🧭 MMPH · Cap.13 — Auxílios à Navegação

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Miguens, Navegação: A Ciência e a Arte — Vol.1 · III.02-NV · Área III do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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DefiniçãoAuxílio à navegação = dispositivo, sistema ou serviço externo à embarcação que ajuda a determinar posição e rumo, alertar/posicionar perigos, demarcar limites de canais e indicar aterragem.
Ponto nº 1 do capítulo: o Brasil pertence à Região B da IALA — encarnado a boreste ao demandar o porto, o inverso da Europa (Região A).

Classificação (§2.1)

ClasseComo atuaObservação
Visuaisforma, cor e/ou luzLuminosos orientam dia e noite; cegos só de dia
Sonorosapito, sino, gongo, sirene, buzina de cerraçãoVisibilidade restrita; em desuso no Brasil (radar); comuns no exterior
Eletrônicosondas de rádioEx.: AIS AtoN e VTS

Sinal × sinalização (§2.2)

Sinal náuticoAuxílio visual construído pelo homem, fixo ou flutuante, de formas/cores legalmente definidas (NORMAM-17/DHN).
Sinalização náuticaO conjunto de sinais náuticos de uma via navegável.
Auxílios visuais = luminosos (faróis, faroletes, alinhamentos, boias luminosas, balizas articuladas, barcas-faróis) × cegos (boias cegas e balizas). A boia de amarração NÃO é auxílio à navegação (IALA).

Faróis e faroletes

FarolEstrutura fixa de coordenadas conhecidas; alcance luminoso noturno maior que 10 milhas. Componentes: estrutura + aparelho de luz (fonte + concentrador ótico + acessório de ritmo).
FaroleteIgual, mas alcance luminoso ≤ 10 mn — distinção só convencional.
FinalidadeFunção / alcance
Aterragemreconhecimento do alto-mar; alcance geralmente > 20 mn (Rasa-RJ 23, Moela-SP 24)
Cabotagemnavegação costeira entre portos (Maricás-RJ 21 mn)
Principal de portoprincipal auxílio à demanda do porto após o de aterragem (Santa Cruz-RJ 14 mn)
Fig. 13-2
Fig. 13-2 — Elementos de um Alinhamento
Regime: guarnecido = pessoal permanente, indicado por "G" só na Lista de Faróis (não nas cartas); automático = abreviatura (SG) "Sem Guarnição" nas cartas.

Luzes de alinhamento

Sinais fixos aos pares anterior = mais próximo e baixo posterior = mais afastado e alto os dois no mesmo plano vertical

Fig. 13-1
Fig. 13-1 — Faróis da Costa Brasileira
Fig. 13-3
Fig. 13-3 — Boia Luminosa Convencional

Um dos melhores recursos para indicar um rumo no fundo; exigem luzes de mesma cor.

Fig. 13-4
Fig. 13-4 — Equipamento de Fundeio de uma Boia
Fig. 13-5
Fig. 13-5 — Boia Articulada

Boias

  • Corpo flutuante fundeado por amarra e poita; a luminosa tem estrutura em treliça = mangrulho (sustenta luz, refletor radar, marca de tope e AIS).
  • Não confiar cegamente na posição das boias — podem garrar; nunca usar boia como referência para LDP.
  • Boia articulada: ligada à poita por articulação "Cardan", flutuador submerso; obedece à Região B.
Fig. 13-6
Fig. 13-6 — Esquema de Barca-farol

Barca-farol e baliza

Barca-farolPlataforma flutuante de grande porte, luz de alcance > 10 mn; alternativa = boias gigantes LANBY (≥ 10 m de diâmetro). No Brasil não há barcas-faróis nem LANBY em operação.
BalizaSinal fixo e cego, em haste, encimada obrigatoriamente por marca de tope; em rios traz placa de quilometragem (medida da foz para montante).
BalizamentoConjunto de balizas, boias, barcas-faróis, faróis e faroletes que concorrem para a segurança da navegação numa área definida.
CritérioTipos
FixaçãoFixo (faroletes, balizas) × flutuante (boias)
LuzCego (balizas, boias cegas) × luminoso
AmbienteMarítimo × fluvial (regras próprias)

Direção Convencional do Balizamento

  • Regra geral: a do navegante que, vindo do mar, demanda baía, porto, estuário, lagoa ou rio.
  • Lagos não ligados a rios: sentido Norte→Sul verdadeiro.
  • Rios não ligados ao mar: sempre da foz para a nascente.
Identificação: de dia por cor, forma, marca de tope e numeração; de noite pela característica luminosa.
Onidirecional: mesma característica em todo o entornoDirecional: uma cor em setor estreitoDe setor: cores diferentes por setorDe alinhamento: duas luzes, mesma cor

Termos das luzes rítmicas

CaracterísticaAparência pela qual a luz é identificada = ritmo + cor.
TermoDefinição
Períodotempo entre inícios de dois ciclos idênticos sucessivos
Fasecada aspecto sucessivo de luz/obscuridade num período
Lampejoluz mais curto que a obscuridade que o segue
Eclipseobscuridade entre dois lampejos sucessivos
Ocultaçãoobscuridade mais curta que a luz
Isofaseluz e obscuridade de igual duração
MarcaçõesSetores, arcos e alinhamentos em marcações verdadeiras de 000° a 360°, tomadas do mar para o sinal, no sentido horário (Figura 13.8).
A DHN registra nas cartas apenas o menor entre os dois alcances (geográfico e luminoso).
AlcanceDepende de
Luminosointensidade luminosa (candelas) + visibilidade meteorológica da região
Nominalatmosfera homogênea de visibilidade meteorológica = 10 mn, observador de vista normal
Geográficounicamente da curvatura da Terra — altura da luz e altura do olho
Transparência (T)Coeficiente de 0 a 9: fração de luz que atravessa 1 mn. T = 0,85 (tropical, costa brasileira) → 15% de absorção/milha; Atlântico Norte T = 0,74.

D = 1,927 (√H + √h) D = alcance geográfico (mn) H = altitude do observador · h = altitude da luz na prática D ≈ 2 (√H + √h)

Nos faróis de aterragem, o alcance luminoso deve ser no mínimo igual ao geográfico — interessa enxergá-los de longe.
Fig. 13-10
Fig. 13-10 — Diagrama de Alcance Luminoso

Antecedentes

  • Até 1976 havia mais de trinta sistemas; a divergência era a cor de bombordo/boreste. Acidentes no Estreito de Dover em 1971 impulsionaram a uniformização.
  • Dois sistemas: Sistema A = encarnado a bombordo; Sistema B = encarnado a boreste. IALA os combinou; cada país opta por Região A ou B (50 países, novembro de 1980).
  • Brasil optou pela Região "B"Decreto nº 92.267, de 3 de janeiro de 1986. Em 2010 incorporou o sinal de Novos Perigos.
Fig. 13-11
Fig. 13-11 — Sistema de Balizamento IALA — Regioes A e B (mapa-mundi)

Sinais laterais — Região B (Brasil)

CaracterísticaBombordoBoreste
Cor / luzVerdeEncarnado
Formato boiacilíndrico, pilar ou charutocônico, pilar ou charuto
Marca de topecilindro verdecone encarnado, vértice p/ cima
Pegadinha: na Região B, ao demandar o porto, deixa-se o encarnado a boreste e o verde a bombordo — inverso da Região A.

Ritmo lateral é qualquer, exceto grupos de lampejos compostos (2+1). Canal preferencial: faixa larga horizontal da cor do outro lado + luz em (2+1).

Fig. 13-14
Fig. 13-14 — Sinais Laterais — Regiao B (Bombordo/Boreste)
Associam-se à agulha: um sinal recebe o nome do quadrante em que está em relação ao perigo — e é por esse quadrante que o navegante deve passar (lado seguro).
Cores / luzPreto e amarelo; luz sempre branca; marca de tope de 2 cones pretos (obrigatória) (Figura 13.16).
CardinalCor (cima→baixo)2 cones
Nortepreto sobre amarelovértices p/ cima ↑↑
Sulamarelo sobre pretovértices p/ baixo ↓↓
Lestepreto, faixa larga amarelabase a base (losango)
Oesteamarelo, faixa larga pretaponta a ponta (ampulheta)

Mnemônico: os topos imitam onde estão os cones; a cor preta segue as pontas — Norte preto em cima, Sul preto embaixo, Leste em cima e embaixo, Oeste no meio.

Fig. 13-16
Fig. 13-16 — Sinais Cardinais
SinalCorMarca de topeLuz
Perigo Isoladopreta, faixas largas encarnadas2 esferas pretasbranca, grupo (2)
Águas Seguraslistras verticais encarnadas e brancasuma esfera encarnadabranca: isofásica, ocultação, lampejo longo/10s ou Morse "A"
Especiaisamarela"X" amareloamarela (nunca lampejo longo a cada 10 s)
Novos Perigoslistras verticais azul e amarelacruz amarelaazul e amarela alternadas
Fig. 13-17
Fig. 13-17 — Sinal de Perigo Isolado
  • Perigo isolado fica sobre um perigo pequeno cercado de águas navegáveis.
  • Águas seguras = água navegável em todo o entorno (meio de canal, aterragem, ponto de espera).
  • Especiais não orientam a navegação — marcam áreas (ODAS, separação de tráfego, cabos, offshore).
Fig. 13-18
Fig. 13-18 — Sinal de Aguas Seguras
Fig. 13-20
Fig. 13-20 — Sinal de Novos Perigos
Novos Perigos (desde 2010): obstrução recém-descoberta não cartografada; um sinal deve ser duplicado; luz rápida (R) ou muito rápida (MR); pode usar RACON transmitindo "D" (–··) com 1 mn na tela do radar.

O Apêndice C reúne todos os sinais IALA da Região B, conforme a Lista de Faróis (37ª edição, 2020–2021).

RegraCritério
Independênciacada canal/alinhamento numerado independentemente
Cor × paridadeencarnado = ímpares; verde = pares; alinhamentos por letras (ordem alfabética)
Sentidocrescente a partir da entrada do porto (ou boia mais próxima à entrada)
Fig. 13-21
Fig. 13-21 — Uso do Sistema IALA — Regiao B, Diurno e Noturno
Fig. 13-22
Fig. 13-22 — Exemplo de numeracao de balizamento (Carta 1401 — Vitoria/Tubarao)
Na Região B: encarnado é ímpar e fica a boreste ao entrar; verde é par, a bombordo.

O Decreto 92.267/1986 autoriza, com aprovação da DHN, sinalização complementar para balizamento fluvial/lacustre e obras sobre águas.

Fig. 13-23
Fig. 13-23 — Sinal de recomendacao de navegar junto a margem

Balizamento fluvial e lacustre

  • Onde a hidrovia se assemelha ao mar, usam-se sinais marítimos com direção convencional de jusante para montante (subindo o rio).
  • Margens (cai em prova): a margem esquerda é a do lado esquerdo de quem desce o rio (montante→jusante); a direita, do lado direito de quem desce.
Fig. 13-24
Fig. 13-24 — Sinal de recomendacao para mudar de margem
Fig. 13-25
Fig. 13-25 — Sinal de recomendacao para navegar no meio do rio
Fig. 13-26
Fig. 13-26 — Sinal indicador de trafego intenso entre as margens
Seta reta = navegar junto à margemSeta curva = mudar de margemSeta central = meio do rio"KM" = quilometragem"R" = reduzir velocidadeÂncora sob diagonal = fundeio proibido

Cais, obras e pontes

  • Cais/píeres sem direção convencional: à noite luzes fixas amarelas, alcance mínimo de 2 mn, mostrando toda a extensão.
  • Pontes (IALA R0113): o retângulo de navegação conjuga vão livre horizontal + vertical; o canal ≤ vão livre horizontal.
Fig. 13-27
Fig. 13-27 — Sinal de Alinhamento (fluvial)
Fig. 13-28
Fig. 13-28 — Sinal de quilometragem percorrida
Fig. 13-29
Fig. 13-29 — Sinal de reducao de velocidade
No vão navegávelDiurnoNoturno
Borestetriângulo encarnado, vértice p/ cimaluz rítmica encarnada
Bombordoquadrado verdeluz rítmica verde
Melhor passagemfaixa branca entre duas encarnadasluz rítmica branca
Fig. 13-30
Fig. 13-30 — Sinal de fundeio proibido
Fig. 13-31
Fig. 13-31 — Sinal de altura maxima de passagem

Luzes ≥ 2 mn; refletores radar a no mínimo 20 m da ponte; RACON de curto alcance: "T" a boreste e "B" a bombordo.

Fig. 13-32
Fig. 13-32 — Sinal de bifurcacao de canal
Fig. 13-33
Fig. 13-33 — Sinal de Perigo Isolado (fluvial)
Fig. 13-35
Fig. 13-35 — Sinalizacao Visual Diurna de Ponte (R0113 IALA)

Lista de Faróis — DH2

O que éPublicação da DHN (atualizada pelo CHM), bienal, relaciona faróis, faroletes, boias luminosas e luzes particulares; complementada pela DH18 — Lista de Sinais Cegos. Vem em 8 colunas.
2ª colunaLocal, nome, carta e classificação: negrito = alcance ≥ 15 mn; itálico = boias; "G" = guarnecido.

Ex. Farol Cabo Frio: Lampejo Branco, período 10 s, altitude 140 m, alcance luminoso 49 mn e geográfico 27 mn. Correções na Seção IV dos "Avisos aos Navegantes".

AIS como auxílio (§13.6)

AIS AtoNTransceptor em VHF que transmite nome, tipo, número de ordem, posição e condição do sinal náutico.
FormaCaracterística
Realestação AIS no próprio auxílio físico
Sintético monitoradoauxílio existe e é monitorado por Estação Base
Sintético previstoauxílio existe mas não é monitorado
Virtualsimula auxílio que não existe fisicamente
Fig. 13-37
Fig. 13-37 — Reproducao do Farol Cabo Frio (foto da Lista de Farois)
O AIS AtoN Sintético Previsto só é aceitável com auxílios fixos — nunca com sinais flutuantes (posição não confirmável).
O AIS AtoN Virtual marca de imediato naufrágio/novo perigo onde não cabe auxílio físico. Ex. de AIS AtoN Real: canal de Cotunduba (acesso ao Rio de Janeiro), na Carta 1511.