🧭 MMPH · Cap.3 — Temperatura

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Ynoue, Meteorologia — Noções Básicas · V.02-MO · Área V do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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O que é

DefiniçãoTemperatura do ar = o elemento meteorológico mais sentido no dia a dia. Seu valor num ponto resulta de vários fatores agindo ao mesmo tempo.

Como se mede

  • Termômetros comuns: de mercúrio ou de álcool; ou dispositivos elétricos (termopares).
  • Princípio = dilatação: recebe calor → dilata (mais volume); perde calor → contrai. Dá o valor instantâneo.
Leitura do menisco: mercúrio é convexo → ler pela tangente superior; álcool é côncavo → ler pela tangente inferior (Fig. 3-1).
InstrumentoLíquidoMecanismo
T. de máximamercúrioEstrangulamento perto do bulbo: deixa passar ao expandir (T sobe), impede o retorno ao cair → guarda a maior T.
T. de mínimaálcoolÍndice (halter) na coluna: ao cair, álcool contrai e arrasta o índice; ao subir, passa por ele. Lê na ponta distante = menor T.
Onde ficamÀ sombra, a 1,5 m do solo, dentro do abrigo meteorológico pintado de branco (Fig. 3-2).

Média do dia = (máxima + mínima) ÷ 2

TermógrafoRegistro contínuo. Mais comum = bimetálico: lâmina de 2 metais com dilatações diferentes muda de curvatura → caneta desenha o termograma (Fig. 3-4).
fig3-1
fig3-1 — Leitura dos termômetros de mercúrio e de álcool (adaptado de Medição..., s.d.)
Sensação térmicaT sentida ≠ T medida. Depende de vestimenta (isolamento), fatores fisiológicos (atividade, idade, saúde) e fatores atmosféricos (radiação, umidade relativa, vento).
ar úmido → suor evapora menos → resfria menosar seco → evapora mais → esfria mais rápidovento forte → mais evaporação → resfria

Índice de desconforto (ID) — Thom e Bosen (1959)

UsoRegiões tropicais (vento fraco). Considera só temperatura e umidade.

ID = 0,4·(Ts + Tu) + 4,8 [°C] Ts = bulbo seco (T do ar) Tu = bulbo úmido (gaze umedecida)

Menor a diferença Ts−Tumaior a umidade relativa.
Valor de IDSensação
abaixo de 21 °Cbem-estar
21 °C a 29 °Cparte crescente da população sente desconforto
acima de 29 °Ctodos sentem forte desconforto
fig3-2
fig3-2 — (A) Abrigo meteorológico e (B) termômetros de máxima (superior) e mínima (inferior) (cortesia da Estação Meteorológica do IAG/USP)
fig3-3
fig3-3 — Gráfico das temperaturas diárias em agosto de 2012, com base em dados do Inmet, estação Mirante de Santana (São Paulo/SP)
fig3-4
fig3-4 — Termógrafo bimetálico (adaptado de Thinkstock)
7 fatores controlam a T no espaço e no tempo: estações · latitude · altitude · continentalidade · correntes oceânicas · circulação atmosférica · variação da radiação no dia.

Por que existem as estações

  • Translação: 365,25 dias no plano da eclíptica.
  • Causa das estações = eixo inclinado ~23,5° em relação à vertical do plano (NÃO a distância ao Sol).
  • 6 meses o Hemisfério Norte recebe mais energia; nos outros 6, o Sul.
  • Rotação: gira de oeste para leste (23 h 56 min 4 s) → dias e noites.
fig3-5
fig3-5 — Rotação da Terra ao redor de seu eixo imaginário de rotação (adaptado de O movimento..., 2002)

Altura do Sol

DefiniçãoÂngulo entre os raios solares e o plano do horizonte.

Nascer altura pequena, raios inclinados, energia se espalha → T baixa Meio-dia: altura máxima, energia concentrada → T sobe (mas pico vem depois)

Dia solar & órbita

  • Dia solar = intervalo entre 2 meios-dias solares = 24 h. Rotação real = 23 h 56 min 4 s (defasagem 3 min 56 s porque a Terra avança na órbita).
  • As 6 h extras/ano acumulam 24 h em 4 anosano bissexto.
  • Órbita elíptica: periélio (mais perto, 147 Mkm) ~4 jan; afélio (mais longe, 152 Mkm) ~4 jul.
fig3-7
fig3-7 — Período de rotação da Terra e o dia solar (adaptado de Mihos, s.d.)
fig3-8
fig3-8 — Movimento de translação da Terra ao redor do Sol: o periélio e o afélio (adaptado de Movimentos..., 2011)
Periélio cai no verão do HS → prova de que a distância NÃO explica as estações.

Equinócios e solstícios (HS)

Data aprox.Marco (Hem. Sul)Sol a pino em
22–23 setequinócio primaveraequador (0°)
21–22 dezsolstício de verão23,5° S (Capricórnio)
20–21 marequinócio outonoequador (0°)
20–21 junsolstício de inverno23,5° N (Câncer)
fig3-9
fig3-9 — Movimento de translação da Terra ao redor do Sol e as estações do ano (adaptado de Dilão, s.d.)
  • Equinócio: dia e noite de 12 h em todo o planeta; Sol nasce/põe exatamente L/W só nesses dias.
  • Solstício: diferença dia/noite máxima. Verão austral → Sol da meia-noite acima de 66,5° S (Círc. Polar Antártico); noite de 24 h acima de 66,5° N.
Isotermas = linhas de igual T. T diminui do equador aos polos; mais alta no hemisfério onde é verão (Fig. 3-11).
fig3-11
fig3-11 — Temperatura média do ar em superfície entre 1980 e 2010: (A) anual; (B) dezembro a fevereiro; (C) junho a agosto. No eixo horizontal, L indica leste, e W, oeste (adaptado de NOAA, s.d.)
  • Equador ↔ trópicos: energia e duração do dia variam pouco.
  • Maior latitude → maior variação da altura do Sol entre verão e inverno: verão = dias longos/noites curtas; inverno = o contrário.
fig3-13
fig3-13 — Temperaturas médias em Cuiabá e Brasília entre 1961 e 1990 (adaptado de Inmet, s.d.)
fig3-14
fig3-14 — Principais correntes oceânicas ao redor do globo (adaptado de Gordon, 2011)
fig3-15
fig3-15 — Temperatura média mensal em Maceió (AL) e Lima, no Peru (adaptado de Weather)
fig3-16
fig3-16 — Circulação termohalina (adaptado de Thermohaline..., 2014)
CapitalLatitudeMais quenteMais frio
Natal (RN)~5° S27,0 °C24,5 °C
Vitória (ES)20° S26,9 °C21,7 °C
São Paulo (SP)23,5° S22,4 °C15,8 °C
Porto Alegre (RS)30° S24,7 °C14,3 °C
Maior latitude → maior amplitude (Porto Alegre). Latitude age junto com altitude, continentalidade e circulação.
AltitudeAltura de um local em relação ao nível médio do mar (NMM).

Sobe altitude densidade da atmosfera diminui T cai

Taxa padrão = −6,5 °C/km na troposfera.
Brasília × CuiabáMesma latitude (~15,5° S). Brasília (1 159 m) = 21,2 °C; Cuiabá (151 m) = 25,6 °C → diferença 4,4 °C (esperado 6,5 °C só pela taxa; resto = circulação).
Inverno: continentes mais frios que oceanos. Verão: continentes mais quentes. (Atmosfera aquecida de baixo p/ cima.)
  • Continentes têm capacidade térmica menoraquecem e resfriam mais rápido.
  • Água tem calor específico (calor p/ elevar 1 °C em 1 g) muito maior → variações menores.
  • Água é transparente (radiação penetra fundo), gasta calor na evaporação e mistura (fluido); terra é opaca (absorve só nos 1ºs cm).
ResultadoVariação da T maior sobre a terra, menor sobre a água.
O que sãoMovimentos quase horizontais das águas, gerados pela ação dos ventos. Transferem calor do equador para os polos; afetam T, nebulosidade e precipitação (sobretudo no litoral).
Correntes QUENTESCorrentes FRIAS
Sentidocalor rumo aos polosrumo ao equador
Onde corremsetor oeste dos oceanos / leste dos continentessetor leste dos oceanos / oeste dos continentes
Exemplocorrente do BrasilPeru/Humboldt, Califórnia
Efeito+ evaporação → fonte de umidadestratus → nevoeiro no litoral; reduz precipitação
Lima × MaceióQuase mesma latitude; Lima mais fria pela altitude (150 m) e pela corrente do Peru (águas frias) (Fig. 3-15).

Circulação termohalina

Movida por T + salinidade no inverno água fria/densa afunda (Atlântico Norte, Antártica) espalha-se pelo fundo e retorna devagar

Onde a água afunda (altas latitudes), o oceano libera calor à atmosfera → ar mais ameno.
Trópicos recebem mais radiação do que perdem; polos perdem mais do que recebem → o calor precisa ser transportado dos trópicos aos polos (e ar frio ao equador). O aquecimento desigual gera a circulação em larga escala.
  • ZCIT (perto do equador): nebulosidade o ano todo — nuvens barram radiação solar (esfria) mas absorvem a terrestre (não deixa esfriar muito).
  • ~30° (subtrópicos): céu limpomaiores temperaturas nos desertos, NÃO no equador.
  • Latitudes médias (45°–60°): sucessão de massas quente/frio + frentes; ar frio derruba a T (mais forte sem nuvens — inverno S/SE/CO do Brasil).
  • Ventos locais (brisas terrestre, marítima, de vale, de montanha) mudam a T em prazos curtos.
O que éAcompanha a variação da radiação nas 24 h. Após o pôr do Sol → resfriamento radiativo; T cai na madrugada; mínima próximo ao nascer do Sol.
PONTO-CHAVE: a T do ar responde à radiação líquida (solar incidente − terrestre emitida), NÃO diretamente à radiação solar. Por isso a máxima vem horas APÓS o meio-dia solar.

Nascer → ~15 h: radiação líquida positiva (entra mais) → T sobe depois fica negativa (Terra emite mais) → T cai

fig3-17
fig3-17 — Radiação líquida e variação na temperatura do ar (adaptado de Survey..., s.d.)

Amplitude térmica diurna

DefiniçãoDiferença entre T máxima e mínima do dia; depende da variação da altura do Sol. Maior em latitudes baixas (trópicos).
FatorEfeito na amplitude diurna
Continentalidademenor sobre oceanos, maior sobre continentes
Nuvensreduzem (dia refletem; noite reirradiam)
Ventocalmo aumenta (menos troca entre camadas)
Umidade relativaar seco aumenta (mais infravermelho escapa)
Coberturavegetação ameniza; áreas urbanas ampliam

Regiões florestadas: mais amenas de dia, mas noites/madrugadas mais quentes (evapotranspiração).