- reboque
- atracação ou desatracação
- auxílio no governo ou giro do navio
- acompanhamento (escort)
As três formas de uso
cabo de reboque passado da proa ou da popa do navio › no costado do navio › combinação dos dois métodos
| Fator | Regra | Efeito na manobra |
|---|---|---|
| Posição do ponto de aplicação | quanto mais próximo da extremidade (proa ou popa), maior o braço de alavanca | mais força útil para governar ou quebrar o seguimento |
| Ângulo do cabo com o eixo diametral | maior tração transversal a 90 graus com o eixo diametral do navio; cai rapidamente conforme o ângulo diminui | quanto maior a resultante perpendicular ao eixo do navio, maior a efetividade da força do rebocador |
| Ângulo do casco em relação à corrente | quanto mais afilado à corrente o rebocador, menos resistência o casco sofre | ver o par de regras abaixo — o sinal inverte conforme o rebocador esteja na popa ou na proa |
Navio com seguimento a vante › centro de giro deslocado em direção à proa › redução drástica do braço de alavanca › limita o resultado ao governar pelo rebocador da proa
Quem faz o quê nessa posição
| Tipo | Atuação na proa do navio |
|---|---|
| Convencional | atua de um bordo ou do outro: leva a proa do navio para o cais e, após mudar de bordo, quebra essa tendência de forma razoavelmente rápida, com o navio com seguimento a vante ou parado. Aqui a passagem de um bordo para o outro não requer maiores cuidados — ao contrário do que ocorre com convencional com cabo na popa |
| Trator | criado basicamente para esta posição: com os propulsores a vante, aproxima-se da proa com muita segurança e, pela diferença entre a localização das forças de propulsão e de tração, mantém excelente capacidade de governo mesmo nas situações mais adversas |
| Trator reverso | também pode atuar, porém sempre navegando de popa ao acompanhar o navio e recebendo ou passando o cabo da sua própria proa — qualidades próximas às dos tratores |
| ASD | opta: cabo no gato da popa → comporta-se como convencional; ou cabo do guincho ou cabeço na proa → atua como trator reverso |
| Propulsão a ré (ASD ou convencional) | Trator | |
|---|---|---|
| Como se comporta ao puxar | gira sobre o ponto de aplicação da força (gato ou cabeço) e aproxima seu rumo ao rumo do navio enquanto puxa | puxa alinhado com o cabo de reboque |
| Resistência da água | reduz a resistência no seu costado | oferece grande resistência lateral, acentuada pelo skeg ou pelas pás verticais, se cicloidal |
| Consequência no ângulo do cabo | aumenta o ângulo do cabo em relação ao eixo diametral do navio | é obrigado a orientar os propulsores para vencer essa resistência → subtrai parte da tração no sentido desejado → o ângulo do cabo fica menor |
| Tração efetiva | mais eficiente | menos eficiente |
Navio com seguimento a vante › centro de giro desloca-se para a proa › aumento do braço de alavanca na direção da popa › o rebocador com cabo na popa muda a direção do navio com maior facilidade — comprovado em experiências práticas para determinar o melhor método de acompanhamento (escort tug)
Convencional na popa — configuração de dois cabos
- Usada no Canal do Panamá e em outros portos, como Miami: o convencional segue afastado da popa e recebe em sua proa dois cabos que saem das buzinas mais próximas das alhetas de bombordo e boreste do navio.
- Para atuar, o rebocador entra para o lado contrário ao que se quer guinar o navio: para guinar o navio a bombordo, o rebocador da popa dá máquina com o leme a boreste e, nesse momento, porta pelo cabo que sai da buzina de bombordo, guinando o navio para esse lado.
- Manobra semelhante à ação indireta forçada dos azimutais. Muito raramente utilizada no Brasil — a preferência é por dois rebocadores de cabo passado na popa, um por cada bordo do navio.
| Modalidade | O que gera a força | Como o rebocador se posiciona | Quando é mais eficiente |
|---|---|---|---|
| Ação direta | tração pura da máquina do rebocador | prolonga o cabo, levando a extremidade livre na direção em que se quer a força | navio parado ou em baixa velocidade |
| Ação indireta | pressão da água no casco do rebocador, como um esqui aquático | extremidade de trabalho na direção da força; cabo a cerca de 45° da linha de centro; casco a até 30° da água | quanto maior o seguimento do navio, mais eficiente |
| Ação indireta forçada | combinação da resistência da água no casco com a força da máquina | abre ângulo como na indireta e força sobre o cabo, podendo chegar a 90° com a linha diametral | velocidades moderadas, entre 3 e 7 nós |
| Arrasto transverso | parede de água formada pelos propulsores direcionados transversalmente para fora | propulsores para fora até o navio cair abaixo de 4 nós, quando voltam progressivamente para vante | emergência, para quebrar o seguimento com o navio ainda em alta velocidade |
- Serve para governar, para quebrar o seguimento e para criar ou reduzir uma tendência do navio para um dos bordos.
- Ao aumentar a velocidade do navio, o rebocador levará mais tempo para se posicionar e atuar em cada um dos bordos quando se quer governar.
- Normalmente o método mais utilizado com navios parados ou em baixa velocidade. Figs. 2-12 e 2-13.
Como um esqui aquático › o rebocador vai para o bordo desejado › cabo fazendo aproximadamente 45° com a linha de centro do navio › casco do rebocador com pequeno ângulo em relação à água, no máximo 30°
Abre um ângulo em relação à popa, como faria na indireta › dá máquina forçando sobre o cabo › com a extremidade de trabalho direcionada para onde se deseja a força atuando
| Manobra tradicional | Arrasto transverso | |
|---|---|---|
| Direção dos propulsores | para vante, com toda a força | transversalmente para fora |
| Transição | — | quando a velocidade cai para menos de 4 nós, os propulsores vão sendo direcionados progressivamente para vante até a configuração tradicional |
| Modalidade | Faixa de velocidade do navio | Força no cabo observada |
|---|---|---|
| Ação indireta | aproximando-se de 10 nós | maior que 2× o bollard pull |
| Ação indireta forçada | entre 3 e 7 nós | superior a 2,5× o bollard pull |
| Arrasto transverso — valor teórico dos fabricantes | alta velocidade, uso de emergência | maior que 2× o bollard pull |
| Arrasto transverso — experiências reais nos EUA | — | 1,5× o bollard pull |
A dificuldade do convencional no costado
Região de corrente acentuada › o convencional tem dificuldade em manter posição transversal ao navio com seguimento ou corrente › consegue manter com máquina e leme ao empurrar (gastando parte da força nisso) › ao parar a máquina — ou, pior, ao reverter para puxar — tende a afilar ao navio › fica incapacitado de gerar força lateral para guinar, afastar ou aproximar o navio do cais
Cabo auxiliar (portos americanos)
- Vem da popa do rebocador convencional e é passado no costado do navio para vante ou para ré da posição onde tem volta o cabo principal — que é passado da proa do rebocador —, conforme o sentido do movimento do navio.
- Permite ao rebocador permanecer perpendicular ao costado sem usar máquina e leme, o que é particularmente útil quando é necessário puxar.
- Sai normalmente de um guincho instalado especialmente para essa finalidade: encurta o cabo quando a ação perpendicular é necessária; folga quando o navio tem muito seguimento e o rebocador acompanha afilado com o costado. Fig. 2-20.
| Giro para o mesmo bordo do posicionamento | Giro para o bordo oposto | |
|---|---|---|
| Rebocador de vante | puxa, somando sua tração ao próprio efeito da sua resistência à água — mesmo sem conseguir ficar perpendicular ao costado | a não ser que consiga ficar perpendicular — difícil em velocidade elevada —, parte da força empurrando vira mais velocidade para o navio, dificultando ainda mais a ação no sentido do giro |
| Rebocador de ré | aplica quase toda a sua força empurrando, mesmo sendo convencional, com melhor aproveitamento pelo braço de alavanca | deve atuar puxando perpendicularmente — com a soma do seguimento a vante do navio e do movimento transversal do giro, isso só é possível com azimutais ou cicloidais |
| Resistência à água dos dois | trabalha a favor | a posição de ambos oferece resistência que provoca tendência exatamente contrária à desejada |
| Elemento | Dado |
|---|---|
| Navio | Baytown — 57.720 toneladas de dwt, calado de 33 pés |
| Rebocador | convencional de dois eixos Califórnia, de 7.200 HP |
| Condição do teste | máquina parada, navio a 5 nós, leme a meio; vento de 25 nós por bombordo |
| Objetivo, nos três casos | guinar o navio para boreste |
As três posições de amarração e o resultado
| Posição do rebocador | Guinada |
|---|---|
| No costado a vante, por bombordo | 3° por minuto inicialmente; o máximo que conseguia abrir em relação ao navio era 30° → parte da força gerava mais seguimento a vante. Após a velocidade subir para 5,6 nós, e mesmo continuando a empurrar com toda a força, o navio parou de guinar para boreste e começou a guinar para bombordo |
| No costado a ré, por boreste | 12° por minuto |
| Com cabo passado na popa | 24° por minuto |
| Posição do cabo no navio | Convencional | Trator | Trator reverso |
|---|---|---|---|
| Cabo passado na proa | Bom | Ótimo | Bom |
| Cabo passado na popa | Ruim | Bom | Ótimo |
| Costado sem corrente | Regular | Ótimo | Ótimo |
| Costado com corrente | Ruim | Ótimo | Ótimo |
Leitura por tipo
- Convencionais: bem com cabo na proa, mas com riscos de interação e de atraso do rebocador em relação ao seguimento a vante; razoáveis no costado desde que o navio tenha pouco seguimento e/ou não haja corrente acentuada — lembrando que a força para puxar nunca corresponde à obtida empurrando e que o costado é menos eficiente que as extremidades, por redução do braço de alavanca.
- Azimutais/cicloidais: muito melhores que os convencionais no costado, excepcionais desde que haja potência de reserva para compensar a diminuição do braço de alavanca.
- Tratores reversos e ASDs: perfeitos para trabalhar com cabo passado na popa do navio.
- Tratores: muito mais seguros que os convencionais para atuar com cabo na proa, porém menos eficientes que eles quando o navio tem maior seguimento para vante.
- ASDs com cabo da proa do navio e volta no gato de ré: eficiência igual à dos convencionais — e correndo os mesmos riscos.
Preferências entre práticos
| Quem trabalha habitualmente… | … aponta como pior deficiência do convencional |
|---|---|
| com o convencional no costado | falta de potência na máquina a ré |
| com o convencional de cabo passado | risco de estabilidade |