| Entram no cálculo — características do navio | Entram no cálculo — condições locais |
|---|---|
| deslocamento · calado · área de obras vivas · área de obras mortas | intensidade e direção do vento · intensidade e direção da corrente · características das vagas · profundidade |
As duas ressalvas do teste
- O teste é de tração estática: ponto fixo, comprimento e ângulo do cabo ideais, tempo sempre bom, sem vento forte nem corrente — condição quase impossível de repetir numa manobra real.
- A regra do teste exige a tração mantida por certo tempo, mas isso não significa que o rebocador produza aquela potência indefinidamente.
| Desconto | Quanto | Por quê |
|---|---|---|
| Consenso da literatura especializada | considerar apenas 80% da força de tração estática de teste | é o que é efetivamente aplicável durante a manobra |
| Corrente de descarga contra o navio, com volta no costado | praxe descontar 20% da força de tração estática | efeito da descarga do rebocador sobre o costado do navio |
| Convencional com volta no costado, puxando para ré | aproximadamente metade da força declarada | o teste é feito, em geral, com o rebocador puxando para vante — salvo se o próprio teste já tiver avaliado a força para ré |
| Fórmula | Expressão | Quando usar |
|---|---|---|
| 1 | Bollard pull em ton força = 40 + (0,00001 . Deslocamento . 60) | fórmula geral; o menor valor que produz já é superior a 40 tf, o que pode ser demasiado para navio de pequeno deslocamento |
| 2 | Bollard pull em ton força = deslocamento / 1.000 | navios menores, abaixo de 100.000 t de deslocamento — melhores resultados que a fórmula 1 |
- Ventos com ângulo de incidência próximo da normal ao eixo longitudinal têm efeitos muito superiores aos que incidem longitudinalmente.
- Quanto menor o calado ou maior a borda livre, maior a força sobre o costado.
- Navios de grande área vélica, como os Roll on-Roll off, são muito mais suscetíveis que um navio-tanque ou graneleiro (Fig. 3-1).
- Entre navios de mesma área vélica, o de maior calado sofre menos — pela resistência ao abatimento oferecida pela água contra as obras vivas.
As três possibilidades de incidência
| # | Força | Definição |
|---|---|---|
| 1 | vento lateral | assim considerado o de ângulo de incidência inferior a trinta graus em relação à normal |
| 2 | vento longitudinal | de proa ou popa |
| 3 | força de torção | maior efeito com ventos que incidem na bochecha ou aleta do navio; varia com o formato do navio e com o trim |
Flat = 0,5 . Clat . r . V2 . Alat › Flat = força lateral em ton força › Clat = coeficiente de força do vento lateral › r = densidade do ar (0,00128 ton/m³) › V = velocidade do vento em m/seg › Alat = área longitudinal em m²
| Origem | Expressão | Observação |
|---|---|---|
| Fórmula geral | Flat = 0,5 . Clat . r . V2 . Alat | Clat entre 0,08 e 0,10; r = 0,00128 ton/m³ |
| Fórmula sueca | Flat = (área em m² . V2) / (1000 . 18), o que equivale a Flat = 0,00005556 . área em m² . V2 | fator empírico 18; V em m/seg |
| Simplificada (+25% de segurança) | Total de bollard pull necessário = 0,00008 . área em m² . V2 | para rebocadores com cabo nas extremidades do navio |
Efeitos conhecidos da pouca folga sob a quilha
- prejuízo no governo
- redução da velocidade de giro
- aumento do diâmetro tático e do avanço
- aumento do tempo necessário para parar o navio
As três situações de incidência
| # | Situação | Definição |
|---|---|---|
| 1 | transversal | corrente incidindo perpendicularmente ao plano diametral do navio, ou em ângulos inferiores a trinta graus em relação à normal |
| 2 | longitudinal | corrente incidindo de proa ou popa |
| 3 | força de torção | produzida principalmente por corrente incidindo na direção das aletas ou bochechas, ou pelas diferenças de formato das obras vivas a vante e a ré |
Fcl = 0,5 . Cfcl . r . V2 . Lbp . T › Fcl = força da corrente lateral em ton força › Cfcl = coeficiente da força da corrente lateral (depende da razão folga sob a quilha/calado) › r = densidade da água em ton/m³ › V = velocidade da corrente em m/s › Lbp = comprimento entre perpendiculares em metros › T = calado em metros
| Condição | Cfcl (OCIMF) | Fórmula resultante (água salgada 1,025 ton/m³) |
|---|---|---|
| Águas profundas — folga sob a quilha maior que seis vezes o calado | 0,06 | Fcl em ton força = 0,031 . V2 . Lbp . T |
| Folga sob a quilha menor que 10% do calado | 0,29 | Fcl em ton força = 0,150 . V2 . Lbp . T |
Principais efeitos negativos nos portos brasileiros
- Em condições de tempo extremas, especialmente em navios com pouca carga, força de torção capaz de provocar choques com velocidade superior à suportável pelas defensas, com danos ao navio e ao cais.
- Os cabeceios podem provocar a quebra dos cabos de reboque, o que pode redundar em acidente grave.
Fondas em ton força = 0,112 . L . Hs2 (Hensen) › L = comprimento entre perpendiculares em metros › Hs = altura das ondas medida do cavado à crista, em metros
| Ex. | Navio (Cb) | Deslocamento | Vento / corrente | Cálculo determinante | BP necessário |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | ULCC (0,85) | 420.000 t | inexistentes | deslocamento (fórmula 1): 40+(0,00001 . 420000 . 60) | 292 tf |
| 2 | VLCC (0,84) | 335.000 t | corrente lateral 1,00 m/s, águas profundas | deslocamento = 241 tf; Fcl = 0,031 . 321 . 20,5 (+25%) = 255 tf — corrente prevalece | 255 tf |
| 3 | Navio-tanque (0,82) | 186.000 t | vento lateral 20 m/s + corrente lateral 1,5 m/s (mesmo sentido), folga 10% do calado | deslocamento = 152 tf; Flat = 0,00008 . 270 . 8 . 400 = 69 tf; Fcl = 0,15 . 2,25 . 270 . 16,9 (+25%) = 1.925 tf; soma vento+corrente = 1.994 tf | 1.994 tf — manobra impraticável nessas condições |
| 4 | Graneleiro (0,84) | 179.000 t | corrente longitudinal 1,0 m/s, folga 10% do calado | deslocamento = 147 tf; Fd = 0,15 . 44 . 17,5 (+25%) = 145 tf — deslocamento prevalece; se o navio girar em frente ao berço, a corrente incide perpendicular em parte do giro = 906 tf | 147 tf |
| 5 | Porta-contêineres (0,65) | 65.000 t | vento lateral 15 m/s + corrente lateral 0,5 m/s (sentido oposto) | deslocamento (fórmula 2) = 65 tf; Flat = 0,00008 . 247 . (10+7) . 225 = 76 tf; Fcl = 0,15 . 0,25 . 247 . 12,5 (+25%) = 145 tf; Flat+cl = 145−76 = 69 tf | 69 tf |
| 6 | Porta-contêineres (0,63) | 40.500 t | vento lateral 18 m/s, corrente inexistente | deslocamento (fórmula 2) = 40,5 tf; Flat = 0,00008 . 200 . (10+6,30) . 324 = 84 tf — vento prevalece | 84 tf |
| 7 | Ro-Ro (0,75) | 41.000 t | vento lateral 10 m/s | deslocamento (fórmula 2) = 41 tf; Flat = 0,00008 . 200 . 33 . 100 = 53 tf — vento prevalece | 53 tf |
O que ficou de fora dos exemplos
- A influência das ondas — por sua pouca expressão diante dos demais efeitos.
- A massa hidrodinâmica avaliada isoladamente — a massa de água arrastada junto ao costado quando o navio se move lateralmente, que se soma ao deslocamento no momento de parar o movimento transversal. Importante para o dimensionamento de defensas, é pouco considerada na definição do bollard pull: testes indicam que, com folga sob a quilha muito reduzida, pode alcançar até 100% do deslocamento — mas normalmente fica bem mais baixa (menos de 20%) e é facilmente compensada pelos fatores de segurança das fórmulas.
| Limite | Por quê |
|---|---|
| Menos de dois | insuficientes para manobra segura, considerando o porte dos navios mercantes atuais — salvo se o navio tiver recursos adicionais como side-thrusters ou lemes especiais |
| Mais de seis | mesmo num ULCC, o bollard pull efetivo aplicado fica inferior ao que teoricamente somam: dificuldade de otimizar as posições de cada um para produzir um binário eficaz — tanto quanto ao ponto ideal de aplicação da força quanto ao sincronismo das atuações |
| Deslocamento do navio | Número usual de rebocadores (padrão médio internacional) |
|---|---|
| Menos de 80.000 t | 2 ou 3 |
| Entre 80.000 t e 200.000 t | 3 |
| Mais de 200.000 t | 4 a 6 |
Thrusters, lemes especiais e o leme carregado
- Navios com side-thrusters geralmente dispensam pelo menos um rebocador nas manobras de atracação e desatracação — não é normal dispensar rebocadores em manobras de acompanhamento.
- Os equipados com lemes especiais também podem dispensar um rebocador, conforme a manobra. Ainda assim, é comum utilizar pelo menos um, mesmo que permaneça apenas stand by.
- Não se considera como parte do bollard pull disponível a força do hélice do navio sobre o leme totalmente carregado para um bordo: embora possa superar, em vários navios, o bollard pull de um rebocador, ela decompõe-se em componente lateral e longitudinal — este dá seguimento ao navio; por isso práticos e comandantes só a usam em emergência, quando a ação dos rebocadores não basta para levar a popa à direção desejada.
| Método europeu | Método americano | |
|---|---|---|
| Como opera | rebocadores com cabo nas extremidades do navio | operação push/pull no costado do navio |
| Com apenas dois rebocadores | impõe embarcações de apoio para a passagem de cabos, especialmente em navios maiores ou com vento/corrente significativos | essas dificuldades ficam superadas |
| Limitação na aproximação | puxam o navio até certo ponto, mas precisam parar e mudar de bordo quando a distância ao cais fica menor que o comprimento dos cabos, passando a controlar a velocidade de aproximação às defensas — havendo força contrária, o navio pode nem chegar a encostar | — |
| Acréscimo ao bollard pull calculado | — | até 20% se os rebocadores forem azimutais ou cicloidais (perda de eficiência no costado); mais de 50% se forem convencionais (compensando a redução do bollard pull puxando para ré) |
- Onde o uso de rebocadores fosse obrigatório, os parâmetros da tabela eram os mínimos necessários, podendo o comandante usar recursos superiores.
- Havendo bow ou stern thruster, descontava-se do total previsto um valor correspondente ao dobro da potência nominal dos thrusters dividido por 100.
As quatro críticas dos autores
- Os valores propostos eram bastante inferiores aos praticados em outros países e mesmo em tabelas de portos e terminais brasileiros.
- Não ficava claro se o porte bruto considerado era o do momento da manobra ou o de verão.
- A tabela permitia um único rebocador para navios até 30.000 t de porte bruto — surpreendente para um Ro-Ro desse porte, que chega a 230 metros de comprimento.
- Não se encontrou na literatura técnica nenhuma outra referência que justificasse descontar duas vezes o bollard pull dos thrusters — o normal é descontar, no máximo, o valor do bollard pull correspondente ao thruster.
A segurança vem em primeiro lugar › mas o custo influencia as decisões a bordo › não fosse assim, o padrão seria o maior número possível de rebocadores da maior capacidade › custos insuportáveis para o comércio marítimo
Conhecer a forma de cobrança
- Se a manobra é cobrada pelo tempo à disposição: o comandante deve saber dispensar os rebocadores tão logo o uso se torne desnecessário.
- Havendo preço diferenciado por tipo de operação — com cabo passado, empurrando no costado sem cabo, acompanhando sem cabo etc. —, considerar a diferença ao definir o posicionamento, buscando o melhor uso pelo menor custo.
Comprimento do cabo
| Cabo longo | Cabo muito curto |
|---|---|
| maior capacidade de resistir às lupadas e menor ângulo em relação à horizontal → melhor resultado na aplicação da força de tração | parte substancial da força se perde pelo efeito da corrente de descarga do rebocador contra o costado |
Cabo do rebocador e fator de segurança
- Cabo do rebocador é substancialmente mais confiável: dimensionado para aquele rebocador específico, considerando potência, força de tração e características de manobra; saindo de um guincho, melhor ainda — permite administrar o comprimento conforme a necessidade.
- Internacionalmente, os fatores de segurança da resistência dos cabos variam entre duas e seis vezes o bollard pull; o normalmente praticado é de quatro vezes o bollard pull — razoável, já que cargas superiores a duas vezes o bollard pull são frequentemente verificadas nas manobras.
- Cabos de aço submetidos a carga de dois terços da carga de ruptura deformam-se de forma definitiva → fatores inferiores a quatro vezes o bollard pull são inaceitáveis para esse material.
O que quebra — e o que passou a quebrar
- Cabos do rebocador: empresas e guarnições cuidam da manutenção, com rodízio planejado das partes mais expostas e substituição periódica de todo o cabo — é incomum que partam.
- Guinchos e gatos de escape: também não é comum a quebra na maioria dos portos brasileiros — bem dimensionados e mantidos, embora não exista norma que imponha sua verificação, nem a dos cabos, no licenciamento pela Autoridade Marítima Brasileira.
- Cabeços e buzinas do navio: até pouco tempo a ruptura era mais rara ainda, mas com o aumento da potência dos rebocadores e o desenvolvimento de manobras que aplicam forças bastante superiores à tração estática, vem se tornando perigosamente frequente — especialmente em operações de escolta, onde se concentram os rebocadores de maior potência; e mesmo em manobra portuária é comum rebocador dimensionado para navio de grande porte atuar em navio menor, sem cabeços e buzinas compatíveis.
Recomendação da OCIMF
| Na troca de informações prático/comandante, comunicar… | Quem comunica |
|---|---|
| a tração estática dos rebocadores a serem utilizados | o prático |
| a carga de trabalho (SWL) dos cabeços do navio | o comandante |