- Métodos tradicionais (visual e radar): obrigavam a anotar e plotar na carta de papel; ao terminar, mostravam só onde o navio estivera.
- Receptor satélite encurtou a medição, mas ainda exigia plotagem manual.
- Cada satélite emite as efemérides (sua posição no instante) e o almanaque (órbitas aproximadas dos demais).
- Transmite posição + sinal horário de relógio atômico; o receptor mede o atraso do sinal.
Vantagens (2.1)
Fontes de erro
- Atraso ionosférico: ionosfera fica entre 50 e 550 km de altitude; atenuado por receptor de dupla frequência.
- Atraso troposférico: vapor d'água; pior nos satélites baixos no horizonte.
- Multicaminho (multipath): reflexão em montanhas/construções perto do receptor.
| Fonte de erro | Observação |
|---|---|
| Relógios atômicos | pequenos desvios temporais |
| Efemérides | imprecisão da posição informada |
| Receptores / ruídos eletrostáticos | dependem da qualidade do equipamento |
Dupla frequência praticamente elimina a interferência ionosférica; o multicaminho corrige-se por antenas adequadas e altas frequências.
PDOP (3D) › = HDOP (horizontal) + VDOP (vertical) › TDOP = tempo
- PDOP ≡ inverso do volume do tetraedro receptor + 4 satélites: volume máximo → melhor geometria → PDOP mínimo.
- GDOP (geométrica) = PDOP + TDOP; mede a distribuição dos satélites em torno do receptor.
Desde 1996, GPS e GLONASS são reconhecidos como componentes do WWRNS.
Datum e geoide (2.3)
| Serviço | Quem usa / precisão |
|---|---|
| PPS (Posicionamento Preciso) | precisão total, só usuários selecionados |
| SPS (Padrão) | aberto; navegação costeira e restrita, 9 metros horizontal a 95% |
Segmento Espacial
Modernização (Block IIR-M, IIF, III, III Follow-On): relógios de rubídio a ±1 s em 1 milhão de anos; novos sinais civis (L2C, L5, L1C) e o código militar M-Code.
| Segmento | Função |
|---|---|
| Espacial | satélites em órbita |
| Controle | rede terrestre: rastreia, monitora, envia comandos e correções |
| Usuário | receptores, processadores e antenas |
Segmento de Controle
Satélites modernos trocam dados entre si e corrigem a própria órbita — basta contato a cada seis meses.
Disponibilidade Seletiva
| Sistema | País / operação | Constelação · altitude · período |
|---|---|---|
| GLONASS | Rússia (militar + civil) | 27 satélites (24 op + 3 reserva), 3 órbitas de 8, 19.100 km, 11 h, incl. 64,8° |
| GALILEO | Europa (inteiramente civil), ESA + UE | 24 (→30), 3 órbitas, 23.222 km, 56°, 14 h |
| BEIDOU (BDS) | China (militar + civil) | 35 (5 geoestacionários + 30 média), 21.000 km, 13 h |
- GLONASS: inclinação alta dá melhor cobertura em altas latitudes; precisão 12,4 m a 95%. 1ª estação no Hem. Sul no Brasil, Brasília, 2013.
- GALILEO: em serviço desde 2016; sistema regional EGNOS (tipo SBAS) melhora a precisão; SAR localiza porte de transponder em menos de 10 minutos.
- BEIDOU: original 1994 (op. 2000, regional); BeiDou-2/Compass 2012 (Ásia-Pacífico); global em 2020, plena prevista p/ 2035.
Pressuposto: o erro é semelhante para todos os receptores no alcance da estação que usem os mesmos satélites. Emprega também técnicas cinemáticas em tempo real (RTK).
DGPS no Brasil
- No Brasil usa-se o DGPS, o sistema de correção mais difundido no mundo; a sigla DGPS aparece no canto da tela.
- A Marinha transmite correção gratuita a partir dos radiofaróis da costa, na mesma portadora do radiogoniômetro.
- Dá acurácia p/ Levantamentos Hidrográficos e SIG; estação fixa detecta problemas nos satélites de imediato.
| Botão | Função |
|---|---|
| GOTO | seleciona o waypoint como destino |
| MARK / MOB | toque = marca posição (MARK); pressionado = homem ao mar (MOB) |
| DIM / PWR | toque liga (ON); pressionado desliga (OFF) |
| DISP | alterna telas auxiliares (mini plotter, rumo, velocímetro, DOP) |
Agulhas satelitais (7)
- Solução: integrar a agulha giroscópica/magnética — ou usar a agulha satelital (satellite compass).
- Calcula o rumo por duas antenas GNSS alinhadas à linha proa-popa; o vetor entre elas dá o rumo na superfície.
- Modelos com três antenas em estrela: a 3ª reduz influência de cabeceio, balanço e caturro.
Baixa potência herdada do NAVSTAR (ocultar sinal, poupar bateria) → vulnerável a interferências. Em exercícios nos EUA, bloqueadores cortaram o GPS a 350 milhas náuticas, da superfície até 12 km de altitude.
| Ameaça | O que faz |
|---|---|
| Bloqueio (jamming) | sobrepõe-se ao sinal → ausência de informação |
| Falsificação (spoofing) | altera a derrota sem o navegante perceber |
- Usar vários GNSS protege pouco: todos têm vulnerabilidades semelhantes (resiliência só marginal).
- M-Code (só Forças Armadas dos EUA): praticamente imune à falsificação por criptografia forte.
- Militar: VANT americano de >4 milhões de dólares alimentado com coordenadas falsas colidiu no Irã (2011); Loran desativado no Canadá (2010) e na Europa (2015).
Fontes alternativas de PNT (8.1)
| Sistema | Princípio |
|---|---|
| IRS (inercial) | giroscópios + acelerômetros; posição a partir de um ponto de partida (submarinos nucleares) |
| eLoran | Loran-C modernizado; baixa freq., alta potência, longo alcance, sem atrasos atmosféricos; alcança até dentro de contêineres metálicos |
| R-Mode | sinais de alcance de radiofaróis MF ou estações AIS/VDES |
| Bússola Quântica | átomos super-resfriados; promessa de ~90 cm de precisão |
| NAVSOP | sinais de oportunidade (TV, rádio, Wi-Fi, telefonia) |
| VDES | evolução do AIS, estudada como A-PNT (VDES-R) |
eLoran: cada estação alcança ~1.000 km; precisa de pelo menos três para posição 3D; pode transmitir correção como um DGNSS (eDLoran).
Levantamentos hidrográficos (9.1)
| Equipamento | Característica · alcance |
|---|---|
| Ecobatímetro monofeixe | mede em linhas espaçadas; sem garantia entre as linhas |
| Ecobatímetro multifeixe | ensonificação total do fundo; até 11.000 m de profundidade |
| SVL (side scan sonar) | "peixe" rebocado; retroespalhamento; achou o Titanic a 3.800 m |
| LiDAR | aerolevantamento a LASER; alcança mais de 50 metros conforme a água |
A OHI recomenda cobertura total nas áreas críticas (portos, atracadouros, canais de folga mínima sob a quilha).
Diagrama CATZOC (Zona de Confiabilidade)
| Cat. | Precisão posição | Precisão profundidade |
|---|---|---|
| A1 | ± 5 m | 0,5 + 1% (DGNSS + multifeixe; cobertura total) |
| A2 | ± 20 m | 1 + 2% (ecobatímetro moderno + SVL) |
| B | ± 50 m | 1 + 2% (sem SVL; sem garantia de cobertura) |
| C | ± 500 m | 2 + 5% (baixa acurácia; anomalias possíveis) |
| D / U | — | D baixa qualidade; U ainda não avaliados |
Raster (RNC)
- Matriz de pontos (bitmap), como foto: perde resolução ao ampliar e não permite interação com os elementos. Outro formato: ARCS (UKHO).
- Vantagens sobre papel: tempo real, troca automática de cartas, sobreposição de radar e AIS, visões diurna/crepuscular/noturna.
Vetorial (ENC)
| Vetorial: vantagens | Vetorial: desvantagens |
|---|---|
| banco de dados; interação; camadas adicionais | produção demorada |
| atualização por arquivos pequenos (RNC exige trocar o arquivo pesado) | exige sistemas mais robustos |
OHI adotou o S-57 em 1992 (atualização 2000) e publicou o S-100 em 2010 (alta resolução, plug and play). BDHC gera papel/RNC/ENC de um banco único.
Aplicações especiais (9.4)
- Inland ENC: feições fluviais (pontes, eclusas, quilometragem) ausentes das ENC marítimas.
- AML (Camadas Militares Adicionais): estrutura da OTAN compatível com as ENC.
- Norma nacional: NORMAM-511/DHN.
Derrota segura (10.1)
- Traçam-se linhas paralelas ao rumo de cada pernada, tangentes a pontos notáveis em terra; mantida a distância, o navio está sobre a derrota.
- Radares têm a opção PIL (Parallel Index Line): cada PIL tangencia o círculo da VRM (Marca de Distância Variável).
- Execução: linhas azuis = 1ª pernada, encarnadas = 2ª pernada; guina p/ tangenciar as azuis, atinge o ponto de guinada, passa às encarnadas.
- Versão analógica: linhas a lápis dermatográfico sobre template de vidro/acrílico sobre a tela.
Fundeio de precisão (10.2)
- Aproxima um fundeio só com radar — útil à noite, sem auxílios luminosos, baixa visibilidade ou sem pontos notáveis.
- Plota-se o Ponto de Guinada (PG): da tabela de dados táticos, entra-se com velocidade (ex.: 15 nós) e ângulo de leme (15°) e obtêm-se Afastamento e Avanço.
- PIL de referência marcam o instante da guinada e a chegada ao fundeio ao tangenciar ilhas notáveis.