FunçãoUm bridge team eficaz gerencia todos os recursos disponíveis e promove boa comunicação e trabalho em equipe. Isso permite planejar/completar a passage berth to berth em conformidade com as COLREGS e com o serviço de quarto da STCW, além de antecipar situações perigosas e responder a emergências.
A informação para a organização eficaz do passadiço deve estar embutida no SMS (Safety Management System) como exigência do ISM Code.
As 7 coisas que o SMS deve cobrir (§2.1)
- Níveis de safe manning (dotação segura);
- Safe conduct of navigation (condução segura da navegação);
- Conformidade com MARPOL e minimização do impacto ambiental;
- Comunicação e teamwork eficazes;
- Training e familiarisation eficazes;
- Procedimentos operacionais sólidos de bordo;
- Respostas a emergência robustas e praticadas.
BRMBridge resource management = uso disciplinado de todas as pessoas, equipamentos e informações do passadiço para manter o navio seguro.
O team deve ter pessoal suficiente para o passage plan e o passadiço nunca pode ficar sem vigia no mar. O Master dimensiona por fatores (não por número fixo de manning).
Fatores que o Master pesa
- Visibilidade, estado do mar e tempo;
- Densidade de tráfego; navegação em/perto de TSS (traffic separation schemes);
- Proximidade de perigos e instalações fixas/móveis;
- Manobras previstas; governo manual ou automático;
- Calado, profundidade disponível e UKC (under keel clearance);
- Estado operacional dos equipamentos, incluindo alarmes.
Sole look-out (§2.2.2)
O OOW (Officer of the Watch) pode atuar como sole look-out (vigia único) somente em condições de dia (daylight). A orientação de quando/como fazê-lo deve constar do SMS.
Quem é do teamTodos com bridge navigational watch ou advisory duty — Master, demais membros e o pilot (quando embarcado) — cooperam pela navegação segura.
O Master tem a overriding authority e a responsabilidade pelas decisões de segurança e prevenção de poluição — não pode ser constrangido pela companhia/afretador (§2.2.4).
Controle do quarto: com o Master no passadiço, muitas vezes é preferível o OOW manter o controle enquanto o Master supervisiona. A mera presença do Master não retira do OOW a responsabilidade pela navegação — o OOW segue no controle salvo se avisado explicitamente do contrário.
O team deve saber o que reportar de rotina, manter o Master informado e conhecer as circunstâncias em que o Master deve ser chamado (§4.6, checklist C2.17).
Por que treinar BRMDesempenho depende de liderança, teamwork, comunicação e gestão — por isso a STCW exige treinamento de BRM. Team com plano e bem briefado mantém situational awareness e reconhece a chain of errors a tempo de quebrá-la (§4.8).
Challenge and response (§2.2.5)
Challenge and response: todo nível do team é encorajado a questionar decisões operacionais sem medo de represália ou ridículo. Ex.: um rating com mais experiência no navio pode apontar ação pouco eficaz; sob pilotagem, o OOW deve questionar se a ação do pilot desvia do plano.
Um challenge por segurança não é challenge à autoridade — e em nenhuma circunstância pode minar a autoridade que o Master delegou ao OOW.
Thinking aloudPensar em voz alta: falar as ações enquanto se executa (ex.: "guinando 20° a bombordo para aumentar o CPA…"). Compartilha o modelo mental e desenvolve os juniores.
Human element & 'just' culture (§2.5)
Um erro — desde que não intencional nem por descuido — deve ser tratado como oportunidade de aprendizado. A just culture dá confiança para admitir erros/near misses, sob a condição de que comportamento inaceitável não será tolerado.
Briefing / debriefingAntes de operações exigentes (chegada, saída, longa pilotagem, emergências): o Master/oficial designado briefa o team sobre deveres e instruções. Depois: o debriefing colhe feedback do que deu certo e do que melhorar.
Comunicação interna (§4.21)
- Passadiço e engine room comunicam-se regularmente;
- Reporta-se: status de máquinas/propulsão e defeitos; circunstâncias que afetem manobrabilidade (fuel changeover, manutenção); mudanças de velocidade; exigências ambientais.
Bridge team duties (§2.4–2.5)
A presença de um pilot não exime o Master nem o team dos deveres de segurança e prevenção de poluição (pilotagem no cap. 6). Passadiço deve ser livre de distração: acesso restrito, controle rígido de celulares, comunicações só relativas à navegação segura.
| Papel | Responsabilidade no team |
|---|---|
| Master | Responsabilidade máxima pela segurança; overriding authority para segurança/poluição. |
| OOW | Gerencia o team, responde ao Master pela navegação segura; atribui deveres; mantém o controle do quarto salvo aviso do Master. |
| Pilot | Assessora na navegação local; presença não exime Master/team dos deveres. |
| Look-out / helmsman | Vigia e governo conforme o OOW. |
| External resources | Port control, VTS, rebocadores, lanchas, line handlers. |
FamiliarisationISM Code + STCW exigem sistema de familiarização de novos tripulantes: período razoável, oficial designado responsável, entregue one to one, em língua comum, com checklist (C2.3/C2.4).
A familiarização com o equipamento específico instalado a bordo é sempre exigida (ex.: ECDIS); manuais/vídeos/CBT complementam, não substituem o one-to-one.
Hours of rest — mínimos STCW (§2.2.11)
| Requisito de descanso | Valor |
|---|---|
| Em qualquer período de 7 dias | ao menos 77 horas |
| Em qualquer 24 horas | ao menos 10 horas |
| Divisão das 10 h | no máx. dois períodos; um de ao menos seis horas consecutivas |
| Intervalo entre descansos | não mais que 14 horas |
Exceções podem ser permitidas pelo flag State e aceitas pelo PSC (evidência a bordo). A MLC 2006 (ILO) também fixa mínimos, mas na prática a STCW é levemente mais estrita e é a normalmente cobrada pelo PSC.
Registros individuais de descanso: modelos IMO/ILO, assinados pelo tripulante; companhia mantém schedule of working arrangements afixado a bordo.
A maioria dos flag States aplica limite de não superior a 0,05% de álcool no sangue (BAC), ou 0,25 mg/l no ar expirado, a quem exerce funções de segurança/security/ambientais; algumas Administrações são mais estritas.
EnforcementA companhia tem uma drug and alcohol policy; o Master a aplica também a visitantes (pilots, contractors, oficiais). Havendo dúvida, o Master (ou chief officer) age imediatamente (§2.2.13).
O inglês é a língua do transporte marítimo internacional. As comunicações devem ser em inglês ou em língua comum definida, claramente entendida por todos os membros do team.
Working languageSe o inglês não é a working language do navio, a companhia/Master define e registra no log book uma alternativa. O pilot deve sempre explicar, em inglês/língua comum, as instruções trocadas com outros navios, tugs e VTS.
Numa emergência, garantir comunicação clara usando as SMCP (IMO Standard Marine Communication Phrases), sobretudo nas comunicações externas (§2.2.14).
SMS (ISM)O ISM Code exige um SMS com instruções e procedimentos para operação segura e proteção ambiental, identificando níveis de autoridade e linhas de comunicação entre Master, oficiais, tripulação e companhia.
Distribuição (§5.1)Companhia avalia relevância de novas regras à frota, implementa no SMS e confirma recebimento; Master e team revisam, implementam e reportam de volta.
Ordens do Master (§5.2)
| Instrumento | O que é | Assinatura |
|---|---|---|
| Standing orders | Requisitos duradouros; cópia no passadiço. | Lidas, assinadas e datadas por todos ao embarcar. |
| Bridge order book | Instruções específicas escritas pelo Master ao menos diariamente, para aquele período. | Assinado por cada OOW ao assumir o quarto. |
| Night orders | Para os períodos em que o Master descansa; info da perna atual. | — |
Uma regra sobrepõe-se a todos esses documentos: eles nunca podem impedir o OOW de chamar o Master a qualquer momento julgado necessário.
Personal devices (§6.1)Política escrita: celulares e PEDs só no passadiço em circunstâncias aprovadas pelo Master — em geral, apenas quando operacionalmente necessário.
Internet e email (§6.2) — acesso usualmente restrito a:
- Atualizações de cartas/publicações náuticas, licenças e permits;
- Informação meteorológica;
- Avisos aos navegantes (navigational warnings);
- Info relevante às operações e ao passage plan.
Princípio único das duas políticas: o passadiço deve ser livre de distração, porque a distração degrada o watchkeeping.
SMS & drillsO SMS identifica emergências potenciais (distress, avaria, incêndio, poluição, acidentes pessoais, security/carga) e fixa procedimentos. Um programa de drills os pratica — incluindo recuperação de pessoas da água.
Resposta eficaz (§4.24) assegura que:
- Ações iniciais de controle da emergência sejam iniciadas;
- Comunicações entre o team e todos os envolvidos sejam eficazes;
- Quando cabível, comuniquem-se com serviços de SAR (Search and Rescue), autoridades, navios e/ou aeronaves;
- As respostas sejam revisadas para confirmar que seguem eficazes.
Drills e exercícios são registrados; os obrigatórios conforme o flag State. Durante qualquer emergência, uma coisa não muda: o bridge team permanece responsável pela segurança da navegação (§2.6).