🧭 MMPH · Cap.4 — Segurança do Rebocador

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Premissa do capítulo: "Quanto mais se sabe sobre os riscos, melhor se pode antecipá-los." A maioria das situações de risco já é conhecida por práticos e mestres — o capítulo insiste que segurança do rebocador entre em qualquer trabalho sobre o assunto.
#Risco principalNatureza
Estabilidade do rebocador — especialmente nos convencionais com cabo passado no gatopode levar ao emborcamento
Interação entre o casco do navio e o do rebocadordurante a aproximação
Ainda no cap.Outros problemas menores, mas também geradores de risco (ver a seção final deste Resumo).
O gato do rebocador costuma não abrir quando está sob tensão muito forte, mesmo sendo dotado de dispositivo de disparo de emergência.
É essa limitação que faz as situações seguintes serem tratadas como risco de acidente, e não como mera imprecisão de manobra.

Rebocador convencional cabo passado no gato tensão forte gato trava perde-se a saída rápida

Rebocador convencional com cabo passado na proa do navio, com o navio com seguimento ou sob corrente acentuadaespecialmente quando o navio está girando.
Cuidado para não puxar muito no través: o rebocador corre o risco de ser ultrapassado pelo navio, passando para uma posição de espringue — o que pode resultar em emborcamento.

Única atitude possível — quem faz o quê

QuemFaz
Práticotentar quebrar o seguimento do navio
Mestre do rebocadortentar abrir o gato para largar o cabo
Mesmo risco para o rebocador convencional com cabo passado na popa do navio ao passar de um bordo para o outro do navio com seguimento a vante e/ou em corrente acentuada.
Se em algum momento dessa passagem o rebocador portar com força pelo cabo, é grande o risco de emborcarespecialmente se a tração for exercida perpendicularmente.

Única atitude possível — quem faz o quê

Práticotentar quebrar o seguimento do navio ou, se possível, criar seguimento a ré.
Posição do caboSituação de riscoConsequênciaÚnica atitude
Na proa do navionavio com seguimento ou corrente acentuada, especialmente girando; rebocador puxa muito no través e é ultrapassadopassagem à posição de espringue → emborcamentoprático quebra o seguimento; mestre tenta abrir o gato
Na popa do naviomudança de bordo com seguimento a vante e/ou corrente acentuada; rebocador porta com força pelo caboemborcamento, sobretudo com tração perpendicularprático quebra o seguimento ou cria seguimento a ré
Redução do risco: dispositivos que alteram a posição do ponto de aplicação da força de tração ao longo do eixo diametral do rebocador. Frequentes especialmente nos portos europeus.
AspectoGob rope (Fig. 4-1)Buzina a ré (Fig. 4-2)
O que écabo fixado o mais a ré possível na popa do rebocador, com moitão ou manilha instalado no chicote, por onde passa o seio do cabo de reboquesegundo ponto de tração fixo mais a ré, por uma buzina ou olhal que possa ser aberto para a passagem do seio do cabo de reboque
Comprimentoconstante ou variável, se controlado por guinchofixo
Efeitoevita a tração perpendicular ao eixo diametral, mesmo na mudança de bordo pela popa; permite até que, em baixa velocidade, o rebocador se posicione popa com popa com o naviomais simples, porém menos eficiente
Obrigatoriedadeobrigatório nos rebocadores convencionais que operam nos portos alemãesnão mencionada
Preço do recurso: quanto mais o ponto de aplicação da tração se aproxima da posição dos propulsores, mais difícil fica o governo do rebocador quando ele porta pelo cabo — exige maior habilidade do mestre.
2º problema principal: a interação entre o casco do navio e o do rebocador. Pode ser parcialmente controlado pelo prático, ao solicitar que o rebocador — principalmente o da proasó se aproxime quando a velocidade for reduzida.

Normas da Autoridade Marítima Brasileira

  • Passagem de cabo da proa do navio para o rebocador deve ser feita por retinida.
  • Geralmente definem uma velocidade máxima para o navio sendo assistido por rebocador de cabo passado.
Na prática, a manobra é muitas vezes impossível se o rebocador não for dotado de guincho que permita trazer o cabo — vencendo a resistência do atrito com a água e o peso do próprio cabo, especialmente com navio e rebocador em movimento.

Falta de guincho + falta de treinamento nesse tipo de operação o mestre opta, mesmo com o risco aumentado aproximar-se da proa a distância que permita à tripulação pegar o cabo com o croque colocá-lo diretamente no gato, antes que o seio toque na água

Em locais de muita corrente: a interação é proporcional à velocidade relativa do navio na água — não à velocidade no fundo.
Uma corrente pela proa do navio pode criar grande efeito de interação mesmo com pequena velocidade no fundo.
Ao contrário do que se costuma pensar, os azimutais tipo ASD correm riscos quase tão grandes quanto os convencionais na aproximação da proa do navio com seguimento a vante para atuar com cabo no gato ou guincho de ré.
A maior manobrabilidade dos propulsores azimutais não garante — em função da posição dos propulsores em relação à extremidade de trabalho escolhida — a segurança na aproximação e operação com cabo passado que os tratores oferecem.

Consequência operacional

  • Esses rebocadores preferem, na aproximação com a proa do navio, receber ou passar cabos na sua própria proa.
  • Isso obriga, de qualquer forma, que a velocidade do navio seja reduzida — especialmente em portos mais expostos.
  • Motivo: o rebocador é obrigado a aproximar-se e navegar de popa por distâncias às vezes longas.
  • Nessa situação o controle pode ser dificultado pelas formas do casco somadas às condições de mar, vento e corrente.
Rol dos outros problemas menores, mas também geradores de riscosão quatro:
  • operação com o cabo no costado em portos desprotegidos da ação do mar;
  • aproximação da proa de navios com o bulbo submerso;
  • efeito da corrente do hélice no rebocador da popa;
  • risco — especialmente para as tripulações — proveniente da quebra de cabos.
cabo no costadobulbo submersocorrente do hélicequebra de cabos
Limite declarado: é impossível cobrir todas as situações de risco que um rebocador pode enfrentar. As descritas são as mais comuns na maioria dos portos brasileiros e devem ser analisadas para reduzir sua ocorrência e seus efeitos.