🧭 MMPH · Cap.11 — Instrumentos Náuticos

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Miguens, Navegação: A Ciência e a Arte — Vol.1 · III.02-NV · Área III do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Manobrar em águas restritas exige medir o tempo todo quatro grandezas: direção, velocidade/distância percorrida, distância a um ponto e profundidade — cada uma com seu instrumento.
Escolha a bordoDepende de três fatores: o porte do navio, o seu uso e os recursos disponíveis.
Confiar numa indicação errada — um odômetro que mede na água e não no fundo, um app não homologado — é fonte direta de acidente.

Oito grupos por finalidade

FinalidadeInstrumentos§
Direçõesagulhas + marcação/azimute§2
Velocidade / distância percorridaodômetros, velocímetros§3
Distâncias no marestadímetros, sextante, guarda-posto§4
Profundidadesprumo de mão, ecobatímetro§5
Cartas em papelréguas, compasso, transferidor universal§6
Cartas digitaisECDIS, ECS§7
Ampliar a visãobinóculos, lunetas§8
Outroscronógrafo, calculadora, lanterna, apps§8
Os quatro primeiros grupos medem grandezas do mundo (direção, velocidade, distância, profundidade); os demais servem ao uso da carta e à ampliação dos sentidos.
AgulhaLocalFunção
Agulha padrãoTijupá (livre de influências, visada desobstruída)Rumos e marcações — é a referência
Agulha de governoPassadiço, por ante-a-vante da roda do lemeGoverno; seu rumo sai por comparação com a padrão
Configuração atualSuprimiu-se a agulha de governo: na padrão (Tijupá) instala-se um periscópio que leva a leitura de rumo ao timoneiro no Passadiço (NHo Cruzeiro do Sul).

Rosa-dos-rumos

1 ponto 360°/32 pontos = 11°15' (subdivisível em ½ e ¼ de ponto)

Fig. 11-1
Fig. 11-1 — Agulha Magnética (Tijupá) e Periscópio (Passadiço) instalados no NHo Cruzeiro do Sul — — upá, um periscópio para leituras de rumo pelo timoneiro, no Passadiço, conforme a configur

4 cardeais (N, E, S, W) → 4 intercardeais (NE, SE, SW, NW) → 8 colaterais.

Fig. 11-2
Fig. 11-2 — Rosa Graduada em Graus, Pontos e Quartas
Fig. 11-3
Fig. 11-3 — Agulha de Fluxo Magnético (mostrador analógico) instalada no NHo Amorim do Valle

Agulha eletrônica (fluxgate compass)

  • Mede o campo magnético terrestre; transmite-se e exibe-se remotamente, alimenta radares e piloto automático.
  • Funciona em latitudes mais altas que a agulha magnética convencional.
Fig. 11-4
Fig. 11-4 — Agulha de Fluxo Magnético (mostrador digital)

Magnetômetro de smartphone/tablet

PrincípioEfeito Hall: tensão proporcional ao campo em 3 eixos, faixa até 2 mT/eixo — o campo terrestre fica entre 20 e 70 μT. Traz acelerômetro p/ corrigir a inclinação.
Posição oficial da MB: não reconhece esses aplicativos — não substituem as agulhas magnéticas convencionais.

Giroscópicas modernas

  • Fibra óptica sem partes móveis: o FOG (Fiber Optic Gyroscope) e o RLG (Ring Laser Gyroscope). Vantagens: menos manutenção, estabilização rápida, medem atitude do navio (ex.: NAVIGAT 3000, Sperry).
  • Rumo por duas antenas GPS em barra fixa — sai da diferença de posições. Limitação: deixa de ser sensor autônomo e passa a depender de sistemas externos.

Giropiloto, registrador e ECDIS

  • Piloto automático (giropiloto quando ligado à giro): atua quando o navio sai só 1/3 de grau do rumo; indica variação de 1/6 de grau. Ganho: mais distância p/ o mesmo combustível.
  • Registrador de rumos: registra rumos × tempo → recompor derrotas e prova de manobras em acidentes.
Fig. 11-6
Fig. 11-6 — NAVIGAT 3000 Gyro Compass (fabricante: Sperry Marine)
Fig. 11-7
Fig. 11-7 — Antenas GPS montadas em estrutura fixa no Tijupá do NHi Sirius — — ituído por duas antenas de um posicionador por satélites, montadas em uma barra fixa, conf
O piloto automático é cego — sujeito a avarias e falhas; exige vigilância permanente.

Marcações e azimutes

  • Espelho azimutal — alidade com espelho e prisma; obtém azimutes e marcações.
  • Alidade telescópica — luneta sobre o círculo. Limitação: campo de visão estreito — com o navio jogando, perde a visada.
  • Alidade autossíncrona (self-synchronous) — motor síncrono comandado pela giro mestra; mantém a marcação travada mesmo com o navio jogando (Figura 11.11), para objetos distantes.
Fig. 11-10
Fig. 11-10 — Alidade Telescópica, em uso no NPqHo Vital de Oliveira
Fig. 11-11
Fig. 11-11 — Alidade Autossíncrona
Agulha digital de mãoCaracterística-chave
DATASCOPELuneta 5×30; memória de 9 marcações; aceita declinação e dá marcação verdadeira direto.
STARSCOPESemelhante + visão noturna, amplificando mais de 1.000 vezes a luminosidade.
Fig. 11-12
Fig. 11-12 — Bússola digital e Estadímetro eletrônico KVH DataScope, em uso no NApOc Ary Rongel
Fig. 11-13
Fig. 11-13 — Bússola digital StarScope com dispositivo de visão noturna
OdômetroMede velocidade em relação a…
Superfíciemassa d'água (na superfície)
Fundo (pressão ou eletromagnético)massa d'água (junto à quilha)
Dopplerfundo do mar (velocidade real sobre o fundo)
Fig. 11-14
Fig. 11-14 — Odômetro de superfície mecânico
Só o Doppler mede velocidade em relação ao fundo. Os de superfície e de fundo medem em relação à água — afetados por corrente, maré e vento.

Superfície

Como éHélice rebocado + volante + linha + registrador; equipamento de emergência. Dá a distância, não a velocidade direta.

Fundo — pressão (tubo de Pitot)

  • Diferença entre pressão estática (imersão) e dinâmica (movimento na água) → quanto maior a velocidade, maior a diferença.
  • Haste projeta-se 0,60 m a 0,75 m abaixo da quilha; precisão da ordem de meio nó (ruim a baixa velocidade).
Fig. 11-15
Fig. 11-15 — Leitura no Registrador do Odômetro de Superfície Mecânico

Fundo — eletromagnético (FEM)

PrincípioCampo, movimento e FEM induzida a 90° entre si. Mais rigoroso: erro de 0,1 nó e faixa de 0 a 40 nós.

Doppler

f' = f · V/(V − v) Christian J. Doppler (1842)

Fig. 11-16
Fig. 11-16 — Odômetro de Fundo (tipo de pressão)
Fig. 11-17
Fig. 11-17 — Princípio de Funcionamento do Odômetro de Fundo, tipo Eletromagnético
Fig. 11-18
Fig. 11-18 — Elemento Sensível do Odômetro de Fundo, tipo Eletromagnético
  • Único a medir velocidade sobre o fundo; indica velocidades muito pequenas.
  • Referência: fundo até ~90 m; massa d'água a partir de 90 m (sinal contínuo só até 50 m).
  • Precisão ~0,5% da distância (em 360 milhas, ~1,8 milha). VLCC/ULCC: sonar Doppler em dois eixos — útil na atracação.
Fig. 11-19
Fig. 11-19 — Indicador do Odômetro de Fundo, tipo Eletromagnético.
Fig. 11-21
Fig. 11-21 — Odômetro Doppler – FURUNO DS-80 – Transdutor e Indicador de Velocidade — — e marés, ventos, etc. O odômetro Doppler também tem a vantagem de poder indicar velocidade
VelocímetroHaste puxada pela água (hidráulico) ou hélice + gerador (frequência ∝ velocidade). Conferido pela corrida da milha; usado em embarcações menores.
A velocidade para um mesmo RPM não é função linear das RPM — depende de limpeza do casco, mar, calado e vento (tabela RPM × velocidade, COND.1/2/3).

Efeito da corrente

Situação (corrente 2 nós)OdômetroFundo
Fundeado2 nós0
À deriva, sem máquina02 nós
10 nós na água, a favor1012
10 nós na água, contra108

Corrida da milha

  • Percorre distância conhecida entre marcas em terra; para anular a corrente, tomar a média de duas corridas em rumos opostos.
  • Condições: profundidade de pelo menos 5 vezes o calado; já no rumo ~1 milha antes.
Fig. 11-20
Fig. 11-20 — Ondas Sonoras

Calibragem

ei(%) = (vod − vfd)/vod × 100 corrigir com sinal contrário

Ex. NT Brekelé: vfd=9,91; vod=10,30 → ei=+3,8% (corrige −3,8%). Mesmo corrigido, ainda mede na massa líquida.

Fig. 11-24
Fig. 11-24 — Corrida da Milha (Carta 1508)
Sem odômetroObjeto flutuante lançado da proa: v(nós) = L/(0,514·t)2L/t (1 nó = 0,514 m/s).

A distância a um ponto é uma LDP: a posição fica sobre um arco de raio igual à distância.

Fig. 11-25
Fig. 11-25 — Estadímetro Fiske (tipo Standard) — — Os estadímetros mecânicos mais comuns são o do modelo Fiske (tipo Standard), con -forme ap

Estadímetro & sextante

d = h · cotg α ângulo vertical de objeto de altitude conhecida

Fig. 11-26
Fig. 11-26 — Estadímetro Brandon (tipo Sextante) — — Os estadímetros mecânicos mais comuns são o do modelo Fiske (tipo Standard), con -forme ap
Fig. 11-27
Fig. 11-27 — Operação do Estadímetro Fiske
  • Estadímetro mecânico: 250 a 10.000 jardas (0,1 a 5 milhas), preciso só até 2.000 jardas (1 milha); alvo entre 50 e 200 pés (15 a 60 m). Fiske (Standard) × Brandon (Sextante); o eletrônico é o KVH DataScope.
  • Sextante (Tamaya MS-733): D = H · cotg α. A distância é ao objeto, não à linha de costa, e só vale aquém do horizonte.
Fig. 11-28
Fig. 11-28 — Estadímetro eletrônico KVH DataScope em uso no NHo Cruzeiro do Sul — — a digital, como apresentado no subitem 11.2.2, um Estadímetro eletrônico e um Cronômetro,
Fig. 11-30
Fig. 11-30 — Leitura da distância no Estadímetro KVH DataScope — — e informado em metros, a distância será em metros, e assim para qualquer outra unidade (pé
Fig. 11-32
Fig. 11-32 — Medição de ângulo vertical — — o ângulo vertical que o subtende. Com efeito, suponha-se que um navegador, conforme o esqu

Guarda-posto

UsoRefração luminosa p/ distância entre dois navios — navegação em formatura. Prismas 16 e 32 pés a 0,1 milha (uma amarra); diagrama dá 50 em 50 m (prisma 32) e 100 em 100 m (prisma 16).

Distância ao horizonte

D = 2√h com objeto: D = 2√h + 2√H

Fig. 11-33
Fig. 11-33 — Distância à costa e distância calculada — — Por seu turno, é preciso sempre considerar que, com o emprego deste método, a distância ob
Fig. 11-34
Fig. 11-34 — Distância a objeto além do Horizonte — — ura conhecida está além do horizonte (ou seja, quando sua parte inferior não é visível), c
Fig. 11-35
Fig. 11-35 — Guarda-Posto

Ex.: h=9 m, H=100 m → D = 6 + 20 = 26 milhas.

Fig. 11-36
Fig. 11-36 — Diagrama para Uso do Guarda-Posto — — Os diagramas especiais são indispensáveis para a medida de distâncias com o guarda --posto
Fig. 11-37
Fig. 11-37 — Visada com o Guarda-Posto — — a imagem refratada do tope do mastro coincide com a luz de alcançado da imagem direta do n
Fig. 11-38
Fig. 11-38 — Distância ao Horizonte — — Na fórmula, "D" é a distância ao ho -rizonte e "h" a altitude (ou elevação) do olho do obs

Dois ângulos + distância navegada

FórmulaD = d·α/(β − α) — D na 2ª observação (mais próxima); ângulos em minutos; d = distância navegada.

Processos práticos

régua: D = H·dolho/hdedo (polegar): D = P%·C·10

Prumo de mão

  • Chumbada troncônica + linha de barca graduada em metros. O cavado com sabão/sebo traz a tença (amostra do fundo).
  • Linha de 25 a 45 m; chumbada de 2,5 a 7 kg; navio a no máximo 3 nós.
  • A leitura superestima a profundidade — o fundo real é menor (catenária da linha).

Ecobatímetro

h = v · t/2 som na água ≈ 1.500 m/s ÷2 = ida e volta

Fig. 11-44
Fig. 11-44 — Prumo de Mão
  • Frequência: sonoro < 20 kHz, ultrassônico > 20 kHz. Transdutor por magnetostrição ou piezeletricidade.
  • Mede a partir do fundo do cascosomar o calado p/ a profundidade do local. Erro principal: o som na água não é constante.
  • Cartas DHN: Nível de Redução = média das baixa-mares de sizígia → descontar a maré p/ comparar.
  • Monofeixe (linha) × multifeixe (faixa transversal, compensa balanço/caturro).
Fig. 11-45
Fig. 11-45 — Ecobatímetro — — O equipamento é constituído, basi -camente, pelos seguintes componentes, con -forme o esqu
  • Régua paralela: ler/traçar mantendo o paralelismo até a rosa; variante Captain Fields dispensa a rosa.
  • Plotador de roletes × Navigation Plotter (origem aérea, sem partes móveis).
CompassoPonta seca (navegação) × ponta de grafite (desenho). Requisito: manter a abertura. O cintel traça arcos maiores que a abertura máxima (navegação radar).
EstaciógrafoResolve segmentos capazes por meios mecânicos; a posição fica no centro do instrumento.
Transferidor UniversalOrienta-se pelos meridianos lendo 000°/180°; fixa-se no canto superior esquerdo da mesa.

Lápis HB / nº 2; esquadros escorregam → preferir réguas paralelas ou plotadores.

DadoNatureza
ENC (Electronic Navigational Chart)vetorial — banco de dados padronizado p/ navegação segura
RNC (Raster Navigational Chart)raster — imagem digitalizada e georreferenciada de carta em papel

Há ainda a IENC — ENC de águas interiores.

  • ECDIS — integra a navegação com a ENC; banco interno é o SENC. Sem ENC, usa RNC e opera em modo RCDS. Cumpre as especificações da IMO/SOLAS.
  • ECS — sistemas genéricos que não cumprem a IMO; a RTCM define 4 classes (A–D).
  • CISNE (IPqM) — sistema da MB, hoje classificado como ECS (ainda não é ECDIS).
Não confundir: ENC/RNC = dados; ECDIS/ECS = sistemas. Só o ECDIS cumpre a IMO/SOLAS; o ECDIS lendo RNC vira RCDS.
NAVEMARINST 10-15Cartas oficiais via RENC + manter obrigatoriamente andaina de cartas em papel + registro no modelo DHN-0622-4.

Desvantagens: falhas de equipamento, tela menor, poluição de tela (clutter), excesso de confiança do operador.

Binóculos e lunetas (7×50)

  • 7 = potência (poder de ampliação); 50 = diâmetro da objetiva em mm. O de bordo é quase sempre 7×50.
  • Regra: quanto maior o aumento, menor o campo de visão.
  • Perda de luz ~5% por superfíciecoating (película azul escura). Interpupilar 55 a 70 mm. Focagem central × individual (dióptrica).

Diversos

  • Cronógrafo — identifica as características de faróis à noite (≠ cronômetro da Navegação Astronômica).
  • Calculadora — programa Tamaya Navigator (efemérides + cálculos) em PDA distribuído pela DHN.
  • Lanterna com vidro vermelho → preserva a visão noturna.
Fig. 11-59
Fig. 11-59 — Binóculo 7 x 50
Fig. 11-62
Fig. 11-62 — Cronógrafo Digital
Aplicativos de celular são úteis (posição, rumo e velocidade no fundo via GPS), mas a MB não os reconhece como método homologado.