1. Visão Geral
O Capítulo 1 do Miguens estabelece os fundamentos conceituais e operacionais da navegação marítima. Cobre os três tópicos do Anexo 2-A cobrados no PSCPP: planejamento da viagem (Avaliação, Plano, Execução, Monitoramento — APEM), tipos e métodos de navegação, e coordenadas geográficas, rumos, marcações e milha náutica. O domínio deste capítulo é pré-requisito para todos os demais temas de Navegação.
Fonte: MIGUENS, Altineu Pires. Navegação: A Ciência e a Arte. v. 1. 2. rev. atual. Rio de Janeiro: DHN, 2023. pp. 1-1 a 1-18.
Edital: Anexo 2-A, Área III — III.17 Planejamento da viagem; III.18 Tipos e métodos de navegação; III.19 Coordenadas geográficas, rumos e marcações; milha náutica.
2. Definição de Navegação
Navegação é "a ciência e a arte de conduzir um veículo com segurança, dirigindo e controlando os seus movimentos, desde o ponto de partida até o seu destino" (Miguens, Cap. 1.1). O veículo pode ser um navio, embarcação, submarino, aeronave, espaçonave ou veículo terrestre.
Da definição derivam as formas: navegação marítima (de superfície ou submarina), aérea, espacial e terrestre. Este Manual aborda fundamentalmente a navegação marítima de superfície.
NORMAM-28/DHN define: "A Navegação surgiu quando o homem começou a deslocar-se sobre a água em rústicas embarcações, uma arte. Entretanto, logo elementos de ciência foram incorporados. Hoje, a Navegação conserva aspectos de ambos. É uma ciência, pois envolve o desenvolvimento e a utilização de instrumentos de precisão [...]. É, também, uma arte, pois envolve o uso adequado dessas ferramentas sofisticadas e, principalmente, a interpretação das informações obtidas."
Complementarmente, a navegação também é definida como "o processo de planejamento, acompanhamento e controle do movimento de uma embarcação de um ponto a outro, com segurança" — definição que fundamenta diretamente o conceito de planejamento da viagem (APEM).
3. Planejamento da Viagem (APEM)
O planejamento da viagem é de "importância essencial para a otimização de recursos, para a salvaguarda da vida humana no mar, para a segurança e a eficiência da navegação e para a proteção do meio ambiente marinho" (Miguens, 1.2). Aplica-se a todos os tipos de navios e embarcações.
O planejamento inclui quatro componentes, formando a sigla APEM:
| Componente | Em que consiste |
|---|---|
| Avaliação | Coleta de todas as informações relevantes para a viagem |
| Plano de viagem | Detalhamento de toda a viagem de porto a porto |
| Execução | Execução do plano de viagem |
| Monitoramento | Acompanhamento do progresso do navio na implementação do plano |
3.1 Avaliação
Todas as informações relevantes devem ser consideradas, incluindo:
- Navio/embarcação: condições de navegabilidade, estabilidade, equipamentos, limitações operacionais, calado permitido nos canais e portos, características de manobra;
- Carga: características especiais (especialmente se perigosa), distribuição, estiva e acondicionamento;
- Tripulação: disponibilidade de tripulação competente e bem preparada;
- Documentos: certificados e documentos atualizados (navio, equipamentos, tripulação, passageiros, carga);
- Cartas náuticas: precisas, atualizadas e cobrindo toda a derrota, com avisos-rádio permanentes ou temporários;
- Publicações: roteiros e demais publicações de auxílio à navegação oficiais e atualizadas;
- Informações adicionais: atlas de correntes e marés, dados climatológicos e oceanográficos, informações meteorológicas de serviço reconhecido pela OMM, sistemas de monitoramento, serviços de tráfego de navios, volume de tráfego esperado, informações relativas à praticagem e ao porto.
A avaliação deve fornecer indicação clara de todas as áreas de perigo, das áreas onde será possível navegar com segurança, e de áreas com restrições ambientais.
3.2 Plano de Viagem
Com base na avaliação, elabora-se um plano detalhado cobrindo toda a derrota, de porto a porto. O plano deve incluir:
- Traçado da derrota em cartas náuticas de escala apropriada, indicando áreas de precaução, de perigo, rotas de tráfego, esquemas de separação de tráfego, áreas de controle de tráfego e ATBA (Areas To Be Avoided);
- Elementos de segurança: velocidade de segurança (considerando proximidade de perigos, características de manobra e calado), alterações de velocidade, Folga Abaixo da Quilha (FAQ) — espaço mínimo exigido sob a quilha em áreas críticas;
- Efeito squat: fenômeno hidrodinâmico em águas rasas pelo qual o navio em movimento cria área de baixa pressão sob a quilha, aumentando o calado efetivo — deve ser considerado nas alterações de velocidade;
- Pontos de guinada levando em conta a curva de giro na velocidade planejada e os efeitos esperados de ventos, correntes e correntes de maré;
- Método e frequência de determinação da posição, com opções primárias e secundárias;
- Uso dos esquemas de tráfego e dos serviços de tráfego de navios quando disponíveis;
- Precauções ambientais e plano(s) de contingência para ação alternativa em emergências.
Aprovação pelo Comandante: o plano de viagem, bem como seus detalhes, deve ser aprovado pelo Comandante do navio antes do início da viagem. Os detalhes devem ser registrados em meio físico e/ou digital e amplamente divulgados por briefing a todos os membros da tripulação envolvidos (Miguens, 1.2.2).
3.3 Execução
Determinadas a ETD (Estimated Time of Departure — Hora Estimada de Partida) e a ETA (Estimated Time of Arrival — Hora Estimada de Chegada), a viagem é executada conforme o planejamento. Durante a execução devem ser considerados:
- Confiabilidade dos equipamentos de navegação;
- Horários estimados de chegada em pontos críticos quanto à altura e direção das marés;
- Condições meteorológicas e previsões de tempo, especialmente em áreas com frequentes períodos de baixa visibilidade;
- Condições de luminosidade na aproximação e passagem próxima a pontos de perigo;
- Condições de tráfego, especialmente em pontos focais de navegação com esquemas de separação de tráfego.
O Comandante deve considerar se circunstâncias particulares (ex.: visibilidade restrita em ponto crítico) introduzem perigo inaceitável, podendo ser necessário utilizar pessoal adicional no Passadiço, no Convés ou na Praça de Máquinas.
3.4 Monitoramento
Nessa fase, acompanha-se a execução da viagem, verificando principalmente o posicionamento do navio e os horários de guinada e demais eventos definidos no plano. Se necessário, ativam-se os planos contingentes ou introduzem-se alterações ao planejamento original.
O plano de viagem deve estar disponível, por todo o decurso da derrota, no Passadiço, para permitir aos Oficiais de Quarto acesso imediato, bem como a todos os demais documentos e referências que o compõem. O progresso do navio deve ser monitorado continuamente. Quaisquer mudanças devem ser baseadas nos conceitos das diretrizes, formalmente registradas e amplamente disseminadas (Miguens, 1.2.4).
4. Tipos e Métodos de Navegação
4.1 Tipos de Navegação (NORMAM-28/DHN)
A NORMAM-28/DHN (Normas da Autoridade Marítima para Navegação e Cartas Náuticas) classifica a navegação em três tipos principais, de acordo com a distância da costa ou do perigo mais próximo:
| Tipo | Definição | Precisão exigida |
|---|---|---|
| Águas Restritas | Portos, barras, baías, canais, rios, lagos, lagoas, proximidades de perigos, ou qualquer situação com manobra limitada pela configuração da costa/topografia submarina. Também quando a distância da costa (ou do perigo mais próximo) for menor que 3 milhas. | Maior precisão |
| Costeira | Entre portos, afastada de até 50 milhas náuticas da costa, mas não inferior a 3 milhas, ou em águas com até 200 metros de profundidade (o que ocorrer primeiro). | Precisão intermediária |
| Oceânica | Fora da área de costa, além do limite de 200 metros de profundidade ou de 50 milhas náuticas de terra (o que ocorrer primeiro). | Menor precisão requerida |
A Figura 1.1 apresenta os requisitos de precisão e a frequência mínima de determinação de posições para os três tipos.
4.2 Métodos de Navegação
Para conduzir qualquer tipo de navegação, o navegante utiliza um ou mais métodos para determinar a posição do navio:
- Navegação visual: posição determinada por meio de observações visuais de pontos em terra e/ou de auxílios à navegação representados na carta náutica;
- Navegação astronômica: posição determinada por meio de observações visuais dos astros;
- Navegação eletrônica: posição determinada por meio de informações obtidas de equipamentos eletrônicos, tais como radar ou satélite (GNSS — Global Navigation Satellite System);
- Navegação estimada: posição determinada por meio da previsão da posição futura do navio a partir de uma posição conhecida, utilizando o rumo e a velocidade na superfície, o intervalo de tempo entre as posições e, quando conhecida, a corrente.
5. A Forma da Terra
5.1 Superfície Topográfica, Geoide e Elipsoide
A superfície topográfica da Terra é a superfície real com todas as irregularidades exteriores — não tem representação matemática. Para navegação e cartografia, são usadas superfícies teóricas aproximadas (Miguens, 1.4).
- Geoide: sólido formado pela superfície do nível médio dos mares, supondo-o recobrindo toda a Terra e prolongando-se através dos continentes (Figura 1.2). É uma superfície equipotencial coincidente com o nível médio do mar. Dada a heterogeneidade da crosta terrestre, é uma superfície irregular sem representação matemática.
- Elipsoide de Revolução: superfície teórica que mais se aproxima da forma real da Terra. É o sólido gerado pela rotação de uma elipse em torno do eixo dos polos (Figura 1.3). Descrito pelos parâmetros: semi-eixo maior (a), semi-eixo menor (b), achatamento (f) e excentricidade (e).
5.2 Sistemas Geodésicos de Referência
O Brasil adotou progressivamente três sistemas de referência geodésica:
| Parâmetro | Córrego Alegre | SAD-69 | WGS-84 |
|---|---|---|---|
| Elipsoide | Internacional 1924 — Hayford | Internacional 1967 | WGS-84 |
| Achatamento (f) | 1/297,00 | 1/298,25 | 1/298,257223563 |
| Semi-eixo maior (a) | 6.378.388,000 m | 6.378.160,000 m | 6.378.137,000 m |
| Datum | Vértice Córrego Alegre | Vértice Chuá | Geocentro da Terra |
WGS-84 (World Geodetic System 1984): sistema de referência geodésico global estabelecido pelo U.S. Department of Defense desde 1960. É o sistema de referência das efemérides operacionais do GPS e adotado atualmente pela DHN e por todos os Serviços Hidrográficos estrangeiros, por recomendação da Organização Hidrográfica Internacional, na construção das cartas náuticas (Miguens, 1.4).
6. Principais Linhas, Pontos e Planos do Globo Terrestre
O Miguens (1.5) define os elementos geométricos do globo terrestre que fundamentam o sistema de coordenadas geográficas:
- Eixo da Terra: linha em torno da qual a Terra executa seu movimento de rotação, de Oeste para Leste (produzindo nos outros astros um movimento aparente de Leste para Oeste).
- Polos: pontos em que o eixo da Terra intercepta a superfície terrestre. O Polo Norte situa-se na direção da Estrela Polar (α URSA MINORIS); o Polo Sul é o ponto oposto.
- Círculo Máximo: linha resultante da interseção da superfície terrestre com um plano que contenha o centro da Terra. É a maior circunferência possível na superfície esférica.
- Círculo Menor: linha resultante da interseção com um plano que não contenha o centro da Terra.
- Plano Equatorial: plano perpendicular ao eixo de rotação da Terra e que contém o seu centro (Figura 1.4).
- Equador: círculo máximo resultante da interseção do plano equatorial com a superfície terrestre. Divide a Terra em Hemisfério Norte e Hemisfério Sul.
- Paralelos: círculos menores paralelos ao Equador e perpendiculares ao eixo da Terra. Seus raios são sempre menores que o do Equador (Figura 1.5). Materializam a direção E–W.
Entre os paralelos de destaque (Figura 1.6):
- Trópico de Câncer: paralelo de 23,5° de Latitude Norte;
- Trópico de Capricórnio: paralelo de 23,5° de Latitude Sul;
- Círculo Polar Ártico: paralelo de 66,5° de Latitude Norte;
- Círculo Polar Antártico: paralelo de 66,5° de Latitude Sul.
- Meridianos: círculos máximos que contêm os polos da Terra (representados também na Figura 1.6). O principal é o Meridiano de Greenwich. Os meridianos marcam a direção N–S.
7. Coordenadas Geográficas
O sistema de coordenadas geográficas permite localizar qualquer ponto na superfície terrestre por meio de dois ângulos: latitude e longitude (Miguens, 1.6).
- Latitude (φ): arco de meridiano compreendido entre o Equador e o paralelo do lugar. Conta-se de 0° a 90° para o Norte ou para o Sul do Equador.
- Longitude (λ): arco do Equador (ou ângulo no Polo) compreendido entre o Meridiano de Greenwich e o meridiano do lugar. Conta-se de 0° a 180° para Leste ou para Oeste de Greenwich.
- Primeiro Meridiano: o Meridiano de Greenwich serve de referência para contagem das Longitudes.
Diferença de Latitude (Δφ) e Diferença de Longitude (Δλ)
- Diferença de Latitude (Δφ): arco de meridiano compreendido entre os paralelos que passam por dois lugares. Obtém-se subtraindo ou somando os valores das latitudes, conforme sejam de mesmo nome ou nomes contrários (Miguens, 1.6). Indica-se também o sentido (N ou S): ex., de 30°N para 45°N: Δφ = 15°N.
- Latitude Média (φm): latitude correspondente ao paralelo médio entre os paralelos que passam por dois lugares. Obtém-se pela semissoma ou semidiferença das latitudes (semidiferença quando em hemisférios diferentes; o resultado terá o nome do valor maior). Ex.: entre 30°N e 45°N: φm = 37,5°N.
- Diferença de Longitude (Δλ): arco do Equador compreendido entre os meridianos que passam por dois lugares. Obtém-se de forma análoga à diferença de latitude.
8. Distâncias na Superfície da Terra
8.1 A Milha Náutica (ou Milha Marítima)
A distância entre dois pontos na superfície da Terra é a separação espacial entre eles, expressa pelo comprimento do menor arco de círculo máximo que os une. Em navegação, as distâncias são normalmente medidas em milhas náuticas (Miguens, 1.7.1).
Milha Náutica: comprimento do arco de meridiano que subtende um ângulo de 1 minuto cujo vértice se posiciona no centro da Terra. Equivale ao comprimento do arco de 1' de Latitude. Por Acordo Internacional (1929), o valor fixado é de 1.852 metros, independentemente da Latitude do lugar (Miguens, 1.7.1).
Nas Cartas de Mercator, as distâncias devem ser sempre medidas na escala das latitudes (onde 1 minuto de Latitude equivale a 1 milha), devido ao problema das deformações em Latitude (Latitudes Crescidas).
8.2 Ortodromia e Loxodromia
- Ortodromia: qualquer segmento de um círculo máximo da esfera terrestre. É a menor distância entre dois pontos na superfície da Terra (Figura 1.8).
- Loxodromia: linha que intercepta os vários meridianos segundo um ângulo constante (Figura 1.9). É a Linha de Rumo — na qual a direção da proa do navio corta todos os meridianos sob um mesmo ângulo.
9. A Direção no Mar — Rumos e Marcações
Direção, na superfície da Terra, é a linha que liga dois pontos com uma orientação. A Figura 1.10 apresenta as direções Cardeais (N, S, E, W), Laterais ou Inter-Cardeais (NE, SE, NW, SW) e Colaterais (NNE, ENE, ESE, SSE, SSW, WSW, WNW, NNW), comumente referidas em navegação. Todas são Direções Verdadeiras (referência: Norte Verdadeiro) (Miguens, 1.8).
9.1 Rumos
Um navio governa seguindo um rumo, definido como o ângulo horizontal entre uma direção de referência e a direção para a qual aponta a proa do navio. Os rumos são medidos de 000° a 360°, no sentido horário, a partir da Direção de Referência (Figura 1.11).
As direções de referência mais utilizadas são o Norte Verdadeiro (ou Geográfico) e o Norte Magnético, materializados respectivamente pelo Giroscópio (Agulha Giroscópica) e pela Agulha Magnética.
Conforme a Direção de Referência, o rumo denomina-se (Figura 1.12):
| Denominação | Sigla | Referência | Instrumento |
|---|---|---|---|
| Rumo Verdadeiro | R ou Rv | Norte Verdadeiro (Geográfico) | — |
| Rumo da Agulha | Rag | Norte da Agulha | Agulha Magnética |
| Rumo Magnético | Rmg | Norte Magnético | — |
| Rumo da Giro | Rgiro | Norte da Giro | Agulha Giroscópica |
| Rumos Práticos | Rp | Referências de terra (canais estreitos, rios) | — |
| Rumo no Fundo | Rfd | Norte Verdadeiro (resultante real) | — |
- Proa: direção para a qual o navio está apontando num determinado instante. Por influência do mar (ondas, vagalhões), vento e erros do timoneiro, a proa oscila em torno do rumo governado.
- Rumos Práticos (Rp): quando se navega em rios, canais estreitos ou águas confinadas, orienta-se por referências de terra. Essas direções, nas quais o navio deve governar para manter-se safo de perigos, são chamadas de "Rumos Práticos".
- Rumo no Fundo (Rfd): direção resultante referida ao Norte Verdadeiro, realmente navegada desde o ponto de partida até o ponto de chegada. É a composição do Rumo na Superfície com o efeito da corrente (Rumo da Corrente) — ver Figura 1.13.
A precisão adotada para rumos é de 0,5°. Um rumo deve ser sempre escrito com três algarismos em sua parte inteira. Exemplos: 045°; 072°; 180°; 347,5°; 233,5° (Miguens, 1.8).
9.2 Marcações
Marcação é o ângulo horizontal entre a linha que une o ponto no navio (de onde se faz a observação) ao objeto marcado, e uma Direção de Referência. A direção de referência pode ser: Norte Verdadeiro, Norte Magnético, Norte da Giro, Norte da Agulha ou Proa do Navio (Miguens, 1.8).
| Tipo de Marcação | Sigla | Referência | Medida |
|---|---|---|---|
| Marcação Verdadeira | M ou Mv | Norte Verdadeiro | 000° a 360°, sentido horário. Obtida da carta ou da Agulha Giroscópica (com seu desvio). |
| Marcação Magnética | Mmg | Norte Magnético | 000° a 360°, sentido horário. Obtida da carta ou da Agulha Magnética (com seu desvio). |
| Marcação da Giro | Mgiro | Norte da Giro | 000° a 360°, sentido horário. Norte da Giro pode desviar do Norte Verdadeiro. |
| Marcação da Agulha | Mag | Norte da Agulha | 000° a 360°, sentido horário. Desviado do Norte Magnético pela Curva de Desvio. |
| Marcação Relativa | Mr | Proa do Navio | 000° a 360°, sentido horário a partir da Proa. Fórmula: Mv = Mr + Rv (ou R). |
| Marcação Polar | Mp | Proa do Navio | 000° a 180°, para Boreste (BE) ou Bombordo (BB). Recebe sempre uma designação (BE ou BB). |
A Figura 1.14 ilustra a Marcação Verdadeira:
A Figura 1.15 ilustra a Marcação Relativa — com um navio no Rumo 045°, os pontos A (135°), B (180°), C (270°) e D (340°) têm marcações relativas específicas:
A Figura 1.16 ilustra a Marcação Polar:
A Figura 1.17 traz o exemplo completo de Marcação Polar: navio no Rumo Verdadeiro (Rv) 045° marca um farol exatamente no través de BB, isto é, na Marcação Polar (Mp) 090° BB.
As marcações também devem ser sempre escritas com três algarismos em sua parte inteira. A aproximação a ser usada é de 0,5°. Exemplos: M = 082°; M = 033,5°; M = 147° (Miguens, 1.8).
10. A Velocidade no Mar
- Velocidade (vel): distância percorrida na unidade de tempo. A unidade de velocidade comumente utilizada em navegação é o nó, que corresponde à velocidade de 1 milha náutica por hora (Miguens, 1.9).
- Velocidade no Fundo (vel fd): expressão que designa velocidade ao longo da derrota realmente seguida, em relação ao fundo do mar, desde o ponto de partida até o ponto de chegada. Equivale ao SOG (Speed Over Ground) dos sistemas de navegação eletrônica.
- Velocidade de Avanço (SOA — Speed of Advance): velocidade com que se pretende progredir ao longo da derrota planejada. Importante dado de planejamento, a partir do qual são calculados a ETA (Estimated Time of Arrival) e a ETD (Estimated Time of Departure) em relação aos diversos pontos e portos da derrota planejada (Miguens, 1.9).
11. Outras Unidades de Medida Utilizadas em Navegação
Medidas de Distância
| Unidade | Equivalência |
|---|---|
| Milha náutica | 1.852 metros = ≈2.025,37 jardas (aproximadamente 2.000 jardas em uso náutico) |
| Amarra (cable) | 100 braças = 200 jardas = 183 metros |
| Jarda | 3 pés = 0,914 metro |
Medidas de Profundidade
| Unidade | Equivalência |
|---|---|
| Metro | 3,281 pés = 1,09 jarda = 0,55 braça |
| Pé | 12 polegadas = 0,3048 metro |
| Braça | 2 jardas = 6 pés = 1,83 metro |
Medidas Angulares
- Grau (°): unidade angular padrão em navegação;
- Ponto (Point): usado em outras Marinhas, em relação à proa. Corresponde à trigésima segunda parte do círculo = 11,25° (Miguens, 1.10).