🧭 MMPH · Cap.4 — Umidade

Mapa Mental PH (aula enxutíssima) · Ynoue, Meteorologia — Noções Básicas · V.02-MO · Área V do edital · só o que cai, em esquemas · ✎ marque lacunas e oclusões para revisão ativa
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Visão geral

O que éImprescindível à vida; cobre >70% da superfície do planeta; única substância nas 3 fasesgasosa, líquida e sólida — nas T e P da Terra.
Molécula2 hidrogênio + 1 oxigênio.

Ponte de hidrogênio

O que éLado positivo de uma molécula atrai o negativo da outra; o oxigênio de uma liga-se ao hidrogênio da outra.
alta capacidade térmicatensão superficialalto ponto de ebulição
Gelo flutua: ao resfriar até solidificar, as pontes de hidrogênio formam estrutura cristalina hexagonal de densidade menor que a água → a água se expande ao congelar (quase todas as substâncias se contraem).

Os três estados

  • Sólido = gelo/cristal: padrão rígido, moléculas só vibram (sem translação), forma definida.
  • Líquido = água: moléculas próximas, com translação entre si.
  • Gasoso = vapor d'água: movem-se livremente, sem forma.
A fase é determinada pela pressão e pela temperatura.
fig4-1
fig4-1 — Molécula de água: dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio (adaptado de It's Just..., s.d.)
fig4-2
fig4-2 — Ponte de hidrogênio entre duas moléculas de água (adaptado de Ponte..., s.d.)

Mudanças de fase (6 nomes)

NomeDe → para
Fusãosólido → líquido
Vaporizaçãolíquido → gasoso
Condensaçãogasoso → líquido
Solidificaçãolíquido → sólido
Sublimaçãosólido → gasoso (direta)
Ressublimação/deposiçãogasoso → sólido (direta)

Vaporização — 3 variantes

  • Evaporação: fenômeno de superfície; moléculas com energia cinética suficiente escapam da tensão superficial, abaixo do ponto de ebulição.
  • Ebulição: líquido já na T de ebulição, borbulha recebendo calor.
  • Calefação: recebe muito calor em curto período e vira gás rapidamente.
Ponto de ebulição = T na qual a pressão de vapor do líquido se iguala à pressão atmosférica.
fig4-3
fig4-3 — Fases da água: (A) sólida; (B) líquida; (C) gasosa (adaptado de It's Just..., s.d.)
fig4-4
fig4-4 — Mudanças de fase da água a pressão constante (adaptado de Mudança..., s.d.)

Taxa de evaporação cresce a de condensação as duas se igualam saturação (equilíbrio).

fig4-5
fig4-5 — (A) Condensação e evaporação da água e (B) saturação (adaptado de Precipitation, s.d., e UCSB, s.d.)
ExcessoInserir mais vapor no ar saturado faz as moléculas em excesso condensarem.
Na atmosfera, a saturação é atingida normalmente pela queda da temperaturanão pela adição de vapor.
NomeCiclo hidrológico; movido pelo Sol; sem ponto inicial.

Sol aquece oceanos evaporação correntes de ar transportam (ascendentes sobem) T baixas condensam em gotas / ressublimam em cristais colidem e crescem precipitação (chuva, neve, granizo).

  • Sobre a terra: escoamento superficial → lagos e rios → retorna aos oceanos.
  • Infiltração no solo → enche os aquíferos (guardam água doce por longos períodos).
  • Somam-se evaporação de rios/lagos e transpiração de plantas e animais.
DefiniçãoQuantidade de vapor d'água na atmosfera.
Parcela de arBolha imaginária encapsulada, de massa constante, que se expande e contrai.
MedidaFórmula / unidadeNota
Umidade absolutamassa vapor ÷ volume  [g/m³] (4.1)Depende do volume (20 g em 1 m³ = 20; em 2 m³ = 10) → pouco usada
Umidade específica (q)massa vapor ÷ massa de ar  [g/kg] (4.2)Não varia com expansão/contração
Razão de mistura (r)massa vapor ÷ massa de ar seco  [g/kg] (4.3)Muito próxima de q; mesma vantagem
Pressão de vapor (e)pressão exercida pelo vapor  [hPa]Lei de Dalton (pressões parciais)
Dalton (ex.)A 1000 hPa: N₂ 78% = 780 hPa, O₂ 21% = 210 hPa, vapor 1% = 10 hPa.
fig4-9
fig4-9 — Psicrômetro: termômetros de bulbo seco e de bulbo úmido (LABCAA, s.d.)
fig4-10
fig4-10 — Termo-higrógrafo, com o cabelo humano usado como sensor de umidade (cortesia da Estação Meteorológica do IAG/USP)
Pressão de saturação (es)Depende basicamente da temperatura: quanto mais quente, maior a es necessária para saturar.

Umidade relativa (UR) — a mais usada

UR = e/es × 100% (4.4) UR = r/rs × 100% (4.5)

50% = metade do vapor p/ saturar100% = saturado>100% = supersaturado
Duplo controle da UR (vapor constante): elevar T → aumenta rs → REDUZ a UR; reduzir T → diminui rs → ELEVA a UR.

Ex. Mirante de Santana (6/6/2011, massa polar): madrugada ~10 °C com UR ~90%; às 16 h T sobe a 22,7 °C e UR cai ao mínimo de 36%; ao entardecer T cai e UR volta a 70%.

fig4-7
fig4-7 — Variação da pressão de saturação do vapor com a temperatura (adaptado de LTID, s.d.)
fig4-8
fig4-8 — Variação da umidade relativa e da temperatura do ar ao longo do dia 6 de junho de 2011 na estação Mirante de Santana (São Paulo/SP) (adaptado de Inmet, s.d.-b)
DefiniçãoT obtida ao resfriar o ar até a saturação (pressão e vapor constantes). Sempre ≤ T do ar. Mais vapor → maior o ponto de orvalho.
  • Estima a T mínima da madrugada e prevê orvalho/geada. Com menos vapor, a atmosfera absorve menos radiação terrestre → a mínima cai mais (céu limpo, ventos calmos).
  • Diferença T − ponto de orvalho estima a UR: maior diferença → menor UR; iguais → UR 100%.
Pegadinha clássica: UR baixa pouco vapor. Deserto 35 °C, orvalho 10 °C, UR 21% tem MAIS vapor que a massa polar -2 °C, orvalho -2 °C, UR 100%. A UR é fração do limite de saturação, não a quantidade de vapor.

Psicrômetro

  • Dois termômetros idênticos lado a lado.
  • Bulbo seco = temperatura do ar.
  • Bulbo úmido = envolto em musselina; molha-se e força-se corrente de ar; a evaporação retira calor e a T cai a um mínimo = temperatura de bulbo úmido. Quanto mais seco o ar, maior o resfriamento.
UR calculada pela depressão do bulbo úmido = diferença bulbo seco − bulbo úmido. Maior diferença → menor UR; ar saturado → os dois marcam o mesmo valor.
Tabela psicrométricaVálida para a pressão local. Ex. SP (930 hPa): bulbo seco 27 °C, úmido 20 °C → depressão 7 °C → UR 53%.
Higrômetro de cabeloCabelo humano/crina de cavalo estica com umidade, contrai ao cair; usado no termo-higrógrafo (registra T e umidade juntas).
Atingida a saturação, formam-se gotas de água líquida ou cristais de gelo.
Onde as gotas existemNa atmosfera como nevoeiro, neblina ou nuvem; ou sobre uma superfície (orvalho).
OrvalhoCondensação do vapor sobre uma superfície. Noite de céu aberto e sem vento: superfície resfria por radiação, ar resfria por condução; atinge o ponto de orvalho → gotas.
  • Geada branca: ponto de orvalho < 0 °C e superfície atinge o congelamento → vapor deposita como cristais de gelo (aspecto branco); ou orvalho já formado congela abaixo de 0 °C.
  • Geada negra (mais severa): pouca umidade + perda radiativa intensa; a vegetação resfria à temperatura letal, sem deposição de gelo, e morre pelo congelamento das células.
Gotas de nuvem precisam de pequenas partículas — os núcleos de condensação. Sem elas, a condensação só começaria com UR acima de 100%.
Água super-resfriadaLíquida, porém abaixo de 0 °C. Cristais de gelo exigem núcleos de gelo.

Formação por faixa de temperatura de saturação

FaixaO que se forma
0 a -4 °Cágua super-resfriada (líquida); o gelo não se forma
abaixo de -4 °Ccresce a probabilidade de formar gelo
-10 a -40 °Ccristais de gelo e/ou gotas super-resfriadas
abaixo de -40 °Capenas cristais de gelo (com ou sem núcleos)

Tipos de condensação — Inmet (+ METAR)

TipoDefiniçãoMETAR
Chuvagotas caem quando o peso supera as correntes verticais; 1 mm = 1 L/m²
Chuvisco/garoagotas < 0,5 mm, parecem flutuar no ar
Granizogelo de cumulonimbus; diâmetro ≥ 5 mmGR / GS (pequeno)
Nevecristais translúcidos hexagonais, congelamento direto do vapor; formam flocosSN
Névoagotículas microscópicas em suspensão; NÃO reduz a visibilidade
Nevoeirogotículas visíveis; reduz a visibilidade < 1000 m; exige saturação + núcleosFG
fig4-11
fig4-11 — Formas de condensação: (A) orvalho; (B) geada; (C) nevoeiro (Thinkstock)