🧭 MMPH · Cap.6 — Formação e Atualização de Práticos e Mestres

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Fragoso & Cajaty, Rebocadores Portuários · II.12-AN · Área II do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
☀️
O capítulo trata de dois processos de formação que se cruzam no convés do rebocador: a do praticante que ainda não recebeu sua carta de prático, e a do mestre de rebocador que já atua.

Os três eixos do texto

  • a formação do praticante e o risco de operar equipamento novo sem preparo;
  • a constatação de que o Brasil, em plena proliferação de rebocadores azimutais, não organizou programa de treinamento — com o contraponto do que a praticagem de Houston fez em 2001;
  • a atualização contínua — de práticos e de mestres — dividida em frente prática e frente teórica.
Fio condutor: a formação fica comprometida sempre que equipamentos novos — rebocadores azimutais ou cicloidais — chegam a um porto sem nenhum programa de treinamento correspondente, tanto para o praticante quanto para o mestre já formado.
As normas da Autoridade Marítima são claras quanto às obrigações do praticante em fase de formação: ele deve acompanhar um determinado número de manobras a bordo dos rebocadores que atuam no porto.

O que essa exigência lhe dá

  • oportunidade de trocar experiências com os mestres;
  • abertura de um canal de diálogo;
  • conhecimento das características e limitações dos equipamentos.

Experiência bem aproveitada uso eficiente dos rebocadores nas manobras fator fundamental quando algum fato inesperado acontece obrigando a decisões rápidas por parte do prático

Resultado esperadose bem executado o treinamento, os praticantes, ao receberem suas cartas de prático, têm conhecimento e sabem explorar no limite os rebocadores existentes no porto de sua habilitação.
A simples introdução de rebocadores azimutais ou cicloidais em portos onde só existiam convencionais, sem nenhum treinamento adicional, pode levar a que o novo equipamento seja usado como um "rebocador de dois eixos sofisticado".

O que faltará — a nem práticos nem mestres

  • experiência na realização das manobras especiais que só esses rebocadores podem efetuar;
  • experiência no uso mais eficiente deles em manobras convencionais.
O tempo de decisão é a diferença: o tempo perdido perguntando ao mestre se o rebocador pode executar determinada manobra pode fazer a diferença entre um susto e um acidente. É por isso que o acompanhamento de manobras do praticante — e não só a teoria — é exigido pelas normas da Autoridade Marítima.
OndeSituação
Brasilexperimenta uma proliferação de rebocadores azimutais. Salvo rara exceção, nenhuma atitude tem sido tomada pelas praticagens para treinar seus membros no uso desses equipamentos — nem mesmo o debate entre práticos e mestres sobre planos de adestramento ou sobre as possibilidades de manobra no porto tem ocorrido
Houstona praticagem do porto anunciou, em 2001, o início do treinamento de seus práticos em manobras com rebocadores azimutais — reconhecendo, após vários anos de utilização desses rebocadores, a necessidade de treinamento específico
Consequência no Brasil: pela falta de programa específico, o processo de formação do novo prático fica provavelmente prejudicado no que diz respeito ao uso desses rebocadores.
Alcancea constatação não se restringe ao Brasil — Houston é a prova.
O aprendizado é processo contínuo: não acaba quando o prático recebe sua licença — deve permear toda a vida do profissional. Como em qualquer treinamento, a atualização se faz em duas frentes: teórica e prática.
FrenteComo se desenvolveOnde o livro propõe que ocorra
Práticano próprio trabalho, a partir de um programa organizadonas manobras reais, a bordo dos rebocadores do porto
Teóricarequer maior preparação; não decorre só da rotina de trabalhoespaço sistemático nos encontros nacionais de práticos + cursos periódicos de aperfeiçoamento e atualização
Marcar como recomendaçãoé sugestão do livro, não norma: criar espaço sistemático para exposição e debate sobre aspectos técnicos do uso de rebocadores nos encontros nacionais e incluir a discussão nos cursos periódicos.
Modelo citadoé o que vem sendo feito nos EUA, por recomendação do National Research Council.
Devido às próprias características da sociedade brasileira, a maior parte dos mestres desenvolveu suas habilidades ao longo da vida profissional, aprendendo intuitivamente os principais conceitos e desenvolvendo a perícia pela prática diária.
AspectoRebocadores convencionais (simples)Rebocadores cicloidais / azimutais
Base de formaçãoprática intuitiva ao longo da vida profissional — suficiente até recentemente, dada a simplicidade dos rebocadores em atividade no paíspassa a carecer de base teórica mais elaborada, que permita compreender técnicas menos intuitivas e aperfeiçoar a atuação proporcionalmente ao desenvolvimento tecnológico
Educação formalos novos profissionais, formados nos cursos oferecidos pela Marinha do Brasil, recebem educação formal adequada ao preparo de um homem do maro treinamento para o manejo de rebocadores mais sofisticados depende hoje, unicamente, das empresas de rebocadores
Consequência da falta de treinamentoimpede a utilização dos equipamentos em sua plenitude: reduz a segurança das manobras ou obriga a utilização de mais rebocadores para garanti-la
Mesmo aos mais dedicados práticos e mestres, o acesso à informação técnica sobre os novos rebocadores é muito limitado: até a conclusão do trabalho, nenhuma publicação em português sobre manobras de navios ou uso de rebocadores contemplava os rebocadores não convencionais.

Desenvolvimento relativamente recente azimutais e cicloidais só abordados em livros e periódicos estrangeiros produzidos nos últimos cinco anos e, dentre esses, apenas alguns poucos já tratavam de manobras específicas, realizadas internacionalmente e aceitas como padrão para esse tipo de rebocador

Ponto central: a chegada de equipamento novo num porto habituado só ao convencional não se resolve sozinha. Sem programa de treinamento organizado, praticante e mestre experiente ficam limitados a usar o equipamento sofisticado como se fosse um convencional de dois eixos — perdendo exatamente as manobras especiais que justificam sua adoção.
Os autores fecham apontando que o resultado depende de um esforço coletivo na preparação adequada do pessoal que atua diretamente nas manobras com rebocadores. Quem deve estar envolvido:
  • as empresas de rebocadores;
  • as praticagens;
  • a Autoridade Marítima;
  • a Autoridade Portuária.
empresas de rebocadorespraticagensAutoridade MarítimaAutoridade Portuária