O que é
DefiniçãoTemperatura do ar = o elemento meteorológico mais sentido no dia a dia. Seu valor num ponto resulta de vários fatores agindo ao mesmo tempo.
Como se mede
- Termômetros comuns: de mercúrio ou de álcool; ou dispositivos elétricos (termopares).
- Princípio = dilatação: recebe calor → dilata (mais volume); perde calor → contrai. Dá o valor instantâneo.
Leitura do menisco: mercúrio é convexo → ler pela tangente superior; álcool é côncavo → ler pela tangente inferior (Fig. 3-1).
| Instrumento | Líquido | Mecanismo |
|---|---|---|
| T. de máxima | mercúrio | Estrangulamento perto do bulbo: deixa passar ao expandir (T sobe), impede o retorno ao cair → guarda a maior T. |
| T. de mínima | álcool | Índice (halter) na coluna: ao cair, álcool contrai e arrasta o índice; ao subir, passa por ele. Lê na ponta distante = menor T. |
Onde ficamÀ sombra, a 1,5 m do solo, dentro do abrigo meteorológico pintado de branco (Fig. 3-2).
Média do dia › = (máxima + mínima) › ÷ 2
TermógrafoRegistro contínuo. Mais comum = bimetálico: lâmina de 2 metais com dilatações diferentes muda de curvatura → caneta desenha o termograma (Fig. 3-4).
Sensação térmicaT sentida ≠ T medida. Depende de vestimenta (isolamento), fatores fisiológicos (atividade, idade, saúde) e fatores atmosféricos (radiação, umidade relativa, vento).
ar úmido → suor evapora menos → resfria menosar seco → evapora mais → esfria mais rápidovento forte → mais evaporação → resfria
Índice de desconforto (ID) — Thom e Bosen (1959)
UsoRegiões tropicais (vento fraco). Considera só temperatura e umidade.
ID = 0,4·(Ts + Tu) + 4,8 [°C] › Ts = bulbo seco (T do ar) › Tu = bulbo úmido (gaze umedecida)
Menor a diferença Ts−Tu → maior a umidade relativa.
| Valor de ID | Sensação |
|---|---|
| abaixo de 21 °C | bem-estar |
| 21 °C a 29 °C | parte crescente da população sente desconforto |
| acima de 29 °C | todos sentem forte desconforto |
7 fatores controlam a T no espaço e no tempo: estações · latitude · altitude · continentalidade · correntes oceânicas · circulação atmosférica · variação da radiação no dia.
Por que existem as estações
- Translação: 365,25 dias no plano da eclíptica.
- Causa das estações = eixo inclinado ~23,5° em relação à vertical do plano (NÃO a distância ao Sol).
- 6 meses o Hemisfério Norte recebe mais energia; nos outros 6, o Sul.
- Rotação: gira de oeste para leste (23 h 56 min 4 s) → dias e noites.
Altura do Sol
DefiniçãoÂngulo entre os raios solares e o plano do horizonte.
Nascer › altura pequena, raios inclinados, energia se espalha → T baixa › Meio-dia: altura máxima, energia concentrada → T sobe (mas pico vem depois)
Dia solar & órbita
- Dia solar = intervalo entre 2 meios-dias solares = 24 h. Rotação real = 23 h 56 min 4 s (defasagem 3 min 56 s porque a Terra avança na órbita).
- As 6 h extras/ano acumulam 24 h em 4 anos → ano bissexto.
- Órbita elíptica: periélio (mais perto, 147 Mkm) ~4 jan; afélio (mais longe, 152 Mkm) ~4 jul.
Periélio cai no verão do HS → prova de que a distância NÃO explica as estações.
Equinócios e solstícios (HS)
| Data aprox. | Marco (Hem. Sul) | Sol a pino em |
|---|---|---|
| 22–23 set | equinócio primavera | equador (0°) |
| 21–22 dez | solstício de verão | 23,5° S (Capricórnio) |
| 20–21 mar | equinócio outono | equador (0°) |
| 20–21 jun | solstício de inverno | 23,5° N (Câncer) |
- Equinócio: dia e noite de 12 h em todo o planeta; Sol nasce/põe exatamente L/W só nesses dias.
- Solstício: diferença dia/noite máxima. Verão austral → Sol da meia-noite acima de 66,5° S (Círc. Polar Antártico); noite de 24 h acima de 66,5° N.
Isotermas = linhas de igual T. T diminui do equador aos polos; mais alta no hemisfério onde é verão (Fig. 3-11).
- Equador ↔ trópicos: energia e duração do dia variam pouco.
- Maior latitude → maior variação da altura do Sol entre verão e inverno: verão = dias longos/noites curtas; inverno = o contrário.
| Capital | Latitude | Mais quente | Mais frio |
|---|---|---|---|
| Natal (RN) | ~5° S | 27,0 °C | 24,5 °C |
| Vitória (ES) | 20° S | 26,9 °C | 21,7 °C |
| São Paulo (SP) | 23,5° S | 22,4 °C | 15,8 °C |
| Porto Alegre (RS) | 30° S | 24,7 °C | 14,3 °C |
Maior latitude → maior amplitude (Porto Alegre). Latitude age junto com altitude, continentalidade e circulação.
AltitudeAltura de um local em relação ao nível médio do mar (NMM).
Sobe altitude › densidade da atmosfera diminui › T cai
Taxa padrão = −6,5 °C/km na troposfera.
Brasília × CuiabáMesma latitude (~15,5° S). Brasília (1 159 m) = 21,2 °C; Cuiabá (151 m) = 25,6 °C → diferença 4,4 °C (esperado 6,5 °C só pela taxa; resto = circulação).
Inverno: continentes mais frios que oceanos. Verão: continentes mais quentes. (Atmosfera aquecida de baixo p/ cima.)
- Continentes têm capacidade térmica menor → aquecem e resfriam mais rápido.
- Água tem calor específico (calor p/ elevar 1 °C em 1 g) muito maior → variações menores.
- Água é transparente (radiação penetra fundo), gasta calor na evaporação e mistura (fluido); terra é opaca (absorve só nos 1ºs cm).
ResultadoVariação da T maior sobre a terra, menor sobre a água.
O que sãoMovimentos quase horizontais das águas, gerados pela ação dos ventos. Transferem calor do equador para os polos; afetam T, nebulosidade e precipitação (sobretudo no litoral).
| Correntes QUENTES | Correntes FRIAS | |
|---|---|---|
| Sentido | calor rumo aos polos | rumo ao equador |
| Onde correm | setor oeste dos oceanos / leste dos continentes | setor leste dos oceanos / oeste dos continentes |
| Exemplo | corrente do Brasil | Peru/Humboldt, Califórnia |
| Efeito | + evaporação → fonte de umidade | stratus → nevoeiro no litoral; reduz precipitação |
Lima × MaceióQuase mesma latitude; Lima mais fria pela altitude (150 m) e pela corrente do Peru (águas frias) (Fig. 3-15).
Circulação termohalina
Movida por T + salinidade › no inverno água fria/densa afunda (Atlântico Norte, Antártica) › espalha-se pelo fundo e retorna devagar
Onde a água afunda (altas latitudes), o oceano libera calor à atmosfera → ar mais ameno.
Trópicos recebem mais radiação do que perdem; polos perdem mais do que recebem → o calor precisa ser transportado dos trópicos aos polos (e ar frio ao equador). O aquecimento desigual gera a circulação em larga escala.
- ZCIT (perto do equador): nebulosidade o ano todo — nuvens barram radiação solar (esfria) mas absorvem a terrestre (não deixa esfriar muito).
- ~30° (subtrópicos): céu limpo → maiores temperaturas nos desertos, NÃO no equador.
- Latitudes médias (45°–60°): sucessão de massas quente/frio + frentes; ar frio derruba a T (mais forte sem nuvens — inverno S/SE/CO do Brasil).
- Ventos locais (brisas terrestre, marítima, de vale, de montanha) mudam a T em prazos curtos.
O que éAcompanha a variação da radiação nas 24 h. Após o pôr do Sol → resfriamento radiativo; T cai na madrugada; mínima próximo ao nascer do Sol.
PONTO-CHAVE: a T do ar responde à radiação líquida (solar incidente − terrestre emitida), NÃO diretamente à radiação solar. Por isso a máxima vem horas APÓS o meio-dia solar.
Nascer → ~15 h: radiação líquida positiva (entra mais) → T sobe › depois fica negativa (Terra emite mais) → T cai
Amplitude térmica diurna
DefiniçãoDiferença entre T máxima e mínima do dia; depende da variação da altura do Sol. Maior em latitudes baixas (trópicos).
| Fator | Efeito na amplitude diurna |
|---|---|
| Continentalidade | menor sobre oceanos, maior sobre continentes |
| Nuvens | reduzem (dia refletem; noite reirradiam) |
| Vento | calmo aumenta (menos troca entre camadas) |
| Umidade relativa | ar seco aumenta (mais infravermelho escapa) |
| Cobertura | vegetação ameniza; áreas urbanas ampliam |
Regiões florestadas: mais amenas de dia, mas noites/madrugadas mais quentes (evapotranspiração).