🧭 MMPH · Cap.6 — Cap. 6 — Marcacoes-Sucessivas

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Miguens, Navegação: A Ciência e a Arte — Vol.1 · III.02-NV · Área III do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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ProblemaQuando a costa oferece apenas um único ponto identificável de cada vez, não dá para cruzar LDP simultâneas. Solução: obter LDP em instantes diferentes e transportar a primeira ao instante da segunda.
Base conceitualUsa os conceitos da navegação estimadarumo, velocidade e tempo.

Hierarquia de precisão

OrdemMétodoPrecisão
LDP simultâneasMaior — referência ouro; vários pontos notáveis visíveis ao mesmo tempo
LDP sucessivasIntermediária — melhor que a estimada; só um ponto de cada vez
Estimada puraMenor — sem observação de pontos
Marcações sucessivas = processo aproximado: melhor que a estimada pura, porém menos preciso que uma boa LDP simultânea. Não tratar como precisão equivalente. (p. 6-3)
Os conceitos de transporte de LDP reaparecem na navegação astronômica — investimento de longo prazo do navegante.

Princípio básico

Como funcionaConhecendo o intervalo de tempo entre duas observações, a velocidade e o rumo verdadeiro, determina-se a distância percorrida — que permite transportar a 1ª LDP para o instante da 2ª.

Δt (intervalo) V (velocidade) R (rumo verdadeiro) distância d transporta LDP₁ posição

Mnemônico: T + V + R → Transporte → Posição — Tempo de intervalo, Velocidade do navio e Rumo verdadeiro são os três elementos indispensáveis.

Melhores resultados quando

  • Conhece-se uma posição observada próxima ao ponto da 1ª marcação.
  • Navega-se onde a corrente não seja muito significativa. (p. 6-3)
Não confundir posição por LDP sucessivas com LDP simultâneas — o método sucessivo é uma aproximação, menos precisa.

O que significa transportar

DefiniçãoSe no instante t o navio estava sobre uma LDP e navegou uma distância d no rumo R durante Δt, no instante t' ele está sobre a mesma LDP deslocada da distância d, segundo o rumo R. (p. 6-2)

Dados obrigatórios

DadoComo obter
Rumo verdadeiro (R)Agulha giroscópica ou magnética corrigida
Distância dOdômetro (diferença de leituras) — preferencial
Distância d — alternativad = velocidade × Δt

Procedimento gráfico (Fig. 6-1)

  1. Traçar a LDP original (reta de marcação de t).
  2. De qualquer ponto A da LDP, traçar reta paralela ao rumo R.
  3. Marcar sobre ela a distância d, obtendo o ponto A'.
  4. Fig. 6-1
    Fig. 6-1 — Figura 6.1 – Transporte de LDP: Reta de Marcação
  5. Por A', traçar reta paralela à marcação inicial = LDP transportada para t'.

Identificação: repete-se a da LDP original e anota-se t' após t. Ex.: “LDP ‘A’ 1300/1330”, d = 5 milhas, R = 000°.

Limite crítico: evitar, na navegação costeira, transporte de LDP com diferenças de tempo superiores a 30 minutos — corrente, vento, mar e erro do timoneiro crescem com o tempo. (p. 6-2)
A LDP transportada é paralela à original e NÃO passa pelo ponto notável. O ponto de saída sobre a LDP pode ser qualquer um.
Fig. 6-2
Fig. 6-2 — Figura 6.2 – Transporte de LDP: Alinhamento

Três situações possíveis

CasoSituaçãoFigs.
aDuas marcações do mesmo objeto, com intervalo entre elas6-3 a 6-5
bDuas marcações de objetos diferentes, com intervalo6-6, 6-7
cSérie de marcações do mesmo objeto (dobro do ângulo, Série de Traub)6-8 a 6-13
Regra de ouro: a posição é sempre obtida no instante da segunda observação — cruzamento da LDP₂ com a LDP₁ transportada.

Mesmo objeto — rumo e vel. constantes (6.3.2, Fig. 6-3)

  • Traçar LDP₁ (t₁) e LDP₂ (t₂) na carta.
  • Transportar LDP₁ paralelamente ao rumo, pela distância d = odo₂ − odo₁ (ou vel × Δt).
  • Posição em t₂ = cruzamento de LDP₂ com LDP₁ transportada.

Variações do caso geral

Mudança de rumo/vel (Fig. 6-4)Usar o vetor entre posições estimadas PE₁ → PE₂ como direção e distância do transporte.
Corrente conhecida (Fig. 6-5)Aplicar a corrente a PE₂ → obter a Posição Estimada Corrigida (EC); transportar LDP₁ paralelamente ao vetor PE₁ → EC.

Dois objetos diferentes (6.3.3, Fig. 6-6)

Procedimento idêntico ao do mesmo objeto — muda só que cada LDP pertence a um ponto notável. Ex.: R = 195°, vel = 10 nós; 0900h farol M = 270°; 0930h monumento M = 247°; transportar d = 10 nós × 30 min = 5 milhas no rumo 195°. (p. 6-5)

Fig. 6-7
Fig. 6-7 — Figura 6.7 – Posição por Marcações Sucessivas de Objetos Diferentes
Manter o intervalo ≤ 30 min também entre marcações de objetos distintos.
Fig. 6-3
Fig. 6-3 — Figura 6.3 – Posição por Marcações Sucessivas
Fig. 6-4
Fig. 6-4 — Figura 6.4 – Posição por Marcações Sucessivas com Mudança de Rumo e Velocidade
Fig. 6-5
Fig. 6-5 — Figura 6.5 – Posição por Marcações Sucessivas conhecendo-se os Elementos da Corrente
Fig. 6-6
Fig. 6-6 — Figura 6.6 – Posição por Marcações Sucessivas de Objetos Diferentes

Propriedade geométrica

RegraSe a 2ª marcação polar = dobro da 1ª (α e 2α), o triângulo navio-navio-objeto (A, B, C) é isósceles: AB = BC.
A distância do navio ao objeto na 2ª marcação = distância percorrida entre as marcações (Fig. 6-8).

Pares mais usados

1ª Mp (α)2ª Mp (2α)Obs.
22,5°45°par clássico
30°60°par clássico
45°90°Bow & Beam (caso especial)
Fig. 6-8
Fig. 6-8 — Figura 6.8 – Posição por Série de Marcações (Marcações Duplas)
Obter a distânciaPor diferença de odômetro (preferencial) ou d = velocidade × Δt.

Ex. (Fig. 6-9): R = 090°, vel = 15 nós. 1600h Mp = 30° BB (odo 0410,0); 1622h Mp = 60° BB (odo 0415,5). Distância ao objeto às 1622h = 0415,5 − 0410,0 = 5,5 milhas. (p. 6-7)

Fig. 6-9
Fig. 6-9 — Figura 6.9 – Posição por duas Marcações Polares, sendo a Segunda Marcação o Dobro da Primeira

Marcações polares quaisquer (Fig. 6-10)

  • d₂ = distância ao objeto na 2ª marcação.
  • dt = distância pelo través (objeto a 90°).
Não confundir marcação polar (0°–180° BE/BB, medida da proa) com marcação verdadeira (0°–360°, do Norte). E d₂ ≠ dt: d₂ é agora (instante B); dt só ocorre no futuro, quando o objeto estiver pelo través.
Fig. 6-10
Fig. 6-10 — Figura 6.10 – Posição e Distância por Duas Marcações e Caminho Percorrido
No par 45°/90°, a distância navegada entre as marcações = distância pelo través — obtém-se a posição no exato momento em que o objeto está claramente pelo través. (p. 6-7)
Por quêCaso especial da marcação dupla com α = 45°: o triângulo ABC fica 45° / 90° / 45° (isósceles) → dtravés = dpercorrida.

Procedimento

#Ação
1Objeto a 45° de um bordo → anotar odômetro e hora
2Mesmo objeto pelo través (90°) → anotar novo odômetro
3dtravés = odo₂ − odo₁
4Posição = marcação 90° do bordo + dtravés
Mnemônico: “45 fica, 90 mede” — a 45° anota o odômetro; a 90° a distância percorrida já é a distância ao través. Sem trigonometria.
Aplicável a BE e BB, mas exige rumo e velocidade constantes entre as marcações.

Definição

O que éSequência de marcações polares de um ponto, espaçadas igualmente na distância d, tomadas em intervalos de tempo iguais; ao marcar 090°, o objeto está à distância 2d. (p. 6-8)
As 9 marcações (qualquer bordo): 14° · 16° · 18° · 22° · 27° · 34° · 45° · 63° · 90° — equidistantes em distância percorrida, não em ângulo.

Propriedades (Fig. 6-11)

  • Distâncias navegadas entre marcações consecutivas são iguais (d).
  • Distância pelo través dt = 2d — o dobro da distância entre marcações consecutivas.

Exemplo (Fig. 6-12)

R = 206°, vel = 15,5 nós. Marcações da chaminé: 10h08 (22° BE), 10h17 (27°), 10h26 (34°), 10h35 (45°) — intervalos iguais de 9 min ⇒ Traub confirmada.

d = 15,5 × 9 min = 2,3 M dt = 2d = 4,7 M faltam 63° e 90° (2 intervalos) través às 10h35 + 18 min = 10h53

Fig. 6-11
Fig. 6-11 — Figura 6.11 – Série de Traub
Com corrente, a Série de Traub NÃO pode ser usada para distâncias/posições — mas ainda detecta a corrente: intervalos decrescentes → corrente empurra rumo ao ponto; crescentes → afasta. (p. 6-9)
Pouco usada em veleiros e pequenas embarcações pela menor precisão de leitura das bússolas.
Fig. 6-12
Fig. 6-12 — Figura 6.12 – Série de Traub (exemplo)
Fig. 6-13
Fig. 6-13 — Figura 6.13 – Uso da Série de Traub havendo Corrente