O navio não atende às ordens instantaneamente: leva tempo e percorre distância até se estabilizar no novo rumo ou na nova velocidade.
NomeDados táticos nos navios de guerra = características de manobra nos mercantes.
O que compõe
- Elementos das curvas de giro (avanço, afastamento, abatimento, diâmetro tático).
- Dados de máquinas: tabelas de aceleração/desaceleração, demanda (RPM) × velocidade e correspondência do telégrafo de manobra.
Quando obtidosDeterminados durante as provas de mar que seguem à construção ou modernização.
Onde ficamSempre à disposição do Oficial de Serviço, no passadiço e no CIC/COC.
Considerar os dados táticos ao investir canal estreito, no fundeio de precisão e ao manobrar em formatura — no planejamento e na execução.
Curva de giroTrajetória descrita pelo centro de gravidade numa evolução de 360º, a dada velocidade e ângulo de leme.
| Elemento | Definição |
|---|---|
| Avanço | Distância na direção do rumo inicial, do leme carregado até a proa atingir o novo rumo. Máximo quando a guinada é de 90º. |
| Afastamento | Distância perpendicular ao rumo inicial, do leme carregado até a proa atingir o novo rumo. |
| Abatimento | Caimento do navio para o bordo contrário ao da guinada, no início da evolução. |
| Diâmetro tático | Distância perpendicular ao rumo inicial numa guinada de 180º; = afastamento máximo. |
| Diâmetro final | Arco descrito na parte final ao girar 360º com leme constante. É sempre menor que o diâmetro tático. |
| Ângulo de deriva | Ângulo entre a tangente à curva e o eixo longitudinal do navio. |
Centro de giroFica a 1/3 do comprimento do navio a partir de vante, sobre o eixo longitudinal. Ideal = centro de giro no passadiço.
Abatimento inicial › raio variável até ~90º › trajetória circular, centro fixo › ângulo de deriva constante
Ao carregar o leme
- A proa guina para o bordo do leme; o CG segue o rumo inicial por um curto espaço.
- A popa é empurrada para o bordo contrário → guinada para o bordo do leme + abatimento oposto.
- O navio só ganha caminho para o bordo da guinada após duas a três vezes o comprimento do navio.
Só com leme não se evita obstáculo à proa se ele estiver a menos de 2× o comprimento do navio; dois navios "roda a roda" não evitam colisão a menos de 2 a 3× a soma dos comprimentos.
Efeito do leme e da velocidade
- Maior ângulo de leme → diminuem avanço, diâmetro tático, afastamento e tempo de evolução; aumenta o ângulo de deriva.
- Maior velocidade → menor tempo de evolução.
- Avanço, diâmetro tático e afastamento variam com a velocidade segundo uma parábola: caem até a velocidade ótima de evolução e depois sobem.
Condições da provaÁguas tranquilas, sem corrente/vento; profundidade de pelo menos 5 a 6 vezes o calado do navio.
- Vento: a maioria dos navios tende a arribar — levar a proa para sotavento — deformando a curva.
- Corrente: alonga a curva na direção em que a água se desloca.
Se vento/corrente forem desfavoráveis, entrar no canal próximo ao estofo da maré (corrente mínima).
Exemplo (Fig. 8-5)A 10 nós, 15º de leme: guinada de 45º → avanço 230 jardas, afastamento 55 jardas; diâmetro tático (180º) = 630 jardas.
Tabela de Dados Táticos — 15 nós, 15º de leme
| Guinada | Avanço (jd) | Afastamento (jd) |
|---|---|---|
| 45º | 345 | 115 |
| 90º | 500 | 375 |
| 135º | 360 | 590 |
| 180º | 205 | 800 |
Diâmetro táticoPara 15º a 15 nós = 800 jardas (o afastamento na guinada de 180º). Faz parte do Livro do Navio.
Fig. 8-8 (12 nós, 25º)Guinada de 90º → tempo 1 min 15 seg, avanço 400 jd, afastamento 200 jd, velocidade real 8,2 nós.
Valores intermediários de guinada obtidos por interpolação linear na tabela.
Aceleração e distância
- Passar de 10 → 25 nós: leva 9 minutos e percorre 5.749 jardas ≈ 2,87 milhas.
- Parada: a 30 nós, parando as máquinas, o navio leva 12 minutos e ainda percorre ≈ 4,1 milhas.
Em águas restritas a inércia do navio é enorme — decisiva no planejamento.
Telégrafo e RPM × velocidade (Fig. 8-10)
| Pergunta | Resposta |
|---|---|
| Ordem 2/3 ADIANTE equivale a… | 92 RPM e 10,5 nós |
| RPM para navegar a 20 nós? | 185 RPM |
O que éPonto onde carregar o leme para efetuar com segurança a mudança de rumo. Determinado com os dados táticos (avanço e afastamento).
Aplica afastamento (paralela ao rumo inicial) → B › aplica avanço → C › perpendicular ao rumo inicial → D (início da guinada)
Exemplo 50º (12 nós, 15º)Interpolando: avanço 283 jd, afastamento 77 jd; usa a Torre, marcação de guinada MG = 270º.
Escolha da referência (2 casos)
| Referência | Vantagem | Desvantagem |
|---|---|---|
| Próxima do través | Razão de variação da marcação máxima → guinada no instante certo | Se fora da derrota, continua fora na nova pernada |
| Marcação paralela ao novo rumo | Fica sobre a nova pernada ao fim da guinada, onde quer que esteja | Marcação menos sensível (varia devagar) |
Como raramente há paralela exata, escolhe-se a mais próxima da paralela ao novo rumo e usa-se como marca de proa: guinando rápido demais, alivie o leme; devagar, carregue mais.
ExemploA 15 nós, passar a 10 nós em frente a um trapiche. O navio leva 1 minuto para perder velocidade; à média de 12,5 nós percorre 420 jardas.
Começar a reduzir a 420 jardas do través do trapiche.
ConceitoManobras para fundear num ponto pré-selecionado com mínimo de erro.
4 fases › seleção do ponto › plotagem › aproximação e faina › procedimentos após o fundeio
Seleção — área segura (Fig. 8-16)
- Linha de perigo = isóbata de profundidade = calado + 6 pés (≈ 1,8 m) — lazeira mínima sob a quilha na BM.
- Arcos de raio = comprimento do navio + filame; área externa = área segura.
- Fundo de areia ou lama (para o ferro unhar); profundidade nem pequena (perigo) nem grande (o ferro garra).
Plotagem
- Derrota de aproximação com comprimento mínimo de 1.000 jardas (não menos que 600 a 1.000 jd).
- Filame = 5 a 7 vezes a profundidade; um quartel de amarra = 15 braças (27,4 m).
- Círculos de distância de 100 em 100 jardas, com o zero deslocado da distância escovém–passadiço (de ~10 jd a ~300 jd), pois o ferro larga com o escovém sobre o ponto, mas a posição é do passadiço.
Aproximação — Fragatas/Corvetas
| Distância ao ponto | Ação |
|---|---|
| 1.000 jardas | Reduzir para 5 a 7 nós |
| ≈ 300 jardas | Parar as máquinas (conforme vento/corrente) |
| Sobre o ponto | Reverter: quebrar o seguimento avante e dar um pouco de seguimento a ré |
Seguimento a ré protege proa bulbosa / domo de sonar da amarra. Bom fundeio: ferro dentro de círculo de 50 jardas de raio.
Após o fundeio — CGN e CGP
| Círculo | Raio |
|---|---|
| CGN (Giro do Navio) | comprimento + filame |
| CGP (Giro do Passadiço) | escovém–passadiço + filame |
Verificar a posição a cada 15 ou 30 minutos; as posições devem ficar dentro do CGP. Posição confirmada fora do CGP = navio garrando → alertar imediatamente.
Ponto de vistaEmpregos dos dados táticos e o fundeio de precisão foram vistos do Passadiço, por métodos predominantemente visuais (com auxílio do radar).
À noite ou com visibilidade restrita, tais fainas podem ser executadas inteiramente pelo CIC/COC, por navegação radar.