🧭 MMPH · Cap.7 — Cap. 7 — Linhas-Posicao-Seguranca

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Miguens, Navegação: A Ciência e a Arte — Vol.1 · III.02-NV · Área III do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Para que servem

DefiniçãoUma única LDP não define a posição do navio, mas informa se ele está ou não em zona segura — independentemente de se conhecer a posição exata.
Onde se usaNavegação costeira e, sobretudo, em águas restritas, onde a manobrabilidade é limitada pelo calado, pela exiguidade da área ou por ambos.
LDP de segurança = controle posicional, não determinação precisa de posição.

Os 5 tipos (ordem crescente de instrumentação)

#TipoInstrumentoReferência
1AlinhamentoVisual (marcos sobrepostos)Dois marcos alinhados
2Marcação de segurançaCompasso / radiogoniômetroFarol + tangente ao perigo
3Distância de perigoRadar / trigonometriaFarol próximo aos perigos
4Ângulo verticalSextanteFarol de altitude h conhecida
5Ângulo horizontalSextante / difer. de marcaçõesDois pontos notáveis
Mnemônico A · M · D · V · H = Alinhamento · Marcação · Distância · ângulo Vertical · ângulo Horizontal.

Pré-requisito operacional antes de qualquer LDP: iluminar a carta (dois critérios: profundidades e distância ao perigo).

O que é

IluminarAssinalar na carta os contornos das áreas perigosas, tradicionalmente hachurando a lápis, com cuidado para não ocultar pontos conspícuos.
"Iluminar" é metáfora — significa hachurear a lápis, não acender luzes.

Os limites das áreas perigosas variam de navio para navio: dependem de calado, comprimento, boca e características de manobra (uma área perigosa para um Navio-Aeródromo pode não ser para um Navio-Patrulha).

Critério das profundidades

Prof. mínima segura = calado + margem de segurança ou calado + 15% do calado, o que for maior

TraçadoContorna-se a área perigosa com a isobatimétrica igual ao calado + margem; essa linha é a fronteira da área a evitar.
Margem influenciada porvariação de maré · efeito squat (pela velocidade) · vagas · outros fatores meteoceanográficos.
Exemplo (p. 7-2)Margem = 2 m; calado = 14 m. 15% de 14 = 2,1 m > 2 m → usa-se 2,1 m. Prof. mínima = 14 + 2,1 = 16,1 m (→ 16 m na carta).
Fig. 7-1
Fig. 7-1 — Carta náutica “iluminada” segundo o critério das profundidades

A critério do Comandante, os limites de lazeira mínima podem ser redefinidos, sempre para incrementar a segurança.

ECDIS e critério da distância

  • No ECDIS, as áreas não navegáveis (NON GO AREAS) são destacadas automaticamente em tempo real.
  • Critério da distância: linha de perigo traçada à menor distância que o Comandante deseja passar dos perigos (ex.: 2 milhas náuticas de todos os riscos, Fig. 7-2).
  • Fig. 7-2
    Fig. 7-2 — Carta náutica “iluminada” segundo o critério da distância ao perigo mais próximo
Os dois critérios (profundidade e distância) podem coexistir na mesma carta.
Os alinhamentos são as mais precisas LDP de segurança.

Como funciona

EstruturaDois marcos em terra que, quando visualmente sobrepostos, indicam que o navio está exatamente sobre a linha que os une.

Manter a proa (ou, em certas situações, a popa) sobre o alinhamento garante seguir sua direção ou a recíproca — aplicação típica: entrada em portos e canais estreitos.

Alinhamento × luz de setor

CaracterísticaAlinhamentoLuz de setor
EstruturasDuasUma
PrecisãoMaiorMenor
Indica limites navegáveisNãoSim
Tipo de avisoContínuo (sobre a linha ou não)Binário (sim-não)
O alinhamento não indica limites navegáveis — só informa se o navio está (ou não) sobre a linha.
Fig. 7-3
Fig. 7-3 — LDP de Segurança. Alinhamentos

Regra fundamental

A marcação de segurança é sempre do navio para o ponto de referência (do largo para terra)nunca a recíproca.
Do navio para o farol, jamais do farol para o navio. A recíproca dá valor errado e pode induzir o navegante a entrar na área de risco.

Geometria: parte-se do ponto de referência (farol, torre, tanque) e traça-se uma tangente ao limite da área perigosa.

a. Perigo por um bordo (Fig. 7-4)

Marcação ao FarolSituaçãoAção
> 010°Águas segurasManter rumo
= 010°Sobre a linha de perigoAtenção máxima
< 010°Em área perigosaCorrigir rumo já

Derrota A→B com R=000°, Farol Ponta Alta; marcação de segurança M=010°.

Fig. 7-4
Fig. 7-4 — Marcação de Segurança Indicando o Limite de Área Perigosa à Navegação

b. Perigo pelos dois bordos (Fig. 7-5)

Corredor seguroDuas marcações a partir de um único ponto de referência: M1 = 095° (limite Norte) e M2 = 078° (limite Sul). Seguro enquanto a marcação ao tanque estiver entre 078° e 095°.
Fig. 7-5
Fig. 7-5 — Marcações de Segurança Limitando Perigos nos Dois Bordos do Rumo de Aproximação
Marcação ao tanqueRiscoCorreção
Aproxima-se de 095°Norte (Molhe Sul)B-E (boreste)
Aproxima-se de 078°Sul (baixio 20 m)B-B (bombordo)

Luzes de setor

ConvençãoSetor branco = canal seguro; verde = limite de bombordo; encarnado = limite de boreste do canal.
Mnemônico: VERDE a B-B, ENCARNADO a B-E.
Ao entrar no setor verde ou encarnado, voltar imediatamente ao branco — não é possível saber quanto se avançou no setor colorido.
Fig. 7-6
Fig. 7-6 — Luzes de Setor
Situação-tipoPassar entre dois perigos (A e B) usando um farol de referência próximo (Farol C) para controlar continuamente a distância.

O anel de segurança (Fig. 7-7)

ElementoPerigoCírculo
dB (raio menor)B — mais próximo do farolinterno
dA (raio maior)A — mais afastado do farolexterno

Corredor seguro = anel entre os círculos manter dB < dist. ao Farol C < dA

Estar além do círculo externo (d > dA) não é mais seguro — é a zona do perigo A (o mais afastado). O corredor é o anel, não o exterior dele.

Distância ao farol obtida por radar (mais comum em navios modernos), por polares (marcação + distância) ou por trigonometria na carta; verificação contínua.

Fig. 7-7
Fig. 7-7 — Distâncias de Perigo

Fundamento e fórmula

PropriedadeDe qualquer ponto de uma circunferência centrada na base de um objeto vertical, o ângulo subtendido pelo topo é o mesmo.

d = h · cotg α (equivale a) tg α = h / d d = distância · h = altitude · α = ângulo medido com sextante

Relação inversa: ângulo maior → navio mais próximo; ângulo menor → mais distante. Confundir esse sentido é a pegadinha mais cobrada.

Passagem entre dois perigos (Fig. 7-9)

Medir dA, dB na carta tg αA = h/dA e tg αB = h/dB corredor seguro: αA < αobs < αB

Ângulo observadoRiscoCorreção
Aumentando → αBB (mais próximo do farol)B-B (bombordo)
Diminuindo → αAA (mais afastado do farol)B-E (boreste)
Fig. 7-9
Fig. 7-9 — Ângulos Verticais de Segurança definindo Círculos de Distância a um Ponto Notável de Altitude Conhecida
A altitude h deve ser conhecida (carta ou Farol Book); sem h não se calculam os ângulos-limite.
PrincípioControla a posição lateral medindo o ângulo entre dois pontos notáveis (ex.: Farol C e Torre D) visíveis simultaneamente.

Dos pontos salientes dos perigos, visar Farol C e Torre D medir α (perigo A) e β (perigo B) navegar mantendo o ângulo entre α e β

Ângulo horizontalRiscoCorreção
Diminuindo → αAB-E (boreste)
Aumentando → βBB-B (bombordo)

Instrumentos

MediçãoSextante (mais preciso) ou diferença de marcações simultâneas (verdadeiras, relativas ou da agulha), pelo compasso.
Diferença-chave para o ângulo vertical: usa dois pontos notáveis (não um farol) e não exige altitude conhecida.
Fig. 7-10
Fig. 7-10 — Ângulos Horizontais de Segurança