🧭 MMPH · Cap.5 — Navegação Estimada

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Miguens, Navegação: A Ciência e a Arte — Vol.1 · III.02-NV · Área III do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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O que éA navegação estimada (DR — Dead Reckoning) determina a posição provável do navio a partir apenas das características do seu movimento — rumo verdadeiro e velocidade na superfície — aplicados a uma posição conhecida.

distância = velocidade × tempo

É o método que não depende de meios exteriores ao navio: agulha (rumo) e odômetro (velocidade) bastam.
InstrumentosAgulha dá o rumo; odômetro dá a velocidade/distância.

Independência operacional

  • Não depende de condições atmosféricas favoráveis (indispensáveis à astronômica e a métodos visuais).
  • Não depende de informações externas (GPS, sistemas de radionavegação).

Funciona quando o GPS falha, a visibilidade fecha ou o radar perde contraste — espinha dorsal da consciência situacional do prático.

Escopo do cap.: 6 regras de plotagem (5.3), 9 fatores que perturbam a estimada (5.4), o vocabulário técnico (5.5) e o triângulo de corrente (5.6–5.7). Edital: III.31 (ponto estimado) e III.32 (triângulo de corrente).
DefiniçãoMétodo para determinar a posição provável recorrendo somente às características do movimento, a partir de uma posição conhecida, aplicando a equação que relaciona distância, velocidade e tempo.
Como se obtémMovimento caracterizado pelo rumo verdadeiro (pela agulha) e pela distância percorrida (pelo odômetro). Em inglês: Dead Reckoning (DR); as posições são DR Positions.
PosiçãoConsidera corrente?Precisão
Ponto estimadoNão considera os efeitos da correntePosição aproximada
Estimada corrigida (EC)Sim — inclui o efeito da correnteMais precisa, mas ainda assim aproximada
Erro comum: minimizar a estimada pela simplicidade dos cálculos. Como o mar não é estático, a estima exige mais do navegante — inclui o "sentimento" do movimento real e previne erros grosseiros.
ProcessoDeterminar graficamente a posição aproximada aplicando à última posição conhecida plotada na carta um vetor (ou série de vetores) com todos os rumos verdadeiros e velocidades ordenados.

O vetor R + v sobre a carta (Fig. 5-1)

  • Da posição observada de 0700, governando em R = 100º a 15 nós, às 0800 a estimada estará sobre a linha de rumo, a 15 milhas (em 1 h a 15 nós percorre 15 milhas).
  • A velocidade usada é a velocidade à superfície (velN), tomada como velocidade no fundo "à guisa de aproximação" (corrente desconhecida no exemplo).
Fig. 5-1
Fig. 5-1 — Navegação Estimada
Fig. 5-2
Fig. 5-2 — Régua de Cálculo Náutica

Régua de Cálculo Náutica (Fig. 5-2): entrando com dois dos três elementos, obtém-se o terceiro.

Regras dos 3 e 6 minutos

RegraEnunciadoFórmula
Regra dos 3 minutosDistância em jardas em 3 min = velocidade (nós) × 100d (jd) = vel × 100
Regra dos 6 minutosDistância em milhas em 6 min = velocidade (nós) ÷ 10d (M) = vel ÷ 10
São seis as regras para plotar uma posição estimada (Fig. 5-3).
#Plotar posição estimada…
1nas horas inteiras (e nas meias horas)
2a cada mudança de rumo
3a cada mudança de velocidade
4no instante em que se obtém uma posição determinada
5no instante em que se obtém uma única linha de posição (LDP)
6nova linha de rumo + nova plotagem estimada devem partir de cada posição determinada obtida e plotada
Fig. 5-3
Fig. 5-3 — As seis regras da Navegação Estimada
Fig. 5-4
Fig. 5-4 — Exemplo de plotagem na navegação estimada
Frequência (regra 1)É função da escala da carta e das peculiaridades da navegação. 1 hora ou 1/2 hora são os intervalos normais em navegação oceânica e costeira; intervalos menores em águas restritas.
Uma única LDP não ajusta uma plotagem estimada. LDP cruzando linha de rumo não é posição determinada, pois uma linha de rumo não é LDP.
Na prática, o navio nunca percorre exatamente o rumo traçado com velocidade constante. São 9 fatores que alteram o movimento.
#FatorEfeito
1Correntes marítimasDeslocam a massa líquida; impõem rumo/velocidade ao flutuante
2Correntes de maréEm águas restritas, somam-se às marítimas (periodicidade tabelada)
3VentoEmpurra o casco, força abatimento, altera vel. no fundo
4Estado do mar (vagas)Faz a proa tomar direção diferente do rumo desejado
5Mau governoGuinadas exageradas (timoneiro inábil)
6Diferença de RPM entre eixosInduz rotação não comandada (navios multi-eixo)
7Pequenas dif. de velocidadeReal vs. ordenada (cavitação, perda)
8Banda e trimInclinação altera resistência e governo
9Desvio da agulha não detectadoErro sistemático no rumo verdadeiro
Convenção operacionalNa costeira, o termo "corrente" designa a resultante de todos estes 9 fatores sobre o movimento — não a corrente oceanográfica strictu sensu (Fig. 5-5).
Fig. 5-5
Fig. 5-5 — O Triângulo de Corrente

Velocidades e rumos

SímboloTermoDefinição
velNVelocidade do navioDistância em 1 h na superfície
velfdVelocidade no fundoDistância em 1 h relativa ao fundo = resultante de velN com velcor
velcorVelocidade da correnteEfeito combinado dos 9 fatores em 1 h
RNRumo na superfícieÂngulo Norte Verdadeiro → direção em que se governa (000º–360º, horário)
RfdRumo no fundoÂngulo Norte Verd. → caminho efetivamente percorrido (projetado no fundo)
RcorRumo da correnteDireção para onde flui a corrente (resultante dos fatores)
Não confundir: o rumo da corrente é a direção para onde a corrente flui — convenção oposta à do vento (direção de onde o vento sopra).

Abatimento, caimento, avanço e atraso

Abatimento (abt)Ângulo entre o rumo na superfície (RN) e o rumo no fundo (Rfd). Contado para BE ou para BB, a partir de RN (Fig. 5-6).

velcor = velcaimento + velavanço

Fig. 5-6
Fig. 5-6 — Abatimento (abt)
Fig. 5-7
Fig. 5-7 — Caimento e Avanço
ComponenteObtençãoConvenção de sinal
Avanço / AtrasoRebatimento do estimado sobre Rfd; diferença das distâncias no fundo e na superfícieAvanço se velfd > velN; Atraso se velfd < velN
CaimentoCorda do arco do rebatimentoLateral; para BE ou BB

Posições: estimada, EC e carteada

TipoVetores usadosQuando
EstimadaRumo do navio + distância na superfícieDR puro, sem corrente
Corrigida (EC)Rumo no fundo + distância no fundo (corrente mantida)DR + corrente conhecida
Posição carteadaPosição futura prevista (de observada, estimada ou EC)Antecipação; pode incluir ou não a corrente
Fig. 5-8
Fig. 5-8 — Triângulo de Corrente e Termos Correlatos
Critério do prático: se a corrente foi determinada com critério, não se deve omiti-la na carteação dos próximos pontos.
TriânguloConhecidosDeterminados
REAL (corrente determinada)RN, velN; Rfd, velfd (de duas posições determinadas)Rcor, velcor
ESTIMADO (corrente prevista)RN, velN; Rcor, velcor estimados (Cartas-Piloto, Tábuas de Corrente, observação)Rfd, velfd previstos

Os três vetores

VetorDireçãoGrandeza
FundoRfdvelfd
SuperfícieRNvelN
CorrenteRcor (para onde flui)velcor
Regra dos seis elementos: três vetores × dois elementos cada (direção + grandeza) = seis elementos. Os problemas consistem em determinar dois elementos diante de quatro conhecidos — base lógica dos 5 tipos de 5.7.
Fig. 5-9
Fig. 5-9 — O Triângulo de Corrente: Real e Estimado
TipoConhecidosPede-se
a)Duas posições observadas (RN, velN)Rcor, velcor (e Rfd, velfd)
b)RN, velN + correnteRfd, velfd (→ ETA)
c)Corrente + Rfd/velfd desejadosRN, velN a comandar
d)Corrente + velN fixa + Rfd desejadoRN, velfd resultante
e)Estimada + corrente da regiãoPosição EC

a) Rcor e velcor — duas posições observadas (Fig. 5-11)

  • O vetor estimada → observada de 0400 representa o efeito da corrente no período.
  • Resultado: Rcor = 101º, velcor = 1 nó; Rfd = 059º, velfd = 9,7 nós.
  • No intervalo: abatimento 4º BE; avanço 0,7 milha; caimento p/ BE 0,7 milha.
Fig. 5-11
Fig. 5-11 — Exemplo: Obtenção dos elementos da Corrente (Rumo e Velocidade)

Se o intervalo não for de 1 h exata, dividir a distância pelo tempo para obter a velocidade (v = e/t).

b) Rfd e velfd — corrente conhecida (Fig. 5-13)

RN = 315º, velN = 8 nós + corrente Rcor = 270º, velcor = 1 nó Rfd = 311º, velfd = 8,7 nós

Fig. 5-13
Fig. 5-13 — Exemplo: Obtenção dos elementos no fundo (Rumo e Velocidade)

Prever Rfd/velfd é rotina para informar o ETA (estimated time of arrival), no qual o porto baseia prático, rebocadores e cais.

c) RN e velN — Rfd desejado (Fig. 5-15)

Rfd = 310º, velfd = 9,6 nós + corrente 270º/1 nó RN = 314º, velN = 8,8 nós

Fig. 5-15
Fig. 5-15 — Exemplo: Obtenção dos elementos na superfície (Rumo e Velocidade)

d) RN e velfd — velN fixa (Fig. 5-17)

  • Caso típico de avaria de máquinas (velocidade não alterável). Dados: Rfd desejado = 072º, velN = 6 nós, corrente 100º/1,5 nó.
  • Resultado: RN = 065º (ordem ao timoneiro), velfd = 7,3 nós.
  • Distância AB = 9 milhas → duração 74 minETA = 1114.
Fig. 5-17
Fig. 5-17 — Exemplo: Obtenção do rumo na superfície e da velocidade no fundo

e) Posição estimada corrigida (EC) (Fig. 5-19)

  • Basta aplicar à posição estimada o vetor corrente do período. Dados: RN = 120º, velN = 7 nós, corrente 030º/1 nó.
  • EC de 0900: Lat 23º02,6'S; Long 043º01,6'W.
Fig. 5-19
Fig. 5-19 — Exemplo: Obtenção da Posição Estimada Corrigida
A EC é representada por um losango centrado no ponto, com a hora ao lado seguida da abreviatura EC.
O ponto estimado representa apenas a posição de maior probabilidadenão uma certeza. Em situações perigosas, substitui-se o ponto por uma zona de probabilidade (circunferência em torno do ponto).
ConsistênciaÉ o raio dessa circunferência, função dos erros prováveis no rumo e na distância percorrida (mais o efeito da "corrente").
Pré-requisitosBoa estimada exige determinação escrupulosa dos erros instrumentais (agulha, odômetro); a EC exige perfeito conhecimento do navio e acompanhamento constante.
Regra empírica: a posição estimada tem consistência de 0,1 (10%) da distância percorrida desde a última posição observada.

20 milhas desde a última fixação raio da zona de probabilidade = 2 milhas