contra) — este dá mais empuxo, porém muito mais torque, cargas flutuantes e vibração.
- Line pull ∝ rpm²; potência ∝ rpm³ → dobrar a rotação multiplica a força por 4 e a potência por 8.
Bollard pull certificado
Medido por load cell em série com o towline, ao MCR. Certificado = força mantida sem cair por ≥ 5 minutos (harbour tugs), registrado a 1 Hz ou melhor. Sem degradação com profundidade ≈ 6× a imersão do hélice e comprimento de linha ≈ 50× o diâmetro (MARIN JIP 2016).
| Propulsão | t / 100 kW | t / 100 bhp |
|---|---|---|
| Azimuth stern drive | 1,5–1,7 | 1,1–1,3 |
| Azimuth tractor | 1,3–1,5 | 1,0–1,1 |
| Voith-Schneider tractor | 1,2–1,4 | 0,9–1,0 |
| Conventional, nozzled | 1,8–2,0 | 1,3–1,5 |
| Conventional, open | 1,3–1,5 | 1,0–1,1 |
Ajustes (Tab. 2E.3, Damen): CPP (exceto VS) −2%; ICE (exceto VS) −24% conforme a ice class.