- estabilidade
- deslocamento
- potência
- força de tração estática (bollard pull)
- tipo de propulsão
- posição do(s) propulsor(es)
- posição do gato, cabeço ou guincho — o ponto de aplicação da força de tração
- forma e dimensões do casco e da superestrutura
Como o livro classifica
Critério inicial = tipo de propulsão › convencional × azimutal ou cicloidal
+ posição dos propulsores e posição do ponto de aplicação da força de tração › azimutal/cicloidal divide-se em propulsão a vante (tratores) × propulsão a ré (tratores reversos / ASD)
+ tipo de propulsão em si › cicloidal (Voith Schneider) × azimutal
| Aspecto | De um hélice | De dois ou mais hélices |
|---|---|---|
| Manobrabilidade | mais limitada; um eixo e um leme | maior, por binário entre os dois eixos + leme |
| Aproximação na proa/popa | corre riscos com muito seguimento a vante ou muita corrente; atua bem com cabo na proa em local de pouca corrente e navio em baixa velocidade | maior facilidade de aproximação, de acompanhar com cabo na proa e de mudar de bordo |
| Costado (puxa/empurra) | gasta parcela expressiva da potência só para se manter perpendicular ao costado; em alguns momentos é impossível puxar antes de aplicar substancial força empurrando para se pôr perpendicular | mais facilidade em manter-se perpendicular mesmo com pequeno seguimento ou corrente fraca — ainda assim exige "sobra" de potência bastante elevada além da exigida pelo porte do navio |
| Cabo na popa do navio, com seguimento a vante e mudança de bordo | desaconselhável e arriscado | também desaconselhável e arriscado |
| Aperfeiçoamento | O que é | Efeito principal |
|---|---|---|
| Leme de flanco | dois lemes por hélice, ante a vante do propulsor e carregados para vante, além dos tradicionais ante a ré do propulsor e carregados para ré; funcionam de forma independente dos de ré | direcionar o fluxo de água com máquina para ré → aumenta a governabilidade, sobretudo nos de dois hélices. Copiado da experiência das barcaças fluviais, principalmente nos Estados Unidos |
| Tubulão-Kort fixo | tubo fixo que envolve o hélice, organizando o fluxo de descarga | ganho na tração a vante de até 30%, mas reduz o governo → exige associação com lemes mais eficientes |
| Towmaster | grupo de lemes instalados a vante e a ré do tubulão, em conjunto com o Kort | melhoria do governo + ganho na potência a ré; sistema bastante complexo, de utilização reduzida |
| Tubulão-Kort móvel | tubulão que envolve o hélice com mobilidade controlada pelo aparelho de governo | funciona como propulsor e leme, direcionando a descarga do hélice → aumenta tração e manobrabilidade; instalação mais onerosa |
| Wing Nozzle | tubulão de pequeno comprimento e formas hidrodinâmicas especiais | leva o conceito de tubulão a navios de maior velocidade — navios-tanque e cargueiros |
| Bow-thruster / propulsão mista | propulsor embutido em túnel no costado ou — os mais eficientes — azimutal (360° de curso), retrátil ou não, colocado a vante e de potência reduzida em relação à total | aumento substancial da manobrabilidade de convencionais antigos, mas de grande potência → permite usá-los em manobras de navios de grande porte; excelentes resultados em diversos casos |
Kort — datas e nomes
Desenvolvido na década de 30 pelo alemão Ludwig Kort › difundido pela Kort Propulsion Company, da Inglaterra › a partir de 1935, quando instalado no primeiro rebocador
Qualidades ante o convencional
- controlam com segurança a aproximação com a proa ou a popa do navio em velocidade, evitando os riscos da interação;
- atuam para vante ou para ré mantendo praticamente a mesma força de tração → o puxa-empurra com volta no costado fica muito mais eficaz que com convencionais.
Denominações — o ruído
| Nome | De onde vem / a que se cola |
|---|---|
| trator | usado para qualquer rebocador de propulsão não convencional, especialmente os cicloidais |
| Schotel | nos portos brasileiros, chama-se assim qualquer azimutal — é a marca de propulsor azimutal mais encontrada no país |
| Z-peller | abreviatura de azimuth propeller; em vários portos do mundo é associado ao azimutal com propulsão a ré, por ser o modelo mais comum no Japão e em Hong Kong |
| Onde vai operar no navio | Como o trator se aproxima |
|---|---|
| cabo na popa ou no costado do navio | aproximação sempre de popa |
| cabo na proa do navio | navega no sentido normal, de proa, evitando os efeitos da interação — mesmo em alta velocidade — graças às características e à posição dos propulsores, enquanto passa ou recebe o cabo |
Discos giram em velocidade constante › a força tem intensidade e sentido controlados pela variação do ângulo de cada lâmina › conceito semelhante ao hélice de passo controlado › diferença: o posicionamento das pás é transversal à força exercida
Vantagens
- atuar para vante ou para ré com a mesma força de tração;
- a velocidade com que se alteram o sentido de aplicação e a intensidade da força — rotação do motor e das pás mantida constante durante as manobras;
- o resultado vem da mudança do ângulo das pás por processo mecânico bastante simples → resposta imediata ao comando do passadiço.
Desvantagens
- grande calado — além das lâminas há uma estrutura que protege cada propulsor e funciona como direcionador do fluxo;
- fundo do casco reto e largo → prejudica a hidrodinâmica e dificulta operar em mar aberto ou em alta velocidade;
- relação tração estática / potência do motor inferior à de outros sistemas: 0,8 no Voith Schneider contra 1,3 no tubulão-Kort móvel.
| Aspecto | Cicloidal (Voith Schneider) | Azimutal |
|---|---|---|
| Época | início dos anos 50 | a partir da década de 60 |
| Propulsor | dois conjuntos de lâminas verticais em discos giratórios | dois hélices, geralmente com tubulão, giro de 360° |
| Calado | maior | consideravelmente menor — faz diferença em áreas de pouca profundidade |
| Deslocamento e custo (construção e manutenção) | maiores, para tração estática semelhante | normalmente inferiores |
| Desempenho em velocidade | prejudicado pelo fundo reto e largo | melhor — menor resistência das obras vivas |
| Ação indireta com cabo da popa do navio | mais eficiente | menos eficiente — menor calado dos propulsores e skeg geralmente menor |
| Tração estática / potência | 0,8 | superior |
Vantagens de ter o propulsor na popa
- reduz o risco de os propulsores serem atingidos numa colisão ou num encalhe;
- calado menor que o de um trator de dimensões correspondentes;
- forma de casco mais hidrodinâmica → vantagem em mar aberto ou portos não protegidos;
- custos de manutenção mais reduzidos que os tratores — reparos nos propulsores não exigem docagem.
Com cabo da proa do navio
Recebem o cabo na sua própria proa › aproveitam a distância entre a extremidade de trabalho do rebocador (a proa) e a extremidade onde estão os propulsores (a popa) › distância ainda superior à dos tratores de porte semelhante
| Trator reverso | ASD — Azimuth Stern Drive | |
|---|---|---|
| Gato/cabeço de popa | existe, mas fica muito a ré e muito próximo dos propulsores → não é utilizado nas manobras de navios | projetado com guincho ou gato a ré a uma distância dos propulsores semelhante à do convencional → utilizável |
| Como opera | sempre com o cabo passado da sua proa | alternativamente com cabo na sua popa — funcionando aí como um convencional de dois propulsores, com o ganho de governo dos azimutais |
| Reboque pela proa do navio | dificilmente atua, seja em trechos longos dentro da área portuária, seja no reboque costeiro ou em mar aberto | flexível — compartilha as qualidades do trator reverso com as do convencional |
Trator reverso azimutal (2.2.1)
- Dois propulsores, afastados igualmente do eixo diametral — como o trator azimutal, só que localizados a ré.
- Marca identificadora: atuam sempre — no costado, com cabo na proa ou na popa do navio — com a proa como extremidade de trabalho.
- Geralmente guincho na proa → facilita a passagem do cabo e permite administrar seu comprimento conforme a manobra.
- Passando cabo para a proa do navio com seguimento: obrigados a navegar de popa → governo bastante sensível, dificultado em alta velocidade ou em portos expostos a ondas e ventos.
- Na popa podem ter guincho, cabeço ou gato, sempre muito próximos dos propulsores, dificilmente utilizados em manobra portuária; a superestrutura deixa pouco espaço de convés a ré, dificultando ainda mais o reboque costeiro ou offshore.
- Frequentes em portos do Japão e de outros portos da Ásia, onde se adequam ao tipo de manobra predominante.
Trator reverso cicloidal (2.2.2)
ASD — Azimuth Stern Drive (2.2.3)
- Dois propulsores a ré; geralmente atuam com a proa como extremidade de trabalho, como os tratores reversos.
- Diferem no posicionamento da superestrutura, no espaço de convés a ré e na posição do gato, cabeço ou guincho de popa em relação aos propulsores — nesses aspectos assemelham-se ao convencional, com comportamento semelhante trabalhando com cabo na popa.
- Formato de casco diferente do trator, com a proa mais profunda: protege os propulsores de impactos frontais, mas, pela maior resistência da água, reduz levemente a força de tração ao puxar para vante.
- Opção de construção mais comum entre os azimutais; no Brasil, a grande maioria dos azimutais recentemente construídos é ASD.
| Aspecto | SDM — Ship Docking Modules | Rebocador Rotor (Rotor Tug) |
|---|---|---|
| Concepção | 1998 | 1996; operações iniciadas em 1999 |
| Origem | sul dos Estados Unidos | Holanda |
| Propulsores | dois azimutais: um a ré e outro a vante, em lados opostos em relação ao eixo diametral | três azimutais de igual potência: dois a vante, como num trator, e um terceiro a ré, no lugar do skeg |
| Potência / tração estática | 4.000 HP; tração estática superior a 40 toneladas de bollard pull | tração estática total de 75 toneladas |
| Capacidade direcional | atua em qualquer direção aplicando 95% da força máxima | navegação lateral de até seis nós |
| Vocação | águas abrigadas e costado do navio (puxa/empurra) | área de atuação dos escort tugs |
SDM — o que o casco permite
- boca superior a 50% do comprimento; superestrutura reduzida e afastada dos bordos; defensas reforçadas em todo o costado, para facilitar o puxa/empurra.
- Puxa/empurra mantendo a posição afilada ao navio — sem perder tempo e potência para se pôr perpendicular. Vários deles trabalham hoje em portos americanos.
Rotor — o terceiro propulsor
- Pode substituir com vantagens o skeg ou, onde esse apêndice não importa, aumentar a manobrabilidade (daí a navegação lateral).
- Reação e manobra tão rápidas que obrigaram a Schottel a desenvolver um computador — master pilot — para auxiliar o mestre no controle dos propulsores (informação técnica de origem holandesa).
- Permite operar mesmo com a falha de um dos propulsores, com desempenho inferior ao normal.
- Em 2000, o rotor R/T Magic foi eleito a embarcação do ano na Holanda.
| Tipo | Posição do propulsor | Ponto de tração | Configuração ideal de uso |
|---|---|---|---|
| Convencional | fixo, longitudinal (um, dois ou mais hélices) | ante a vante do propulsor (gato de escape a ré) | reboque com cabo na proa; costado com limitações de potência |
| Trator (cicloidal ou azimutal) | a vante, dois propulsores | guincho, cabeço ou gato na popa | cabo passado da proa do navio |
| Trator reverso (azimutal ou cicloidal) | a ré — e é por o gato de popa ficar muito próximo deles que ele não é usado | a proa, sempre — extremidade mais distante dos propulsores, distância superior até à dos tratores | dificilmente reboca pela proa do navio; cabo sempre da sua própria proa. Vocação: manobra na área portuária |
| ASD | a ré, com gato/guincho de popa afastado dos propulsores | popa ou proa, alternadamente | assemelha-se ao convencional operando com cabo na popa; opção mais comum no Brasil |
| Rebocador Rotor | três azimutais: dois a vante, um a ré no lugar do skeg | flexível, conforme a manobra | escort tugs, alta manobrabilidade, inclusive navegação lateral |