🧭 MMPH · Cap.2 — Métodos de Utilização

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Fragoso & Cajaty, Rebocadores Portuários · II.12-AN · Área II do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Rebocadores são necessários em quatro situações.
  • reboque
  • atracação ou desatracação
  • auxílio no governo ou giro do navio
  • acompanhamento (escort)

As três formas de uso

cabo de reboque passado da proa ou da popa do navio no costado do navio combinação dos dois métodos

O que decide a configuraçãoincontáveis detalhes: potência do rebocador, tipo e posição do propulsor, experiência anterior com o rebocador ou com o mestre, e até preferência pessoal.
Núcleo do item II.4 do edital: a distinção entre ação direta, ação indireta, ação indireta forçada e arrasto transverso — muda o que gera a força no cabo, como o rebocador se posiciona em relação à popa do navio e em que faixa de seguimento cada modalidade rende mais.
Onde sai o caboda proa ou da popa do navio, pela buzina do centro ou por outra buzina próxima ao centro diametral do navio.
Outros nomes"Cabo Longo" ou "Método Europeu".
Primeira grande vantagem: as forças do rebocador atuam nas extremidades do navio — com o maior braço de alavanca possível —, seja para atenuar, seja para criar uma tendência transversal da proa ou da popa.
FatorRegraEfeito na manobra
Posição do ponto de aplicaçãoquanto mais próximo da extremidade (proa ou popa), maior o braço de alavancamais força útil para governar ou quebrar o seguimento
Ângulo do cabo com o eixo diametralmaior tração transversal a 90 graus com o eixo diametral do navio; cai rapidamente conforme o ângulo diminuiquanto maior a resultante perpendicular ao eixo do navio, maior a efetividade da força do rebocador
Ângulo do casco em relação à correntequanto mais afilado à corrente o rebocador, menos resistência o casco sofrever o par de regras abaixo — o sinal inverte conforme o rebocador esteja na popa ou na proa
O par que a banca inverte: com cabo na popa, maior força da corrente no casco trabalha a favor da manobra, aumentando a tração efetiva — é o princípio da ação indireta; com cabo na proa, é desejável o menor ângulo possível com a corrente, para não gastar força num sentido diferente do pretendido. Figs. 2-1 a 2-4.
Forma tradicional quando se quer rebocar navio sem propulsão. Posição mais eficiente para dar seguimento a vante, porém de efeito limitado em águas restritas e com navio sem governo.

Navio com seguimento a vante centro de giro deslocado em direção à proa redução drástica do braço de alavanca limita o resultado ao governar pelo rebocador da proa

Cabo de espringue. Enquanto houver seguimento a vante, o rebocador convencional atuando na proa não pode atuar exatamente no través — risco de se atrasar em relação ao navio e o cabo de reboque ficar de espringue.
Vedação do método: rebocador com cabo passado na proa do navio não é capaz de atuar quando se quer quebrar o seguimento a vante do navio.

Quem faz o quê nessa posição

TipoAtuação na proa do navio
Convencionalatua de um bordo ou do outro: leva a proa do navio para o cais e, após mudar de bordo, quebra essa tendência de forma razoavelmente rápida, com o navio com seguimento a vante ou parado. Aqui a passagem de um bordo para o outro não requer maiores cuidados — ao contrário do que ocorre com convencional com cabo na popa
Tratorcriado basicamente para esta posição: com os propulsores a vante, aproxima-se da proa com muita segurança e, pela diferença entre a localização das forças de propulsão e de tração, mantém excelente capacidade de governo mesmo nas situações mais adversas
Trator reversotambém pode atuar, porém sempre navegando de popa ao acompanhar o navio e recebendo ou passando o cabo da sua própria proa — qualidades próximas às dos tratores
ASDopta: cabo no gato da popa → comporta-se como convencional; ou cabo do guincho ou cabeço na proa → atua como trator reverso
Apesar da maior segurança, a performance dos tratores (azimutais ou cicloidais) com cabo na proa é inferior à dos convencionais quando o navio tem velocidade acentuada para vante e se pretende criar uma tendência para um dos bordos (fig. 2.6).
Propulsão a ré (ASD ou convencional)Trator
Como se comporta ao puxargira sobre o ponto de aplicação da força (gato ou cabeço) e aproxima seu rumo ao rumo do navio enquanto puxapuxa alinhado com o cabo de reboque
Resistência da águareduz a resistência no seu costadooferece grande resistência lateral, acentuada pelo skeg ou pelas pás verticais, se cicloidal
Consequência no ângulo do caboaumenta o ângulo do cabo em relação ao eixo diametral do navioé obrigado a orientar os propulsores para vencer essa resistênciasubtrai parte da tração no sentido desejado → o ângulo do cabo fica menor
Tração efetivamais eficientemenos eficiente
A diferença de tração efetiva entre os dois tipos diminui conforme cai a velocidade longitudinal do navio, anulando-se com velocidades inferiores a dois nós. Figs. 2-5 e 2-6.
Melhor ponto de aplicação da força quando se quer manobrar navio com problemas de governo. Utilização clássica dos azimutais ou cicloidais com propulsão a ré.

Navio com seguimento a vante centro de giro desloca-se para a proa aumento do braço de alavanca na direção da popa o rebocador com cabo na popa muda a direção do navio com maior facilidade — comprovado em experiências práticas para determinar o melhor método de acompanhamento (escort tug)

Convencional na popa — configuração de dois cabos

  • Usada no Canal do Panamá e em outros portos, como Miami: o convencional segue afastado da popa e recebe em sua proa dois cabos que saem das buzinas mais próximas das alhetas de bombordo e boreste do navio.
  • Para atuar, o rebocador entra para o lado contrário ao que se quer guinar o navio: para guinar o navio a bombordo, o rebocador da popa dá máquina com o leme a boreste e, nesse momento, porta pelo cabo que sai da buzina de bombordo, guinando o navio para esse lado.
  • Manobra semelhante à ação indireta forçada dos azimutais. Muito raramente utilizada no Brasil — a preferência é por dois rebocadores de cabo passado na popa, um por cada bordo do navio.
Trocar de bordo com cabo no gato, na popa — principal dificuldade do convencional nessa posição. Ele precisa fazer um giro para passar de um bordo a outro, ficando por algum tempo com rumo diametralmente oposto ao do navio (fig. 2.10). Se portar pelo cabo nesse momento crítico — navio com muito seguimento a vante ou corrente muito forte — há grande chance de o cabo partir ou de o rebocador emborcar. Daí a recomendação, quando necessário, de dois rebocadores na popa para governar navios com restrição de governo, cada um atuando por um bordo. Figs. 2-7 a 2-11.
Não convencional na popacicloidal ou azimutal com cabo da popa do navio tem excelente atuação: por construção, passa de um bordo para o outro, governa (pelo braço de alavanca) e quebra o seguimento com eficiência, rapidez e grande segurança. O trator nessa posição — não é a sua melhor utilização — irá navegar de popa e atuar de forma muito semelhante aos tratores reversos.
Em algumas dessas formas de trabalho na popa, o rebocador não convencional aplica força superior ao seu próprio bollard pull.
ModalidadeO que gera a forçaComo o rebocador se posicionaQuando é mais eficiente
Ação diretatração pura da máquina do rebocadorprolonga o cabo, levando a extremidade livre na direção em que se quer a forçanavio parado ou em baixa velocidade
Ação indiretapressão da água no casco do rebocador, como um esqui aquáticoextremidade de trabalho na direção da força; cabo a cerca de 45° da linha de centro; casco a até 30° da águaquanto maior o seguimento do navio, mais eficiente
Ação indireta forçadacombinação da resistência da água no casco com a força da máquinaabre ângulo como na indireta e força sobre o cabo, podendo chegar a 90° com a linha diametralvelocidades moderadas, entre 3 e 7 nós
Arrasto transversoparede de água formada pelos propulsores direcionados transversalmente para forapropulsores para fora até o navio cair abaixo de 4 nós, quando voltam progressivamente para vanteemergência, para quebrar o seguimento com o navio ainda em alta velocidade
Vocabulário-chaveextremidade de trabalho = onde se localiza o ponto de aplicação da força de tração (proa ou popa), conforme as características do rebocador. A outra é a extremidade livre.
A forma mais "natural" e a mais utilizada: o rebocador simplesmente puxa, prolongando o cabo e levando sua extremidade livre na direção em que se quer a aplicação da força.
  • Serve para governar, para quebrar o seguimento e para criar ou reduzir uma tendência do navio para um dos bordos.
  • Ao aumentar a velocidade do navio, o rebocador levará mais tempo para se posicionar e atuar em cada um dos bordos quando se quer governar.
  • Normalmente o método mais utilizado com navios parados ou em baixa velocidade. Figs. 2-12 e 2-13.
Inversão que a banca cobra: ao contrário da direta, na indireta é a extremidade de trabalho do rebocador que é colocada na direção em que se quer a força atuando (na direta é a extremidade livre).

Como um esqui aquático o rebocador vai para o bordo desejado cabo fazendo aproximadamente 45° com a linha de centro do navio casco do rebocador com pequeno ângulo em relação à água, no máximo 30°

Nessa configuração, a força gerada pela pressão da água no casco é proporcional à velocidade do navio, chegando a ser maior que duas vezes o bollard pull do rebocador quando a velocidade se aproxima de 10 nós (testes).
Regra do cruzamentoindireta = mais eficiente quanto maior o seguimento do navio; inversamente, com navio parado ou com pouco seguimento, a ação direta é mais eficiente. O gráfico da Voith mostra que, em velocidades maiores, a força na indireta passa a ser mais efetiva que na direta. Figs. 2-14 e 2-16.
Variação da ação indireta para velocidades mais moderadas. Combina a força obtida pela resistência da água no casco do rebocador com a força gerada por sua máquina.

Abre um ângulo em relação à popa, como faria na indireta dá máquina forçando sobre o cabo com a extremidade de trabalho direcionada para onde se deseja a força atuando

Ângulo máximodependendo da velocidade do navio, o rebocador pode abrir até o cabo fazer 90° com a linha diametral do navio — assim, toda a força gerada atua para governar o navio.
Testes: entre 3 e 7 nós, as forças no cabo foram ainda maiores que na ação indiretasuperiores a 2,5 vezes o bollard pull do rebocador.
Manobra muito pouco intuitiva e pouco conhecida, para quebrar o seguimento a vante com rebocador azimutal e cabo passado na popa do navio.
Manobra tradicionalArrasto transverso
Direção dos propulsorespara vante, com toda a forçatransversalmente para fora
Transiçãoquando a velocidade cai para menos de 4 nós, os propulsores vão sendo direcionados progressivamente para vante até a configuração tradicional
Mecanismo (acredita-se)a parede de água criada em cada lado do rebocador diminui a velocidade do navio.
Sobrecarga na reversão de emergência. Tentar reverter a máquina do rebocador para uma parada de emergência (crash-stop) em navios com velocidades acima de 8 nós certamente sobrecarrega os motores — é exatamente essa sobrecarga que o arrasto transverso evita. Fig. 2-18.
ModalidadeFaixa de velocidade do navioForça no cabo observada
Ação indiretaaproximando-se de 10 nósmaior que o bollard pull
Ação indireta forçadaentre 3 e 7 nóssuperior a 2,5× o bollard pull
Arrasto transverso — valor teórico dos fabricantesalta velocidade, uso de emergênciamaior que o bollard pull
Arrasto transverso — experiências reais nos EUA1,5× o bollard pull
Outros nomes"método americano", "puxa-empurra", "push-pull", "cabo curto" e "no poço".
É o método em que os rebocadores mudam, em menor tempo, a atuação de "puxa" para "empurra" — basta inverter as máquinas, sem mudar de posição em relação ao navio. Excelente para levar o navio lateralmente.
Custo do método: ao livrar o delgado do navio, os rebocadores têm de se afastar da proa/popadiminui o braço de alavanca e a eficácia da força. Essa perda pode ser compensada pela rapidez na atuação.
Efeito coanda. A corrente de descarga do rebocador, despejada contra o costado do navio a curta distância, perde efetividade e pode produzir uma força em sentido diferente do desejado quando o rebocador puxa. A tração efetiva pode ser reduzida substancialmente.

A dificuldade do convencional no costado

Região de corrente acentuada o convencional tem dificuldade em manter posição transversal ao navio com seguimento ou corrente consegue manter com máquina e leme ao empurrar (gastando parte da força nisso) ao parar a máquina — ou, pior, ao reverter para puxartende a afilar ao navio fica incapacitado de gerar força lateral para guinar, afastar ou aproximar o navio do cais

Agrava-se ao puxar, porque a força do convencional com máquina para ré já é reduzida em comparação com a produzida para vante. Nada impede, porém, que esse mesmo rebocador aplique a qualquer momento uma força longitudinal, dando seguimento a vante ou a ré.

Cabo auxiliar (portos americanos)

  • Vem da popa do rebocador convencional e é passado no costado do navio para vante ou para ré da posição onde tem volta o cabo principal — que é passado da proa do rebocador —, conforme o sentido do movimento do navio.
  • Permite ao rebocador permanecer perpendicular ao costado sem usar máquina e leme, o que é particularmente útil quando é necessário puxar.
  • Sai normalmente de um guincho instalado especialmente para essa finalidade: encurta o cabo quando a ação perpendicular é necessária; folga quando o navio tem muito seguimento e o rebocador acompanha afilado com o costado. Fig. 2-20.
Azimutais/cicloidaissuperam as duas dificuldades: o posicionamento perpendicular ao costado e a pouca força a ré dos convencionais.
Com rebocadores no costado e navio com seguimento a vante, a eficácia depende do bordo de posicionamento deles: o giro é muito mais fácil se for na mesma direção do bordo onde os rebocadores estão.
Giro para o mesmo bordo do posicionamentoGiro para o bordo oposto
Rebocador de vantepuxa, somando sua tração ao próprio efeito da sua resistência à águamesmo sem conseguir ficar perpendicular ao costadoa não ser que consiga ficar perpendicular — difícil em velocidade elevada —, parte da força empurrando vira mais velocidade para o navio, dificultando ainda mais a ação no sentido do giro
Rebocador de aplica quase toda a sua força empurrando, mesmo sendo convencional, com melhor aproveitamento pelo braço de alavancadeve atuar puxando perpendicularmente — com a soma do seguimento a vante do navio e do movimento transversal do giro, isso só é possível com azimutais ou cicloidais
Resistência à água dos doistrabalha a favora posição de ambos oferece resistência que provoca tendência exatamente contrária à desejada
Com o navio com seguimento a ré, valem os mesmos argumentos, mas as condições se invertem. Teoria comprovada pela experiência com o navio Baytown.
Recomendação do autor: para aproveitar o máximo do braço de alavanca — e da força dos rebocadores — o ideal é que estejam de cabo passado na proa e na popa do navio. A configuração push-pull deve ser usada quando há potência de reserva nos rebocadores, principalmente em manobras com giro. Fig. 2-19.
ElementoDado
NavioBaytown57.720 toneladas de dwt, calado de 33 pés
Rebocadorconvencional de dois eixos Califórnia, de 7.200 HP
Condição do testemáquina parada, navio a 5 nós, leme a meio; vento de 25 nós por bombordo
Objetivo, nos três casosguinar o navio para boreste

As três posições de amarração e o resultado

Posição do rebocadorGuinada
No costado a vante, por bombordo3° por minuto inicialmente; o máximo que conseguia abrir em relação ao navio era 30° → parte da força gerava mais seguimento a vante. Após a velocidade subir para 5,6 nós, e mesmo continuando a empurrar com toda a força, o navio parou de guinar para boreste e começou a guinar para bombordo
No costado a ré, por boreste12° por minuto
Com cabo passado na popa24° por minuto
Resultado do costado a vante: surpreendente, mas amplamente aceito pela comunidade marítima e comprovado por modelações matemáticas. O teste foi descrito em dois periódicos especializados e gerou debates quanto às explicações teóricas, especialmente no caso do rebocador atuando na proa.
Posição do cabo no navioConvencionalTratorTrator reverso
Cabo passado na proaBomÓtimoBom
Cabo passado na popaRuimBomÓtimo
Costado sem correnteRegularÓtimoÓtimo
Costado com correnteRuimÓtimoÓtimo
Convenção da tabela: o ASD foi tratado como trator reverso quando trabalhando com cabo no guincho da proa, e como convencional na situação inversa. É um guia genérico da melhor utilização teórica — performance e segurança.

Leitura por tipo

  • Convencionais: bem com cabo na proa, mas com riscos de interação e de atraso do rebocador em relação ao seguimento a vante; razoáveis no costado desde que o navio tenha pouco seguimento e/ou não haja corrente acentuada — lembrando que a força para puxar nunca corresponde à obtida empurrando e que o costado é menos eficiente que as extremidades, por redução do braço de alavanca.
  • Azimutais/cicloidais: muito melhores que os convencionais no costado, excepcionais desde que haja potência de reserva para compensar a diminuição do braço de alavanca.
  • Tratores reversos e ASDs: perfeitos para trabalhar com cabo passado na popa do navio.
  • Tratores: muito mais seguros que os convencionais para atuar com cabo na proa, porém menos eficientes que eles quando o navio tem maior seguimento para vante.
  • ASDs com cabo da proa do navio e volta no gato de ré: eficiência igual à dos convencionais — e correndo os mesmos riscos.

Preferências entre práticos

Europeus × americanospreferência conhecida por cabo passado e por costado, respectivamente.
Quem trabalha habitualmente…… aponta como pior deficiência do convencional
com o convencional no costadofalta de potência na máquina a ré
com o convencional de cabo passadorisco de estabilidade
Não há resposta única sobre a maior deficiência do convencional — por isso o livro apresenta sempre a matéria contemplando os dois métodos, "americano" e "europeu", e o leitor pode encontrar pontos de discordância sem que uma das partes esteja errada.