🧭 MMPH · Cap.5 — Estabilidade, Nuvens e Precipitação

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Conceito

EstabilidadeTendência de um corpo de voltar à posição inicial depois de deslocado.
No ar, decide-se porDiferença entre a temperatura da parcela de ar e a temperatura do ambiente ao redor.
Essa diferença comanda tanto a formação de nuvens quanto a dispersão de poluentes.

Como a temperatura da parcela muda

Diabático = troca calor com o ambiente Adiabático = muda a temperatura sem trocar calor algum

Dois pilares da FísicaLei dos gases ideais + Primeira lei da termodinâmica.
Aplicados aSubida do ar › mecanismos que a forçam › três condições de estabilidade estática.
RelacionaPressão, volume e temperatura por uma equação de estado. Ponto de partida da Meteorologia.
Eq.FormaVariáveis
5.1p·V = m·R·Tp pressão (Pa), V volume (m³), m massa (kg), T temp. absoluta (K), R constante do gás
5.2p = ρ·R·Tdensidade ρ = m/V
5.3p·α = R·Tpor 1 kg: volume específico α = 1/ρ (volume de 1 kg de gás)

Primeira lei — conservação de energia

Eq. 5.4ΔH = P·Δα + cv·ΔT — o calor adicionado se reparte em trabalho (P·Δα) + variação da energia interna / temperatura (cv·ΔT).
Caminho à nuvemResfriar a parcela até o ponto de orvalho/congelamento é o modo mais comum de saturar.
  • Diabático: há fornecimento/remoção de calor (condução, evaporação/condensação, radiação); termo ΔH ≠ 0.
  • Adiabático: ΔH = 0 › se expande, esfria; se comprime, aquece. Formação de nuvens é o exemplo clássico (parcela sobe › pressão cai › expande › esfria).

Taxas adiabáticas

TaxaValorQuando
Seca — Γd (dry)−1 °C/100 m = −10 °C/km (fixa)parcela não saturada
Úmida — Γw (wet, pseudoadiabática)≈ −0,6 °C/100 m = −6 °C/km (não constante)parcela saturada, a partir do NCL
NCLNível de condensação por levantamento — altitude em que a parcela satura e o vapor passa a líquido/sólido.
A úmida é menor que a seca porque a condensação libera calor latente, que "freia" o resfriamento. Guardar a ordem Γw (6) < Γd (10) — chave da estabilidade estática.
fig5-1
fig5-1 — Ascensão de uma parcela seca na atmosfera por um processo adiabático (adaptado de Apollo, s.d.)
fig5-2
fig5-2 — Mecanismos de levantamento do ar: (A) convecção; (B) levantamento orográfico; (C) convergência de ar; (D) levantamento ao longo de superfícies frontais (adaptado de Ahrens, 2009, e Apollo, s.d.)
fig5-3
fig5-3 — Nuvem lenticular a sotavento das montanhas (Tronador, CC BY-SA 2.0)
fig5-4
fig5-4 — Atmosfera absolutamente instável para (A) uma parcela não saturada e (B) uma parcela saturada (adaptado de Ahrens, 2009)
fig5-5
fig5-5 — Atmosfera absolutamente estável para (A) uma parcela não saturada e (B) uma parcela saturada (adaptado de Ahrens, 2009)
fig5-6
fig5-6 — Atmosfera condicionalmente instável (adaptado de Grimm, 1999a)

Para esfriar adiabaticamente e formar nuvem, a parcela precisa antes ser erguida. São quatro mecanismos:

MecanismoComo ergue o ar
Convecção livrede dia a superfície aquece; ar quente menos denso sobe, expande, esfria e condensa no ponto de orvalho
Orográficocadeia de montanhas força o vento a subir a barlavento (lado de onde sopra o vento), com chuvas intensas
Convergênciana baixa pressão o ar flui ao centro; por conservação de massa, tende a subir
Frontalna frente fria, o ar frio mais denso penetra sob o ar quente e o empurra para cima
Orográfico — sotaventoAo descer a sotavento (lado oposto ao vento) o ar fica mais seco e mais quente; forma nuvens lenticulares.
Frontal — nuvensO ar quente erguido produz cumulus e cumulonimbus. Latim: cumulus = aglomerado, nimbus = chuva forte.

Regra do jogo (parcela × ambiente)

Parcela mais friaque o ambiente › mais densa › desce e volta › atmosfera ESTÁVEL.
Parcela mais quenteque o ambiente › menos densa › continua subindo › atmosfera INSTÁVEL.
TVVTATaxa de variação vertical da temperatura ambiente — perfil real medido por radiossondagem. Compara-se com a adiabática seca (não saturada) ou úmida (saturada).
Sinal: todas as taxas são negativas (T cai com a altura). Logo "menor" quer dizer "cai mais rápido".

Tabela-resumo (°C por 1000 m)

CondiçãoRelação das taxasExemploParcela
Absolutamente instávelTVVTA < Γd < Γw−11 < −10 < −6sempre mais quente › sobe (seca ou saturada)
Condicionalmente instávelΓd < TVVTA < Γw−10 < −8 < −6estável até saturar, depois instável
Absolutamente estávelΓd < Γw < TVVTA−10 < −6 < −4sempre mais fria › desce (seca ou saturada)
NeutraTVVTA = Γd ou = Γwnem sobe nem desce
A condicionalmente instável é a situação mais comum: a instabilidade fica condicionada a a parcela saturar (TVVTA fica entre as duas adiabáticas).

3 ingredientes p/ formar nuvem: mecanismo de levantamento parcelas instáveis em ascensão transporte de umidade

OndeQuase sempre limitadas à troposfera; podem conter água líquida, cristais de gelo ou ambos.

Classificação clássica (pela forma)

CategoriaCaracterística
Cirrusfinas, de cristais de gelo
Stratusdispostas em camadas
Cumulusisoladas, base achatada, formadas por convecção
Nimbusproduzem chuva

Pela altura da base

Altas: Ci, Cs, CcMédias: As, AcBaixas: Cu, St, Sc, NsConvectivas: Cu, Cb
Altura da base × latitudeMuda porque a troposfera é mais espessa nos trópicos e mais rasa nos polos (base alta: tropical 6–18 km, temperada 5–13, polar 3–8).
fig5-7
fig5-7 — Classificação de nuvens (Inmet, s.d.-d, e Bidgee, CC BY-SA 3.0)
Gotícula de nuvemDiâmetro médio ~0,02 mm; só vira chuva quando ganha massa para vencer a flutuação térmica que a sustenta.

Dois processos de crescimento: condensação colisão e coalescência

Por condensação

Sobre núcleos de condensação, para em raio ~20 µminsuficiente. Precipitação exige gotas com diâmetro > 1 mm. Sozinha, a condensação não produz chuva.

Colisão e coalescência (nuvens quentes)

  • Nuvens quentes: topo com temperatura acima de 0 °C (maioria das nuvens baixas dos trópicos).
  • Gotas grandes têm velocidade terminal maior › a maior alcança e colide com as menores.
  • Após colidir, se juntam = coalescência › gota ainda maior.

Nuvens frias e mistas — processo de Bergeron

FriasTopo abaixo de 0 °C (maioria das médias e altas): cristais de gelo e/ou gotas super-resfriadas.
MistasSó o topo abaixo de 0 °C (ex.: cumulonimbus): líquida embaixo, super-resfriada + gelo no meio, só gelo no topo.
Bergeron (Tor Bergeron, 1891–1977): à mesma temperatura, a pressão de vapor de saturação sobre o gelo é MENOR que sobre a água. O vapor deposita-se no cristal, que cresce, enquanto a gota super-resfriada evapora e encolhe; ao crescer, o cristal cai e colide com outros.
fig5-8
fig5-8 — Colisão e coalescência em nuvem quente (adaptado de Ritter, 2006)
fig5-9
fig5-9 — Processo de Bergeron em nuvem mista (adaptado de Tarbuck e Lutgens, 2006, e Ritter, 2006)
fig5-10
fig5-10 — Tipos de pluviômetro: (A) Ville de Paris e (B) em plástico rígido (cortesia da Estação Meteorológica do IAG/USP)
Por que importaQuantidade e distribuição das chuvas definem clima seco ou úmido e, com a temperatura, determinam a vegetação natural.
InstrumentoPluviômetro; o padrão da rede brasileira é o Ville de Paris. Área de captação mínima recomendável: 100 cm².
Altura pluviométrica (Eq. 5.8)h = volume precipitado / área de captação (em mm).
1 mm = 1 L/m² — 1 L espalhado por 1 m² forma lâmina de 1 mm. Ex.: pluviômetro com 52 mm = 52 L/m². Conversão: 1 mm = 0,039 in.