Origem histórica
- Escolta moderna de tankers começa nos EUA: 1975, estado de Washington obriga a Foss Maritime a escoltar tankers acima de 40.000 dwt em Puget Sound; Prince William Sound (Alasca) desde 1977.
- Exxon Valdez (24 mar 1989) encalha saindo do Valdez Arm → gera o OPA 90 (Oil Pollution Act of 1990), que dá à US Coast Guard poder de regular escolta de tankers.
- Europa adota porto a porto, quase sempre após um acidente: Humboldt (Noruega, Grenland 1979), Mercantile Marcia (1989 → >30.000 dwt em Mongstad/Sture), Aegean Sea (Espanha, La Coruña 1992).
Maior vazamento do mundo: Atlantic Empress (1979, 270.000 t), à frente do ABT Summer (1991) e Castillo de Bellver (1983). O Exxon Valdez perdeu ~40.000 t.
Revisão da situação atual › risk assessment › a escolta reduz o risco? › definir requisitos, procedimentos e treinamento
Revisão + risk assessment
- Pesa juntos: porto e aproximação (curvas, distâncias, profundidades, marés), condições ambientais, fundo/margens, tráfego, praticagem, estatística de acidentes, impacto ambiental e rebocadores disponíveis.
- O risk assessment formal só entra quando nenhuma outra melhoria de procedimento basta.
Cenários de falha e response time
Oil tankers
LNG carriers
Se um encalhe de LPG (propano/butano) derrama mais que LNG deve ser investigado à parte. Ex.: colisão Astro Saturn × Crystal Sunrise (Singapura, abr 2018) vazou ~1.796 t de butano.
Bloqueio do canal (razão econômica)
Objetivos da escolta
- Aplicar forças de steering (governo) e braking (frenagem) a um navio avariado, mantendo-o afastado do perigo.
- Reduzir o risco de poluição por encalhe/colisão de origem técnica ou humana.
| Método | Onde / distância / velocidade |
|---|---|
| Harbour tugs normais | dentro do porto, curta distância, baixa velocidade |
| Escort tugs dedicados | nas aproximações, distâncias maiores, velocidade maior |
Amarrar (secured) ou não
Posições efetivas (Fig. 9.5)
- Tanker guina a boreste e o leme não segura: o forward tug (nº 1) é ineficaz para conter o sheer (pode piorar); o after tug (nº 2) e o rudder tug (nº 3) são bem mais efetivos.
- O rudder tug governa como um tug de costado amarrado, com a vantagem de aplicar força a bombordo e a boreste.
- Steering do after tug aponta para o perigo; do forward tug aponta para longe dele.
Rebocando na linha e velocidade
| Arranjo | Velocidade máx. |
|---|---|
| Linha na proa | ~6 nós |
| Forward convencional + after omni | 4 a 5 nós |
| Tug convencional a ré | 3 a 4 nós |
| Método | Descrição |
|---|---|
| Um escort tug (Fig. 9.9) | o mais comum por anos |
| Dual escorting (Figs. 9.10–9.11) | = team towing / tandem escort, ambos tethered; nasceu em Long Beach (Califórnia) |
Procedimento dual
- O tug do bordo pedido vira lead e posiciona primeiro; o outro sobe mantendo a proa 1–2 m a ré do transom do lead.
- Espaçamento das buzinas no transom ~20 a 30 m dá o offset entre os tugs.
- Azimuth thrusters paralelos: se uma linha romper, o tug gira para fora, longe do navio (testado em simulador sem colisão).
Powered indirect (3–7 nós, Fig. 9.15)
- O tug se afasta até a linha ficar ~90° com o eixo do navio; aplica potência total com o tug a até ~70° do fluxo.
- O drift angle (a, Fig. 9.13) cresce quando a velocidade cai; máximo comparável ao leme de um navio: ~30 a 35°.
- Na faixa 5–7 nós, medições dos EUA dão line pull de 75 a 125 % do bollard pull: tug de 4.400 hp (~52 t BP) atingiu ~62 t a 5 nós (~120 %), caindo a ~75 % a 7 nós.
Centre of pressure (COP) e towing point (T) — Fig. 9.14
| Alavanca | Efeito |
|---|---|
| x vs y (horiz.) | x maior que y → menos empuxo lateral → maior força na linha. Projeto joga o COP o mais à frente possível. |
| a (T acima do COP) | maior distância vertical → maior list (banda) para dada força. |
| b (T acima de P) | maior distância propulsão→linha → empuxo lateral reduz mais a list. |
| Navio escoltado | Steering pull a 10 nós (leme 15°) |
|---|---|
| Bulk 40.000 dwt | 40 t |
| Bulk 70.000 dwt | 60 t |
| Tanker 150.000 dwt | 88 t |
| VLCC 300.000 dwt | 116 t |
| Gas carrier 30.000 m³ | 32 t |
Fig. 9.16 — força de governo cresce com tamanho e velocidade do navio; leme a 15° é o máximo prático numa curva a 10 nós.
O atraso de 1 minuto — Arco Juneau (1997)
Velocidade e estabilidade
- Escolta ~10 nós (até 12); free-sailing tem de ser maior — tugs atuais fazem 12,5 a 15 nós (over-speed para alcançar o navio, vencer o slipstream e reserva).
- Força na linha atinge 1,5 a 2× o bollard pull a 10 nós em indirect → towing point o mais baixo possível (menor heeling).
- GM mínimo recomendado ~3 m; GM excessivo também se evita (acelerações duras no mau tempo).
Direção de marcha e towing point extra
- ASD tugs correm bow first (proa à frente) — mais rápido e seguro. Tractor tugs tethered correm stern first (popa à frente), com convés de ré mais baixo e velocidade menor (Fig. 9.20).
- Voith Turbo Fin (VTF), tubo rotativo na ponta do skeg, promete +18 % de força de governo.
- Um 2º towing point bem a ré estabiliza o tractor tug em linha — mas precisa ser liberável (abre hidráulico), senão a força de governo cai (Fig. 9.23).
Posições da figura, explicadas no texto (3)
- 1. The most significant difference with tug no 1 is not only that the rudder tug is in an effective position, but is able to apply steering forces to starboard as well as to port.
Regarding tug no 1 it should be kept in mind that this tug might even have an opposite effect. - 1 e 2. As explained in section 4.3.5, tug no 1 is not in a position to counteract the sheer effectively, but the position of tug no 2 is much more effective.
If the ship veers to port instead of starboard, tugs nos 1 and 2 are ineffective in braking the sheer. - 1 e 2 e 3. Although tug nos 2 and 3 are trying to stop the sheer, they will push the ship, together with the wind, into the direction of the dangerous area, while tug no 1 is pushing in a safer direction.
Towlines
| Classe | Regra da towline |
|---|---|
| DNV GL | ≥ 2× o bollard pull quando BP > 100 t (1.000 kN); fator sobe abaixo (2,1× a 80 t) |
| Bureau Veritas | 2× a força máx. de towline (ou o brake-holding do winch) para > 100 t |
SWL dos fittings do navio escoltado
| Tanker | Chock e strong-point |
|---|---|
| > 20.000 e < 50.000 dwt | mín. 100 t SWL |
| ≥ 50.000 dwt | mín. 200 t SWL |
Fittings fracos → reduzir velocidade, usar dual escort, ou manter 2º tug de prontidão. OCIMF sugere usar a SOLAS emergency towing arrangement também na escolta.
Active × passive e planejamento
- Em passive, bom lugar: ~4 pontos na proa, ~2 cabos de distância, como vigia extra.
- Regras federais dos EUA (Puget/Prince William Sound) exigem ao menos 2 tugs.
- Notações de classe: DNV GL (FS, t, v); Bureau Veritas (Txmax, Vmax, Tymax); guia ASTM (2015).
Sistema de "choice pilot": limita a escolta a poucos práticos para que a experiência se acumule mais rápido.
Requisitos de um bom escort tug (9.6.5)
EUA — OPA 90 e 33 CFR 168
| Capacidade (33 CFR 168) | Requisito |
|---|---|
| Tow | rebocar a 4 nós em calmaria e segurar contra vento de proa de 45 nós |
| Hold course | manter rumo contra leme travado a 35°, a 6 nós |
| Turn | girar o tanker 90° (leme livre, 6 nós) no mesmo advance/transfer que ele faria sozinho |
VERP (Prince William Sound): 2 escoltas dentro de ¼ nm; velocidade máx. controlável (6 nós no Valdez Narrows a 12 no Central Sound); trânsito proibido com vento > 40 nós no Narrows. Frota Edison Chouest (2018): ASD 4517 (LOA 42,7 m, BP 136 t, towline 197 t) + ASD 3212 (BP 66 t) — Figs. 9.29 e 9.28.
Europa e Estreitos Turcos
- Regras locais, sem regra fixa de bollard pull; em geral 1 escort tug, 2 se o navio não atende às recomendações OCIMF de fittings.
- Sture: escolta para crude/LPG > 20.000 grt (1 tug até 180.000 dwt, 2 acima). Southampton: oil tankers > 60.000 dwt. Sullom Voe: 2 tugs, ≤ 8 nós.
- Estreitos Turcos: escolta recomendada, não obrigatória — LNG por tugs ≥ 60 t cada, totalizando 150 t BP; LPG > 200 m LOA por tugs ≥ 90 t.