PlanningDepois do appraisal (Cap. 2, reúne info e pesa riscos), o planning converte as decisões do comandante em marcas na carta.
As duas etapas
| Etapa | Águas |
|---|---|
| 1 | Ocean and open waters (oceânicas e abertas) |
| 2 | Coastal and estuarial waters (costeiras e estuarinas) |
O plano é montado primeiro nas paper charts: cada restrição do appraisal é desenhada, destacada e anotada para o OOW de serviço ler a situação num relance, sem re-deduzir sob pressão.
Na prática as duas etapas se sobrepõem e se fundem.
- Reunir todas as cartas da viagem na ordem correta.
- Incluir cartas não estritamente necessárias mas adjacentes à área, e as de grande escala (port plans) do trecho costeiro — podem trazer info útil ainda que nunca trabalhadas.
Toda carta e publicação corrigida ao último Notice to Mariners disponível, com os Nav warnings autênticos de qualquer fonte incluídos.
Correções podem chegar depois do plano pronto → obrigam a modificá-lo mais tarde.
O que éPrimeiras marcas nas cartas costeiras/estuarinas. Toda área onde o navio não pode ir é mostrada por highlighting ou cross-hatching, sem obliterar marca de navegação ou objeto conspícuo por baixo.
Linha geral de no-go: não menos que draught + 10% (calado + margem). Adequada em água calma; valor bem maior se o navio pitch, roll ou squat.
- Como a margem depende do calado, no-go não é igual para a viagem de entrada e a de saída.
- Em águas confinadas onde a altura de maré importa: no-go varia com o horário — marcar horas e estado de maré em que cada área fica segura.
draught + 10% é o piso, não valor fixo. Survey antigo/duvidoso, pitch/roll, squat ou entrada em água doce (que aumenta o calado) exigem margem maior.
ProblemaUm fix plotado marca a posição de uma parte do navio — a ponte. Num navio grande o fix da ponte pode estar fora da no-go enquanto outra parte do casco já está dentro.
A margin of safety é um buffer em torno da no-go, dimensionado para que, no pior cenário provável, a parte navegada (a ponte) não a ultrapasse.
Fatores que dimensionam a margem
- As dimensões do navio.
- A acurácia dos sistemas de navegação em uso.
- As correntes de maré (tidal streams).
- As características de manobra do navio.
MonitorávelA margem tem de ser facilmente monitorável — ligada a um sistema em uso: clearing bearings a um headmark, ou Parallel Indexes.
Safe Water = área interna às margens onde o navio pode desviar com segurança; limite = as margins of safety. Regra geral: manter profundidade maior que draught + 20%.
Os 20% devem crescer consideravelmente para survey antigo, pitch/roll, squat provável ou aumento de calado ao entrar em água doce.
Oceânicas / águas abertas
- Traçadas primeiro em cartas de pequena escala, seguindo a rota do appraisal.
- Great circle e composite great-circle calculadas / do GPS / de cartas de GC. Rhumb lines podem ir direto na carta de Mercator — mas toda track conforme os limites do appraisal.
Costeiras / estuarinas
- Também presas às decisões do appraisal; desenhadas primeiro em pequena escala cobrindo grandes trechos de costa.
- São a base do plano: delas vêm distâncias, tempos de máquina e, sabida a partida, os ETAs em cada waypoint.
A direção verdadeira da track fica marcada perto dela = direction to make good, não necessariamente o course to steer (que depende de tidal set/drift, leeway).
Transferência p/ grande escalaDouble-check: conferir a posição por range e bearing de objeto identificável (ex.: um farol comum às duas cartas) e confirmar latitude e longitude nas duas cartas.
Chart changeMarcar claramente a posição de troca de carta, dando o número da próxima carta.
Distância do perigo (distance off danger)
Não há regra rígida — depende de calado×profundidade, tempo, correntes, tráfego, idade do survey e disponibilidade de safe water.
| Situação | Passar |
|---|---|
| Costa steep-to (sondas crescem rápido) | mín. 1½ – 2 milhas |
| Costa em rampa — calado < 3 m | fora da isóbata de 5 m |
| calado 3 – 6 m | fora da 10 m |
| calado 6 – 10 m | fora da 20 m |
| calado > 10 m | UKC suficiente; cautela dentro da linha de 200 m |
Regra de tráfego: qualquer que seja o UKC, se o perigo mais próximo estiver a boreste, a track deve deixar espaço p/ guinar a boreste e evitar tráfego.
UKC reduzido tem de estar planejado e claramente mostrado. Quando o UKC < 10% do calado mais profundo (ou o % acordado no appraisal), o OOW deve ser avisado — e que a velocidade pode ter de cair para reduzir o squat e o consequente aumento do calado efetivo.
Tidal window
DefiniçãoTidal Window = período seguro em que a maré está acima de dada altura e há UKC adequado. Fora dele, a área é no-go. Mostrar claramente.
Stream allowance
- No mar aberto: corrige-se a track depois que a corrente desviou o navio (ok longe do perigo).
- Ao aproximar a costa: melhor pré-corrigir maré e corrente antes que atuem.
- Streams variam com a hora da HW, a fase da lua (neaps e springs) e o tempo local.
Wheel over
- Mar aberto (pequena escala): a alteração coincide com a interseção das tracks.
- Águas confinadas (grande escala, margens próximas): começar a girar antes da interseção, na wheel-over position, p/ assentar na nova track.
Como definirPrático → por experiência. Oficiais → pela manoeuvring data do navio, marcando na carta com cues visuais/radar.
Melhores cues p/ alterações grandes: Parallel Indexes ou marcações visuais paralelas à nova track; p/ alterações pequenas: marcação quase pelo través. A wheel-over é mostrada mesmo com o prático no comando — parte do monitoramento do prático pelo OOW.
032° → 012°: wheel over com Thorn Island a vante a 1,31 milhas (dead range)012° → 000°: bordo sul de Rat Island marcando 096°
Parallel Indexing (PI)
- Monitora tendência cross-track em boa e má visibilidade; marcado discretamente na carta no planejamento.
- Melhor em North-up, relative-motion, ship-centred.
- Alvo fixo (farol, ponta) parece passar pela própria nau numa linha paralela e oposta à derrota no fundo; desvio = alvo saindo da linha paralela.
Deve ser praticado em boa visibilidade antes de ser usado no tempo fechado. ARPA gera mapas sintéticos — usar em adição, não em lugar de outros sistemas.
Waypoints
DefiniçãoWaypoint = posição na carta onde ocorre mudança de status planejada (curso, fim/início de sea passage, velocidade, embarque do prático, fundeio).
Onde um navaid guarda waypoints, os designadores devem ser uniformes em todo o plano.
Point of no returnPosição além da qual o navio só pode prosseguir: água estreita demais p/ girar, ou maré vazante + UKC insuficiente impedem voltar.
O plano marca o abort point = última posição em que se pode abortar sem comprometer o navio, com track planejada p/ safe water. Varia com água, velocidade, turning circle e direção da corrente.
Razões que justificam abortar
- Desvio da linha de aproximação.
- Falha de máquinas ou de instrumentos.
- Indisponibilidade de rebocadores ou berço.
- Situações perigosas em terra/porto.
- Mudança súbita do tempo (visibilidade ruim, vento perigoso).
Contingências (pré-planejadas na carta)
alternative routessafe anchorageswaiting areasemergency berths
Ação de emergência pode levar a áreas de calado restrito (reduzir velocidade) ou de maré restrita (entrar só na tidal window) — mostrar claramente.
Primário × secundárioO plano diz qual método é primary e quais secundários/backup, e como muda na passagem. Fora de vista de terra: GPS primário, Loran C secundário; perto da costa o radar fix confirma e depois vira primário; em águas fechadas, radar + visual. Regra: ser flexível, mas todos saberem qual sistema está em operação.
Floating navaids devem ser evitados (podem não estar na posição cartografada); se usar boia, confirmar posição por range/bearing de objeto fixo ou VTS.
Auxílios visuais de "não estar em perigo"
| Auxílio | O que faz |
|---|---|
| Transit (range) | Dois objetos alinhados dão LDP a olho. Melhor acurácia: distância observador→objeto próximo ≤ 3× a distância entre os dois objetos. |
| Leading line | Transit impresso que é uma track a seguir; em linha = navio na derrota. |
| Clearing mark | Mantém o navio em área segura / longe do perigo. |
| Head mark | Objeto na projeção da track; enquanto a marcação (compass, corrigida) fica constante, está na derrota. Marcação relativa é enganosa (navio pode circular o alvo na mesma relativa). |
| Clearing bearing | 1 objeto: enquanto a marcação fica na faixa (ex.: 028°T – 042°T) o navio está em safe water; escrito NLT / NMT. |
Clearing bearings, clearing marks e dipping distances NÃO "fixam" o navio — só garantem ao OOW que não está entrando no perigo.
Alcance dos faróis (range of lights)
| Range | Depende de |
|---|---|
| Geographical | só altura do farol + altura do olho (tabelas da List of Lights) |
| Luminous | intensidade + visibilidade atmosférica (ignora alturas) |
| Nominal | o luminous com visibilidade meteorológica de 10 milhas (é o cartografado ao lado da estrela) |
No planejamento compara-se nominal × geographical e escolhe-se o menor como o alcance em que o farol de landfall deve aparecer (visibilidade ≥ 10 milhas).
Não é universal: Japão cartografa o geographical; segundo o livro, Brasil cartografa geographical ou nominal, o maior. ⚠ Correção DHN/Miguens: no Brasil cartografa-se o menor alcance.
Lembretes no plano
reporting points (+ canal VHF)anchor clearancepilot boarding areatug engagementtraffic areas
Fix frequency
Fixar num período tal que o navio não consiga entrar em perigo entre dois fixes. Se impraticável (intervalos < 3 minutos são muito exigentes), usar método primário alternativo como Parallel Indexing.
Fixes feitos na frequência escolhida, não quando o OOW quer. Única exceção: prioridade maior (guinada p/ tráfego ou wheel over próximo) → fixar imediatamente antes e logo depois da guinada.
Livros & aprovação
- Planning book: HW/LW, nascer/pôr do sol, frequências VHF; porto usado com frequência pode guardar o plano inteiro p/ reuso.
- Conning notebook: edição resumida do plano p/ o conning officer não deixar a posição.
- Plano pronto → submetido ao master para aprovação; toda mudança posterior com acordo do comandante e aviso aos demais.
AIS (carriage requirement) acrescenta dado único (identifica navios ocultos por terra/chuva) — mas, por ter entradas manuais, usar com cautela para decisões.
Planning converte o appraisal numa carta que um OOW cansado lê instantaneamente.
| Elemento | Essência |
|---|---|
| Charts | Todas em ordem, adjacentes+grande escala, corrigidas ao último Notice to Mariners. |
| No-go areas | Destacar onde não pode ir; piso = draught + 10%; varia com calado e (confinado) maré/tempo. |
| Margins / safe water | Proteger a ponte (não só o fix); profundidade > draught + 20%; monitorar por clearing bearings ou PI. |
| Tracks | Pequena escala → transferir (double-check) p/ grande; direção verdadeira = make good; marcar chart change + número; guardar distance off danger. |
| UKC / window / streams | Mostrar UKC reduzido e a tidal window; pré-corrigir stream ao aproximar a costa. |
| Wheel over / PI / waypoints | Marcar wheel-over com cues (mesmo com prático); planejar PI; designadores uniformes. |
| Aborts & contingências | Marcar abort point e point of no return + track p/ safe water; pré-planejar rotas, fundeadouros, waiting areas, emergency berths. |
| Fixing & aids | Primary/secondary; radar/visual; transits, clearing marks/bearings, head marks; saber qual range do farol é cartografado. |