🧭 MMPH · Cap.4 — Posição no Mar

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Miguens, Navegação: A Ciência e a Arte — Vol.1 · III.02-NV · Área III do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Cobre o edital III.27–III.30 (Anexo 2-A) + Apêndice 4A (Erros da Posição Observada). Núcleo operacional do Prático em águas restritas.

Planejamento da DerrotaEstudo detalhado da área feito antes de suspender, apoiado em diversos documentos.
DocumentoFunção
Cartas Náuticas (várias escalas)Suporte cartográfico da derrota
Roteiros, Lista de Faróis / Auxílios-RádioAuxílios à navegação
Tábuas das Marés / Correntes de MaréPrevisão de marés e correntes
Cartas-PilotoCondições meteo-oceanográficas
Avisos aos NavegantesAtualização de cartas e publicações

Traçado da derrota

  • Traçada nas Cartas Náuticas, de pequena e de grande escala.
  • Registram-se Rumos Verdadeiros e Distâncias entre os pontos de inflexão.
  • Anota-se ao lado de cada ponto o ETD e/ou ETA previstos, calculados com base na velocidade de avanço (SOA).
A Tabela de dados da derrota é preparada pelo Encarregado de Navegação e submetida à aprovação do Comandante, com as cartas, antes do briefing.
ETE tempo de trajetoETD partidaETA chegadaSOA vel. de avançoRP Rumos Práticos
Fig. 4-2
Fig. 4-2 — Traçado da Derrota
DefiniçãoLDP = lugar geométrico de todas as posições que o navio pode ocupar, tendo efetuado uma certa observação, em um determinado instante (p. 4-3).
Uma só LDP não define a posição — indica só o lugar geométrico, não o ponto. Ex.: a 5 milhas de uma ilha → algum ponto da circunferência de raio 5 MN, não um ponto único.

Tipos de LDP (conforme a observação)

  • Retas de Marcação
  • Retas de Alinhamento
  • Retas de Altura (observação astronômica)
  • Circunferências de Igual Distância
  • Circunferências dos Segmentos Capazes
  • Linhas de Igual Profundidade (Isóbatas)
Formas de retas ou circunferências (exceto isóbatas, que fazem curvas caprichosas) → traçado rápido e simples.
Rotulagem na cartaHora acima da LDP (4 dígitos: HH+mm) e o valor da marcação ou distância abaixo (p. 4-4).

Alinhamento

LDP de maior precisão; não necessita de qualquer instrumento — obtida por observação visual direta, a olho nu.
  • Os dois pontos devem ser bem definidos, identificados e representados na carta.
  • A altitude do ponto posterior deve ser maior que a do anterior.
Fig. 4-3
Fig. 4-3 — Linha de Posição: Alinhamento Ig. Candelária – Torre I. Fiscal (Carta 1511)

Marcação Visual

UsoA LDP mais utilizada em navegação costeira e águas restritas.
Só se traçam marcações verdadeiras: aplicar sempre Desvio da Agulha + Declinação Magnética (agulha magnética) ou Desvio da Giro (giroscópica).

Traçar a reta só nas proximidades da posição estimada — não "congestionar" a carta.

Fig. 4-5
Fig. 4-5 — Linha de Posição: Reta de Marcação (trecho da Carta 321 - Vila do Conde)
Fig. 4-6
Fig. 4-6 — Traçado da LDP na Carta Náutica

Circunferência de Igual Distância

TraçadoCompasso ajustado na Escala de Latitudes, com centro no objeto medido; só o trecho perto da Posição Estimada.
Fig. 4-7
Fig. 4-7 — Linha de Posição: Circunferência de Igual Distância

Isóbata (Linha de Igual Profundidade)

EmpregoMedida a profundidade → navio em ponto da isóbata. Grande uso como LDP DE SEGURANÇA (alarme do ecobatímetro/ECDIS).
Fig. 4-8
Fig. 4-8 — Linha de Posição: Linha de Igual Profundidade (Isóbata)
Só tem valor onde o relevo submarino é bem definido. Somar o calado à indicação (fundo abaixo da quilha) e reduzir ao Nível de Redução (subtrair a maré).
Para determinar a posição é preciso cruzar duas ou mais LDP (do mesmo tipo ou de naturezas diferentes).

A bordo há um só observador → observações de dois pontos são aceitas como simultâneas se o intervalo for mínimo. Escolha do método depende de: meios, precisão requerida e nº de pontos notáveis.

Fig. 4-10
Fig. 4-10 — Posição por Duas Marcações Visuais
MétodoLDPNota
a. 2 marcações visuais simultâneas2 retas de marcaçãoPosição = interseção; símbolo = pequena circunferência no ponto.
b. Alinhamento + marcação1 alinham. + 1 marcaçãoBastante empregada; boa precisão; alinhamento dispensa instrumento.
c. Marcação + distância (mesmo objeto)1 marcação + 1 igual dist.As LDP cortam-se a 90° → bons resultados; ideal p/ marcação visual + distância-radar.
d. Marcação de um + distância de outromarcação + igual dist.Menor consistência — LDP não perpendiculares; escolher pontos próximos minimiza o erro.
A posição por apenas duas LDP pode conduzir a ambiguidade: o cruzamento produz dois pontos (navio em A ou B).
Fig. 4-14
Fig. 4-14 — Posição por Interseção de Duas LDP - Possibilidade de Ambiguidade
Solução: obter uma terceira LDP, que elimina qualquer ambiguidade.

Rotulagem: nas LDP simultâneas, as linhas não são rotuladas individualmente — identifica-se só a posição, com hora e odômetro.

Outros métodos (4.3.3)

Marcação + ProfundidadeCruza marcação com isóbata sondada. Pouco preciso, mas dá ponto razoável na falta de alternativas; melhor quando a marcação corta a isóbata perpendicularmente.
Eletrônico (GNSS)GPS/EUA, GLONASS/Rússia, GALILEO/EU, BEIDOU/China + e-LORAN → rigor e rapidez exigidos pela nav. costeira (detalhado no Vol. III).
IdeiaDo mesmo ponto, medem-se com o sextante dois ângulos horizontais entre três pontos (o central comum). Os 2 segmentos capazes cruzam-se → posição de elevado grau de precisão.

Traçado (ex.: segmento capaz de 30° entre M e F)

Mediatriz de MF marcar a partir de M ângulo 60° (= 90° − α) interseção = centro O → traça a circunferência

Cuidados na observação

  • Pontos de baixa altitude (próximos ao horizonte), sem diferença apreciável — o sextante mede o ângulo inclinado, não o horizontal.
  • Fig. 4-20
    Fig. 4-20 — Medição de Segmento Capaz: Erro Causado pela Diferença de Altitude dos Pontos
  • Ângulo mínimo de 30°; regra prática: não observar a distância superior a ~2,5× a distância entre os pontos.
  • Aplicar o erro instrumental do sextante.
Fig. 4-22
Fig. 4-22 — Uso do Sextante na Medição dos Segmentos Capazes

Plotagem

Gráfico — muito pouco empregadoEstaciógrafo (ou de Fortuna, papel transparente)

Escolha dos objetos

Evitar 3 pontos sobre uma circunferência que passe também pela posição do navioposição indeterminada (qualquer ponto atende aos ângulos). Ponto central mais próximo do navio, ou navio dentro do triângulo dos 3 pontos → posição sempre bem definida.
Uma das posições mais precisas por processos visuais e prescinde de agulhas (dispensa desvio/declinação).

Inconvenientes: com navio em movimento exige dois observadores; a plotagem requer prática; precisa de três objetos → método pouco utilizado na prática.

Fig. 4-32
Fig. 4-32 — Posição por Segmentos Capazes sem um Ponto Central comum, utilizando quatro pontos
Fig. 4-29
Fig. 4-29 — Ponto central mais próximo ao Navio
Duas fasesPlanejamento (no porto) + Execução (em curso): posição a cada 10 a 30 minutos por interseção de LDP, segmentos capazes, radar, GPS.
NÃO usar cartas de pequena escala (Gerais / Grandes Trechos) na costeira — faltam detalhes de perigos, auxílios e contorno.
Usar sempre a carta de maior escala existente (menor deformação, mais detalhe).

Cuidados na escolha dos pontos de apoio

CuidadoPorquê
Identificação corretaCuidado com construções recentes ausentes na carta.
Evitar pontos distantesO erro linear cresce com a distância — preferir pontos próximos.
Ângulo de cruzamentoIdeal = 180°/n; p/ 2 LDP = 90°. Evitar <30° ou >150°.
Proa/popa + travésMelhora a definição do caimento e do avanço/atraso.
Novo pontoCruzá-lo com dois pontos já marcados antes de confiar.
Mínimo de três LDPSó duas dificilmente denunciam um erro.
Fig. 4-33
Fig. 4-33 — Técnica da Navegação Costeira: Cuidados na Escolha dos Pontos
Fig. 4-36
Fig. 4-36 — Área de Incerteza da Posição
Fig. 4-37
Fig. 4-37 — Posição por Interseção de Duas Retas de Marcação: Definição de Caimento e Avanço (ou Atraso)
Triângulo de IncertezaTrês retas nem sempre cruzam num ponto. Causas: não simultaneidade, erro de observação, desvio de giro/agulha, erro de identificação, erro de plotagem ou erro na carta.
Fig. 4-38
Fig. 4-38 — Posição pela Interseção de Três Linhas de Posição: Triângulo de Incerteza
TriânguloDecisão
PequenoAdotar o centro como posição.
Próximo de perigoAdotar o vértice mais próximo do perigo + obter nova posição.
GrandeAbandonar e determinar outra imediatamente.

Quadrilátero (4 LDP): procedimento idêntico ao do triângulo.

Fig. 4-40
Fig. 4-40 — Sequência de Observação de Distâncias

Sequência de observação

MarcaçõesPrimeiro os pontos de proa/popa, por último os do través (que variam mais rapidamente).
Distâncias (inverso)As distâncias de proa/popa variam mais rapidamente → medir primeiro as do través, por último as de proa/popa.
Regra geral: a hora e o odômetro adotados correspondem à LDP que varia mais rapidamente.

Registro

Impresso oficialTodas as LDP anotadas no DHN-0622-4 — "Folha N-2" (Registro de Ocorrências da Navegação) = documento legal do navio.
A imperfeição é inerente a qualquer processo de posicionamento. É imperativo ter plena consciência da grandeza dos erros — perigoso é supervalorizar a confiança numa posição.
ConceitoDefinição
IncertezaDúvida sobre o valor exato; expressa como intervalo com grau de confiança estatístico.
Erro VerdadeiroDiferença entre o valor real e o valor obtido numa observação.
Erro SistemáticoReproduz-se identicamente; afeta todas as medidas igual. Corrigível com sinal contrário à tendência.
Erro GrosseiroEnganos do observador / avarias; detectável pelo absurdo; eliminado descartando a medida destoante.
Erro AcidentalImprevisíveis, aleatórios, não evitáveis; reduzidos por várias medições + média.
PrecisãoSó componente aleatória; mede o desvio-padrão da amostragem.
Acurácia / ExatidãoGrau de aproximação do real valor; exige mínimo erro sistemático + distribuição uniforme do acidental.
Erro Médio QuadráticoRaiz quadrada da soma dos quadrados dos desvios ÷ (n − 1). Tem 67% de probabilidade de não ser excedido.
Lei das médias: a precisão cresce proporcionalmente à raiz quadrada do número de observações — não ao número delas.
Prob. de não excederRaio
67%1 × Erro Médio Quadrático
50%Erro Provável E ≈ 2/3 × EMQ
95%3E (triplo da zona de 50%)

Vários erros de espécies diferentes: o erro provável total = raiz quadrada da soma dos quadrados dos erros de cada espécie.

Cruzamento de LDP → área, não ponto

CruzamentoZona de confiança
Perpendiculares, erros iguaisCírculo
Perpendiculares, erros diferentesElipse
Oblíquas, erros iguaisElipse
Erro RadialZona de confiança tratada como círculo de raio r = f(E₁, E₂, α); probabilidade de 65% a 68%.
A precisão é maior quanto menor o erro de cada LDP e mais próximo de 90° o ângulo de interseção. Recorrer a pelo menos três objetos — o triângulo revela a ordem de grandeza do erro.