🧭 MMPH · Cap.10 — Marés e Correntes

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Miguens, Navegação: A Ciência e a Arte — Vol.1 · III.02-NV · Área III do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Três fenômenos ligados condicionam a navegação costeira e em águas restritas: marés, correntes de maré e correntes oceânicas.
FenômenoMovimentoCausaEscala
Maréverticalastronômica (Lua+Sol)local
Corrente de maréhorizontalastronômicalocal
Corrente oceânicahorizontaltermohalina + ventoglobal
EditalIII.40 (marés) · III.41 (correntes de maré) · III.42 (correntes oceânicas).
MnemônicoM-C-O: Marés (vertical, astronômica) · Correntes de maré (horizontal, astronômica, local) · Oceânicas (horizontal, termohalina+vento, global).
Em águas profundas a variação de nível tem pouco impacto; em águas rasas, saber a altura da maré e a corrente define quando e onde navegar.
DefiniçãoMaré = oscilação vertical da superfície do mar causada primariamente pela atração gravitacional da Lua e, em menor grau, do Sol.
A Lua domina: efeito ~2,25 vezes maior que o do Sol — porque a maré depende da diferença de força gravitacional entre os pontos próximos e distantes, não da força absoluta.

Mecanismo Terra–Lua

  • Terra e Lua giram em torno de um baricentro (centro de massa comum) a ~810 milhas (~1.500 km) abaixo da superfície terrestre — dentro do manto.
  • Resultante entre gravidade lunar variável e aceleração centrífuga constante = força trativa de maré, essencialmente horizontal, empurra as águas ao ponto sublunar e ao oposto.
  • Terra ideal → elipsoide com dois bulbos de preamar (direção da Lua + lado oposto).
  • Dia lunar ~24h 50min → em teoria duas PM e duas BM/dia; inclinação do eixo gera as desigualdades diurnas.
A força trativa é essencialmente horizontal — NÃO é a gravidade vertical que eleva o mar. Confundir força trativa com força gravitacional direta é erro clássico de prova.
AstroDistância médiaEfeito de maré
Lua~384.400 km~2,25× (referência)
Sol~149.600.000 km~0,44× (base = Lua)
Fig. 10-1
Fig. 10-1
Fig. 10-2
Fig. 10-2
Fig. 10-3
Fig. 10-3
SizígiaAlinhamento Sol-Terra-Lua (lua nova/cheia) → marés de maior amplitude.
QuadraturaÂngulo reto (quarto crescente/minguante) → marés de menor amplitude.
Regra de ouro: Tabelas I e II e o Método Expedito pressupõem curva senoidal → válidos só de Vitória (ES) para o Norte (maré semidiurna). Ao Sul, o erro ultrapassa a margem de 10% da amplitude.

Ciclo da oscilação

Enchente Preamar (PM) estofo Vazante Baixa-mar (BM) estofo recomeça

Planos de referência

SiglaNomePosição / uso
NRNível de ReduçãoZero das cartas; referência de sondagens e alturas de maré
MLWSBaixa-mar média de sizígia= NR nas cartas brasileiras
MLWNBaixa-mar média de quadraturaacima do MLWS
NM / MSLNível Médio do Marreferência de altitudes em terra; observado em período >18,6 anos
MHWNPreamar média de quadraturaquadro "Informações sobre a Maré"
MHWSPreamar média de sizígiatopo; MHWS−MLWS = amplitude máxima média
Fig. 10-7
Fig. 10-7
NR ≠ NM: planos distintos. NM (MSL) = altitudes em terra; NR (MLWS) = sondagens e alturas de maré.
Como NR = MLWS, a profundidade real é em geral maior que a sondagem — mas nas BM de sizígia pode descer abaixo do NR (alturas negativas com sinal negativo nas Tábuas). Ignorar isso é risco de encalhe.
DG6Tábuas das Marés, editada anualmente pela DHN. Cobre 54 estações maregráficas (do Norte para o Sul) + Estação Antártica Comandante Ferraz.

Profundidade real

C = D + E profundidade real = sondagem + altura da maré

C = B + A profundidade real = distância quilha-fundo + calado

Fig. 10-8
Fig. 10-8

Tabelas I e II — altura em instante intermediário

  • Tabela I: entradas = duração da meia-maré + intervalo até a PM/BM mais próxima → saída = centésimo (fração da amplitude).
  • Tabela II: entradas = centésimo + amplitude → saída = correção de altura.
  • Enchente: altura = hBM + correção. Vazante: altura = hPM − correção.
Fig. 10-10
Fig. 10-10
Tabelas I e II são para curvas senoidais → no Brasil, usar somente de Vitória (ES) para o Norte; ao Sul o erro passa dos 10% da amplitude.
HorasFormato HHMM, fuso padrão do porto; em horário de verão somar 1 hora.

Portos secundários: aplicar às PM/BM do porto de referência as correções (aditivas/subtrativas em hora e altura) fornecidas nas Tábuas.

Fig. 10-16
Fig. 10-16 — Informações sobre a maré – Porto de Suape (Carta 906).
Quando usarMétodo Expedito — sem dados tabulados de PM/BM. Exige o quadro "Informações sobre a Maré" da carta + passagem meridiana da Lua do Almanaque Náutico (DN5). Válido só onde a maré é semidiurna (Vitória-ES p/ Norte).

Procedimento (6 passos)

  • Hora da passagem meridiana da Lua em Greenwich (DN5) → aplicar correção de longitude → hora local.
  • Somar HWF&C → hora da PM de sizígia.
  • Intervalos: PM–PM = 12h 25min; PM–BM = 6h 13min (1/4 do dia lunar de 24h 50min).
  • Altura da PM: interpolação linear entre MHWN e MHWS14 dias entre sizígias, 7 dias sizígia→quadratura.
  • Fig. 10-11
    Fig. 10-11
  • Altura da BM: hBM = 2×NM − hPM (simetria em relação ao NM).
Fig. 10-12
Fig. 10-12 — Tábuas das Marés – Previsão para Salinópolis Jan-Abr de 2021
Fig. 10-18
Fig. 10-18 — Método Expedito de Previsão: Simetria das PM e das BM.
Precisão (Suape)Exemplo 21/JUL/2021: diferença de ~1 hora nos horários e ~0,1 m nas alturas vs. Tábuas — razoável, mas não substitui as Tábuas.
Não se aplica a marés mistas, diurnas ou com desigualdades diurnas (Sul do Brasil). Ventos fortes e persistentes deslocam PM/BM — mais frequente ao sul do Cabo Frio.
Fig. 10-22
Fig. 10-22 — Informações sobre Correntes de Maré – Carta 316 – De Mosqueiro a Belém.
Maré e corrente de maré têm a mesma causa astronômica: primeiro o movimento horizontal (corrente), depois o vertical (maré) → devem ser estudadas em conjunto.

Corrente axial alternativa (portos/canais)

InstanteCorrente
Velocidade máx. para dentro~ na PM
Velocidade máx. para fora~ na BM
Velocidade nula (inversão)quando a maré atinge o NM
Oceano abertoCorrente de maré rotatória (gira sem inversão brusca) por Efeito de Coriolis: desvia à direita no HN, à esquerda no HS.
Nota da DG6: as horas de PM/BM nem sempre coincidem com a inversão da corrente — a corrente axial inverte no NM (entre PM e BM). Usar a hora da PM como hora de inversão é erro grave.
Cartas de Correntes de Maré (DHN)Coletânea por porto, com setas de direção e velocidades (nós), referidas à hora da PM prevista. Disponíveis em papel (EMGEPRON/BHMN) e digital (CHM).

Consulta (4 passos)

  • Obter a PM prevista mais próxima (Tábuas ou SISCORAR) — pode ser futura se estiver mais perto em módulo.
  • Calcular a diferença em horas: instante − PM mais próxima → selecionar a carta.
  • Localizar o ponto → ler rumo e velocidade da corrente.
  • Se não for sizígia, aplicar fator de correção de velocidade (ábaco). As direções NÃO recebem correção.

SISCORAR

O que éSISCORAR = Sistema de Previsão de Correntes de Maré em Águas Rasas; da REMO (CHM–Petrobras), lançado em 2018. Versão 2.0 (28/09/2020) incluiu Baías de Guanabara e Sepetiba (RJ).
  • Funciona off-line; previsões horárias para qualquer data; vetores ou linhas de fluxo.
  • Modelo numérico hidrodinâmico: malha + batimetria + simulação por ≥1 ano + validação + componentes harmônicas.
Fig. 10-23
Fig. 10-23 — Circulação termohalina
SISCORAR considera apenas a maré astronômica — exclui vento, marés meteorológicas e circulação por densidade. Em tempo adverso, interpretar com reservas.
Fig. 10-24
Fig. 10-24 — Circulação Básica da Atmosfera e os Grandes Sistemas de Vento.
Correntes oceânicas resultam de dois processos: (1) termohalinos (temperatura + salinidade → densidade) e (2) ação dos ventos por aquecimento solar desigual.

Circulação termohalina (profunda, vertical)

  • Água mais densa afunda, percorre o fundo em escala de séculos e retorna à superfície — o Global Conveyor Belt (correia transportadora global).
  • Densidade superficial aumenta por resfriamento (Atlântico Norte, inverno) e por congelação (Oceano Austral — o gelo libera sal).
Fig. 10-26
Fig. 10-26 — Transporte da água da superfície.

Atlântico

CorrenteSentidoCaracterística
Corrente do GolfoN→NE (EUA)"rio no mar"; 1,2–1,4 m/s (2,3–2,7 nós); borda Oeste
Corrente da FlóridaN pelo estreito>1,6 m/s (3 nós)
Corrente do BrasilS até ~40°Squente e salina; borda Oeste
Corrente de BenguelaN (África W)fria; ressurgência; borda Leste
Corrente das MalvinasN (Argentina)fria; da Circumpolar Antártica
Correntes quentes ocupam a borda Oeste dos oceanos; frias a borda Leste (giros subtropicais).
Fig. 10-31
Fig. 10-31 — Oceano Austral: Circulação Geral e Convergências Antártica e Subtropical

Oceano Austral

  • Corrente Circumpolar Antártica (Deriva do Vento Oeste): sentido geral Leste, pelos ventos de Oeste; ramos formam Malvinas, Peru (Humboldt) e Oeste da Austrália.
  • Convergência Antártica ~60°–50°S · Convergência Subtropical ~40°S — águas convergem e mergulham.

Índico e Pacífico

CorrenteDestaque
Corrente das AgulhasÍndico Sul, forte e quente — análoga ao Golfo
Corrente Monçônicaúnico oceano com inversão sazonal completa (monções)
Kuro ShioPacífico N; ~0,85 m/s (1,6 nós); borda Oeste
Corrente do Peru (Humboldt)fria; lenta; ressurgência intensa
Fig. 10-37
Fig. 10-37 — Carta de Correntes de Maré para o Porto de Natal (2 horas depois do PM).
Transporte de EkmanDesvio de 90° da corrente superficial em relação ao vento. Explica ressurgência e subsidência.

Ressurgência (upwelling)

  • Vento paralelo à costa + Ekman levando águas para o largo → água subsuperficial (100–200 m) ascende: fria e rica em nutrientes → muito fitoplâncton e peixes.
  • Clássica nas costas ocidentais (Benguela, Peru, Califórnia, Austrália Ocidental).
Cabo Frio (RJ): vento NE paralelo à costa, Ekman leva a água ao largo → ressurgência clássica, mais intensa no verão. Exceção ao padrão — ocorre numa costa oriental.
SubsidênciaEkman convergente (para a costa) → águas superficiais submergem: quentes e pobres em nutrientes.

El Niño

O que éExtensão anômala para sul da Contracorrente Equatorial no Pacífico, até ~12°S (Peru). Precipitações até 100× o normal; supressão da ressurgência → mortandade de peixes.

Fontes de informação

  • Cartas-Piloto — mensais: DHN (Atlântico Sul Ocidental) e NGA/EUA (demais oceanos, 5 volumes); direção + velocidade (nós).
  • Cartas Náuticas (Notas de Precaução) e Roteiros DHN (seção "Marés e Correntes") — sempre consultar.
Corrente de maré ≠ corrente oceânica: a de maré é astronômica, alternativa e local; a oceânica é termohalina+vento, permanente e global. SISCORAR modela só maré; Cartas-Piloto modelam oceânicas.